PALESTRAS DA FSSPX (EM DVD) NOVAMENTE À DISPOSIÇÃO

Resultado de imagem para fsspxPrezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Por duas vezes esse ano fizemos campanha para divulgação da boa e tradicional doutrina católica, bem como do trabalho da FSSPX, através da venda de palestras que são proferidas pelos padres do Priorado de Santa Maria/RS (revejam aqui  e aqui). As unidades foram vendidas muito rapidamente, com a graça de Deus.

Mais uma vez estamos disponibilizando alguns cursos, descritos abaixo.

Infelizmente a quantidade é pequena e os primeiros a enviarem email (gespiox@yahoo.com.br) com a solicitação, terão suas reservas atendidas.

As descrições, quantidade e valores (já com frete PAC incluso) estão abaixo:

A REPÚBLICA DE PLATÃO

(4 UNIDADES – R$ 40,00)

  • Introdução
  • O Mundo Grego
  • A Vida de Platão
  • Resenha do Diálogo da República
  • A Virtude da Justiça
  • Paralelo entre a Alma e a Pólis
  • A Justiça e a Sabedoria
  • A Solução Cristã ao Dilema de Platão
  • Conclusão

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A UNIVERSIDADE MEDIEVAL

(3 UNIDADES – R$ 40,00)

  • Introdução
  • Antecedentes Históricos
  • Civilização Escolástica
  • Os Mosteiros
  • O Aparecimento das Universidades

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A GESTA DE SANTA JOANA D’ARC

(ESGOTADO – R$ 40,00)

  • Introdução
  • Fim dos Tempos
  • Guerra dos Cem Anos
  • Missão de Jeanne
  • Batalha de Orleans e Sagração em Reims
  • Universidade de Paris
  • Processo e Martírio
  • Reabilitação e Canonização
  • Retrato Moral
  • Conclusão

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A EDUCAÇÃO CATÓLICA DOS FILHOS

(10 UNIDADES – R$ 40,00)

  • A Família, Base da Educação
  • A Alma Humana
  • A Prudência da Educação
  • A Ordem do Bem Comum
  • A Cidade de Deus
  • Conclusão

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NOITE ESCURA – VIDA, OBRA E DOUTRINA DE SÃO JOÃO DA CRUZ

(Esgotado – R$ 40,00)

  • Introdução Geral
  • O desastroso século XVI
  • El Gran Imperio
  • Contemplação
  • História da Ordem Carmelita
  • Formação de São João da Cruz
  • A Reforma Teresiana
  • Prisão de Toledo
  • Prisão de Toledo e Escritos
  • Subida ao Monte Carmelo
  • Noite Escura
  • Crise Interna
  • Paixão e Morte de Fr. Juan
  • Santa Teresinha, autêntica interprete
  • Conclusão

AS DIFERENTES POSIÇÕES DO CATÓLICOS NO PÓS-CONCÍLIO

Devido ao grande número de questionamentos que recebemos – desde pessoas que querem, humildemente, entender a posição da FSSPX e crise de fé que abala a Igreja até alguns “grandes sábios de redes sociais” que nos acusam de coisas que, além de nos causar grandes risadas, mostram nitidamente que não entendem nada sobre a Tradição, relinchando jargões já refutados há décadas – republicamos um texto da década de 80, escrito pelos até então “Padres Tradicionalistas de Campos” e que permanece atual, para que cada um, de uma maneira simples, analise sua posição de católicos nessa crise pós conciliar.

AS VÁRIAS POSIÇÕES TOMADAS NA CRISE ATUAL

frame-crise-na-igreja1) PROGRESSISMOse subdivide em diversas categorias:

a) Obediência cega: aqueles que não admitem resistência às autoridades. É a posição mais cômoda na crise atual. Tem vários graus. Há até aqueles que dizem: “Prefiro errar com o Papa a acertar sem ele”“Se o Papa fosse para o inferno eu iria junto”. Peca por excesso: chama-se subserviência. Destes tais dizia São Bernardo: “Aquele que faz o mal, sob o pretexto de obediência, faz antes um ato de rebeldia do que de obediência”.

b) Ultra-progressismo: são aqueles que, seguindo os princípios do Concílio Vaticano II, são mais lógicos e vão até às últimas conseqüências, sendo mais avançados do que as próprias autoridades auto-demolidoras da Igreja, não respeitando os freios que estas, por receio de escândalo, tentam impor. São os que, por exemplo, promovem os cultos afros, na linha da inculturação preconizada por João Paulo II; são os que pregam o ecumenismo total, na linha do encontro ecumênico de Assis; são os que apóiam as invasões de terra e o socialismo, na linha da teologia da libertação, etc.

c) Oficialismo: é a posição daqueles que, talvez pelo receio de serem chamados cismáticos, procuram tranqüilizar a própria consciência dizendo que seguem as autoridades oficiais da Igreja, mesmo quando favorecem à autodemolição. É a tentação da oficialidade, que reconhecemos ser bastante forte e sedutora, como se viu na Paixão de Jesus, quando a grande maioria do povo preferiu ficar do lado das autoridades religiosas oficiais que condenavam injustamente a Jesus, que ficou com poucos amigos fiéis.

Os que defendem tal posição teriam ficado com Aarão, sumo sacerdote oficial escolhido por Deus, que levou o povo a adorar o bezerro de ouro; teriam ficado com Caifás, sumo sacerdote oficial, que condenou a Jesus, teriam ficado com o Papa Libério, que favoreceu ao semi-arianismo e excomungou Santo Atanásio; teriam ficado com o Papa Honório que foi anatematizado pela Igreja, após sua morte, por ter também favorecido à heresia.

d) Conservadorismo: são os tidos como “conservadores”, querem conservar os ritos antigos, sem resistir aos novos ritos e às novas doutrinas instaladas na Igreja. Subdividem-se em:

Bi-ritualismo, “ralliés”: São os que gostariam de conservar a Tradição (Liturgia tradicional) ao mesmo tempo que a obediência às autoridades atuais e aos seus princípios, sobretudo aos princípios inovadores do Concílio Vaticano II, aceitando a legitimidade e exatidão doutrinária do Novus Ordo. Calam-se sobre pontos da doutrina tradicional, como preço pago a serem reconhecidos na Igreja hoje. Neste grupo se incluem o Barroux, a Fraternidade São Pedro, o Instituto Cristo Rei. São os que pleiteiam a “missa do indulto” e o bi-ritualismo, isto é, a legitimidade dos dois ritos, o da Missa tradicional e o da Missa nova.

“Sirismo”: Posição do Cardeal Siri, e dos que se assemelham a ele: “Mesmo que Paulo VI seja um papa pouco ortodoxo, é preciso se submeter a ele. … A nova missa é um castigo de Deus para os padres que celebravam mal a missa antes do Concílio” (Card. Siri). Esta posição consiste em aceitar as novidades da autodemolição por espírito de submissão e sofrer com isso. Obedecer e sofrer. Posição muito espalhada também.

2) SEDEVACANTISMO (de várias gamas: desde os mais extremistas até aos mais moderados): baseia-se no mesmo princípio equivocado anterior de não admitir resistência às autoridades. Levados, talvez, até pelo zelo da ortodoxia na Igreja e não podendo conceber que as autoridades favoreçam à heresia, classificam esses desvios doutrinários como heresias formais e concluem que perderam os seus cargos. Os mais extremistas acham que se deva eleger outro Papa e organizar outra hierarquia. Outros acham que a Igreja visível acabou (=heresia!). Alguns acham que a Igreja está sem Papa desde Pio XII. Dividem-se, porém, sobre a causa exata e a data em que tal coisa aconteceu.

3) CISMÁTICOS (recentes)São aqueles que acham que a Igreja atual falhou, separaram-se dela e elegeram um outro Papa. Assim são, por exemplo, os seguidores da igreja de Palmar de Troya, na Espanha e do movimento de Santa Jovita, no Canadá.

4) NOSSA POSIÇÃO NESSA CRISE: Nós, padres de Campos que formamos a União Sacerdotal São João Batista Maria Vianney, (FSSPX) somos católicos apostólicos romanos. Não somos “lefebvristas”, porque não existe, nem nunca existiu “lefebvrismo”, porquanto Dom Marcel Lefebvre não tinha doutrina própria nem formou uma hierarquia própria. Não somos “tradicionalistas”, no sentido de que “tradicionalismo” identifica um partido na Igreja. Somos fiéis à Tradição da Igreja como todo católico sempre foi e sempre deverá ser. Nem cismáticos, nem excomungados como nos acusam, a fim de impressionar a imaginação coletiva e formar um vazio ao nosso redor.

Esta é a também a posição de Dom Marcel Lefebvre, Dom Antônio de Castro Mayer, Fraternidade São Pio X, e dos fiéis em geral ligados à Tradição.

Fonte: Católicos Apostólicos Romanos – Nossa posição, na atual crise da Igreja – Livreto editado pelos “Padres Tradicionalistas de Campos”, antes do acordo com Roma

Publicado originalmente em dez/2015

QUEM QUER DESTRUIR A ORDEM DE MALTA

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com: 

“Muito antes que as Nações tivessem chegado a estabelecer uma lei internacional; muito antes que tivessem podido forjar o sonho – ainda não realizado – de uma força armada comum para proteção da sã liberdade humana, da independência dos povos e de uma pacífica equidade nas suas relações mútuas, a Ordem de São João já havia reunido em uma irmandade religiosa e sob a disciplina militar, homens de oito ‘línguas’ diferentes, votados à defesa dos valores espirituais, que constituem o apanágio comum da Cristandade:  a fé, a justiça, a ordem social e a paz.”

ordine-di-maltaEssas palavras, dirigidas em 8 de janeiro de 1940 pelo Papa Pio XII aos Cavaleiros da Soberana Ordem Militar de São João de Jerusalém, dita de Rodes e depois de Malta, resumem as características da mais antiga das Ordens de Cavalaria, o único Estado soberano cuja bandeira ondulou no campo das Cruzadas. Uma ordem cujo carisma tem sido sempre o da “Tuitio fidei et Obsequium pauperum” [Defesa da fé e serviço dos pobres]. É imaginável que um Papa queira destruir essa instituição, glória da Cristandade? Infelizmente, é precisamente esta a impressão que se tem  dos últimos acontecimentos relativos à Ordem de Malta.

Correspondência Romana ofereceu uma primeira reconstrução dos fatos em 24 de dezembro de 2016. Edward Pentin aprofundou e enriqueceu o cenário com novos detalhes no National Catholic Register de 7 de janeiro de 2017. O quadro, em resumo, é o seguinte: em 6 de dezembro, o Grão-Mestre da Ordem de Malta, Fra Matthew Festing, na presença de duas testemunhas, uma das quais era o cardeal-patrono Raymond Leo Burke, pediu ao chanceler Albrecht Freiherr von Boeselager que renunciasse. Com efeito, tinha vindo à luz que o chanceler Boeselager, durante o período em que foi o Grande Hospitalário da Ordem, havia abusado de seu poder promovendo a distribuição de milhares de preservativos e contraceptivos, inclusive abortivos, em alguns países do Terceiro Mundo. Apesar da promessa de obediência que o liga ao Grão-Mestre, o Grão-Chanceler recusou-se a renunciar. Contra ele foi então iniciado um procedimento para suspendê-lo de todas as posições que ocupava. Continuar lendo

A REPRESENTAÇÃO DA NATIVIDADE MAIS ANTIGA TERIA 5000 ANOS

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Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Um menino ao lado de seus pais, dois animais próximos, um astro no céu: esta poderia ser a mais antiga “Natividade” anterior à escrita jamais descoberta até hoje. Essa pintura rupestre foi desenhada há 5000 anos em uma pequena gruta do Saara egípcio, rebatizada de “Gruta dos pais”.

Essa informação “insólita” nos é relatada pela ANSA (Agência Nacional de imprensa italiana), que atribui a descoberta ao geólogo Marco Morelli, diretor do Museu das Ciências Planetárias do Prato, que descreve assim essa “pequena piscadela” da Providência:

Nossa expedição geo-arqueológica nascera com o objetivo de explorar alguns sítios entre o vale do Nilo e o Gilf el-Kébir. Em busca de estruturas geológicas semelhantes a crateras de impacto, de pinturas rupestres já conhecidas e de algumas caves de ocre utilizadas pelos egípcios. Depois de 20 dias no deserto, tinha terminado meu trabalho de geólogo. E, assim, por curiosidade, me aventurei sozinho ao longo de um canal que se ramificava no fundo do vale principal.

Quando chegou a uma zona isolada, o pesquisador tropeçou em uma pequena cavidade semelhante a uma gruta, perfurada pela água na rocha. Continuar lendo

O LIBERALISMO DE TODO MATIZ E CARÁTER FOI JÁ FORMALMENTE CONDENADO PELA IGREJA?

Pe. Félix Sardá y Salvany

Sim, o liberalismo, em todos os seus graus e em todas as suas formas, foi formalmente condenado; de modo que, além das razões de malícia intrínseca que o fazem mau e criminoso, todo fiel católico tem acesso à suprema e definitiva declaração da Igreja a respeito do liberalismo: ela o julgou e anatematizou. Não se podia permitir que um erro de tal transcendência deixasse de ser incluído no catálogo das doutrinas oficialmente reprovadas, e aliás foi ele incluído em várias ocasiões.

Já quando apareceu na França, durante sua primeira Revolução, a famosa Declaração dos Direitos do Homem, que continha em germe todos os desatinos do moderno liberalismo, foi condenada por Pio VI.

Mais tarde, essa doutrina funesta foi desenvolvida e aceita por quase todos os governos da Europa, até pelos príncipes soberanos, o que é uma das mais terríveis cegueiras que ofereceu a história das monarquias. Tomou em Espanha o nome pelo qual hoje é conhecida em toda parte: liberalismo.

Ocorreram as terríveis contendas entre monarquistas e constitucionalistas, os quais se designaram mutuamente com os nomes de servis e liberais. Da Espanha essa denominação estendeu-se a toda a Europa. Pois bem, na maior força da luta, por ocasião dos primeiros erros de Lamennais, Gregório XVI publicou sua Encíclica Mirari vos[1], condenação explícita do liberalismo, tal como era então entendido, ensinado e praticado pelos governos constitucionais.

Mais tarde, quando a corrente invasora dessas idéais funestas cresceu, tomando até sob o influxo de alguns talentos extraviados a máscara de catolicismo, suscitou Deus à sua Igreja o Pontífice Pio IX, que, com toda a razão, passará à história com o título de açoite do liberalismo.

O erro liberal, em todas suas faces e seus matizes, foi desmascarado por este papa. Para que mais autoridade tivessem suas palavras neste assunto, dispôs a Providência que a repetida condenação do liberalismo saísse dos lábios de um Pontífice que os liberais, desde o princípio, procuraram apresentar como seu partidário. Depois dele, já não restou mais subterfúgio algum ao qual pudesse recorrer este erro. Os numerosos Breves e Alocuções de Pio IX mostraram ao povo cristão o liberalismo tal qual ele é, e o Syllabus colocou o último selo na condenação. Continuar lendo

O SUICÍDIO DE LUTERO

Étienne Couvert

Em 20 de maio de 1505, Lutero iniciara seus estudos de Direito na Universidade de Erfurt. Pouco tempo depois, porém, uma desgraça ocorreu. Tendo encontrado seu amigo Jerônimo Buntz, desentenderam-se, travaram um duelo e Lutero acabou por matar seu companheiro. Em junho daquele mesmo ano, preocupado com as consequências da morte, Martinho buscou seu protetor e amigo, João Braun, vigário colegial em Eisenach, para lhe pedir conselho. Este o estimulou a tornar-se religioso, a fim de evitar as consequências judiciais do caso. Lutero acatou a sugestão e em 17 de julho de 1505 entrou para o convento dos Eremitas de Santo Agostinho, em Erfurt. Beneficiou-se assim do direito de asilo, então reconhecido pela justiça civil. Seu primeiro tratado, redigido por ele mesmo, intitula-se: “Sobre aqueles que se refugiam nas igrejas, muito útil para os juízes seculares e para os reitores de uma igreja e os prelados de mosteiros”. (“De his qui ad ecclesiam confugiunt tam judicibus secularibus quam Ecclesiae Rectoribus et Monasterioum Praelatis perutilis”). A obra foi publicada anonimamente em 1517, e depois em 1520 com o nome de Lutero. Nela, é lembrado que quem mata sem ter sido inimigo, por erro ou sem premeditação, não é culpado segundo a lei de Moisés.

Em seu mosteiro, porém, Lutero não encontrou paz de espírito. Sua vocação, bastante questionável, foi resultado mais de medo que de um chamado divino ou amor à oração e à solidão.

Devido a seu temperamento hereditário, em acréscimo à sua educação familiar, Martinho era dotado de um caráter violento e explosivo, de tipo primário, que no primeiro impulso age sem refletir, além de uma alma escrupulosa que depois de ter agido, rumina bastante sobre o erro ou a falta cometida desnecessariamente e que podia ter sido evitada com um pouco de reflexão. É um tipo de humanidade bastante comum neste mundo e que não deveria, de modo algum, provocar uma angústia suicida.

Uma morte cometida durante uma rixa, certamente mais acidental que premeditada, não deveria jamais provocar essa crise, que não fez senão acentuar-se ao longo de sua existência, até o suicídio final. A isso é preciso acrescentar outro fator. Continuar lendo

OS CATÓLICOS LIBERAIS E A FALÊNCIA DO ESTADO LAICO

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Diante do avanço da legislação anticristã no Brasil, as lideranças  dos diversos grupos religiosos estão em busca de um entendimento para empreender uma reação comum e impedir a aprovação de leis que agridem a consciência moral da imensa maioria da população brasileira. Em princípio, essa atitude poderia compreensível e louvável, contanto que observadas todas as regras da prudência para afastar qualquer perigo de um falso ecumenismo e irenismo.

Mas há uma coisa que merece reparo nessa frente ampla das “religiões” contra as forças maçônicas a serviço do Reino do Anticristo e da Sinagoga de Satanás. É que no embate com o inimigo, quando este defende sua plataforma política contra o Direito Divino e Natural e recusa uma interferência das religiões nos debates em curso no Congresso Nacional argumentando que o Estado brasileiro é laico, os representantes da frente ampla das religiões, principalmente os católicos liberais, saem em defesa do Estado laico dizendo que os verdadeiros inimigos deste são os políticos ateus ou agnósticos que se mostram intolerantes e incapazes de manter um diálogo democrático com seus adversários.

Dizem também os parlamentares da frente ampla das religiões que os seus adversários estão esquecidos de que o Brasil não é um Estado ateu, visto que no preâmbulo da Constituição Federal se diz que os representantes do povo brasileiro promulgam a carta magna sob a proteção de Deus. E argumentam que Estado laico significa que o Estado não sofre uma incidência direta das instituições religiosas em sua organização. Continuar lendo

A PROTESTANTIZAÇÃO DO CONCÍLIO VATICANO II – PARTE 3

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  1. A constituição dogmática sobre a Revelação Divina “Dei Verbum”

Esta constituição abandona a doutrina católica das duas fontes da Revelação, para aproximar-se do sola scriptura dos protestantes. Apresentam-nos de imediato no capítulo 1 a Revelação não mais como comunicação das verdades sobre Deus e suas intenções salvíficas, mas como auto-comunicação de Deus; nisto põem em evidência a passagem da perspectiva objetiva à perspectiva subjetiva.

No artigo 5, descrevem a fé como encontro pessoal com Deus, e dom do homem para com Ele; não se deveria mais considerar a tradição como complemento quantitativo e material da Escritura. Ela teria apenas uma dupla função de reconhecimento do teor do cânon e certidão da revelação. De modo ambíguo, não apresentam o magistério abaixo da palavra de Deus, senão que a seu serviço.

Reconhece-se fortemente no artigo 12 a exegese moderna com sua “Formengeschichte”, embebida no espírito protestante de Bultmann. Não mais se atribui à Santa Escritura a inerrância, mas só dizem que ela ensina a verdade.

artigo 19 fala que os Evangelhos oferecem o veraz e o sincero – no texto originam, acrecentaram: “alimentados pela força criativa da comunidade primitiva”, suprimido após o protesto de muitos dos Padres do Concílio. Na 2ª frase deste artigo, assume o Concílio sem meias palavras a exegese moderna: os apóstolos pregavam uma compreensão mais plena do Cristo, os redatores dos Evangelhos “redigiram” o material desta prédica, i. é., material que eles selecionaram, resumiram e atualizaram. Continuar lendo

A PROTESTANTIZAÇÃO DO CONCÍLIO VATICANO II – PARTE 2

protIII. A INFLUÊNCIA DOS PROTESTANTES SOBRE O CONCÍLIO

Com tamanha presença de protestantes no Concílio – presenças direta e indireta – como espantar-se da influência sobre o Concílio e seus documentos? Citemos-lhe alguns para fundamentar a afirmação:

  1. O decreto “Sacrosanctum Concilium” sobre liturgia

Já no artigo 5, encontramos a noção de mistério pascal, que põe a tônica da Redenção na Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo e arrefece a realidade do sacrifício expiatório da liturgia.

No artigo 6, mencionam o mistério pascal duas vezes.

No artigo 7, equiparam a presença do Cristo na Santa Missa e na substância transubstanciada com a presença no ministro da ação litúrgica, na virtude dos sacramentos, na palavra, ou com a presença que há onde duas ou três pessoas estiverem reunidas em seu nome. Uma tal ordem de coisas é um empréstimo manifesto dos protestantes.

No artigo 22, há clara descentralização da competência, em matéria litúrgica: a partir de agora é o bispo local, e sobretudo a conferência episcopal as estâncias decisórias.

Nos artigos 24 e 51, fala-se da grande importância da Santa Escritura na liturgia. Continuar lendo

A PROTESTANTIZAÇÃO DO CONCÍLIO VATICANO II – PARTE 1

cviiConferência do Sr. Padre Franz SCHMIDBERGER no Simpósio de Teologia em Paris, outubro de 2005.

RESUMO DA POSIÇÃO PROTESTANTE

1 – O ponto de partida do protestantismo, sua base filosófica e teológica, é sem dúvida a concepção de Lutero acerca do pecado e da justificação.

Para ele, corrompeu o pecado totalmente a natureza humana, não há sequer liberdade moral. Assim, nada encontra a graça de Deus que curar, transformar, divinizar, limitando-se tão-só a uma declaração exterior: Deus encobre o pecado com o manto dos méritos de seu Filho, não imputando-lhe de pecado, contudo o pecador conserva sua natureza corrompida.

2 – De tal parecer do estado da natureza decaída, decorrem os quatrosoli de Lutero:

a)Sola fide: salva-se o homem só pela fé; notem que, entre os reformadores, concebe-se a fé enquanto fé confiante nos méritos do Cristo Redentor, e não enquanto plena aceitação da Revelação de Deus sob impulso da graça. As boas obras – o jejum, a oração, a esmola, a penitência, a mortificação – não contribuem para a salvação, antes são sinais de fé. Exprime Lutero desta forma seu pensamento de modo categórico: “Peca fortemenTe e crê mais fortemente ainda, e tu serás salvo”. Continuar lendo

DE CAPITULAÇÃO EM CAPITULAÇÃO CHEGAMOS ÀS DIACONISAS

Na igreja conciliar é assim. Tudo começa com as “coroinhetes”. Após um período a candidata pode ser “elevada” à categoria de “Ministra” da Liturgia, depois da Comunhão, ser “gerente” da paróquia…. até chegar no que vemos hoje!!

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Foi anunciada pelo Vaticano há poucos dias a constituição de uma comissão de teólogos e teólogas encarregada de estudar o diaconato feminino na Igreja primitiva. A referida comissão é fruto de um pedido de  um grupo de religiosas ao papa Francisco I, que a instituiu após “muita oração e reflexão” – assim diz a nota da Santa Sé.

De acordo com os melhores estudiosos do assunto, não há nenhuma dúvida de que as diaconisas dos primeiros tempos da Igreja eram mulheres piedosas que se encarregavam de obras de caridade, recebiam uma bênção (com imposição das mãos do bispo) e tal bênção não era absolutamente um sacramento, mas apenas um sacramental.

À luz da tradição constante da Igreja e do magistério dos papas, não procede nenhuma discussão sobre a admissibilidade do sacerdócio feminino na Igreja Católica. Se por desgraça amanhã houver o abuso de uma ordenação de diaconisas, o sacramento da ordem a elas conferido, sobre ser um sacrilégio, será inválido, mas poderá originar uma enorme confusão na Igreja porque já não serão vistas essas reverendas diaconisas como leigas mas como membros do clero e pertencentes à hierarquia eclesiástica. E certamente não se contentarão em ser diaconisas permanentes mas vão pretender galgar os graus mais altos da hierarquia. Continuar lendo

A MESQUITA DE NOTRE-DAME

Como foi possível que este pesadelo se tornasse realidade no berço de nossa civilização? A falta de fé e ausência de luta deixaram as antigas terras da Cristandade indefesas contra a maciça e calculada imigração em um Ocidente tímido que cresceu muito egoísta para defender-se a si mesmo

Mosque-Of-Notre-DameElena Chudinova | The Remnant | Tradução Sensus fidei:

“Nunca houve um livro mais relevante ou mais oportuno.” … Taki Theodoracopulos, editor de “Takimag.com”

“A Mesquita de Notre-Dame (The Mosque of Notre Dame) é uma análise indispensável do Islã para quem quer entender a ameaça que o Ocidente está enfrentando.” … Thomas Fleming, editor de Chronicles: A Magazine of American Culture.

Leia a mensagem da autora.

Originalmente publicado em russo, em 2006, foi traduzido para o francês, sérvio, polonês, búlgaro, turco e norueguês. Está sendo agora publicado em sua primeira edição americana pela Remnant Press.

Como evitar o futuro sombrio que rapidamente se precipita sobre nós? É possível? No livro “A Mesquita de Notre-Dame”, cuja história se passa ano de 2048, os muçulmanos da Arábia e da Europa central assumiram os governos da Europa Ocidental e bloquearam os países sob a Lei de Shária, minaretes, burcas e tudo o mais.

O Arco do Triunfo, em Paris, tornou-se uma plataforma para o apedrejamento de fabricantes de vinho. O Louvre foi despojado de todas as suas obras de arte. E a grande catedral de Notre-Dame de Paris converteu-se em uma mesquita. A Basílica de São Pedro, em Roma, foi arrasada e se transformou em um depósito de lixo. Continuar lendo

DOMINUS FLEVIT SUPER GALLIAM

A data não podia ser mais significativa: o fatídico 14 de julho, data comemorada só pelos inimigos de Deus e da Igreja, ou pelos idiotas úteis que ainda não compreenderam a perversidade da Revolução Francesa, marco inicial do direito político moderno, da farsa da democracia, da rebelião da soberania popular contra a autoridade legítima que governa conforme a Lei de Deus e não conforme os caprichos dos demagogos revolucionários.

14 de julho de 1789 não foi apenas um presságio das calamidades que se precipitariam; foi também uma advertência, para que os franceses (e todos os povos que viam na França a filha primogênita da Igreja e a imitavam) voltassem a trilhar o bom caminho da tradição, os ensinamentos da Igreja e dos Santos e combatessem e condenassem com firmeza os erros e heresias dos filósofos modernos e dos ideólogos do Iluminismo.

Infelizmente, a advertência não foi ouvida. Os anos passaram-se, sucederam-se os séculos. A mão poderosa de Deus feriu a humanidade por causa dos seus pecados e crimes: sobreveio a Revolução Comunista de 1917. Os erros da Rússia espalharam-se pelo mundo afora. Milhões de mortos inocentes. Sobreveio o nazifascismo. Regiões imensas do mundo gemem sob um regime totalitário que, em nome dos princípios revolucionários modernos, em nome da Liberdade, da Igualdade, da Fraternidade, declara guerra ao homem criado por Deus e tenta construir um novo homem, um homem sem Deu, um homem inimigo de Deus, um homem que quer ser um deus.

Em fins do século XX, a humanidade, embrutecida pelo materialismo, dopada pelas drogas e pela pornografia, a humanidade corrompida pela revolução cultural da Escola de Frankfurt que se difunde a partir da grande potência norte-americana, comemora a queda do Muro de Berlim, achando que a partir de então viveria no paraíso de uma democracia universal, onde os homens viveriam como bem entendessem, cada um com seus próprios valores, sem nenhuma preocupação em saber se há uma verdade objetiva, uma lei moral de ordem superior. Continuar lendo

A IDÉIA PATRÍSICA DE ANTICRISTO

Fim_dos_TemposSermão 1. O tempo do Anticristo

Os cristãos tessalonicenses achavam que a vinda de Cristo estava próxima. São Paulo então os avisou por escrito para não alimentarem esse tipo de expectativa. Não que o Apóstolo desaprovasse o anseio deles pela vinda do Senhor, ao contrário; mas ele avisa que um determinado evento deverá ocorrer antes dessa vinda, e que enquanto não houver esse evento não haverá a vinda. “Ninguém de modo algum vos engane”, diz o Apóstolo, “porque isto não se dará sem que antes venha a apostasia (quase geral dos fiéis), e sem que tenha aparecido o homem do pecado, o filho da perdição” [2Ts 2:4].

Enquanto durar o mundo, essa passagem estará repleta de reverente interesse dos cristãos. É dever de todo cristão estar sempre atento para a vinda do Senhor; de buscar os sinais da vinda em tudo que acontece em sua volta; e, acima de tudo, ter em mente esse terrível sinal ao qual fala São Paulo aos tessalonicenses. Assim como a primeira vinda do Senhor teve seu predecessor, a segunda também terá o seu. O primeiro foi aquele que é “ainda mais do que profeta” [Mt 11:9], João Batista, enquanto que o segundo será mais que um inimigo de Cristo: será a própria imagem de Satanás, isto é, o assustador e odiável Anticristo. É dele, conforme nos é apresentado na profecia, que me proponho a falar. Ao fazer isso seguirei exclusivamente a orientação dos antigos Padres da Igreja.

Sigo os Padres da Igreja, mas não por pensar que em tal assunto eles possuem o valor que possuem nos campos das doutrinas e dos ritos. Quando eles falam de doutrinas, eles falam delas como algo que é universalmente mantido. Eles são testemunhas do fato de que receberam essas doutrinas não de um lugar ou de outro, mas de todos. Recebemos então essas doutrinas que eles nos ensinam, mas não apenas porque eles nos ensinaram, e sim porque os cristãos de todos os lugares a mantiveram dessa maneira. Tomamos os Padres da Igreja pela honestidade dos seus testemunhos, e não por suas autoridades, embora eles também sejam autoridades. Se eles afirmassem essa mesma doutrina, mas dissessem: “Essas são as nossas opiniões: nós a deduzimos da Sagrada Escritura, e elas são verdadeiras”, poderíamos então duvidar delas assim que a recebêssemos. Com justiça poderíamos dizer que temos tanto direito quanto eles de deduzir algo da Sagrada Escritura, pois essas deduções seriam meras opiniões, e que se nossas deduções coincidissem com as deles, essa seria uma feliz coincidência, e que se não coincidissem, paciência, pois cada um deveria seguir a própria luz. Não há dúvidas que homem nenhum jamais deve impor suas próprias deduções ao outro no que diz respeito à fé. Há, entretanto, uma óbvia obrigação do ignorante de se submeter àquele que é mais bem informado; também é conveniente que os jovens implicitamente submetam-se por um tempo aos ensinamentos dos mais velhos; mas, além disso, a opinião de um homem não é melhor do que a do outro. Todavia, esse não é o caso quando estamos falando dos primeiros Padres da Igreja. Eles não estão dando suas opiniões privadas; eles não dizem “Isso é verdade, porque vemos dessa forma na Sagrada Escritura” (e aí pode haver diferença entre os juízos), mas sim “Isso é verdade pois, com efeito, é algo que sempre foi mantido por todas as Igrejas até os nossos dias, sem interrupção, desde a época dos Apóstolos”, de modo que a coisa é apenas uma questão de testemunho, ou seja, se eles tinham os meios de saber como aquilo continuava a ser mantido — e ainda continuava sendo. Porquanto, essa era a crença mantida por igrejas que ao mesmo tempo estavam distantes e independentes uma das outras, mas que por terem sido todas elas fundadas pelos Apóstolos, não havia dúvida que esses testemunhos são verdadeiros e apostólicos. Continuar lendo

SANTO ATANÁSIO: O VERDADEIRO DEFENSOR DA TRADIÇÃO – PARTE II

SantoAtanasio21A queda do Papa Libério

Em 17 de maio de 352 Libério foi consagrado Papa. Ele imediatamente se viu envolvido na disputa ariana:

Ele apelou a Constâncio para que fosse justo com Atanásio. A resposta imperial veio na convocação dos bispos da Gália para um concílio em Arles em 353-354, onde, sob ameaça de exílio, os bispos concordaram em condenar Atanásio. Até mesmo o núncio apostólico de Libério rendeu-se. Quando o Papa pressionou para que o concílio fosse mais abrangente de representantes, Constâncio reuniu-os em Milão em 355. Houve, na ocasião, ameaças violentas de um grupo de pessoas e a intimidação pessoal do Imperador: “Minha vontade é a lei canônica”, exclamou. Com exceção de três bispos, o Imperador prevaleceu sobre todos os outros. Atanásio fora novamente condenado e os arianos admitidos à comunhão. Novamente os núncios do papa renderam-se e o próprio Libério recebeu ordens para assinar. Quando recusou a assinar, e até mesmo a aceitar as ofertas do Imperador, ele foi preso e carregado para longe da presença imperial; ao manter-se firme em prol reabilitação de Atanásio, o Papa foi exilado para a Trácia em 355, onde ficou por dois anos. Enquanto isso, um diácono Romano, Félix, foi introduzido na sé petrina. O povo recusou-se a reconhecer o antipapa imperial. O próprio Atanásio teve de se esconder e seu rebanho foi abandonado à perseguição pelo intruso de tendências arianas. Quando visitou Roma em 357, Constâncio foi assediado por pedidos clamorosos pela restauração de Libério. Por outro lado, bispos subservientes que rodeavam a corte em Sirmio subscreveram fórmulas doutrinais mais ou menos ambíguas ou heterodoxas. Em 358, uma fórmula composta por Basílio de Ancira, declarando que o Filho era de substância parecida com a do Pai, homoiousion, foi oficialmente imposta.[10]

A oposição ao antipapa Félix tornou urgente a necessidade de Constâncio restaurar Libério à sua sé. Contudo, era igualmente urgente que o Papa condenasse Atanásio. O Imperador usou uma combinação de ameaças e lisonjas para atingir seu objetivo. Seguiu-se então a trágica queda de Libério. Ela foi descrita implacavelmente em Lives of Saints de Alban Butler:

Nessa época, Libério começou desmoronar por conta das dificuldades do seu exílio, e sua resolução foi abalada pelas contínuas solicitações de Demófilo, o bispo ariano de Bereia, e de Fortunaciano, o contemporizador bispo da Aquiléia. Estava ele tão mais amolecido por lisonjas e alvitres (que deveriam na verdade fazê-lo tampar seus ouvido de horror) que ele rendeu-se, para grande escândalo da Igreja, à armadilha feita para ele. Ele subscreveu a condenação de Santo Atanásio e uma confissão ou credo concebido pelos arianos em Sirmio, embora a heresia ariana não estivesse lá expressa; e ele escreveu aos bispos arianos do Oriente dizendo que havia recebido a verdadeira fé católica que muitos bispos haviam aprovado em Sirmio. A queda de um prelado tão grande e tão ilustre confessor é um terrível exemplo da fraqueza humana que ninguém pode lembrar-se sem se estremecer todo. São Pedro caiu pela presunçosa confiança em sua própria força e resolução, de maneira que devemos aprender que todo mundo só se mantém pela humildade.[11] Continuar lendo

SANTO ATANÁSIO: O VERDADEIRO DEFENSOR DA TRADIÇÃO – PARTE I

S_Atanasio“O que aconteceu por volta de 1600 anos atrás repete-se nos dias de hoje, mas com duas ou três diferenças: Alexandria agora é toda a Igreja Católica — cuja estabilidade está abalada —, e o que foi empreendido naquela época por meio da força física e da crueldade é empreendido agora em níveis diferentes. O exílio foi substituído pelo ostracismo; o assassinato físico pelo assassinato de reputação.”

Mons. Rudolf Graber, Bispo de Regensburg, Athanasius and the Church of our Times, p. 23.

O objetivo deste apêndice não é explicar a natureza da heresia ariana, mas sim provar que um bispo fiel à Tradição pode ser repudiado, caluniado, perseguido e até mesmo excomungado por quase todo episcopado, inclusive pelo próprio Papa. Evidentemente trata-se de uma situação anormal, pois o fiel católico tem o direito de supor que a maioria dos bispos em união com o Papa ensinarão a sã doutrina; o católico seria imprudente se não conformasse sua crença e comportamento com o ensinamento desses bispos. Mas nem sempre o caso é esse, conforme demonstra a atual situação da Igreja. Não há praticamente uma única diocese no mundo anglófono cujo bispo esteja preocupado em assegurar que as crianças católicas recebam a sã doutrina; ou que a moral católica e os ensinamentos doutrinais não se contradigam com a impunidade do púlpito (trata-se da leniência com os abusos litúrgicos que chegam até ao nível do sacrilégio). Escrevendo sobre a época de Santo Atanásio, São Jerônimo fez sua célebre exclamação: “Ingemit totus orbis et arianum se esse miratus est” — “Com dor e assombro o mundo todo se viu ariano”. O mundo católico ocidental de hoje encontra-se num estado acelerado de desintegração; mas para a maioria não há dor, tampouco assombro. Com efeito, a maior parte dos bispos repete ad nauseam que as coisas jamais estiveram tão boas e que estamos vivendo no período de maior florescimento da história da Igreja. Um bispo como o falecido Mons. R. J. Dwyer (de Portland, Oregon, EUA), que teve a coragem de falar abertamente e descrever objetivamente o estado de coisas na Igreja, é taxado de excêntrico, fanático e desordeiro. A ICEL (International Commission for English in the Liturgy — Comissão Internacional para o Inglês na Liturgia) recebeu efusivos louvores dos bispos dos EUA por conta da tradução da missa que foi imposta aos fiéis católicos anglófonos. O arcebispo Dwyer falou sobre:

[…] a tradução inglesa — inepta, pueril e semi-analfabeta — que nos foi imposta pela ICEL, um grupo de homens dotados das piores características presentes nos burocratas autofágicos, prestou um imensurável desserviço a todo o mundo anglófono. O trabalho foi marcado pela ausência quase completa de sentido literário, pela insensibilidade crassa à linguagem poética e pior: o uso predominantemente inculto da liberdade de tradução dos textos, de modo que o texto chega ao ponto da deturpação de fato. [1] (grifos nossos) Continuar lendo

A FÉ CATÓLICA NÃO É OFENDIDA SÓ COM A HERESIA

Por Roberto de Mattei – Corrispondenza Romana, 13-01-2016 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com

Em uma longa entrevista aparecida em 30 de dezembro no semanário alemão Die Zeit, o cardeal Gerhard Ludwig Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, levanta uma questão de crucial atualidade. Quando perguntado pela entrevistadora sobre o que pensa daqueles católicos que atacam o Papa, definindo-o de “herege”, ele responde: “Não só pelo meu ofício, mas pela convicção pessoal, devo dissentir. Herege na definição teológica é um católico que nega obstinadamente uma verdade revelada e proposta como tal pela Igreja para ser crida. Outra coisa é quando aqueles que são oficialmente encarregados de ensinar a fé se exprimem de forma talvez infeliz, enganosa ou vaga. O magistério do Papa e dos bispos não é superior à Palavra de Deus, mas a serve. (…) Pronunciamentos papais têm ademais um caráter vinculante diverso – desde uma decisão definitiva pronunciada ex cathedra até uma homilia que serve bastante para o aprofundamento espiritual.”

indifferentism-468x256Tende-se hoje a cair em uma dicotomia simplista entre heresia e ortodoxia. As palavras do cardeal Müller nos lembram que entre o branco (a plena ortodoxia) e o preto (a heresia aberta) há uma zona cinzenta que os teólogos têm explorado com precisão. Existem proposições doutrinárias que embora não sendo explicitamente heréticas, são reprovadas pela Igreja com qualificações teológicas proporcionais à gravidade e ao contraste com a doutrina católica. A oposição à verdade apresenta de fato diferentes graus, conforme seja direta ou indireta, imediata ou remota, aberta ou dissimulada, e assim por diante. As “censuras teológicas” (não confundir com as censuras ou penas eclesiásticas) expressam, como explica em seu clássico estudo o padre Sisto Cartechini, o julgamento negativo da Igreja sobre uma expressão, uma opinião ou toda uma doutrina teológica (Dall’ opinione al domma. Valore delle note teologiche, Edizioni “La Civiltà Cattolica”, Roma, 1953). Este julgamento pode ser privado, se for dado por um ou mais teólogos por conta própria, ou público e oficial, se promulgado pela autoridade eclesiástica. Continuar lendo

CITAÇÕES SOBRE O ANTICRISTO

antiPe. Emmanuel André: 

“Apresentar-se-á como cheio de respeito pela liberdade dos cultos, uma das máximas e uma das mentiras da besta revolucionária. Dirá aos budistas que é um Buda; aos muçulmanos, que Maomé é um grande profeta… Talvez até irá dizer, em sua hipocrisia, como Herodes seu precursor, que quer adorar Jesus Cristo. Mas isso não passará de uma zombaria amarga. Malditos os cristãos que suportam sem indignação que seu adorável Salvador seja posto lado a lado com Buda e Maomé em não sei que panteon de falsos deuses”  (O Drama do fim dos Tempos)

Santo Ambrósio

“O Senhor não virá como juiz antes que o reino romano seja dissolvido, e que o Anticristo apareça. Este matará os santos e restituirá aos Romanos sua liberdade mas sob seu próprio nome”.

Santo Anselmo

“O Anticristo procurará passar-se por religioso, a fim de poder seduzir sob este exterior de piedade; e há mais, ele dirá que e Deus e se fará adorar e prometerá o céu”.

“Porque, que incrédulo se converterá à fé, que cristão não ficará abalado e quebrado em sua fé, quando o perseguidor da religião se tornar autor de grandes prodígios?”

“Mas, o Espírito Santo é bastante poderoso para sustentar o coração dos seus, mesmo no meio desses grandes prodígios; esses prodígios extraordinários seduzirão somentes aqueles que merecem ser seduzidos”.

Santo Antônio

“O Anticristo será designado como chefe dos hipócritas, porque este homem tão perverso recorrerá sobretudo à hipocrisia para seduzir”.

Santo Agostinho

“Quando o Anticristo, filho do demônio, autor o mais perverso de toda malícia, vir perturbado o mundo inteiro e tiver atormentado o povo de Deus por diversos suplícios; depois que tiver morto Enoch e Elias e tiver martirizado todos os que perseveraram na Fé, a cólera de Deus tombará enfim sobre ele e Nosso Senhor o fará perecer pelo sopro de sua boca”.

São Boaventura

“Marcas do advento do Anticristo:

Quando os velhos não tiverem nem bom senso nem prudência;

Quando os cristãos estiverem sem fé;

Quando o povo estiver sem amor;

Quando os ricos forem sem misericórdia;

Quando os jovens não tiverem respeito;

Quando os pobres forem sem humildade;

Quando as mulheres tiverem perdido o pudor;

Quando, no casamento, não houver mais continência;

Quando os clérigos forem sem honra e sem santidade;

Quando os religiosos não tiverem verdade nem austeridade;

Quando os prelados não se inquietarem de sua administração e não tiverem piedade;

Quando os mestres da terra não tiverem misericórdia nem liberdade.”

São Gregório Magno

“O Anticristo se levantará tão alto, reinará com tanto poder, aparentará uma tão grande santidade por prodígios e sinais extraordinários, que ninguém poderá contradizer suas obras porque somará ao poder do terror os sinais mais aparentes de sua santidade exterior”.

“É coisa diferente de uma testemunha de Anticristo aquele que, não mais considerando como sagrada a Fé que deu a Deus, dá testemunho do erro?”

São Jerônimo

“O Anticristo deverá sair do povo judeu e tais serão sua simplicidade e sua humildade que se não lhe prestarem as honras devidas a um rei, ele se tornará mestre do poder por suas falsidades e seus artifícios e ele forçará os exércitos do povo romano a se renderem e os quebrará”.

“O Anticristo fingirá ser casto para pegar de surpresa um grande número de pessoas”.

São Berlarmino

“O Anticristo estará em entendimento secreto com o demônio que ele servirá secretamente. Em desígnio cheio de fingimento, ele mostrar-se-á como Cristo para enganar os cristãos e, ao mesmo tempo, aprovará a circuncisão e o sábado para seduzir os judeus”.

O Itinerário espiritual da Igreja Católica Júlio Fleichman