MARIA SANTÍSSIMA SUAVIZA A MORTE DOS SEUS DEVOTOS

morteNon tanget illos tormentum mortis — “Não os tocará o tormento da morte” (Sap. 3, 1).

Sumário. Desde o grande dia em que a Santíssima Virgem teve a felicidade e ao mesmo tempo a dor de assistir no Calvário à morte de Jesus Cristo, tornou-se protetora especial dos pobres moribundos. Quando a divina Mãe vê um seu devoto nestes extremos, ordena a São Miguel que o defenda contra os assaltos do demônio e ela mesma também vai assisti-lo e socorrê-lo. Avivemos, pois, a nossa devoção para com Maria, e, ainda que pecadores, esperemos que também nós havemos de gozar da sua proteção na hora de nossa morte. Oh! Que doce consolação morrer entre os braços de Maria!

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I. Os amigos do mundo não deixam o amigo enquanto está em prosperidade; mas se vem a cair em alguma desgraça, e especialmente à hora da morte, logo os amigos o deixam. Não faz assim Maria com os seus devotos. Nas suas angústias, e em particular nas da morte, que são as maiores que se pode ter na terra, nossa boa Mãe não sabe desamparar os seus fiéis servos. Assim como ela é nossa vida no tempo de nosso desterro, assim também quer ser doçura na hora suprema, alcançando para nós uma morte doce e preciosa, pelo que a Igreja lhe conferiu o belo título de Auxilio dos agonizantes.

Desde o grande dia em que Maria teve a felicidade, e ao mesmo tempo a dor de assistir à morte de Jesus seu Filho, que foi a cabeça dos predestinados, adquiriu a graça de assistir também a todos os predestinados na sua morte. E por isso, como diz São Boaventura, ela manda que o arcanjo São Miguel vá com outros espíritos celestiais defender seus filhos moribundos das tentações do demônio e receber suas almas afim de as levar ao tribunal divino.

E não contente com isso, nossa piedosa Rainha, como prometeu à Santa Brígida, virá ela mesma e muitas vezes visivelmente assistir a todos os devotos que a serviram fielmente e se-lhe recomendaram continuamente. Assim, efetivamente, lemos que ela apareceu à Santa Clara de Montefalco, à Santa Teresa de Jesus, a São Pedro de Alcântara e a centenas e milhares de outros. Ó Deus! Que consolação será para um filho de Maria, quando no supremo momento de sua vida, em que se há de decidir a causa de sua eterna salvação, vir ao pé de si a Rainha do céu, para o defender dos assaltos dos demônios e lhe prometer a sua proteção! Continuar lendo

FEZ O QUE NOSSA SENHORA PEDIU E…

Resultado de imagem para franciscanoOs Anais da Ordem Seráfica contam que um religioso franciscano, chamado Livínio, muito devoto da Imaculada Conceição, começara a escrever um livro sobre o Menino Jesus e as glórias de Maria. Largara-o, incompleto. Apareceu-lhe então a Santíssima Virgem, porém não já com o Menino Deus nos braços como o visitara noutras ocasiões.

– Ó Mãe querida, e vosso filho, onde está? Perguntou-lhe Frei Livínio.

– Tu o tens abandonado, respondeu a Virgem Santa, por teres cessado de escrever os seus louvores; volta a teu trabalho e não só obterás suas visitas, senão também a graça do martírio que há tanto tempo desejas.

Frei Livínio, sem demora, prosseguiu no obra até terminá-la.

E tendo depois seguido a missionar em Cairo, obteve a graça de morrer mártir por Nosso Senhor.

Nossa Senhora não há de deixar de premiar os que lhe propagam a devoção.

A Santa Igreja, conjuntamente com todos os verdadeiros devotos de Maria, afirma que se salvarão os que ensinam os outros a conhecer e amar a Mãe de Deus.

Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

MARIA SANTÍSSIMA É A ESPERANÇA DE TODOS

mariaIn me omnis spes vitae et virtutis ― “Em mim há toda a esperança da vida e da virtude” (Ecclus. 24, 25).

Sumário. O Rei do céu deseja sumamente enriquecer-nos das suas graças; mas como da nossa parte é necessária a confiança, afim de aumentá-la em nós, nos deu por Mãe e Advogada a sua própria Mãe, a quem deu todo o poder para nos ajudar. Por isso quer o Senhor que nela ponhamos a esperança de nossa salvação e de todo o nosso bem. Qual não deve, pois, ser nossa gratidão para com a bondade divina! Qual a confiança que devemos ter em Maria!

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I. De dois modos, diz Santo Tomás, podemos pôr a nossa esperança numa pessoa: como causa principal, ou como causa intermediária. Quem espera alguma graça do rei, espera alcançá-la do rei como senhor; ou espera alcançá-la do seu ministro ou valido, como intercessor. Se consegue a graça, consegue-a principalmente do rei, mas por intermédio do ministro. Pelo que, quem pretende obter a graça, tem razão de chamar àquele intercessor a sua esperança.

O Rei do céu, por ser a bondade infinita, deseja sumamente enriquecer-nos de suas graças; mas como da nossa parte é necessária a confiança, e com o fim de aumentá-la em nós, deu-nos por Mãe e Advogada sua própria Mãe, a quem deu todo o poder para nos ajudar. Por isso quer que ponhamos nela a esperança de nossa salvação e de todo o nosso bem. ― Aqueles que põem a sua esperança unicamente nas criaturas, independentemente de Deus, são sem dúvida amaldiçoados de Deus, como diz Isaías (1). Mas aqueles que esperam em Maria, como Mãe de Deus, poderosa para lhes alcançar as graças e a vida eterna, são bem-aventurados e agradam ao Coração de Deus, que assim quer ver honrada a excelsa criatura que mais que todos os homens e anjos O amou e honrou neste mundo.

É, pois, com razão que chamamos à Virgem a nossa esperança, esperando alcançar por sua intercessão o que não alcançaríamos só com as nossas orações. Oh, quantos soberbos, com a devoção a Maria, acharam a humildade! Quantos iracundos a mansidão! Quantos cegos a vista! Quantos desesperados a confiança! Quantos perdidos a salvação! Numa palavra, afirma Santo Antonino que todo verdadeiro devoto de Maria pode dizer: Venerunt mihi omnia bona pariter cum illa (2) ― “Com a devoção a Maria vieram-me juntamente todos os bens”. Continuar lendo

MARIA SANTÍSSIMA, MODELO DE MORTIFICAÇÃO

Resultado de imagem para nossa senhora das doresManus meae stillaverunt myrrham, et digiti mei pleni myrrha probatissima — “As minhas mãos destilaram mirra, e os meus dedos estavam cheios da mirra mais preciosa” (Cant 5, 5).

Sumário. Na Santíssima Virgem tudo estava em perfeita harmonia, porque estava isenta do pecado original e cheia de graça. A carne obedecia prontamente ao espírito; e o espírito a Deus. Contudo ela foi tão amante da mortificação que se tornou um modelo perfeito desta virtude. Quanto mais mortificados não devemos ser nós que temos tantas más paixões a exprimir e quiçá tantas culpas a expiar. E somos tão delicados e tão amantes de nossa comodidade. A continuarmos assim, como nos poderemos gloriar de ser filhos de Maria?

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É uma verdade de nossa fé que a Santíssima Virgem, por ser concebida isenta de pecado, não teve nenhuma desordem interior a combater. Apesar disso, o Senhor quis que em toda a vida ela se portasse de tal forma que se tornou um modelo perfeito de mortificação.

Com efeito, Maria praticou a mortificação interior, conservando o coração sempre desprendido de todas as coisas terrestres: desprendida estava das riquezas, querendo sempre viver pobre e ganhando o sustento com os trabalhos de suas mãos; desprendida das honras, amando a vida humilde e obscura, posto que lhe coubesse o título de nobreza, por ser descendente dos reis de Israel; desprendida afinal dos seus santos pais, porque na idade de três anos os deixou resolutamente para ir encerrar-se no templo.

Quanto à sua mortificação exterior, na verdade é pouco o que a este respeito sabemos; mas esse pouco é mais do que suficiente para a nossa edificação. Maria mortificava de tal maneira a vista, que tinha os olhos sempre baixos, e jamais os fixava em alguém, como dizem Santo Epifânio e São Damasceno, e acrescentam que desde menina foi tão recatada, que admirava a todos. Que direi da escassez do nutrimento e da redundância dos trabalhos? Esta quase excedendo as forças da natureza, aquela lhe quase faltando; esta não lhe permitindo tempo algum livre, aquela continuando os dias em jejum. E quando veio a vontade a refazer-se, a comida foi a mais óbvia só para afastar a morte, não para prestar delícias. Não se deu ao sono senão obrigada pela necessidade, mas quando o corpo repousava, o ânimo vigiava. Continuar lendo

MARTÍRIO DE MARIA SANTÍSSIMA AO PÉ DA CRUZ

Stabat autem iuxta crucem Iesu mater eius – “Estava ao pé da cruz de Jesus, sua Mãe” (Io. 19, 25).

Sumário. Do martírio de Maria sobre o Calvário, não é necessário dizer outra coisa senão o que diz São João: contempla-a vizinha à cruz à vista de Jesus moribundo, e depois, vê se há dor semelhante a sua dor. O que mais atormentou a nossa Mãe dolorosa, foi o ver que ela mesma com sua presença aumentava as aflições do Filho e que para grande parte dos homens o sangue divino seria causa de maior condenação. Se Jesus e Maria, apesar de inocentes, sofreram tanto por nosso amor, a nós, que merecemos mil infernos, não desagrade sofrer alguma coisa por amor deles e em satisfação por nossos pecados.

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Admiremos uma nova espécie de martírio; uma Mãe condenada a ver morrer diante de seus olhos, no meio de bárbaros tormentos, um Filho inocente e amado com todo o afeto. Estava ao pé da cruz (de Jesus) sua Mãe. Como se São João dissesse: Não é necessário dizer outra coisa do martírio de Maria: contempla-a vizinha à cruz, à vista do Filho moribundo, e depois vê se há dor semelhante à sua dor.

Mas para que servia, ó Senhora, lhe diz São Boaventura, ires ao Calvário? Devia reter-vos o pejo, pois que o opróbrio de Jesus foi também o vosso, sendo vós sua mãe. Ao menos devia reter-vos o horror de tal delito, como ver um Deus crucificado pelas suas mesmas criaturas. Mas responde o mesmo Santo: Non considerabat cor tuum horrorem, sed dolorem. Ah! O vosso Coração não pensava no seu próprio sofrimento, mas na dor e na morte do amado Filho, e por isso, quisestes vós mesma assistir-Lhe, ao menos para Lhe mostrar a vossa compaixão.

Oh Deus! Que espetáculo doloroso era ver o Filho agonizante sobre a cruz e, ao pé da cruz, ver agonizar a Mãe, que sofria no coração todas as penas que o Filho padecia no corpo! – Eis aqui como a mesma Bem-aventurada Virgem revelou a Santa Brígida o estado lastimoso do seu Filho moribundo, conforme ela o presenciou: “Estava meu amado Jesus na cruz, todo aflito e agonizante; os olhos estavam encovados e meio fechados e amortecidos; os lábios pendentes e a boca aberta; as faces descarnadas, pegadas aos dentes e alongadas; afilado o nariz, triste o rosto; a cabeça pendia-lhe sobre o peito; os cabelos estavam negros de sangue, o ventre unido aos rins; os braços e as pernas inteiriçadas e todo o resto do corpo coalhado de chagas e de sangue.” Ó pobre de meu Jesus! Ó martírio cruel para o coração de uma mãe! Continuar lendo

MARIA SANTÍSSIMA ALCANÇA A PERSEVERANÇA PARA SEUS DEVOTOS

mariaQui operantur in me non peccabunt — “Os que trabalham por mim não pecarão” (Ecclus. 24, 30)

Sumário. Se é verdade que todas as graças passam pelas mãos de Maria, também será certo que só por meio de Maria poderemos esperar e conseguir a graça suprema da perseverança final. Se nos quisermos salvar, sejamos devotos desta querida Mãe; recorramos a ela em todas as nossas necessidades; e quando os demônios nos vierem tentar, como os pintainhos ao ver no ar o milhafre, vamo-nos meter debaixo do seu manto. Mas ai de nós, se resfriarmos nesta devoção! Porquanto, assim como é impossível que se condene um verdadeiro devoto da Virgem, assim é igualmente impossível que se salve o que não for protegido por ela.

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A perseverança é um dom todo gratuito de Deus, que nós não podemos merecer. Todavia, como ensinam Santo Agostinho e outros, podemos obtê-la pela oração, e pela oração quotidiana, porque ela não é dada toda de uma vez, mas dia a dia. Ora, se é verdade que todas as graças que Deus nos concede passam pelas mãos de Maria, segundo a palavra de São Bernardo: Totum nos habere voluit per Mariam — “Deus quis que tivéssemos tudo por meio de Maria”; também será certo que só por meio de Maria poderemos esperar e conseguir a graça suprema da perseverança.

Certamente a conseguiremos, se com confiança a pedirmos sempre a Maria, mas especialmente no tempo das tentações. Ela mesma, como lhe faz dizer a santa Igreja, promete-a a todos os que fielmente a servem: Os que obram por mim, não pecarão. E em outro lugar: Mea est fortitudo, per me reges regnant (1) — “Minha é a fortaleza, por mim reinam os reis”. Minha é a fortaleza, diz Maria; Deus depositou na minha mão este dom, tão indispensável para vencer os inimigos espirituais, para que eu o conceda aos meus devotos. É por minha mediação que os meus servos reinam e dominam sobre todos os seus sentidos e paixões, e assim se fazem dignos de reinarem eternamente no céu.

Ao contrário, pobres das almas que deixam de ser devotas de Maria e de se recomendar a ela em todas as ocasiões. Diz Santo Anselmo, que assim como aquele que se recomenda a Maria e por ela é olhado com amor, não se pode perder, tampouco é possível que se salve o que não é devoto de Maria e por ela protegido. — São Francisco de Borja perguntou certa vez a uns noviços, de que Santo eram mais devotos, e achando que alguns não tinham devoção especial a Maria, avisou ao Mestre dos noviços que olhasse com mais atenção para aqueles desgraçados; e sucedeu que todos perderam miseravelmente a vocação, e quiçá com esta também a alma. Continuar lendo

22 DE AGOSTO – CORAÇÃO IMACULADO DE MARIA

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LADAINHA DO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós

Cristo, olhai-nos.
Cristo, escutai-nos

Deus Pai celestial, Tem misericórdia de nós.
Deus Filho Redentor do mundo, Tem misericórdia de nós.
Deus Espírito Santo, Tem misericórdia de nós.
Santa Trindade, um só Deus, Tem misericórdia de nós.

Santa Maria, Coração Imaculado de Maria, rogai por nós 
Coração de Maria, cheio de graça, rogai por nós 
Coração de Maria, vaso do amor mais puro, rogai por nós 
Coração de Maria, consagrado íntegro a Deus, rogai por nós 
Coração de Maria, preservado de todo pecado, rogai por nós 
Coração de Maria, morada da Santíssima Trindade, rogai por nós 
Coração de Maria, delícia do Pai na Criação, rogai por nós 
Coração de Maria, instrumento do Filho na Redenção, rogai por nós 
Coração de Maria, a esposa do Espírito Santo, rogai por nós 
Coração de Maria, abismo e prodígio de humildade, rogai por nós 
Coração de Maria, medianeiro de todas as graças, rogai por nós 
Coração de Maria, batendo em uníssono com o Coração de Jesus, rogai por nós 
Coração de Maria, gozando sempre da visão beatífica, rogai por nós 
Coração de Maria, holocausto do amor divino, rogai por nós 
Coração de Maria, advogado ante a justiça divina, rogai por nós 
Coração de Maria, transpassado por uma espada, rogai por nós 
Coração de Maria, Coroado de espinhos por nossos pecados, rogai por nós 
Coração de Maria, agonizando na paixão de teu Filho, rogai por nós 
Coração de Maria, exultando na Ressurreição de teu Filho, rogai por nós 
Coração de Maria, triunfando eternamente com Jesus, rogai por nós 
Coração de Maria, fortaleza dos cristãos, rogai por nós 
Coração de Maria, refúgio dos perseguidos, rogai por nós 
Coração de Maria, esperança dos pecadores, rogai por nós 
Coração de Maria, consolo dos moribundos, rogai por nós 
Coração de Maria, alívio dos que sofrem, rogai por nós 
Coração de Maria, laço de união com Cristo, rogai por nós 
Coração de Maria, caminho seguro ao Céu, rogai por nós 
Coração de Maria, prenda de paz e santidade, rogai por nós 
Coração de Maria, vencedora das heresias, rogai por nós 
Coração de Maria, da Rainha dos Céus e Terra, rogai por nós 
Coração de Maria, da Mãe de Deus e da Igreja, rogai por nós 
Coração de Maria, que por fim triunfarás, rogai por nós 
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo, Perdoai-nos Senhor 
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo, Escutai-nos Senhor 
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo, Tem misericórdia de nós.

Rogai por nós Santa Mãe de Deus
R. Para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo

Oremos:
Vós que nos tens preparado no Coração Imaculado de Maria uma digna morada de teu Filho Jesus Cristo, concedei-nos a graça de viver sempre conforme a sua vontade e de cumprir seus desejos.
Por Cristo teu Filho, Nosso Senhor. Amém

A DEVOÇÃO A MARIA DÁ VALOR

Resultado de imagem para santíssima virgemMuito tempo faz encontrava-se entre os religiosos trapistas de Sept-Fons, na França, um irmão leigo, muito velho e enfermo, que tinha na mão o seu rosário.

Era o irmão Teodoro, o qual outrora fora um soldado valoroso.

Quando em 1812 o exército francês, vencido voltava da Rússia, a coluna de Teodoro, extenuada de cansaço e de fome, encontrou-se em frente de uma bateria russa que barrava o caminho de fugida.

Um verdadeiro desespero se apoderou de todos: oficiais e soldados atiravam suas armas ao solo. Que fazer? Era no rigor do inverno e haviam caminhado longas horas sobre a neve e o gelo. Que fazer? Voltar era impossível. Ir adiante?

Ali estava a poderosa bateria inimiga. Permanecer naquele posto? Era condenar-se a morrer de frio e de inanição.

De repente adianta-se um oficial:

– Venham comigo os valentes!…

Coisa rara nos anais de nossa guerra: nem uma voz respondeu.

Engano-me. Um só homem, um só, o irmão Teodoro, saiu da fila dizendo:

– Irei sozinho, se o Sr. quiser.

Dizendo isto, tira a mochila e o fuzil e ajoelha-se na neve, persigna-se diante de todos e reza uma dezena do rosário com fervor como nunca. Toma novamente o fuzil e, de cabeça baixa, lança-se a passo de carreira, com tanta confiança como se dez mil homens o seguissem.

Estava para alcançar a bateria inimiga, quando os russos, crendo que os franceses queriam apanhá-los pelas costas, enquanto se ocupassem de um só inimigo, abandonaram sua peça e bagagem e fugiram.

Dono do campo, disse nosso herói com admirável naturalidade:

– Eis aí! para sair de apuros, não há coisa melhor do que rezar o rosário.

O oficial entusiasmado corre para ele, tira sua própria Cruz de Honra e pendura-a ao peito do jovem, exclamando com lágrimas nos olhos:

– Valente soldado, tu a mereces mais do que eu!

– Comandante (respondeu Teodoro), não fiz mais do que meu dever.

Cinquenta anos mais tarde, com seu hábito de trapista, quando, no mais rigoroso inverno, passava a maior parte do dia de joelhos rezando o rosário, gostava de repetir:

– Não faço mais do que o meu dever!

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

DA DEVOÇÃO À DIVINA MÃE

Resultado de imagem para virgem santíssima refugio dos pecadoresBeatus homo, qui audit me, et qui vigilat ad fores meas quotidie – “Bem-aventurado o homem que me ouve e que vela todos os dias à entrada da minha casa” (Prov. 8, 34).

Sumário. Sendo Maria Santíssima medianeira de graça, o Senhor fê-la de certo modo onipotente; e decretou que todas as graças que são dispensadas aos homens passem pelas mãos da Virgem. Por outro lado, Maria é tão misericordiosa que basta invocá-la para ser atendido. Felizes, pois, de nós, se tivermos devoção verdadeira a esta boa Mãe, recorrermos sempre a ela em nossas necessidades e procurarmos que os outros também a amem! Que pecador se perdeu alguma vez tendo perseverado em recorrer a Maria?

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Jesus é medianeiro de justiça, Maria é medianeira de graça; e por isso, na opinião de São Bernardo, São Boaventura, Santa Catarina de Sena, São Germano, Santo Antônio e outros, Deus quer que nos sejam dispensadas pelas mãos de Maria todas as graças que nos quer conceder. As orações dos Santos junto de Deus são orações de amigos; mas as orações de Maria são orações de Mãe. Felizes daqueles que sempre recorrem com confiança a esta divina Mãe! Entre todas as devoções, a que mais agrada à Santíssima Virgem é recorrer sempre a ela e dizer-lhe: Ó Maria, rogai a Jesus por mim.

Como Jesus Cristo é todo-poderoso por natureza, assim Maria é todo-poderosa pela graça; pelo que obtém tudo que pede. Escreve Santo Antônio que é impossível à Mãe pedir ao Filho alguma graça pelos seus devotos e não ser atendida pelo Filho. Jesus se compraz em honrar sua Mãe, concedendo-lhe tudo que ela pede. Por isso nos exorta São Bernardo: “Busquemos a graça e busquemo-la por Maria; por ser Mãe, não pode ser desatendida” – Quaeramus gratiam, et per Mariam quaeramus: quia Mater est, et frustrari non potest.

Não temamos que Maria não nos queira ouvir quando a imploramos. Ela se deleita no seu poder para com Deus, por nos poder alcançar todas as graças que desejamos. Basta pedir as graças a Maria para as obter. Se não as merecemos, ela nos torna dignos pela sua intercessão onipotente e deseja ardentemente que a ela recorramos para nos poder salvar. Que pecador jamais se perdeu tendo recorrido com confiança e perseverança a Maria, que é o refúgio dos pecadores? Perde-se somente aquele que não recorre a Maria. Continuar lendo

NOSSA SENHORA FICOU CONTENTE

Imagem relacionadaAo ser Santa Teresa de Ávila nomeada superiora, a primeira coisa que fez foi colocar a estátua da Virgem Santíssima na cadeira destinada à Priora e pôs aos pés dela as chaves de sua casa e as regras do instituto, pedindo-lhe que se dignasse tomar a direção espiritual e temporal  da comunidade.

Tão agradável foi à Mãe de Deus esta homenagem de sua devota serva que, na véspera de S. Sebastião, substituiu pessoalmente sua imagem e declarou que tomava o governo do mosteiro.

Eis como a Santa conta a aparição:

O primeiro ano em que fui priora do convento da Encarnação, na vigília da festa de S. Sebastião e quando se começava a cantar a “Salve-Rainha”, vi descer a Santíssima Virgem acompanhada de uma multidão de Anjos e sentar-se no lugar destinado à priora. Já não vi a imagem senão tão somente a boa Mãe com certa semelhança àquela mesma. Isso ocorreu em tão breve tempo que não saberia precisa-lo, pois que entrei em êxtases. Enxerguei ao mesmo tempo vários Anjos ao lado do sólio. Isso durou o tempo em que se cantou a Salve-Regina. A Santíssima Virgem disse-me: “Tendes feito bem em colocar aqui minha estátua; eu estarei presente durante os louvores que terdes a meu Filho e lho oferecerei em vosso nome”.

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Nossa Senhora é muito melhor do que nós pensamos. Fazem muito bem os que colocam um belo quadro ou imagem da Virgem Santa em seus lares. Aconselha-se muitíssimo ao lado de S. Coração de Jesus uma artística efígie do Puríssimo Coração de Maria.

Que os Santíssimos Corações de Jesus e de Maria estejam como em tronos em nossas casas.

Felizes e benditas serão essas moradias!

Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

GRANDEZAS INEFÁVEIS DE MARIA SANTÍSSIMA

mariaEgo ex ore Altissimi prodivi, primogenita ante omnem creaturam — “Eu saí da boca do Altíssimo, a primogênita antes de toda a criatura” (Ecclus. 24, 5)

Sumário. Assim como o divino Redentor, a Santíssima Virgem pode ser também chamada Filha primogênita de Deus. Primogênita na ordem da natureza; porque na criação do universo, depois da glória de si mesmo e de Jesus Cristo, o Senhor teve em mira a de Maria. Primogênita na ordem da graça; porque mais do que qualquer outro foi cheia de todas as graças celestiais. Primogênita na ordem da glória; por ser a Rainha de todos os Santos. Façamos um ato de fé acerca de todas estas grandezas da divina Mãe; demos graças a Deus em seu nome e pelos nossos obséquios procuremos desagravá-la de todos os ultrajes que recebe.

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É com razão que a Igreja põe na boca da Santíssima Virgem este elogio da divina Sabedoria: Eu saí da boca do Altíssimo como a primogênita; porquanto, semelhante a Jesus Cristo, ela é verdadeiramente a Filha primogênita de Deus, na ordem da natureza, da graça e da glória.

Primogênita na ordem da natureza, não quanto ao tempo, mas, como afirma São Bernardo, quanto à intenção; porque o eterno Artífice, projetando a formação do universo, dirigiu tudo, depois da sua própria glória e depois da de Jesus Cristo, para a glória de Maria. — Por isso se diz de Maria que ela não somente escolheu as coisas mais excelentes, mas dentre as coisas mais excelentes a ótima parte; porque o Senhor a dotou, em grau supremo, de todos os dons gerais e particulares conferidos às demais criaturas: Optimam partem elegit (1).

Maria é também a primogênita de Deus na ordem da graça; porque, sendo destinada a ser Mãe de Deus, foi, desde o primeiro instante de sua imaculada Conceição, tão enriquecida de graças, que levava vantagem a todos os anjos e santos juntos. — Nem deixou o grande cabedal de graças desaproveitado; mas, como estivesse dotada do uso perfeito da razão desde o seio de sua mãe, começou desde logo e continuou sempre a fazê-lo rendoso, e mesmo, como dizem os teólogos, a duplicá-lo em cada momento de sua longa vida. De sorte que ela pode dizer com verdade: Senhor, se não Vos amei tanto como o mereceis, ao menos Vos amei quanto me foi possível. Continuar lendo

MARIA SANTÍSSIMA, MODELO DE HUMILDADE

mariaRespexit humilitatem ancillae suae; ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes – “(Deus) pôs os olhos na baixeza da sua escrava; eis que desde agora me chamarão bem-aventurada todas as gerações” (Luc. 1, 48).

Sumário. Assim como Maria Santíssima foi a primeira e mais perfeita discípula de Jesus Cristo em todas as virtudes, assim o foi também na virtude da humildade. A Santíssima Virgem tinha sempre o conceito mais baixo de si mesma, ocultava os seus dons celestes e suportava com resignação todas as humilhações e desprezos. Que motivo de pejo para nós, que nos gloriamos de ser filhos de Maria e somos tão orgulhosos!… Ponderemos bem, que, a continuarmos assim, ficaremos sempre igualmente pobres de bens espirituais; porque a divina Mãe, imitando Jesus Cristo, resiste aos soberbos e comunica suas graças aos humildes.

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Era desconhecida no mundo a virtude, tão bela e tão necessária, da humildade; mas veio o Filho de Deus à terra para a ensinar pelo seu exemplo. E, assim como Maria foi a primeira e mais perfeita discípula de Jesus Cristo em todas as virtudes, assim o foi também na virtude da humildade, pela qual mereceu ser exaltada sobre todas as criaturas.

O primeiro ato de humildade é o ter baixo conceito de si; e Maria teve sempre tão modesta opinião de si própria, que, posto que se visse cheia de graças, contudo, segundo foi revelado a Santa Mechtildes, não se preferiu jamais a ninguém, lembrando-se de que tudo era dom da liberalidade divina.

Outro ato de humildade é ocultar os dons celestes. Pois bem, Maria Santíssima quis encobrir mesmo a São José a graça de ter sido feita Mãe de Deus, apesar de que a manifestação parecia necessária para livrar o pobre Esposo das suspeitas, que podia formar acerca da sua pureza, vendo-a gravida, ou ao menos para o tirar da confusão que a ignorância do mistério lhe devia causar. Continuar lendo

SANTA MORTE

Resultado de imagem para virgem mariaUm jovem de nobre família italiana, João Batista de Prato, encontrando-se em Dillingen como pensionista no colégio de S. Jerônimo, caiu mortalmente enfermo de certa disenteria epidêmica que fazia grandes estragos naquela cidade. Recebidos os santos sacramentos, dispunha-se resignado e tranqüilo para a morte e infundia valor a dois de seus irmãos que choravam inconsoláveis.

– Por que chorais? Dizia-lhe; eu vou para o Céu, sim, vou para o Céu.

Essa confiança lhe era inabalável e apoiava-se, conforme ele declarou a seu confessor, na aparição de Maria Santíssima, que lhe mostrara um precioso quadro onde seu nome estava escrito.

O Padre recomendou-lhe, para dar maior fé à visão, que, em subindo ao Céu, obtivesse o desaparecimento da terrível epidemia.

Prometeu-lho João Batista, e apenas morreu, cessou a peste; e o rosto do jovem conservou-se, até o enterro, tão formoso que admirou a todos.

Não foi em vão que o bom moço tivera profunda e filial devoção à Virgem Imaculada. Quanto bem lhe queria!

Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

MARIA SANTÍSSIMA É O REFÚGIO DOS PECADORES

refugioConvenite et ingrediamur civitatem munitam; et sileamus ibi — “Ajuntai-vos, e entremos na cidade fortificada, e guardemos aí silêncio” (Ier. 8, 14).

Sumário. Nas cidades antigas de refúgio, não achavam abrigo todos os delinqüentes, nem para toda a espécie de delitos. Mas debaixo do manto da proteção de Maria, todo o pecador acha refúgio, seja qual for o crime cometido; porquanto foi esta a vontade de Deus constituindo-a Refúgio dos pecadores. Não desanimemos, pois, meu irmão; mas, seja qual for o nosso estado, chamemos a divina Mãe em nosso auxílio e acha-la-emos sempre pronta a ajudar-nos em todas as necessidades. Invoquemo-la especialmente sob o título que ela preza tanto, de Mãe do Perpétuo Socorro.

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Um dos títulos com que a santa Igreja nos manda recorrer a Maria, e que mais anima os pobres pecadores, é o titulo de Refúgio dos pecadores. Antigamente havia na Judéia umas cidades de refúgio, aonde iam parar os delinqüentes para ficarem livres do castigo que mereciam. Agora não há tantas cidades de refúgio como então, mas há uma só, que é Maria, da qual está escrito: Gloriosa dicta sunt de te, civitas Dei(1) — “Coisas gloriosas se têm dito de ti, ó cidade de Deus”. Há, porém, uma diferença. Nas cidades antigas não havia refúgio para todos os delinqüentes, nem para toda a espécie de delitos; mas, debaixo do manto de Maria todos os pecadores acham refúgio; seja qual for o delito que hajam cometido: basta que a ela recorram para se refugiarem. Pelo que São João Damasceno a faz dizer: “Eu sou a cidade de refúgio para todos aqueles que vêm a mim.” O Bem-aventurado Alberto Magno aplica à Virgem Maria estas palavras de Jeremias: Ajuntai-vos, e entremos na cidade fortificada.

Logo que alguém entrar nesta cidade mística, recuperará a graça divina. Nem sequer lhe é preciso falar para ser salvo. Et sileamus ibi — “Guardemos aí silêncio”. Sim, porque a Virgem piedosa, vendo-nos sem ânimo de pedir ao Senhor, falará por nós, e tão eficazmente, que, conforme a revelação de Jesus Cristo à Santa Brígida, ela obteria o perdão mesmo para Lúcifer, se (coisa aliás impossível) o espírito orgulhoso se humilhasse a pedir-lhe proteção.

Numa palavra, conclui São Bernardo, que Maria não tem horror de qualquer pecador, por imundo e abominável que seja. Contanto que recorra a Maria e lhe implore misericórdia, ela, o Refúgio dos pecadores, não hesitará em lhe dar a mão piedosa, afim de o arrancar do fundo da desesperação. Oh! seja sempre bendito e louvado nosso Deus, que nos deu uma Mãe tão doce e tão benigna. — ó Maria, infeliz de quem não vos ama! Infeliz de quem não recorre a vós, não confia em vós. Continuar lendo

O DEVOTO DE MARIA SANTÍSSIMA DEVE IMITAR-LHE AS VIRTUDES

Resultado de imagem para virgem santíssima sob seu mantoNunc ergo, filii, audite me: Beati qui custodiunt vias meas – “Agora pois, filhos, ouvi-me: bem-aventurados os que guardam os meus caminhos” (Prov. 8, 32).

Sumário. A Santíssima Virgem, depois que tirou alguma alma das garras de Lúcifer, quer que ela se aplique à imitação das suas virtudes, pois que, de outro modo, não poderá enriquecê-la com as suas graças, vendo-a a si contrária nos costumes. Entremos, portanto, nas vistas de nossa boa Mãe; e estejamos certos de que é este o melhor obséquio que lhe podemos fazer. Se não nos sentirmos com força suficiente, roguemo-la à Bem-Aventurada Virgem que se chama e é a dispensadora de todas as graças.

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Diz Santo Agostinho que, para obtermos com maior certeza e abundância o favor dos Santos, é preciso imitá-los; porque, vendo que praticamos as virtudes que eles mesmos praticaram, mais se movem a rogar por nós. Pelo que a Rainha dos Santos e a nossa principal advogada, Maria, depois que livrou alguma alma das garras de Lúcifer e a uniu a Deus, quer que ela se aplique a imitá-la. De outro modo não poderá enriquecê-la com as suas graças, como desejaria, vendo-a a si contrária nos costumes. Por isso Maria chama bem-aventurados àqueles que diligenciam em imitá-la: Bem-aventurados os que guardam os meus caminhos(1). “Quem ama”, diz um provérbio, “ou se acha semelhante, ou procura fazer-se semelhante à pessoa amada”.

Por isso nos exorta São Jerônimo que, se amamos Maria, é necessário que procuremos imitá-la; porque é este o melhor obséquio que lhe podemos oferecer. E Ricardo de São Lourenço acrescenta que são e podem chamar-se verdadeiros filhos de Maria somente aqueles que procuram viver conforme à vida dela: Filii Mariae imitatores eius. – Procure pois o filho, conclui São Bernardo, imitar sua Mãe, se deseja o seu favor; pois que então, vendo-se ela honrada como mãe, o tratará e favorecerá como filho.

Falando das virtudes de nossa Mãe, verdade é que poucas coisas em particular se lêem registradas nos Evangelhos a este respeito; contudo, dizendo-se ali que ela foi cheia de graça, claramente se nos dá a entender que ela teve todas as virtudes em grau heróico. “De modo tal”, diz Santo Tomás, “que, assim como cada um dos Santos foi excelente em alguma virtude particular, a Bem-Aventurada Virgem foi excelente em todas as virtudes, e em todas as virtudes nos foi dada por modelo”. Antes dele já tinha dito isso Santo Ambrósio: “A vida de Maria foi tal, que serve de exemplo para todos”: Talis fuit Maria, ut eius unius vita omnium disciplina sit. Continuar lendo

O SENHOR AMA A SUA MÃE?

Resultado de imagem para santíssima virgemFoi um valente soldado o cabo Pedro Pitois, que fez essa pergunta a Napoleão.

Pedro estava sempre na primeira linha de combate, não temia as balas inimigas, e, a 6 de julho de 1809, na batalha de Wagram, ainda pelejou valorosamente.

Depois desapareceu. Desertara do exército… Não demorou muito foi preso e condenado à morte.

– Tu, um dos mais valentes, por que fizeste isso? perguntavam-lhe os companheiros.

– Não me arrependo – respondia – não fiz mal.

À meia-noite, na véspera da execução, um oficial entrou na cela de Pedro. Era Napoleão e o preso não o reconheceu.

Tomando-o o pela mão, o Imperador disse-lhe com carinho: “Amigo, eu como oficial sempre admirei o teu valor nos combates. Agora venho saber se tens alguma recordação para tua família, que a enviarei depois da tua morte.

– Não, nenhuma.

– Não queres mandar um adeus a teu pai, a teus irmãos ou irmãs?

– Meu pai é falecido; não tenho irmãos nem irmãs.

– E a tua mãe?

– Ai! não a nomeie, porque, quando ouço nomeá-la, tenho vontade de chorar e um soldado não deve chorar.

– Por que não? replicou Napoleão. Eu não teria vergonha de chorar ao lembrar-me de minha mãe.

– Ah! o Sr. quer bem a sua mãe? Vou contar-lhe tudo.

De tudo que existe no mundo, nada amei tanto como minha mãe. Quando parti, deu-me sua bênção e disse-me: “Se me amas, cumpre o teu dever”.

Nas batalhas, diante das balas, sempre me recordei de suas palavras. Não tinha medo algum. Um dia soube que estava gravemente enferma; pedi licença para ir abraçá-la pela última vez e… não me deixaram partir. Recebi, afinal, a notícia de que falecera e pedi licença para ir vê-la ao menos morta. Segunda vez me disseram que não. Não aguentei mais: era preciso ir depositar uma flor ao menos sobre a sua sepultura. Fui, chorei e recolhi esta flor de miosótis que aqui trago sobre o meu coração. Morrerei amanhã, mas a morte não me amedronta.

Napoleão, depois de algumas palavras de conselho, retirou-se grandemente comovido. No outro dia foi o preso conduzido ao lugar do suplício.

Estando a guarda para disparar, chegou o Imperador a cavalo, poupou a vida de Pedro Pitois e nomeou-o oficial.

– Amais a vossa mãe do céu?

Respondereis certamente com S. Estanislau: “Como não a hei de amar, se é minha Mãe?”

E ela vos diz: “Cumpri o vosso dever, e eu vos alcançarei a perseverança, a graça final”.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

HISTÓRIA DA INVOCAÇÃO DA VIRGEM DO CARMO

12madonn_1467607Fonte: Hojitas de fe / Seminario de La Reja – Tradução: Dominus Est

O dia 16 de julho é a festa de Nossa Senhora do Carmo, devoção muito popular da Virgem, por ser a padroeira de uma das mais insignes ordens religiosas, e por nos ter dado o Santo Escapulário, que é uma das devoções marianas mais queridas do povo fiel.

1ª História da Ordem do Carmo.

A Ordem de Carmo e a invocação de Nossa Senhora do Carmo, segundo antigas tradições, remonta ao profeta Elias, que viveu no século IX aC. Este profeta viveu no Monte Carmelo, localizado na Palestina, em um promontório que entra no Mar Mediterrâneo, e é famoso por dois acontecimentos na vida do profeta Elias:

• A vitória contra os sacerdotes idólatras de Baal, no tempo do ímpio rei Acabe (860-852 aC), a quem o profeta fez matar após punir Israel com uma seca de três anos e meio.

• A visão da nuvenzinha misteriosa que a chuva trouxe: depois de matar os sacerdotes de Baal, Elias reabriu o céu que antes havia fechado; e foi então que ele viu uma nuvem misteriosa vinda do mar, muito pequena a princípio, mas que cresceu progressivamente, até trazer uma chuva abundantíssima; e por revelação divina Elias soube que esta nuvem era uma figura da futura Mãe do Messias.
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DA CONFIANÇA QUE DEVEMOS TER EM MARIA, COMO NOSSA MÃE

mariaDeinde dicit discipulo: Ecce mater tua — “Depois diz ao discípulo: Eis aí tua mãe” (Io. 19, 27)

Sumário. Se Jesus Cristo é o Pai de nossas almas, porque as regenerou à vida da graça, Maria, que é a Mãe verdadeira de Jesus, deve igualmente ser chamada nossa Mãe espiritual, porque pelas suas dores cooperou para nossa redenção. Ponhamos, pois, nela a nossa confiança e sejamos quais crianças que têm sempre o nome de mãe na boca e em qualquer perigo levantam a voz e chamam sua mãe em socorro. Para sermos, porém, facilmente atendidos, imitemos as suas virtudes, especialmente as que são próprias do nosso estado.

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Não é por acaso, nem debalde, que os devotos de Maria a chamam Mãe e parece que não sabem invocá-la com outro nome, nem se fartam de chamá-la Mãe. Mãe, sim, porque se Jesus Cristo, reconciliando-nos com Deus, se fez Pai de nossas almas, conforme a predição do Profeta: Pater futuri saeculi(1) — “Pai do século futuro”, Maria deve ser chamada e é verdadeiramente nossa Mãe espiritual.

Segundo a explicação dos Doutores, esta grande Mãe pelo seu amor gerou-nos à graça, quando consentiu em que o Verbo Eterno se fizesse seu filho, porque, no dizer de São Bernardino de Sena, ela desde então pediu a Deus com afeto imenso a nossa salvação e de tal sorte a procurou, que bem se pode dizer que desde então nos trouxe em suas entranhas como mãe amorosíssima. Pelo que Santo Ambrósio aplica à Virgem as palavras dos sagrados Cânticos: Venter tuus sicut acervus tritici, vallatus liliis (2) — “Teu seio é como um monte de trigo, cercado de açucenas”.

O tempo em que Maria nos deu à luz, foi quando (vendo o amor do Eterno Pai para com os homens, em querer seu Filho morto pela nossa salvação e o amor do Filho em querer morrer por nós), afim de conformar-se com este amor excessivo do Pai e do Filho para com o gênero humano, ela também consentiu com toda a sua vontade que seu Filho morresse e fez o doloroso sacrifício d’Ele no Calvário. — E isto quis exatamente dizer nosso Salvador, quando, antes de expirar, olhando para sua Mãe e acenando para o discípulo predileto, lhe disse: Mulier, ecce filius tuus (3) — “Mulher, eis aí teu filho”. Como se lhe dissesse: Eis aí o homem que em consequência da oferta que tu fazes de minha vida pela sua salvação, já nasce para a graça; eu te declaro sua mãe. Continuar lendo

CURA DO BARÃO COTTA

Resultado de imagem para nossa senhora auxiliadoraNo ano de 1865 o Barão Cotta, banqueiro de Turim e senador da Itália, achava-se moribundo no leito. D. Bosco chega para fazer-lhe uma visita.

– Meu Padre, esta será a última vez que vos vejo, disse-lhe o enfermo com voz apenas perceptível; eu me vou; não poderei passar de hoje.

– Oh! Não, senhor Barão. A Santíssima Virgem necessita de vós neste mundo e quer que a ajude na construção de sua igreja. (O Santo estava ajuntando dinheiro para construir o belíssimo Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora).

– Teria muito gosto nisso, porém os médicos já não me dão a menor esperança.

– Que bem faríeis se Maria Auxiliadora vos sarasse?

– Ah! Se eu sarasse, daria, por seis meses, dois mil francos cada mês para sua igreja.

– Perfeitamente, disse o Santo. Volto ao Oratório para pôr em oração a todos os meus meninos. Ânimo!

Três dias depois, estando D. Bosco em seu escritório, anunciaram-lhe uma visita: era o Barão Cotta, completamente são, que vinha apresentar sua primeira oferenda a Maria Auxiliadora.

Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

MARIA SANTÍSSIMA É A MEDIANEIRA DOS PECADORES PARA COM DEUS

mariaFacta sum coram eo quasi pacem reperiens — «Tenho-me tornado na sua presença como uma que acha a paz» (Cant 8, 10)

Sumário. É com razão que Maria Santíssima é comparada aoiris; porque é a medianeira e o penhor da paz entre Deus e os homens. Com efeito, quantos pecadores que agora são grandes Santos no céu, estariam talvez ardendo no inferno, se Maria não tivesse intercedido junto ao Filho para lhes obter perdão! Seja qual for o estado da nossa alma, recorramos com confiança a esta querida Mãe e seremos salvos. Lembremo-nos, porém, que para merecermos a sua proteção especial, é preciso que tenhamos ao menos a vontade de nos emendar.

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O principal ofício que foi dado a Maria, quando veio à terra, consistiu em levantar as almas decaídas da graça divina e reconciliá-las com Deus. Eis como o Espírito Santo a faz falar nos sagrados Cânticos: Eu me tornei diante dele como uma que achou a paz. Eu sou, diz Maria, a defesa daqueles que a mim recorrem, e a minha misericórdia é, em benefício deles, como uma torre de refúgio, porque o Senhor me fez medianeira de paz entre os pecadores e Deus. — Oh, quantos daqueles que são agora grandes Santos no paraíso, estariam talvez a arder no inferno, se a Virgem não tivesse intercedido junto ao Filho para lhes obter perdão!

Por isso, os Santos Padres comparam Maria Santíssima, não só com a arca de Noé, onde acharam abrigo todos os animais, figuras dos pecadores; mas ainda com a pomba, que, saída da arca, para ela voltou, trazendo no bico o ramo de oliveira, em sinal da paz que Deus concedia aos homens.

Foi também figura expressiva de Maria o iris, que, na visão de São João, cercava o trono de Deus: Et iris erat in circuitu sedis (Apoc 4, 3). Sim, porque, na explicação de um intérprete, a Santa Virgem sempre assiste no tribunal divino para mitigar a sentença e o castigo devido aos pecadores; ou ainda, porque, segundo diz São Bernardino de Sena, como Deus à vista do arco-íris se lembra da paz prometida à terra, assim também, pelos rogos de Maria, perdoa aos pecadores as ofensas feitas, e faz pazes com eles. Continuar lendo

MARIA SANTÍSSIMA, MODELO DE OBEDIÊNCIA

mariaEcce ancilla Domini: fiat mihi secundum verbum tuum – “Eis aqui a escrava do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra” (Luc. 1, 38).

Sumário. A obediência de Maria foi incomparavelmente mais perfeita que a dos outros santos; porque, imune de todo labéo de culpa, ela era como que uma roda que pronta se movia a cada inspiração divina. Pelo mérito desta virtude Maria remediou o dano que causou Eva com sua desobediência. E tu como é que obedeces a teus superiores? Como é que observas as leis de Deus e da Igreja e os deveres próprios do teu estado? Lembra-te de que a virtude de obediência faz entrar os bem-aventurados na glória.

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Pelo afeto que Maria consagrava à virtude de obediência, não quis, quando São Gabriel lhe veio anunciar a maternidade divina, chamar-se com outro nome senão com o de escrava: Eis aqui a escrava do Senhor. Sim, diz Santo Tomás de Villanova, porque esta fiel escrava, nem com suas obras nem com o pensamento contradisse jamais ao Senhor; mas, despida de toda a vontade própria, viveu sempre e em tudo obediente à divina vontade.

Observa São Bernardino de Sena que a obediência de Maria foi muito mais perfeita que a dos outros santos, porque todos os homens, por causa da inclinação ao mal pelo pecado original, sentem dificuldade em fazer o bem. Maria, ao contrário, imune, como era, de todo o labéo de culpa, foi como que uma roda que prontamente se movia a cada inspiração divina e outra coisa não fazia senão observar e executar o que agradava a Deus. – Dela é que foi dito: Anima mea liquefacta est, ut dilectus meus locutus est (1) – “A minha alma se derreteu, assim que meu amado falou”; porque, na explicação de Ricardo, a alma da Virgem era como que um metal derretido, disposta a tomar todas as formas que Deus queria.

Quanto era pronta para obedecer, mostrou-o claramente Maria quando, para agradar a Deus, quis obedecer também ao imperador romano, fazendo a viagem a Belém, em tempo de inverno, grávida e tão pobre que se viu obrigada a dar à luz numa gruta. – Foi igualmente pronta quando São José a avisou, que se pusesse a caminho na mesma noite, para viagem mais longa e perigosa ao Egito. Continuar lendo

DA SAUDAÇÃO ANGÉLICA

saudaAve, gratia plena, Dominus tecum – “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Luc. 1, 28).

Sumário. Entre todas as orações que a Igreja dirige à Santíssima Virgem, a Saudação Angélica, ou a Ave-Maria, é a mais excelente em si mesma, a mais agradável ao coração da divina Mãe e a mais útil para nós. A experiência demonstra que o que saúda a Maria com esta oração é logo retribuído por ela com algum favor especial. Recitemo-la, pois, freqüente e devotamente durante o dia, mormente no princípio e no fim de cada ação. Felizes as ações que forem compreendidas entre duas Ave-Marias.

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Considera que entre todas as orações que a Igreja dirige à Santíssima Virgem, a mais excelente, a mais aceita e a mais útil é a Ave-Maria.

Ela é a mais excelente considerada em si mesma; porque foi composta, por assim dizer, pela Santíssima Trindade e pronunciada a primeira vez pelo Arcanjo São Gabriel e depois por Santa Isabel, então cheia do Espírito Santo. Pelo que o Bem-aventurado Alano afirma que a Saudação Angélica, pela sua excelência, alegra todo o céu, enche a terra de prodígios, faz tremer e põe em fuga o demônio.

Em segundo lugar, ela é a mais aceita ao coração da Virgem, pois, quando dizemos Ave-Maria, parece que se lhe renova o prazer que sentiu quando lhe foi anunciado que havia sido eleita para Mãe de Deus. Mais, pela Ave-Maria mostramos que tomamos parte em sua felicidade, lembrando-lhe as suas grandezas. Disse a mesma divina Mãe a Santa Mechtildes, que nada lhe podia ser mais honroso e mais agradável do que a oferta freqüente da saudação do Anjo. Continuar lendo

DO GRANDE AMOR QUE NOS TEM MARIA SANTÍSSIMA

mariaEgo diligentes me diligo; et qui mane vigilant ad me, invenient me — “Eu amo os que me amam, e os que vigiam desde a manhã por me buscarem, me acharão” (Prov. 8, 17)

Sumário. Se uma mãe não pode deixar de amar seus filhos, quanto mais não nos amará a Santíssima Virgem, que no Calvário, juntamente com Jesus Cristo, nos gerou para a vida da graça, entre as mais acerbas dores? Ah! Se fosse reunido em um só o amor que todas as mães têm a seus filhos, não igualaria o amor que Maria tem a uma só alma. É justo portanto que ao amor da divina Mãe corresponda o nosso. Sim, minha santa Mãe, depois de Deus, amo-vos de todo o coração mais que a mim mesmo, e pronto estou a fazer tudo por vosso amor.

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Afim de compreendermos de algum modo o muito que nos ama nossa boa Mãe, Maria, consideremos as principais razões deste amor. — A primeira razão é o grande amor que ela tem a Deus. O amor para com Deus e para com o próximo, como diz São João, se contém no mesmo preceito, de sorte que, quanto cresce um, tanto o outro se aumenta.Hoc mandatum habemus a Deo: ut qui diligit Deum, diligat et fratrem suum(1) — “Nós temos de Deus este mandamento, que o que ama a Deus, ame também a seu irmão”. Pelo que, assim como entre todos os espíritos bem-aventurados não há quem ame a Deus mais do que Maria, assim tampouco temos, nem podemos ter, quem, depois de Deus, nos ame mais do que esta nossa Mãe amorosíssima.

Além disso, Maria nos ama, porque, afim de nos gerar à vida da graça, sofreu a pena de ela mesma oferecer à morte o seu querido Jesus, consentindo em o ver morrer diante dos seus olhos, à força de tormentos. Como frutos, portanto, da oferta dolorosa da Virgem, somos-lhe excessivamente caros, porque lhe custamos tantas angústias e dores. — E mais ainda, porque o próprio Jesus Cristo, antes de expirar, nos entregou a ela por filhos, na pessoa de São João, dizendo-lhe como último adeus: Mulher, eis aí teu filho (2).

Disto nasce uma terceira e mais poderosa razão pela qual somos tão amados de Maria: vem a ser que todos nós somos o preço da morte de Jesus Cristo. Se uma mãe visse um servo remido por um seu filho à custa de trinta anos de prisão e de trabalhos, quanto estimaria o servo por esta só consideração! Quanto mais deverá então a divina Mãe estimar nossas almas, vendo que o Verbo Eterno não desceu do céu à terra e se fez seu Filho, senão para as salvar à custa de todo o seu sangue! Eu vim salvar o que estava perdido (3) — “Salvum facere quod perierat”. Continuar lendo

O ROSÁRIO NOS PERIGOS

Resultado de imagem para rosárioJá faz bastante tempo, deu-se na cidade de Cartago, na república de Costa Rica, um terremoto tão violenta que a destruiu quase por completo.

A Revista “América”, dos Jesuítas de Nova York, narrando os pormenores da pavorosa catástrofe, chamou a atenção dos leitores para o fato seguinte:

Ezequiel Gutiérrez, que fôra presidente daquela república, no momento do cataclismo, achava-se em sua casa rezando o rosário acompanhado de toda a sua família. Algumas pessoas quiseram interromper a reza e fugir para a rua, mas o chefe obrigou-as a ficar até terminar o rosário.

Acabada a oração, saíram à rua e qual não foi o assombro de todas ao verem as casas convertidas em ruínas. Em toda a redondeza nenhum edifício ficara intacto; a desolação era completa; somente a casa do ex-presidente não sofrera nenhum dano, nem sequer um abalo.

Evidentemente Nossa Senhora a tomara sob a sua especial proteção, porque ali se rezava o seu rosário.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

AÇÃO GENEROSA BEM PREMIADA

Imagem relacionadaJoão Mazio, homem ilustre e grande defensor do Papado contra os gibelinos, possuía um filho único de 19 anos. Moço distinto e adornado das mais belas virtudes.

Preparava-se o casamento com uma donzela, digna dele, quando traiçoeiramente foi assassinado. É fácil imaginar a dor que sentia D. João ao receber tão funesta nova.

Sem perda de tempo mandou seus vassalos em seguimento do covarde traidor, com a ordem de traze-lo vivo ou morto.

O perseguido tratou de refugiar-se na primeira casa que pôde. E foi exatamente em um prédio que pertencia a D. João.

Voltou um mensageiro a comunicar a feliz noticia ao irado pai.

– Senhor, o criminoso acha-se em vossas mãos, ordenai o devemos fazer com ele.

O primeiro pensamento, que lhe passou pela cabeça, foi dar-lhe a morte com as próprias mãos. Mas pediu que esperasse um instante.

Muito devoto de Maria Santíssima, retirou-se a fim de solicitar conselho.

Ajoelhou-se perante belíssima imagem, em seu oratório. Muito após, levantou-se todo calmo, buscou vultuosa soma de dinheiro e falou ao núncio:

–  Dê este dinheiro e meu melhor cavalo ao assassino, e diga-lhe que fuja prontamente.

O criado não compreendeu tal gesto. Estava a pensar que a dor lhe transtornara a mente.

Mas D. João repetiu:

– Obedeça, jamais hei de mudar o que Maria me aconselhou.

O doméstico partiu sem replicar.

O réu, admiradíssimo e confuso, pôs-se a salvo prontamente, envergonhado e arrependido de seu crime.

Voltou D. João resignado a seu quarto, e coisa inaudita! (escreveu Appiani na Vida de Santo Emídio) encostou sobre o genuflexório diante da imagem uma carta escrita de punho próprio por seu filho com os dizeres:

– “Amadíssimo pai, tão agradável tem sido a Deus a generosa misericórdia que, por amor de Maria, haveis usado para com o assassino, que, em prêmio dela, fui logo livre das penas do purgatório que devia sofrer por vários anos. Subo agora para o céu. Dentro de um ano, Deus vos dará outro filho. Continuai a viver cristãmente. Eu rogarei por vós no céu”.

Com efeito, um ano depois, e justamente no aniversário da morte do filho, D. João celebrava o nascimento de outro.

Como poderia gesto tão nobre e generoso não ser premiado por Nossa Senhora!  

Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

CORAÇÃO DE MARIA, IMAGEM FIEL DO CORAÇÃO DE JESUS

sagraimacMater eius conservabat omnia verba haec in corde suo – “Sua Mãe conservava todas estas palavras em seu coração” (Luc. 2, 51).

Sumário. Todas as qualidades que nos dias anteriores contemplamos no Coração de Jesus acham-se, com as devidas proporções, também no Coração de Maria, sua Mãe. Durante os trinta anos que a Virgem Santíssima conviveu com Jesus, não fez senão estudar continuamente no livro do Coração do Filho. Se, pois, amamos deveras a Maria e queremos ser seus dignos filhos, estudemos igualmente o Coração de Jesus e aprendamos de Nossa Senhora a praticarmos a humildade e o amor para com Deus e para com o próximo.

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Depois da Encarnação do Verbo, a ocupação habitual de Maria Santíssima foi estudar o grande livro do Coração amabilíssimo de Jesus e nesta escola divina fez progressos tão grandes, que se tornou uma imagem fiel de Jesus. Pelo que todos os dotes que nos dias anteriores contemplamos no Coração do Filho, acham-se também, observadas as devidas proporções, no Coração da Mãe.

Com efeito, que coração há mais amável que o Coração de Maria? Coração todo puro, santo, imaculado, perfeito; Coração, em suma, no qual Deus acha as suas delícias, as suas complacências. – Coração ao mesmo tempo tão amante dos homens, que, se todas as criaturas unissem as suas forças, nem de longe conseguiriam igualar o amor de Maria: Amat nos amore invicibili (1) – “Ela nos ama com amor inexcedível”. Este amor de Maria para com o gênero humano, rivalizando com o do Eterno Pai, levou-a a fazer o sacrifício doloroso, de entregar à morte seu Filho inocente. Leva-a continuamente a compadecer-se com ternura maternal das nossas misérias; a socorrer-nos generosamente em nossas necessidades; a ser-nos reconhecida e recompensar fielmente qualquer obra boa feita por seu amor, qualquer palavra dita para glória sua, cada bom pensamento que lhe agrada.

Como retribuição de todos os benefícios que a divina Mãe nos dispensou e ainda continuamente nos dispensa, não exige senão nosso amor; porquanto seu coração, à semelhança do de Jesus, é um coração desejoso de ser amado. – Vê, portanto, quanta aflição deve sentir vendo-se pago com desprezos. Não sejas tu do número daqueles ingratos que assim afligem a nossa terna Mãe. Continuar lendo

MARIA SANTÍSSIMA, MODELO DE CASTIDADE

maria2Sicut lilium inter spinas, sic amica mea inter filias – “Como é a açucena entre os espinhos, assim é a minha amiga entre as filhas” (Cant. 2, 2).

Sumário. A pureza da Santíssima Virgem foi tão grande, que o Verbo divino a elegeu para sua Mãe, afim de que servisse a todos de exemplo de castidade. Como recompensa da sua inefável virgindade, Maria tem o privilégio de preservar do pecado os seus devotos e de os levantar depois da queda. É necessário, porém, que da nossa parte ponhamos em prática os meios para vencer, especialmente o evitar as ocasiões, e praticar a oração, consagrando-nos à Virgem de manhã e à noite, e invocando o seu nome em cada assalto do inimigo infernal.

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Depois da queda de Adão e de os sentidos se haverem rebelado contra a razão, a virtude da castidade tornou-se a mais difícil de ser praticada. Mas, seja para sempre louvado o Senhor, que em Maria nos deu um grande modelo desta virtude. Diz o Bem-aventurado Alberto Magno que Maria é chamada com razão Virgem das virgens; pois que, sendo ela a primeira, sem conselho nem exemplo de ninguém, a oferecer a sua virgindade a Deus, deu ao mesmo Deus todas as virgens que depois a imitaram, segundo a profecia de Davi: Adducentur Regi virgines post eam(1) – “Serão apresentadas ao Rei virgens depois dela“. E São Sofrônio acrescenta que Deus escolheu esta Virgem puríssima por Mãe, exatamente para que ela servisse a todos de modelo de castidade. Pelo que Santo Ambrósio lhe dá o belo título de Porta-bandeira da virgindade.

Por motivo desta sua pureza foi a Santíssima Virgem chamada pelo Espírito Santo bela como a rola (2); como também açucena: sicut lilium inter spinas. E aqui adverte Dionísio Cartusiano, que ela foi chamada açucena entre os espinhos, porque todas as demais virgens foram espinhos para si próprias ou para os outros; Maria Santíssima, ao contrário, não o foi nem para si nem para os outros. Segundo observa Santo Tomás, a beleza de Maria inspirava a todos amor à pureza e só ao ser vista infundia pensamentos e afetos castíssimos.

Numa palavra, diz um autor que a Bem-aventurada Virgem foi tão amante desta virtude, que, para a conservar, estaria disposta a renunciar ainda à dignidade de Mãe de Deus. Isto se colige das mesmas palavras que dirigiu ao Arcanjo e das que por fim acrescentou: Fiat mihi secundum verbum tuum (3) – “Faça-se em mim segundo a tua palavra“; significando que dava o seu consentimento porque o Anjo lhe assegurava que devia ser mãe unicamente por obra do Espírito Santo. Continuar lendo