SERMÃO DAS CINZAS

Resultado de imagem para cinzas fsspx§ I
 
Que o Criador, e as criaturas todas estejam continuamente lembrando ao homem, que há de morrer; e que possa o homem esquecer-se deste desengano! Muito é para admirar, e muito mais para sentir. Se estendermos os olhos da consideração por tudo o que abraça a redondeza do Céu e da terra, acharemos que em todo o tempo, e em toda a parte nos tem Deus postos manifestos avisos, e sinais da nossa morte. Mas também acharemos, que em todo o tempo, e em toda a parte tem o homem posto os sinais do esquecimento da sua morte. Que outra cousa é o movimento dessas estrelas, o ocaso dos planetas, a roda dos tempos, o combate dos elementos, o curso e recurso das águas, a diferença das idades, a mudança dos impérios, a instabilidade dos costumes, e leis, e a perpétua inconstância de todo o século; que outra coisa é, digo, senão uma viva e repetida lembrança que Deus nos faz da morte? E que outra cousa é também a ambição da glória do mundo, a estimação de seus gostos vãos, tantas esperanças, tantos temores sem fundamento; que cousa é todo o reino, ou escravidão do pecado, senão claros sinais do esquecimento que o homem tem da morte?
Enfim, que Deus por sua boca diz: Caelum et terra transibunt1. E o pecador por suas obras responde: Non movebor à generatione in generationem2. Nos tempos de Noé naufragou o mundo em dous dilúvios: um de águas, e outro de pecado: Terra repleta est iniquitate. Multiplicate sunt aquae e omnia repleverunt in superficie terrae3. Avisou Deus primeiro que mostrasse sua ira, e desprezaram os homens sua misericórdia, com tal excesso que Deus, sendo a mesma imutabilidade, mostrou pesar de haver criado o homem; e o homem, sendo a mesma mudança, não mostrou pesar de haver ofendido a Deus. Edificava pois Noé a arca, público desengano daquela destruição geral; e edificavam juntamente os pecadores palácios, e casas de prazer pelo desenho de sua vaidade. Cada prevenção de Noé é um aviso, cada golpe um protesto, tudo são cautelas para escapar da morte, e os pecadores tudo prevenções para lograr-se da vida. Entraram todos os animais naquele estreito refúgio de sua conservação (caso estupendo) e não entrou ninguém em si para tomar o acordo de segui-los.

Continuar lendo

A LEMBRANÇA DA MORTE E O JEJUM QUARESMAL

Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris ― «Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar» (Gen 3, 19).

Sumário. Os insensatos que não crêem na vida futura, estimulam-se com o pensamento da morte a passarem bem a vida. De maneira bem diferente devemos nós proceder, os que sabemos pela fé que a alma sobrevive ao corpo. Nós, lembrando-nos de que em breve temos de morrer, devemos cuidar da nossa eternidade e por meio de oração e penitência aplacar a divina justiça. É com este intuito que a Igreja, depois de por as cinzas sobre a cabeça, nos ordena o jejum da Quaresma.

Para compreendermos em toda a sua extensão o sentido destas palavras, imaginemos ver uma pessoa que acaba de exalar o último suspiro. Ó Deus, a cada um que vê esse corpo, inspira nojo e horror. Não passaram bem vinte e quatro horas depois que aquela pessoa morreu, e já o mau cheiro se faz sentir. É preciso abrir as janelas e queimar bastante incenso, afim de que o fedor não infeccione a casa toda. Os parentes com pressa mandam levar o defunto para fora da casa e entregar à terra.

Metido que foi o cadáver na sepultura, vai se tornando amarelo e depois preto. Em seguida, aparece em todos os membros uma lanugem branca e repelente, donde sai um pus infecto que corre pela terra e donde se gera uma multidão de vermes. Os ratos vêm também procurar o pasto nesse cadáver, roendo-o uns por fora, ao passo que outros entram na boca e nas entranhas. Despegam-se e caem as faces, os lábios, os cabelos; escarnam-se os braços e as pernas apodrecidas, e afinal os vermes, depois de consumidas todas as carnes, consomem-se a si próprios. E deste corpo só restará um esqueleto fétido, que com o tempo se divide, ficando reduzido a um punhado de pó. Continuar lendo

CRUZADA DE ROSÁRIOS – MARÇO 2017

Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Aos que estão em oração conosco na NOVA CRUZADA DE ROSÁRIOS DA FSSPX, segue abaixo a planilha para acompanhamento em MARÇO.

marco
Os que quiserem informar a quantidade de terços e sacrifícios oferecidos em fevereiro, podem nos enviar pelo gespiox@yahoo.com.br que repassaremos ao Priorado de São Paulo para a contabilização.

Que Nossa Senhora nos mantenha fiel na verdadeira Fé.

UM LAR CRISTÃO

Fonte: FSSPX México – Tradução: Sensus Fidei

É a oração em família que fortalecerá a união de suas almas, que lhes dará força, incentivo e conforto nas dificuldades e provações e que atrairá as bênçãos do céu em seu lar.

“Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, nós lhes suplicamos queridos esposos…” — disse o Papa Pio XII —”… que guardem intacta a bela tradição das famílias cristãs: a oração da noite em família. A família reúne-se, no final de cada dia, para implorar a bênção de Deus e honrar a Virgem Imaculada através da recitação do Santo Rosário… os louvores de todos aqueles que irão dormir sob o mesmo teto … “.

Complementando essa vida de oração, o lar também encontrará sua força para frequentar os sacramentos: a confissão frequente, especialmente em momentos de tentações e dificuldades, e também para frequentar o Sacramento da Eucaristia e a Santa Missa, enquanto renovação do Sacrifício Calvário. Porque a união de Nosso Senhor com a humanidade (da qual o matrimônio é a imagem) foi realizada sobre a Cruz, não devemos esquecer. É nesse momento que Nosso Senhor deu sua vida por sua Esposa Mística nascida do sangue e da água vertidos de seu Coração trespassado. Então, é a assistência frequente e fervorosa ao Santo Sacrifício da Missa que manterá e ressuscitará a graça de seu matrimônio. A Santa Missa é a pedra angular da família cristã e, portanto, ela é a fonte da civilização cristã.

Como a Missa nova atenuou de forma alarmante tudo o que pode lembrar-nos que a Missa é realmente o Sacrifício da Cruz, é preciso fundamentar seus lares na Missa Tradicional, não se pode construir sobre a areia… deve-se construir sobre a rocha. Sua fidelidade e esforços para participar da Missa Tradicional (mesmo que seja necessário levantar cedo e percorrer muitos mais quilômetros) obterão as graças de paz e bem-aventuranças em seus lares, fundamentados na Cruz de Jesus Cristo.

Pe. M.D. Roulon, O.P., Les Sacraments

O PECADOR EXPULSA DEUS DO SEU CORAÇÃO

Resultado de imagem para pecado mortal venialQui dixerunt Deo: Recede a nobis, et scientiam viarum tuarum nolumus — “Disseram a Deus: Retira-te de nós, pois não queremos conhecer os teus caminhos” (Iob 21, 14).

Sumário. O pecador sabe que Deus não pode ficar com o pecado; vê que pecando obriga a Deus a afastar-se. Diz-Lhe portanto, não com palavras, mas de fato: Senhor, já não podeis ficar junto com o meu pecado e quereis partir, podeis ir-Vos embora. Expulsando assim Deus de sua alma, deixa entrar imediatamente o demônio, que dela toma posse. Que baixeza! Irmão meu, dize-me: praticaste tu também tão grande vilania para com Jesus Cristo?… Terás a triste coragem de a tornares a praticar no futuro?

Deus vem a morar numa alma que o ama; é o que Jesus Cristo mesmo nos assegura dizendo: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará e viremos a ele e faremos nele morada:Ad eum veniemus, et mansionem apud eum faciemus” (1). Notemos as palavras:mansionem faciemus — “faremos morada“. Deus vem à alma a fim de nela permanecer sempre, de sorte que nunca a deixa, a não ser que a alma o faça sair, como diz o Concílio de Trento. — Mas, Senhor, Vós sabeis desde já que aquele ingrato Vos expulsará em qualquer momento: porque não partis agora? Quereis esperar que ele mesmo Vos expulse? Deixai-o e parti antes que ele Vos faça sofrer essa grande injúria. — Não, responde Deus, não quero retirar-me, enquanto ele mesmo não me repelir.

Assim, quando a alma consente no pecado, diz a Deus: Senhor, apartai-Vos de mim. Dixerunt Deo: recede a nobis (2). Não o diz vocalmente, mas de fato, como afirma São Gregório: Dicit: Recede, non verbis, sed moribus. — O pecador sabe antecipadamente que Deus não pode ficar com o pecado; vê que pecando obriga a Deus a afastar-se. É como se Lhe dissesse: Já que não podeis ficar junto com o meu pecado, já que quereis partir, podeis retirar-Vos. E expulsando Deus de sua alma, deixa entrar imediatamente o demônio, que dela toma posse. Pela mesma porta por onde sai Deus entra e vem estabelecer-se o seu inimigo: Et intrantes habitant ibi (3) — “Entrando habitam ali“. Continuar lendo

OS PAPAS E O CATOLICISMO LIBERAL

Resultado de imagem para marcel lefebvreO liberalismo católico é um verdadeiro flagelo”. Pio IX

O padre Roussel reuniu em seu livro121toda uma  série  de declarações do Papa Pio IX que condenam a tentativa católico- liberal de aliar a Igreja com a Revolução. Eis algumas delas, em que seria bom meditar:

“O que aflige nosso país e o impede de receber as bênçãos de Deus, é esta mistura de princípios. Direi e não me calarei; o que temo não são estes miseráveis da Comuna de Paris… O  que temo é esta desastrada política, este liberalismo católico que é o verdadeiro flagelo… este jogo de pêndulo que  destruiria a Religião. Sem dúvida, deve-se praticar a caridade, fazer o possível para atrair os extraviados; entretanto não é necessário por causa disto compartilhar com suas opiniões…”122.

*

“Adverti pois venerável Irmão (o bispo de Quimper) aos membros da Associação Católica que em muitas ocasiões    emque temos repreendido os partidários das opiniões liberais, não tínhamos em vista aqueles que odeiam a Igreja e aos quais  teria sido inútil falar; mas nos referimos aos que conservando e mantendo escondido o vírus dos princípios liberais com que se alimentaram desde o berço, sob o pretexto de não estar infectado com uma malícia clara e que, segundo eles, não é prejudicial à Religião, o transmitem facilmente às almas e propagam assim as sementes dessas revoluções que sacodem já há bastante tempo o mundo”123.
Continuar lendo

DA CONFIANÇA EM JESUS CRISTO

CONFNolite itaque amittere confidentiam vestram, quae magnam habet remunerationem ― “Não queirais perder a vossa confiança, que tem grande remuneração” (Hebr. 10, 35)

Sumário. A misericórdia de Deus é como que uma fonte inexaurível, donde tirará mais graças quem trouxer um vaso mais amplo de confiança. Se, pois, quisermos enriquecer espiritualmente, confiemos muito nos méritos de Jesus Cristo e na intercessão de Maria. Avivemos freqüentemente esta nossa confiança, lembrando-nos de que Deus é bom e nos quer ajudar; que é poderoso e nos pode ajudar; que é fiel e prometeu ajudar-nos. Não busquemos, porém, uma confiança sensível, que redunda nos sentidos; basta que tenhamos a vontade de confiar.

É nimiamente grande a misericórdia de Jesus Cristo para conosco; mas para nosso maior bem, Ele quer que obtenhamos a misericórdia por uma viva confiança baseada em seus merecimentos e em suas promessas. Por isso São Paulo nos exorta a que guardemos a confiança, dizendo que ela nos alcança de Deus uma grande recompensa:magnam habet remunerationem.― Revelou o Senhor a Santa Gertrudes que a nossa confiança Lhe faz uma violência tão grande, que não pode deixar de atender-nos em tudo  que Lhe pedirmos. No mesmo sentido escreve São Bernardo, que a divina misericórdia é como que uma fonte inexaurível, da qual tirará maior abundância de graças quem trouxer um vaso mais amplo de confiança, segundo o que disse o Salmista:Fiat misericordia tua, Domine, super nos, quemadmodum speravimos in te (1) ― “Venha, Senhor, sobre nós a vossa misericórdia, à proporção que em Vós temos esperado“.

Deus mesmo declarou que protege e salva todos os que nele confiam (2). Alegremo-nos, pois, dizia Davi, todos aqueles que esperam em Vós, meu Deus, porque serão eternamente bem-aventurados e Vós habitareis neles (3). E em outro lugar acrescenta que a misericórdia cerca e guarda àquele que confia no Senhor, e que estará ao abrigo dos perigos de perder-se (4). Continuar lendo

BREVE CRÔNICA DA OCUPAÇÃO NEO-MODERNISTA NA IGREJA CATÓLICA – PARTE 4

Para ler a Primeira Parte clique aqui.

Para ler a Segunda Parte clique aqui.

Para ler a Terceira Parte clique aqui.

QUARTA PARTE: O CONCÍLIO DO PAPA JOÃO

Ângelo Giuseppe Roncalli: o futuro João XXIII

No conclave após a morte de Pio XII, o cardeal Ângelo Giuseppe Roncalli, patriarca de Veneza, foi eleito Soberano Pontífice e tomou o nome de João XXIII. O novo Papa tinha antecedentes bastante inquietantes.

Na época de seus estudos eclesiásticos, o jovem Ângelo Giuseppe Roncalli tinha se tornado amigo de certos condiscípulos já ligados ao modernismo e que deviam depois se tornar seus célebres representantes: Dom Ernesto Buonaiuti, Dom Alfonso Manaresi e Dom Giulio Belvederi, que ele encontrava todas as noites na igreja do Gesú em Roma para a visita ao Santíssimo Sacramento, mas também para inflamadas discussões “progressistas”.

Isso, evidentemente, não permite deduzir automaticamente uma adesão de Ângelo Giuseppe Roncalli ao movimento modernista, até porque naquela época ele era jovem e inexperiente. Mas pode-se legitimamente pensar que as ideias debatidas naquela época tiveram uma influência, nem que fosse indireta, sobre certos comportamentos desconcertantes que ele adotará mais tarde e também depois da sua eleição como Papa.

Em contrapartida, Roncalli foi incontestavelmente influenciado por seu amigo Lambert Beauduin, monge beneditino e famoso liturgista, censurado mais tarde devido a seu desenfreado ecumenismo irenista que dissolvia o dogma católico, e cujas ideias falsas em matéria de ecumenismo e de eclesiologia foram claramente adotadas pelo futuro João XXIII, condicionando fortemente as orientações e decisões do seu pontificado.

Dessa influência, nós já encontramos vários traços nos escritos e sermões de Roncalli da época em que era delegado apostólico na Bulgária, na Grécia e na Turquia. Em 1926, por exemplo, a um jovem seminarista búlgaro, da igreja cismática dita “ortodoxa”, que lhe perguntava se poderia seguir seus estudos na Igreja Católica, o delegado apostólico respondeu negativamente e o exortou, ao contrário, “como eu sempre fiz com todos os jovens ortodoxos, a aproveitar os estudos e a educação que recebem no seminário de Sofia [cismático evidentemente – n.d.r.], porque segundo Rocalli, “os católicos e os ortodoxos não são inimigos, mas sim irmãos. Eles têm a mesma fé, participam dos mesmos sacramentos, sobretudo da mesma eucaristia. Alguns mal-entendidos sobre a constituição divina da Igreja de Jesus Cristo nos separaram […]. Deixemos de lado as velhas controvérsias […]. Mais tarde, apesar de passar por caminhos diferentes, nos encontraremos na união das igrejas para formar todos juntos a verdadeira e única Igreja de Nossa Senhor Jesus Cristo”[1]. Continuar lendo

A PAIXÃO DE JESUS CRISTO E OS DIVERTIMENTOS DO CARNAVAL

paixaoConsummabuntur omnia, quae scripta sunt per prophetas de filio hominis — “Será cumprido tudo o que está escrito pelos profetas, tocante ao Filho do homem” (Luc. 18, 31).

Sumário. Não é sem uma razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. A nossa boa Mãe deseja que nós, seus filhos, nos unamos a ela, para compadecermos do seu divino Esposo, e o consolarmos com os nossos obséquios, ao passo que os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam todos os ultrajes descritos no Evangelho. Quer ela também que roguemos pela conversão de tantos infelizes, nossos irmãos. Não temos por ventura bastantes motivos para isso?

I. Não é sem razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Deseja a nossa boa Mãe que nós, seus filhos, nos unamos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e o consolemos com os nossos obséquios; porquanto os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho.

Tradetur gentibus — “Ele vai ser entregue aos gentios”. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer, por um divertimento momentâneo! Continuar lendo

NOVIDADE: PALESTRAS DOS PADRES DA FSSPX EM DVD

Resultado de imagem para fsspx

Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Como sabem, infelizmente, o apostolado da FSSPX no Brasil ainda é pequeno. São apenas 9 sacerdotes para atender 19 missões.

Porém, há planos de expansão das Missões e Priorados.

Em 2016 foi ordenado mais um brasileiro e em 2017/2018 serão mais 5 sacerdotes de nosso país.

Agora em março será inaugurada a Casa Autônoma da FSSPX no Brasil, mostrando a estruturação e organização para seu devido crescimento.

Quem é atendido pela FSSPX conhece o trabalho incansável dos padres, veem como  prezam pela santificação dos fiéis (acima de tudo), e como são frutuosos seus incessantes trabalhos. Só não fazem mais porque, humanamente, não há condições para tal.

Sabendo disso, os padres do Priorado de Santa Maria/RS gravaram várias aulas/palestras sobre assuntos diversos (que são dadas aos fiéis do local) e que agora disponibilizaremos àqueles que querem se aprofundar no aprendizado da verdadeira Doutrina Católica.

Abaixo colocamos uma lista das palestras disponíveis, nesse começo. Os valores já estão com o frete incluso (envio PAC).

ATENÇÃO: Como temos pouquíssimas unidades, infelizmente venderemos aos que mais rápido fizerem seus pedidos pelo email: gespiox@yahoo.com.br

 *****************************************

AS COROAS DE NOSSA SENHORA (R$25,00) – RESTA 1 UNIDADE

  • A Predestinação de Nossa Senhora e a Maternidade Divina
  • A Virgindade Perpétua de Nossa Senhora
  • A Imaculada Conceição
  • Assunção de Nossa Senhora e a Coroação de seus Privilégio

A FAMILIA CATÓLICA (R$25,00) – (ESGOTADO)

Na primeira desta série de palestras é exposto o modelo de família católica tal como sempre se entendeu e depois esse modelo é contrastado com o degenerado modelo liberal dos dias de hoje. Em seguida é feita uma exposição sobre a encíclica de Pio XI que trata da santidade do casamento, controle de natalidade e aborto. Por fim é feita uma exposição acerca dos princípios e práticas aplicáveis à educação dos filhos.

  • Família Católica e a Liberal
  • Comentários à Casti Connubii
  • Educação Católica dos Filhos
  • Manual de Sobrevivência para Pais Católicos

SANTO TOMÁS DE AQUINO (R$25,00) (ESGOTADO)

  • Introdução Geral
  • Boecio & Cassiodoro
  • São Bernardo e Abelardo
  • Fé e Razão
  • Hugo de São Vitor
  • Sto. Alberto Magno
  • Origens de Santo Tomás
  • Começo da vida intelectual e religiosa
  • Da ordenação sacerdotal até Colônia
  • Fim de sua vida. Seu papel na Igrela

A SANTA MISSA (R$25,00) – (ESGOTADO)

Passando pelo Concílio de Trento e pelas explicações de cada parte da Missa de sempre, fica explicado neste ciclo de palestras aquilo que o fiel precisa saber do essencial no assunto. Logo após são apresentados os problemas encontrados na missa nova promulgada por Paulo VI e os demais perigos a que o fiel católico está exposto nos dias de hoje.

  • Trento e a Missa
  • As Partes da Missa
  • Os Problemas da Missa Nova
  • Os Santos e a Missa
  • Conclusão

O LEÃO DE SÃO MARCOS (R$30,00) – (ESGOTADO)

  • A história do Liberalismo e a ação de São Pio X
  • Introdução Geral
  • História do Liberalismo
  • Liberalismo Católico
  • Noção de Liberdade
  • Liberdade e Autoridade
  • Giuseppe Sarto
  • Ação de São Pio X

MESTRE DE ABISMOS – GUSTAVO CORÇÃO (R$30,00) – (ESGOTADO)

  • Introdução Geral
  • Descoberta do Outro
  • Os Conversos
  • O Polemista
  • Lições de Abismo
  • A Outra
  • Abismos e Conclusão

A CONVERSÃO DE UM INTELECTUAL – SANTO AGOSTINHO (R$35,00)- (ESGOTADO)

  • Introdução Geral
  • Império Romano
  • A Conversão do Império
  • A Formação de Santo Agostinho
  • A Formação de Santo Agostinho
  • De Caída em Caída
  • Nas Vias  do Retorno
  • Conversão
  • Sacerdote e Bispo
  • Luta contra os Maniqueus e Donatistas
  • Consideração Doutrinal: a Verdade e o Sujeito. Crise Pelagiana
  • Subjetivismo. O Mal, a Liberdade e a Graça
  • Ação Infatigável – Visão de Conjunto de sua Obra Literária
  • Resenha de “A Cidade de Deus”
  • Amante da Beleza – Resenha de “Confissões e Retratações”

OS CINCO SEPTENÁRIOS DE HUGO DE SÃO VÍTOR (R$25,00) – (ESGOTADO)

  • Introdução Geral
  • Os Vícios
  • Organismo Espiritual
  • Falsa Dialéticas dos Saberes

CHESTERTON – APÓSTOLO DO BOM SENSO (R$25,00) – (ESGOTADO)

  • Introdução Geral
  • Movimento de Oxford
  • Anti-Pessimismo
  • Resenha das Obras
  • E o Verbo de fez Carne: Conversão ao Catolicismo
  • Roma e Romance: Uma Tentativa de Conclusão

A RETÓRICA (R$25,00) – (ESGOTADO)

  • A Retórica Verbal
  • A Retórica Musical no Barroco Alemão

FRUTOS DA MEDITAÇÃO DAS DORES DE MARIA SANTÍSSIMA

doresSicut qui thesaurizat, ita et qui honorat matrem suam ― “Como quem ajunta um tesouro, assim se porta o que honra sua mãe” (Eclo 3, 5).

Sumário. Por causa do imenso amor com que Jesus Cristo ama sua querida Mãe, são-Lhe muito agradáveis os que com devoção meditam nas dores de Maria Santíssima e inúmeras são as graças que lhes comunica. Mas infelizmente, quão poucos são os que praticam tão bela devoção! Muitos cristãos, em vez de se compadecerem das dores de Maria, lh’as renovam com seus pecados ou sua tibieza. Irmão meu, serás tu também um destes ingratos?

Para compreender quanto agrada à Bem-Aventurada Virgem que nos lembremos de suas dores, bastaria somente saber que ela, no ano de 1239, apareceu a sete devotos seus (que depois foram os fundadores da Ordem dos Servos de Maria), com um hábito negro na mão e ordenou-lhes que, desejando fazer-lhe causa agradável, meditassem com freqüência em suas dores. Por isso queria que em memória delas trouxessem daí em diante aquele hábito lúgubre. Jesus Cristo mesmo revelou à Bem-aventurada Verônica de Binasco, que quase Lhe agrada mais ver compadecida sua Mãe que Ele mesmo, pois que lhe disse assim: Filha, são-me caras as lágrimas derramadas pela minha Paixão; mas como eu amo com amor imenso a minha Mãe, me é mais cara a meditação das dores que ela padeceu na minha morte.

Por isso são muito grandes as graças que Jesus prometeu aos devotos das dores de Maria. Refere o Padre Pelbarto ter sido revelado a Santa Isabel, que São João Evangelista, depois que a Santíssima Virgem foi assunta ao céu, desejava vê-la mais uma vez. Foi-lhe concedida a graça e apareceu-lhe sua cara Mãe e juntamente com ela também Jesus Cristo. Ouviu depois, que Maria pediu ao Filho alguma graça especial para os devotos das suas dores e que Jesus lhe prometeu para eles quatro graças especiais: 1º. Que o que invocar a divina Mãe pelos merecimentos de suas dores merecerá fazer, antes da morte, verdadeira penitência de todos os seus pecados. 2º. Que ele defenderá aqueles devotos nas tribulações em que se acharem, especialmente na hora da morte, 3º. Que imprimirá neles a memória de sua Paixão e que no céu lhes dará depois o competente prêmio. 4º. Que entregará os tais devotos nas mãos de Maria, afim de que deles disponha à sua vontade e lhes obtenha todas as graças que quiser. Em comprovação de tudo isto encontram-se nos livros inúmeros exemplos. Continuar lendo

A MENTALIDADE CATÓLICO-LIBERAL

Resultado de imagem para marcel lefebvreUma doença do Espírito

Mais do que urna confusão, o catolicismo liberal é uma doença do espírito[112]. Simplesmente o espírito não consegue descansar senão na verdade. Basta que ele se atreva a afirmar algo para que se apresente a ele o contrário, que ele se sente obrigado a considerar também. O Papa Paulo VI é o protótipo deste espírito dividido, de um ser de dupla personalidade. Inclusive podia-se fisicamente ler isto em sua face, em constante vai e vem entre as contradições, e animado de um movimento pendular que oscilava regularmente entre a novidade e a tradição. Dirão alguns: Esquizofrenia intelectual?

Creio que o P. Clérissac viu a natureza desta doença em maior profundidade. É uma “falta de integridade de espírito”, de um espírito que não tem “suficiente confiança na verdade”[113]:

“Esta falta de integridade de espírito nas épocas de liberalismo, se explica no lado psicológico por dois aspectos: os liberais são receptivos e receosos. Receptivos porque assumem com muita facilidade os estados de espírito de seus contemporâneos; receosos porque, por medo de contrariar estes diversos estados de espírito, se encontram em constante inquietude apologética; parecem sofrer eles mesmos as dúvidas que combatem, não têm suficiente confiança na verdade, querem justificar em demasia, demonstrar em demasia, adaptar demais ou mesmo desculpar em demasia.”

Colocar-se em harmonia com o mundo

Desculpar em demasia, que expressão oportuna! Querem desculpar todo o passado da Igreja: as cruzadas, a inquisição, etc.; porém quanto a justificar e demonstrar, eles só o fazem timidamente, principalmente quando se trata dos direitos de Jesus Cristo; mas adaptar, a isso certamente eles se entregam: eis seu princípio:  

“Partem de um princípio prático que consideram inegável: que a Igreja não seria ouvida no ambiente concreto onde Ela deve cumprir sua missão divina, se Ela não se harmonizar com ele.”[114] Continuar lendo

AS ORDENS SAGRADAS

ordensHá uma gradação nas ordens sagradas e cada um de seus elementos – o episcopado, o presbiterado, o diaconato, o subdiaconato e as ordens menores – formam realmente uma autêntica hierarquia.

A ascensão gradual ao sacerdócio por meio das ordens menores e maiores é um costume antiquíssimo. Além do diaconato, cuja instituição é relatada no livro dos Atos dos Apóstolos, São Roberto Belarmino, em suas controvérsias com os protestantes, ensina que a instituição das outras ordens tem origem na tradição apostólica.                                

A palavra ordem significa hierarquia, tanto nas coisas como nas pessoas. A Igreja é uma ordem, porque é essencialmente desigual em seus membros, já que abarca a clérigos e leigos. Essa hierarquia no interior da Igreja é um ponto essencial que já não aparece na definição da Igreja do novo Código de Direito Canônico.

Em que consiste particularmente? Em graus de participação no sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em cada ordenação, os seminaristas recebem uma maior ou menor participação do sacramento da Ordem.

Cada ordenação sinala uma etapa do seminário. Meditando os textos da ordenação durante o retiro preparatório e com as orações que dirigem cada dia a Deus, os seminaristas entendem cada vez melhor a grandeza deste sacramento. Continuar lendo

AMOR DE JESUS EM QUERER SATISFAZER POR NÓS

satisfDilexit nos, et tradidit semet ipsum pro nobis oblationem et hostiam Deo ― “(Jesus) amou-nos e se entregou a si mesmo por nós em oblação e como hóstia para Deus” (Eph. 5, 2).

Sumário. Nunca se deu, nem se dará jamais, no mundo outro fato semelhante ao que está consignado nos Evangelhos. Estando o homem por sua própria culpa condenado à morte eterna, o Filho de Deus pediu e obteve de seu divino Pai, que o deixasse tomar a natureza humana e pagar com a própria morte as penas devidas ao homem. Que te parece, irmão meu, este amor do Filho e do Pai? Todavia, a maior parte dos homens, talvez tu também, não responderam a tamanho amor senão com ingratidão.

A história refere um fato de um amor tão prodigioso que será a admiração de todos os séculos. Um rei, senhor de muitos reinos, tinha um filho único, tão belo, tão santo, tão amável que era as delícias do pai, que o amava tanto como a si mesmo. Ora, este jovem príncipe tinha tão grande afeição a um de seus escravos, que tendo aquele escravo cometido um crime, pelo qual foi condenado à morte, o príncipe se ofereceu a morrer em seu lugar. E o pai, zeloso dos direitos da justiça, consentiu em condenar à morte seu filho bem-amado, afim de que o escravo escapasse do suplício que havia merecido. A sentença foi executada: o filho morreu no patíbulo, e o escravo ficou salvo.

Este fato, que não teve e nunca terá outro semelhante no mundo, está consignado nos Evangelhos. Ali se lê que o Filho de Deus, o Senhor do universo, vendo o homem condenado, pelo seu pecado, à morte eterna, quis tomar a natureza humana, e pagar com a sua morte os castigos devidos ao homem: Oblatus est, quia ipse voluit (1) ― “Ele foi oferecido, porque o quis“. E o Pai Eterno deixou-o morrer sobre a cruz para nos salvar a nós, miseráveis pecadores: Proprio Filio non pepercit, sed pro nobis omnibus tradidit illum (2) ― “Não perdoou a seu próprio Filho, mas entregou-o por nós todos“. Que te parece, alma devota, este amor do Filho e do Pai? Continuar lendo

O PASTORZINHO VEIO A SER PAPA

Resultado de imagem para Sixto VUm dia, lá pelo ano de 1530, um frade de Áscoli, na Marca de Ancona (Itália), perdera o caminho. Encontrando por acaso um pastorzinho, aproximou-se do pequeno e perguntou-lhe:

– Por onde é que se vai a Áscoli?

– Áscoli? Sei, sim, senhor. Caminhemos devagar, a passo de meus cordeirinhos, e eu o levarei até lá – Disse o menino.

Pelo caminho iam conversando. O frade notou que o pequeno era vivo, amável e de boa prosa. Foi interrogando-o e soube, então, que era filho de um trabalhador muito pobre, que morava num casebre ali perto, e mal ganhava para comer. Em vista disso, havia posto o filho a ciudar das ovelhas e porcos de um vizinho mais abastado. O menino não sabia ler. Entretinha-se a cantar alguns cânticos religiosos, que lhe ensinara sua boa mamãe. Era tudo.

O frade ficou encantado com o rapazinho e, depois que este lhe mostrou o caminho e a cidade não muito longe, convidou-o a visitá-lo em seu convento em Áscoli.

O pastorzinho não se fez revogar. Foi ver o amigo e, daí em diante, o seu passeio favorito, quando tinha tempo, era ir conversar com o frade, seu conhecido. Um dia, tendo apresentado o menino ao superior do convento, perguntou-lhe se não era pena deixar sem instrução um rapaz tão desembaraçado e inteligente. O superior foi da mesma opinião. Era preciso fazer estudar aquele pastorzinho. Continuar lendo

O CARNAVAL SANTIFICADO E AS DIVINAS BENEFICÊNCIAS

rezando-iiFidem posside cum amico in paupertate illius, ut et in bonis illius laeteris ― “Guarda fé ao teu amigo na sua pobreza, para que também te alegres com ele nas suas riquezas” (Ecclus. 22, 28).

Sumário. Para desagravar o Senhor ao menos um pouco dos ultrajes que lhe são feitos, os Santos aplicavam-se nestes dias do carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à oração, à penitência, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com seu Bem-Amado. Procuremos imitar estes exemplos, e se mais não pudermos fazer, visitemos muitas vezes o Santíssimo Sacramento e fiquemos certos de que Jesus Cristo no-lo remunerará com as graças mais assinaladas.

Por este amigo, a quem o Espírito Santo nos exorta a sermos fiéis no tempo da sua pobreza, podemos entender Jesus Cristo, que especialmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado, como dizem as Escrituras, já desonra a Deus, o injuria e o despreza, imagina quanto o divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, e quiçá por pessoas que Lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é mais suscetível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes quantas são as ofensas que lhe são feitas.

É por isso que os santos, afim de desagravarem o Senhor um pouco de tantos ultrajes, aplicavam-se no tempo de carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado. No tempo de carnaval Santa Maria Madalena de Pazzi passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. O Bem-aventurado Henrique Suso guardava um jejum rigoroso afim de expiar as intemperanças cometidas. São Carlos Borromeu castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. São Filipe Néri convocava o povo para visitar com ele os santuários e exercícios de devoção. O mesmo praticava São Francisco de Sales, que, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à comunhão freqüente. Continuar lendo

AMA A TUA MÃE

Resultado de imagem para nossa senhora menino jesusO conhecido jesuíta Alexandre Baumgartner viajava certa vez com dois companheiros pela Islândia. De uma feita tiveram de pernoitar numa quinta, pertencente a uma família protestante, onde foram servidos de maneira modesta e simples, mas sincera e leal. No momento de separação, o Pe. Geyer, um dos companheiros de Baumgartner, convidou a senhora da casa a escolher como lembrança uma das três imagenzinhas que lhe foram apresentadas: a de Cristo, a da Mãe de Deus, e a do Anjo da guarda. A senhora fixou bem as três imagens e escolheu a da Mãe de Deus. Perguntou-lhe então o Pe. Geyer se ela venerava também a Maria. Sem delongas respondeu a protestante: “Certamente, pois Ela é a Mãe de Nosso Senhor!”

Se essa mulher que não tinha a felicidade de pertencer à nossa Igreja Católica, possuía tais sentimentos para com a Bem-aventurada Virgem Maria, não se esforçará uma boa católica, muito mais ainda, em honrá-lA fielmente e com todo o zelo? Faze-o também e alcançarás muitas bênçãos.

1º- Venera, fielmente, a Bem-aventurada Virgem Maria, por Sua relação íntima com o Salvador.

Nenhum homem, por mais perfeito, nenhum anjo, ainda o mais puro e mais elevado, esteve em relação tão intima e tão estreita com Deus como a Virgem Maria. O Filho Eterno e consubstancial de Deus, quando assumiu no tempo a natureza humana para nossa salvação, A escolheu para Sua verdadeira Mãe carnal. Ela trouxe, portanto, em Seu seio virginal Aquele que o Céu dos céus não pode conter; deu à luz, no tempo, Aquele que desde toda a eternidade foi gerado pelo Pai Celeste; recebeu diariamente em Nazaré provas de reverência e obediência Daquele cujo aceno obedecem os anjos do céu.

Ela se acha numa relação toda singular e extraordinária para com o Divino Salvador; criatura alguma pode nisto equipar-se a Ela. Se amamos a Jesus Cristo sobre todas as coisas, se Ele é nosso tudo, como realmente deve ser, porventura não será também Maria digna de veneração toda particular? Objetos que se relacionam com o Divino Salvador apenas de modo extrínseco e transitório têmo-lo nós os cristãos por santificados; pensamos, com amor e veneração na Sua Gruta; na Sua Cruz e no Seu Sepulcro. Maria, que conviveu com Ele, na mais íntima relação que podemos imaginar, não será mil vezes mais digna da nossa veneração?
Continuar lendo

DO NÚMERO DOS PECADOS

escravosOmnia in mensura et numero et pondere disposuisti― “Dispuseste tudo com medida e conta e peso” (Sap 11, 21).

Sumário. É sentimento de muitos Santos Padres, que Deus, assim como determinou para cada homem o número dos dias de vida que lhe quer dar, do mesmo modo fixou para cada um deles o número dos pecados que lhe quer perdoar e completado esse número não perdoa mais. Quem sabe, meu irmão, se depois dessa primeira satisfação indigna, depois do primeiro pensamento consentido, depois do primeiro pecado cometido, não quererá o Senhor castigar-te com uma morte repentina? O que então seria de ti por toda a eternidade?

Se Deus castigasse desde logo a quem O ofende, de certo não se veria injuriado como o é atualmente; mas por isso mesmo que o Senhor não castiga logo e espera, os pecadores animam-se a ofenderem-No mais. É porém preciso atender bem, que se Deus espera e suporta, todavia não espera e suporta sempre.

É sentimento de muitos Santos Padres, de São Basílio, São Jerônimo, Santo Ambrósio, São Cirilo de Alexandria, São João Crisóstomo, Santo Agostinho e outros, que Deus, assim como determinou o número dos dias de vida, os grãos de saúde e de talento que quer dar a cada homem, assim fixou para cada qual o número dos pecados que lhe quer perdoar; cheio o qual, não perdoa mais: “Devemos ter por certo”, diz Santo Agostinho, “que Deus suporta o homem até certo ponto, depois do qual não há mais perdão para ele: Nullam illi veniam reservavi“.

E não foi ao acaso que estes Santos Padres assim falaram, senão baseados nas divinas Escrituras, que em vários lugares dizem claramente que, embora os pecadores não contem os pecados, Deus os enumera, para castigá-los, quando o número estiver completo: ut in plenitudine peccatorum puniat (1). De sorte que Deus espera até ao dia em que se complete a conta dos pecados, e então é que pune. Continuar lendo

A GRANDE TRAIÇÃO

Reconciliar a Igreja com a Revolução: tal é a empresa dos liberais que se dizem católicos.

Os liberais que se dizem católicos sustentam que a doutrina católica do Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo e da união da Igreja com o Estado é sem dúvida verdadeira, mas inaplicável mesmo nos países católicos:

– Na teoria, pode-se aceitar a tese proposta pelos Papas e teólogos.

– Na prática, deve-se ceder ante as circunstâncias e resolutamente aderir à hipótese: promover o pluralismo religioso e a liberdade de cultos:

Os liberais católicos não têm deixado de sustentar que desejam a ortodoxia tanto quanto os mais intransigentes, e que sua única preocupação são os interesses da Igreja: “a reconciliação que procuram não é teórica nem abstrata, mas somente prática”[109]

É a famosa diferença entre a tese (a doutrina) e a hipótese (prática) conforme as circunstâncias. Notemos que se pode dar uma interpretação correta a esta diferenciação: a aplicação dos princípios deve levar em conta as circunstâncias; isto se faz com ponderação, que é parte da prudência. Daí vem que a presença dentro de uma nação católica de fortes minorias muçulmanas, judias e protestantes, poderá sugerir tolerância desses cultos em uma cidade basicamente católica, por um Estado que continua reconhecendo a verdadeira religião, porque acredita no Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas cuidado! para os católicos liberais não se trata disso! Segundo eles, os princípios, que são por definição regras de ação, não devem ser aplicados nem propostos porque são inaplicáveis, dizem. Isto é evidentemente falso. Continuar lendo

O PECADO RENOVA A PAIXÃO DE JESUS CRISTO

renovaRursum crucifigentes sibimet ipsis Filium Dei, et ostentui habentes ― “Eles outra vez crucificam o Filho de Deus para si próprios e o expõem à ignomínia” (Heb 6, 6)

Sumário. Quem comete o pecado, contraria todos os desígnios amorosos de Jesus Cristo, inutiliza para si os frutos da Redenção, e, como diz São Paulo, pisa o Filho de Deus aos pés, despreza e profana seu sangue e renova a sua paixão e morte. Portanto, especialmente neste tempo de carnaval o Senhor é cada dia crucificado milhares de vezes. Imagina que são tantos os Calvários quantos são os antros do pecado. Ai, meu pobre Senhor!

Considera a grandíssima injúria que o pecado mortal faz à Paixão de Jesus Cristo. O intuito do Filho de Deus, em fazer-se homem, foi tirar o pecado do mundo; a este fim, como diz Isaías, colimavam todos os seus pensamentos, palavras, obras e sofrimentos:Et iste omnis fructus, ut auferatur peccatum(1) ― “Este é todo o seu fructo, que seja tirado o pecado“. Pois bem, quem peca, inutiliza para si este grande fruto da Redenção e contraria assim todos os desígnios e intentos amorosos do Redentor. ― Se o pecado é acompanhado de escândalo, contraria-os também para os outros, fechando, por assim dizer, em despeito de Cristo, para si e para o próximo, as portas do céu e abrindo as do inferno.

Mais, o pecador, como diz São Paulo, pisa aos pés o Filho de Deus, despreza e profana o seu preciosíssimo Sangue, chega até ao excesso de renovar a sua crucifixão e morte: Rursum crucifigentes sibimet ipsis Filium Dei ― “Crucificando outra vez o Filho de Deus para si próprios“. Isto, na interpretação de Santo Tomás, se verifica de duas maneiras. Primeiro, pecando se faz aquilo pelo que Jesus Cristo foi crucificado, a saber, o pecado. Portanto, se a morte do senhor não houvera sido suficiente para expiar os pecados todos, fora conveniente, pelo encargo de Redentor, que tomou sobre si, que se deixasse crucificar tantas vezes quantos são os pecados cometidos. Em segundo lugar, pelo pecado comete-se uma ação mais abominável aos olhos de Jesus e mais dolorosa para seu Coração do que todos os opróbrios e penas padecidas na sua Paixão e por isso de boa vontade quisera tornar a sofrê-las afim de impedir um só pecado mortal. Continuar lendo

A VOCAÇÃO SACERDOTAL

elevacao

Para ensinar, governar e santificar os membros de Sua Igreja, Nosso Senhor não cessa de convocar jovens rapazes a se juntar às fileiras do sacerdócio. Esse chamado de Cristo, Que disse: “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi” (S. João; 15, 16), recebeu o nome de ‘vocação’, do verbo latino “vocare“, chamar. E, de fato, nenhum homem deve ousar apresentar-se para esse ofício sagrado a não ser que Deus o tenha chamado… a não ser que ele “tenha uma vocação”.

“Ninguém se apropria desta honra (do sacerdócio),” diz São Paulo, “senão somente aquele que é chamado por Deus, como Aarão”. (Hebreus 5: 4)

Infelizmente, certas tendências teológicas errôneas, como o quietismo, levaram no último século a distorções enganosas da noção de vocação para o sacerdócio. Alguns autores bem-intencionados, mas equivocados, erigiram certos elementos meramente acidentais, raramente encontrados, como critério principal para o discernimento das vocações, sendo que o resultado de suas conclusões e da atitude prática resultante, sem dúvida, desencorajaram muitos jovens rapazes aptos a iniciar ou prosseguir seus estudos eclesiásticos.

esporte

Seminaristas de La Reja (Argentina) jogando Vôlei

Para evitar esses equívocos e as suas consequências lamentáveis, vamos examinar a verdadeira noção da vocação ao sacerdócio.

O Concílio de Trento declara: “Vocari a Deo dicuntur qui a legitimis Ecdesiae ministris vocantur“. “Diz-se que os homens chamados por Deus são aqueles chamados pelos ministros legítimos da Igreja.” Continuar lendo

O PECADOR AFLIGE O CORAÇÃO DE DEUS

pecadorExacerbavit Dominum peccator: secundum multitudinem irae suae non quaeret ― “O pecador irritou ao Senhor: não se importa da grandeza de sua indignação” (Ps. 9, 24).

Sumário. Não há dissabor maior do que ver-se pago com ingratidão por uma pessoa amada e beneficiada. Daí infere quanto deve estar amargurado o Coração sensibilíssimo de Jesus, que, não obstante os imensos e contínuos benefícios concedidos aos homens, é tão vilmente ultrajado pela maior parte deles, especialmente neste tempo de carnaval. Jesus não pode morrer; mas, se o pudesse, havia de morrer só de tristeza. Procuremos nós ao menos desagravá-Lo um pouco com os nossos obséquios.

O pecador injuria a Deus, desonra-O e por isso amargura-O sumamente. Não há dissabor mais sensível do que ver-se pago com ingratidão por uma pessoa amada e beneficiada. A quem ofende o pecador? Injuria um Deus, que o criou e amou a ponto de dar por amor dele o sangue e a vida. Cometendo um pecado mortal, bane esse Deus de seu coração.

Que mágoa não sentirias, se recebesses injúria grave de uma pessoa a quem tivesses feito bem? É esta a mágoa que causaste a teu Deus, que quis morrer para te salvar. Com razão o Senhor convida o céu e a terra, para de alguma sorte compartilharem com ele a dor que lhe causa a ingratidão dos pecadores: Ouvi, céus, e tu, ó terra, escuta: Criei uns filhos e engrandeci-os; porém, eles me desprezaram. ― Ipsi autem spreverunt me (1). ― Numa palavra, os pecadores, com o pecado, afligem o coração de Deus: Exacerbavit Dominum peccator. Deus não está sujeito à dor, mas, se a pudesse sofrer, um só pecado mortal bastaria para O fazer morrer de tristeza, porque Lhe causaria uma tristeza infinita. Assim, o pecado, no dizer de São Bernardo, por sua natureza é o destruidor de Deus: Peccatum, quantum in se est, Deum perimit. Continuar lendo

BREVE CRÔNICA DA OCUPAÇÃO NEO-MODERNISTA NA IGREJA CATÓLICA – PARTE 3

Para ler a primeira parte clique aqui.

Para ler a segunda parte clique aqui.

TERCEIRA PARTE

A CONDENAÇÃO OFICIAL DA NOVA TEOLOGlA  

O Papa Pio XII condena a nova teologia 

O cardeal Eugenio Pacelli, eleito Soberano Pontífice em 1939 com o nome de Pio XII, perfeitamente consciente das consequências letais de uma tomada de poder na Igreja pelos novos teólogos, interveio resolutamente para condenar em nome da Igreja a nova teologia e seus propagadores.

Num discurso pronunciado em 17 de setembro de 1946 no Capítulo Geral dos Jesuítas, o Papa já tinha alertado os Padres capitulares contra uma “nova teologia que evolui juntamente com a evolução de todas as coisas, semper itura, numquam perventura, “sempre a caminho (para a verdade) sem nunca atingi-la”, acrescentando estas palavras proféticas: “Se tal opinião for abraçada, o que será da imutabilidade dos dogmas, o que seria da unidade e da estabilidade da fé?[1]”.

É quase o mesmo discurso que Pio XII dirigirá depois aos padres dominicanos, reunidos também em Capítulo Geral, confirmando como antídoto contra o novo modernismo a obrigação de não se afastar da doutrina de Santo Tomás de Aquino, assim como foi prescrito pelo Canon 1366, parágrafo 2, do Código de Direito Canônico[2].

Mas os efeitos desta denúncia foram praticamente nulos por causa da profundidade da infecção neo-modernista no mundo da intelligentsia católica, a ponto de o Papa decidir intervir de modo oficial e definitivo pela publicação da encíclica Humani generis[3].

Nesta grande encíclica, que pode ser considerada como o terceiro Syllabus contra os erros da época moderna (depois do Syllabus, com a encíclica Quanta cura, do bem aventurado Pio IX, e depois do decreto Lamentabillii com a encíclica Pascendi de São Pio X). O Papa condenava severamente “certas opiniões falsas que ameaçavam arruinar os fundamentos da doutrina católica”, sem nomear explícita e individualmente seus partidários. Continuar lendo

A PARÁBOLA DO SEMEADOR E A PALAVRA DIVINA

semeadorExiit qui seminat seminare semen suum — “Saiu o que semeia a semear a sua semente” (Luc. 8, 5).

Sumário. Irmão meu, o Senhor semeia continuamente em tua alma a boa semente de sua palavra. Se não produzir o seu fruto, examina se por ventura há em ti algum dos impedimentos indicados no Evangelho. Examina sobretudo se há em ti apego às riquezas, às dignidades, aos prazeres, ou à outra criatura qualquer; pois que são estes os espinhos que não somente fazem perder o fruto da palavra de Deus, mas afinal muitas vezes impedem que Deus ainda fale à alma.

I. Refere São Lucas que, estando certo dia numerosa multidão de povo reunida ao redor de Jesus, este propôs a parábola do semeador, cuja semente caiu parte junto ao caminho, outra sobre pedregulho, outra entre espinhos, outra finalmente em terra boa. Perguntado depois pelos discípulos, o divino Redentor mesmo deu a seguinte interpretação: “A semente”, disse, “é a palavra de Deus. Os que estão à borda do caminho, são aqueles que a ouvem, mas depois vem o diabo e tira a palavra do coração deles, para que não se salvem crendo. Quanto aos que estão sobre pedra, são os que recebem com gosto a palavra, quando a ouviram; mas eles não têm raízes, porque até certo ponto crêem, e no tempo da tentação voltam atrás. A semente que caiu entre espinhos, estes são os que a ouviram, porém, indo por diante, ficam sufocados pelos cuidados e pelas riquezas e deleites desta vida, e não dão fruto: Suffocantur, et non referunt fructum.

Observa São Gregório que, sendo o Evangelho de hoje interpretado por Jesus mesmo, não precisa de outra explicação; mas é digno de nossa mais atenta consideração. — Considera, pois, aos pés de Jesus Cristo, se porventura se ache em ti algum dos três impedimentos notados na parábola que te possa privar do fruto da palavra divina: Aliud cecidit secus viam — “Parte caiu junto ao caminho”. Tens porventura o espírito dissipado e qual caminho público aberto a todos os pensamentos?… Aliud cecidit supra petram — “Outra parte caiu sobre o pedregulho”. Estará por ventura o teu coração endurecido como uma pedra em conseqüência de algum vício ou tibieza habitual?… Aliud cecidit inter spinas — “Outra parte caiu entre espinhos”. Examina sobretudo se tens apego às riquezas, às dignidades e aos prazeres terrestres, que são como espinhos, que fazem perder o fruto da palavra de Deus e muitas vezes são a causa de Deus não falar mais às almas, porque vê que suas palavras se perdem. Continuar lendo

COMO DESTRONARAM JESUS CRISTO

Resultado de imagem para marcel lefebvreNo juízo final, Jesus Cristo acusará aos que o expulsaram da vida pública, e por este grande ultraje aplicará a mais terrível vingança”. Pio XI

Apesar do risco de repetir o que foi dito, volto ao tema da Realeza Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, este dogma de fé católica, que ninguém pode por em dúvida sem ser um herege: sim, é isso: um herético!

Ainda têm eles a Fé?

O leitor pode julgar a fé agonizante do Núncio Apostólico de Berna, Mons. Marchioni, com quem tive a seguinte conversa em 31 de março de 1976 em Berna:

– Lefebvre: “Pode-se ver claramente coisas perigosas no Concílio (…). Na Declaração sobre a liberdade religiosa há coisas contrárias aos ensinamentos dos papas: decide-se que já não pode haver Estados católicos!”.

– Núncio: “Mas é evidente!”.

– Lefebvre: “Acredita o senhor que a supressão dos Estados católicos vá ser um bem para a Igreja?”.

– Núncio: “O senhor compreende, se se faz isto se obterá uma maior liberdade religiosa entre os soviéticos!”.

– Lefebvre: “Mas o que fazem os senhores do Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo?”.

– Núncio: “O senhor sabe, atualmente é impossível; talvez em futuro afastado?… Atualmente este reino está nos indivíduos; deve ser aberto às massas”.

– Lefebvre: “E o que fazem da Encíclica ‘Quas Primas’?”.

– Núncio: “Ah, hoje em dia o Papa não a escreveria”.

– Lefebvre: “Sabe que na Colômbia foi a Santa Sé que pediu a supressão da constituição do Estado?”.

– Núncio: “Sim, e aqui também”.

– Lefebvre: “No Valais?” (província suíça).

– Núncio: “Sim, no Valais. E veja, agora me convidam para todas as reuniões”.

– Lefebvre: “Então o senhor aprova a carta que Mons. Adam (bispo de Sion, no Valais) escreveu a seus diocesanos para explicar porque deviam votar a favor da lei de separação da Igreja e do Estado?”

– Núncio: “Veja o senhor, o Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, é atualmente algo difícil…”.

Vocês vêem, ele não acredita mais! É um dogma “impossível” ou “muito difícil”, que não seria mais escrito hoje”. E quantos pensam assim atualmente! Quantos são incapazes de entender que a Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo deve se realizar com a ajuda da sociedade civil, e que o Estado deve assim, nos limites da ordem temporal, ser o instrumento de aplicação da obra da Redenção. E  eles lhes responderão: Continuar lendo

DA GRATIDÃO PARA COM AS DORES DE MARIA SANTÍSSIMA

Resultado de imagem para dores de nossa senhoraHonora patrem tuum: et gemitus matris tuae ne obliviscaris — “Honra a teu pai e não te esqueças dos gemidos de tua mãe” (Eccles. 7, 29).

Sumário. Posto que a morte de Jesus Cristo fosse suficiente para remir uma infinidade de mundos, quis todavia a Santíssima Virgem, pelo amor que nos tem, cooperar para a nossa salvação, preferindo sofrer toda espécie de dores a ver nossas almas sem redenção e na antiga perdição. É nosso dever respondermos a tamanho amor da Rainha dos Mártires, ao menos pela compaixão de suas dores e pela imitação de seus exemplos.

São Boaventura, contemplando a divina Mãe ao pé da Cruz para assistir à morte de seu Filho, volve-se para ela e lhe diz: Senhora, porque quisestes vós também sacrificar-vos sobre o Calvário? Não bastava, por ventura, para nossa redenção um Deus crucificado, que quisésseis ser crucificada também vós sua Mãe? Non sufficiebat Filii passio, nisi crucifigeretur et Mater? — Ah certamente bastava a morte de Jesus para salvar o mundo e ainda infinitos mundos; mas, pelo amor que nos tem nossa boa Mãe quis também concorrer para a nossa salvação, pelos merecimentos de suas dores, que ofereceu por nós no Calvário.

Por isso diz o Bem-aventurado Alberto Magno, que, assim como somos obrigados a Jesus pela Paixão que quis sofrer por nosso amor, assim também somos obrigados a Maria pelo martírio, que na morte do Filho quis espontaneamente padecer pela nossa salvação. — Acrescento espontaneamente, porque, como revelou o Anjo a Santa Brígida, esta nossa tão piedosa e benigna Mãe antes quis sofrer todas as penas do que ver as almas privadas da redenção e deixadas na antiga miséria. Continuar lendo

INFELICIDADE DOS PECADORES

Resultado de imagem para pecadoresExpliquei qual é a ilusão dos pecadores no seu desordenado temor e como sou um Deus imutável, livre da acepção de pessoas, unicamente atento ao desejo santo. Foi o que te revelei no simbolismo da árvore. Passo a falar dos que sofrem e dos que não sofrem ante os espinhos e dores que a terra produziu depois do pecado (original). Tendo-me ocupado da situação dos pecadores que se deixam iludir pela própria sensualidade, vou explicar-te em que sentido essas pessoas são feridas por tais espinhos.

Todos os que nascem e vivem neste mundo passam por fadigas corporais e espirituais. Sim, também os meus servidores padecem nos seus corpos; mas em seus espíritos não, porque suas vontades estão identificadas com a minha. O que faz o homem sofrer é a vontade. Quanto aos pecadores, sofrem na alma e no corpo. Eles experimentam no mundo as primícias do Inferno, como os meus servidores já gozam a garantia do Céu.

Sabes qual é a grande felicidade dos santos? É possuir a vontade satisfeita em todas as suas aspirações. Ao desejar-me, possuem-me, tendo deixado o peso do corpo que produzia a lei que luta contra o espírito. Na vida terrena, o corpo impedia o perfeito conhecimento da Verdade e minha visão face a face. Separando-se do corpo, a vontade dos bem-aventurados realiza-se: ao desejo de ver-me corresponde a visão, e com ela, a beatitude. Vendo, conhecem-me; conhecendo, amam-me; amando, saboreiam-me; saboreando, realizam-se quanto ao desejo de me ver e conhecer. Desejando, possuem; possuindo, desejam. Como disse (14.4), o sofrimento está distante do desejo e fastio da saciedade. Como vês, meus servidores são felizes, especialmente na visão celeste. Ela satisfaz seus desejos, sacia suas vontades. Neste sentido afirmei (14.9) que a vida eterna consiste na posse das coisas que a vontade deseja, isto é, conhecer-me, ver-me.
Continuar lendo

CORAÇÃO DE JESUS, AFLITO PELO PECADO DE ESCÂNDALO

Imagem relacionadaVidete ne contemnatis unum ex his pusillis — “Vede, que não desprezeis um só destes pequeninos” (Matt. 18, 10).

Sumário. O Filho de Deus baixou do céu à terra por amor das almas, levou durante trinta e três anos uma vida de privações, e de trabalhos, e afinal chegou a derramar por elas o seu preciosíssimo sangue. Julgai, por estas razões, quão amargo é o desgosto que os escandalosos causam a Jesus Cristo; por Lhe roubarem e mesmo matarem tantas filhas tão diletas. Para não amargurarmos mais esse Coração amabilíssimo, guardemo-nos de dar mau exemplo ao nosso próximo, ainda que seja em coisas leves.

Uma das coisas que mais afligiram o Coração de Jesus, durante a sua vida terrestre, e que haviam de afligi-Lo ainda no céu, se ali houvesse tristeza, é o pecado de escândalo. Para compreender isso, devemos considerar quão cara é a Deus cada alma de nossos próximos. Criou-as Ele à sua imagem e semelhança (1), e amando-as desde a eternidade, criou-as para que fossem rainhas no paraíso, onde há de torná-las participantes de sua própria felicidade e dar-se-lhes a si mesmo em galardão: Ego ero merces tua magna nimis (2) — “Eu serei o teu galardão infinitamente grande”.

Depois, o que não tem feito, o que não tem padecido o Verbo incarnado por amor dessas almas, para remi-las da escravidão do demônio, na qual caíram pelo pecado? Chegou a nada menos do que a dar por elas o seu sangue e a sua vida. Se, em vez de uma só morte, seu Pai lhe tivera exigido mil; se, em vez de ficar três horas na cruz, tivera de ficar nela até o dia do juízo; se afinal tivera de sofrer para salvação de cada um, o que padeceu para salvação de todos os homens juntos, Jesus Cristo não teria hesitado em fazer tanto. Tão grande é o amor que lhe fazem perder tantas almas. — Julgai por aí quão amargo desgosto causam ao Coração de Jesus os escandalosos, que Lhe fazem perder tantas almas, roubam-Lhe e assassinam tantas filhas tão diletas. Diz São Bernardo, que a perseguição que o Senhor sofre da parte daqueles pérfidos algozes é mais cruel do que a que sofreu da parte dos que o crucificaram. Continuar lendo