INDIFERENTES À MISSA NOVA?

Dois ritos diferentes coexistindo para a celebração da Missa. Realmente devemos considerá-los como duas expressões de uma mesma coisa? Certamente isso não é uma questão de gosto: é a fé católica que está em jogo. Lembremo-nos de como devemos julgar a missa reformada de 1969.

Fonte: FSSPX/Distrito da América do Sul – Tradução: Dominus Est 

Muitos problemas seriam resolvidos se fossemos ao menos indiferentes à Nova Missa. De Roma não nos pedem outra coisa. De tantos católicos perplexos com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, muitos acreditaram que o mal do novo rito viria apenas da maneira de celebrá-lo e os peregrinam pelas paróquias buscando padres, sempre poucos, que celebrem com piedade e não deem a comunhão nas mãos. Outros, melhor informados, sabem que a diferença não está nos modos do sacerdote, senão no próprio rito e reivindicam a Missa tradicional argumentando, com alguma hipocrisia, o enriquecimento que implica a pluralidade de ritos: o novo é bom, mas o antigo também, melhor então ficar com os dois!

Embora não haja tolos em Roma, toleraram essa conversa nos grupos tradicionais que se amparam (1) na Comissão “Ecclesia Dei”. Além disso permitiram aos Padres tradicionalistas da diocese de Campos, no Brasil, que ficassem com seu rito tradicional mesmo dizendo que a Nova Missa é “menos boa”. Mas em Roma  nossa Fraternidade porque causa incômodo, porque não só não diz que a missa nova é boa, mas a combate como perversa, incomodando a perplexidade que mesmodepois de quarenta anos de Concílio tantos católicos não deixam de padecer. Se, ao menos, fôssemos indiferentes – que os outros rezem como queiram – Roma nos deixaria em paz. 

Podemos ser indiferentes à Nova Missa?

Na véspera de sua Paixão, havendo chegado a hora de oferecer seu sacrifício redentor a seu Pai, Nosso Senhor fez uma aliança com Sua Igreja: Hæc quotiescumque feceritis, em mei memoriam facietis (Lembre-se de que morri por vossos pecados, que me lembrarei de vós na presença do Pai). E, sendo Deus, nos deixou o imenso mistério da Missa, pelo qual seu Sacrifício permanece sempre vivo, sempre novo, permitindo-nos assistir como ladrões arrependidos: Memento Domine, famulorum famularumque tuarum (Lembra-te, Senhor, de nós agora que estais em seu Reino).

A memória viva da Paixão que se renova pela dupla consagração graças aos poderes do Sacerdócio, a união misteriosa com a Vítima Divina que se realiza pela comunhão é a única maneira que tem o coração duro do homem para retornar ao amor de Deus, porque nada chama tanto ao amor como conhecer-se muito amado, e a Paixão de Nosso Senhor foi a maior demonstração de amor: ninguém ama mais do que aquele que dá a vida por seu amigo. É por isso que a obra da Redenção que Cristo realizada na Cruz não se faz eficaz para nós senão graças ao Sacrifício da Missa. Continuar lendo

CONFERÊNCIA DE MONS. LEFEBVRE EM ANNECY (1987): EU VI PADRES CHORAREM”

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Em uma conferência realizada em Annecy em 1987, Mons. Lefebvre expõe a terrível situação em que se encontraram, após o Concílio, “as cabeças mais fiéis à Tradição“, aqueles que guardaram a antiga missa, a batina, etc. Ele afirma que houve perseguições reais e que alguns bispos e padres morreram de tristeza e até nos dá exemplos.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

TRECHOS

Como eles (os liberais) venceram o Concílio (Vaticano II) – é preciso dizer: eles venceram – eles assumiram os lugares imediatamente. Como em um Estado: quando os socialistas assumem o governo, imediatamente demitem todos aqueles que não são a favor do socialismo e outros socialistas são colocados nesses lugares, é claro. Isso é o que foi feito no Vaticano.

Assim que os liberais venceram, todos os conservadores foram imediatamente eliminados da cúria romana e, em todos os bispados onde havia cabeças mais fiéis à tradição, todos eles foram eliminados; muitos deles se demitiram. Vendo o que estava acontecendo na Igreja, eles ficaram tão perturbados, tão agoniados, que pediram demissão.

Uma verdadeira guerra contra todos os bispos tradicionais

Dou-lhes um exemplo: o do Arcebispo de Dublin, que conheci muito bem, que era meu amigo porque também era membro da Congregação dos Padres do Espírito Santo, da qual fui superior geral durante 6 anos: Mons. McQuaid[1] . Ele renunciou e quinze dias depois, morreu. Ele morreu de tristeza, este Arcebispo! Eu o conhecia bem: ele morreu de desgosto. Ele estava ligado a Roma, ao Santo Padre, com todas as fibras de sua alma. Recusar que pudesse ver o Santo Padre, sentir-se de certa forma como se tivesse sido expulso de Roma…ele não pôde suportar, sua saúde não resistiu. E quantos, quantos e quantos bispos como este!

Posso citar um outro caso, o de Mons. Morcillo[2], Arcebispo de Madrid. Mons. Morcillo era um dos secretários do Concilio (não eram numerosos, eram 5 ou 6 secretários ao todo). Todos esses secretários foram feitos cardeais depois do Concílio, exceto Mons. Morcillo, Arcebispo de Madri. Ele também poderia ter sido nomeado cardeal, por que não foi? Porque era conservador, porque era muito firme em suas idéias. Bem, ele morreu de tristeza também, por sentir que havia se tornado persona non grata, que ele havia se tornado uma pessoa repudiada e rejeitada, e que ele não poderia ser cardeal enquanto os outros todos já haviam sido feitos. Não que ele estivesse interessado em ter o chapéu cardinalício, ele era um homem muito humilde – mas isso tudo é inadmissível! Então a resposta a isso (às pessoas que levantaram objeções, aos espanhóis que não entenderam por que todos os secretários do Concílio foram nomeados cardeais e seu Arcebispo de Madri não foi, por quê?) foi: “Ah, mas Madrid é não uma cidade cardinalícia. A primazia da Espanha é Toledo, não Madrid!” Continuar lendo

NO CANADÁ, 2020 DÁ UM SALTO NO NÚMERO DE MORTES POR EUTANÁSIA

Triste balanço no país do ácer: no ano de 2020, o número de canadenses que deram fim às suas próprias vidas por meio do suicídio assistido aumentou 17%. Números que devem disparar, devido o sinal verde dado pelo Parlamento para ampliar os critérios de acesso à eutanásia.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em 7 de junho de 2021, Abby Hoffman, Subsecretária estadual da Saúde, manifestou-se à imprensa sobre as últimas estatísticas sobre a eutanásia em seu país: soube-se que 7.595 pacientes sofreram uma “morte ‘medicamente’ assistida” no ano passado, um número que representa 2,5% de todas as mortes no Canadá no ano.

Em comparação, em 2019, 5.631 pessoas haviam morrido de forma semelhante, o que representava cerca 2% de todas as mortes no Canadá.

A fim de relativizar o alcance desses números, Abby Hoffman salientou que a eutanásia representa 4,1% de todas as mortes em Benelux. Pobre consolação!

De acordo com dados fornecidos pelo Ministério da Saúde, o câncer é a causa mais frequentemente associada aos pedidos de assistência médica para a morte.

De acordo com Abby Hoffman, a maioria dos pacientes que recorreram à eutanásia tinham tido acesso a cuidados paliativos, mas sentiam que seu sofrimento não podia ser aliviado por esse meio. Continuar lendo

A IDÉIA É SUPERIOR À REALIDADE?

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“Todos iremos para o céu, quer sejamos ladrões, assassinos, mentirosos, etc.” Tal conceito de santidade ou santificação é um verdadeiro afronta a Deus. É querer fazer de Deus cúmplice das injustiças.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

De um lado, os idealistas respondem afirmativamente. Para eles – quer dizer, infelizmente para um bom número de nossos contemporâneos – a ideia (o conceito) prevalece sobre a realidade (o fato, a verdade). É necessário, portanto, submeter a realidade à ideia concebida ou preconcebida. Do outro lado, os realistas respondem negativamente. Isso, dizem eles, é uma questão de simples bom senso, a realidade tem uma preeminência sobre a ideia, que dela deriva sua origem. O que devemos pensar sobre isso? Qual é a consequência em nossa vida espiritual?

O homem inteligente

O homem não nasce com suas idéias/conceitos infusos. Ao nascer, seu espírito é virginal, tabula rasa (literalmente: uma folha de papel em branco). No decorrer de sua vida, seu espírito será marcado, moldado, “instruído” (no sentido de uma “impressão sensível”) apenas pela experiência. Graças ao seu poder cognitivo, o homem compreende a natureza das realidades que o cercam: seja pela abstração, seja pelo raciocínio (julgamento), ou finalmente pela simples adesão da inteligência.

A inteligência humana compreende a natureza das coisas através de uma operação que lhe é própria, a abstração. Ela desenvolve, em seguida, um conceito, uma ideia da realidade (coisa) considerada. Por ideia ou conceito nos referimos à realidade (a coisa) como é conhecida pela inteligência. A inteligência, portanto, capta as realidades externas por meio de conceitos ou idéias. Também pode passar de uma ideia para outra, graças ao raciocínio. A ideia tem sua origem na realidade, na experiência. A verdadeira ideia é aquela que está de acordo com a natureza da coisa. É por esta razão que a verdade é definida, por Aristóteles e Santo Tomás de Aquino, como sendo a adequação da inteligência à realidade, isto é, a conformidade do conceito, da ideia à realidade, à natureza das coisas. Para ser verdadeira ou objetiva, a inteligência humana deve estar submissa à realidade e não o contrário: humildade, essa é verdade! Continuar lendo

A BARBA E OS JOELHOS

O capitão Haddock não consegue pregar os olhos de noite. Foi-lhe feita uma pergunta embaraçosa: ele dorme com a barba abaixo ou acima do cobertor? Uma comparação com a saia: acima ou abaixo do joelho?

Fonte: Le Parvis n ° 112 – Tradução: Dominus Est

A barba pode levantar sérias questões. Na Coke en stock (As aventuras de Tintim), o capitão Haddock não consegue pregar os olhos de noite. Foi-lhe feita uma pergunta embaraçosa: ele dorme com a barba abaixo ou acima do cobertor? O joelho é uma articulação maravilhosa e muito útil, embora sem nenhuma beleza especial. Felizmente, as moças não têm barba, o que lhes permite dormir tranquilamente sem estas considerações. Mas elas têm joelhos. E é pela manhã que surge o dilema: saia acima ou abaixo do joelho? O joelho, como já dissemos, nada tem de estético. Mas a voz do mundo e a voz da Igreja discordam sobre o que é conveniente sobre tal assunto. Saber onde está o bem não basta para vencer a batalha. 

Tudo isso para apresentar este pequeno testemunho: Continuar lendo

SERMÃO DE D. TISSIER DE MALLERAIS

O sermão transcrito abaixo foi dado em Ecône, no dia 27 de junho de 2002.  De grande força doutrinária, estas palavras tiram as consequências dolorosas mas reais de toda a destruição operada pelo Concílio Vaticano II, não somente nos atos e costumes da Igreja oficial, mas também nas mentalidades, nos corações de milhões de católicos espalhados pelo mundo e vivendo dentro dessas heresias e desses erros terríveis e acreditando que se deve obedecer a tais chefes.

Resultado de imagem para Dom Bernard Tissier de Mallerais

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, amém.

Senhor Superior Geral, Prezados senhores Bispos, senhor Diretor, caros confrades no sacerdócio, caros Ordinandos, queridos fieis,

Em alguns instantes o bispo, no decorrer desta cerimônia de ordenação de diáconos e de padres, pronunciará essas palavras, aos diáconos ele dirá: Vós sois, de agora em diante, os cooperadores do Sangue e do Corpo do Senhor, e aos padres, depois da própria ordenação, lhes dirá: recebei o poder de oferecer o sacrifício a Deus e de celebrar as missas tanto pelos vivos como pelos defuntos.

Essas palavras que nos parecem banais, de nossa simples Fé católica, que exprimem o próprio objeto do sacerdócio, que é a consagração do Corpo e do Sangue de Nosso, Senhor para renovar de modo não cruento sua Paixão Divina, essas palavras foram agora suprimidas do novo Pontifical de ordenação tanto dos diáconos como dos padres. Esse desaparecimento é muito significativo e quer dizer que a Nova Religião não quer mais exprimir a transmissão de um poder de consagrar o Corpo e o Sangue do Cristo e de um poder de renovar a Paixão do Calvário. E então, meus caríssimos ordinandos, estou certo, evidentemente, de que no curso de vossos seis anos de seminário haveis penetrado bem na doutrina católica a qual, agora, é ignorada pela maior parte dos padres da Nova Religião. Porque essa mudança do rito da ordenação significa uma Nova Religião.  Nessa supressão de um poder de oferecer e de consagrar o Corpo e o Sangue do Cristo é precisamente onde se exprime a Nova Religião. Na qual se encontra a grande maioria dos católicos, a contra gosto, mas estão nessa Nova Religião, que consiste não apenas em um novo culto, mas em uma nova doutrina. Assim, se me permitem, caros fiéis, em algumas palavras descreverei primeiramente a nova doutrina dessa Nova Religião e em seguida seu novo culto.

Primeiramente os novos dogmas, uma nova doutrina conseqüência de novos dogmas.
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A GUERRA FÚTIL DA “OUTRA” CONTRA O CATOLICISMO

Espanha e Portugal

Robert Morrison

Como vários católicos atentos observaram, o Motu Proprio Traditionis Custodes, de Francisco, encerrou abruptamente a confusa campanha da “hermenêutica da continuidade”, que tinha por objetivo convencer o mundo de que, apesar de tudo o que transparecia, as reformas do Vaticano II estavam em continuidade com a religião Católica de sempre. Como deixa claro a carta que acompanha Traditionis Custodes, é necessário escolher entre as crenças e práticas que os católicos mantiveram por quase dois mil anos e aquelas que decorreram do Vaticano II. Ora, se fossem as mesmas, por que seria necessário escolher entre elas?

Ao passo que a tentativa de eliminar a ruptura entre o Catolicismo e a religião animada pelo Vaticano II (a Outra[1]) tenha sido sempre irremediavelmente frustrante e fútil, avaliar as diferenças entre as duas religiões é, em comparação, simples e iluminador. Para esse fim, vale considerar: o papel da Outra na guerra movida por Satanás; como e por que as duas religiões são diferentes; o propósito da nova religião; por que o Catolicismo é a única religião rejeitada pela Outra; e, finalmente, quão incoerente é a Outra.

O papel da Outra na guerra movida por Satanás

Poderíamos nos ver tentados a considerar a situação atual da Igreja como uma refutação de sua indefectibilidade. De fato, muitos abandonam a Fé porque acreditam erroneamente que a Igreja foi derrotada. Todavia, Deus tem nos dado razões abundantes para nos mantermos firmes na Fé, mesmo se parece que os inimigos triunfaram: temos a promessa de Nosso Senhor de que as portas do inferno não prevalecerão (Mt 16, 18), e dois mil anos de história onde vemos a Igreja resistir a assaltos aparentemente insuportáveis.

Além disso, há importantes aparições da Santíssima Virgem Maria trazendo avisos proféticos sobre a infiltração na Igreja. No início do século XVII, María del Buen Suceso de La Purificación (comumente conhecida como Nossa Senhora do Bonsucesso) apareceu à Venerável Madre Mariana de Jesus Torres, uma freira de clausura do Convento Real da Imaculada Conceição em Quito, Equador. Sua mensagem a respeito de eventos que ocorreriam no século XX é de particular interesse para os católicos de hoje: Continuar lendo

PALAVRAS DE MONS. LEFEBVRE AO CARDEAL RATZINGER: VÓS TRABALHAIS EM PROL DA DESCRISTIANIZAÇÃO DA SOCIEDADE, DA PESSOA HUMANA E DA IGREJA, E NÓS TRABALHAMOS PARA A CRISTIANIZAÇÃO.

30 Years Ago Operation Survival: The Story of the Episcopal Consecrations  (4) - FSSPX.Actualités / FSSPX.News

Resumi ao Cardeal Ratzinger em poucas palavras, porque digamos que é difícil resumir toda esta situação, mas eu lhe disse: “Eminência, mesmo que nos conceda um Bispo, mesmo que nos conceda certa autonomia em relação aos Bispos, mesmo se nos outorgue toda a liturgia de 1962, nos conceda continuar a obra dos seminários da Fraternidade tal como o fazemos atualmente, nós não podemos colaborar. É impossível, é impossível, porque nós trabalhamos em duas direções diametralmente opostas: Vós trabalhais em prol da descristianização da sociedade, da pessoa humana e da Igreja, e nós trabalhamos para a cristianização. Não podemos, portanto, nos entender.

Então eu lhe disse: “Para nós, Cristo é tudo; Nosso Senhor Jesus Cristo é tudo, é a nossa vida. A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, é Sua noiva mística. O padre é outro Cristo; sua missa é o sacrifício de Jesus Cristo e o triunfo de Jesus Cristo pela cruz. Nosso seminário: ali onde aprendemos a amar a Cristo e somos totalmente propensos ao Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nosso apostolado é pelo reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eis o que somos. E vós fazeis o oposto. Acabastes de me dizer que a sociedade não deve ser cristã, não pode ser cristã, que é contra sua natureza!  Acabastes de me provar que Nosso Senhor Jesus Cristo não pode e não deve reinar nas sociedades! Quereis provar que a consciência humana é livre em relação a Nosso Senhor Jesus Cristo! – ‘É preciso dar-lhes liberdade e um espaço social autônomo’, como dissestes. É a descristianização. Pois bem, nós somos pela cristianização” .

Eis então. Não podemos nos entender. E isso, garanto aos senhores, isso é o resumo. Não podemos seguir essas pessoas.

Conferência de Mons. Lefebvre durante o Retiro dos Sacerdotes da FSSPX, 1987

A UNIDADE: UM FALSO ARGUMENTO PARA SEDUZIR OS FIÉIS

UNIDADE

Quando os “bons apóstolos(*)” pregam a nós, católicos tradicionais, aceitar as novidades pós-conciliares em nome da unidade cristã, dificilmente fico comovido.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

A unidade da Missa não foi destruída por nós, mas por aqueles que inventaram uma nova Missa. A unidade da fé não foi arruinada por nós, mas por aqueles que desprezam dos dogmas. A unidade na caridade não depende de nós, mas daqueles que ainda mantêm uma espécie de excomunhão de fato contra D. Lefebvre e aqueles que, como ele, permanecem fiéis à religião católica.

Com que unidade sonham esses “bons apóstolos”? Suponham, por um instante, Deus nos livre, que eles pudessem aniquilar tudo o que fosse tradicional e ainda sufocar a imensa multidão de cristãos resistentes, atordoados pela nova religião: os senhores acreditariam que esse massacre faria nascer a unidade?

Esses “bons apóstolos” não alcançariam a unidade da Missa. Pois removendo a de São Pio V, restariam ainda uma centena delas e todos os domingos trariam uma nova para os telespectadores. Esses “bons apóstolos” não alcançariam a unidade com os protestantes; eles se tornariam uma seita entre trezentas outras seitas. Estes “bons apóstolos” não seriam sequer capazes de chegar a um pensamento comum, porque seus cérebros evolutivos não sabem mais como distinguir a verdade do erro. Para eles, a única heresia é tomar a Revelação divina como verdadeira. Continuar lendo

SANTO PADRE, BISPOS, PERCEBAM A ANGUSTIA DOS FIÉIS

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Sermão não publicado de Mons. Lefebvre proferido em 15 de maio de 1978 em Genebra. (1)

Neste sermão, Mons. Lefebvre destaca o fato de que os fiéis pedem apenas uma coisa do Papa e de seus bispos: que eles possam permanecer católicos.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

RESUMO

Por que não podemos continuar com o que a Igreja sempre fez?

Mons. Lefebvre pede aos bispos que, finalmente, se dignem a ouvir seus fiéis, que sofrem perante a situação da Igreja. Os fiéis lhes pedem, unicamente, algo inédito… a permissão para poder continuar a viver a sua fé como a todos os seus antepassados, permissão de poderem ser católicos!

Os fiéis estão cientes de que podem colocar a sua fé em perigo se seguirem as novidades criadas desde o Concílio Vaticano II, novidades essas que tendem a uma confusão de religiões. O padre diz no momento do batismo: “a fé dá-nos a vida eterna”, portanto, é o tesouro que nos é mais caro aqui na terra, e não pode ser minimizado. Imploramos ao Santo Padre e aos Bispos que nos permitam continuar a viver a nossa vida católica.

Por que mudaram esta orientação tão profunda da Igreja, que nos recordam os Apóstolos que, depois de receberem o Espírito Santo, começaram a pregar a divindade de Jesus Cristo? Eles batizavam para trazer almas para a Igreja, para que recebessem a graça, eles pregaram até os confins do mundo então conhecido. Eles convertiam almas e exortavam-nas que permanecessem fiéis à fé que haviam ensinado: “Guardai o depósito da fé! “ Continuar lendo

COMISSÃO EUROPEIA DECIDE PROCESSAR A HUNGRIA

A Hungria enfrenta o assédio da Comissão Europeia, devido a uma lei, promulgada em 15 de junho, que exige que as crianças não sejam expostas a material LGBT antes dos 18 anos. Esta lei apenas reconhece o direito natural dos pais. (leia também aqui e aqui)

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Vitkor Orban enfrentou pela primeira vez a indignação e a ira dos chefes de Estado da União Européia (UE) durante uma videoconferência no dia 24 de junho.

O executivo europeu, por sua vez, denuncia o caráter discriminatório dessas medidas contra as pessoas LGBT.

Por conseguinte, a Comissão enviou à Hungria uma carta de notificação formal. Esta é a primeira etapa de um longo processo, que pode levar a um recurso do Tribunal de Justiça da UE e, em seguida, a sanções financeiras. Viktor Orban teve dois meses para responder.

A igualdade e o respeito à dignidade e aos direitos humanos são valores fundamentais da UE, consagrados no artigo 2.º do Tratado da União Europeia. A Comissão utilizará todos os instrumentos a sua disposição para defender estes valores”, sublinha ela em um comunicado.

O Sr. Orban respondeu que era um “abuso de poder“, anunciando um referendo. Ele disse que cinco perguntas seriam feitas aos húngaros. Continuar lendo

QUANDO O PAPA CELEBRA A MISSA NOVA

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Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Em sua Carta aos Bispos sobre Motu proprio Traditionis Custodes de 16 de julho de 2021, que restringe severamente a Missa tradicional “a fim de retornar a uma forma festiva unitária”, a da Missa Nova, o Papa Francisco declara:

Como Bento XVI, também estigmatizo o fato de que “em muitos lugares não celebramos com fidelidade as prescrições do novo Missal, mas que é até entendido como uma autorização ou mesmo uma obrigação à criatividade, que muitas vezes leva a distorções que estão no limite do que é suportável”.

Na verdade, não é preciso ser criativo, o próprio Papa Francisco mostra as diversas possibilidades oferecidas pelo Novus Ordo Missae de Paulo VI na mais estrita fidelidade à rubricas previstas no missal. Trechos de:

  • Missa pela comunidade congolesa em São Pedro, Roma
  • Missa em Manila, Filipinas
  • Missa para migrantes em Lampedusa
  • Missa para crianças celebrada pelo então Cardeal Bergoglio, em 2011, na Argentina

ADELANTE LA FE: E LEFEBVRE TINHA RAZÃO

Dom Marcel Lefebvre (33) | Permanência

Fonte: Adelante la Fe – Tradução: Dominus Est

Visto todo o ocorrido, há de se afirmar de forma inequívoca: Mons. Lefebvre tinha razão quando fez o que fez. Após a promulgação do Motu Proprio que ataca a Missa tradicional, e o efeito imediato em todos os níveis da estrutura interna da Igreja, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (fundada por Lefebvre) vem a ser como que um baluarte seguro onde a liturgia católica está protegida.

Lefebvre foi rotulado de fanático, integrista, cismático, fundamentalista … etc. Por décadas, apenas pronunciar seu nome (sem sobrenome ofensivo) significava ser considerado quase excomungado pela própria Igreja. Lembro-me muito bem de uma conversa que tive, em 1991, com um jesuíta, sobre um amigo que parecia querer entrar no seminário de Econe (da FSSPX) e do tremendo choque que ele teve ao saber que foi fundado por Lefebvre, cujo movimento foi qualificado por este jesuíta (e cito textualmente) como “a maior brutalidade“. A verdade é que aquela cena me deixou impressionado e me lembro dela como uma cena horrível de um filme de terror. Uma cena importante da lenda negra lançada sobre um Bispo que durante sua vida só procurou restaurar todas as coisas em Cristo, e que durante o seu ministério na África alcançou um dos maiores crescimentos missionários realizados na história.

Pois bem: lembremo-nos agora da [cena] verdadeira. Em primeiro lugar, Lefebvre nunca foi cismático, pois nunca quis formar uma hierarquia paralela à hierarquia oficial da Igreja. Em todos os seus seminários e priorados a fotografia emoldurada do Papa (João Paulo II e posteriores) era colocada, e claramente visível, porque ele nunca afirmou que a Sé Romana estava vacante. De fato, o movimento sedevacantista nunca teve qualquer aliança ou aceitação de Monsenhor, e até hoje ele ainda é alvo de tantas desqualificações quanto de seus inimigos modernistas. Continuar lendo

MOTU PROPRIO TRADITIONIS CUSTODES, PELO PE. JEAN-FRANÇOIS MOUROUX, FSSPX, PRIOR DO PRIORADO DE SÃO PAULO

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Sermão do X Domingo depois de Pentecostes proferido na Capela São Pio X, do Priorado Padre Anchieta, com publicação autorizada para o blog Dominus Est

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Caros fiéis,

Em 16 de julho, foi lançado um novo grande ataque contra a Tradição Católica: o Motu Proprio Traditionis Custodes do Papa Francisco, que reduz ao máximo a celebração da Missa Tridentina. Para a Fraternidade São Pio X (FSSPX), estas disposições não mudarão nada, exceto para lhes trazer mais fiéis. Mas é importante saber por que isto não mudará nada para nós. Também devemos entender a diferença entre a FSSPX e as chamadas comunidades “Ecclesia Dei” para as quais tudo vai mudar.

Voltemos à origem desta ruptura na luta pela defesa da Tradição católica. Em 1988, Dom Marcel Lefebvre consagrou quatro bispos sem a autorização de Roma. Para ele, era uma questão de sobrevivência. Após vários anos de negociações com Roma para tentar explicar os problemas colocados pela nova doutrina do Vaticano II, a nova liturgia, os novos sacramentos, a nova lei canônica, após os repetidos escândalos, incluindo a famosa reunião ecumênica em Assis, Dom Lefebvre estava convencido de que a hierarquia da Igreja não queria “apoiar ou continuar a Tradição“. E hoje o Papa Francisco lhe dá razão, pois deixa claro que as concessões feitas à liturgia tradicional foram feitas com o objetivo de trazer aos poucos os sacerdotes e os fiéis à nova liturgia. Então, consequentemente, Dom Lefebvre decidiu salvar a Tradição, consagrando bispos.

Infelizmente, alguns sacerdotes da Fraternidade São Pio X, naquela época não quiseram seguir Dom Lefebvre no que foi chamado de seu “cisma“. Para eles, Roma criou uma estrutura chamada Comissão Ecclesia Dei, cujo nome vem do texto que a estabeleceu. Esta estrutura reuniu gradualmente todos os Institutos que desejavam preservar a Missa tradicional sendo eles reconhecidos por Roma. Estes incluíam a Fraternidade São Pedro e o Instituto do Bom Pastor. “Não podemos desobedecer ao Papa“, disseram eles. “Temos que ficar dentro da Igreja para promover a Tradição.”

Mas para Dom Lefebvre, não se tratava de sair da Igreja, mas justamente de permanecer nela. Não foi ele quem mudou, mas as autoridades da Igreja que mudaram.

Em uma conferência em 21 de dezembro de 1984, ele disse: “Não podemos nos colocar sob uma autoridade cujas ideias são liberais e que nos condenaria pouco a pouco, pela força das circunstâncias, a aceitar suas ideias e suas consequências, antes de mais nada, a Nova Missa.”

Em uma conferência em dezembro de 1989 (um ano depois das sagrações episcopais), Dom Lefebvre voltou a falar da situação daqueles que preferiam se submeter a Roma: “Eles se encontrarão rapidamente em uma contradição, pois se aceitarem o Concilio, terão que aceitar suas consequências. E as consequências incluem a reforma litúrgica.”

Então, a atitude do arcebispo Lefebvre pode ser explicada por dois princípios: Continuar lendo

HÁ HOJE UMA CRISE NA IGREJA

Pe. Mathias Gaudron, FSSPX

  1. HÁ HOJE UMA CRISE NA IGREJA? 

Seria preciso cobrir os olhos para não ver que a Igreja Católica sofre uma grave crise. Esperava-se, nos anos 1960, na época do Concílio Vaticano II, uma nova primavera para a Igreja, mas o que aconteceu foi o contrário. Milhares de padres abandonaram seu sacerdócio; milhares de religiosos e de religiosas retornaram à vida secular. Na Europa e na América do Norte, as vocações se tornam raras, e não se pode nem mais computar o número de seminários, conventos e casas religiosas que tiveram que fechar. Muitas paróquias permanecem sem padre, e as congregações religiosas devem abandonar escolas, hospitais e asilos para idosos. “Por alguma fissura, a fumaça de Satanás entrou no Templo de Deus” – essa era a queixa do Papa Paulo VI, em 29 de junho de 1972 (1).

Sabe-se quantos padres abandonaram o sacerdócio nos anos 1960? 

No conjunto da Igreja, entre 1962 e 1972, 21.320 padres foram reduzidos ao estado leigo. Não estão incluídos nesse número aqueles que negligenciaram pedir uma redução oficial ao estado leigo. Entre 1967 e 1974, trinta a quarenta mil padres teriam abandonado sua vocação. Esses fatos catastróficos podem, com algum esforço, ser comparados aos acontecimentos que acompanharam a auto-intitulada “Reforma” protestante do século XVI. 

Há um desastre análogo nas congregações religiosas? 

Quebec, província francófona do Canadá, era, no início dos anos 1960, a região que contava, proporcionalmente, com mais religiosas no mundo. O Cardeal Ratzinger conta, enfatizando que é só um exemplo: 

“Entre 1961 e 1981, por causa das saídas, dos falecimentos e da paralisação do recrutamento, o número de religiosas passou de 46.933 para 26.294. Uma queda de 44%, que parece impossível de conter. As novas vocações, com efeito, diminuíram, durante o mesmo período, ao menos 98,5%. Verifica-se então que uma boa parte dos 1,5% restantes é constituída por “vocações tardias”, e não por jovens, a ponto de as simples previsões permitirem a todos os sociólogos estar de acordo sobre esta conclusão brutal, porém objetiva: em breve (salvo reversão de tendência muito improvável, ao menos ao olhar humano), a vida religiosa feminina tal como conhecemos não será mais que um suvenir do Canadá.”(2)

A situação não melhora hoje, e não se poderia considerar que a crise agora ficou para trás? 

Havia na França, nos anos 1950, por volta de mil ordenações sacerdotais por ano. Desde os anos 1990, não há mais de cem por ano. Havia 41 mil padres diocesanos na França em 1965. Não havia mais que 16.859 em 2004, e a maioria tem mais de 60 anos. O número de religiosos no mundo continua a diminuir(3).  Continuar lendo

DO SUMMORUM PONTIFICUM A TRADITIONIS CUSTODES, OU DA RESERVA AO ZOOLÓGICO

O Papa Francisco publicou nesta sexta (16/07) um Motu Proprio cujo título poderia apresentar uma grande esperança: Traditionis custodes, “Guardiões da Tradição”. Sabendo que se dirige aos Bispos, poderia-se levar a sonhar: a Tradição está em vias de recuperar os seus direitos na Igreja?

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Pelo contrário. Este novo Motu Proprio executa uma eliminação. Ele ilustra a precariedade do atual magistério e indica a data de expiração do Summorum Pontificum de Bento XVI, que nem sequer terá celebrado seu décimo quinto aniversário.

Tudo, ou quase tudo, contido no Summorum pontificum foi disperso, abandonado ou destruído. O objetivo também está claramente estabelecido na Carta que acompanha esta liquidação.

O Papa enumera dois princípios “sobre o modo de proceder nas dioceses”: “por um lado, prover o bem daqueles que estão enraizados na forma precedente de celebração e que precisam de tempo para retornar ao rito romano promulgado pelos “santos” Paulo VI e João Paulo II ”.

E, por outro lado: “impedir de erigir novas paróquias pessoais, ligadas mais ao desejo e à vontade de cada sacerdote do que às necessidades do “povo santo e fiel de Deus”.

Uma extinção programada

Enquanto Francisco se faz defensor das espécies animais ou vegetais em vias de desaparecimento, ele decide e promulga a extinção daqueles que estão ligados ao rito imemorial da Santa Missa. Esta espécie não tem mais o direito de viver: ela deve desaparecer. E todos os meios serão empregados ​​para alcançar este resultado. Continuar lendo

HUNGRIA PROTEGE MENORES DE CONTEÚDOS PERVERSOS

O Parlamento húngaro aprovou uma lei qualificando como crime sexual o fornecimento de material pornográfico e de conteúdo que promova a mudança de sexo e a homossexualidade a todos menores de 18 anos.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Os defensores da lei enfatizaram a necessidade de proteger as crianças e apoiar os pais, citando a necessidade de garantir “a proteção dos direitos da criança”.

As principais medidas

A lei estabelece que “a pornografia e os conteúdos que representem a sexualidade para fins próprios ou que incentive o desvio da identidade de gênero, mudança de sexo e homossexualidade não devem ser disponibilizados a menores de 18 anos”.

Além disso, as aulas de educação sexual “não devem promover a segregação de gênero, mudança de sexo ou a homossexualidade“. Além dos professores, apenas pessoas ou organizações oficialmente registradas podem dar cursos de educação sexual.

Por fim, os canais de televisão deverão afixar uma advertência “18 anos ou mais” nos filmes e programas cujos conteúdos se desviem da lei, limitando o seu tempo de transmissão entre as 22:00h e as 05:00h. Uma autoridade responsável tomará medidas se essas regras forem violadas. Continuar lendo

DISSOLUÇÃO SOCIAL, DISSOLUÇÃO RELIGIOSA

Ordo

As atuais restrições sanitárias estão dissolvendo a sociedade e o atual governo do Papa tende a dissolver a Igreja.

Fonte: Editorial da Revista Fideliter n ° 259 – Tradução: Dominus Est

As restrições sanitárias decretadas pelos governantes impuseram à população, voluntariamente ou não, uma dissolução social. As crianças, agora obrigadas a estudar sem ir à escola e seus pais obrigados a concentrarem-se no computador, tiveram que encontrar, sob o mesmo teto, o melhor modo de viver para não interferirem uns aos outros. Todos tiveram que encontrar, ao mesmo tempo e no mesmo lugar, os meios para exercerem suas ocupações completamente díspares umas das outras. O recolhimento em si mesmo tornou-se uma necessidade e o destino de todos. Eis o paradoxo: isolamento universal. Quem pode deixar de ver o terrível dilema com que somos confrontados – um totalitarismo se ergue face a uma democracia que se desintegra? Os pensadores modernos, consumidos pelo modus operandi binário favorecido pelo computador, resolvem tudo usando um algoritmo, e não saem da velha ambiguidade: a escolha entre a multidão ou a unidade. Alguns querem dar prioridade à unidade, mesmo ao custo de esmagar a multidão, enquanto outros reivindicam o contrário e permitem que a diversidade viva correndo o risco de minar a unidade. Pais de família vivenciam essa ambigüidade todos os dias! Cada um dos seus filhos requer uma atenção especial, com a qual está atento para não prejudicar a unidade de toda a sua família. Este é o princípio de todo chefe honrado: “Como são muitos os homens, cada um seguiria o seu caminho se não houvesse quem cuidasse do bem da multidão.” (Santo Tomás de Aquino) A função do poder é precisamente ordenar uma multidão, ou seja, unificá-la sem destrui-la.

O vício da modernidade consiste em ver uma contradição entre unidade e multidão. A partir daí, a primeira se opõe necessariamente à segunda e a instabilidade se torna endêmica porque essa oposição é antinatural. Em seguida, passamos de um excesso de poder para sua ausência. Manter todos em casa dá ao estado poder quase direto sobre todos. O totalitarismo unitário toma o lugar de uma democracia pluralista decadente.

Infelizmente, esse desvio revolucionário entrou na Igreja. A monarquia divina fundada por Jesus Cristo tende a se tornar uma pluralidade chamada sinodal, em detrimento do poder do Papa. Passamos da unidade para a pluralidade não apenas porque o poder do Vigário de Cristo tende a se dissolver em todos os tipos de assembleias, mas ainda mais porque a Igreja Católica está definhando através do ecumenismo em meio a um conjunto de religiões mais ou menos idólatras. Esta gangrena da Igreja de Jesus Cristo, que a priva da sua unidade fundamental, a transforma na Igreja “conciliar”. A catolicidade se tornou uma vaga universalidade sem regras, onde cada um encontra seu próprio caminho com base em seu sentimento pessoal. Eis a outra forma de isolamento universal que sub-repticiamente conduz a um poder excessivo. Continuar lendo

RAÍZES…PARA QUE FIM?

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Quanto mais um homem nutre suas raízes naturais e sobrenaturais, mais frutuoso se torna, e quanto mais frutuoso se torna, mais suas raízes se fortalecem.

Fonte: Bulletín Apostol  – Tradução: Dominus Est

Em tempos de crise, o equilíbrio humano e sobrenatural é o que enfraquece o apego aos ofícios. Certamente mais difícil de manter. O homem em crise é frequentemente um homem fascinado, emocionalmente perturbado, pronto para todos os excessos e todos os erros. Mas não é nada catastrófico: a crise, seja pessoal, familiar ou social, também pode ser uma oportunidade de crescimento. No entanto, nessa crise sem precedentes que a Igreja e a sociedade atravessam há várias décadas, surgiu um problema de equilíbrio entre os católicos. 

Como assim? 

É um cabo de guerra: de um lado, o dever de resistir aos desvios doutrinários e morais, e de outro, a necessidade de não se fechar em si mesmo. Essa tensão pode levar a duas atitudes opostas:

  • uma que consiste, em prol de uma autopreservação, a se fechar e recuar; 
  • a outra que, no desejo de agradar, quer ser “como todo mundo” e seguir a direção do vento (neste caso um vendaval muito desagradável). 

É interessante notar que basicamente essas duas atitudes procedem de um medo. A primeira atitude origina-se do medo de ser arrastado pela corrente dominante e a segunda do medo de ser marginalizado. Qual a solução então? O enraizamento, precisamente, que deve ser feito em dois níveis: natural e sobrenatural.

O enraizamento natural é composto por três elementos: o país, a família, a profissão. Quando o homem tem laços fortes nessas três áreas, ele tem o terreno fértil para seu desenvolvimento natural: Continuar lendo

ALGO ALÉM DA COMPREENSÃO

“Pois se, ao invés do que fiz naquele tempo eu tivesse formado meus seminaristas assim como eles são formados hoje em dia nos seminários atuais eu que seria excomungado.

Se tivesse ensinado o catecismo assim como ele está sendo ensinado hoje nas escolas, eu é que seria chamado de herege.

Se eu tivesse celebrado a Santa Missa do modo que ela é celebrada hoje, eu é que seria considerado suspeito de heresia e fora do âmbito da Igreja.

Isto que acontece está além da minha compreensão.

Isto significa que alguma coisa mudou dentro da Igreja.

Na hora de minha morte, quando Nosso Senhor me perguntar: “O que fizeste com seu episcopado?” O que fizeste dom sua graça episcopal e sacerdotal? Eu não quero ouvir de seus lábios as terríveis palavras: “Ajudastes a destruir a Igreja assim como os demais”.”

TRECHO DO FANTÁSTICO SERMÃO DE MONS. MARCEL LEFEBVRE EM LILLE (1976)

O ARCO-ÍRIS AMERICANO DESAFIA O VATICANO

A Embaixada dos Estados Unidos junto a Santa Sé decidiu hastear a bandeira do arco-íris durante todo o mês de junho, para celebrar o mês do “Orgulho LGBT”.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Nesses primeiros dias de junho de 2021, os romanos que passam em frente à Via Sallustiana, 49, ficaram confusos: enquanto o céu está azul, sem nenhum vestígio de nuvem ou chuva, um estranho arco-íris surge em uma das varandas de a Embaixada dos Estados Unidos junto à Santa Sé.

No caso da mensagem não ter sido clara, a embaixada comunicou imediatamente nas redes sociais: “Os Estados Unidos respeitam a dignidade e a igualdade das pessoas LGBTQI +. Direitos LGBTQI + são direitos humanos”, podemos ler no Twitter.

A decisão, na verdade, vem do alto escalão do governo Biden: algumas semanas antes, o secretário de Estado Antony Blinken, antecipando o “Dia Internacional contra a Homofobia” marcado para 17 de maio, encorajou os representantes diplomáticos americanos a hastear a “bandeira do orgulho” durante todo mês de junho.

Um mês que, no Ocidente secularizado e moribundo, já não é mais dedicado ao Sagrado Coração, mas ao “orgulho“, ou seja, à promoção da homossexualidade e da ideologia de gênero. Continuar lendo

NÚMERO RECORDE DE EUTANASIAS NA HOLANDA

Quase 7.000 pessoas foram “eutanasiadas” ou cometeram “suicídio legal” na Holanda em 2020. Um aumento acentuado em comparação com a diminuição na vizinha Bélgica.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Os comitês regionais de monitoramento da eutanásia, responsáveis ​​por monitorar essas mortes e verificar se os critérios são elegíveis a tal procedimento, registraram 6.938 mortes no ano passado, um aumento de pouco mais de 9% em relação a 2019.

O pico anterior foi de 6.585 mortes em 2017. Os números caíram para 6.126 mortes em 2018. Parece que essa diminuição estava ligada a questões jurídicas envolvendo médicos que realizam a eutanásia na Holanda e na Bélgica.

O diagnóstico de câncer foi o motivo mais comum – 5.000 casos – para solicitar a eutanásia. No entanto, deve-se destacar que em 4 dos casos, as pessoas optaram pela morte em razão do sofrimento causado pela infecção do Covid-19.

O presidente dos comitês de monitoramento, Jeroen Recourt, não se surpreendeu com esta inflação de suicídios assistidos.

Ele observou, infelizmente com exatidão, que “cada vez mais gerações consideram a eutanásia como uma solução para um insuportável sofrimento”. Acrescentou que “a ideia de que a eutanásia é uma opção em caso de sofrimento irreparável dá (às pessoas) muita paz”.

Devemos lembrar que a Holanda permite a eutanásia desde 2002: particularmente quando o sofrimento do paciente é insuportável, não há perspectiva de melhora e o paciente pede para morrer.

Descendo ainda mais na ladeira dos critérios de elegibilidade para morte, o país incluiu “condições mentais e psicossociais” como “perda de função, solidão e perda de autonomia” entre os critérios aceitáveis ​​para a eutanásia.

Em outubro de 2020, o governo anunciou que elaboraria uma legislação para permitir que as crianças se submetessem legalmente ao suicídio assistido por médico com o consentimento dos pais (LEIA AQUI).

O país também está considerando estender seus critérios de eutanásia para pessoas que não têm problemas médicos, mas que estão “cansadas de viver“.

Este desenvolvimento, que manifesta a incapacidade de uma sociedade e seus indivíduos em ajudar as pessoas mergulhadas no sofrimento, é uma demonstração em “escala real” da desumanização inelutável que se segue ao abandono da fé cristã. Este abandono foi particularmente marcado na Holanda, após a terrível desilusão que se seguiu ao Concílio Vaticano II e ao “Concílio Pastoral Holandês”.

Os fiéis, liderados por clérigos que já haviam perdido sua fé, acreditavam que podiam transformar a Igreja. O sonho deles foi destruído e eles abandonaram da fé. Esquema esse que agora ameaça a vizinha Alemanha.

MONS. LEFEBVRE PROFETIZA SOBRE A SOVIETIZAÇÃO DE NOSSA SOCIEDADE

Trecho de um discurso de Mons. Lefebvre em 22 de agosto de 1979, em Shawinigan, Quebec:

“O socialismo está fazendo progressos consideráveis, mas isso com todo o poder da maçonaria presente em toda parte, em toda parte, que está em Roma e em toda parte. A Maçonaria está em toda parte e dirige tudo. Em breve estaremos listados (conectados) com computadores, todos teremos nosso número e não poderemos fazer nada sem que tudo esteja indicado na planilha que teremos, e tudo isso pelo computador. Estaremos em uma situação pior que de um país soviético. Dirão que são países livres, mas não são países livres: não seremos mais livres para fazer nada. Imagine só, é absolutamente inacreditável.

(…)

É chocante, não podemos imaginar para onde estamos indo neste momento, em direção a uma socialização que aparentemente não nos parece tão dura como a do comunismo, mas que, no final, será simplesmente uma imagem do comunismo, mas alcançada por meios científicos ao invés da força como fizeram os comunistas, mas será similar.

Então serão eliminados da sociedade todos aqueles que não quiserem se submeter a esta ordem, a esta ordem socialista. Eles serão eliminados. Sempre haverá uma maneira de eliminá-los. Agora estão eliminando as crianças que incomodam, em breve se eliminarão os idosos. Em breve os idosos passarão por isso também, e então não será difícil dar uma injeção ou fazer qualquer coisa a alguém que está doente, que é um incômodo; os farão desaparecer. Eles os farão desaparecer da sociedade sob o pretexto de que essas pessoas são um incômodo, que não conseguem ser enquadrados nos padrões que foram estabelecidos. Estamos realmente caminhando para uma sociedade terrível, que afirma ser livre e que não terá mais nenhuma liberdade, não terá liberdade alguma”.

MONS. LEFEBVRE: NO CERNE DA “QUESTÃO ECÔNE”: O LIBERALISMO

LEFEBFRE

Em uma Carta a Amigos e Benfeitores publicada em 1975, Mons. Lefebvre explicou o que estava no centro da oposição que se manifestava contra o Seminário de Ecône: o liberalismo, por natureza contrário à Tradição da Igreja. Observações sempre esclarecedoras para compreender a implacabilidade contra a Tradição que infelizmente ainda está em andamento na Igreja.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Como explicar essa oposição à Tradição em nome de um Concílio e sua aplicação? Podemos razoavelmente, e devemos realmente, nos opor a um Concílio e suas reformas? Além disso, podemos e devemos nos opor às ordens da hierarquia que apelam ao Concílio e todas as orientações pós-conciliares oficiais? Eis o grave problema que hoje, passados ​​dez anos pós-conciliares, surge na nossa consciência por ocasião da condenação de Ecône. É impossível responder prudentemente a essas perguntas sem fazer um breve relato da história do liberalismo e do catolicismo liberal nos últimos séculos. Só podemos explicar o presente por meio do passado.

Princípios do liberalismo

Vamos primeiro definir o liberalismo, em poucas palavras, cujo exemplo histórico mais típico é o protestantismo. O liberalismo pretende libertar o homem de qualquer restrição indesejada ou aceitas por ele mesmo.

Primeira libertação: aquela que liberta a inteligência de qualquer verdade objetiva imposta. A Verdade deve ser aceita diferentemente de acordo com os indivíduos ou os grupos de indivíduos, e portanto, é necessariamente compartilhada. A Verdade é criada e buscada incessantemente. Ninguém pode alegar tê-la exclusiva e integralmente. Podemos adivinhar o quanto isso é contrário a Nosso Senhor Jesus Cristo e à sua Igreja.

Segunda libertação: a da fé, que nos impõe dogmas, formulados definitivamente e aos quais a inteligência e a vontade devem se submeter. Os dogmas, segundo o liberal, devem ser submetidos ao crivo da razão e da ciência e isso de forma constante, dado o progresso científico. Portanto, é impossível admitir uma verdade revelada definida para sempre. Notaremos a oposição deste princípio à Revelação de Nosso Senhor e à Sua autoridade divina. Continuar lendo

ENTENDENDO A INSANIDADE

Fonte: SSPX/District of Great Britain – Tradução: Dominus Est

Insanidade no mundo

Meus queridos fiéis,

Parece haver uma escalada alarmante de conflitos e insanidades em nossa sociedade atual. Um “zeitgeist” (sinal dos tempos) frenético de desequilibradas ideologias está acelerando a queda da Igreja Católica e de toda a civilização ocidental: liberalismo, feminismo, construtivismo, amor livre, ideologia de gênero, direitos reprodutivos, ambientalismo, ideologia pandêmica, teoria crítica racial e outros. 

Estes são promovidos e impostos pelos pilares do poder mundial: governos, acadêmicos, corporações multinacionais, bancos, mídia e celebridades. Nunca antes eles foram tão coordenados e sem oposição em seus esforços. A hierarquia da Igreja Católica, outrora poderosa no cenário mundial como guardiã tanto da verdade como da moralidade, natural e sobrenatural, repete pateticamente sua mensagem em linguagem pseudo-teológica para não ser deixada para trás.

Como tantos podem abraçar a insanidade? De onde vem isso?

Motivos para aceitar a insanidade

Que as novas ideologias do “zeitgeist” são insanas é fácil de ver, pois elas contêm múltiplas contradições internas e têm consequências catastróficas na sociedade quando implementadas (ver Figura 1).

Alguns realmente não se importam se o zeitgeist é um vento favorável ou desagradável, mas cinicamente abraçam múltiplas e insanas ideologias para ganho pessoal – desde que seguir a ideologia do mundo “seja bom para mim”. 

Alguns outros querem apenas prosperar no mundo e, assim, apesar de suas reservas quanto às ideologias, capitulam às suas exigências. Continuar lendo

CHILE: UM PASSO EM DIREÇÃO AO ABISMO

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Os deputados chilenos aprovaram a primeira leitura de um projeto de lei que legaliza a eutanásia e o suicídio assistido no país. O texto agora deve ser examinado pela alta Câmara. Se os senadores aprovarem o projeto de lei, o decreto de implementação deverá ser publicado pelo Ministério da Saúde no prazo de três meses.

Sobre Santiago, o céu cinzento e pesado parece ter tomado as cores do luto da tarde de 20 de abril de 2021. A Câmara dos Deputados acaba de aprovar por 79 votos a favor, 59 contra e 1 abstenção, um projeto de lei que prevê um marco legal para a eutanásia.

O texto, com 40 artigos, foi submetido ao exame dos deputados no último dia 14 de abril. Ambíguo em seu título – “Morte com dignidade e cuidados paliativos” – o projeto foi votado quatro dias depois por uma câmara situada na “centro-direita” do espectro político.

A fim de fazer os parlamentares engolirem a pílula, pacientes com transtornos mentais foram excluídos do projeto durante os debates. A futura lei será, portanto, aplicável a maiores de 18 anos, portadores “de uma doença incurável, irreversível e progressiva, sem possibilidade de resposta aos tratamentos curativos e com um tempo de vida limitado”. Continuar lendo

NA ALEMANHA, UMA PROFANAÇÃO PROVOCATIVA ANTI-ROMANA

O caminho sinodal próximo de seu objetivo

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em breve faltarão palavras e epítetos para descrever a revolta que não só ressoa na Alemanha, mas passa a atos provocativos ao desafiar a disciplina católica recentemente recordada pela Congregação para a Doutrina da Fé (CDF).

Para registro, em 15 de março, a CDF publicou um “responsum afirmando que a Igreja não pode abençoar as uniões do mesmo sexo. A breve resposta foi acompanhada por uma nota explicativa e um comentário com todas as justificativas teológicas e canônicas.

As reações que se seguiram vieram comprovar a necessidade desse ato de esclarecimento da CDF. Certos Bispos, como Mons. Johan Bonny, da Antuérpia, se mostraram particularmente virulentos .

As reações da “base” também não demoraram a surgir . Mais de 200 acadêmicos alemães protestaram acusando o texto de “falta de profundidade teológica, compreensão hermenêutica e rigor argumentativo“. Ao mesmo tempo, mais de 2.000 “pastores” – padres, diáconos, assistentes pastorais – manifestaram uma recusa declarada em cumprir.

Esta revolta sobe a um novo nível na rebelião. Um grupo de padres alemães decidiu estabelecer um dia de bênção para todos os casais LGBT +, marcado para 10 de maio, segunda-feira antes do Dia da Ascensão.

Um site foi dedicado ao que deve ser qualificado como uma profanação provocativa contra a autoridade romana, intitulado “liebegewinnt”, que pode ser traduzido como “vitória do amor”. Ele permite que os responsáveis ​​especifiquem os locais onde essas cerimônias sem nome serão realizadas.

Uma dúzia de cidades alemãs já estão envolvidas, em terras da Baviera, Baden Württemberg, Renânia-Palatinado, Renânia do Norte-Vestfália, Baixa Saxônia e Hamburgo. Haverá muita pompa com grandes bandeirolas para decorar as fachadas.

Os organizadores explicam que, face a recusa do CDF, continuarão a “apoiar as pessoas que se comprometem numa parceria vinculativa e a abençoar a sua relação”. Acrescentam que respeitam e apreciam o seu amor e que acreditam “que a bênção de Deus está com eles”.

Concluem afirmando: “Não aceitamos que uma moralidade sexual excludente e ultrapassada se realize em detrimento das pessoas e prejudique o nosso trabalho pastoral.

Mons. Franz-Josef Overbeck, Bispo de Essen, Renânia do Norte-Vestfália, entretanto, declarou que nada faria contra os padres que se propuseram a abençoar as uniões homossexuais. Basta dizer que ele não é o único e que os Bispos que se opõem a ela podem ser contados nos dedos de uma mão.

O cisma alemão está sendo consumado diante de nossos olhos.

SEITAS MAÇONICA, LIBERAL E CONCILIAR…

La franc-maçonnerie, ennemie déclarée du Christ et de l'Eglise • La Porte  Latine

A Maçonaria segue uma doutrina radicalmente oposta à doutrina do Verbo Encarnado: segue uma doutrina humana, inventada por homens como outros e propagada por eles.

Fonte: Le Chevalier de l’Immaculée n°15 – Tradução: Dominus Est

A Igreja Católica sempre se referiu à Maçonaria como uma “seita”. Esta palavra está relacionada ao verbo sequor que, genericamente significa seguir, fisicamente, caminhar em direção a.., moralmente se apegar a… [1] . Daí a palavra secta : seguimento, partido, seita. A rigor, uma seita é, portanto, um grupo de pessoas que seguem, que se apegam a um homem, sua doutrina e seus exemplos.

A Igreja Católica não é uma seita porque não segue a doutrina e as regras morais de uma pessoa qualquer, de um homem como outro qualquer; pelo contrário, está unida e fixada a uma Pessoa divina: o Verbo Encarnado, Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ela professa, portanto, uma doutrina e uma moralidade de origem divina. Mas, acima de tudo, a Igreja Católica dá ao discípulo de Cristo os meios sobrenaturais de se ligar a Ele: a fé e a graça sobrenaturais.

A Maçonaria segue uma doutrina radicalmente oposta à doutrina do Verbo Encarnado: segue uma doutrina humana, inventada por homens como outros e propagada por eles. Sua doutrina é antidogmática, liberal e permissiva. Esta doutrina é falsa, e que foi condenada pela Igreja Católica. Aqueles que adentram na Maçonaria realmente entram em uma seita, e uma seita anticristã. É por isso que a Igreja condena com a excomunhão (CDC 1917) aqueles que aderem a esta sociedade secreta cujas obediências são múltiplas e variadas. Os maçons, consequentemente, são pessoas sectárias: aqueles que defendem a tolerância em todas as áreas são insuportavelmente intolerantes para com todos aqueles que não aceitam suas ideias. Um maçom também pode ser reconhecido por sua suscetibilidade. Porque ele não suporta ser contradito.

Quando a Igreja Católica fala de liberalismo, ela ainda fala de uma seita: a “seita liberal“. Louis Veuillot não disse: “Não há sectário maior do que um liberal “? Sim, o liberalismo é sectário: “Nenhuma liberdade para aqueles que são contra a liberdade!” Eis porque que os liberais não suportam a Tradição. Quando a Igreja Católica fala de modernismo, ela fala também de seita. Não poderíamos dizer que a igreja conciliar (Mons. Benelli), que é de fato modernista, é também uma seita? Pode ser, na medida em que procura impor, de maneira autoritária, sua doutrina adulterada que não é a da Revelação, e isso em nome da missão recebida de Cristo. Porque afirma ter integrado os melhores valores de dois séculos de cultura liberal no magistério da Igreja Católica (Card. Ratzinger). Assim, sua doutrina se junta à da seita liberal e da seita maçônica. Um maçom poderia dizer que a Maçonaria permaneceu o que era, que a Igreja também permaneceu o que era, mas que agora eles tinham uma coisa em comum: a liberdade religiosa.

A única maneira de se libertar da tendência sectária maçônica, liberal e conciliar é manter a Tradição, integra e completa.

Notas F. Martin, As palavras latinas , Hachette, Paris, 1976, pp. 236-237

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 NOTA DO BLOG 1- Uma excelente Carta do Papa Leão XIII, a Humanun Genus, sobre a maçonaria pode ser lida clicando aqui.

NOTA DO BLOG 2- Alguns textos e condenações da Igreja à Maçonaria podem ser vistos clicando aqui.

NOTA DO BLOG 3- Aulas do Pe. Boniface, FSSPX, sobre a Maçonaria podem ser vistos clicando (Episódio 1Episódio 2Episódio 3Episódio 4Episódio 5Episódio 6Episódio 7Episódio 8, Episódio 9Episódio 10Episódio 11) 

NOTA DO BLOG 4- Excelentes livros sobre o Liberalismo podem ser comprados aqui:

  • A Ilusão Liberal – Louis Veuillot: aqui e aqui
  • O Liberalismo é Pecado – Pe. Feliz Sardá Y Salvany: aqui

NOTA DO BLOG 5- Sobre a Liberdade Religiosa clique aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

ENTREVISTA COM O SUPERIOR GERAL DA FRATERNIDADE SACERDOTAL SÃO PIO X SOBRE O PONTIFICADO DO PAPA FRANCISCO.

NÃO CAPITULAR PERANTE O MUNDO, MAS RECAPITULAR TODAS AS COISAS EM CRISTO

DICI : Reverendo Superior Geral, hoje faz oito anos que o Papa Francisco subiu ao trono de São Pedro e, em ocasião desse aniversário, o Sr. quis nos dar essa entrevista: muito obrigado!

Para alguns observadores do pontificado de Francisco, em particular àqueles que estão ligados à Tradição, parece que não há mais combate entre ideias: para eles, hoje é a práxis que domina – ou seja, a ação concreta, inspirada por um pragmatismo em larga escala. Que pensa o senhor?

Padre Pagliarani : Não creio que ele cometa, desse modo, o erro de opor ação e ideias. O Papa Francisco é, certamente, pragmático; mas sendo um homem de governo, sabe perfeitamente aonde vai. Uma ação de grande amplitude sempre é inspirada por princípios teóricos, por um conjunto de ideias que, muitas vezes, é dominado por uma ideia central a qual toda práxis pode e deve estar relacionada.

É necessário reconhecer: os esforços para compreender os princípios do pragmatismo de Francisco não se fazem sem tentativa e erro. Por exemplo, alguns acreditaram encontrar seus princípios de ação na teología del pueblo, variante argentina – e muito mais moderna – da teologia da libertação… Parece-me, na verdade, que Francisco se situa além desse sistema, e mesmo de qualquer sistema conhecido. Creio que o pensamento que o anima não pode ser analisado e interpretado de modo satisfatório se nos limitamos aos critérios teológicos tradicionais. Francisco não somente está além de todo sistema conhecido: está acima.

O que quer dizer com isso?

Com João Paulo II, por exemplo, apesar de tudo o que se possa deplorar, certos pontos da doutrina católica ficaram intocados. Com Bento XVI, ainda estávamos lidando com um espírito ligado às raízes da Igreja. Seu considerável esforço para conseguir a quadratura do círculo, conciliando a Tradição com o ensinamento conciliar e pós-conciliar, embora fadado ao fracasso, contudo revelava uma preocupação de fidelidade à Tradição. Com Francisco, tal preocupação não existe mais. O pontificado em que vivemos é um ponto de inflexão histórico para a Igreja: humanamente falando, as fortalezas que ainda subsistiam foram destruídas; e, paralelamente, revolucionando-se, a Igreja redefiniu sua missão perante as almas e o mundo. Continuar lendo