TERCEIRO DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA: O CENTURIÃO E OS HOMENS DE MEIA FÉ

jesus-e-o-centuriao-cafarnaumAmen dico vobis: non inveni tantam fidem in Israel — “Em verdade vos digo: não achei tamanha fé em Israel” (Mat. 8, 10).

Sumário. Prouvera a Deus que todos os cristão imitassem a fé do Centurião! Então o Senhor não terá de dirigir-lhes também a eles a queixa: “Não achei tamanha fé em Israel.” Mas infelizmente é demasiadamente grande o número dos homens de meia fé, dos que crêem nos dogmas do Evangelho sem se importar com a observância das suas máximas. Os infelizes! Tal fé repartida servir-lhes-á de maior condenação perante o tribunal de Jesus Cristo.

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I. Tendo Jesus Cristo entrado em Cafarnaum, saiu-lhe ao encontro um centurião, para lhe suplicar que restituísse a saúde a um seu criado paralítico. Respondeu-lhe o Redentor: Eu mesmo irei e o curarei. — Não, Senhor, replicou o Centurião; eu não sou digno de que entreis em minha casa; basta que digais uma só palavra, e o meu criado estará salvo. — Jesus Cristo, ao ouvir tal palavra, admirou-se; consolou o Centurião dando no mesmo momento saúde ao criado, e voltando-se para os seus discípulos disse-lhes: Em verdade vos digo que não achei tamanha fé em Israel.

Ah! Prouvera a Deus que todos os cristãos imitassem a fé daquele centurião; então o Senhor não teria de dirigir-lhes também a eles a queixa: Non inveni tantam fidem in Israel — “Não achei tamanha fé em Israel”. Mas é excessivamente grande o número de cristãos de meia fé somente. Quero dizer que há católicos que crêem nas verdades especulativas da fé, que dizem respeito à inteligência, e não crêem, ou ao menos não mostram que crêem, também nas verdades práticas, que dizem respeito à vontade e aos costumes.

Com efeito, como se pode dizer que crêem no Evangelho aqueles que julgam deshonrar-se quando perdoam, que não pensam senão em ter vida de delícias, que julgam infeliz o que se abstém dos prazeres terrestres e mortifica a sua carne? Como se pode dizer que crêem no Evangelho aqueles que por humano respeito e para não se exporem aos escárnios dos outros, deixam as suas devoções, deixam a freqüência dos sacramentos, deixam o recolhimento de espírito, e se dissipam em confabulações, em banquetes, quiçá em coisas piores? Ah! Desses tais deve dizer-se, ou que não têm mais fé, ou que crêem somente em parte: Non inveni tantam fidem in Israel — “Não achei tamanha fé em Isael”.  Continuar lendo

A FAMÍLIA COMO SANTUÁRIO E ESCOLA DE SANTIDADE

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Entre as mil maneiras apresentadas perante ao Verbo para aparecer em carne mortal entre nós e realizar a nossa Redenção, escolheu uma: ter uma Mãe, a quem fez Imaculada, e pela qual a quis desposada com um varão eminentemente justo, da altura de sua Mãe, para velar assim pela boa honra da Santíssima Virgem; assemelhando-se, deste modo, em tudo a nós, exceto no pecado.

Ou seja, o Verbo Encarnado quis levar uma vida em família e que essa vida em família fosse o começo da obra redentora. E isso por muitas razões, mas especialmente por duas, que gostaria de destacar hoje:

  1. Para nos mostrar a vida espiritual sob uma faceta conhecida e atraente: a vida em família;
  2. Para santificar o lar cristão em todos os seus aspectos, convertendo-o em fonte de santidade para os seus membros e mostrando-o como o princípio de todas as virtudes.

A vida espiritual assume o aspecto de uma vida familiar.

Deus quis calcar a vida sobrenatural sobre a vida natural, colocando assim semelhanças entre elas, de modo que não nos fosse completamente desconhecida, mas, pelo conhecimento que temos da vida natural, possamos intuir pelo menos um pouco o que é a vida sobrenatural. E assim, a vida sobrenatural como a vida natural, conta com: Continuar lendo

SANTO AFONSO, MODELO DE DEVOÇÃO À MARIA SANTÍSSIMA

Resultado de imagem para santo afonso nossa senhoraHanc amavi et exquisivi a iuventute mea, et quaesivi sponsam mihi eam assumere — “A esta eu amei e requestei desde a minha mocidade, e procurei tomá-la para mim por esposa” (Sap.8, 2).

Sumário. Foi indizível a devoção que Santo Afonso nutria para com a Santíssima Virgem. Durante a sua vida toda deu disso contínuas e variadas provas nos diversos obséquios praticados em honra dela. E a divina Mãe, que nunca se deixa vencer em amor, como soube, tanto na vida como na morte, retribuir o afeto desse seu dileto filho! Se queremos que também para nós a santa Virgem seja verdadeira Mãe, imitemos Santo Afonso e mostremo-nos em nossas obras seus dignos filhos.

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A grande Mãe de Deus é a mais excelsa criatura do universo e o Senhor decretou que todas as graças que quer dispensar aos homens passem pelas mãos de Maria. Na convicção desta verdade, Santo Affonso começou desde criança a amar a santa Virgem e a honrá-la com obséquios especiais. Quando, porém, já desenganado do mundo e em sinal de que o abandonava para sempre, se declarou cavalheiro da Rainha do céu, depositando a espada sobre seu altar, então o seu amor à Virgem não teve mais limites e foi aumentando cada vez mais durante toda a sua vida.

De manhã e à noite, com o rosto em terra, punha toda a sua pessoa, e particularmente a sua pureza, sob proteção de Maria, beijava-lhe humildemente a mão e pedia-lhe a benção como um filho à sua mãe, ao toque do Angelus, ajoelhava-se logo, onde quer que se achasse, para saudar afetuosamente a sua Senhora; repetia a saudação angélica cada vez que ouvia o relógio dar horas, e fizera promessa de nunca negar coisa alguma que lhe fosse pedida por amor de Maria. — No seu quarto quis sempre ter diante dos olhos uma imagem da Mãe do Bom Conselho, à qual recorria logo em todas as necessidades, dando-lhe os títulos mais afetuosos. Ao pescoço trazia sempre o escapulário e ao lado trazia o Rosário, mesmo quando bispo; e nunca deixou de rezá-lo, mesmo mais de uma vez por dia. Além disso, preparava-se para as festas da Virgem com devotas Novenas, jejuava na véspera, bem como todos os sábados, e desejava ser, depois de Deus, o primeiro no amor a Maria, tanto na terra como no céu.

Finalmente, desejando ver os outros também amarem à Virgem, mandou a seus missionários pregassem sempre sobre a misericórdia de Maria. Ele mesmo escreveu o importante livro das Glórias de Maria, com o único intuito de continuar sempre, ainda depois de morto, a promover a glória desta grande Rainha e a fazer que todos a amem. — Já que te glorias de ser filho e devoto de Santo Afonso, examina-te acerca da tua devoção a Maria Santíssima, compara-a com a de teu santo Pai, e lembra-te de que o caráter distintivo dos filhos verdadeiros do grande Doutor é exatamente a devoção especial à Mãe de Deus. Continuar lendo

VAIDADE DO MUNDO – PONTO I

Imagem relacionadaQuid prodest homini si mundum universum lucretur, animae vero suae detrimentum patiatur? – “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder sua alma?” (Mt 16,26)

Numa viagem marítima, um filósofo antigo, de nome Aristipo, naufragou com o navio em que ia, perdendo todos os bens. Pôde, entretanto, chegar salvo à terra, e os habitantes do país a que arribou, entre os quais Aristipo gozava de grande fama por seu saber, o indenizaram de tudo que havia perdido. Admirado, escreveu logo a seus amigos e patrícios incitando-os a que aproveitassem o seu exemplo, e que somente se premunissem das riquezas que nem com os naufrágios se podem perder. É isto exatamente o que nos recomendam nossos parentes e amigos que já chegaram à eternidade. Advertem-nos para que este mundo procuremos adquirir antes de tudo os bens que nem a morte nos faz perder. O dia da morte é chamado o dia da perda, porque nele perdemos as honras, as riquezas e os prazeres, enfim, todos os bens terrenos. Por esta razão diz Santo Ambrósio que não podemos chamar nossos a esses bens, porque os não podemos levar conosco para o outro mundo; somente as virtudes nos acompanham para a eternidade.

“De que serve, pois — diz Jesus Cristo (Mt 16,26) — ganhar o mundo inteiro, se à hora da morte, perdendo a alma, tudo perde?”…

Oh! quantos jovens, penetrados desta grande máxima, resolveram entrar na clausura! Quantos anacoretas conduziu ao deserto! A quantos mártires moveu a dar a vida por Cristo! Por meio destas máximas soube Santo Inácio de Loiola chamar para Deus inúmeras almas, entre elas a alma formosíssima de São Francisco Xavier, que, residindo em Paris, ali se ocupava em pensamentos mundanos.

“Pensa, Francisco — lhe disse um dia o Santo, — pensa que o mundo é traidor, que promete e não cumpre; mas, ainda que cumprisse o que promete, jamais poderia satisfazer teu coração. E supondo que o satisfizesse, quanto tempo poderá durar essa felicidade? Mais que tua vida? E no fim dela, levarás tua dita para a eternidade? Existe, porventura, algum poderoso que tenha levado para o outro mundo uma moeda sequer ou um criado para seu serviço? Há algum rei que tenha levado consigo um pedaço de púrpura em sinal de dignidade?…” Continuar lendo

VOLTA DE JESUS DO EGITO

voltaConsurgens (Ioseph), accepit puerum et matrem eius, et venit in terram Israel — “José, levantando-se, tomou o Menino e sua Mãe e veio para a terra de Israel” (Matth. 2, 21).

Sumário. Depois de um exílio de sete anos, a sagrada Família recebeu afinal ordem de voltar para a Palestina. José toma a ferramenta de seu ofício, Maria a trouxa de roupa e se põem prestes em caminho com Jesus, ora carregando-O alternadamente nos braços, ora conduzindo-O pela mão. Quanto não devem ter sofrido os santos viajantes naquela jornada! Unamo-nos com eles na viagem que estamos fazendo para a eternidade.

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Depois da morte de Herodes e depois de um exílio de sete anos, que na opinião de Santa Madalena de Pazzi Jesus passou no Egito, aparece novamente o Anjo a São José e manda-lhe que tome o santo Menino e a Mãe, e volte para a Palestina. Com grande satisfação pela notícia recebida, São José vai comunicá-la a Maria. Antes de partirem, os santos esposos vão levar as despedidas aos amigos que tinham granjeado naquela terra. Depois, José ajunta de novo a pouca ferramenta do seu ofício, Maria faz uma trouxa da roupa que possui e tomando o divino Menino pela mão, empreendem, com Jesus no meio, a viagem da volta.

Reflete São Boaventura que esta viagem foi mais penosa para Jesus do que a da fuga; porquanto já estava mais crescido, pelo que Maria e José não podiam carregá-Lo longo tempo nos braços; por outro lado, o santo Menino pela sua idade não podia ainda fazer tão grande viagem a pé; de sorte que Jesus se via obrigado muitas vezes a parar e a descansar por falta de forças. Mas, quer caminhem, quer descansem, José e Maria têm sempre os olhos e os pensamentos fitos no Menino amado, que era todo o objeto do seu amor. Ah, com que recolhimento anda por esta vida a alma feliz que tem sempre diante dos olhos o amor e os exemplos de Jesus Cristo!

Na viagem, os santos peregrinos quebram de quando em vez o silêncio com alguma conversação santa; mas com quem e de que é que falam? Não falam senão com Jesus e de Jesus. Quem tem Jesus no coração, não fala senão com Jesus, nem de outra coisa senão de Jesus. Continuar lendo

A GRANDE TRAIÇÃO – PARTE IV (FINAL)

Resultado de imagem para beijo do judasEm seu livro The Eucharistic Words of Jesus, publicado em 1966,Dr. Jeremias inventou a engenhosa teoria de que, quando Cristo disse “para muitos”, Ele quis dizer “para todos”, porque o aramaico não possui nenhuma palavra que signifique “todos”. Assim, o argumento era transferido da teologia que, uma vez que o Concílio de Trento expressamente rejeitara e repudiara “para todos os homens”, foi terreno perigoso, mesmo para qualificados equivoquistas, para a filologia.

No entanto, o argumento era bastante insano. Não só a passagem: “todos os habitantes da terra são reputados como nada diante dele” (Daniel IV, 32) existem no aramaico original, mas a obra A Grammarof Biblical Aramaic (publicada em 1961) dedica toda uma seção à palavra aramaica para “todos”, “muitos” e “cada um”.

A explicação “oficial” deste ponto particular na Missa Nova, como de muitos outros, é o que o homem simples, alheio aos métodos de pensamento episcopais, chamaria uma mentira. Sua importância, aqui,está no fato de que, ao alterar as palavras de Cristo, certamente essa alteração tornam inválidas todas as Missas vernáculas, além de qualquer possibilidade de argumento.

Como as versões latinas dos novos Cânones da Missa ainda retêm o “pro multis” e ainda não alteraram para o “pro omnibus”, facilmente este motivo de invalidade não se aplica a eles. Contudo, eles não parecem menos inválidos, mas antes de examinar a razão, seria bom dizer uma palavra sobre o Cânon da Missa, porque as nossas autoridades eclesiásticas estão enganando os leigos,falseando mais de 400 anos.

A forma como a mudança foi apresentada ao inglês pode ser resumida pela sentença do cardeal Heenan, no prefácio do livro de Missa de Westminster:

“Palavras e ações que, há quatrocentos anos atrás, serviram de apelo aos isabelinos, dificilmente podem satisfazer o estado de espírito dos homens no século XX.” Continuar lendo

ESTADA DE JESUS NO EGITO

egitoConsugens (Ioseph), accepit puerum et matrem eius nocte, et secessit In Aegyptum — “Levantando-se (José) tomou consigo, ainda de noite, o Menino e sua Mãe, e retirou-se para o Egito” (Matth. 2, 14).

Sumário. Durante a sua estada no Egito, a sagrada Família se nos mostra modelo perfeitíssimo de uma família cristã e de uma comunidade religiosa. Quão bem ordenadas estavam todas as ocupações dessas santas pessoas, quão bem dividido o tempo entre o trabalho e a oração! Com o seu trabalho José ganha o pão para si e para os outros; Maria cuida principalmente de seu Filho; e Jesus começa a prestar a seus pais os primeiros leves serviços. Lancemos um olhar sobre nós mesmos e examinemos como temos imitado esses grandes modelos.

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Jesus quis passar a sua infância no Egito, a fim de levar uma vida mais dura e desprezada. Segundo a opinião de Santo Anselmo e de outros escritores, a sagrada Família morou em Heliópolis. Contemplemos, com São Boaventura, a vida que Jesus levou no Egito, durante os sete anos que, conforme à revelação feita a Santa Maria Madalena de Pazzi, ali passou. A casa é muito pobre, porque São José só pode pagar um aluguel muito baixo; pobre é a cama, pobre a alimentação, pobre, em uma palavra, é toda a sua vida, porque, com o trabalho de suas mãos, só conseguem ganhar o necessário de dia em dia, e vivem num país onde são desconhecidos e desprezados, sem parentes nem amigos.

A sagrada Família vive, pois, em grande pobreza, mas como são bem ordenadas as ocupações desses três moradores! O santo Menino não fala com a boca, mas fala continuamente e eloqüentemente com o coração a seu Pai celestial, oferecendo-Lhe todos os seus padecimentos e todos os instantes de sua vida para nossa salvação. Maria tampouco fala, mas, vendo o seu caro Filhinho, contempla o amor divino e a graça que lhe fez escolhendo-a para sua Mãe. José trabalha igualmente em silêncio, mas vendo o divino Menino agradece-Lhe por tê-lo escolhido para companheiro e guarda de sua vida.

Foi naquela casa que Maria desabituou o menino Jesus de alimentar-se só com o leite e começou a alimentá-Lo com suas próprias mãos. Põe o Filho no colo, toma da tigelinha um pouco de pão amolecido em água e põe-Lho na sagrada boca. Naquela casa faz Maria para seu Filhinho o primeiro vestido e chegado o tempo de Lhe tirar as faixas, começa a vesti-Lo. Naquela mesma casa ainda começa Jesus a dar os primeiros passos e a falar. Começa ali a fazer o ofício de aprendiz, ocupando-se com os pequenos serviços que pode prestar uma criança. Continuar lendo

MORTE FELIZ DOS RELIGIOSOS

justoBeati mortui qui in Domino moriuntur. Amodo iam dicit Spiritus, ut requiescant a laboribus suis — “Bem-aventurados os mortos que morrem no Senhor. Desde agora diz já o Espírito Santo que descansem dos seus trabalhos” (Apoc. 14, 13).

Sumário. Para te confirmares na tua vocação, imagina que estás a ponto de morrer e próximo a comparecer no tribunal de Jesus Cristo. Pensa o que então mais desejarás ter feito. Será talvez teres ajudado à casa e feito a vontade própria, com as honras de pároco, de cônego, de ministro? Ou antes, morrer na casa de Deus, assistido de teus bons confrades, depois de uma vida na Religião sob a obediência e desapegado de todas as coisas da terra?

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Quem serão estesbem-aventurados mortos que morrem no Senhor, senão os Religiosos que no fim da vida se acham já mortos no mundo, tendo-se desapegado dele e de todos os seus bens, por meio dos santos votos? — Considera, meu irmão, quanto estarás contente, se, seguindo a tua vocação, tiveres a ventura de morrer na casa de Deus. O demônio te representará que, afastando-te do mundo e perseverando na Religião, depois poderás arrepender-te de teres deixado a tua casa e a tua pátria, de teres privado os parentes de algum proveito, que de ti podiam esperar. Mas pergunta a ti mesmo: Na hora da morte estarei arrependido ou contente por ter executado a minha resolução?

Por isso te peço: Imagina que estás à morte e próximo a comparecer perante o tribunal de Jesus Cristo. Pensa o que então mais desejarás ter feito, reduzido a tal estado. Será talvez teres contentado os parentes, teres feito benefício à casa ou à tua terra; morreres cercado dos parentes, dos sobrinhos, dos cunhados, depois de uma vida em tua casa com as honras de pároco, de cônego, de ministro? Ou não será antes teres vindo a morrer na casa de Deus, assistido de teus bons irmãos de religião, que na grande passagem te animarão; depois de teres vivido muitos anos na humilhação, na mortificação e na privação dos bens, longe dos parentes, sem vontade própria, debaixo da obediência e desapegado de todas as coisas da terra; circunstâncias estas todas que tornam doce e amável a morte?

O Papa Honório, quando estava para morrer, desejava ter ficado no mosteiro a lavar os pratos e não ter sido Papa. Na hora da morte, Filipe II, rei de Espanha, desejava ter sido leigo em algum convento e não rei. Filipe III, igualmente rei de Espanha, dizia na morte: Tomara que tivesse servido a Deus num deserto, em vez de ser monarca: porque agora compareceria com mais confiança perante o tribunal de Jesus Cristo. Continuar lendo

A GRANDE TRAIÇÃO – PARTE III

E quando em setembro os cardeais Ottaviani e Bacci apresentaram ao Papa um estudo crítico da Missa Nova preparado por destacados teólogos europeus, demonstrando que ela “representa em seu conjunto e em seus detalhes um impressionante afastamento da teologia da Missa”, a Latin Mass Society imediatamente publicou uma tradução em inglês, e enviou-a pessoalmente a cada bispo, sacerdote, monsenhor e superior de ordem religiosa da Inglaterra.

A Hierarquia proibiu os sacerdotes de comentar a análise dos estudiosos e podemos presumir que a maioria dos 7.000 exemplares foram parar diretamente nos cestos de lixo clerical.

Neste importante trabalho os teólogos demonstraram, com abundância de ciência teológica, que:

  1. a Missa Nova havia sido substancialmente rejeitada pelo Sínodo dos Bispos;
  2. que nunca fora submetida ao julgamento das Conferências Episcopais;
  3. nunca fora pedida pelo povo;
  4. que continha todas as possibilidades para satisfazer os protestantes mais modernistas;
  5. que, por uma série de equívocos, obsessivamente coloca a ênfase na “ceia” em vez de no Sacrifício;
  6. que não faz nenhuma distinção entre o sacrifício divino e o sacrifício humano;
  7. que o pão e o vinho são somente de caráter espiritual, não substancialmente mudados em Corpo e Sangue de Nosso Senhor;
  8. que a Presença Real de Cristo nunca é aludida e a crença nela é implicitamente repudiada;
  9. que a posição do sacerdote e do povo estão de tal modo falsificada que o celebrante rebaixa quase ao mesmo nível de um ministro protestante e a verdadeira natureza da Igreja é intoleravelmente adulterada;
  10. que o abandono no latim significa um ataque à unidade da Igreja, não somente em seu culto, mas em suas próprias crenças;
  11. Que em qualquer caso, o Novus Ordo Missae não tem intenção de defender a Fé como ensinado pelo Concílio de Trento a qual a consciência católica está vinculada. Com efeito, está repleta de insinuações ou erros manifestos contra a pureza da religião Católica e desmantela todas as defesas do depósito da Fé.

O Vaticano, bem como os Bispos ingleses e galeses, parecem ter presumido uma combinação de ignorância teológica e obediência cega para aceitar a nova missa sem argumentos. Eles fizeram o seu melhor para evitar suspeitas introduzindo as mudanças gradualmente. Como o cardeal Heenan escreveu em sua Carta Pastoral de 12 de outubro de 1969:

“Por que a Missa continua mudando? Aqui está a resposta. Teria sido imprudente introduzir todas as mudanças de uma vez. Obviamente foi mais sábio mudar gradualmente e delicadamente. Se todas as mudanças tivessem sido introduzidas juntas, você ficaria chocado.” Continuar lendo

REMORSOS E DESEJOS DE UM PECADOR MORIBUNDO

moribundo

Angustia superveniente, requirent pacem, et non erit — “Ao sobrevir-lhes de repente a angústia, eles buscarão a paz e não a haverá” (Ezech. 7, 25).

Sumário. Consideremos o estado infeliz de um moribundo que viveu mal, especialmente se era pessoa consagrada a Deus. Que remorso lhe causará o pensamento de que, com os meios que o Senhor lhe proporcionou, até um pagão se faria santo! Desejará então um instante daquele tempo que agora se perde, ou é empregado no pecado, mas em vão. Irmão meu, a fim de que não tenhamos tal desgraça, tomemos agora as resoluções que então havíamos de tomar. Talvez seja esta a última vez que Deus nos chama.

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Como se deixam bem conhecer no momento da morte as verdades da fé, mas para maior tormento do moribundo que viveu mal, especialmente se era pessoa consagrada a Deus, já que, para o servir, tinha mais facilidade, mais exemplos, mais inspirações. Ó Deus, que pena será para essa pessoa pensar e dizer: “Repreendi os outros e fiz pior do que eles! Deixei o mundo e vivi ligado aos gozos, às vaidades e às afeições do mundo!” Que remorso lhe causará o pensamento de que, com as luzes que recebeu de Deus, até um pagão se teria feito santo! Que dor não sofrerá, lembrando-se de ter ridicularizado as práticas de piedade dos outros como fraquezas de espírito e de ter louvado certas máximas do mundo, de estima ou de amor próprio!

Desiderium peccatorum peribit (1) — “O desejo dos pecadores perecerá”. Quanto será desejado na morte o tempo que se perde agora! Conta São Gregório, nos seus Diálogos, que um homem rico, mas de maus costumes, chamado Crisâncio, estando a ponto de morrer, gritava aos demônios que lhe apareciam visivelmente para se apoderar de sua alma: “Dai-me tempo, dai-me tempo até amanhã.” Respondiam os demônios: “Ó insensato, é nesta hora que pedes tempo? Tiveste tanto tempo e perdeste-o, empregaste-o a pecar, e agora é que pedes tempo? Já não há mais tempo.” O desgraçado continuava a gritar e a pedir socorro. Próximo dele achava-se um seu filho chamado Maximo, que era monge. Dizia-lhe o moribundo: “Socorre-me, filho, meu caro Maximo, socorre-me!” No entanto, com o rosto chamejante, volvia-se de um para outro lado do leito, e nesta agitação e gritos de desespero, expirou desgraçadamente.

Ó céus! Durante a vida, aqueles desgraçados comprazem-se na sua loucura, mas na morte abrem os olhos e reconhecem quanto foram insensatos; mas isto então lhes serve tão somente para aumentar o seu desespero de remediarem o mal que fizeram. — Meu irmão, penso que ao leres estas reflexões, dirás: É verdade; é mesmo assim. Mas se é verdade, muito maior seria a tua loucura e a tua desgraça, se, reconhecendo a verdade na vida, não te aproveitasses dela a tempo. Esta mesma leitura, que acabas de fazer, ser-te-á no momento da morte uma espada de dor. Continuar lendo

MARIA APARECEU-LHE E CONVERTEU-O

Resultado de imagem para virgem santíssimaCerto conde, que se dizia devoto de Nossa Senhora, não vivia bem. Diariamente rezava-lhe certas orações, mas continuava em seus pecados.

Um dia, durante uma caçada, sentiu fome devoradora. Nossa Senhora, que é sempre boa, apareceu-lhe, oferecendo-lhe, numa vasilha imunda, comida gostosa. O fidalgo queixou-se com as palavras:

“Como poderei eu comer de um prato tão sujo?”

Ao que a mãe de Deus lhe respondeu:

“Assim como o senhor não pode apreciar uma iguaria, embora boa, numa vasilha suja, do mesmo modo eu também não posso aceitar com prazer seus louvores, enquanto continuar nessa vida de pecados”.

O conde caiu em si, mudou de vida, desde então foi muito favorecido de graças e bênçãos da Virgem Santa.

Teve uma morte santa, e ganhou o Céu.

Observação:

Uma das maneiras para agradar a Nossa Senhora é exatamente evitar os pecados, que aborrecem a Jesus. O que entristece a Deus, desgosta também a sua mãe.

Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

O AMOR VENCE TUDO

amorFortis est ut mors dilectio — “O amor é forte como a morte” (Cant. 8, 6).

Sumário. Assim como a morte nos desprende de todos os bens terrestres, das riquezas, das dignidades, dos parentes e amigos e de todos os prazeres do mundo; assim o amor de Deus, quando reina num coração, desprende-o do afeto a todos os bens caducos. Queremos, pois, saber se amamos a Deus e se somos inteiramente d’Ele? Examinemos se estamos desapegados de todas as coisas terrestres. Vejamos sobretudo se já estamos desapegados de nós mesmos, pela morte do maldito amor próprio, que quer intrometer-se mesmo nas ações mais santas.

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Assim como a morte nos desprende de todos os bens terrestres, das riquezas, das dignidades, dos parentes e amigos e de todos os prazeres mundanos: assim o amor de Deus, quando reina num coração, desprende-o do afeto a todos estes bens terrestres. Por isso vemos os Santos desfazerem-se de tudo quanto o mundo lhes oferecia, renunciarem às suas posses, às mais altas dignidades e retirarem-se para os desertos ou claustros, para pensarem somente em amar o seu Deus. — A alma não pode deixar de amar, ou seu Criador, ou as criaturas. Desfaça-se uma alma de todo o afeto terrestre e achá-la-eis cheia do amor divino. Queremos saber se pertencemos inteiramente a Deus? Examinemo-nos se estamos desapegados de todas as coisas da terra.

Queixam-se alguns de que em todas as suas devoções, orações, comunhões, visitas ao Santíssimo Sacramento não acham Deus. Responde-lhes Santa Teresa: desprende o coração das criaturas e então busca Deus e achá-Lo-ás. Não acharás sempre doçuras espirituais, mas o Senhor te fará gozar aquela paz interior que sobrepuja todas as delícias sensitivas. Que delícia maior pode experimentar uma alma abrasada no amor divino do que em dizer: Deus meus et omnia — “Meu Deus e meu tudo”?

Fortis ut mors dilectio — “O amor é forte como a morte”. Enquanto virmos um moribundo interessado por alguma coisa terrestre, teremos a prova mais certa de que não está ainda morto, visto que a morte nos tira tudo. Quem quiser ser todo de Deus deve deixar tudo: a reserva feita de qualquer coisa prova que o amor de Deus não é perfeito, mas fraco. — O amor divino, diz o P. Segneri Júnior, é um amável ladrão que nos tira todas as coisas terrestres. A outro servo de Deus, que tinha distribuído todos os seus bens entre os pobres, perguntou-se o que o reduzira a tal estado de pobreza. Tirou da algibeira o livro dos Evangelhos e disse: Eis aí quem me despojou de tudo. Em uma palavra, Jesus Cristo quer possuir o nosso coração todo inteiro e não sofre competidores. Continuar lendo

A GRANDE TRAIÇÃO – PARTE II

Resultado de imagem para beijo judasNo século XVII, as forças anticatólicas foram agrupadas em torno dos três grandes heresiarcas: Lutero, Zwingli e Calvino. Embora todos ensinassem diferentes doutrinas e, ao se falar um do outro, expressaram-se em termos pouco claros, estavam unidos em seu ódio contra a “não suficientemente execrada Missa”. Adotando todas as heresias eucarísticas do passado e adicionando outras, eles estabeleceram e propagaram o que hoje chamamos de Reforma.

Já conhecemos os meios usados pelo arcebispo Cranmer na Inglaterra protestante para a destruição da Missa. Cranmer com outros dois líderes protestantes, Ridiye e Latimer, pediram um debate público com teólogos católicos sobre a transubstanciação. Este debate público ocorreu em Oxford em três proposições:

  • Na Eucaristia, em virtude das palavras de Cristo pronunciadas pelo sacerdote, o Corpo e o Sangue de Cristo estão verdadeiramente presentes, sob as aparências do pão e do vinho.
  • Após a consagração, não há substância de pão ou vinho, mas corpo e sangue.
  • A Missa é um verdadeiro sacrifício proveitoso aos vivos e aos mortos como propiciação de seus pecados.

Após uma disputa de três dias, os protestantes viram-se obrigados a repudiar a autoridade do Quatro Concílio de Latrão “por não concordar com a palavra de Deus”. Embora este repúdio tenha sido uma consequência lógica da doutrina protestante, não deixou de surpreender grandemente os católicos, bem como os teólogos que disputavam como os estudantes que ouviam.

O quê? Exclamou o teólogo católico que presidia “Não admitem o Concílio de Latrão?”

Não, responderam os protestantes; não admitimos.

Nada havia a acrescentar. Eles repudiaram uma doutrina, que indubitavelmente expressava a doutrina católica. Repudiavam a própria ideia da continuidade apostólica da Igreja, em seu desenvolvimento.

Como Karl Adam coloca em The Spirit of Catholicism: Continuar lendo

SEGUNDO DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA: DESEJO QUE JESUS TEVE DE SOFRER POR NÓS

Resultado de imagem para sofrimento jesusBaptismo habeo baptizari, et quomodo coarctor, usquedum perficiatur — “Tenho de ser batizado com um batismo; e quão grande não é a minha ansiedade até que ele se cumpra” (Luc. 12, 50).

Sumário. Podia Jesus salvar-nos sem sofrer. Mas não; por nosso amor quis abraçar uma vida de dores e de desprezos, sem qualquer consolação terrena. Mais, durante toda a sua vida suspirava continuamente pela hora de sua morte, a fim de ser batizado com o seu próprio sangue e limpar-nos das imundícies dos nossos pecados. Em vista de tudo isso, como poderemos deixar de amá-Lo de todo o nosso coração, e recusar-nos a sofrer alguma coisa por seu amor?

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I. Podia Jesus salvar-nos sem sofrer; mas não, quis abraçar uma vida de dores e de desprezos, sem qualquer consolação terrestre, e uma morte toda amargosa e desolada, unicamente para nos fazer compreender o amor que nos tinha e o seu desejo de ser amado por nós. Durante toda a sua vida Jesus suspirava pela hora da morte, que Ele desejava oferecer a Deus a fim de obter para nós a salvação eterna. É este o desejo que o fazia dizer: Baptismo habeo baptizari, et quomodo coarctor, usquedum perficiatur — “Tenho de ser batizado com um batismo; e quão grande não é a minha ansiedade até que ele se cumpra!” Jesus desejava ser batizado com o seu próprio sangue, para expiar, não os pecados próprios, senão os nossos. Ó amor infinito! Infeliz de quem não Vos conhece e não Vos ama.

Foi esse mesmo desejo que na véspera de sua morte Lhe inspirou estas palavras: Desiderio desideravi hoc Pascha manducare vobiscum (1) — “Tenho desejado ansiosamente comer esta Páscoa convosco”. Falando assim, demonstrou que em toda a sua vida não tivera outro desejo, a não ser o de ver chegado o tempo de sua paixão e morte, a fim de patentear ao homem o amor imenso que lhe tinha. — É pois, verdade, ó meu Jesus, almejais o nosso amor com tamanha veemência, que para o ganhardes não recusastes a morte! Como poderei negar alguma coisa a um Deus que por meu amor deu o seu sangue e a sua vida? Continuar lendo

UMA REFLEXÃO SOBRE A OCIOSIDADE

“QUEM NÃO QUER TRABALHAR, É JUSTO QUE NÃO COMA”

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Neste artigo do Revmo. Pe. Lethu, da FSSPX, falaremos sobre a “ociosidade”, coisa muito perigosa que abre a porta ao demônio e a inúmeros pecados. Aprendamos, então, como combatê-la para não nos tornar “irmãos moscas” como São Francisco de Assis chamava os ociosos.

Caro fiéis:

O mundo moderno realmente não me conhece, mas muito me ama, a tal ponto que me oferece gratuitamente técnicas que permitam me desenvolver para que as pessoas, sem perceberem, desperdicem seu tempo. O mundo moderno quase nunca fala de mim, mas bebe de minhas águas viciosas dia a dia. Comigo, as virtudes e as obras de misericórdia desaparecem da face da terra e os piores vícios se multiplicam todos os dias. O mundo moderno me quer unanimemente porque satisfaço o egoísmo de cada um. Pior ainda, a juventude moderna se casou comigo e me abraça tanto que não podem viver sem mim. Quem sou? Sou um pecado pouco conhecido, mas muito comum. A Sagrada Escritura me chama “a mãe de todos os vícios”. Eu sou a ociosidade!

Quem são os ociosos?

Se podem chamar ociosos:

  1. Aqueles que negligenciam sua salvação, vivendo como se não tivessem uma alma para salvar. Uma coisa é necessária: nossa salvação, e eles não se importam.
  2. Aqueles que seguem suas paixões deixando-se dominar por elas, como na parábola do filho pródigo (Lc 15, 11-32).
  3. Aqueles que se deixam devorar pelas coisas temporais, esquecendo os assuntos eternos.
  4. São ociosos aqueles que não fazem nada no dia, consumindo seu tempo em conversas inúteis, brincando, dormindo … chateando, navegando como internautas em águas turvas, pendurados no celular, divertindo-se ao invés de trabalhar … São Francisco de Assis chama os religiosos ociosos de “Irmãos Moscas”, porque a única coisa que fazem é irritar aqueles que trabalham. Como a mosca, eles têm uma vida sem obras, inútil, preguiçosa, indigna de um homem.
  5. Aqueles que fazem outra coisa ao invés do seu dever, seguindo seus caprichos; por exemplo, praticar ou assistir esportes antes das tarefas e/ou antes da convivência em família. Cuidado, se a Igreja condena a ociosidade, não condena os esportes e diversões saudáveis ​​e oportunas. Um dia, um estrangeiro que estava armado, com arco e flechas, surpreendeu a São João Apóstolo, evangelista e Bispo de Éfeso, brincando em um momento de descanso com uma perdiz domesticada. Ele a tinha em uma mão, e o pequeno animal ia subindo em suas costas, até empinar-se sobre sua cabeça. Este estrangeiro manifestou ao apóstolo a sua estranheza diante desse espetáculo e San Juan perguntou por que ele portava o arco desarmado? O estrangeiro respondeu: “Porque o arco sempre armado perde sua força“. E São João respondeu: “Assim também acontece com homens muito afetados em sua fadiga e cuidados; para que estas não destruam a força do espírito, devem buscar um passatempo honesto em diversões inocentes”. Muitas vezes, de fato, os passatempos são mais do que um prazer, são uma necessidade do espírito. É por isso que se diz: “Bem é relaxar, depois de trabalhar“.
  6. Aqueles que trabalham sem pureza de intenção, isto é, sem oferecer seu trabalho a Deus. Essas pessoas podem fazer boas e santas obras em si mesmas, mas buscam sua própria satisfação ou os louvores das criaturas, em vez de se referi-las a Deus.

Gravidade da ociosidade

A ociosidade é a violação de um preceito divino: “com o suor do seu rosto ganharás seu pão“, disse Deus diz a Adão depois do pecado original. E São Paulo ressalta: “ Nem de graça comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não porque não tivéssemos autoridade, mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes. Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também. Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs. A esses tais, porém, mandamos, e exortamos por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão. E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem. Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão.” (2 Tes. 3, 8-15).

Permanecer ocioso é abrir a porta para ao demônio e todos os vícios. A água, quando corre, mantém sua nitidez, mas quando ela deixa de correr ela fica turva, prejudicial, fétida, pantanosa. Da mesma forma, quando Sansão luta contra os inimigos do seu povo, é invencível, mas quando ele dorme sobre os joelhos de uma mulher, perde sua força, suas virtudes e sua glória. Davi quando está encabeçando o exército é casto, doce e justo, mas ocioso em seu palácio torna-se impudico, injusto e cruel … “uma ocupação prudente – diz Jerônimo – é o escudo do coração“.

Permanecer ocioso é perder duas coisas que têm um preço infinito: o tempo e a graça. Sem o tempo e sem a graça, como conquistar o céu? Perdê-los em coisas inúteis é expor-se a perder a alma por toda a eternidade. O que o Senhor não sofreu em sua paixão por todo esse tempo desperdiçado? É por isso que Deus odeia tanto a ociosidade. “Quando penso em como usei o tempo“, diz San Francisco de Sales, “receio que Deus não me dê sua eternidade, porque ele só dá àqueles que usaram bem seu tempo“.

Remédios para ociosidade

  1. Olhemos sem cessar a Nosso Senhor. Depois de ter dado o exemplo, Nosso Senhor envia seus apóstolos ao trabalho. E nós, pecadores, permaneceríamos ociosos, confortavelmente?
  2. Mantenhamo-nos na presença de Deus colocando todo nosso coração no cumprimento de Sua Vontade. “Vontade de Deus, és meu paraíso“, exclamava Santa Teresa.
  3. Julguemo-nos e castiguemo-nos quando perdemos tempo e assim Deus não nos julgará. 
  4. Obriguemo-nos a obedecer regras, horários fixos, tanto quanto possível. Há uma hora católica para deitar-se. Há uma hora católica para levantar-se, para fazer as orações da manhã, para tomar café da manhã, para trabalhar, para comer, para fazer as tarefas, para jogar/brincar … para voltar do trabalho, para recitar o rosário em família, para jantar juntos e fazer o oração da noite juntos.
  5. O céu sofre violência e são os violentos que o ganham“, diz Nosso Senhor. Deixemo-nos então ser exigentes para com nós mesmos, antes de tudo encontrando a energia necessária na oração freqüente e nos sacramentos bem recebidos.

Que o demônio os encontre sempre ocupados“, diz São Jerônimo, “e assim não poderá vencê-los“.

Padre Donatien Lethu, FSSPX +

MARIA SANTÍSSIMA, MODELO DE FÉ

nossa_senhoraBeata quae credidisti, quoniam perficientur ea, quae dicta sunt tibi a Domino — “Bem-aventurada és tu, que creste, porque se hão de cumprir as coisas que te foram ditas da parte do Senhor” (Luc. 1, 15).

Sumário. Maria Santíssima teve fé tão viva, que excedeu a de todos os homens e de todos os anjos, porquanto viu Jesus Cristo sujeito a todas as misérias humanas e sempre o reconheceu por seu Deus verdadeiro. Se quisermos ser dignos filhos da divina Mãe, imitemo-la nesta virtude como em todas as demais. Exercitemo-nos em fazer contínuos atos de fé e vivamos segundo as verdades da nossa fé: porque a fé sem as obras é morta.

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Assim como a Bem-aventurada Virgem é modelo de amor e de esperança, assim também é modelo de fé, pois que, diz Santo Irineu, aquele dano que Eva fez com a sua incredulidade, Maria o reparou com a sua fé. Com efeito, Eva, porque quis dar crédito à serpente contra aquilo que Deus tinha dito, trouxe a morte; mas a nossa Rainha, dando crédito às palavras do anjo, que ela, ficando Virgem, devia fazer-se Mãe do Senhor, trouxe ao mundo a salvação. Exatamente por causa da sua fé é chamada bem-aventurada por Santa Isabel:Beata quae credidisti— “Bem-aventurada és tu porque creste”.

Diz o Padre Soarez, que a Santíssima Virgem teve mais fé que todos os homens e todos os anjos. Via o seu Filho no presépio de Belém e cria que Ele era o Criador do mundo. Via-O fugir de Herodes e não deixava de crer que era o Rei dos reis. Via-O nascer, e O cria eterno. Via-O pobre e necessitado de alimento, e O cria Senhor do universo; deitado sobre a palha, e O cria onipotente. Observava que não falava e cria que era a Sabedoria infinita. Ouvia-O chorar e cria que era a alegria do paraíso. Via-O, finalmente, na morte vilipendiado e crucificado e bem que nos outros vacilasse a fé, Maria estava firme em crer que Ele era Deus. É por esta razão, diz Santo Antônio, que no Ofício das Trevas só se deixa uma vela acesa e São Leão, a este propósito, aplica à Virgem esta passagem: Non extinguetur in nocte lucerna eius (1) — “A sua lâmpada não se apagará de noite”.

Maria Santíssima, pela sua grande fé, mereceu ser feita a Luz de todos os fiéis, como é chamado por São Metódio: Fidelium fax. E São Cirilo de Alexandria a chama Rainha da verdadeira fé: Sceptrum orthodoxae fidei. A mesma Igreja atribui à Virgem, pelo merecimento de sua fé, a derrota de todas as heresias: Gaude, Maria Virgo, cunctas haereses sola interemisti in universo mundo (2). Continuar lendo

A GRANDE TRAIÇÃO – PARTE I

Resultado de imagem para beijo judasPrezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Cristo.

Iniciamos hoje a publicação de um texto de Hugh Ross Williamson (1901-1978) historiador britânico e dramaturgo. Ordenou-se sacerdote anglicano em 1943. Em 1955 converteu-se ao Catolicismo romano e escreveu várias obras históricas com tom apologista católico. Em 1956 publicou sua autobiografia, The Walled Garden e foi crítico às reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II.

O texto que publicamos agora é parte de sua obra The Great Betrayal: Some Thoughts on the Invalidity of the New Mass. Britons, 1970 (Tradução: Dominus Est) e aborda com mestria a sutileza das maquinações heréticas contra Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia, nosso Tudo e maior tesouro da Igreja.

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O Evangelho, a “Boa Nova de Jesus Cristo”, é, acima de tudo, o fato histórico de sua Ressurreição. Ao ressuscitar dos mortos, o Deus Encarnado interrompe o processo da natureza e dá uma nova dimensão à existência humana. Em vez da morte e a decadência, que pareciam ser o fim inevitável de todas as coisas, temos agora a Vida Eterna diante de nós.

Os apóstolos foram testemunhas presenciais deste evento singular, aqueles que podiam dizer: “Eu O vi; eu falei com Ele; aprendi com Ele; eu O toquei, comi com Ele depois de sua ressurreição dentre os mortos”. Por isso, esses homens não tiveram medo da morte, quando em mãos daqueles que não acreditavam, por sua grande fé e pela esperança certa de sua própria ressurreição.

Hoje, quando para a maioria dos homens o Evangelho não significa nada além de uma narrativa, uma lenda de certos episódios da vida de Cristo e o “apóstolo“ não passa de um mestre peregrino de barbas brancas do primeiro século da Igreja, é impossível imaginar o impacto desta “Boa Nova” da abolição da morte, que era “escândalo para os judeus e loucura para os gregos”.

Embora a ressurreição de Cristo seja a base de nossa fé católica, há uma grande multidão de nomeados cristãos, que substituíram esta esperança da própria ressurreição por um interesse insaciável na melhoria social, uma preocupação para com as coisas deste mundo, que parece indicar a convicção de que “a morte é o fim de tudo”, embora continuem dizendo em palavras que acreditam na ressurreição e na vida eterna. Continuar lendo

FUGA DE JESUS PARA O EGITO

fugaSurge, et accipe puerum et matrem eius, et fuge in Aegyptum — “Levanta-te, e toma contigo o Menino e sua Mãe, e foge para o Egito” (Matth. 2, 13).

Sumário. Considera que Jesus apenas nascido é perseguido de morte por Herodes, sendo assim obrigado a fugir para o Egito, a fim de salvar a vida. Quão penosa devia ser aquela fuga para a sagrada Família e especialmente para o Coração extremamente sensível do Menino Jesus. Minha alma, associa-te àqueles três pobres exilados, compadece-te deles, e quando o Senhor te provar com tribulações, une os teus padecimentos aos daqueles santos personagens. Considera igualmente que pelos pecados que cometeste, renovaste para Jesus a perseguição de Herodes.

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O Anjo aparece em sonhos a São José e lhe dá a entender que Herodes vai procurar o Menino Jesus, para Lhe tirar a vida.Surge, et accipe puerum et matrem eius, et fuge in Aegyptum— “Levanta-te, e toma contigo o Menino e sua Mãe, e foge para o Egito”. Eis como Jesus apenas nascido é perseguido de morte. — Herodes é figura daqueles miseráveis pecadores que vendo Jesus Cristo apenas renascido em sua alma pelo perdão obtido, novamente o perseguem à morte, tornando a pecar: quaerunt puerum ad perdendum eum.

José, tendo recebido a ordem do Anjo, obedece logo, sem demora, e avisa a sua santa Esposa. Ajunta a pouca ferramenta que podia carregar, a fim de exercer o seu ofício no Egito, e deste modo sustentar a sua pobre família. — Maria, por seu lado, faz uma pequena trouxa dos paninhos, ao uso do divino Menino. Depois entra na pobre morada, ajoelha junto ao berço de seu tenro Filhinho, beija-Lhe os pés, e derramando lágrimas de ternura, lhe diz: Ó meu Filho e meu Deus, acabas de nascer e de vir ao mundo para salvar os homens e já os homens vêm procurar-Te para Te matarem! — Toma em seguida o Menino nos braços e enquanto os santos Esposos choram, saem da casa, fecham a porta e na mesma noite se põem em caminho para o Egito.

Considera em espírito quais foram as ocupações daqueles santos viajantes durante a jornada. Não falam senão sobre seu caro Jesus, sobre a sua paciência e o seu amor, e desta maneira consolavam-se nas dificuldades e incômodos de tão longo caminho. Oh! Quão doce é o sofrimento quando se olha para Jesus que sofre! Associa-te, minha alma, diz São Boaventura, a esses três santos e pobres exilados; compadece-te deles na viagem tão penosa, longa e incômoda, que estão fazendo. Roga a Maria que te faça sempre trazer o seu Filho divino em teu coração. Continuar lendo

PORQUE NÃO UM GESTO DE CARIDADE NESSE MÊS?

CAPELAPrezados amigos, prezados leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vocês que acessam e gostam de nosso blogvocês que acompanham as ações da FSSPX pelo mundovocês que lutam pelo Reinado Social de Nosso Senhor, vocês que sabem que a Tradição é a única solução para a restauração a Igreja… AJUDE-NOS! 

Estamos, mais uma vez, pedindo vossa ajuda nessa campanha em prol da compra de um terreno e futura construção de mais uma Capela para a Tradição e para a Santa Igreja. Sabemos que o caminho é longo e árduo, por isso, toda ajuda é importante.

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Faça um gesto nobre de caridade, por amor à Santa Igreja!!

Ad Majorem Dei Gloriam

Aproveitamos para agradecer a todos que nos ajudam ou ajudaram em algum momento nessa campanha, mesmo de forma anônima. Contem com nossas orações.

Que Nossa Senhora os conduza ao caminho da santidade.

EXEMPLOS QUE NOS DÁ JESUS MENINO

meninojesusErunt oculi tui videntes praeceptorem tuum — “Os teus olhos estarão vendo o teu mestre” (Is. 30, 20).

Sumário. Quantos belos exemplos nos dá Jesus Cristo durante todo o tempo da sua infância! Exemplos de submissão à vontade divina, de pobreza, de humildade, de mansidão, de obediência; exemplos de mortificação, de amor à cruz, de recolhimento e de oração; uma palavra, exemplos de todas as mais belas virtudes. Esforcemo-nos por imitá-Lo, custe o que custar e imaginemos que lá de cima, da Gruta de Belém, o Pai Eterno nos diz: Se não vos fizerdes semelhantes a este meu amado Filho, feito menino por vosso amor, não entrareis no reino dos céus.

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Tendo o Pai Eterno decretado que o Verbo divino se fizesse homem para operar a nossa Redenção, podia Jesus Cristo tomar um corpo glorioso, ou de homem perfeito, como Adão, sem que ficasse sujeito a todas as fraquezas e misérias próprias da infância. Não obstante isso, para nosso ensinamento e maior proveito, quis nascer criança como nós, a fim de que, vendo-O em tudo nosso semelhante, nos sintamos com mais estímulo de imitá-Lo e fazer-nos semelhantes a Ele.

Oh! Que exemplos tão numerosos de virtudes nos deu o divino Menino durante toda a sua infância, se quisermos aproveitá-los! Exemplos de amor para com seu Pai e de submissão à vontade divina. Vede, como Jesus, apenas nascido e, conforme diz o Apóstolo, no seu primeiro ingresso no mundo, inclina humildemente a cabeça, adora respeitosamente a Deus Pai e protesta que está pronto a fazer-Lhe em tudo a santíssima vontade: Ecce venio, ut faciam, Deus, voluntatem tuam (1) — “Eis que venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade”. — Exemplos de pobreza e de castidade: escolhendo para mãe uma virgem; para guarda, um homem castíssimo; para sua corte, uns pastores inocentes. Quer que tudo ao redor d’Ele seja indigência e miséria: Propter vos egemus factus est (2) — “Para vós Ele se fez pobre”. — Exemplos de mansidão, de humildade e de obediência. Podia castigar instantaneamente ao ímpio Herodes, que o persegue à morte, mas demora o castigo, e entretanto substrai-se à sanha do rei por meio de uma fuga humilhante para o Egito, onde vive obediente a qualquer aceno de José e Maria: Et erat subditus illis (3) — “E estava-lhes sujeito”.

Finalmente Jesus nos dá exemplos de mortificação, de abnegação própria, de amor de cruz, e sobretudo de recolhimento e de oração. Passa todos os seus dias nas mais duras privações e santifica o trabalho pelo silêncio e pela oração. De sorte que desde então se Lhe pode aplicar o que depois disse o Evangelista: Erat pernoctans in oratione (4) — “Passava as noites em oração”. Felizes de nós se soubermos imitar os exemplos do santo Menino Jesus!

Imaginemos que Deus Pai lá de cima da Gruta de Belém nos diz o que Jesus Cristo mesmo disse mais tarde a seus discípulos:Nisi efficiamini sicut parvulus iste, non intrabitis in regnum coelorum(5) — “Se não vos fizerdes como este menino, não entrarei no reino dos céus”. Se não vos fizerdes semelhantes a este meu Filho, feito criança por vosso amor, não entrareis no reino dos céus.

Examinemos, pois, a nossa consciência, e se infelizmente acharmos que nos tempos passados pouco ou nada temos imitado os exemplos do santo Menino, tomemos uma resolução firme de fazê-lo ao menos para o futuro.

“Ó dulcíssimo Jesus, como estou envergonhado de me ver tão diferente de Vós! Mas já que acolheis os maiores pecadores, quando se convertem, fazei que de hoje em diante não seja mais assim. Dai-me, ó Senhor, assim como fizestes para com todos os pecadores arrependidos, um coração semelhante ao vosso. Dai-me um coração humilde, amante da vida oculta e desprezada, ainda no meio das honras terrestres; um coração paciente, resignado em todas as contrariedades, por mais penosas que sejam; um coração pacífico, que guarde sempre uma inalterável paz com o próximo e consigo mesmo. Dai-me um coração amante da oração, que goste de entregar-se freqüentemente a este santo exercício; e tenha só um desejo, o de ver Deus conhecido, amado e louvado de todas as criaturas; um coração no qual nada desagrade, senão ver Deus ofendido; que nada odeie senão o pecado; que não tenha outro desejo no mundo senão o de promover a glória de Deus e a salvação do próximo. Dai-me um coração reconhecido, que nunca se esqueça dos benefícios divinos e saiba sempre estimá-los devidamente; um coração forte e corajoso, que não tenha medo de mal algum e suporte tudo por amor do seu Deus; um coração benéfico para com todos os necessitados e cheio de compaixão das almas do purgatório; finalmente um coração perfeitamente regrado, cujas alegrias e tristezas, repugnâncias e desejos, movimentos e aspirações sejam todas conformes com a vontade divina. Numa palavra, dai-me, ó meu Jesus, um coração todo semelhante ao vosso. Fazei-o pelo amor de vossa e minha querida Mãe Maria santíssima.”(6)

  1. Hebr. 10, 9.
    2. 2 Cor. 8, 9.
    3. Luc. 2, 51.
    4. Luc. 6, 12.
    5. Matth. 18, 3.
    6. Oração de São Clemente Maria Hoffbauer, C. SS. R.

Meditações para todos os dias e festas do ano – Tomo I – Santo Afonso

VIDA POBRE QUE JESUS COMEÇOU A LEVAR DESDE O SEU NASCIMENTO

vida pobrePropter vos egenus factus est, cum esset dives, ut illius inopia vos divites essetis — “Sendo rico, se fez pobre por vosso amor, a fim de que vós fosseis ricos pela sua pobreza” (2 Cor. 8, 9).

Sumário. Se Jesus tivesse nascido em Nazaré, teria nascido pobre, sim; mas ao menos num quarto asseado e sem humidade, com um pouco de lume, paninhos aquecidos e um bercinho mais cômodo. Mas não; Jesus quis nascer naquela gruta fria e sem lume; quis que uma manjedoura lhe servisse de berço e um pouco de palha Lhe fosse colchão, a fim de padecer mais e ensinar-nos a santa pobreza. Aproveitemo-nos da lição e lembremo-nos de que, quem ama as comodidades, nunca será santo.

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Deus dispôs que no tempo em que seu Filho devia nascer na terra, fosse lançada a ordem do imperador, que cada um fosse alistar-se na cidade da sua origem. E assim aconteceu que, de conformidade com o édito de César, São José tivesse de ir, com a sua santa Esposa, a Belém para ser alistado. Chegou então a hora do parto de Maria, que, por não achar acolhida em nenhuma outra casa, nem mesmo na hospedaria comum dos pobres, viu-se obrigada a passar a noite em uma gruta, e ali deu à luz o Rei do céu. Se Jesus tivesse nascido em Nazaré, teria nascido pobre, sim; mas ao menos teria tido um quarto asseado e sem humidade, um pouco de lume, paninhos aquecidos e um bercinho mais cômodo. Quis, porém, nascer naquela gruta fria e sem lume; quis que uma manjedoura lhe servisse de berço e um pouco de palha dura lhe fosse colchão.

Entremos na lapinha de Belém, mas entremos com fé. Se entrarmos sem fé, acharemos apenas uma criança pobre, que excita a nossa compaixão pela sua formosura amável, que está tiritando e chorando por causa do frio e da palha pungente. Se, ao contrário, entrarmos com fé e pensarmos que aquele Menino é o Filho de Deus, que por nosso amor veio à terra e sofre tanto para satisfazer pelos nossos pecados, como poderemos deixar de Lhe agradecer e de O amar? Continuar lendo

A ETERNIDADE DO INFERNO É TERRÍVEL, MAS JUSTA

infiernoNon dabit Deo placationem suam… laborabit in aeternum — “Não dará a Deus a sua propiciação… estará em trabalho eternamente” (Ps. 48, 8).

Sumário. Digam os incrédulos o que quiserem: as penas do inferno durarão eternamente. E com razão. À ofensa de uma Majestade infinita é devido um castigo infinito. Sendo, porém, a criatura incapaz de sofrer um castigo infinito em intensão, é justo que o seja em duração. Quantos daqueles que não quiseram crer nesta terrível eternidade, experimentam-na agora em si mesmos! Ai daquele que cair no abismo infernal!

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As penas da vida presente passam; porém, as da outra vida não passarão nunca, estarão sempre principiando. Pobre Judas! Passaram-se quase mil e novecentos anos desde que caiu no inferno e o inferno está apenas principiando para ele. Pobre Cain! Há perto de seis mil anos que está no inferno e o seu inferno ainda está no princípio. Perguntou-se certa vez a um demônio há quanto tempo já estava no inferno; e respondeu: Desde ontem. — Como? Disseram-lhe; desde ontem? Não há mais de cinco mil anos que foste condenado ao inferno? — Tornou o demônio: Oh! Se soubesses o que quer dizer eternidade, bem compreenderias que em comparação dela cinco mil anos não são senão um instante.

Mas como? Dirá um incrédulo; que justiça é essa? Castigar com uma pena eterna um pecado que dura apenas um momento? E como é, respondo eu, que o pecador pode ter a audácia de ofender, por um prazer momentâneo, uma Majestade infinita? Até a justiça humana, observa Santo Tomás, mede a pena, não pela duração, mas pela qualidade do crime. Non quia homicidium in momento committitur, momentanea poena punitur. A ofensa feita à Majestade divina merece castigo infinito, diz São Bernardino de Sena. Mas, como a criatura, acrescenta o Doutor Angélico, não é capaz da pena infinita em intensidade, é com justiça que Deus torna a pena infinita em duração.

Além disso, esta pena deve ser necessariamente eterna, porque o condenado já não pode satisfazer pelo seu pecado. Nesta vida, o pecador penitente pode satisfazer, porquanto podem ser-lhe aplicados os merecimentos de Jesus Cristo; mas desta aplicação fica excluído o condenado, e visto não poder aplacar a Deus, e ser eterno o seu estado de pecado, a pena deve também ser eterna: Non dabit Deo placationem suam… laborabit in aeternum — “Não dará a Deus a sua propiciação… estará em trabalho eternamente”. — Demais: ainda que Deus quisesse perdoar, o réprobo não quisera ser perdoado, porque a sua vontade está obstinada e confirmada no ódio contra Deus. Por isso o mal do réprobo é incurável, porque ele recusa a cura: Factus est dolor eius perpetuus, et plaga desperabilis renuit curari (1). Continuar lendo

MISERICÓRDIA DE DEUS EM BAIXAR DO CÉU PARA NOS SALVAR COM A SUA MORTE

Resultado de imagem para jesus crucificadoBenignitas et humanitas apparuit Salvatoris nostri Dei — “Apareceu a benignidade e o amor de Deus nosso Salvador” (Tit. 3, 4).

Sumário. Antes da vinda de Jesus Cristo, manifestou-se o poder de Deus na criação do mundo, a sabedoria divina manifestou-se na sua conservação; a misericórdia, porém, manifestou-se particularmente, quando Jesus tomou a natureza humana a fim de salvar, pelos seus padecimentos e morte, os homens perdidos. Com efeito, de que misericórdia maior podia o Filho de Deus usar para conosco do que tomando sobre si os castigos por nós merecidos? E, apesar disso, quantos pecadores há que não voltam a Deus por desconfiança da sua bondade!

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Quando o Filho de Deus apareceu sobre a terra, viu-se quão grande é a bondade de Deus para conosco. Escreve São Bernardo, que primeiro se manifestou o poder de Deus em criar o mundo, a sua sabedoria em conservá-lo; mas a sua misericórdia manifestou-se, particularmente, quando o Filho de Deus tomou a natureza humana, a fim de salvar, pelos seus padecimentos e morte, os homens perdidos. Com efeito, que maior misericórdia podia o Filho de Deus mostrar-nos do que tomando sobre si os castigos por nós merecidos? Ei-lo nascido como criança, fraco e envolto em panos, deitado numa manjedoura, como que impossibilitado de mover-se e alimentar-se. É mister que Maria lhe dê um pouco de leite para lhe sustentar a vida. Vede-o depois no pretório de Pilatos, onde é preso a uma coluna com cordas, de que não podia livrar-se e açoitado da cabeça aos pés. Vede-o no caminho ao Calvário, onde pela extrema fraqueza e pelo peso da cruz que carrega, cai repetidas vezes por terra. Vede-o, finalmente, pregado no infame lenho, sobre o qual termina a vida à força de sofrimentos.

Pelo amor que nos teve, Jesus Cristo quer ganhar todo o amor dos nossos corações. Por isso, não quer enviar um anjo para nos remir, senão quer vir Ele mesmo para nos salvar com a sua Paixão. Se um anjo houvera sido nosso Redentor, o homem deveria dividir o seu coração, amando a Deus como seu Criador, e ao anjo como seu Redentor. Mas Deus, que quis possuir o coração do homem todo inteiro, assim como já era Criador do homem, quis também ser seu Redentor. Continuar lendo

HEI DE MORRER UM DIA

heiStatutum est hominibus semel mori; post hoc autem iudicium — “Está decretado que os homens morram uma só vez, e que depois venha o juízo” (Hebr. 9, 27).

Sumário. É utilíssimo para a salvação eterna dizermos muitas vezes conosco: “Hei de morrer um dia”; e entretanto escolhermos nos negócios da vida o que na hora da morte quiséramos ter feito. Com efeito, meu irmão: nesta terra um vive mais tempo, outro menos; mas mais cedo ou mais tarde, para cada um chegará o fim e então nada nos consolará senão o havermos amado Jesus Cristo e o termos padecido por seu amor e com paciência as dificuldade da vida presente.

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É utilíssimo para a salvação eterna dizermos muitas vezes conosco:Hei de morrer um dia. A Igreja lembra-o todos os anos aos fiéis no dia de Cinzas:Memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris — “Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar.” Mas no correr do ano a lembrança da morte nos é sugerida freqüentíssimas vezes, ora pela vista de um cemitério à beira da estrada, ora pelas campas que vemos nas igrejas, ora pelos defuntos que são levados à sepultura. — Os objetos mais preciosos que os anacoretas guardavam nas suas grutas eram uma cruz e uma caveira: a cruz para se lembrarem do amor que nos teve Jesus Cristo e a caveira para não se esquecerem do dia da sua morte. Assim é que perseveraram na sua vida de penitência até ao termo de seus dias. Morrendo pobres no deserto morreram mais contentes do que morrem os monarcas em seus palácios régios.

Finis venit, venit finis (1) — “O fim vem, vem o fim!” Nesta terra uns vivem mais tempo, outros menos; porém, mais cedo ou mais tarde, para cada um chegará o fim da vida, e nesse fim, que será a hora da nossa morte, nada nos dará consolo, senão o termos amado Jesus Cristo e o termos padecido com paciência, por amor d’Ele, as penalidades desta vida. Então nenhum consolo poderão dar-nos, nem as riquezas adquiridas, nem as dignidades possuídas, nem os prazeres gozados. Todas as grandezas terrestres não somente não consolarão os moribundos, antes lhes causarão aflições. Quanto mais as tiverem procurado, tanto mais lhes aumentará a aflição. Soror Margarida de Sant´Anna, carmelita descaça e filha do imperador Rodolfo II dizia: Para que servirão os reinos do mundo na hora da morte?

Ah! Meu Deus, dai-me luz e dai-me força para empregar o tempo de vida que me resta em Vos servir e amar! Se tivesse de morrer neste instante, não morreria contente, morreria com grande inquietação. Para que, depois, esperar? Esperarei por ventura até que a morte me surpreenda, com grande perigo para a minha eterna salvação? Se nos tempos passados tenho sido tão insensato, não o quero ser mais. Dou-me inteiramente a Vós; aceitai-me e socorrei-me com a vossa graça. Continuar lendo

DA VIDA HUMILDE E DESPREZADA QUE JESUS LEVOU DESDE A MENINICE

crianEt hoc vobis signum: invenietis infantem, pannis involutum, et positum in praesepio — “E este é o sinal que vô-lo fará conhecer: achareis um menino envolto em panos e posto em uma manjedoura” (Luc. 2, 12).

Sumário. Todos os sinais que o Anjo deu aos pastores para acharem o Messias nascido foram sinais de humildade. O sinal pelo qual o reconhecereis, disse-lhes, é que achareis um menino, envolto em pobres paninhos, numa estrebaria, e deitado sobre a palha numa manjedoura de animais. Assim quis nascer o Rei do céu, porque veio para destruir o orgulho, a causa da perdição do homem. E apesar disso o homem continua orgulhoso e ambicioso.

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Todos os sinais que o Anjo deu aos pastores para acharem o Salvador já nascido foram sinais de humildade.Et hoc vobis signum: invenietis infantem, pannis involutum et positum in praesepio.Eis o sinal para reconhecer o Messias nascido, disse o Anjo: achareis uma criança, envolta em pobres paninhos, numa estrebaria e deitada sobre a palha numa manjedoura de animais. Foi assim que quis nascer o Rei do céu, o Filho de Deus, porque vinha destruir o orgulho, que fora a causa da perdição do homem.

Os profetas já tinham predito que o nosso Redentor devia ser saciado de opróbrios e tratado como o homem mais vil do mundo. Quantos desprezos não teve Jesus de sofrer da parte dos homens! Foi qualificado de ébrio, de mágico, de blasfemo e de herege. E depois, quantas ignomínias sofreu na sua Paixão! Foi abandonado por seus próprios discípulos, dos quais um O vendeu por trinta dinheiros, outro negou tê-Lo jamais conhecido. Foi levado pelas ruas preso e amarrado como um malfeitor, açoitado como um escravo, qualificado de insensato e de rei de burla; foi esbofeteado, coberto de escarros, e finalmente fizeram-No morrer suspenso numa cruz, em meio de dois ladrões, como se fosse o mais celerado dos homens. Assim, diz São Bernardo, o mais nobre de todos foi tratado como se fosse o mais vil de todos. Acrescenta porém o Santo: Quanto mihi vilior, tanto mihi carior — Ó meu Jesus, quanto mais humilhado e desprezado Vos vejo, tanto mais amável Vos fazeis e amado. Continuar lendo

37 ORGANIZAÇÕES PRÓ-VIDA E PRÓ-FAMÍLIA JURAM FIDELIDADE AO ENSINO DA IGREJA

Em 12 de dezembro de 2017, 37 líderes de associações pró-vida e pró-família assinaram uma declaração de “fidelidade à verdadeira doutrina, e não aos pastores que erram”.news-header-image

Fonte: FSSPX News (Agradecemos ao nosso amigo Sr. Adolfo J. G. Correa por ter cedido, gentilmente, a tradução)

Os signatários pertencem a associações ao redor do mundo: França, Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Bélgica, Itália, Canadá, Estados Unidos, Nicarágua e Venezuela. François Legrier, presidente do Movimento Católico das Famílias, Philippe Piloquet, presidente da SOS para os Mais Pequenos e Yves Tillard, presidente da Ação para Famílias e Escolas, são alguns dos signatários por parte da França.

Como assinalam seus autores, este juramento de fidelidade identifica-se com a postura da Súplica Filial ao Papa Francisco, lançada em setembro de 2015 e assinada por 900.000 pessoas, seguida da Declaração de Fidelidade à Doutrina Imutável da Igreja sobre o Matrimônio em 2016, das cinco Dubia dirigidas ao Papa pelos quatro cardeais em 19 de setembro de 2016, pela Correctio filialis de 23 de setembro de 2017 e pelo apoio à Correctio filialis oferecido por 250 teólogos em 4 de novembro. Nenhuma dessas declarações recebeu resposta do Papa Francisco.

Juramento de fidelidade ao autêntico ensino da Igreja

O número de crianças inocentes assassinadas pelo aborto durante o último século é maior ao de todos os seres humanos que morreram em razão das guerras na história humana. Nos últimos cinquenta anos estamos testemunhando o constante aumento de ataques à estrutura da família, tal e como foi planejada e desejada por Deus, capaz de criar o melhor ambiente para a prosperidade da humanidade e, sobretudo, para a educação e formação das crianças. O divórcio, a contracepção, a aceitação de atos e uniões homossexuais e a disseminação da “ideologia do gênero” têm causado danos incalculáveis à família e aos seus membros mais vulneráveis. Continuar lendo