A GRANDE TRAIÇÃO

Reconciliar a Igreja com a Revolução: tal é a empresa dos liberais que se dizem católicos.

Os liberais que se dizem católicos sustentam que a doutrina católica do Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo e da união da Igreja com o Estado é sem dúvida verdadeira, mas inaplicável mesmo nos países católicos:

– Na teoria, pode-se aceitar a tese proposta pelos Papas e teólogos.

– Na prática, deve-se ceder ante as circunstâncias e resolutamente aderir à hipótese: promover o pluralismo religioso e a liberdade de cultos:

Os liberais católicos não têm deixado de sustentar que desejam a ortodoxia tanto quanto os mais intransigentes, e que sua única preocupação são os interesses da Igreja: “a reconciliação que procuram não é teórica nem abstrata, mas somente prática”[109]

É a famosa diferença entre a tese (a doutrina) e a hipótese (prática) conforme as circunstâncias. Notemos que se pode dar uma interpretação correta a esta diferenciação: a aplicação dos princípios deve levar em conta as circunstâncias; isto se faz com ponderação, que é parte da prudência. Daí vem que a presença dentro de uma nação católica de fortes minorias muçulmanas, judias e protestantes, poderá sugerir tolerância desses cultos em uma cidade basicamente católica, por um Estado que continua reconhecendo a verdadeira religião, porque acredita no Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas cuidado! para os católicos liberais não se trata disso! Segundo eles, os princípios, que são por definição regras de ação, não devem ser aplicados nem propostos porque são inaplicáveis, dizem. Isto é evidentemente falso. Continuar lendo

BREVE CRÔNICA DA OCUPAÇÃO NEO-MODERNISTA NA IGREJA CATÓLICA – PARTE 3

Para ler a primeira parte clique aqui.

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TERCEIRA PARTE

A CONDENAÇÃO OFICIAL DA NOVA TEOLOGlA  

O Papa Pio XII condena a nova teologia 

O cardeal Eugenio Pacelli, eleito Soberano Pontífice em 1939 com o nome de Pio XII, perfeitamente consciente das consequências letais de uma tomada de poder na Igreja pelos novos teólogos, interveio resolutamente para condenar em nome da Igreja a nova teologia e seus propagadores.

Num discurso pronunciado em 17 de setembro de 1946 no Capítulo Geral dos Jesuítas, o Papa já tinha alertado os Padres capitulares contra uma “nova teologia que evolui juntamente com a evolução de todas as coisas, semper itura, numquam perventura, “sempre a caminho (para a verdade) sem nunca atingi-la”, acrescentando estas palavras proféticas: “Se tal opinião for abraçada, o que será da imutabilidade dos dogmas, o que seria da unidade e da estabilidade da fé?[1]”.

É quase o mesmo discurso que Pio XII dirigirá depois aos padres dominicanos, reunidos também em Capítulo Geral, confirmando como antídoto contra o novo modernismo a obrigação de não se afastar da doutrina de Santo Tomás de Aquino, assim como foi prescrito pelo Canon 1366, parágrafo 2, do Código de Direito Canônico[2].

Mas os efeitos desta denúncia foram praticamente nulos por causa da profundidade da infecção neo-modernista no mundo da intelligentsia católica, a ponto de o Papa decidir intervir de modo oficial e definitivo pela publicação da encíclica Humani generis[3].

Nesta grande encíclica, que pode ser considerada como o terceiro Syllabus contra os erros da época moderna (depois do Syllabus, com a encíclica Quanta cura, do bem aventurado Pio IX, e depois do decreto Lamentabillii com a encíclica Pascendi de São Pio X). O Papa condenava severamente “certas opiniões falsas que ameaçavam arruinar os fundamentos da doutrina católica”, sem nomear explícita e individualmente seus partidários. Continuar lendo

COMO DESTRONARAM JESUS CRISTO

Resultado de imagem para marcel lefebvreNo juízo final, Jesus Cristo acusará aos que o expulsaram da vida pública, e por este grande ultraje aplicará a mais terrível vingança”. Pio XI

Apesar do risco de repetir o que foi dito, volto ao tema da Realeza Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, este dogma de fé católica, que ninguém pode por em dúvida sem ser um herege: sim, é isso: um herético!

Ainda têm eles a Fé?

O leitor pode julgar a fé agonizante do Núncio Apostólico de Berna, Mons. Marchioni, com quem tive a seguinte conversa em 31 de março de 1976 em Berna:

– Lefebvre: “Pode-se ver claramente coisas perigosas no Concílio (…). Na Declaração sobre a liberdade religiosa há coisas contrárias aos ensinamentos dos papas: decide-se que já não pode haver Estados católicos!”.

– Núncio: “Mas é evidente!”.

– Lefebvre: “Acredita o senhor que a supressão dos Estados católicos vá ser um bem para a Igreja?”.

– Núncio: “O senhor compreende, se se faz isto se obterá uma maior liberdade religiosa entre os soviéticos!”.

– Lefebvre: “Mas o que fazem os senhores do Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo?”.

– Núncio: “O senhor sabe, atualmente é impossível; talvez em futuro afastado?… Atualmente este reino está nos indivíduos; deve ser aberto às massas”.

– Lefebvre: “E o que fazem da Encíclica ‘Quas Primas’?”.

– Núncio: “Ah, hoje em dia o Papa não a escreveria”.

– Lefebvre: “Sabe que na Colômbia foi a Santa Sé que pediu a supressão da constituição do Estado?”.

– Núncio: “Sim, e aqui também”.

– Lefebvre: “No Valais?” (província suíça).

– Núncio: “Sim, no Valais. E veja, agora me convidam para todas as reuniões”.

– Lefebvre: “Então o senhor aprova a carta que Mons. Adam (bispo de Sion, no Valais) escreveu a seus diocesanos para explicar porque deviam votar a favor da lei de separação da Igreja e do Estado?”

– Núncio: “Veja o senhor, o Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, é atualmente algo difícil…”.

Vocês vêem, ele não acredita mais! É um dogma “impossível” ou “muito difícil”, que não seria mais escrito hoje”. E quantos pensam assim atualmente! Quantos são incapazes de entender que a Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo deve se realizar com a ajuda da sociedade civil, e que o Estado deve assim, nos limites da ordem temporal, ser o instrumento de aplicação da obra da Redenção. E  eles lhes responderão: Continuar lendo

NAVEGANTES E NAUFRAGANTES

Resultado de imagem para naufragosFonte: Capela Santa Maria das Vitórias

Na travessia do mar tempestuoso desta vida há católicos que infelizmente preferem ouvir o canto da Sereia ao canto da Stella Maris, o canto da Senhora Soberana do céu e da terra. Certissimamente vão naufragar porque se recusam a sofrer todas as humilhações que a Providência Divina envia aos eleitos para purificá-los na demanda do reino do céu.

A vida do católico aqui na terra sempre foi e será um esforço constante para não desertar do combate a ser travado sob os estandartes de Cristo Rei contra o reino de Satanás e do Anticristo. É a doutrina exposta e defendida pelos grandes teólogos e mestres da vida espiritual com base na Sagrada Escritura. É a doutrina de Santo Agostinho na monumental Cidade de Deus. Em um regime de cristandade, em um estado confessional católico, onde as autoridades políticas se empenham em organizar a sociedade conforme a lei de Deus, a luta contra os inimigos da salvação pode ser menos renhida, mas, mesmo assim, a vida do católico será sempre uma luta.

Desgraçadamente, a partir do Vaticano II semelhante concepção da vida católica como um combate foi sendo deixada de lado para ser finalmente substituída pelo mito do diálogo. Não o diálogo como sempre o entendeu toda a tradição desde a antiguidade, como, por exemplo, Platão. Não o diálogo como uma investigação de pessoas que, tendo os mesmos princípios e valores, se unem em um esforço comum para chegar à solução de um problema ou sanar uma dúvida que aflige a todos. Mas um diálogo de céticos desesperados e contraditórios que, não vendo sentido em nada, se unem apenas no afã de descobrir uma regra geral de como compartilhar melhor as alegrias e penas de uma vida efêmera. Sinceramente, acho que não há exagero nestas palavras.

Foi assim que deixando de lado o hino Stella Maris, muitos católicos passaram a ouvir e a cantar o canto da Sereia e abraçaram os ídolos dos tempos modernos: democracia, liberdade, igualdade de oportunidades, direitos humanos. E agora vêem-se até defrontados com a necessidade de dialogar sobre questões que a princípio pode causar-lhes alguma repugnância mas terão de engolir se não quiserem receber a pecha de fundamentalistas. Refiro-me aos tópicos constantes da agenda da nova ordem mundial: direitos reprodutivos e sexuais da mulher, aborto, “casamento homossexual”, ideologia do gênero etc. Continuar lendo

TEM A IGREJA UM DIREITO PÚBLICO?

Resultado de imagem para marcel lefebvreA Igreja sem o Estado é uma alma sem o corpo. O Estado sem a Igreja é um corpo sem alma”. Leão XIII – “Libertas”

Qual é a situação da Igreja em relação à sociedade civil? A resposta é objeto de uma ciência eclesiástica especial: O Direito Público da Igreja. Pode-se consultar os excelentes tratados a este respeito, do Cardeal Ottaviani e de Sílvio Romani, como também as fontes apresentadas por Lo Grasso (ver bibliografia).

Quero mostrar-lhes quanto o liberalismo se opõe ao direito público da Igreja, como o aniquila, e por conseguinte como é contrário à fé, sobre a qual se apóia integralmente o direito público da Igreja.

Os Princípios do Direito Público da Igreja

Os princípios do direito público da Igreja são na realidade verdades de fé ou que se deduzem da fé. São os seguintes:

– Independência da Igreja: A Igreja que tem por finalidade a salvação sobrenatural das almas, é uma sociedade perfeita, dotada por seu divino fundador de todos os meios para subsistir por si mesma de maneira estável e independente. O “Syllabus” condena a proposição contráriaseguinte:

“A Igreja não é uma sociedade verdadeira e perfeita, completamente livre, nem goza de seus direitos próprios e constantes a ela conferidos por seu divino fundador, mas cabe  à autoridade civil determinar quais são os direitos da Igreja e o limite dentro dos quais pode exercer estes direitos” (prop. 19, Dz nº1719).

Esta é a escravidão à qual os liberais querem reduzir a Igreja em relação ao Estado! O “Syllabus” também condena radicalmente as espoliações às quais a Igreja é submetida em seus bens e em seus direitos, periodicamente, pelo poder civil. A Igreja nunca aceitará o “princípio de direito comum”, nunca admitirá ser reduzida ao  simples direito comum de todas as associações legais na sociedade civil, que devem receber do Estado sua aprovação e seus limites. Como conseqüência a Igreja tem o direito de adquirir, possuir e administrar livre e independentemente do poder civil os bens temporais necessários à sua missão. (código de direito canônico de 1917, cânon 1495): igrejas, seminários, bispados, mosteiros, benefícios (can. 1409-1410), e ser isenta de todos os impostos civis. Tem direito de possuir suas escolas e hospitais independentemente de qualquer intromissão do Estado. A Igreja tem seus próprios tribunais eclesiásticos para julgar os assuntos concernentes às pessoas dos clérigos e aos bens da Igreja (can. 1552), independentemente, em si, dos tribunais civis (privilégio do foro). Os clérigos também são isentos do serviço militar (privilégio da isenção-can.121).
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A LIBERDADE DE ENSINO

Resultado de imagem para marcel lefebvreO ensino deve ter por objeto unicamente coisas verdadeiras”. Leão XIII

Entre as novas liberdades, a terceira condenada pelos papas foi a liberdade de ensino.

Escandalizai-vos almas ingênuas, que não reconheceis vosso espírito liberal! Confessai que não saís de vosso assombro, que já não se compreende nada: os papas condenam a liberdade de ensino! Oh surpresa, oh escândalo! O Papa – e que papa! Leão XIII, que alguns chamam de liberal – condena a sacrossanta liberdade de ensino! Mas como defenderemos nossas escolas católicas… quer dizer, nossas escolas livres? Pois o nome de escola católica tem um ressabio de sectarismo, um sabor de guerra religiosa, um colorido muito confessional, que não convém manifestar nos tempos em cada um guarda a sua bandeira no bolso.

Farei-lhes admirar as moles e açucaradas virtudes liberais, superando-se uma à outra em hipocrisia: falta de senso, covardia e traição dão-se as mãos para cantar em coro, como nas ruas de Paris em junho de 1984, o “Cântico da Escola Livre”:

“Liberdade, liberdade, tu és a única verdade”.

O que falando claramente, significa: “não vos pedimos mais que a liberdade, um pouquinho de liberdade para nossas escolas; assim nada teremos a censurar à liberdade de ensino laica e obrigatória, à liberdade do quase monopólio da escola marxista e freudiana. Continuai tranqüilamente a arrancar Jesus Cristo das almas, denegrindo a pátria, manchando nosso passado no espírito e no coração de 80% das crianças; por nossa parte cantaremos glórias aos méritos da tolerância e do pluralismo, denunciaremos os erros do fanatismo e a superstição; em resumo, faremos apreciadores dos encantos da liberdade, aos 20% que nos restam”.
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A LIBERDADE DE IMPRENSA

Resultado de imagem para marcel lefebvre“Liberdade funesta e execrável, verdadeira opressão das massas”. Leão XIII

Se o leitor continuar a ler os documentos papais, um após outro, verá que todos disseram o mesmo sobre as novas liberdades nascidas do liberalismo: a liberdade de consciência e de cultos, a liberdade de imprensa, a liberdade de ensino, são liberdades envenenadas, falsas liberdades: porque o erro é sempre mais fácil de difundir do que a verdade, o mal é mais fácil de ser propagado do que o bem. É mais fácil dizer as pessoas: “podem ter várias mulheres” do que dizer: “só podem ter uma durante toda suas vidas”; logo é mais fácil estabelecer o divórcio como um “contrapeso” ao casamento! Assim também, deixem indiferentemente se propagar na imprensa o certo e o errado e verão com certeza o errado ser favorecido às custas da verdade.

Atualmente gostam de dizer que a verdade faz seu caminho somente com sua força intrínseca, e que para ela triunfar não necessita da proteção intempestiva e molesta do Estado e de suas leis. Se o Estado favorece a verdade, grita-se logo a injustiça, como se a justiça consistisse em manter equilibrada a balança entre o verdadeiro e o falso, entre a virtude e o vicio…Está errado! A primeira justiça é oferecer o acesso das inteligências à verdade e preservá-las do erro. É também a primeira caridade: “veritatem facientes in caritate”. Na caridade, façamos a verdade. O equilíbrio entre todas as opiniões, a tolerância de todos os comportamentos, o pluralismo moral ou religioso, são as características de uma sociedade em decomposição, que é a sociedade liberal procurada pela monarquia. Ora, foi contra o estabelecimento de uma tal sociedade que os Papas que citamos, reagiram sem cessar, afirmando o contrário, que o Estado, o Estado católico em primeiro lugar, não tem o direito de dar tais liberdades, como a liberdade religiosa, a liberdade de imprensa ou a liberdade de ensino.

A Liberdade de Imprensa

Leão XIII lembra ao estado seu dever de temperar com justiça, ou seja, de acordo com suas exigências da verdade, a liberdade de imprensa: Continuar lendo

A LIBERDADE RELIGIOSA CONDENADA PELOS PAPAS – PARTE 2

lef3MOTIVO DA CONDENAÇÃO

Como terão notado nos textos precedentes, os papas mostraram cuidadosamente as causas e denunciaram as origens liberais do direito à liberdade religiosa: trata-se de denunciar principalmente o liberalismo naturalista e racionalista, que pretende ser a razão humana o único árbitro do bem e do mal (racionalismo); que pertence a cada um de decidir se deve adorar ou não (indiferentismo); e finalmente que o Estado é a origem de todo o direito (monismoestatal).

Daí certos teólogos modernos acharam que se podiam tirar três teses:

1 – Os papas não condenaram a liberdade religiosa em si, mas somente porque ela aparecia “como conseqüência de uma concepção naturalista do homem”84ou que ela “procedia da primeira premissa do racionalismo naturalista”85, ou das duas outras: “mais do que as conseqüências, são os princípios    que

são aqui considerados: A Igreja condena o racionalismo, o indiferentismo e o monismo estatal”86, simplesmente.

– Ante as expressões concretas dos princípios modernos (luta com o poder temporal do papado, laicização das Constituições, espoliação da Igreja, etc.), faltou aos papas “a serenidade necessária para julgar com objetividade o sistema das liberdades modernas, e distinguir o verdadeiro do falso”; “era inevitável que o primeiro reflexo de defesa fosse uma atitude de condenação total”87, era difícil para estes papas “reconhecer um valor num conteúdo onde a motivação era hostil aos valores religiosos… assim se fez cara feia durante um longo tempo ao ideal representado pelos direitos do homem, porque não se lograva reconhecer neles a longínqua herança do Evangelho”88.

– Mas hoje é possível redescobrir a parte de verdade cristã contida nos princípios da Revolução de 1789 e reconciliar assim a Igreja com as liberdades modernas, com a liberdade religiosa em particular. O Padre Congar foi o primeiro a traçar o caminho que se deve seguir neste ponto: Continuar lendo

A LIBERDADE RELIGIOSA CONDENADA PELOS PAPAS – PARTE 1

lef2“A liberdade civil de todos os cultos propaga a peste do indiferentismo” S.S Papa Pio IX

Correndo o risco de me repetir, vou reunir neste capítulo os textos das principais condenações da liberdade religiosa durante o século XIX, para que os leitores entendam bem o que foi condenado e porque os papas condenaram.

A CONDENAÇÃO

Pio VI, carta “Quod Aliquantulum”, de 10 de março de 1791, aos bispos franceses da Assembléia Nacional:73

“A finalidade da Constituição decretada pela Assembléia é aniquilar a religião católica, e com ela a obediência devida aos reis. Como resultado se estabelece como direito do homem na sociedade esta liberdade absoluta que não só lhe assegura o direito de não ser perturbado quanto às suas opiniões religiosas, como também licença de pensar, de dizer, de escrever e inclusive imprimir impunemente tudo o que possa sugerir  a  imaginação  mais  desordenada;  direito  monstruoso que parece à Assembléia ser o resultado da igualdade e liberdade naturais a todos os homens. Mas o que poderia haver de mais insensato do que estabelecer entre os homens esta igualdade e esta liberdade desenfreada que parece afogar a razão, o dom mais precioso que a natureza fez ao homem e o único que o distingue dos animais.”

Pio VII, carta apostólica “Post tam Diuturnitas”, ao bispo de Troyes, na França, condenando a “liberdade de cultos e de consciência”, estabelecida pela constituição de 1814 (Luis XVIII):74

“Um novo motivo de tristeza pelo qual nosso coração ainda mais se aflige e que, confessamos, nos causa tormento, opressão e angústia, é o artigo 22 da Constituição. Nele não só se permite a liberdade de cultos e de consciência, como também promete-se apoio e proteção a esta liberdade e aos ministros dos seus chamados “cultos”. Certamente não são necessárias muitas explicações, ao nos dirigirmos a um Bispo como vós, para vos fazer conhecer claramente que ferida mortal este artigo atingiu à religião católica na França. Continuar lendo

A LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E DE CULTOS

Resultado de imagem para marcel lefebvreSob o nome sedutor de liberdade de culto, proclama-se a apostasia legal da sociedade”. Leão XIII

Na encíclica “Libertas”, o Papa Leão XIII passa em revista as novas liberdades proclamadas pelo liberalismo. Seguirei sua exposição passo a passo66.

“Será bom considerar separadamente os diversos tipos de liberdade que são consideradas como conquistas da nossa época”.

A liberdade de cultos (ou liberdade de consciência e de cultos) é a primeira; ela é, como explica Leão XIII, reivindicada como uma liberdade moral da consciência individual e como uma liberdade social, um direito civil reconhecido pelo Estado.

“Consideremos a propósito dos indivíduos, esta liberdade tão contrária à virtude de religião, a liberdade de cultos, como chamam, liberdade que tem seu fundamento em considerar permitido a cada um professas a religião que mais lhe agrade, ou não professar nenhuma. Ao contrário, entre todas as obrigações do homem, a maior e a mais santa é sem dúvida a que nos manda oferecer a Deus um culto de piedade e de religião. E este dever vem do fato de que estamos sempre sob  o domínio de Deus, somos governados por sua vontade e providência, temos nEle nossa origem e havemos de retornar a Ele”.

Se realmente o indivíduo-rei é considerado a fonte de seus próprios direitos, é lógico que ele atribua à sua consciência uma completa independência em relação à Deus e à religião. Leão XIII considera então a liberdade religiosa enquanto direito civil67.

“Do ponto de vista social, esta mesma liberdade pede que o Estado não tribute nenhum culto público à Deus, ou não autorize nenhum culto público, que nenhuma religião seja preferida à outra, e que todas elas tenham os mesmos direitos, sem nenhuma consideração ao povo, mesmo que este professe o catolicismo”. Continuar lendo

ATENÇÃO CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO – SOBRE UMA SUPOSTA YOGA “CRISTÔ

CUIDADO, ESTÃO BRINCANDO COM O DEMÔNIO

Está sendo promovido em Ribeirão, com o apoio da Arquidiocese (veja aqui) e uma associação de “padres casados” (que se denominam “católicos no sentido amplo e não apenas romano“), um curso sobre Yoga, uma prática gnóstica que está sendo apresentada sob uma aparência “cristã”. O próprio local a ser realizado, um “espaço ecumênico”, por si só, já deveria ser evitado por católicos.

Ao nos depararmos com estes tais cursos, como católicos, não podemos deixar de nos perguntar se, neste ímpeto modernista, a Arquidiocese também não apoiará, em breve, a macumba cristã, ou uma sessão de mesa branca, ou quem sabe um “dia arquidiocesano de oração voltados para Meca”, visto que, há muito tempo (como vemos nesse pequeno exemplo), de aberração em aberração, lentamente, a igreja local parece muito interessada em desfigurar o catolicismo e colocar em seu lugar a nova religião mundial.

Esse é um modismo da igreja conciliar, que visa confundir os católicos, inculcar-lhes o veneno mundano sem que eles nem sequer percebam. Mons. Marcel Lefebvre já falava sobre isso na década de 80 em suaCarta Aberta aos Católicos Perplexos“, no capítuloEstão Mudando nossa Religião“:

“Os cristãos desconcertados vêem propor-se-lhes receitas que são sempre aprovadas pela hierarquia contanto que elas se afastem da espiritualidade católica. O yoga e o zen são as mais estranhas. Orientalismo desastroso que coloca a piedade em caminhos falsos, pretendendo conduzir a uma “higiene da alma”. Quem falará também dos danos da expressão corporal, degradação da pessoa ao mesmo tempo que exaltação do corpo, contrária à elevação para Deus? Estas modas novas introduzidas até nos mosteiros de contemplativos, com muitas outras, são extremamente perigosas e dão razão àqueles que ouvimos dizer: “Mudaram a nossa religião.”

E Pe. Gabriele Amorth, um dos maiores exorcistas do Vaticano, que faleceu recentemente, em uma entrevista à Zenit, disse que:

“Perigosas e desonestas são também as práticas orientais aparentemente inócuas como o Yoga: “Você acha que está fazendo para relaxar, mas leva ao Hinduísmo – explicou o exorcista – Todas as religiões orientais são baseadas na falsa crença da reencarnação”.

Sendo assim, bem ao estilo do ecumenismo conciliar, mistura-se o sagrado com o profano, o catolicismo com o hinduísmo, práticas cristãs e pagãs, meditação cristã e meditação pagã….ou seja, coisas totalmente desnecessárias a uma católico que leva sua vida de oração, caridade e visita aos sacramentos.

Você acha mesmo que um católico necessita participar de práticas como essa?

Esperamos que não. Agora, se você é um daqueles que não vê mal nenhum na yoga denominada “cristã”, parabéns, seu catolicismo conciliar fará você se iniciar em algum Reiki “cristão” e mesmo uma macumba “cristã” logo logo.

SOBRE A ENTREVISTA DADA POR D. FELLAY…

..à TV Libertés, da França, no programa Terres de Mission n°17 e que  está causando tanta “comoção” sobre um possível acordo com Roma.

Enfim, não há nada de novo que D. Fellay diz há anos em qualquer Formação, Congresso ou visita, como a realizada aqui em Ribeirão em 2015!

Eis a transcrição…

Entrevistador: O Papa Francisco lhes fez a proposta de uma prelatura pessoal para a FSSPX. Com esta situação canônica os senhores mantêm uma independência dos bispos. Mons. Schneider, que visitou seus seminários insiste para que aceitem essa proposta, mesmo que a situação da Igreja não seja satisfatória em 100%. Não existe, com o tempo, um risco da criação de uma Igreja mais ou menos autónoma, autocéfala, se continuar essa situação de distanciamento constante com Roma, em respeito ao Papa, em respeito a cúria, em respeito aos bispos? O que o senhor espera para assinar uma proposta de Roma, a aparição na Sé de Pedro de um Pio XIII que todos nós esperamos?

D. Fellay: Creio que não precise esperar que tudo esteja resolvido na Igreja, de que todos os problemas estejam resolvidos. No entanto, existem uma série de condições que são necessárias e para nós a condição necessária é a condição de sobrevivência. Eu tenho dado a conhecer em Roma, sem qualquer ambiguidade, que da mesma maneira que Mons. Lefebvre disse em seu tempo: existe uma condição sine qua non, ou seja, se a condição não se cumpre, nós não nos movemos: que possamos permanecer tal como somos, ou seja, conservar todos os princípios que temos mantido, que são princípios católicos.

Na verdade, temos sérias censuras ao que aconteceu desde o Concílio, na Igreja, por certos homens: a famosa questão da maneira que se tem conduzido o ecumenismo, por exemplo, o que se chama liberdade religiosa, a relação entre Igreja e Estado, em seguida a liberdade de dar e a que título dar a todos a liberdade de exercer sua religião (…) e eu acredito que avançamos nesse caminho, na direção certa, ou seja, que Roma está cedendo.

É interessante que, há dois anos praticamente, que nos dizem que  há questões que foram enunciadas, propostas apresentadas pelo Conselho, que não são critérios de catolicidade. Isto significa que temos o direito de discordar e ainda assim ser considerados Católicos.
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NINGUÉM PODE SERVIR A DOIS SENHORES

Interessante artigo em que o Pe. Jean-Michel Gleize, professor no Seminário Internacional São Pio X (Ecône) da FSSPX, nos mostra porque não se pode chorar sobre o catastrófico texto da Amoris Laetitia se não se chora antes pelo Concílio Vaticano II.

É preocupante constatar que, entre todos aqueles que emitiram algumas reservas sobre a Exortação Apostólica Amoris Laetitia, e cuja oposição ao relativismo moral é suficientemente conhecida, muitos poucos se voltaram às verdadeiras fontes do mal. Quase ninguém nem mesmo colocou em dúvida publicamente os erros graves e contrários a toda Tradição da Igreja presentes, desde então, nos textos do Concílio Vaticano II, erros que hoje encontram seu resultado lógico na Amoris laetitia”.

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Em 29 de junho de 2016, quarenta e cinco teólogos de todo o mundo enviaram ao decano do Sacro Colégio, cardeal Angelo Sodano, um estudo crítico da Exortação pós-sinodal Amoris laetitia onde 19 proposições do documento romano são censuradas. O documento conclui assim: “As proposições abaixo censuradas foram condenadas em muitos documentos do Magistério. É necessário e urgente que sua condenação seja repetida pelo Soberano Pontífice  de maneira definitiva e sem possibilidade de apelação, e que seja declarado com autoridade que a Amoris Laetitia não pede que seja criado, nem se considere como verdadeira nenhuma dessas proposições.

Esta confissão é de grande importância.Quarenta e cinco teólogos, na verdade, acabam de reconhecer publicamente os méritos de toda iniciativa empreendida por D. Marcel Lefebvre e a Fraternidade São Pio X, que hoje tem mais de 40 anos. Não podemos deixar de reconhecer a coragem e lucidez que os inspira. Mas também não podemos esquecer que esta iniciativa levou o antigo arcebispo de Dakar a refutar erros que são mais graves do que aqueles que a Amoris laetitia apresenta. A recente Exortação do Papa Francisco autoriza o relativismo moral na ação pastoral da Igreja. Mas essa relativização da moral, tão grave em si mesma, não é mais que uma remota consequência de outro relativismo muito mais profundo, que é de ordem doutrinal. E é precisamente esse relativismo, o centro de todos os ensinamentos do Concílio Vaticano II:

  • o relativismo da nova eclesiologia modernista, conduzindo ao colegialismo e latitudinarianismo ecumênico, com a Constituição Lumen Gentium e o Novo Código de Direito Canônico, publicado em 1983; 
  • relativismo da liberdade religiosa, conduzindo ao indiferentismo dos poderes públicos e da negação do reinado social de Cristo, com a declaração Dignitatis Humanae sobre a liberdade religiosa e a constituição pastoral Gaudium et Spes. 

Os pontos essenciais desse relativismo foram denunciados publicamente por D. Lefebvre e D. Castro Mayer, em uma Carta Aberta dirigida ao Papa João Paulo II no dia 21 de novembro de 1983. Continuar lendo

OS PAPAS E A CONSAGRAÇÃO DA RÚSSIA

Nossa Senhora, na terceira aparição em Fátima, em 13 de julho de 1917, falou pela primeira vez sobre a consagração da Rússia e a comunhão reparadora. Nestes termos ela oferecia o único remédio decisivo e eficaz contra os males do mundo atual:

Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior […]. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.

Nossa Senhora retornou anos mais tarde, conforme havia prometido, a fim de pedir a consagração da Rússia. Aconteceu o retorno em 13 de junho de 1929, em Tui, na Espanha, no convento das Irmãs Doroteias, onde Lúcia ingressara:

É chegado o momento em que Deus pede ao Santo Padre fazer, em união com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio. São tantas as almas que a Justiça de Deus condena por pecados contra Mim cometidos, que venho pedir reparação; sacrifica-te por esta intenção e ora.

A Santíssima Virgem é clara na indicação de que se não deve consagrar nem o mundo nem outro país qualquer ao Seu Imaculado Coração, mas tão-somente a Rússia.

Não existe outro pedido explícito de consagração nas mensagens de Fátima, Pontevedra e Tui, recebidas entre 1917 e 1929 por Irmã Lúcia, a qual tem absoluta certeza de haver transmitido com fidelidade as palavras de Nossa Senhora. Atesta-o Pe. Alonso, o grande especialista oficial de Fátima:

De fato, Lúcia, em 1917, desconhecia a realidade político-geográfica da Rússia, desconhecia até mesmo o nome do país. Interrogada por seu diretor, o Pe. Gonçalves, para que esclarecesse como chegou ao conhecimento da Rússia ou porque se recordara do nome da Rússia, e para que transmitisse o que Nossa Senhora lhe pedira na aparição de julho, respondeu Lúcia: “Até então, só tinha ouvido falar dos galegos e dos espanhóis, não sabia o nome de nenhum país. Mas o que percebíamos durante as aparições de Nossa Senhora ficava de tal modo gravado em nós que nunca esqueceríamos. Por isso é que eu sei bem, e com certeza, que Nossa Senhora falou expressamente da Rússia em julho de 1917” (Por eso es que yo sé bien, y con certeza, que Nuestra Señora hablo expresamente de Rusia, en julio de 1917)[1]. Continuar lendo

O LIBERALISMO OU A SOCIEDADE SEM DEUS

Resultado de imagem para MARCEL LEFEBVRE“O indiferentismo é o ateísmo sem o nome” Leão XIII

Depois de haver analisado os princípios do liberalismo político, procurarei expor como o movimento generalizado de laicização que destruiu quase completamente a cristandade, tem sua fonte nos princípios liberais. É o que mostra o Papa Leão XIII em sua Encíclica “Immortale Dei”, em um texto já clássico que não se pode ignorar.

O “Direito Novo”

“A ânsia perniciosa e deplorável de novidades que surgiu no século XVI, tendo inicialmente perturbado as coisas da Religião, como natural conseqüência veio transformar a filosofia, e por seu intermédio toda a organização da sociedade civil. Daí, como de um manancial, derivaram os mais recentes postulados de uma liberdade sem freios, criados durante as grandes perturbações do século XVIII e lançadas depois como princípios e bases de um novo direito, que era até então desconhecido e discrepante não só do cristianismo, mas também, em mais de um ponto, do direito natural.

O principal entre estes princípios é que todos os homens,  sendo de uma mesma espécie e natureza, assim também são iguais em suas ações vitais, sendo cada um dono de si mesmo e de modo algum sujeito à autoridade de outro, que pode pensar em qualquer coisa que lhe ocorra e agir livremente no que lhe apetecer, e ninguém tem o direito de mandar em alguém.

Tendo sido a sociedade constituída sob estes princípios, a autoridade pública não passa da vontade do povo o qual, como depende de si mesmo, é o que se dá as ordens. Entretanto o povo elege pessoas a quem ele entrega não tanto o direito, mas apenas a função do poder para que ela a exerça em seu nome. Cobre-se assim com um manto de silêncio o poder soberano de Deus, como se Deus não existisse, ou não se preocupasse com a sociedade do gênero humano, ou como se os homens, individual ou coletivamente, nada devessem a Deus, ou como se fosse possível imaginar alguma forma de domínio que não tivesse em Deus sua razão de ser, sua força e toda sua autoridade. Continuar lendo

BREVE CRÔNICA DA OCUPAÇÃO NEO-MODERNISTA NA IGREJA CATÓLICA – PARTE 2

Para ler a primeira parte clique aqui.

Segunda parte

Os novos modernistas da Nova teologia[1]

Henri de Lubac e os “novos teólogos”

Nos anos 30 e 40, uma nova geração de modernistas entrou em cena. Seus nomes serão muito conhecidos mais tarde, como os dominicanos Marie-Dominique Chenu e Yves Congar, os jesuítas Henri de Lubac, Hans Urs von Balthasar e, em seguida, Karl Rahner, formuladores de uma “nova teologia”, cujas raízes estão fincadas no velho modernismo.

Assim como os “velhos” modernistas, os novos teólogos estavam, eles também, fortemente impregnados de imanentismo, subjetivismo e relativismo, com todas as consequências imagináveis no domínio da dogmática e da moral.

O Padre Henri de Lubac, por exemplo, líder da Nova Teologia e, por isso mesmo, tido como “pai” do Concílio Vaticano II e da nova Igreja conciliar, tinha ele também, assim como seus mestres modernistas, uma noção muito elástica da verdade.

Certamente, nos seus escritos oficiais, Lubac era bastante prudente e cauteloso para não deixar transparecer seu relativismo de fundo, mas nos seus escritos privados manifestava evidentemente com mais liberdade seu pensamento real, sem dissimulá-lo por detrás das habituais elocubrações intelectuais.

Numa carta ao filósofo Maurice Blondel, seu amigo, escrevia ele:

“[…] O número de Recherches de science religieuse recentemente publicado, traz um artigo do Pe. Bouillard [representante da Nova Teologia – Ndr]  que contesta fortemente as idéias do Pe. Garrigou-Lagrange [adversário de Lubac – Ndr] sobre as noções conciliares e suas visões simplistas acerca do absoluto da verdade. Este artigo, eu posso te confidenciar, não foi apenas aprovado, mas desejado por gente de cima[2]”.

Estamos persuadidos de que Lubac não hesitaria em acusar Nosso Senhor mesmo, notoriamente intransigente neste quesito, de “visões simplistas sobre o absoluto da verdade” Continuar lendo

COMEÇA, NA PRÁTICA, A “MISERICÓRDIA” DA IGREJA CONCILIAR….

…..no âmbito da comunhão para adúlteros.

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Esse é apenas o início. Rezemos para que Nossa Senhora ouça nossas orações nesse centenário das aparições em Fátima!!!

JESUS CRISTO É REI DAS REPÚBLICAS?

Resultado de imagem para marcel lefebvreNão é a maioria que faz a verdade, é a verdade que deve fazer a maioria.

Ainda tenho muito a dizer sobre o liberalismo. Mas gostaria que compreendessem bem que não são minhas opiniões pessoais que proponho. Por isso cito documentos dos papas e não sentimentos meus, que facilmente poderiam ser atribuídos a uma formação recebida no Seminário Francês de Roma. O Padre Le Floch, que era superior, teve com efeito uma reputação muito grande de tradicionalista. Dirão de mim: “foi influenciado pelo que lhe foi dito no seminário!”. Não nego esta influência, mas também agradeço todos os dias a Deus o fato de me haver sido dado como superior e mestre o Pe. Le Floch. Ele foi acusado na época de fazer política; Deus sabe que é o oposto a um crime, o fazer a política de Jesus Cristo e suscitar homens políticos que usem todos os meios legítimos, inclusive jurídicos, para expulsar da sociedade  os inimigos  de  Nosso  Senhor  Jesus  Cristo49.  Na  realidade  o  Pe. Le Floch nunca se meteu com a política, nem sequer no pior    momento do “complot” armado contra a “Action Française”50 e da crise que se seguiu, quando eu era seminarista.

Por outro lado, o Pe. Le Floch nos falava constantemente do perigo do modernismo, do “sillonismo”, do liberalismo. Baseando-se nas encíclicas dos papas, o Pe. Le Floch chegou a firmar em nós uma convicção segura e sólida, baseada na doutrina imutável da Igreja, sobre o perigo destes erros. Desejo transmitir-lhes esta mesma convicção, como uma chama que se transmite à posteridade, como uma luz que os preservará destes erros que reinam hoje mais do que nunca “in ipsis Ecclesiae venis et visceribus”, nas veias e mesmo nas entranhas da Igreja, como dizia São Pio X.

Vocês compreenderão assim que meu pensamento político pessoal sobre o regime que melhor convém, por exemplo para a França, não tem muita importância. Os fatos falam por si mesmos: a monarquia francesa nunca conseguiu realizar o que conseguiu a democracia: cinco revoluções sangrentas (1789, 1830, 1848, 1870 e 1945), quatro invasões estrangeiras (1815, 1870, 1914 e 1940), duas desapropriações dos bens da Igreja, expulsões de ordens religiosas, supressão de escolas católicas, laicizações de instituições (1789 e 1901), etc. No entanto, dirão alguns, o Papa Leão XIII pediu o “ralliement”51 dos católicos franceses ao regime republicano52 (que provocou uma catástrofe política e religiosa). Outros criticam esta atitude de Leão XIII, classificando-a e a seu autor, de liberal. Não creio que ele fosse um liberal e muito menos um democrata. Acreditou apenas suscitar uma boa combinação para o bem da religião na França; mas vê-se claramente que esquecia a origem da constituição irremediavelmente liberal, maçônica e anti-católica da democracia francesa. Continuar lendo

ALGUMAS REPORTAGENS PARA LEITURA

DESIGUALDADES NECESSÁRIAS

Resultado de imagem para marcel lefebvreUm Individualismo Antinatural

Continuaremos a análise do princípio do liberalismo: ele é antinatural, diz o Cardeal Billot, “ao pretender que tudo deve ceder ante o bem da liberdade individual, que as necessidades sociais multiplicaram os empecilhos a esta liberdade, e que o regime ideal para o homem é aquele em que reina a lei do puro e perfeito individualismo”. Ora, continua o autor, “este individualismo é absolutamente contrário à natureza humana”.

Vocês já viram que se trata do liberalismo individual de Jean Jacques Rousseau, que se encontra por toda parte no fundo de todo pensamento político atual. De acordo com Rousseau, os homens nascem livres de toda coação, “anti-sociais” por natureza, feitos para viver isolados na selva, onde são felizes. A origem de seus males e das desigualdades está na introdução da propriedade privada, que dá origem às rivalidades: um “estado de guerra de todos contra todos”. Se os homens se agrupam em sociedades, não é por uma necessidade de sua natureza, mas unicamente por decisão de sua livre e espontânea vontade, como uma escapatória a este estado no qual   “o homem é um lobo para o outro homem”. A sociedade nada tem de natural, é puramente convencional em sua origem histórica e em sua constituição: esta convenção é um “contrato social”.

Toda esta teoria, cuja análise nós tiramos do livro do padre Baltasar Argos S.J.41, havia sido refutada anteriormente, e especialmente por São Tomás de Aquino, que demonstra a natureza social do homem, pondo em evidência que o homem é o animal mais provido de meios naturais para subsistir de modo autônomo quando vem ao mundo e que os homens, mesmo na idade adulta são incapazes de satisfazerem sozinhos a todas as suas necessidades; devem portanto ajudar-se mutuamente42. Gostaria de lhes apresentar uma página admirável do pensador político contemporâneo Charles Maurras (1868-1952), que seguindo São Tomás refuta magistralmente a teoria individualista e igualitária de Rousseau43. Contudo, parece- nos bastante indicar o que ensina Leão XIII, em relação a este assunto em sua encíclica sobre a origem do poder político:

“O grande erro destes filósofos está em não ver algo, que entretanto é evidente: os homens não constituem uma raça selvagem e solitária; a condição natural de viver em sociedade é anterior a qualquer decisão de sua vontade”44.
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BENÉFICAS COAÇÕES

Resultado de imagem para marcel lefebvreNão considereis que estais obrigados, mas a que estais obrigados, se é ao bem ou ao mal”. Santo Agostinho

Como lhes disse, o liberalismo faz da liberdade de ação, definida no capítulo anterior, uma liberdade de toda coação, um absoluto, um fim em si. Deixarei ao Cardeal Billot a análise e contestação desta pretensão fundamental dos liberais:

“O princípio fundamental do liberalismo, escreve ele, é a liberdade de toda coação, qualquer que seja, não só daquela que se exerce pela violência e que somente atinge os atos externos, como também da coação que provém do temor das leis e penalidades, das dependências e necessidades sociais, ou resumindo, dos laços de qualquer natureza que impeçam o homem de agir segundo sua inclinação natural. Para os liberais, esta liberdade individual é o bem por excelência, o bem fundamental, inviolável, ao qual tudo deve ceder, excetuando talvez o que exige a ordem puramente material da cidade; a liberdade é o bem ao qual tudo mais está subordinado; ela é o fundamento necessário de toda construção social”36.

“Este princípio do liberalismo, continua o Cardeal Billot, é absurdo, antinatural e quimérico”. Eis a análise crítica que ele desenvolve; eu resumo e comento:

O Princípio Liberal é Absurdo

Este princípio é absurdo: “incipit ab absurdo”, começa com a insensatez de pretender que o principal bem do homem é a ausência de todo liame que atrapalhe ou restrinja a liberdade. Realmente o bem do homem deve ser considerado como um fim: aquilo que é desejado em si. Vejamos porém que a liberdade, a liberdade de ação, é somente um meio, é somente a faculdade que pode permitir ao homem adquirir um bem. É portanto relativa ao uso que se faz: boa se é para o bem, porém má se é para o mal. Não é portanto um fim em si mesma e certamente não é o fim principal do homem.
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SÓ A RELIGIÃO VERDADEIRA TEM DIREITOS

liberdade de cultos, hoje tão apregoada, foi rotundamente condenada pelo Magistério da Igreja. Numerosos Papas nos advertiram de seus graves perigos, entre eles Leão XIII na encíclica Libertas praestantissimum sobre a liberdade e o liberalismo

Javier Navascués – Adelante la Fe | Traduzido por Frei Zaqueu

Fonte: Sensus Fidei

O liberalismo é uma das ideologias mais deletérias para a religião católica, a única verdadeira, posto que concede os mesmos direitos ao erro que à verdade. Esta perniciosa doutrina está tristemente presente na Igreja carcomendo o reto ensino, sacudindo seus mesmos cimentos e causando um grande dano às almas. Como consequência dela, hoje em dia se nos propõe um herético ecumenismo onde a religião verdadeira e as falsas crenças estão ao mesmo nível.

Se nos convida a não fazer proselitismo da verdade católica em prol de um mortífero ecumenismo casado com a heresia e em conivência com as falsas religiões de Satanás. A liberdade de cultos, hoje tão apregoada, foi rotundamente condenada pelo Magistério da Igreja. Numerosos Papas nos advertiram de seus graves perigos, entre eles Leão XIII na encíclica Libertas praestantissimum sobre a liberdade e o liberalismo.

Borja Ruiz, historiador, tem estudado em profundidade a mencionada encíclica. Seguindo a solidíssima doutrina deste Pontífice, de feliz memória, expõe o daninho que é conceder direitos ao mal e ao erro. Tendo como base um profundo pensamento filosófico e teológico, denuncia o gravíssimo câncer do liberalismo e uma de suas funestas consequências: a liberdade de cultos. Continuar lendo

LEI E LIBERDADE

Resultado de imagem para marcel lefebvreA liberdade consiste em poder viver mais facilmente conforme as prescrições da lei eterna, com o auxílio das leis civis”. Leão XIII

Não poderia resumir melhor os desastres produzidos pelo  liberalismo em toda parte, expostos no capítulo precedente, do que com uma passagem de uma carta pastoral de bispos, que data de cem anos atrás, mas continua atual.

“Atualmente, o liberalismo é o erro capital das inteligências e  a paixão dominante em nosso século. Forma uma atmosfera infecta que envolve por todos os lados o mundo político e religioso, e é um imenso perigo para o indivíduo e para a sociedade.

Inimigo tão gratuito e cruel da Igreja Católica, amontoa em desordem insensata todos os instrumentos de destruição e morte, com a finalidade de proscrevê-la da terra. Falsifica as idéias, corrompe os juízos, adultera as consciências, irrita os temperamentos, incendeia as paixões, submete os governantes, subleva  os  governados,  e  não  satisfeito  em  apagar  (se isto

fosse possível) a chama da revelação, lança-se inconsciente e audaz para apagar a luz da razão natural”29.

Enunciado do Princípio Liberal

Será possível descobrir no meio de tal caos, num erro  tão multiforme, o princípio fundamental que explica tudo? Repetimos com o padre Roussel: “o liberal é um fanático da independência”. É um fato e procuraremos explicá-lo.

O Cardeal Billot, cujos tratados teológicos foram meus livros de estudo na Universidade Gregoriana e no Seminário Francês de Roma, dedicou ao liberalismo algumas páginas brilhantes e enérgicas, em seu tratado sobre a Igreja30. Ele enuncia o princípio fundamental do liberalismo:
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QUEM QUER DESTRUIR A ORDEM DE MALTA

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com: 

“Muito antes que as Nações tivessem chegado a estabelecer uma lei internacional; muito antes que tivessem podido forjar o sonho – ainda não realizado – de uma força armada comum para proteção da sã liberdade humana, da independência dos povos e de uma pacífica equidade nas suas relações mútuas, a Ordem de São João já havia reunido em uma irmandade religiosa e sob a disciplina militar, homens de oito ‘línguas’ diferentes, votados à defesa dos valores espirituais, que constituem o apanágio comum da Cristandade:  a fé, a justiça, a ordem social e a paz.”

ordine-di-maltaEssas palavras, dirigidas em 8 de janeiro de 1940 pelo Papa Pio XII aos Cavaleiros da Soberana Ordem Militar de São João de Jerusalém, dita de Rodes e depois de Malta, resumem as características da mais antiga das Ordens de Cavalaria, o único Estado soberano cuja bandeira ondulou no campo das Cruzadas. Uma ordem cujo carisma tem sido sempre o da “Tuitio fidei et Obsequium pauperum” [Defesa da fé e serviço dos pobres]. É imaginável que um Papa queira destruir essa instituição, glória da Cristandade? Infelizmente, é precisamente esta a impressão que se tem  dos últimos acontecimentos relativos à Ordem de Malta.

Correspondência Romana ofereceu uma primeira reconstrução dos fatos em 24 de dezembro de 2016. Edward Pentin aprofundou e enriqueceu o cenário com novos detalhes no National Catholic Register de 7 de janeiro de 2017. O quadro, em resumo, é o seguinte: em 6 de dezembro, o Grão-Mestre da Ordem de Malta, Fra Matthew Festing, na presença de duas testemunhas, uma das quais era o cardeal-patrono Raymond Leo Burke, pediu ao chanceler Albrecht Freiherr von Boeselager que renunciasse. Com efeito, tinha vindo à luz que o chanceler Boeselager, durante o período em que foi o Grande Hospitalário da Ordem, havia abusado de seu poder promovendo a distribuição de milhares de preservativos e contraceptivos, inclusive abortivos, em alguns países do Terceiro Mundo. Apesar da promessa de obediência que o liga ao Grão-Mestre, o Grão-Chanceler recusou-se a renunciar. Contra ele foi então iniciado um procedimento para suspendê-lo de todas as posições que ocupava. Continuar lendo

NOSSO SENHOR JESUS CRISTO E O LIBERALISMO

Resultado de imagem para marcel lefebvreA verdade os fará livres!” (Jo 8, 32)

Depois de haver exposto que o liberalismo é uma rebelião do  homem contra a ordem natural concebida pelo Criador, que culmina em uma organização individualista, igualitária e centralizadora, me resta lhes mostrar como o liberalismo ataca também a ordem sobrenatural, o plano da Redenção, quer dizer, em definitivo, como o liberalismo tem por finalidade destruir o reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo, tanto sobre o indivíduo como sobre a sociedade.

Em relação à ordem sobrenatural, o liberalismo proclama duas novas independências:

– “A independência da razão e da ciência em relação à fé: é o racionalismo, para quem a razão, juiz soberana e medida da verdade, se basta a si mesma e rechaça toda dominação estranha”.

É o que se chama de racionalismo.

O liberalismo quer separar a razão da fé, que impõe dogmas formulados de modo definitivo, e aos quais a inteligência deve se submeter. A simples hipótese de que certas verdades podem superar as capacidades da razão é completamente inadmissível. Os dogmas devem então ser submetidos à peneira da razão e da ciência, sendo ela de um modo constante, a causa dos progressos científicos. Os

milagres de Jesus Cristo, a vida maravilhosa dos santos, devem ser reinterpretados e desmistificados. Será necessário distinguir cuidadosamente o “Cristo da Fé”, construtor da fé dos apóstolos e das comunidades primitivas, do “Cristo da história” que foi nada mais do que um simples homem. Vê-se quanto o racionalismo se opõe à divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e à Revelação  divina! Continuar lendo

A ORDEM NATURAL E O LIBERALISMO

Imagem relacionadaHá uma obra que recomendo especialmente àqueles que desejam ter uma noção concreta e completa do liberalismo  para poder preparar preleções, destinadas a pessoas que pouco conhecem este erro e suas ramificações e estão viciadas em pensar como um liberal, inclusive entre católicos ligados à tradição. Frequentemente encontramos pessoas que não percebem a profunda penetração do liberalismo em toda nossa sociedade e em nossas famílias.

Facilmente se reconhece que o “liberalismo de vanguarda” de um Giscard d’Estaing nos anos de 1975, conduziu a França ao socialismo; mas se pensa, com boa fé, que a “direita liberal” pode nos livrar da opressão totalitária. As almas que “pensam bem” ainda não descobriram se devem aprovar ou censurar a “libertação do aborto”, mas estão prontas para assinar uma petição para liberar a eutanásia. De fato qualquer coisa que leve a etiqueta de “liberdade”, tem há séculos a auréola do prestígio que acompanha esta palavra “sacrossanta”. No entanto estamos morrendo deste mal, é o liberalismo que envenena tanto a sociedade civil como a Igreja. Abramos o livro de que lhes falo, “Liberalismo e Catolicismo” do Padre Roussel, que foi lançado em 1926, e leiamos a página que descreve     com     muita     precisão     o     liberalismo     (pgs.14-16), acrescentando um pequeno comentário:

“O liberal é um fanático de independência, a proclama em tudo e para tudo, chegando às raias do absurdo”.

Trata-se de uma definição; veremos como se aplica e quais são as libertações que o liberalismo reivindica.

– “A independência da verdade e do bem em relação ao ser: é a filosofia relativista da mobilidade e do futuro. A independência da inteligência em relação a seu objeto: soberana, a razão não tem que se submeter a seu objeto, ela o cria na evolução radical da verdade; subjetivismo relativista”.
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BREVE CRÔNICA DA OCUPAÇÃO NEO-MODERNISTA NA IGREJA CATÓLICA

Primeira parte

Preâmbulo

Eis que a quatro décadas o mundo católico assiste a uma série aparentemente sem fim de mudanças na Igreja.

Como se estivessem em um estranho espetáculo pirotécnico eclesiástico, os católicos viram numerosas verdades de Fé se desfazerem, umas após as outras, de modo mais ou menos direto, nos fogos de artifício inventados por uma Hierarquia e um clero cada vez mais inspirado pelo aggiornamento conciliar, aberto a todas as correntes de pensamento, e pronto para trocar a verdade revelada pela miragem de um falso ecumenismo e de uma falsa paz mundial.

O mundo católico assistiu, por exemplo, a subversão do Rito Romano da Missa, substituído por um outro – o atual – a tal ponto ambíguo e ecumênico que foi aprovado pelos próprios protestantes, alguns dos quais, aliás, participaram com sugestões na elaboração do novo rito[1]. Em seguida, ocorreram progressivamente as missas-bazar com música de fundo, a introdução da comunhão na mão e o seu cortejo de inevitáveis sacrilégios, o acesso dos membros do sexo frágil no altar na qualidade de “ministras” de eucaristia (ao menos até agora).

Viu pela primeira vez na história um papa – Paulo VI – enviar num gesto eloquente o seu anel, símbolo de sua autoridade pontifical suprema, ao herético, cismático e impenitente arcebispo de Canterbury[2], e convidá-lo a abençoar a multidão e os numerosos cardeais e bispos presentes na Basílica romana de São Paulo Extramuros. 

Há pior. Viu um João Paulo II convidar os representantes das principais religiões falsas do mundo a Assis (primeiro encontro de 1986) para uma reunião de oração com grande auxílio de cachimbos da paz, oferendas de animistas a espíritos ancestrais e budistas incensando uma estátua de Buda colocada sobre o altar principal de uma igreja católica daquela cidade.

Escutou, boquiaberto, o mesmo João Paulo II declarar abertamente aos protestantes e aos “ortodoxos” sua plena disposição para modificar o modo de exercício do Primado papal segundo os seus desejos, o que equivale na prática a esvaziar o sentido do dogma do Primado de Jurisdição, ao renunciar a exercê-lo de fato (cf. Encíclica Ut unum sint).

Viu o cardeal Ratzinger, Prefeito do Santo Ofício, aprovar e assinar um documento da Comissão Teológica Internacional (“O Cristianismo e as religiões”) que nega abertamente o dogma da fé segundo o qual “fora da Igreja não há salvação” (Cf. Concílio Ecumênico do Latrão, IV, Denz. 800), reduzindo-o a uma simples “frase” de “caráter parenético”, ou seja, a uma simples exortação dirigida tão-somente aos católicos… Continuar lendo

NECESSIDADE DA AUTORIDADE

Resultado de imagem para Christian BouchacourtFonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

De acordo com a filosofia política, uma das causas essenciais de qualquer sociedade é a “unidade social”, ou seja, o fato de se ter uma ação comum. Ora, o princípio desta unidade social é a autoridade. Com efeito, um membro de uma sociedade qualquer pode espontaneamente perseguir seus objetivos pessoais. Contudo, se todos fossem deixados à sua própria vontade, não haveria nenhuma ação conjunta.  É próprio da autoridade, ao contrário, determinar a ação comum a qual todos participarão, permitindo aos membros “formar a sociedade”.

A recordação destes princípios nos faz entender que a desintegração da autoridade constitui um problema para uma sociedade. E que isso se torna um drama ainda maior quando o eclipse da autoridade alcança as sociedades que edificam o ser humano, principalmente a família, a Cidade e a Igreja.

Ora, é isto o que infelizmente vivemos hoje. Sofremos a ruína da autoridade, os lideres deixam de mandar, os indivíduos se recusam a obedecer. Na família, os pais renunciam enquanto seus filhos contestam. Nas associações civis, nas empresas, ninguém quer obedecer se não for analisada previamente a ordem dada, enquanto os chefes evitam comandar e “delegam”.”Na cidade, os eleitos estão a mercê dos eleitores, enquanto esses últimos se rebelam a qualquer momento. Continuar lendo

AS ORIGENS DO LIBERALISMO: NATURALISMO, RACIONALISMO, LIBERALISMO

lef4Desde já, podemos ver como todos os erros estão entrelaçados uns com os outros: liberalismo, naturalismo, racionalismo, são somente aspectos complementares do que se deve chamar Revolução. Onde a reta razão, esclarecida pela fé, vê somente harmonia e subordinação, a razão deificada cava abismos e levanta muralhas: a natureza sem a graça, a prosperidade material sem a procura dos bens eternos, o poder civil separado do poder eclesiástico, a política sem Deus nem Jesus Cristo, os direitos do homem contra os direitos de Deus , finalmente a liberdade sem a verdade.

Com este espírito se fez a Revolução, que vinha se preparando a mais de dois séculos, como procurei mostrar, mas somente no fim do século XVIII culmina e dá seus frutos decisivos: os frutos políticos como resultado dos trabalhos dos filósofos, dos enciclopedistas e de uma extraordinária atividade da maçonaria (11), que em poucas décadas havia penetrado e estabelecido núcleos em toda classe dirigente.

A MAÇONARIA PROPAGADORA DESTES ERROS

O Papa Leão XIII nos mostra em “Quod Apostolici”, encíclica já citada, e também em “Humanum Genus” de 20 de agosto de 1884 sobre a ceita dos maçons, com que precisão, com que clarividência, os Soberanos Pontífices denunciaram esta empresa:

“Em nossos dias os malfeitores parecem conspirar em conjunto e lutar com maior força, guiados e auxiliados por uma Sociedade que chamam dos Maçons, firmemente constituída e muito difundida (…). os Romanos Pontífices, nossos predecessores, zelando cuidadosamente pela salvação do povo cristão, reconheceram logo quem era e o que queria este inimigo, assim que ele começou a sair das trevas de sua conjuração oculta, para se lançar ao ataque em plena luz do dia”. Continuar lendo

MAIS HORROR – BOFF: AJUDEI O PAPA A ESCREVER A ‘LAUDATO SI’. HAVERÁ UMA GRANDE SURPRESA. TALVEZ PADRES CASADOS OU MULHERES DIÁCONOS.

Por Marco Tosatti| Tradução: André Sampaio – FratresinUnum:

Leonardo Boff, o bem conhecido expoente da teologia da libertação, concedeu uma entrevista ao jornal alemão Kölner Stadt-Anzeiger. Boff, que tem 78 anos, falou livremente sobre a Igreja, e revelou alguns detalhes de sua relação com o Pontífice e de possíveis decisões futuras.

boff_-825x510A fonte da qual nós obtivemos o material que lhes oferecemos é um artigo de Maike Hickson para o One Peter Five. Sobre quanto se refere ao tema dos padres casados no Brasil, remetemos vocês a também alguns artigos que publicamos no passado acerca da matéria. É interessante notar como as declarações de Boff vão na mesma linha e direção de quanto escrevemos. Já há dois anos

Sobre a teologia da libertação, Boff diz que “Francisco é um de nós”. Em particular pela atenção aos problemas ecológicos, dos quais Boff se ocupou. O Pontífice leu os livros desse temário de Boff? “Mais que isso. Pediu-me material para a Laudato si’. Dei-lhe o meu conselho e lhe enviei coisas que escrevi… Contudo, o Papa me disse de maneira direta: ‘Boff, não me envie as cartas diretamente’.”

Por que não? “Disse-me: ‘Se o fizer, os subsecretários as interceptarão e eu não as receberei. Em vez disso, envie as coisas ao embaixador argentino junto à Santa Sé, com quem tenho um bom contato, e elas chegarão seguras às minhas mãos.” O embaixador é um velho amigo do Pontífice. ”E depois, um dia antes da publicação da encíclica, o Papa fez chamar-me para agradecer-me pela ajuda.”

No que diz respeito a um encontro pessoal, Boff falou ao Pontífice em relação a Bento XVI, que, quando Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, teve um papel importante na sua condenação: “Mas o outro ainda está vivo, afinal de contas!”. “Ele [Francisco] não aceitou isso [não aceitou o receio, a hesitação de Boff].  ‘Il Papa sono io’ [‘O Papa sou eu’], respondeu (em italiano no texto [do jornal alemão], n.d.r.). E fomos convidados a ir.”Leonardo Continuar lendo