DA OBRIGAÇÃO DE INCUTIR CEDO A VIRTUDE À CRIANÇA

Resultado de imagem para mãe e filha pinturaJá atrás observamos que contentarem-se os pais com ensinar à criança as verdades e os deveres do cristianismo, sem lhes fazerem compreender o espí­rito, sem lhes incutirem a prática da lei de Deus, seria uma obra muito incompleta. Também, depois de ter ordenado à mãe que instruísse os seus filhos, Deus acrescenta: Cultivai-os e vergai-os sob o jugo da virtude, desde a mais tenra mocidade. É preciso efetivamente começar cedo esta cultura do cora­cão, porque é tanto mais fácil ensinar para o bem as crianças, quanto elas são mais novas e mais tenras. Além disso, as primeiras impressões que recebe a criança são as mais vivas e as que ficam mais tempo gravadas no coração. É como um vaso novo, que conserva sempre o cheiro do primeiro lí­quido que conteve. Fénelon queria que se formasse a criança para a virtude, mesmo antes de falar.

«Talvez pensem que exagero, escrevia ele, mas basta considerar quanto, nesta idade, as crianças procuram as pessoas que as afagam, e evitam as que as contrariam, e como elas sabem gritar e calar-se, para lhes darem aquilo que desejam. Pode-se, pois, coligir que elas conhecem desde então mais, do que de ordinário se imagina. Pode-se, pois, logo nessa idade por gestos, inspirar-lhes o amor das pessoas virtuosas e o horror dos defeitos que mostram as outras crianças. Esses princípios não se devem des­prezar.»

Ocupando-se com inteligência das crianças, desde os mais tenros anos, reprimindo-lhes os primeiros movimentos das paixões, implantando na sua alma, como numa terra própria, os germens das virtudes, não hesitamos em afirmar com o imortal arcebispo de Cambrai: — «Por pouco que o seu natural seja bom, podem-se tornar meigas, pacientes, firmes, alegres e tranqüilas; se, porém, se despreza esta educação na primeira infância, tornam-se ardentes e inquietas durante toda a sua vida. Formam-se os costumes; o corpo ainda tenro, e a alma sem outros recursos, voltam-se para o mal. Forma-se neles uma espécie de segundo pecado original que é a origem de mil desordens quando elas crescem. É dessa forma que as silvas nascem e crescem num campo inculto, o quanto mais fértil é o terreno, mais más ervas produz, não sendo cultivado; enquanto que o mais ingrato terreno produz frutos, sendo bem cultivado, e a árvore estéril dá frutos, sendo enxertada. Continuar lendo

NÃO HÁ PORTA FECHADA

Imagem relacionadaAborrece-se muita dona de casa porque o pó lhe entra por toda parte e lhe dificulta manter o asseio na casa. Pior do que o pó é a dor. Não há porta que possa vedar a entrada. Dores físicas, dores morais provenientes das imperfeições pessoais, das justaposições de naturezas dissemelhantes.

É teu lar feliz e risonho? Cuidado! A felicidade em chegando a certa plenitude já começa a tornar-se uma ameaça. O que importa é ter a alma preparada para os momentos dolorosos. A fortuna rodou, a pobreza tornou-se inquilina da casa, as doenças, as desinteligências chegaram de uma só vez, com bagagem e tudo – eis a hora para a esposa cristã e forte amparar o marido.

O marido, diante de tanto infortúnio, sucumbiu, já não é o mesmo homem. E justamente nessa hora nasceu a mulher, pois o ditado afirma “que o sofrimento mata o homem e faz nascer a mulher“.

Cônscia dessa missão, a esposa abafa suas dores, põe nos lábios o sorriso que alegra, põe nas mãos as sedas que acariciam as chagas. Atira-se ao dever e não admite desânimos.

– Deus foi bom para comigo, disse-me um marido, rico outrora e falido agora. Minha senhora sujeitou-se sem queixas e sem desfalecimentos às exigências da derrocada. É a primeira a ajudar-me e por nada tolera que eu desanime. Continuar lendo

ALEGRIA E BOM HUMOR

Imagem relacionadaEstranharás talvez que um religioso te estimule à alegria e jovialidade e pensarás que haveria coisas mais importantes para as quais poderia ele impelir-te. No entanto, quero mostrar-te que também a alegria é um dom de grande preço que um religioso com muita razão pode colocar em teu coração.

1º – Na alegria bem ordenada se esconde uma grande bênção

A jovialidade que te recomendo é uma pacífica e bem fundada alegria, uma irradiação da paz interna e da harmonia que residem no coração. Vem a ser, para ti, um grande bem. Desta alegria diz João Paulo: “A jovialidade é um céu sob o qual tudo prospera, menos o veneno”. Certo que é grande o encômio, mas verdadeiro. A alegria contribui para que os bons germes e disposições naturais do coração se desenvolvam do melhor modo possível.

A primavera é na natureza a quadra da alegria e dos prazeres. Quão afável e doce nos sorri o céu azul! Sobre montes e vales, derrama o sol seus raios dourados, os quais penetram até o íntimo do nosso coração! Os pássaros, com seus cantos alegres e variados, enchem a floresta! Solícita e contente, esvoaça a abelha, de flor em flor para sugar o mel. As flores ostentam sua beleza à nossa vista, amáveis crianças em trajes festivos!

Por toda a parte deparamos alegria e beleza!

Mercê desta alegria, como tudo se desenvolve e prospera na natureza! Então contemplamos o fermentar e germinar, o abotoar e florescer, como se tudo, montes e vales, estivesse cheio de uma vida nova e misteriosa. Como tudo se transforma e modifica, sob a ação do inverno duro e rigoroso, qual fantasma do terror domina por toda a parte, afugentando a fresca vida da natureza. Eis a imagem do que sucede, também, contigo, jovem cristã.

Quando permite que se apodere de ti uma disposição sombria e triste, que te domina por longo tempo, secam-se em teu coração as fontes da vida, como no inverno fenece a natureza. Torvas imagens e tenebrosas impressões descem sobre tua alma qual fria neve; teu espírito se escurece, entibia-se tua vontade e tua fantasia se povoa de melancólicos devaneios. Como poderão desenvolver-se, cheios de esperança, os bons germes, a inclinação para a virtude, que Deus te concedeu? Continuar lendo

ECONOMIA, PARA AS DONZELAS CRISTÃS

Resultado de imagem para donzela cristãO ouro e os bens temporais, principalmente, têm sem dúvida a sua grande importância para cada indivíduo, para a família e para a vida social. Se o cristão, antes de mais nada, deve dirigir seus cuidados para a consecução dos bens celestes, não pode, todavia, mostrar-se indiferente aos bens terrenos e temporais.

Há de esforçar-se por adquiri-los pelo emprego de meios lícitos e de maneira justa, deve sobretudo usar deles conscienciosamente, e de acordo com a vontade de Deus. Não pode, portanto, dissipá-los; cumpre que os empregue com economia.

Sobre a economia desejo agora dar-te uma breve instrução.

1º – A religião cristã exige de ti a economia.

A economia pertence ao número das virtudes que são mais desprezadas e criticadas. Quem não sabe distinguir devidamente a sua renda e as suas despesas e por isso nunca “chega a um ramo verde” (como dizem os alemães), é precisamente o que murmura da economia daqueles que a aconselham e os difama como sovinas. Eis porque não raro acontece que a gente se envergonha da economia e procura escondê-la quanto possível aos olhos do mundo. No entanto, ela merece, como as outras virtudes, todo apreço e cumpriria que a praticassem fiel e retamente todos os cristãos. Sim, mesmo os ricos, até os milionários, devem ser econômicos, naturalmente de maneira diversa da dos burgueses comuns.

O Cristianismo exige de todos nós uma sensata economia. Diz-nos que Deus é o altíssimo Senhor e Proprietário dos nossos bens terrenos, dos quais só nos confiou o uso e administração. Nesta administração e neste uso devemos acomodar-nos à sua vontade infinitamente santa e sábia, que sem dúvida reprova uma dissipação leviana e insensata dos mesmos bens, e que será denunciada, perante o Seu divino tribunal. Eis porque prescreve a Sagrada Escritura: “Tudo quanto entregares conta e pesa: e tudo anota do que deres e receberes”. (Ecli. 12,7). E assim nos exorta outro passo: “No tempo da abundância, lembra-te da pobreza, e das necessidades da indigência no dia das riquezas”. (Ecli. 18,25). Continuar lendo

AMOR A ORDEM E A PONTUALIDADE

Resultado de imagem para donzela cristãDeus confiou à mulher um encargo duplamente importante: santificar a família por sua vida e trabalhos, e dar aos filhos primeira educação. Cumpra ela, conscienciosamente, esse dever, e grande cópia de graças fará fluir sobre a humanidade. Para torná-la apta à sua missão, comunicou-lhe o Criador, a par de outros dons, o amor à ordem e a atenção às coisas pequenas. Exercitar retamente este amor à ordem é, portanto, um dever que Deus exigirá, principalmente dela.

A ordem agrada. Agrada, principalmente, a Deus, Deus ama a ordem, porque Ele mesmo é ordem, a mais maravilhosa e a mais amável harmonia. Unem-se nEle as três Pessoas, numa perfeita unidade de substância; nEle estão todos os atributos em perfeita consonância entre si – a justiça com a misericórdia, a onipotência com a bondade, a majestade com a assombrosa singeleza de Seu amor; todos os Seus atributos infinitos forma a unidade absolutamente perfeita do Seu Ser, numa ordem e harmonia inconcebíveis. Não há nEle a menor sombra de desordem ou dissonância.

Deus ama a ordem. Eis porque comunicou à Sua obra (a natureza) uma ordem admirável. Com quanta precisão os inumeráveis corpos celestes executam as órbitas que o Senhor lhes traçou! Que ordem surpreendente as manifesta na criação das mais pequeninas plantas e dos mais insignificantes insetos, que nós podemos examinar suficientemente apenas com o microscópio! E não estabeleceu também na Sua Igreja, uma ordem santa, uma hierarquia, por meio da qual todos os seus membros, desde o Papa até o último dos fiéis, uns a outros se ligam numa grandiosa e estupenda unidade? Suprima-se esta ordem santa, e dentro em breve perderá a Igreja sua unidade e sua força, e o Reino de Jesus Cristo se malogrará, suas partes dispersarão como o vento que espalha em todas as direções a pedra moída e reduzida a pó.

Assim como Deus ama a ordem, também tu deves ter sempre em vista um método em tua vida e nos teus trabalhos, seguindo assim a admoestação do Apóstolo dos gentios: “Faça-se tudo decentemente e com ordem”. (I Cor. 14,40).

A ordem agrada também aos homens.

Quando entramos num jardim e encontramos tudo bem ordenado, as plantas tratadas com cuidado, as árvores dispostas com perícia e inteligência, ordem e proporção, no desenho dos caminhos, dos canteiros e divisões, imediatamente e desde o primeiro aspecto sentimo-nos cheios de alegria e satisfação, e esta alegria ainda sobe de ponto à medida que dirigimos nossa atenção, para cada coisa em particular. Continuar lendo

FOTOS DA TOMADA DE HÁBITO E PRIMEIROS VOTOS DAS IRMÃS CONSOLADORAS DO SAGRADO CORAÇÃO

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Na sexta-feira, 23 de junho de 2017, Festa do Sagrado Coração de Jesus, foi realizada em Vigne di Narni, no Distrito da FSSPX na Itália, a cerimônia de tomada de hábito e profissão religiosa dos primeiros votos para, respectivamente, 2 postulantes e 3 noviças da comunidade Irmãs Consoladoras do Sagrado coração .

Duas novas noviças tomaram o hábito e receberam como nome: Irmã Maria Madelena do Amor Misericordioso e Irmã Maria Bernadette de Jesus Crucificado. Ao lado delas a irmã Marie Catherineirmã Claire e Irmã Marie Véronique fizeram seus primeiros votos.

Foi o Padre Emmanuel du Chalard, sacerdote da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Assistente do Superior do Distrito da Itália e Capelão Geral das Irmãs Consoladoras do Sagrado Coração de Jesus (que cuidam de um orfanato e uma escola na Índia) quem oficiou a cerimônia. Estavam juntos a ele uma dúzia de confrades, incluindo Pe. Alain-Marc Nély, Segundo Assistente do Superior Geral da FSSPX e Pe. Robert Brucciani, Superior do Distrito do Reino Unido .

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Há 21 anos, em 1996, quando a cooperação entre comunidade das Irmãs Consoladoras do Sagrado Coração e a Fraternidade São Pio X começou, elas eram 6 religiosas professas. No final de 2016 já eram 16 professas, 5 noviças e 2 postulantes.

– Na Casa Mãe de Vigne di Narni (Itália): 7 professas, 3 noviças e 2 postulantes.

– No Priorado de Montalenghe (Itália): 4 professas.

– No orfanato que mantém na Índia: 5 professas e 2 noviças são dedicam a 70 meninas e 10 idosos ou enfermos.

Elas são ajudadas por voluntários – muitos jovens ocidentais que oferecem vários meses de serviços no orfanato – além dos responsáveis pela cozinha e casa de manutenção, sem contar o motorista, o segurança e o responsável por cuidar de 10 vacas.

O TRABALHO

Resultado de imagem para mulher do lar“Ora et labora – Reza e trabalha!” Era esta a divisa usada por uma antiga Ordem. Quanto mais fielmente os membros daquela Ordem se apegavam a esta divisa, tanto melhor se tornava para a sua virtude e perfeição, para a sua alegria e felicidade, para o bom êxito e prosperidade de seu trabalho. Mas, isto que com proveito se aplica aos habitantes do claustro, tem também a sua repercussão para as pessoas do mundo, e para estas, talvez, com mais vantagens do que para as primeiras. Como já incuti em teu coração o amor à oração, quero agora recomendar-te o trabalho.

1º- Trabalha com fidelidade e diligência; pois o trabalho é um dever.

Já no paraíso o homem devia trabalhar, segundo a vontade de Deus. Está escrito no Gênesis (2,15): Deus, o Senhor, tomou o homem e o colocou no paraíso, para que ele o cultivasse. Aliás, o trabalho, era para o homem uma distração doce e suave. Depois da queda, Deus renovou a ordem, o preceito do trabalho. Dirigindo-se a Adão, que representava toda a humanidade, disse: Comerás o pão no suor da tua face, até que tornes a terra, donde foste tirado. (Gênesis 3, 19). Homem algum está isento da lei do trabalho, nem o rico, nem pobre, nem o rei, nem a mocidade (esta principalmente) que é a primavera da vida, o tempo da semeadura.

Na mocidade é que se deve preparar a terra, para que há seu tempo, se logre colher, com abundância: a mocidade é a quadra em que se deve cuidar da árvore, para que mais tarde não produza frutos amargos, insípidos e envenenados. Na mocidade é que se hão de aprender os meios de ganhar a vida e sustentar-se na idade futura. Se a mocidade transcorre-se na vadiagem, então está perdida, e esta perda é, na maioria dos casos irreparável, irremediável. De modo que, justamente para ti, na tua mocidade, a obrigação de trabalhar é muito séria e importante, e deverás cumpri-la conscienciosamente.

Trabalha com fidelidade e diligência, pois o trabalho é uma honra. Não é de fato uma honra o tornar-se semelhante ao divino Salvador, trabalhar, como Ele o fez? Como Jesus trabalhava com diligência e boa vontade! Na oficina de Nazaré, no decorrer de muitos anos, dia a dia, o suor Lhe gotejou de face, quando com a enxó na mão, desbastava a madeira. Continuar lendo

DONS DO CORAÇÃO

Resultado de imagem para imaculado coraçãoA castidade das jovens é de capital importância para a conservação dos bons costumes na sociedade. Se as moças guardarem, rigorosamente no trajar e em todo o proceder, decoro e modéstia, será este o melhor impulso para a moralidade. Sendo, portanto a pureza de coração do sexo feminino de tamanha importância para a moralização da sociedade, deverás gravar bem, no espírito e no coração, e seguir fielmente as normas expostas neste capítulo.

Tem sempre, em alta estima e grande amor, a castidade; pois ela comunicará à tua alma, antes de tudo, particular beleza e graça. “É, sem dúvida a castidade – como diz São Cipriano – a mais formosa flor no jardim da Igreja, o ornamento da beleza, o encanto da graça e a característica da virgem cristã. É por ela que se produzem, na Igreja, os mais deliciosos frutos, e quanto maior for o número das donzelas puras, tanto mais crescerá a alegria desta mãe espiritual”.

São Francisco de Sales escreve: “A castidade é o lírio entre as virtudes; torna os homens semelhantes aos anjos. Nada há belo que não seja puro, e a beleza do homem é a castidade”.

Muitas vezes nas agradáveis manhãs primaveris és arrebatada pelos encantos da natureza. Para onde quer que teus olhos se dirijam, alegram-se com a vida mais luxuriante; montes e vales atapetados de relva fresca banhadas pelos raios dourados do sol. A pomposa florescência das árvores de cujos galhos, cantores alados lançam no espaço, suas canções argentinas. Milhares e milhares de flores abrem as mimosas corolas, exalando suave perfume. Sim, magnífica e admirável é a terra, com seu ornato da primavera.

No entanto muito mais, bela e mais formosa é a alma juvenil que se apresenta pura aos olhos perscrutadores de Deus, não profanada pelo sopro do pecado, espargindo os fúlgidos raios da graça santificante. É tão bela, que os anjos do céu, com grande prazer, a contemplam, e o próprio Deus que com sua bondade onipotente, criou tudo o que há de belo, no céu e na terra, como que encantado com sua magnificência, exclama: “Oh! Quão formosa é a geração casta com seu brilho! Oh! Quão formosa é a geração casta com seu brilho! Imortal é a sua memória e é louvada diante de Deus e diante dos homens” (Sab, 4.1). Continuar lendo

USURPADORAS DE AUTORIDADE

Resultado de imagem para casal catolico– Escute, meu bem: eu obedecerei a você, unicamente, nas coisas que forem razoáveis e aprovadas por Deus…. – Assim me dizia minha ilustre esposa. Mas porque, ao mesmo tempo, se julgava árbitra do que era razoável e permitido por Deus, ficou minha autoridade reduzida a figura de retórica. De resto, porém, tenho uma mulherzinha adorável. Assim vem classificada por um marido a usurpadora da autoridade na família.

De fato, esta senhora achou uma boa saída para seguir a própria cabeça. Digamos, porém, que o fez para seu juízo e desdouro da sujeição cristã na família. Se os filhos a imitassem, ela veria a autoridade materna reduzida a zero. Será, por ventura, o marido incapaz de saber o que é razoável e lícito aos olhos de Deus?

Outra sorte de esposas há que usurpam a autoridade à força de meiguices e carinhos e até de caretas. Desarmam proibições, arrancam licenças, impedem ordens, porque o esposo se vende por pouca coisa.Essa abdicação feita pelo marido deixa a família à mercê de muita coisa incoveniente. Não faltam as que, de armas na mão, conquistam a autoridade. Para cada exercício de autoridade travam uma escaramuça, discutem, tomam ares de vítima, alegam a independência de outras, têm crises de nervos. Desejoso de se ver livre desses conflitos permanentes, o marido renuncia ao mando, fonte de discórdia. Prefere fechar os olhos e deixar a revoltosa seguir seus caminhos e por eles levar os filhos. Continuar lendo

O TESOURO ESCONDIDO

Resultado de imagem para violetaA violeta, flor tão apreciada e procurada, não apresenta, nas cores de suas pétalas, beleza singular que nos impressione a vista. Possui apenas uma vestimenta simples e completamente lisa. Não procura, por meio de beleza cintilante atrair sobre si os olhos dos homens, mas parece comprazer-se na sua forma pequena e pouco vistosa. Não cresce, por via de regra, nas praças públicas, onde poderia ser divisada por todos, mas de preferência em lugares escondidos, nas orlas silenciosas das matas e ao longo de cercas espinhosas; e ainda nesses lugares procura com suas folhas formar uma espécie de esconderijo, para se furtar as vistas dos transeuntes, e ocultar as suas próprias flores.

Tudo, no entanto, é em vão, pois o aroma suave a denuncia. Se alguém a descobre, não a admira, mas aprecia-a e deleita-se com sua balsâmica fragrância. Esta florzinha, pouco vistosa, mas geralmente querida, é símbolo daquela amável virtude, que tão insistentemente o Espírito Santo recomenda aos cristãos, com estas palavras: “Seja vossa modéstia conhecida de todos os homens”.(Fil., 4,5)

A humildade e a modéstia honram e ornam todos os homens, mesmo o sábio que, por sua sabedoria e seu gênio pasma o mundo; até o príncipe, que governa um grande reino. Sejam tais homens humildes e afáveis, tanto quanto lho permite a posição, e conquistarão de assalto, os corações dos seus compratiotas, granjeando por toda a parte honras e afeições entusiásticas. Mas, se a humildade convém a todo cristão, a todo homem, ela, no entanto, se ajunta principalmente aos jovens e de modo particular à donzela cristã, que deve exercitar-se na virtude, e tantas vezes há de reconhecer e dizer que é uma criatura fraca e inclinada para o mal.

Só onde se encontra a humildade, existe a verdadeira virtude; sem aquela, esta nada mais é que uma aparência vã. O rochedo que levanta orgulhoso o cabeço a uma enorme altura, lá permanece solitário e despido; em vez de reflexos dourados, não apresenta senão gelo e neve. Os campos ondulantes e auspiciosos situam-se, pelo contrário, nas planícies e partes baixas da terra. Continuar lendo

MAU HUMOR – ISSO NÃO É CATÓLICO!

Resultado de imagem para mal humorNo meio de tudo guarde a cristã seu bom humor e calma! – Faltando esse bom humor, os menores desacordos avolumam-se em conflitos e choques. Morre então a união, esfria o mútuo amor. Mau humor só presta para contagiar os outros: marido, filhos e até os animais domésticos. Gato atropelado pela manhã, devido ao mau humor da patroa, anda arredio o resto do dia. Esse “nervo” é mais contagioso do que caxumba e gripe. É belicioso, compra as briguinhas e brigonas, altera o sossego dos pacíficos, espanta o riso e provoca a solidão. Cada um procura um canto seguro dos raios, com receio das descargas elétricas do mau humor. 

O marido vai para a rua, batendo a porta quando é malcriado, ou inventando um pretexto quando é delicado. E lá na rua vai invejar os outros, que têm “esposas mansas e delicadas”. Que perigo há nessa inveja! A criançada cala-se e espia de soslaio a cara feia da mãezinha. Parece uma ninhada … orfã.

E Deus? e a sua benção e os seus anjos da paz?

Explode a força do bom humor! – eis o princípio. É ele uma chave misteriosa que abre todos os corações. Nem o pequeno amuado, nem o marido casmurro, nem a filha grevista, nem a criada vingativa resiste ao invencível bom humor da mãe e esposa e dona de casa. 

Torna-se qual ave cantora ou raio de sol espantando a solidão e as sombras. Logo a criançada interessa-se pela ave cantora, compra esse bom humor e espalha-o pela casa no sorriso barulhento das almas inocentes. Até a graça de Deus conta com esse ambiente. Bom humor, ou paciência sorridente, leitora, custe o que custar! É ele o pão de cada dia que a todo preço precisa ser quebrado para os famintos da alegria de teu lar. É moeda a ser trocada em troco miudo o dia inteiro.

As três chamas do lar – Pe. Geraldo Pires de Souza

TOMADAS DE HÁBITO E PROFISSÕES NAS IRMÃS DA FSSPX

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Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Mais de cem Irmãs – das 195 que compõem a Congregação das Irmãs da Fraternidade São Pio X estabelecidas nos cinco continentes – estavam presentes na festa de Quasimodo, neste 23 de abril de 2017 para os primeiros votos de duas noviças, a tomada de hábito de outras duas e a emissão dos votos perpétuos de três outras religiosas.

D. Tissier de Mallerais, bispo auxiliar da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, foi quem oficiou durante uma Missa Pontifical celebrada na Igreja da Abadia de Ruffec, adquirida e restaurada pelas freiras. Ele foi assistido pelos padres Christian Bouchacourt, Superior do Distrito da França como padre assistente e Patrick Troadec e Michel Simoulin como diáconos assistentes.

Em 26 de setembro de 2014, a Congregação fundada pela própria irmã de Dom Marcel Lefebvre, comemorou seus 40 anos de existência .

Deo Gratias!

INSTRUÇÃO RELIGIOSA DOS FILHOS – SUA NECESSIDADE

Resultado de imagem para mãe ensinando filhaNada mais acrescentamos acerca da instrução intelectual, porque não é essa a que hoje mais escasseia. Os pais que a não receberam na sua mo­cidade, lamentam vivamente essa falta; os que a receberam, por sua própria experiência lhe reconhe­cem as vantagens, e todos à porfia a querem procu­rar para seus filhos.

Mas há uma outra espécie de instrução, sobre que devemos mais insistir, porque é mais necessária, e mais desprezada que a instrução intelectual: que­remos falar da instrução religiosa.

É a mãe obrigada em consciência a dar ou a mandar dar a seu filho uma instrução cristã? Não hesitamos em responder: É; é a isso obrigada, é esse um dos mais graves e dos mais sagrados dos seus deveres. Em quantas passagens dos nossos san­tos Livros, reitera Deus aos pais a ordem de instruir os seus filhos nas verdades e nas práticas da reli­gião? «Instruí vosso filho para que ele vos não leve ao desespero» está escrito no livro dos Provérbios. E noutra parte: «Instruí vosso filho, e educai-o com cuidado, afim de que vos não cubra de confusão». E ainda num outro sítio: «Instruí vossos filhos, e desde a sua mais tenra idade, vergai-o sob o jugo da lei de Deus». Os santos doutores, intérpretes da palavra divina, dizem aos pais, com S. João Crisóstomo: «Não te esforces em fazer do teu filho um sábio, mas fá-lo instruir, de forma a fazer dele um cristão. Vós sois, ó pais, os apóstolos de vossas famílias, perten­ce-vos governá-los e instruí-los». Os vossos lábios são os livros onde os vossos filhos devem encontrar o conhecimento dos seus deveres de cristãos.

«Sem a fé, disse o grande Apóstolo, é impossí­vel agradar a Deus» e, por conseguinte, sem ela, é impossível à criança viver da vida da graça. Mas como terá fé essa criança, se não foi instruída nas verdades reveladas? Além disso, a fé sem as obras, é morta, e incapaz, por conseguinte, de abrir o Céu a ninguém. É pois necessário que a criança, ao mesmo tempo que aprende as verdades da fé, seja formada na prática dos deveres, que ela impõe. Continuar lendo

A FIDELIDADE AOS PAIS

Resultado de imagem para mães e filhas modestiaConforme a vontade de Deus deve antes de tudo dedicar aos teus pais amor e fidelidade. São Jerônimo refere-se um belo exemplo desta fidelidade na vida da Santa Eustáquia, filha de Santa Paula, notável dama romana. Segundo conta, ela portou-se em tudo, como boa filha, ternamente amorosa para com a sua mãe. Amava a mãe de todo o coração e se empenhava por imitá-la em todo o bem.

Assinalavam-se, constantemente, por uma voluntária e pontual obediência, e cumpria-lhe prazerosa os menores desejos. Sempre ficava satisfeita, quando podia proporcionar-lhe alguma alegria. Seu maior gosto era permanecer em sua presença e assisti-la, com incansável dedicação e ilimitada diligência, tanto nos dias de saúde, como nos de doença, até o derradeiro momento de sua existência. Tais foram às disposições e o procedimento de uma filha verdadeiramente boa, que tu, donzela cristã, deverás ternamente imitar.

Sim, cumpre com absoluta fidelidade, os teus deveres para com teus pais que, segundo a determinação de Deus são os teus maiores benfeitores. Lembra-te, por um instante que tudo deve agradecer a teus pais. Vê quanto por ti se afadigou teu pai, no decorrer de muitos anos. Todos os dias, pela manhã, erguia-se do leito e, depois de curta oração, encaminhava-se para os duros trabalhos de sua profissão. Quantas pesadas gotas de suor derramou para satisfazer às suas obrigações! Quantas vezes sentia que as forças ameaçavam abandoná-lo, e as mãos denunciavam cansaço! Sem embargo, o pensamento em ti, o amor por ti, estimulava-o sempre a continuar o trabalho, não obstante toda a fadiga.

Enumera, se puderes, os penosos passos que deu por ti, as muitas alegrias e prazeres de que se privou para que nada te faltasse, os gastos incalculáveis que fez para que tivesses o necessário e te instruísses convenientemente. Contempla os duros calos de suas mãos, os sulcos de sua fronte, a gravidade que lhe transparece na face e em todo o ser – tudo isso te fará lembrar uma infinidade de incômodos e cuidados que teu pai suportou por tua causa. Interpela, depois tua mãe, sobre o que tem feito. Responder-te-á: Minha filha, não te posso narrar, é impossível. Horas e dias consecutivos trouxe-te em meus braços, acalentei-te ao meu coração e velei-te no berço; cumulei-te de carícias, antes que tu as pudesses compreender. Tu me fatigaste, muitas vezes; longas horas me roubaste ao repouso noturno pelo qual suspirava e do sono de que eu tanto necessitava. Sustentei a tua fraca vida, alimentei-te e tanta coisa suportei, até que pudesses falar, andar e de algum modo agir por ti mesma. E, que de cuidados eu não sentia por tua vida, quando ela de qualquer modo corria perigo! Como eu oscilava entre a angústia e a esperança, esquecendo o comer e o beber, quando alguma doença te retinha no pequeno leito.
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O RESPEITO HUMANO

Resultado de imagem para filhas de mariaDistinta e rica dama desejava adotar uma filha de Maria, cujo procedimento lhe agradava sobremaneira. Mas estabeleceu como condição que se retirasse da associação mariana e depusesse a medalha da Mãe de Deus. Firme e resoluta, embora gentil e cortês, respondeu a donzela que a esta exigência não satisfaria por nenhum preço: preferia ser filha de Maria, a se tornar rica e notável.

A dama encontrou nesta franqueza e firmeza tanta satisfação, que tomou consigo a jovem e – o que é mais notável – adotou-a para sua própria santificação. O bom exemplo da moça reconduziu-a a piedade e à virtude. Se esta filha de Maria, no seu covarde respeito humano, tivesse satisfeito à exigência da rica dama, mui provavelmente, não voltaria esta para Deus, mas cairia na indiferença religiosa.

Eu desejaria animar-te, jovem cristã, a imitares a firmeza desta filha de Maria, e a jamais te tornares infiel a Deus e aos teus deveres, por causa do respeito humano.

1º – Contentar a Deus, há de ser sempre tua principal preocupação.

“Teme a Deus e observa os seus mandamentos, porque nisto está o homem todo” (Ecl. 12,13). Lembra-te de que Deus é Teu soberano Senhor, a quem tudo deves agradecer e de quem dependes em qualquer circunstância; reflete que dentre poucos anos deverás comparecer perante Ele, que será Teu reto Juiz, a fim de lhe prestar contas de toda a tua vida, e que da Sua sentença dependerá a tua eternidade.

Pondera, ainda mais, que os homens são criaturas frágeis, as quais hoje possuem a vida e amanhã desaparecerão no túmulo, e que da grandeza e fausto do homem mais rico, mais honrado e mais célebre, nada mais restará, senão um punhado de terra e pó. O Padre Clemente Hoffbauer, a um senhor importante, que se ufanava da sua distinta posição, quis um dia fazer-lhe ver o que é o homem. Curvando-se para o chão, tomou um pouco de pó na mão e mostrou-lho com as seguintes palavras: “Vede, isto é o homem, uma mão cheia de pó!” Continuar lendo

AMA A TUA MÃE

Resultado de imagem para nossa senhora menino jesusO conhecido jesuíta Alexandre Baumgartner viajava certa vez com dois companheiros pela Islândia. De uma feita tiveram de pernoitar numa quinta, pertencente a uma família protestante, onde foram servidos de maneira modesta e simples, mas sincera e leal. No momento de separação, o Pe. Geyer, um dos companheiros de Baumgartner, convidou a senhora da casa a escolher como lembrança uma das três imagenzinhas que lhe foram apresentadas: a de Cristo, a da Mãe de Deus, e a do Anjo da guarda. A senhora fixou bem as três imagens e escolheu a da Mãe de Deus. Perguntou-lhe então o Pe. Geyer se ela venerava também a Maria. Sem delongas respondeu a protestante: “Certamente, pois Ela é a Mãe de Nosso Senhor!”

Se essa mulher que não tinha a felicidade de pertencer à nossa Igreja Católica, possuía tais sentimentos para com a Bem-aventurada Virgem Maria, não se esforçará uma boa católica, muito mais ainda, em honrá-lA fielmente e com todo o zelo? Faze-o também e alcançarás muitas bênçãos.

1º- Venera, fielmente, a Bem-aventurada Virgem Maria, por Sua relação íntima com o Salvador.

Nenhum homem, por mais perfeito, nenhum anjo, ainda o mais puro e mais elevado, esteve em relação tão intima e tão estreita com Deus como a Virgem Maria. O Filho Eterno e consubstancial de Deus, quando assumiu no tempo a natureza humana para nossa salvação, A escolheu para Sua verdadeira Mãe carnal. Ela trouxe, portanto, em Seu seio virginal Aquele que o Céu dos céus não pode conter; deu à luz, no tempo, Aquele que desde toda a eternidade foi gerado pelo Pai Celeste; recebeu diariamente em Nazaré provas de reverência e obediência Daquele cujo aceno obedecem os anjos do céu.

Ela se acha numa relação toda singular e extraordinária para com o Divino Salvador; criatura alguma pode nisto equipar-se a Ela. Se amamos a Jesus Cristo sobre todas as coisas, se Ele é nosso tudo, como realmente deve ser, porventura não será também Maria digna de veneração toda particular? Objetos que se relacionam com o Divino Salvador apenas de modo extrínseco e transitório têmo-lo nós os cristãos por santificados; pensamos, com amor e veneração na Sua Gruta; na Sua Cruz e no Seu Sepulcro. Maria, que conviveu com Ele, na mais íntima relação que podemos imaginar, não será mil vezes mais digna da nossa veneração?
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ASSEIO E ARTE

Resultado de imagem para MÃE CATOLICAAgradável pelo asseio e pela arte; quente e acolhedor pelo teu devotamento; confortável pela ordem e trabalho – farás de teu lar uma – atração e uma saudade.

Não se discute que a falta de asseio desacredita uma dona de casa. Que se refira esse desasseio à casa ou à pessoa de sua dona, é a mesma coisa.

A beleza e asseio de uma casa influem sobre a moral do homem por causa de certa força secreta. Numa casa bem asseada, ordenada, inundada de luz, exercita-se a vigilância, a linguagem e os pensamentos são mais cultos, o caráter é mais alegre.

O contrário se dá em caso de desasseio. É funesta a influência que sobre a família exercem a sujeira e a desordem de uma casa. As idéias, os sentimentos, os costumes ficam num nível baixo.

Por isso, leitora, teu princípio rezará: asseio, custe o que custar. Não temas a luta com o marido e com os filhos para obrigá-los a amar e praticar o asseio. Roupas, sapatos, móveis, utensílios de cozinha, escadas, varandas, hall, jardim, quartos, salas – tudo terá o brilho da limpeza.

O cansaço imposto para manteres o asseio, em tudo e em todos, é um cansaço por Deus. É um mérito que adquires como educadora. Além disso, esse trabalho te prenderá à casa, livrando-te do ciganismo das ruas e lojas. Continuar lendo

DOS RECREIOS

Resultado de imagem para recreio criançasO trabalho e a aplicação das crianças devem ser interrompidos por meio de recreios, e animados por meio de recompensas.

Não pode o arco conservar-se sempre retezado, dizia S. João ao caçador, que parecia censurar-lhe a sua distração, quando caçava uma perdiz. Mas é principalmente às crianças que uma longa tensão de espírito é funesta ou impossível; é preciso, pois, procurar-lhes momentos de descanço, que ao mesmo tempo que recreiam o espírito, fortificam e avigoram o corpo. — «Afinal, o cuidado que se tomar em mes­clar de prazer as ocupações sérias, servirá de muito para afrouxar o ardor da mocidade pelos divertimentos perigosos. A sujeição demasiada é que ori­gina a impaciência pelos divertimentos, disse Fénelon. Se uma menina se não enfastiasse de estar junto de sua mãe, não teria tanta vontade de lhe fugir, para ir procurar companhias que lhe podem ser prejudiciais.» Todavia nada seria mais perigoso para a criança do que um descanço ocioso e sem vida; longe daí encontrar a alegria e o ardor para o estudo, apenas conseguiria ganhar costumes impróprios, e talvez mesmo viciosos. 

— «É ordinariamente um mau indício, quando uma criança não folga, ou não gosta de brincar», diz Mgr. Dupanloup. Mas um recreio bem escolhido, um exercício mode­rado do corpo aumenta a atividade do espírito, e preserva das incitações para o vício. Mas os recreios só produzem estes resultados, quando não são demasiadamente prolongados. O nosso corpo, se lhe con­cedemos algum descanso no trabalho, torna-se mais vigoroso, e mais bem disposto, enquanto que um longo descanso apenas o torna fraco e preguiçoso. O mesmo sucede ao espírito: uma curta recriação excita-o, e uma longa inação fá-lo cair no torpor. «Nos divertimentos, é conveniente evitar as socie­dades suspeitas; nada de rapazes juntos com rapa­rigas» disse sem rodeios Fénelon. Já muito tempo antes dele, dizia S. Jerônimo, escrevendo a Gaudêncio: «Não permitais que Pacatula brinque senão com meninas como ela, de forma que nunca saiba brincar com crianças doutro sexo, nem mesmo que assista aos seus divertimentos.» Como já acima dis­semos, Pacatula apenas tinha sete anos. Continuar lendo

O AUGUSTO SACRIFICIO DA MISSA

Resultado de imagem para missa véuCom muita razão diz o Pe. Martinho de Cochem: “Assim como sol sobreleva em esplendor a todos os planetas e é mais útil à terra do que todos os astros reunidos, assim também a piedosa assistência à Santa Missa sobrepuja, em merecimentos e utilidade a todas as nossas obras”.

Outro Padre afirma: “Se todas as criaturas do mundo fossem outras línguas, que louvassem e exaltassem ao Criador; se tudo quanto se acha entre o céu e a terra, desde o ser mais ínfimo até o mais elevado, apregoassem em altos sons o nome de Deus, tudo isso agradaria ao Senhor infinitamente menos do que a Hóstia consagrada, que na Santa Missa se levanta em sublime holocausto de adoração e amor”.

Jesus Cristo nos remiu sobre o Gólgota e nos mereceu todas as graças.

Ela tem, portanto, um valor infinito e não poderás jamais apreciá-la devidamente. Seja-me, pois, lícito pedir-te com empenho que quando tiveres tempo e oportunidade, assistas diariamente a ela, o que te será de grande proveito.

1º- Se assistires freqüentemente, com piedade, ao santo Sacrifício da Missa, pecarás menos.

Na santa Missa, o Divino Salvador te manifesta, por assim dizer, as suas sagradas chagas e te faz esta advertência: contempla o Meu corpo lacerado, fixa o teu olhar sobre minhas fundas e hiantes chagas nas mãos, nos pés, e no lado; olha para a minha cabeça coroada de espinhos; medita sobre a minha morte dolorosa da Cruz; vê, tudo isso, eu padeci por causa dos pecados teus e de todos os homens. Pondera, ainda, quão grande mal é o pecado aos olhos de Deus, pois, somente por meio da minha morte pode ser expiado.

Se com tais pensamentos sobre a dolorosa Paixão do nosso Divino Salvador assistires, freqüentemente, ao Santo Sacrifício da Missa, não se apossará necessariamente, pouco e pouco do teu coração um grande horror, um ódio vivo ao pecado? Não andarás depois acautelada e vigilante, a fim de te preservares dele? É o que indica a experiência de cada dia. Demonstra, ainda que as jovens, que até nos dias úteis, freqüentam a santa Missa, quando podem, premunem-se contra os devaneios e pecados em que a mocidade feminina cai facilmente, porque se priva daquele santo exercício. Continuar lendo

DA INSTRUÇÃO INTELECTUAL

Resultado de imagem para george dunlop leslie alice in wonderlandPassemos agora das considerações gerais, que acabamos de fazer, aos diversos ramos de educação, que são: a instrução, a vigilância, a correção, o bom exemplo, e a oração.

A instrução intelectual faz muita diferença da instrução religiosa. Falemos primeiramente da ins­trução intelectual.

Quem poderá contestar-lhe as preciosas vanta­gens? A criança sem educação é muito difícil ensi­nar, de modo a ficar compreendendo, as verdades que deve saber, como cristão. Também a ignorância de tudo quanto diz respeito a salvação, acompanha ordinariamente, sobretudo no campo, a falta de ins­trução. Além disso, quantas carreiras ficarão para sempre fechadas a criança, de quantos empregos será ela excluída, se não for instruída! A ilustração enfim torna o estudo possível e fácil, e adiante tra­taremos das vantagens de que o estudo é fecundíssima origem.

Como, pois, desculpar essas mulheres negligentes, que longe de darem a seus filhos uma instrução de harmonia com a sua condição, deixam a sua inteligência sem cultura, e condenam-nos a mirrar-se toda a vida na ignorância? Se se trata de mandar os filhos; para as escolas, não sabem impôr-se nenhuma pri­vação, e recuam diante dos mais insignificantes sacrifícios. Não julgam necessário dar ao filho senão os conhecimentos indispensáveis para a profissão, que mais tarde hão de abraçar. É certo que não simpatizamos com esses pseudo-sábios, que tendo uma instrução medíocre, ostentam um louco orgu­lho; mas quereríamos que todos os filhos do povo, sem excluir as raparigas, aprendessem a ler e a es­crever corretamente e as operações elementares de aritmética. Era para eles o necessário.

Nas famílias mais elevadas, os pais gostam de ornar o espírito dos filhos de todos os conhecimen­tos úteis. Não contestamos esse zelo. Quem quiser saber o que a este respeito pensava Mgr. Dupanloup, leia a sua obra acerca da Educação. Continuar lendo

SAGRADA COMUNHÃO

Resultado de imagem para moça comunhão véuLembra-te ainda muito bem do belo dia da tua primeira Comunhão. Que profunda comoção se apoderou de teus queridos pais naquela ocasião! Que é que os sensibilizava tão intimamente o coração? Era o pensamento de que naquele dia uma grande felicidade te ia ser concedida, porque o Divino Salvador, pela primeira vez, entrava em teu coração infantil e te enriquecia com graças preciosas. Teus pais tinham toda a razão! O dia da Comunhão é, sem dúvida, um dia de bênçãos, e isto se diz não somente da primeira Comunhão, senão também de cada uma das que se seguem, contanto que seja recebida digna e piedosamente.

1º- A Sagrada Comunhão te robustece e dá forças contra os perigos que ameaçam a salvação da tua alma.

É justamente no tempo da mocidade, que podem invadir-te numerosas tentações e perigos. Instalam-se, no coração inexperto nesse período de transição todas as espécies de agitações e inclinações que o querem impelir as veredas do pecado. Vêm de fora sugestões perigosas que, justamente nesta quadra, são numerosas. A donzela freqüentando a companhia de outras, ouve conversas levianas que corrompem o coração puro, ou lançam o desprezo e a zombaria sobre a doutrina e a organização cristã!

Quão perniciosamente atua a liberdade de costumes na mocidade, que já não permite se lhe fale de outra coisa! Como são sedutores os exemplos das paixões e abundantes as ocasiões de tornar a vida agradável, cômoda! Como é corrosivo o veneno que inúmeros livros e revistas instilam no coração da mocidade! Sobremodo funesto e pernicioso pode tornar-se para uma donzela, e às vezes por toda a vida, o capitular-se, na presença do perigo e submeter-se ao seu mau influxo. Talvez já tiveste ocasião de observar como toda a esperança, que se deposita numa árvore magnificamente florida, fica inteiramente destruída por uma geada noturna ou por um granizo. Coisa semelhante acontece também com muitas jovens nas quais os pais e parentes depositavam grande esperança. Quão amarga foi à decepção destes! Quão triste lhes saiu e experiência com sua filha que, nesta contínua agitação do mundo, veio a ser cada vez mais leviana! Continuar lendo

OS INIMIGOS DA OBEDIÊNCIA DA ESPOSA

Resultado de imagem para casal catolico1º – É uma indignidade a servidão de um cônjuge para com outro. Pois são iguais os direitos de ambos. A esposa há de viver emancipada. Três são os modos dessa emancipação: social, econômica e fisiológica.

R – Todos os que empanam o brilho da fidelidade e castidade conjugal, atiram por terra também, facilmente, a confiante e nobre sujeição da mulher ao marido. Esta não é a verdadeira emancipação da mulher, nem a digníssima liberdade que compete ao nobre e cristão ofício de esposas. Muito ao contrário, é a corrupção do caráter próprio à mulher e da sua dignidade de mãe. É o transtorno de toda sociedade familiar, pelo qual ao marido se tira a esposa, aos filhos, a mãe, e ao lar, a dona vigilante.

Essa igualdade antinatural só acarreta danos à mulher, pois a faz descer do trono em que o Evangelho a colocara dentro dos muros do lar.

2º – Nas inovações sobre os direitos políticos, sociais e econômicos da mulher, basta ter em vista as correntes ideológicas dos tempos, as exigências da ordem social.

R – Não; tenha-se em conta o que reclamam a índole diversa do sexo feminino, a pureza dos costumes e o bem comum da família… A sociedade doméstica foi estabelecida por uma autoridade mais excelsa do que a humana. Por conseguinte, não pode ser mudada nem por leis públicas, nem por preferências privadas.

As três chamas do lar – Pe. Geraldo Pires de Souza

A PENITÊNCIA

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Foi uma palavra da onipotência divina a que o Divino Salvador pronunciou: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados e àqueles a quem retiverdes, ser-lhe-ão retidos”. (Jô. 20,23). Contra esta palavra, pela qual Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Penitência, levantou-se uma oposição multissecular; todas as paixões se insurgiram contra ela. No entanto, para o Divino Salvador e Sua palavra nenhum obstáculo existe. É assim que, a despeito do mais encarniçado ataque dos inimigos de Cristo, em todo o mundo, aí permanece o Instituto da Penitência. Ainda hoje, milhares de cristãos confessam humildemente seus pecados no Tribunal da Penitência e se fortalecem por meio deste sacramento, contra a tentação e más inclinações. Também tu, donzela cristã, faze por que nada te embarace de freqüentar o tribunal da penitência. Confessa-te muitas vezes, pois, isto te será sumamente salutar.

1º- A confissão freqüente levar-te-á ao conhecimento de ti mesma.

Sem o conhecimento de si próprio, não há regeneração, não há combate às más inclinações. Eis porque é muito triste que tantíssimas almas não se conheçam a si mesmas. Conhecem os personagens e os acontecimentos da história dos povos; sabem descrever as montanhas e os rios dos países estrangeiros; todavia, o seu próprio interior é para elas uma região estranha, da qual não possuem nenhum conhecimento. Se alguém lhes chama a atenção para alguma falta, logo se mostram admiradas, agastadas de que se faça delas tal conceito; enquanto outras, que muitas vezes se deixaram arrastar para essa falta, dela não têm absolutamente nenhuma idéia ou lembrança.

A confissão freqüente, portanto, facilita-nos sobremodo, o tão importante conhecimento de nós mesmos. Se cada vez, por ocasião da confissão freqüente, diriges a teu coração um olhar sério, não verás acaso, as profundezas e não se tornarão os olhos de teu espírito penetrantes, de tal modo, que muitas coisas, as quais à primeira vista permaneciam ocultas, pouco a pouco se manifestam no seu verdadeiro aspecto? Continuar lendo

NOVA PÁGINA EM NOSSO BLOG – MODÉSTIA

Devido à importância desse assunto nos meios tradicionais católicos, porém tratado de forma tão secundária nesse mundo moderno e também na “igreja conciliar”, criamos uma Página exclusiva com todos os posts que publicamos sobre Modéstia, para que as moças possam adquirir conhecimento sobre tal virtude e para que possam buscar sua santificação.

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Rezemos para Nossa Senhora auxilie essas moças na busca e compreensão das virtudes necessárias para serem boas filhas, boas esposas e boas mães, se portarem como verdadeiras católicas e que possam, principalmente, ser exemplos de humildade, castidade, piedade e pureza.

DA DURAÇÃO DA EDUCAÇÃO

Resultado de imagem para escola catolica«Os cuidados, as solicitudes paternas e maternas não devem cessar, nem mesmo afrouxar, quando está prestes a findar a educação; porque a missão do pai e da mãe está longe de findar neste momento; é mesmo então que começa para ambos o mais sério dos deveres, o que é ao mesmo tempo o mais difícil, e o mais necessário para cumprir. E todavia sob a influência das preocupações mundanas, e também não sei porque temor pusilânime, porque triste sen­timento da sua fraqueza, a maior parte dos pais imaginam ter terminado o seu dever; depois costu­mam dizer de si para si que a educação acaba com o colégio, que um jovem de dezoito anos ou já está educado, ou nunca o estará, que não se pode já obrigá-lo, nem constrangê-lo, que seria fazer mais mal, do que bem, etc., etc. Quem não tem ouvido dizer tudo isto? E é sobre todos estes belos pretextos, que eles abdicam definitivamente toda a sua autori­dade paterna!» [1]

O filho do povo é quase totalmente subtraído à influência materna, desde que completa os qua­torze anos; mandam-no para a cidade, ou aprender algum ofício, e ninguém mais se ocupa dele. Ou então, se fica sob o teto paterno, é inteiramente senhor das suas ações, e a mãe não se atreve nem a repreendê-lo nem a instrui-lo. Insensatos pais! Aban­donais a si próprios os vossos filhos, no momento em que as paixões começam a fazer-lhes sentir o seu tirânico império, e quando por conseguinte mais precisavam de serem retidos por uma mão firme e segura! — «Não é nesta idade que deveríeis firmar a vossa autoridade com nova força e carinho, para acabardes uma educação que os perigos do mundo, a mocidade e as paixões tornam mais necessária que nunca? Dizem muitas vezes para se consolarem: Deixem passar os verdores da mocidade! Pois bem, eu, exclama o ilustre bispo de Orleans, nunca o pude assim pensar, e nada me parece mais doloroso que as loucuras da mocidade, nem entre as coisas tristes, que nos fazem muitas vezes chorar, sei de nada que despedace mais o coração»[2].

Pouco importa começar bem, o que tem de acabar mal. O campo cultivado com cuidado, torna-se estéril, se lhe desprezarem depois a cultura. É em vão que se lança à terra uma boa semente, embora ela depois germine, se antes da ceifa, a zizania abafar o grão. Se deixais secar, pelo sopro ardente das paixões, o gérmen de salvação, deposto na alma de vosso filho, tereis perdido, ó mãe, a vossa primeira solicitude e os vossos primeiros tra­balhos; e conceder-vos-á Deus a recompensa, Ele que não promete a coroa, senão a quem combate até ao fim? Continuar lendo

A COQUETEIRA

Resultado de imagem para moça modestaOutro perigo do mundo consiste em levar aquelas que lhe querem agradar a se ataviarem com um luxo de vestuário extravagante, e a caírem na coqueteria, ou garridice, que é um desejo extremado de agradar pelo abuso dos enfeites. As jovens das classes mais modestas não estão isentas desta miséria!

O grande Fénelon temia muito este perigo para as jovens; por isso, no seu livro sobre a Educação, escreve:

Nada temais tanto como a vaidade nas meninas: elas nascem com um desejo violento de agradar… aspiram à beleza e a todas as graças exteriores, são apaixonadas pelos adornos. Um chapéu, uma ponta de fita, um cacho de cabelo mais alto ou mais baixo, a escolha de uma cor, são para elas outros tantos negócios importantes.”
E esse defeito não se acha só numa certa sociedade, encontra-se mesmo entre as que fazem profissão de vida séria. Toda mulher é naturalmente coquete, ou faceira, andaria errada negando-o.

A maioria das mulheres, diz Luís Veuillot, ficam na terra entre a graça e o pecado, que as disputam e que elas talvez sonhem conciliar. Na missa pela manhã, no baile à noite; querendo agradar e temendo agradar demais, sentindo este receio pela manhã mais do que à noite; mas dispostas, à noite, a arriscar-se a agradar demasiado do que a resolver-se, pela manha, a não agradar absolutamente; mui fácil e mui sinceramente tocadas de arrependimento, quando percebem que agradaram demais, porém de um arrependimento que não é sem doçura e sem um pouco de vontade de recomeçar.”

Aí está, pois, uma verdade que poderá desagradar, talvez, mas que é preciso ter a coragem de afirmar. Santo Ambrósio já dizia às mulheres do seu tempo: “Vede essas matronas que pintam o rosto porque receiam não agradar. Querem corrigir a natureza, e por isso mesmo se julgam e se condenam. Porquanto, ó mulher, que juiz mais sincero da tua fealdade teremos nós do que tu mesma que receias mostrar-te tal qual és? Se és bela, porque te disfarças? Se és feia, porque mentires aos olhos, no desejo de pareceres o que não é?” Continuar lendo

A SIMPLICIDADE

Resultado de imagem para moça modestaUm dia os Apóstolos discutiam para saber qual deles teria o primeiro lugar no reino dos céus. Tomando então uma criança, Nosso Senhor colocou-a no meio deles, e depois disse: “Em verdade vos digo, se não vos fizerdes semelhantes a esta criança, não entrareis no reino dos céus!”

Que é que mais notamos na criança? Não é a candura, a simplicidade? Ela não tem nenhuma astúcia, diz o que pensa, acredita o que lhe dizem, anda simplesmente, francamente, direitinho. Eis aí o vosso moldelo.

1º – O que é a simplicidade

Poder-se-ia defini-la: uma virtude pela qual se vai direito a Deus, direto à verdade, direto ao dever.

a)Ir direto a Deus

Quer dizer não ver em tudo senão a Sua santa vontade, sem se preocupar com o juízo dos homens. Tudo por Deus! Ele é o princípio e o fim das nossas ações; deve-se viver como se houvesse só Ele e nós neste mundo. A alma simples vai a Deus “direto como uma bala de canhão“.

b)Ir direto à verdade

Como Nosso Senhor nos ensina quando nos recomenda falarmos assim: “Isto é, isto não é, tudo o que se acrescenta bem do Mau”, deveríeis ter a tal ponto essa franqueza, que a vossa palavra equivalesse a um juramento! É tão belo achar uma pessoa bem franca e ler-lhe toda a alma no olhar claro e límpido!

c) Ir direto ao dever

É sacrificar tudo por Ele. O dever é uma coisa sagrada, é a senha! Deve-se ir a ele através de tudo, e lançar-se nele com toda a alma, com todo o coração, mesmo se o sofrimento ou a dor deverem achar-se no caminho. Continuar lendo

DAS CASAS DE EDUCAÇÃO

Resultado de imagem para escola catolica«Entre todos os deveres que a autoridade pa­terna impõe a um pai e a uma mãe, nenhum co­nheço mais grave, escreve Mgr. Dupanloup, que o de escolher – os mestres a quem deve ser confiada uma parte desta santa autoridade.»

A mulher do povo, especialmente a que habita nas aldeias, não pode ordinariamente enviar o seu filho senão à escola paroquial; as mais das vezes é difícil mandá-lo a outra freguesia vizinha. Como apreciar devidamente os serviços prestados à Igreja e à sociedade, por religiosos e religiosas, que con­sagram a sua vida a instruir o filho do povo, e a educá-lo no amor, e no temor de Deus? Que mulher cristã não seria feliz, confiando-lhe o seu filho ou filha? E onde poderia ela encontrar uma dedicação mais desinteressada e mais sincera?—«Para ser professor de instrução primária, disse o grande his­toriador Thiers, é necessária uma humildade e uma abnegação, de que um leigo raras vezes é capaz: é preciso o padre, o religioso; o espírito, a dedicação leiga não são suficientes!» Se acontecesse, — o que Deus não permita —, que uma criança não pudesse ir à escola, sem expor a sua fé, e a sua inocência, seria infinitamente melhor que ela não abandonasse o teto da sua choupana. 

As próprias escolas, onde se não ensina a religião, nem as virtudes cristãs, não podem bas­tar à educação da infância. Toda a escola mista de crianças de ambos os sexos oferece perigos que uma mãe deve temer. E é por ventura necessário que o agricultor mande o seu filho para o colégio? Essa criança não deixará daí encontrar a saudade da vida dos campos, e depois de acostumado, vol­tará com ares de gran-senhor. Achamos natural e necessário que o vosso filho aprenda a ler, a escre­ver e a contar, e é isso mesmo que ele aprenderá na escola da sua aldeia; mas que fique cultivador, como seu pai, que é o melhor partido que pode tomar. Também achavamos razoável que as mães de família do campo não mandassem a suas filhas como pensionistas, para estabelecimentos, donde elas voltam, falando francês, usando chapéu, sabendo bordar a ouro, a canotilho e a cabelo, mas despro­vidas dos conhecimentos usuais mais necessários. Longe de nós, todavia, censurar as mães que confiam os filhos a um colégio, dirigido por religiosos ou religiosas, onde essas crianças estão ao abrigo dos perigos do mundo. Continuar lendo

O DIA DO SENHOR

Resultado de imagem para moça modestaUm dos Santos Padres da Igreja denominou o domingo:“Rei e Príncipe de todos os dias”. Outro opina que a vida sem domingo seria um grande deserto sem oásis. Certamente seria uma vida triste. Pode-se dizer que o domingo é como que a raiz da semana. De uma raiz boa e sã, brotam também galhos, folhas, flores e frutos sãos e bons. De modo análogo, a um domingo cristãmente festejado, sucede uma semana inteira de cunho cristão. Consiste a vida do homem em certo número de semanas, as quais trazem impresso o selo do valor que lhes comunica o domingo, por onde começam. Com muita razão se poderia dizer: assim como for o teu domingo, assim será também toda a tua vida. De que modo deverá, então passar o domingo, para que se torne uma fonte de bênçãos para a tua vida e para a eternidade futura? Eis uma pergunta de grande importância para ti.

1º – O domingo deve ser, antes de mais nada, dia de descanso.

O descanso dominical é uma necessidade para o corpo e para a alma. Poderá alguém trabalhar ininterruptamente, todos os dias, nos domingos e dias úteis, por um lapso do tempo; poderá fazê-lo mesmo durante alguns anos; mas, chegará com certeza o tempo em que as forças constantemente ativas entrarão a adormecer, ou se quebrarão de súbito.

O descanso que, à tarde se desfruta, após o trabalho diário, e um bom sono pela noite adentro, são de grande proveito para o corpo; mas, quanto à duração não bastam para estabelecer o necessário equilíbrio das forças. Os médicos sustentam mui judiciosamente que, para se manter em pleno vigor, além do pequeno descanso diário, de tempo a tempo, necessita o corpo humano de uma pausa e folga mais longa, um maior relaxamento das forças. Isto se aplica, sobretudo, aos tempos atuais, que, pela crescente concorrência em todos os domínios, despertam em quase todos os homens, até mesmo nos rapazes e nas moças, maior dedicação ao trabalho. Com seu descanso maior e mais longo repouso, é, portanto, o domingo uma verdadeira bênção para a nossa vida corporal. Lord Palmerston, conhecido estadista inglês, conservava ainda, na velhice, grande atividade e vigor, que ele principalmente atribuía ao fato de se haver sistematicamente abstido do trabalho dominical, em todo o percurso de sua longa vida. Continuar lendo

DA EDUCAÇÃO, SUA NECESSIDADE

Resultado de imagem para batismoRegenerada pelas águas do batismo, a criança cresce pouco a pouco, e bem depressa começa, pelo seu sorriso, a dar o primeiro indício de inteligência. Então nascem novos deveres para a mãe; é mister que desde então se aplique com zelo à grande obra da educação. Educar a criança é cultivar o seu espírito, e o seu coração: o espírito enriquecendo-o com os conhecimentos necessários ou úteis: o cora­ção, sufocando nele o gérmen das paixões e dos vícios, que crescem conosco, e implantando nele o amor do bem e da virtude.

Em grande número dos nossos Livros canônicos a obrigação que Deus deu à mãe de bem educar os seus filhos, é expressa com tanta clareza, como força; e acerca deste assunto, os mais sagrados interesses das crianças, os dos pais e os da própria sociedade, se unem à voz de Deus, para repetir a todas as mães, pela boca do grande Apóstolo: — «Educai os vossos filhos segundo a lei, e no temor do Senhor» (S. Paulo ad Eph. VI, 4.)

O homem não abandonará na velhice o ca­minho que tiver seguido na adolescência; e é isso o que faz a desgraça quase irreparável de quem tiver recebido dos pais uma má educação ou sim­plesmente nula.

Infeliz! privado muito novo de sua mãe, ou tendo uma mãe negligente, sem ter ninguém que lance no seu espírito a semente da divina palavra não sendo instruído nos seus deveres de cristão; sem ninguém para vigiar pela sua inocência; sem ter quem lhe arranque do coração os primeiros ger­mens das paixões nascentes, e cultivar as flores das virtudes cristãs. Que pode ser uma criança nestas condições? Crescem as más ervas na terra inculta da alma, e o mal desenvolve-se, sufocando todos os germens de bem. Fortificando-se nele diariamente, as tendências perversas, deixam acrescer raízes cada vez mais profundas. Como é possível deter os des­troços desta torrente devastadora, que têm origem numa educação má, ou simplesmente desprezada? Onde arrastarão a sua vítima? Talvez à condenação eterna, porque a árvore cai para onde pendia. É, pois, bem de recear que o mau, avergado sob o peso do pecado para os abismos do inferno, aí vã precipitar-se. Continuar lendo