SOLENIDADE DE CORPUS CHRISTI

Clique aqui e ouça o belíssimo ofício Adoro Te Devote, composto por Santo Tomás de Aquino a pedido do Papa Urbano IV, no século XIII, por ocasião da promulgação da Festa de Corpus Christi através da Bula “Transiturus”.

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Ó sagrado convite em que se recebe a Cristo:
renova-se a memória de sua Paixão;
a alma se plenifica de graça,
e nos é dado um penhor da glória futura.

Fonte: Hojitas de Fe, 200, Seminário Nossa Senhora Corredentora, FSSPX
Tradução: 
Dominus Est

Nas Vésperas da festa de Corpus Christi cantamos esta linda antífona, escrita (como todo o Ofício do Santíssimo Sacramento) por Santo Tomás de Aquino, e carregada de significado teológico.

Com efeito, Santo Tomás nos ensina na Suma Teológica (III, 60, 3) que todo sacramento, especialmente o da Eucaristia, é um sinal sensível que significa a nossa santificação, na qual podemos considerar três coisas: 1º a própria causa da santificação, que é a Paixão de Cristo; 2º sua essência mesma, que é a graça; 3º seu fim último, que é a vida eterna.

E assim, a Sagrada Eucaristia é um sinal rememorativo da Paixão de Cristo; um sinal demonstrativo do que se realiza em nossas almas pela Paixão de Cristo, a saber, a graça; e um sinal prenunciativo da glória futura. Consideremos, pois, cada um desses três pontos.

1º A Sagrada Eucaristia – sinal rememorativo da Paixão de Cristo

Esta é uma das verdades fundamentais que se nos quer fazer esquecer hoje, quando nos apresentam a Sagrada Eucaristia somente sob o aspecto da comunhão ou de ceia. No entanto, a Sagrada Eucaristia deve ser apreciada e considerada também sob outro aspecto, mais importante, que é o de sacrifício. A Sagrada Eucaristia não é tão somente uma comunhão com o Corpo e Sangue de Cristo; é, antes de tudo, a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário. Ambos os aspectos são inseparáveis. Sem Sacrifício não haveria Sacramento: uma vez que Cristo faz-se presente sob as espécies de pão e vinho para ser imolado. Da mesma forma, sem Sacramento não há Sacrifício: porque, para que haja sacrifício, é necessária a presença da Vítima e porque a integridade do Sacrifício exige a comunhão com a Vítima sob o aspecto de Sacramento.

E para nos mostrar de maneira sensível a íntima união entre os dois aspectos, a Igreja sempre manteve juntos o sacrário e o altar. Desgraçadamente, por quase cinquenta anos agora, nas igrejas passou-se a separar o tabernáculo do altar; o Santíssimo, que anteriormente tinha seu trono solene no meio da igreja, no centro, onde todos os olhos imediatamente o viam, foi relegado para o lado, às vezes para um canto, quando não há que se voltar para tentar localizar a lâmpada que indica sua presença. Querem fazer-nos esquecer que a Eucaristia é, em primeiro lugar, sacrifício. Qual é a triste consequência disso? Uma vez destruída a noção católica da Missa, uma vez perdida a ideia de sacrifício, acaba mesmo por perder-se a noção de presença real. Já não se crê na presença eucarística; reduziu-se a uma simples presença espiritual, uma simples memória…

É fundamental que compreendamos esta verdade: a Sagrada Eucaristia é Adoração, é Expiaçãopelos nossos pecados, é Ação de Graças e é Súplica de tudo quanto necessitamos, porque é Sacrifício: o Sacrifício de Jesus Cristo, Deus feito homem, renovado todos os dias nos altares, para devolver-nos a amizade de Deus e alcançarmos os dons celestiais.

2º Santa Eucaristia – sinal demonstrativo e causa da graça.

A Sagrada Eucaristia, em virtude da Paixão de Cristo, aumenta e fortalece em nós a graça santificante. No entanto, não o faz como os outros sacramentos, nos quais se nos comunica uma graça criada; este Sacramento supera a todos em excelência, porque nele se nos comunica o autor mesmo da graça. E que graça quer conceder Nosso Senhor pessoalmente à nossa alma? O evangelho da festa de Corpus Christi nos mostra muito bem. Nosso Senhor nele nos diz:

  • “A minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida”. Ou seja, do mesmo modo que a vida corporal necessita de alimento, assim também a vida espiritual. Mas o que é realmente maravilhoso, é que Jesus Cristo não se conformou em dar-nos qualquer alimento; Ele mesmo quis ser o alimento de nossas almas, o alimento de nossa vida sobrenatural. Assim já o manifestaram as figuras da Sagrada Eucaristia no Antigo Testamento, sendo quatro as principais, todas elas sob a forma de alimento: 1º a árvore da vida; 2º o sacrifício de Melquisedec; 3º o maná; 4º o cordeiro pascal. E assim como na vida corporal “o alimento sustenta, acrescenta, restaura e deleita”, como Santo Tomás assinala, assim Nosso Senhor Jesus Cristo quer, através deste sacramento, sustentar nossa vida sobrenatural para que ela não pereça, acrescentá-la para que se desenvolva, restaurá-la para devolver-lhe as forças que podem se perder pelo pecado, e deleitá-la para nos plenificar de gozo e de amor de Deus.
  • “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”. Ou seja, se Nosso Senhor quer ser nosso alimento, é para unir-se a nós, e para unir-nos a Ele. O fruto próprio deste sacramento é a união a Jesus Cristo e a união entre todos os fiéis. Por quê? Porque neste sacramento Nosso Senhor realiza e aperfeiçoa nossa incorporação a Ele, conforme já nos ensinara: “Eu sou a videira, vós sois os ramos”. Por esta razão, na Secreta da Missa da festa de Corpus Christi, a Igreja pede a Deus o dom da unidade: “Concedei-nos propício, Senhor, à vossa Igreja os dons da unidade e da paz, misticamente representados pelos dons que vos oferecemos”.
  • “Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim”. Com efeito, se Nosso Senhor quer nos unir a Si, é para fazer-nos viver de sua vida, é para ser nossa vida: “Para mim o viver é Cristo”; é para transformar-nos n’Ele. “O unigênito Filho de Deus – diz Santo Tomás nas Matinas do dia de Corpus Christi – querendo fazer-nos partícipes de sua divindade, tomou nossa natureza, para que sendo homem, fizesse aos homens deuses”. E para isso, continua Santo Tomás, “entrega-se como resgate por nós na cruz, e como alimento na Sagrada Eucaristia”. De modo que, por meio da Sagrada Comunhão, Nosso Senhor vem estabelecer em nossas almas: • “uma comunhão de vida: possuímos, realmente e sem figura, a própria vida de Cristo; • uma comunhão de mistérios: Nosso Senhor nos faz participar de todos os estados de sua vida mortal, e apropriar-nos de sua própria virtude, para que continuemos reproduzindo-o em nós; • uma comunhão de sentimentos: dando-nos uma perfeita conformidade de visões, de julgamentos, de vontades, de sofrimento, de ação; • uma comunhão, enfim, do que Jesus Cristo tem de mais íntimo: sua qualidade de Filho de Deus.

3º A Santa Eucaristia – sinal prenunciante da glória futura.

Essa união que Jesus Cristo contrai conosco através da Eucaristia não desaparece quando as espécies sacramentais de pão e vinho deixam de existir, mas deve durar por toda a eternidade. A Sagrada Eucaristia comunica às nossas almas uma vida divina e imortal, que nos fará viver para sempre, e que já coloca em nosso corpo uma semente da ressurreição gloriosa: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”.

Se, de fato, esta união é interrompida, é somente por culpa nossa, porque Deus nos dá de sua parte quantas graças são necessárias para que esta união seja perpétua. Com efeito, por este Sacramento, Jesus Cristo nos dá força para evitar o pecado e nos preserva das culpas; sustenta e fortalece a vida da graça para que dure sempre; e nos une a Si, para que nós já nesta vida o possuamos como o possuem os bem-aventurados no céu.

De modo que Deus dá um mesmo manjar aos santos do céu e aos homens neste vale de lágrimas, mas preparado e acomodado ao estado de cada um. Esse manjar único é a divindade e a humanidade de Cristo, que os bem-aventurados veem claramente, e nas quais se embriagam e encontram toda felicidade; e que também a nós se nos entrega neste Sacramento, mas acomodado ao nosso estado de peregrinos, ou seja, sob o véu e obscuridade da fé.

Nosso Senhor prometeu: “Quem comer a minha carne e beber o meu sangue viverá eternamente”. Portanto, a alma que frequentemente recebe a Jesus na Comunhão, que se prepara para recebê-lo fervorosamente e que, alimentada por esse manjar, leva uma verdadeira vida cristã, está moralmente seguro de sua salvação eterna, pois através deste sacramento receberá as forças necessárias para vencer todos os obstáculos e alegremente atravessar as portas da eternidade. E lá, no céu, a união final e total da alma com Jesus Cristo será consumada, uma união já iniciada nesta vida através do sacramento da Eucaristia.

Conclusão

A recepção frequente da Eucaristia obriga-nos a levar uma vida santa. Nós não podemos, nós que recebemos a Jesus tantas vezes, viver como os outros homens. Devemos levar a mesma vida de Jesus: “Aquele que comer a minha carne viverá por mim”. Por isso:

  • Antes de tudo, devemos guardar, a todo custo, o estado da graça santificante, que Jesus Cristo nos comunica através deste sacramento, e tratar de cultivá-lo com a união a Deus através da oração e dos sacramentos.
  • Depois, devemos lembrar que a Eucaristia obriga-nos a reproduzir a paixão de Cristo, ou seja, obriga-nos a morrer definitivamente ao pecado e a unir todos os nossos sofrimentos e sacrifícios aos de Jesus.
  • Finalmente, devemos nos esforçar em viver desde agora uma vida de anjos, uma vida que esteja em consonância com a glória futura que Cristo nos promete, amando as coisas do céu e aprendendo a desprezar as da terra, onde estamos apenas de passagem.

“Beija-me com um beijo de tua boca”, desejava a esposa do Cantares: a Igreja, até então beijada pela boca dos patriarcas e dos profetas, já deseja que o mesmo Deus em pessoa, fazendo-se homem, viesse a ela para unir-se a Ele. E por isso alegra-se ao vê-lo finalmente chegar: “ Ei-lo que aí vem, saltando sobre os montes, pulando sobre as colinas”. Admiremos os saltos do Verbo de Deus para unir-se a nós: do seio do Pai, salta ao seio de Maria, daí para a Cruz, da Cruz para o sepulcro, do sepulcro para o céu; mas antes de nos deixar, Ele inventa a maneira de permanecer entre nós, não sendo capaz de separar-se das almas que tanto ama.

Assombremo-nos com a maravilhosa condescendência de um Deus que, apesar de tantas ingratidões e rudezas como as que há neste mundo, ainda assim quer permanecer presente entre nós! Celebremos, pois, alegremente, a presença de Jesus Cristo entre nós, e peçamos-lhe a graça de apreciar tão grande benefício, aproveitando quanto pudermos do Sacramento de seu Amor: “Oh Deus, que neste sacramento admirável nos deixaste o memorial da vossa Paixão, fazei, nós Vo-lo suplicamos, que veneremos o vosso Corpo e Sangue de tal modo que mereçamos sentir constantemente os efeitos da vossa Redenção”. (Colecta da festa de Corpus Christi).

Que a Santíssima Virgem nos ajude a compreender a grandeza da Eucaristia: da Missa e do Sacramento. Queremos um segredo para assistir com grande fruto a Santa Missa, para comungar com fervor? Unamo-nos a Ela, peçamos-lhe que nos empreste seus sentimentos, os mesmos que Ela teve quando ofereceu seu Filho no altar da Cruz e quando o recebia em seu peito pela comunhão das mãos de São João. Seja Ela a mestra que nos ensine a amar tão grande Sacramento.

Publicado originalmente em 31/05/2018

A LIBERDADE É CATÓLICA

Fonte: Boletim Permanencia

“A liberdade, bem excelente da natureza”. É com essa deliciosa provocação que Leão XIII abre a sua magistral Encíclica Libertas, para mostrar que a Igreja é a verdadeira defensora da liberdade, e para condenar os liberais.

Mais do que amiga da liberdade, a Igreja é mesmo a única a tê-la estabelecido no mundo, segundo Mons. de Ségur:

“A Igreja inimiga da liberdade!? Não foi ela, e somente ela, que a estabeleceu no mundo? Não foi ela que a trouxe de volta ao coração do homem ao romper as cadeias do pecado e o jugo de todas as paixões? A Igreja inimiga da liberdade! Não foi ela que restabeleceu a liberdade da família, derrubando o triplo despotismo do pai, do marido e do amo? Não foi ela que introduziu a liberdade no Estado, negando o poder absoluto do César, dizendo-lhe na cara que mais vale obedecer a Deus que aos homens? Não foi o Papado, não foi a Igreja católica que formou, educou, constituiu as nações cristãs que possuem incomparavelmente mais liberdade que todas as civilizações antigas, tão louvadas pelos nossos pagãos modernos?” (La Liberté)

Assim também, no domínio econômico, podemos nos afastar do liberalismo ao mesmo tempo em que defendemos a liberdade econômica sem medo de contradição. Ensinava Pio XII:

“A economia, como outros ramos da atividade humana, não é, por sua natureza, uma instituição do Estado; ela é, ao contrário, o produto vivo da livre iniciativa dos indivíduos e das associações livremente constituídas” (Alocução de 7/5/49 – grifos nossos)

Os liberais querem impostos baixos? Nos tempos de Pio IX, os Estados Pontifícios eram conhecidos por terem uma das menores tributações da Europa.

Os liberais querem limitar o MEC? Nós preferiríamos suprimi-lo, pois, como ensina o Pe. Berto, resumindo o pensamento da Igreja:

“… [a] função do Estado não comporta absolutamente que o Estado funde por conta própria colégios, que mantenha ele mesmo um corpo de ensino (à exceção das escolas especiais destinadas a preparar para os grandes serviços públicos: exército etc). Assim, ainda que o ensino ‘do Estado’ (…) não estivesse manchado dos erros suplementares da neutralidade, de infiltração comunista etc, seria, no entanto, por sua mera existência, uma instituição contrária à reta razão, à doutrina social da Igreja, aos interesses dos cidadãos”.

Os liberais querem reformar a Previdência? Preferiríamos — mas sabemos não ser isso possível atualmente — subtrai-la das garras do Governo, como queria o grande bispo francês Charles-Émile Freppel:

“Seria fazer um socialismo de Estado se esse último se tornasse, ele mesmo, o garantidor, o administrador, o empreendedor, o gestor dos fundos da previdência. Não devemos tornar o poder público uma espécie de servente ou provedor universal! O legislador deve, portanto, se limitar a exigir o estabelecimento de fundos de previdência; mas, quanto à sua administração, deve confiá-lo a comitês formados por patrões e trabalhadores…”

Falemos como católicos,”en catholique”: podemos defender com a doutrina da Igreja uma sã liberdade econômica.

O princípio de subsidiaridade (do latim ‘subsidium’, proteção) implica num dever do Estado de apoiar, favorecer e fomentar as iniciativas privadas honestas, e não de arruiná-las ou de se substituir a elas.

Marcel de Corte, filósofo e católico de verdade, dizia que, se um governo desejasse ajudar a economia a atingir seu fim próprio, deveria começar por não exercer “ele mesmo, enquanto tal ou por meio de sociedades paraestatais interpostas, nenhuma função econômica de produção propriamente dita”.

Essa concepção, claro está, opõe-se ao erro do Estatismo, vício das sociedades modernas, em especial da brasileira, que rebaixa a população até infantilizá-la, como no prognóstico sombrio de Tocqueville:

Acima deles, ergue-se um poder imenso e tutelar, que se incumbe de assegurar a sua fruição e de velar pelo seu bem estar. É um poder absoluto, detalhista, previdente e doce. Pareceria com um poder paterno se, como tal, tivesse o fim de preparar os homens para a idade viril; mas, ao contrário, não quer senão fixá-los na infância. Ele gosta que os cidadãos se divirtam, desde que não queiram mais do que isso”

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Alguém poderá perguntar: Como resolver essa aparente contradição entre a defesa da liberdade e a condenação ao liberalismo? Por que tantos pensam, ao contrário, que a Igreja é avessa à liberdade?

Essa é a pergunta que Leão XIII se faz na Encíclica Libertas, a qual não saberíamos recomendar o bastante. Resumindo em pouquíssimas palavras, o pontífice responde o seguinte:

“Não sabeis o que é liberdade.”

É SEMPRE BOM LEMBRAR: OS PECADOS QUE CLAMAM VINGANÇA AO CÉU

Fonte: Distrito do México – Tradução: Dominus Est

ALERTA! Há pecados que clamam ao céu!… e são punidos neste mundo. Veremos a seguir o que são e qual o comportamento de um verdadeiro discípulo de Cristo.

“Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade. Não vos deixeis desviar pela diversidade de doutrinas estranhas. É muito melhor fortificar a alma pela graça do que por alimentos que nenhum proveito trazem aos que a eles se entregam” (Hb 13,8).

Todo homem quer ser feliz e viver em paz. Vive em paz aquele que segue a ordem que Deus colocou no mundo e obedece às leis que regem o mundo para que tudo funcione harmoniosamente. A lei natural é obra de Deus, consiste em fazer o bem e evitar o mal. O bêbado, por não obedecer à lei do seu corpo, com o tempo destrói seu fígado e morre. O motorista que não obedece à lei do trânsito em uma curva perigosa, pode acidentar-se e morrer. Deus criou o homem com inteligência e livre arbítrio. O mau uso da liberdade produz o pecado, e o pecado é a causa de nossos problemas. Hoje, a filosofia liberal subjetivista, fruto do livre exame protestante e maçônico, não leva em consideração as leis da natureza. Os homens que perderam a fé cristã católica, pensam que têm o poder e o direito de transtornar as leis da natureza das coisas; eles pensam que a realidade humana deve obedecer suas ideias, mesmo que sejam falsas. Isso faz com que a sociedade passe a ter sérios problemas. A causa de nossos problemas é o pecado; o remédio é seguir a lei de Cristo e respeitar a lei natural.

O que é o pecado?

O pecado é uma desobediência voluntária à lei de Deus. Existem dois tipos de pecado: pecado grave e pecado leve. O pecado grave é chamado de mortal, o pecado leve é chamado venial. O pecado mortal separa o homem de Deus e o entrega ao poder do demônio; abre diante dele a porta do inferno eterno. O pecado mortal coloca o homem numa situação anormal, destrói a graça santificante e a caridade, e expulsa o Espírito Santo da alma. Se uma pessoa morre em pecado mortal, sem confissão e sem arrependimento sincero, ela cairá no inferno, que é um lugar de fogo e sofrimento eterno. Há três condições para que um pecado seja mortal: matéria grave, plena advertência de que um pecado é grave e pleno consentimento. Isso significa que eu sei que o mal que quero fazer é algo grave, e mesmo assim, quero fazê-lo ou dou o meu consentimento. Por exemplo, matar, fornicar, adulterar, embriagar-se.

Entre os pecados mortais, há quatro que são tão graves que Deus os castiga neste mundo. Estes pecados que clamam ao Céu são: Continuar lendo

O CATOLICISMO FRANCÊS TENDE A DIMINUIR CADA VEZ MAIS

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est 

“Cada vez mais os franceses não acreditam em Deus”, segundo o semanário Le Point , que publicou em 23 de maio de 2019 uma enquete sobre a relação dos franceses com a fé. Ele destaca, entre outras coisas, que em 2018 haviam mais muçulmanos que católicos entre os jovens de 18 a 29 anos. 

Se a religião católica continua tendo uma relativa maioria na França em 2018, sua situação deteriorou-se lentamente: apenas 32% dos franceses se dizem católicos, enquanto eram 70% em 1981. Quanto à prática, 7% das pessoas entrevistadas dizem que vão à Missa “pelo menos uma vez por mês”. Os pesquisadores desistiram de abordar o tema da prática dominical (semanal). 

Os católicos praticantes representam menos de 3% dos 18-29 anos, mas aqueles que são, diz o semanário, “defendem um maior nível de religiosidade que os mais velhos, isto é, que o sentimento religioso é mais forte que antes, naqueles que têm fé”. 

Se o protestantismo e o judaísmo estão conhecendo uma regressão semelhante à da Igreja, o islamismo e os grupos evangélicos (pentecostais) estão inversamente em um movimento de crescimento: a natureza sempre tem horror do vazio, e o “deserto” litúrgico e doutrinal do catolicismo pós-conciliar nada faz para impedir este movimento, longe disso. 

Agora “a maior minoria religiosa”, o islamismo, em plena expansão, é professado por 6% dos franceses em 2018. Os muçulmanos, em comparação com outros grupos religiosos, atribuem maior importância à religião em suas vidas.

Além disso, para o ano de 2018, haviam tantos muçulmanos quanto católicos entre 18-29 anos: o Islã está no caminho de se tornar a religião majoritária dos jovens presentes em solo francês. 

Perante conquista do Islã, a outra grande lição dessa enquete é o importante progresso dos não-religiosos, em outras palavras, dos ditos ateus. Este grupo representa 58% da população francesa, contra 27% de quarenta anos atrás. A França, a filha primogênita da Igreja, é agora povoada por apóstatas, ateus e infiéis. 

Nihil novi sub sole. como explica D. Bernard Fellay, Conselheiro Geral da Fraternidade São Pio X, em seu livro-entrevista Por amor da Igreja publicado pela Via Romana: “em um mundo sem referências, os homens inventam coisas novas para se adequar aos seus sentimentos (…). O equilíbrio será restabelecido assim que a fé recuperar seu lugar primordial(…). Em uma sociedade pós-moderna que perdeu quase todos os seus rumos, o padre é mais necessário do que nunca(…). Com efeito, é ao redor do altar que a cristandade poderá ser reconstruída.”

 

LANÇAMENTO DO LIVRO – A MISSA NOVA DE PAULO VI

pAULO viDom Lefebvre sustenta que a anarquia litúrgica e a confusão doutrinal que se seguiram ao concílio não são causadas simplesmente por desvios em relação à reforma oficial, mas são um resultado direto dessa própria reforma. Ele está de pleno acordo com a opinião expressa pelos cardeais Otavianni e Bacci na carta que enviaram ao Papa Paulo VI com o Breve Exame Crítico da Missa Nova, em 1969: “o Novus Ordo Missae, considerados os novos elementos, suscetíveis a tão diversas interpretações que parecem subjacentes ou implícitas, representa, tanto em seu todo como nos detalhes, um impressionante afastamento da teologia católica da santa missa, conforme formulada na Sessão XXII do Concílio de Trento. (…)

O ensinamento eucarístico do Concílio de Trento é realmente comprometido pelo próprio Novus Ordo Missae, e não simplesmente pelos abusos que tem acompanhado sua celebração na maioria dos países. (…)

Apesar de o Arcebispo Annibale Bugnini ter afirmado recentemente que sou um caluniador e que trabalho com colegas caluniadores por profissão, até onde sei, tudo que está contido neste livro é verdadeiro: não pode haver conflito com a verdade e o respeito da obediência verdadeiros. Um subordinado verdadeiramente leal dirá a seu superior não que acha mais provável de o agradar, mas o que acredita ser verdade, e mais provável de beneficiar a organização a que pertencem. (…) O Rei Lear tinha uma única filha leal que permaneceu fiel, apesar de ter sido por ele repudiada.

Michael Davies.

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A AUTORIDADE É UM DIREITO

Resultado de imagem para autoridade dos pais“O princípio da autoridade é a base de toda a sociedade bem organizada.” (Imbert de Saint-Amand, A côrte de Luiz XIV (Mame) p.58.)

Qual é a origem deste direito?

Procuremo-la na própria etimologia da palavra autoridade.

Autoridade (em latim: auctoritas) vem do substantivo (em laim: auctor).

A autoridade é, portanto, uma prerrogativa de autor.

Há alguma autoridade legítima que possa ter outra origem?

Não, porque a uma outra autoridade que não fosse a do autor poderiam dizer:

“Quem é o senhor? Não o conheço; não lhe devo nada; devo tudo Aquele que me fez; mas nada devo senão a Ele e àqueles que O representam.” (Mgr. Dupanloup, Da educação, t. II, p.14)

Pelo contrário, ao seu autor responde naturalmente:

“És Vós? Aqui estou eu. Vós fizeste-me aquilo que eu sou; acaba a Vossa obra; ordena; eu obedeço.” (Ibid.)

Quais são os benefícios deste direito?

1º – Deus em primeiro lugar. Ele é o autor necessário e universal; tem, portanto, uma autoridade plena e pessoal sobre todas as coisas.

É por isso que todas as criaturas se voltam para Deus para Lhe dizer: “Aqui estamos. Adsumus” (Job, XXXVIII,35). O próprio homem, o rei da criação, se aproxima do Criador e diz-Lhe: “Tuus sum ego; eu sou vosso” (Ps. CXVIII,94). – “Deus meus es tu: in manibus tuis sortes mece. Vós sois o meu Deus; os meus destinos estão nas Vossas mãos“. (Ps.XXX,15).
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O ESPÍRITO SANTO E A MISSA NOVA

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

O Espírito Santo nos incita à oração, à união com Nosso Senhor Jesus Cristo, à união com Deus, através da oração. Então é o dom da piedade que o Espírito Santo nos dá. Dom de piedade que se manifesta particularmente pela virtude da religião, que eleva nossas almas a Deus; virtude da religião que faz parte da virtude da justiça. Pois é justo e digno que rendamos um culto e o culto que Deus quer que Lhe rendamos, através de Nosso Senhor Jesus Cristo, através do sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, através da Santa Missa. Deus queria que Lhe rendêssemos toda honra e toda glória, com Nosso Senhor Jesus Cristo, por Nosso Senhor Jesus Cristo, em Nosso Senhor Jesus Cristo, no Santo Sacrifício da Missa. É o que os senhores vêm fazer, é o que a Igreja nos pede para fazer todos os domingos: nos unir ao sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta é a mais bela oração. Esta é a maior oração. Então, é aqui que o Espírito Santo nos inspira essa virtude da religião, esse espírito de profunda devoção, muito mais espiritual do que sensível.

É porque, novamente, há um erro na reforma litúrgica, quando é dada muita ênfase à participação dos fiéis. Eu mesmo ouvi Mons. Bugnini – aquele que tem sido a chave mestra da reforma litúrgica – nos dizer: “Toda essa reforma foi feita com o objetivo de tornar os fiéis mais participativos na liturgia”.

Mas qual participação? A participação exterior, a participação oral. Mas nem sempre são as melhores participações.

Por que a participação exterior? Por que essas cerimônias, por que essas músicas, por que essas orações vocais? Para a união interior, para a união espiritual, para a participação espiritual, sobrenatural, para unir nossas almas a Deus. Continuar lendo

FOTOS DA TRADICIONAL PEREGRINAÇÃO DE PENTECOSTES (FSSPX) – DE CHARTRES À PARIS (2019)

A Peregrinação iniciou em Chartres no sábado, dia 08, com 4500 fiéis para a caminhada e finalizou em Paris, no dia 10, com 7000 presentes na Missa de encerramento.

Fonte: La Porte Latine, DICI e  Pèrelinages de Tradition – Tradução: Dominus Est

A MISSA DE PARTIDA EM CHARTRES 

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Os peregrinos vieram de toda a França e também de vários países. Foram cerca de 4.500 inscritos.

Depois da missa, os fiéis partiram pela Beauce para 3 dias de caminhada de Chartres até Paris.

O Pe. Guillaume Gaud, Prior de Brest – que celebrou a Missa da manhã nos jardins atrás da catedral – lembrou, em seu sermão, que a reconstrução da cristandade deve andar de mãos dadas com a preocupação com bem comum e o espírito de solidariedade, através do Corpo Místico do qual somos membros pelo nosso batismo. O pregador incitou a combatermos o egoísmo, o individualismo – contrário ao espírito de serviço – e a sermos generosamente apóstolos, estando intimamente unidos a Deus. Nomeado Superior do Seminário Santo Cura d’Ars, em Favigny, no último verão, o Padre Gaud terminou com um vibrante apelo pelas vocações.

A SAÍDA E A CAMINHADA DO SÁBADO DE MANHÃ

Depois da missa, milhares de peregrinos partiram pelas estradas da Bauce para um trajeto de 40 quilômetros, sob um sol radiante. Centenas de pequenos caminhantes deram o exemplo peregrinando nos caminhos de Chartres à Paris.

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Não há dúvida de que Nossa Senhora de Fátima se comoverá pelas súplicas destes jovens peregrinos que rezam pelas intenções da Santa Igreja e pela conversão da nossa querida pátria.

A CAMINHADA DO SÁBADO DE TARDE

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CAMINHADA E MISSA PONTIFICAL DO DOMINGO

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No final do segundo dia de caminhada e oração, os peregrinos se reuniram em Villepreux, perto de Versalhes. Desde o dia anterior, o número de inscritos aumentou: 4800.

A Missa do Domingo de Pentecostes foi celebrada perante milhares desses peregrinos que já viajaram mais de 80 km em dois dias.

Durante a Missa pontifícal, celebrada às 18 horas, D. Bernard Tissier de Mallerais entusiasmou os fiéis, lembrando-os dos planos de Dom Marcel Lefebvre para o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

O padre assistente dessa magnífica cerimônia pontifical foi o Pe. Benoit de Jorna, Superior do Distrito da França da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

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Os outros ministros que oficiaram foram:

– Diácono-assistente: Pe. Benoît-Joseph de Villemagne, Superior da Escola Saint-Michel (36) 

– Diácono-assistente: Pe. Gonzague Peignot, Superior da Escola Saint-Joseph-des-Carmes (11) 

– Diácono: Pe. Jean-Yves Tranchet, Superior da Escola Saint Bernard (78) 

– Subdiácono: Pe. Arnaud d’Humières, Superior da Saint- Jean School Michael Garicoits (64)

O serviço de missa foi prestado pelos estudantes da escola de Saint-Jean-Baptiste-de-la-Salle, que vieram em grande número com o Superior do estabelecimento, Pe. Michel Poinsin de Sivry.

BIVOUAC E LOGÍSTICA

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CAMINHADA DA SEGUNDA-FEIRA E ENTRADA EM PARIS

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MISSA DA SEGUNDA FEIRA, NA PLACE VAUBAN

Atrás do Palácio dos Invalidos, a Place Vauban forma uma série de elegantes avenidas simétricas, e foi lá que a Missa de encerramento foi celebrada, para cerca de 7000 fiéis (segundo a prefeitura de Paris), pelo  Padre Benoît de Jorna, Superior do Distrito da França. Ele foi assistido pelos padres Xavier Lefebvre , Diretor da Escola Primária do Menino Jesus, em Bailly (78) e Jehan Pluvié, diretor da escola primária Petit Musc, em Paris(75).

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DOSSIÊ: A MISSA DE PAULO VI

Imagem relacionadaPe. François-Marie Chautard

A missa é o que há de mais belo e melhor na Igreja […] Assim, o diabo sempre procurou,
através dos hereges, privar o mundo da missa. –
Santo Afonso de Ligorio

A despeito de tal pensamento, Lutero não mascarou sua vigorosa rejeição da Missa: “Quando a Missa for destruída, penso que teremos derrubado o papado! Pois é sobre a missa, como sobre uma rocha, que todo o papado descansa, com seus mosteiros, seus bispados, suas universidades, seus altares, seus ministros e sua doutrina … Tudo ruirá quando ruir essa missa sacrílega e abominável.”1

Para além da virulência da intenção, é evidente o abismo que separa a concepção luterana e a doutrina católica sobre a missa.

Esta oposição parece ter sido consideravelmente diminuída com a reforma do Missal Romano operada por Paulo VI, em abril de 1969. Já em maio de 1969, o protestante Max Thurian, da comunidade de Taizé, afirmava placidamente: “Com a nova liturgia, as comunidades não-católicas poderão celebrar a Ceia do Senhor com as mesmas orações que a Igreja Católica. Teologicamente, é possível.”

Como explicar tal mudança? O novo rito estaria mais próximo da posição protestante? Ou foram os protestantes que mudaram? Duas opiniões, uma, de um católico, outra, um de protestante, favorecem a primeira interpretação. 

Monsenhor Bugnini, principal arquiteto da reforma litúrgica, admitiu com surpreendente simplicidade: “[na reforma litúrgica] a Igreja foi guiada pelo amor das almas e pelo desejo de fazer tudo para facilitar aos nossos irmãos separados o caminho da união, removendo qualquer pedra que pudesse constituir sequer uma sombra de risco de tropeço ou desagrado.”2

Os termos utilizados são reveladores: “fazer tudo”, “sombra de risco”, “tropeço ou desagrado”. Para evitar essa “sombra de risco”, Monsenhor Bugnini não negligenciou nada. Seis pastores protestantes foram chamados para ajudá-lo a projetar a nova missa. 

A segunda opinião vem de um protestante. Em 1984, após o indulto do Papa João Paulo II autorizando a celebração da Missa de São Pio V sob certas condições, o jornal Le Monde publicou o seguinte texto, assinado pelo pastor Viot 3

“A reintrodução da Missa de São Pio V (…) é muito mais do que uma questão de linguagem: é uma questão doutrinal da mais alta importância, no centro dos debates entre católicos e protestantes, debates que, da minha parte, julgava felizmente estarem encerrados (…) Muitos dos nossos antepassados ​​na fé reformada de acordo com a Palavra de Deus preferiram ir à fogueira ao invés de assistir esse tipo de missa que o Papa Pio V tornou oficial contra a Reforma. Ficamos, portanto, encantados com as decisões do Vaticano II sobre o assunto e a firmeza de Roma em relação àqueles que não quiseram se submeter ao Concílio e continuaram a usar uma missa que, aos nossos olhos, contraria o Evangelho.”

O pensamento é claro, a linguagem é direta: a irredutibilidade da doutrina protestante e da Missa tradicional permanece. 

A mudança de posição não vem, portanto, dos protestantes, mas do rito católico. Eis a conclusão que precisamos fundamentar em bases sólidas. 

O estudo da missa de Paulo VI não é, pois, de interesse trivial. Esclarecemos, para evitar qualquer mal-entendido, que o exame desse rito cobrirá apenas o texto oficial de 1962, e não as adaptações inacreditáveis, mas infelizmente recorrentes.

Para abordar a reforma do missal litúrgico, procederemos da seguinte maneira:

  1. Alguns lembretes sobre a doutrina católica. 
  2. O paralelo com a missa de Lutero. 
  3. Deficiências doutrinais da missa de Paulo VI. 
  4. Seus autores. 
  5. O delicado problema de sua validade. 
  6. Consequências morais no comparecimento à missa de Paulo VI.

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1. Citado por Cristiani, Du luthéranisme au protestantisme, 1910.

2. Todas essas citações foram tiradas de La messe a-t-elle une histoire? , éd du MJCF, 2002, p. 134.

3. Retornou desde então à Igreja Católica e foi ordenado padre.

A ESSÊNCIA DO PROGRESSISMO

Resultado de imagem para vaticano iiÉ inútil nos iludirmos. O que aconteceu depois do último Concílio prova que “o progressismo cristão”, condenado pelos papas precedentes com diferentes qualificativos (L’Avenir por Gregório XVI; os “católicos liberais” por Pio IX; o “americanismo” por Leão XIII; o “modernismo” e o Sillon de Marc Sangnier por Pio X), terminou por intoxicar grande parte da Igreja, até os mais altos escalões.

espírito pós-conciliar, na realidade, é o espírito progressista. O verdadeiro espírito pós-conciliar, fundado no respeito à doutrina e à tradição, se é que chegou a existir, foi abafado há já muito tempo.

A atual mutação da Igreja foi desejada e preparada desde Lamennais, isto é, desde há 150 anos.

Depois de ter caminhado de maneira subterrânea, a heresia progressista chegou à tona no momento do Concílio; o que até então eram raízes perniciosas, desabrochou e deu os frutos envenenados que surpreenderam e envolveram bom número de padres conciliares (os que não pertenciam à minoria ativa, que, ela sim, sabia perfeitamente o que fazia).

Não é fácil discernir o vírus progressista — freqüentemente não se descobre sua presença a não ser constatando seus efeitos (como numa doença). Seus efeitos são múltiplos, o que engana muitas vezes os católicos fiéis.

São Pio X, que o desmascarou de maneira extraordinária, constatava: “Combinando em si o racionalismo e o catolicismo, eles (os modernistas) o fazem com tal refinamento de habilidade, que transviam os espíritos desprevenidos… Ah! se se tratasse somente deles, poderíamos, talvez, contemporizar; mas é a religião católica e sua segurança que estão em jogo.”

I — O Espírito Progressista, Chave do Problema

O espírito progressista difere enormemente do espírito de um católico romano. A fé que professa não é a nossa.

Para o modernista, precisa São Pio X, “a fé, princípio e fundamento de toda religião, reside em certo sentimento íntimo decorrente da necessidade do divino… A Revelação não pode ser outra coisa senão a consciência adquirida pelo homem das relações existentes entre Deus e ele.” Continuar lendo

ENTREVISTA DE D. FELLAY: “MAIS DO QUE TUDO, O MUNDO ATUAL PRECISA DE PADRES”

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Sua Eminência, o senhor acaba de publicar um livro belamente intitulado “Por Amor à Igreja”. O senhor pode nos dizer algo sobre suas origens? 

Dom Fellay: Este livro tem uma longa história. Minha agenda não me dava toda a liberdade necessária para escrever tal trabalho. Ele foi pensado pela primeira vez há cerca de quatro anos, e a escrita foi concluída há mais de um ano. Como resultado, os temas relacionados às notícias estão parcialmente desatualizados.

“Por amor à Igreja” nos convida a questionar o lugar da Fraternidade Sacerdotal São Pio X na Igreja. Não deveria este lugar estar em Roma, porque Roma é a cabeça e também o coração da Igreja?

O coração da Igreja é o Espírito Santo, é o amor de Jesus, e é também o sacerdócio, tão intimamente ligado a Nosso Senhor e ao Seu Sagrado Coração. O chefe da igreja é Cristo.

Aqui abaixo, o líder visível da Igreja é o Papa, a quem estamos naturalmente sujeitos, a quem respeitamos e temos sempre respeitado, assim como todas as autoridades legítimas da hierarquia eclesiástica.

O lugar da Fraternidade é no centro, no coração da Igreja. Pois o sacerdócio e a Santa Missa, intimamente ligados uns aos outros, são o coração da Igreja; a bomba que transmite a vida da graça por todo o corpo.

Como católicos romanos, nosso lugar também está em Roma. Mas você sabe que estamos passando por uma crise terrível, uma verdadeiramente desorientação diabólica, que substituiu a Roma eterna, mestra da sabedoria e da verdade, por uma nova Roma, nascida do Concílio Vaticano II, uma Roma neo-modernista com tendências liberais, que devemos resistir para manter a fé. Continuar lendo