SOA O DOBRE POR NOTRE DAME

Resultado de imagem para incêndio notre dameDom Lourenço Fleichman, OSB

Acompanhei um pouco a situação em Paris pelos jornais franceses, e me parece importante escrever para os meus fiéis e leitores do site, para lhes falar um pouco sobre esse acontecimento estranho do incêndio de Notre Dame de Paris.

Muitas catedrais, igrejas, mosteiros queimaram em incêndios antes desse. Muitos terremotos derrubaram suas flechas monumentais, como vimos hoje cair a de Paris. 

Mas não posso deixar de considerar que essa destruição tem um caráter diferente. Antes do fogo destruir esta Citadela da Fé católica, há muito tempo já desaparecera o fogo que a levantara há cerca de 1.000 anos atrás.

Quando leio nos jornais os políticos falando de cultura, de Europa, de arte, não posso deixar de pensar na culpa que esses senhores têm por tudo o que foi jogado fora de civilização católica, dos mil anos da Cristandade, da Idade Média. Não posso impedir que brote no coração o ódio por essa Revolução que há 250 anos destrói o que nossos heróis construíram, para pasmo do mundo moderno, pelo simples amor a Nosso Senhor Jesus Cristo, a sua Mãe Maria, e a sua Esposa, a Santa Igreja  Católica Apostólica Romana.

Não posso deixar de odiar com todas as forças da alma esse Modernismo de Vaticano II, que ainda hoje derruba as simbólicas cruzes da fé nos corações.

Na verdade o mundo moderno e a Igreja modernista não merecem esses monumentos da fé antiga, pois que a repudiaram com desprezo e violência.

Era normal que, na Apostasia Geral em que vivemos, os marcos da fé de outrora fossem desaparecendo, como destruídos foram os Sacramentos, as Orações, o Sacerdócio, as igrejas e tudo o mais que ocupava pela vida interior esses mesmos monumentos.

Mas a vida continua.

Já estão arrecadando o dinheiro da reconstrução. Muito dinheiro. Já anunciaram que reunirão os melhores artífices do mundo para refazer o que foi destruído pelas chamas. De que serve? Levantarão uma Catedral do Pluralismo revolucionário. Cantarão loas à Fraternidade universal. Incensarão a deusa Liberdade no altar da nova Notre Dame. E todos, unidos pela Igualdade sem Jesus crucificado, soltarão fogos no dia da inauguração. 

No limiar da nossa Semana Santa, quando nos preparamos para o luto litúrgico pela Paixão e Morte de Cristo, soa o dobre por Notre Dame.

E mais uma vez choramos a destruição da fé.

Domingo que vem nos alegraremos com Cristo Ressuscitado, e poderemos tratar da nossa salvação eterna, nos nossos esconderijos, nas nossas catacumbas da Tradição.

UMA LUVA PARA TODAS AS ALMAS

A Torre de Babel, Pieter Brueghel

Fonte: Boletim Permanencia

“Há o orgulho, esse vício capital que mais do que tudo pesa no mundo do homem. Vício geral, vício universal, apego do eu, desregrada estima de sua própria excelência, erro interior, falsa avaliação do próprio ser, afronta a Deus único e perfeito.

Se nós escrevemos num papel amassado “orgulhoso” e o soltássemos dum oitavo andar da Avenida Rio Branco, ele cairia certo, em cima de rico ou de pobre, de sábio ou de néscio. Certíssimo. Luva para qualquer alma. Adjetivo para qualquer humano substantivo.

O orgulho é o primeiro e último vício, o mais persistente, o mais difundido. Não há idade que lhe resista; não há condição social que dele se defenda. A concupiscência tem momentos de pacificação. Arde em desejos quando não possui, mas pacifica-se, neutraliza-se quando atinge o bem cobiçado. O orgulho, não. Quanto mais servido mais ampliado fica. É uma fome inextinguível. Quando parece estar pacificado é justamente quando está mais exasperado. O orgulho é uma coisa feia. É sobretudo uma coisa transcendentalmente ridícula. É a mais comumente merecida das acusações, mas é também a mais grave.

[…]

O orgulho é um movimento da vontade, e procede de um erro, de um equívoco central. Sua composição é pois em tudo contrária à luz: é uma teimosia em campo obscuro, alimenta-se de erro, e desenvolve-se na medida em que a vontade não consulta a sua regra. Tanto pode ocorrer num homem de estudo como num homem iletrado, mas é mais provável que se desenvolva naquele que se nutre de mentiras vitais e que não se examina. O que se pode sensatamente dizer do homem muito lúcido, do poeta, do filósofo, é que a sua parcela de orgulho fica mais pública, mais visível. Mas não se pode dizer que essa parcela existe nele por causa da lucidez, da poesia e da filosofia. Não. Anda por aí muito orgulhoso calado, muito orgulhoso sem armas, muito orgulhoso que inventa seu próprio universo moral, que acha sozinho, na latrina talvez, a sua própria filosofia, a sua própria religião. Continuar lendo

UM NEFASTO ANIVERSÁRIO

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Paulo VI e os pastores protestantes que ajudaram na elaboração da Nova Missa 

Fonte: FSSPX Italia – Tradução: Dominus Est

3 de abril de 1969: Paulo VI promulga uma nova missa que é “… um impressionante afastamento da teologia católica da Santa Missa, como formulada na Sessão XXII do Concílio de Trento“.

Aconteceu ontem(*), 3 de abril, o nefasto aniversário de 50 anos da promulgação do novo missal de Paulo VI que, entrou em vigor oficialmente no advento do mesmo ano de 1969. Com esse missal seria seguida, rapidamente, a reforma de todos os livros litúrgicos da Igreja, de modo a apresentar claramente a ruptura com todo o culto católico, para a fundação de uma nova forma religiosa. Para usar as palavras dos Cardeais Ottaviani e Bacci no Breve Exame Crítico, o novo missal se apresenta rapidamente “como um todo e também em detalhes, como um impressionante afastamento da teologia católica da Santa Missa, que foi formulada na Sessão XXII do Concílio de Trento“. O elemento protestante é fortíssimo: a nova missa não se apresenta como um sacrifício expiatório, mas como uma assembleia que faz presente a memória da Ceia do Senhor. O padre é reduzido a presidente e perde todo o sentido de sua função, que se torna paralela e interconectada com a da assembléia que preside. Monsenhor Lefebvre chamará esse rito de “Missa de Lutero”, pedindo a todos os católicos que a evitem para preservar a fé.

Cinquenta anos depois, compreendemos ainda melhor o significado daquela ruptura com a expressão tradicional da fé católica no culto tridentino: o povo católico, até agora em grande parte deformado pela nova missa e alheio aos ritos anteriores, até mesmo por razão de idade, de católico – mesmo sem intenção – agora tem muito pouco. De fato, quanto mais essas pessoas são assíduas às novas funções, menos parecem acreditar e raciocinar como católicas. De modo análogo e ainda mais triste é a situação dos padres e bispos que tiveram que extrair sua identidade do novo rito, perdendo completamente o significado de suas funções.

Recordamos, há 2 anos, os 500 anos da “reforma” luterana. A “reforma” de Paulo VI, em cinquenta anos, causou um dano ainda maior que aquele do reformador alemão, em um décimo do tempo. Renovamos, neste aniversário, nosso apego à Missa Tridentina e, sobretudo seguindo os passos de nosso Fundador, a nossa firme rejeição ao novo rito, a fim de fazer da Missa tradicional uma verdadeira bandeira que indica a integridade da fé católica, contra todo o conjunto de erros da Roma de tendências neo-modernista e neo-protestante”, permanecendo fiéis à “Roma católica, guardiã da fé“.

Pela glória da Santíssima Trindade 

Por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo

Por devoção à Santíssima Virgem Maria 

Por amor à Igreja, por amor ao Papa 

Por amor aos bispos, sacerdotes e a todos os fiéis 

Pela  salvação do mundo, pela salvação das almas 

Guardem este testamento de Nosso Senhor Jesus! 

Guardem o sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo!

Guardem a Missa de Sempre!”(**)

Mons. Marcel Lefebvre

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Notas:

(*) No original oggi (hoje), alterado devido a data dessa publicação

(**) https://marcellefebvre.info/pt/content/16115

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Outro excelente artigo pode ser lido nesse link: MISSA NOVA, UM CASO DE CONSCIÊNCIA

DEPRAVAÇÃO DO CORPO: “ELES” COMEÇAM PELAS CRIANÇAS

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Gustavo Corção

Muitas vezes aludimos à crise que envenenou o Ocidente cristão, e que hoje se tornou universal graças ao movimento histórico da ocidentalização que, por paradoxo, se volta contra o Ocidente. Mais de uma vez tentamos percorrer os marcos históricos e as correntes de idéias que animaram a chamada civilização moderna e que agora deságuam pelo imenso estuário de mil disparates num oceano de sombrias perplexidades. A Renascença e a Reforma, debaixo de seus aspectos progressistas, e a par dos reais progressos trazidos pelas ciências da natureza, que asseguraram ao homem o conhecimento e o domínio das coisas exteriores e inferiores, foi o primeiro degrau do itinerário em que o homem se extravia de si mesmo, e para ganhar o mundo hipoteca a própria alma. Depois, na Revolução Francesa temos outro marco onde começa a grande impostura moderna das histórias mal contadas. Poderíamos dizer, embora nos repugne o neologismo, que a história recente é uma sucessão de estórias mal contadas. Num processo de sucessivo empulhamento que começou nos primórdios da Revolução Francesa, com as famosas societés de pensée denunciadas por Augustin Cauchin, seguiu-se a história do socialismo, a ascensão do liberalismo, a Revolução Russa, e as duas grandes guerras. Até hoje se conta a história da 2ª Guerra como se a Rússia tivesse desempenhado nela papel decisivo, papel de vencedor. Agora temos a super-impostura do progressismo “católico”, como uma síntese de todos os erros cometidos pela humanidade nestes últimos séculos. E qual é a direção geral, o efeito principal desses movimentos históricos?

Ninguém negará, evidentemente, a ocorrência de um progresso de que se gloria a moderna civilização: o homem inventou o telégrafo, a máquina a vapor, os computadores eletrônicos, o raio laser e finalmente chegou à Lua. Mas dificilmente se contestará outra evidência: o homem se distancia do humano, do espiritual, do sagrado. Os imbecis, evidentemente, pensarão que o homem só se reaproximará do humano na medida em que se afastar do espiritual e do sagrado.

Em nossa reta doutrina nós sabemos que o homem, de dois modos e em dois níveis, transcende ao mundo físico e à história. Por sua natureza racional, o homem possui uma dimensão que ultrapassa todo o universo; por sua elevação à ordem da graça e por sua ordenação à glória da visão de Deus três vezes santo, o homem ultrapassa o próprio nível de sua natural humanidade. Continuar lendo

PREDIÇÕES DO SANTO CURA D’ARS SOBRE OS ATAQUES AO SACERDÓCIO

“Quando se quer destruir a religião, começa-se atacando o sacerdote, porque onde não há sacerdotes, não há sacrifício, e onde já não há sacrifício, não há mais religião.” Estas palavras do Cura d’Ars oferecem o melhor comentário que se pode fazer sobre os eventos atuais da Igreja neste 2019.

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

São João Maria Vianney afirma a estreita relação que une o sacerdote ao sacrifício e a religião. Em sua época, as pessoas ainda podiam se lembrar dos padres massacrados pela Revolução Francesa e daqueles que juraram lealdade à constituição civil do clero. No interior e exterior da Igreja, o sacerdote foi atacado para que não houvesse mais sacrifício, para que não houvesse mais religião, exceto a da deusa da Razão. O Cura de Ars costumava dizer: “Deixem uma paróquia sem sacerdote durante 20 anos e as pessoas começarão a adorar os animais“.

Hoje, o sacrifício tem sido atacado por fora e por dentro. O mundo consumista rejeita o espírito de sacrifício para satisfazer sua ganância: prazer, dinheiro e orgulho, como nos diz São João. Infelizmente, ao tratar de abrir a Igreja ao mundo moderno, o aggiornamento conciliar colocou de lado o espírito de sacrifício, como relegou o tabernáculo aos corredores laterais: o altar tornou-se uma mesa, a Missa tornou-se num jantar A salvação do planeta se prega do púlpito, juntamente com as boas-vindas aos migrantes … O Cura de Ars ensinou seu rebanho: Todas as boas obras do mundo juntas não são equivalentes ao sacrifício da Missa, porque são obras dos homens, e a Santa Missa é obra de Deus.

É hora de perceber que o sacerdote sem o sacrifício conduz diretamente a uma religião sem sacerdotes, a uma Igreja sem vocações, a igrejas sem fiéis. Hoje vemos todos esses males e eles nos dominam. The Cura of Ars conhecia a solução: “Oh! Que bem faz um sacerdote em oferecer-se a Deus, todas as manhãs, em sacrifício!”

Padre Alain Lorans

A CONSAGRAÇÃO DO GÊNERO HUMANO

Fonte: Boletim Permanencia

Ainda está para ser escrita a relação entre os papas do século XX e as aparições de Nossa Senhora de Fátima: Bento XV era o papa no tempo das aparições, era por ele que as crianças ofereciam seus tão generosos sacrifícios; Pio XI foi o único expressamente mencionado nas aparições e Pio XII foi sagrado bispo precisamente no dia 13 de maio de 1917.

A relação continua com os papas do pós-concílio: João Paulo II, por exemplo, foi baleado no aniversário das aparições, também em um 13 de maio. E quem será aquele Papa e toda a gente ao seu redor, que Jacinta menciona?

– Posso dizer que vi o Santo Padre e toda aquela gente?
– Não. Não vês que isso faz parte do segredo e que por aí logo se descobria?

Num post recente comentamos como as aparições foram de certo modo preparadas pelos papas que imediatamente as precederam, e destacamos o papel de Leão XIII na promoção do Rosário. Mas há outra relação deste pontífice com as aparições, uma relação um tanto mais misteriosa, envolvendo também Portugal e uma consagração.

Escreveu o biógrafo Charles de T’serclaes: Continuar lendo

BUGNINI, PAI DAS MISSAS “SUMMORUM PONTIFICUM” E “ECCLESIA DEI” (RIP)

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Fonte: FSSPX Portugal

O Arcebispo Bugnini, Núncio Apostólico no Irã, não cessou de se interessar pelas consequências de sua reforma. Em Setembro de 1976, ano da ‘suspens a divinis’ de Dom Marcel Lefebvre, ele mandou para Roma umas propostas a serem feitas ao bispo rebelde: seria-lhe concedida a celebração da missa mediante certas condições, incluindo uma afirmação de que a nova missa não é nem herética, nem protestante; a celebração da Missa tradicional em igrejas especificadas, com horário fixo; implementação confiada aos Bispos diocesanos (Annibale Bugnini, Yves Chiron, p. 204).

Paulo VI recusou qualquer tentativa de acomodação. O arcebispo Lefebvre não teve de rejeitar estas propostas que eram a negação da luta da Fraternidade de São Pio X que ele havia fundado. Foi por esta luta que expôs-se a estas sanções, aquele que dois anos mais cedo viu na reforma litúrgica, na modificação da Lex Orandi, a expressão da modificação da Lex credendi acontecida no Concílio: “a uma nova Missa corresponde um novo catecismo, um novo sacerdócio, novos seminários, novas universidades, uma igreja pentecostal carismática, todas coisas que se opõem à ortodoxia e ao magistério de sempre “. (D. Marcel Lefebvre, Declaração do 21/11/1974, extracto).

Nihil novi sub sole, a igreja conciliar continua na linha dos reformadores neo-protestantes, impondo aos incautos católicos desejosos de liturgia tradicional as mesmas condições propostas pelo astuto prelado, autor da missa nova, esterilizando toda veleidade de restauração verdadeira da Fé e do culto verdadeiros na Igreja toda.

Pelo contrário, a FSSPX continua o seu combate para a restauração íntegra e universal da Tradição católica na Igreja toda.

Já sabemos, em boca de D. Annibale em pessoa, onde está a luta útil, e onde está a reserva de índios sem futuro.

Pe Samuel Bon, FSSPX

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Para entender mais sobre essas questões:

BEM VINDO À MATRIX

Fonte: Boletim Permanencia

Em abril de 2011, um homem de 23 anos invadiu a escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, assassinou 11 crianças, e depois cometeu suicídio.

Em outubro de 2017, um vigilante noturno entrou na creche Gente Inocente, na cidade de Janaúba, MG. Dez crianças e dois adultos morreram.

Semana passada, dois homens, um de 17 e outro de 25 anos, invadiram a escola Estadual Raul Brasil, na cidade de Suzano, SP, armados e atirando a esmo. Assassinaram cinco adolescentes e três adultos, depois se suicidaram.

É impossível não tentar traçar um paralelo entre essas tragédias. Esses crimes têm um aspecto moral em comum que a imprensa tem falhado em levar em consideração: o desprezo à vida.

Por que vivemos numa sociedade que despreza a vida?

Fundamentalmente porque o pensamento que orienta o mundo é materialista, nega a espiritualidade da alma e o fim último do homem. A religião católica, única verdadeira, foi reduzida às catacumbas, e o que nos chega do oriente com o nome de religião não passa de uma aeróbica da vaidade.

Há uma cena no primeiro filme da série Matrix que resume esse desprezo à vida: o protagonista entra no saguão da sede da polícia e se depara com uma multidão, sabendo que terá de matá-la. Ele vacila, mas é consolado por um de seus companheiros: “É um favor que você faz a eles”. A frase talvez não seja exatamente esta, mas é essa a idéia: matá-los era a maneira de libertá-los de uma vida de ilusão. A cena vale por um tratado. O próprio filme, aliás, é um resumo do pensamento gnóstico que é o fundo metafísico de todas as falsas religiões: a vida não vale nada.

O problema da sociedade descristianizada já começa na própria definição de vida. A discussão sobre o “direito ao aborto” é só o exemplo mais trágico do quão baixo chegamos nesse “conceito”: não importa a vida, mas o momento em que o ser vivente merece ser considerado vivo.

A partir daí, não será de estranhar que se venha depois a discutir quando poderá ser considerado morto. Variando apenas o juiz: ora um médico psicopata a favor da eutanásia, ora um tirano em busca de “soluções finais”.

MEDIA VITA

Pe. Luis Cláudio Camargo – FSSPX

 Eis aqui que no meio da vida nos assaltou a morte. 

Que auxilio procurar, senão a Vós, Senhor, que por nossos pecados com razão vos irritais?

Deus Santo, Deus forte, Salvador misericordioso, não nos entregueis à morte amarga. 

Em Vós nossos pais esperaram; esperaram e livraste-los. 

A Vós clamaram nossos pais; clamaram e não foram confundidos 1.

Introdução

A preparação litúrgica para a festa da Páscoa se divide em muitas partes. Inicia-se com o tempo da Septuagésima (preparação remota que compreende três domingos) e se prolonga com o tempo da Quaresma propriamente dito (que compreende quatro domingos). Com a aproximação da festa principal do ano litúrgico nos deparamos com o tempo da Paixão (preparação imediata com dois domingos: 1º Domingo da Paixão e Domingo de Ramos). No fim desta última semana – Semana Maior– estão os dias mais importantes do ano: Quinta Feira Santa (Instituição da Eucaristia), Sexta feira Santa (Morte de N. Senhor), Sábado Santo (Vigília Solene) e o Domingo da Ressurreição.

Uma análise de todos os textos litúrgicos seria de grande interesse, porém, nos parece importante, antes de entrar em tal análise, fazer o leitor encontrar os pontos de unificação de todos esses elementos. A prática das penitências quaresmais é certamente um dos principais. Queremos no presente artigo atrair a atenção sobre este ponto tão crucial.

Ia Parte – Não só de pão

A penitência tem como fim remover os obstáculos que dificultam nossa aproximação a Deus. Sua importância então não está nos atos penosos em si, mas sim no fim último ao qual está ordenada, o que quer dizer que tem a mesma medida da caridade. Vou tentar esclarecer um pouco mais: todo caminho sai de um lugar e conduz a outro. Aproximar- se do fim é necessariamente afastar-se do ponto de partida. Aproximar-se de Deus significa, por razão do movimento, afastar-se de si mesmo. A penitência é o aspecto negativo da união com Deus. Certamente o que importa é o Amor de Deus, mas a penitência é sua sombra. Ambos crescem na mesma medida, como de mãos juntas.  Continuar lendo

ESTAR NO ERRO COM O PAPA OU TER RAZÃO COM A TRADIÇÃO INDO CONTRA ELE?

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Esta é uma objeção frequentemente feita à “Tradição”: um católico deve estar em completa união com o papa. Deveria preferir estar errado com ele ao invés de estar contra ele, pois será julgado com base a esse apego ao papa antes que por sua adesão à verdade! Como podemos responder a isso?

Esta objeção poderia apelar à autoridade de Santo Ambrósio: “Ubi Petrus, ibi Ecclesiaonde está Pedro, também está a Igreja“. Ou de São Cipriano”: Há um só Deus, um Cristo, uma Igreja e uma cátedra fundada sobre Pedro“. E, de fato, é essencial para a Igreja ser dirigida pelo Papa, o Vigário de Cristo. Inclusive poderíamos citar até mesmo as palavras do próprio Cristo: “E eu te digo, tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno se não prevalecerão contra ela. A ti darei as chaves do reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus“(Mt 16, 18-19).

Mas não foi também ao mesmo São Pedro a quem Nosso Senhor disse: “Afaste-se de mim, Satanás!” (Mc 8,33)? Palavras que ele dirigiu unicamente ao próprio demônio. Não foi São Pedro quem negou seu Mestre três vezes? O propósito dessas afirmações não é minar a dignidade do sucessor de Pedro, mas lembrar que ele tem um cargo que é certamente de uma dignidade incomparável, mas que, como todo cargo, tem seus direitos e deveres.

Como explica o Concílio Vaticano I: “Assim o Espírito Santo foi prometido aos sucessores de Pedro, não de maneira que eles pudessem, por revelação sua, tornar conhecida alguma nova doutrina, mas que, por sua assistência, pudessem guardar santamente e expor fielmente a revelação transmitida pelos Apóstolos” (Constituição Pastor Aeternus, Capítulo 4). Isto significa que o poder do soberano pontífice está regulado pela Revelação e as palavras que São Paulo aplicou a si mesmo também pode aplicar-se a ele: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse um evangelho diferente daquele que vos temos anunciado, seja anátema“(Gl 1: 8).

A submissão ao papa, portanto, está condicionada pela obediência à Revelação, da qual ele é servo e protetor. A história da Igreja mostra que, com exceção do caso de um exercício infalível do Magistério, cujas condições foram estabelecidas por este mesmo Concílio, um Papa pode desviar-se da verdade ou do caminho correto, embora isso sempre tenha sido raro. Neste caso, os fiéis podem, e devem obedecer a Deus antes que aos homens. Tomemos o exemplo de São Paulo: “Mas, quando Cefas (São Pedro) veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, por ser digno de repreensão” (Gl 2, 11). Há também o caso de Santo Atanásio, que foi excomungado pelo papa Liberio. E o papa João XXII, que pregou uma falsa doutrina sobre a visão beatífica em uma igreja em Avignon.

Segundo os objetantes, seria melhor ter aderido ao arianismo moderado com Libério do que ter permanecido firme com Santo Atanásio. Ter crido com João XXII que as almas dos fiéis defuntos devem esperar a ressurreição para poder receber a visão beatífica, em vez de ter mantido, com a grande maioria dos doutores e teólogos, que esta recompensa é dada para aqueles que são dignos de comparecer diante de Deus, sem ter que esperar pela ressurreição, uma doutrina que foi definida pelo sucessor de João XXII, o beato Bento XII. Ou ter preferido judaizar com São Pedro em vez de compartilhar a desaprovação de São Paulo.

De fato, uma oposição ao papa deve ter fundamentos muito sérios e deve seguir regras de prudência muito particulares. Mas quando dois ensinamentos são claramente opostos, assim como os da crise atual e a dos papas passados, qual deve ser considerada a correta? O Commonitorium de São Vicente de Lérins responde: “O que fará o cristão católico se… algum novo contágio do erro se difunde e trata de envenenar toda a Igreja de uma vez. Neste caso, o melhor será se apegar à antiguidade que, obviamente, já não pode mais ser seduzida por nenhuma novidade enganosa em absoluto“(III, 1, 2).

O SATÂNICO CAMARADA STALIN

A comunista Frida Kahlo celebrando Stalin

Fonte: Boletim Permanencia

Há sessenta e seis anos morria Joseph Stalin, a mente mais criminosa do século XX. Seu legado, para além de um país destroçado, foi a incrível marca de dezenas de milhões de mortos, para nada falar da multidão dos torturados ou deportados para os gelados gulags da Sibéria. Tudo isso, claro, em nome da liberdade e da justiça, em nome de uma ideologia satânica que ainda hoje encontra imbecis que a defendam.

Lembremos como era a situação dos católicos atrás da cortina de ferro nos anos que precederam imediatamente a morte do líder comunista. Os dados são de 1950, e foram publicados no livro Témoins du Christ à traves les persécutions du XXe siècle, Éditions du MJCF:

  • Na URSS, todos os bispos e todos os padres haviam sido assassinados, deportados ou exilados;
  • Na Sibéria, não havia mais bispos nem padres que pudessem exercer livremente o seu ministério no território. Ademais, centenas de milhares de católicos bálticos, poloneses, alemães, ucranianos, lá estavam como deportados ou prisioneiros;
  • Na Ucrânia, todos os bispos haviam sido deportados e três deles morreram na prisão. Estima-se que mais de 35.000 padres foram executados ou enviados para a Sibéria.
  • Na Lituânia, seis bispos foram presos ou exilados, 400 a 500 padres foram literalmente caçados. De uma população de quase dois milhões de católicos, a metade fora enviada para a Sibéria por motivações religiosas.
  • Na Letônia, os dois bispos foram exilados e, de cento e vinte padres, 33 foram deportados. Haviam ainda entre 300 e 400 mil católicos.
  • Na Estônia, o único bispo foi preso e 50 padres foram executados ou deportados. Havia cerca de 10.000 católicos.
  • Na Polônia, de um total de 24 milhões de habitantes, 75% eram católicos. Mais de 1.000 padres foram executados ou encarcerados.
  • Na Alemanha Oriental, havia na zona oriental três bispos e dois ou três administradores apostólicos, cerca de 400 padres e mais de dois milhões de católicos.
  • Na Tchecoslováquia, de 14.726.000 habitantes, 70% eram católicos. Todos os doze bispos viviam sob monitoramento e, de um total de 7.000 padres, mais de 1.500 estavam presos.
  • Na Hungria havia seis milhões de católicos numa população de nove milhões. Com a entrada das forças soviéticas, um bispo foi assassinado, o cardeal Mindzsenty foi preso, e mais de 500 padres foram mortos ou exilados.
  • Na Bulgária não havia mais de 6.000 católicos. A maior parte dos padres — uns 30 — ainda estavam livres, mas não podiam mais exercer o seu apostolado.
  • A Romênia contava com mais de 3 milhões de católicos numa população de 18 milhões. Doze bispos estavam presos, um único ainda vivia em liberdade. Todos os mil e quinhentos padres foram executados ou enviados para o cárcere.
  • A Iugoslávia era uma país com 5 milhões de católicos numa população de 16 milhões de habitantes; dois bispos foram assassinados, três encarcerados ou exilados. Mais de 250 padres foram assassinados e 400 estavam presos ou exilados.
  • Na Albânia, havia mais de 100.000 católicos numa população de 10 milhões de habitantes. Dois bispos haviam sido fuzilados e os demais estavam encarcerados. Praticamente não havia mais padres, enquanto outrora eram mais de cem.

Tudo isso sob o olhar complacente da Europa ocidental, que se esforçava para não ver, e o aplauso de artistas e intelectuais de cuja biografia essa adesão incondicional – e frutuosa em termos de carreira e dinheiro – foi apagada ou reduzida a um deslize sem maiores consequências.

No Brasil, o caso mais notório de idolatria foi Jorge Amado, que escreveu livros e textos louvando Stalin num estilo laudatório de fazer inveja ao mais abjeto puxa-saco. Em 1951, recebeu até o “Prêmio Stalin da Paz”, o equivalente comunista do Nobel.

Jorge Amado em Moscou para receber o “Nobel” que lhe coube em 1951.

Em contrapartida, os intelectuais e artistas que desde cedo perceberam a evidência e trataram de denunciá-la foram sistematicamente esquecidos, depois de detratados a base da mentira e da pilhéria. Entre nós, uma das vítimas – e talvez a maior de todas – foi Gustavo Corção. A mera comparação de profundidade e estilo entre um e outro escritor, se equacionada à publicidade dada a cada um, seria um claro indicador das causas de nossa miséria cultural.

A Stalin coube a tarefa de completar o trabalho começado com a Primeira Guerra Mundial: a demolição do Império Austro-Húngaro e a erradicação do Cristianismo – Católico ou Ortodoxo – de toda a Europa Oriental. É possível que Stalin não tivesse consciência das forças a que servia, mas lançou-se à tarefa com a dedicação que só o prazer é capaz de produzir: era um assassino com licença para matar.

Caído em desgraça depois da morte, no melhor estilo “vão-se os dedos, ficam os anéis”,
Stalin ainda é objeto de culto, por exemplo, no PCdoB, partido de Manuela D’Ávila, vice de Fernando Haddad na disputa pela Presidência da República na última eleição. E é claramente o modelo implícito, do comunismo cubano e do bolivarianismo de Chavez e Maduro.

CARTA AOS PAIS

Esta carta de André Charlier merece ser lida duas vezes. Uma, por seu conteúdo e oportunidade; Outra, tendo-se em vista a data em que foi escrita, 22 de outubro de 1954, quando Charlier era diretor da escola preparatória de Clères, na Normandia. 

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Embora escrita para pais franceses, estas breves reflexões certamente interessarão ao leitor brasileiro.

Fonte: Permanencia

Prezados amigos, escrevi há muitos anos “cartas aos pais”, e parei de escrevê-las, uma vez que, no final, não via utilidade. Elas não persuadiam senão aqueles que já se encontravam persuadidos. Muitos me escreviam: «Como o sr. tem razão!», mas não passavam desta aprovação platônica. Ora, tenho muito pouco tempo para escrever coisas inúteis. Se escrevo aos senhores hoje mais uma vez, é porque uma imperiosa necessidade me incita a isto. É preciso, de todo modo, que o homem ao qual os senhores confiaram a educação de seus filhos lhes diga o que pensa da juventude da França que cresce. Sua responsabilidade moral, como a minha, está empenhada e é preciso que aos senhores seja apresentada a realidade. O quadro que apresento é uma visão geral cujos elementos não foram tomados apenas do que pude constatar na Escola. Do que tenho a lhes dizer, cada um aproveitará o que quiser ou puder.

O que me espanta mais, é o quanto esta juventude é pouco viril. E por que é assim? Porque, simplesmente, os senhores jamais exigiram nada dela. Os senhores apenas se preocuparam de que fossem felizes e realizaram todos os seus desejos; desde a primeira infância, os satisfizeram de todos os modos possíveis; como poderão querer que tenham a idéia de que, por um lado, a vida é difícil, que as coisas difíceis são as únicas que interessam e que, por outro lado, todas as alegrias se compram e mesmo que custam tanto mais caro quanto mais elevadas são? Tudo sempre lhes foi dado e eles julgam normal que tudo lhes seja dado, estimam mesmo que é seu direito; e como a cultura e a ciência não se comunicam por si mesmas, vêem nisso uma espécie de injustiça. Eles não estão longe de se considerarem vítimas, posto que o Latim e as matemáticas não entregam tão facilmente os seus segredos.

Isto é assim porque, na educação que os senhores lhes deram, eles sempre receberam tudo de graça. Os senhores foram vítimas da demagogia universal e do moderno liberalismo, que considera a autoridade um vestígio de tempos bárbaros. Os senhores repudiaram a autoridade; quiseram agradar seus filhos para serem amados: mas não serão mais amados do que nossos pais o foram e serão, talvez, menos estimados por seus próprios filhos quando estes tiverem idade para julgar. Pois não lhes ensinaram que tudo tem um preço e que as coisas de valor custam caro. Jamais tiveram necessidade de merecer os prazeres que lhes foram dados; jamais aprenderam a fazer coisas contrárias às suas vontades. Ora, não é coisa agradável, em si mesma, por exemplo, estudar as declinações do latim ou do alemão. Continuar lendo

O ROSÁRIO É INDESTRUTÍVEL

Fonte: Boletim Permanência

“Minha mãe, vou rezar o terço com o Francisco, que foi o que Nossa Senhora mandou que nós fizéssemos”, disse Jacinta logo após revelar à mãe quem tinha visto na Cova da Iria.

Jamais se dirá o bastante sobre a importância que Nossa Senhora deu ao Rosário em Fátima. Nas seis vezes em que apareceu aos pastorinhos sem exceção, a Virgem mandou rezarmos o terço. Por que tanta insistência nessa devoção em particular?

Ora, num post recente, falávamos que quando as missas eram rezadas no rito de sempre, que é o mesmo sacrifício em substância que o sacrifício da cruz, havia como que uma rede de graças cercando o planeta. Com seus quatro fins, a Santa Missa traduzia em linguagem humana o indizível cântico dos anjos do Céu.

Em tempos normais, a Missa deveria ser o centro da vida do católico e o principal meio de santificação, como escreveu Garrigou-Lagrange:

“Para toda alma interior, a Missa deve ser, cada manhã, como a fonte eminente, de onde derivam todas as graças de que temos necessidade durante o curso do dia, fonte de luz e de calor, semelhante na ordem espiritual, ao que é o nascer do sol na ordem da natureza. […] Este então deveria ser o maior ato de nossos dias e na vida de um cristão, sobretudo de um religioso, todos os outros atos quotidianos só deveriam ser o acompanhamento daquele, ou seja, todas as outras orações e pequenos sacrifícios que devemos oferecer ao Senhor durante o dia.” Continuar lendo

PE. JÜRGEN WEGNER, FSSPX: A IGREJA SOBREVIVERÁ A ESTA ÉPOCA DE TRAIÇÃO DE SEUS MEMBROS

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

O Superior do Distrito americano da Fraternidade São Pio X, escreve aos fiéis no início deste período da Quaresma, sobre a sensação de desânimo sentido por muitos sobre o atual estado da Igreja Católica:

Querido amigo,

Em várias de minhas recentes cartas, tenho mencionado os problemas da Igreja. Infelizmente, a crise continua, inabalável. 

De fato, enquanto escrevo esta carta, o ex-cardeal Theodore McCarrick foi destituído do estado sacerdotal como resultado de seus crimes, e vários bispos e cardeais estão se reunindo com o Papa Francisco em Roma para uma cúpula sobre abuso sexual. Finalmente, em 4 de fevereiro, o Papa Francisco assinou um documento conjunto, intitulado “Sobre a Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Convivência Comum”, com o Sheikh (xeque) Ahmed el-Tayeb, Grande Imã de Al-Azhar. 

Este documento contém a perturbadora afirmação de que “o pluralismo e a diversidade das religiões” são “desejados por Deus em Sua sabedoria”, uma afirmação que se opõe ao dogma que declara que a religião Católica é a única religião verdadeira.

Muitos de vocês que conheci em minhas viagens falaram do seu desânimo em relação ao estado atual da Igreja. Então digo isto a vocês: – A Igreja sobreviveu a muitas crises no passado – sacerdotes pecadores, falsos papas, cismas – e estamos confiantes, pela promessa de Cristo, de que a Igreja sobreviverá a isso também. Você também sobreviverá, contanto que ore e permaneça fiel. 

Com a iminente chegada da Quaresma, tens um bom momento para se afastar das coisas mundanas e se concentrar na vida espiritual. Encorajo-o, durante a Quaresma, a abandonar as distrações das redes sociais e da Internet ou, pelo menos, limitar o seu uso apenas ao que é necessário para a escola ou o trabalho. Isso não apenas ajudará você a evitar o desespero em relação aos problemas na Igreja e a cultura, mas lhe dará a oportunidade de fazer algo muito mais eficaz: orar.

Ore pela Igreja, ore pelo mundo, ore por suas famílias – e ore por um aumento na fé. 

E, por favor, ore pela Fraternidade São Pio X e seus sacerdotes.

Desejando-lhes uma Santa e espiritualmente frutífera Quaresma.

No amor de Cristo, 
Pe. Jürgen Wegner  
Superior do Distrito dos Estados Unidos

UM FILHO DE SÃO FRANCISCO QUE REVIVIA A PAIXÃO

Pe. Denis Quigley – FSSPX

Padre Pio foi o primeiro sacerdote da história da Igreja Católica a receber estigmas visíveis. Ter os estigmas é trazer em seu corpo “marcas semelhantes às chagas do corpo crucificado de Jesus Cristo”.

Na história da Igreja, o número de estigmatizados reconhecidos é bem raro. Il Padre apresentou estigmas aparentes durante cinquenta anos e perdeu tanto sangue ao longo desse tempo que, conforme a ciência médica, normalmente não teria podido viver tanto.

Na realidade, Padre Pio já trazia estigmas invisíveis desde agosto-setembro de 1910. Ele rezou para que eles se mantivessem escondidos dos olhos dos homens. No entanto, no dia 20 de setembro de 1918, no momento em que fazia sua ação de graças após a missa, recebeu os estigmas visíveis.

Seu diretor espiritual lhe ordenou que descrevesse tudo o que se passou naquele dia. Eis o que escreveu Padre Pio:

“… eu vi surgir diante de mim um personagem misterioso.. sangue corria das suas mãos, dos pés e do lado. Essa visão me aterrorizou… A visão do personagem desapareceu e percebi que sangue corria das minhas mãos, dos meus pés e de meu lado. Imagine o martírio a que me submeti e que continuo a viver quase todo dia.

“O sangue continua a correr da chaga do coração incessantemente, sobretudo na noite de quinta-feira até o sábado. Meu Pai, morro de dor por causa desse suplício e da confusão que reina na minha alma… Suplicaria fortemente diante d’Ele e não cessaria de suplicar para que, na sua misericórdia, afastasse de mim não o suplício nem a dor — pois vejo a impossibilidade disso e quero me embriagar da dor — mas as marcas externas, que são para mim fonte de humilhação insuportável e indizível.” Continuar lendo

COMUNICADO DO SUPERIOR GERAL DA FSSPX: A VERDADEIRA FRATERNIDADE

 

Fonte: FSSPX Italia – Tradução: Dominus Est

A verdadeira fraternidade existe somente em Jesus Cristo

Um Cristo ecumênico não pode ser o verdadeiro Cristo. Por mais de 50 anos, o ecumenismo moderno e o diálogo inter-religioso apresentam ao mundo um Cristo diminuto, irreconhecível e desfigurado.

O Verbo de Deus, Filho unigênito do Pai, a Sabedoria incriada e eterna encarnou-se e fez-se homem. Diante deste fato histórico, ninguém pode ficar indiferente: “Quem não está comigo está contra mim, e quem não ajunta comigo, espalha” (Mt. 12, 30). Pela Encarnação, Cristo tornou-se o Sumo Sacerdote da nova e única aliança e o Doutor que nos anuncia a verdade; tornou-se o Rei dos corações e da sociedade e “o primogênito de muitos irmãos” (Rom. 8, 29). Portanto, a verdadeira fraternidade existe somente em Jesus Cristo, e em nenhum outro: “Pois não foi dado aos homens outro nome debaixo do céu, pelo qual devemos ser salvos” (Atos 4, 12).

É uma verdade de fé que Cristo é Rei de todos os homens, e que ele deseja reuni-los em Sua Igreja, Sua única Esposa, Seu único Corpo Místico. O reino que Ele estabelece é um reino de verdade e graça, de santidade, justiça e caridade e, portanto, pacífico. Não pode haver paz verdadeira fora de Nosso Senhor. Portanto, é impossível encontrar paz fora do reino de Cristo e da religião que Ele fundou. Esquecer essa verdade é construir sobre a areia, e o próprio Cristo nos adverte que tal empreitada está destinada a perecer (conf. Mt 7,26-27).

documento sobre a fraternidade humana pela paz mundial e a convivência comum, assinado pelo Papa Francisco e pelo grande Imã de Al-Azhar nada mais é do que uma casa construída sobre areia. E não apenas isso, é também uma impiedade que despreza o primeiro mandamento e que faz dizer à Sabedoria de Deus, encarnada em Jesus Cristo que morreu por nós na Cruz, que “o pluralismo e a diversidade de religiões” são uma “sapiente vontade divina “.

Tais afirmações se opõem ao dogma que afirma que a religião católica é a única religião verdadeira (conf. Syllabus, proposição 21). Trata-se de um dogma e o que se opõe a isso toma o nome de heresia. Deus não pode contradizer-se.

Seguindo a São Paulo e nosso venerado fundador, Mons. Marcel Lefebvre, sob a proteção de Nossa Senhora, Rainha da Paz, continuaremos a transmitir a fé católica que recebemos (1 Cor. 11, 23), trabalhando com todas as nossas forças para a salvação das almas e das nações, mediante a pregação da verdadeira fé e da verdadeira religião.

Ide todos e fazei discípulos em todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo o que eu os ordenei” (Mt 28, 19-20). “Quem crer e for batizado será salvo e quem não crer será condenado” (Mc 16, 16).

24 de fevereiro de 2019

Pe. Davide Pagliarani, Superior Geral 
Mons. Alfonso de Galarreta, Primeiro Assistente 
Pe. Christian Bouchacourt, Segundo Assistente

O SUPREMO NÃO É SAGRADO

Fonte: Boletim Permanencia

“Supremo enfrenta processo de dessacralização”, diz o título da coluna de Josias de Souza. Mas o “sacro”, a que um dia já se arvorou o Supremo Tribunal Federal, é só uma versão secularizada da verdadeira sagração do poder.

Coroação de D. Pedro II. Óleo sobre tela, 2,38 x 3,10 m, de François-René Moreaux, 1842

Depois de proclamar a independência frente a Portugal, D. Pedro I fez questão de ser sagrado Imperador pelas mãos do clero, numa cerimônia muito semelhante às rubricas litúrgicas do Pontifical Romano. Ainda que sua motivação pudesse ser meramente terrena (de afirmar a legitimidade do grito do Ipiranga), aquele ato não deixava de reconhecer a verdadeira origem de todo o poder.

Mesmo com toda a contaminação liberal da monarquia, reforçada no segundo reinado, o Imperador reteve em alguma medida essa aura de sacralidade, que se expressava na confissão do Catolicismo como religião oficial do Estado e lhe dava uma autoridade supra-partidária, um ente moral acima das disputas de facção e dos interesses menores. Foi justamente quando pretendeu fazer-se “homem comum” que D. Pedro II foi derrotado: desde a forma mais liberal de se vestir até os anseios de se desfazer do papel de monarca para se tornar um mero professor. Mas, sobretudo, seu tiro no pé foi o pouco caso para com a Igreja, a única instituição no céu e na terra capaz de lhe conferir a marca da sacralidade. Sufocou vocações, proibiu claustros, deixou a Igreja à míngua. Chegou ao cúmulo de chancelar, em 1872, a prisão de Dom Vital e Dom Macedo Costa, os dois bravos bispos que escolheram a fidelidade a Roma no combate à maçonaria.

Com o golpe da República em 1889, o Exército toma para si o Poder Moderador que antes pertencera ao monarca. Mas como já não havia por trás a Igreja para conferir sacralidade, a função perdeu o seu caráter intocável. Outros logo se lançaram nessa disputa, que não é de poder, mas de autoridade; fruto de reconhecimento, não de fria imposição legal. Continuar lendo

A GUERRA É SOBRENATURAL

Fonte: Boletim Permanencia

Houve um tempo em que no Reino da Igreja a luz nunca se punha. A cada segundo, em algum lugar, uma missa começava, sempre igual nos gestos e palavras em latim, e o mundo vivia então envolto por um coro de vozes sussurradas que simulava, no limite do humano, a eternidade dos anjos em sua louvação a Deus.

E assim o catolicismo resistia à pressão das trevas. Não eram tempos fáceis. E a luta era feroz e desigual. Escritores católicos que desde 1789 resistiam – e são tantos os nomes esquecidos! – se amparavam sobrenaturalmente nesse coro de vozes. Mas com o tempo – sempre o tempo – o coro foi se apagando, se apagando, se apagando – até que em dado momento as trevas prevaleceram: o tempo engoliu a eternidade – e cada missa hoje é o que o padre pretenda que ela seja, e cada igreja hoje é o que o padre pretenda que ela seja, e cada fiel hoje é o que ele pretenda ser. Uma legião de cabeças – e em cada cabeça, uma sentença.

É o tempo pós-conciliar, o nosso tempo.

Num texto que se poderia dizer profético, Dans Les Ténèbres, Léon Bloy percebeu e consignou o que vinha. É talvez o livro mais pesado da literatura ocidental: 30 páginas e toneladas de amargura, tristeza e o que ainda restava de revolta ao guerreiro agonizante.

Ali se anunciava o fim. O ano era 1917. Cinquenta anos depois a derrota era completa. A missa se extinguira, o coro se calara e os espíritos malignos dominavam o ar, os ares. E estão no ar, triunfantes: no rádio, na tv, agora nos celulares, na internet.

Uma derrota completa.

Só em uma ou outra catacumba ao redor do mundo, a velinha de umas missas de verdade resiste ao vento que não cessa, cintilando, aqui e ali, gemendo, esporádicas, mas impávidas. Temos fé.

Mas tão completa é a derrota que hoje se acredita que a guerra é cultural. Vejam só: há católicos que acreditam que a guerra é cultural. Por quê? Porque não são mais católicos. E nem sabem. Engolem resignadamente o biscoitinho insosso que é a hóstia e, às vezes, até recitam a missa em latim. Vejam só, em latim…

Mas acreditam que a guerra é cultural, e chegam a desejar o mal menor como se fosse um bem. São guerreiros de vento lutando contra as fantasmagorias que lhe oferecem os professores de nada: “nós contra eles”, aprenderam – não sabem que a uma certa distância mal se distinguem.

Não. A guerra é sobrenatural. Por princípio.

A DEFENSORIA CONTRA OS INDEFESOS

Fonte: Boletim Permanencia

Chesterton era mestre em levar às últimas conseqüências as falsas premissas das ideologias modernas, até o ponto de revelar alguma contradição inescapável que nos força, gentilmente, a reconhecer o acerto da posição católica.

Uma das mais célebres é aquela, no capítulo 4 da Ortodoxia, em que define a tradição como “uma extensão dos direitos civis”, uma “democracia dos mortos”, um modo de viver em sociedade que “significa dar votos à mais obscura de todas as classes, nossos antepassados”. Assim como repugna a um democrata que alguém despreze uma opinião só pelo fato de ela vir de um favelado, assim repugna a um tradicionalista que se despreze o conselho de alguém só pelo fato de ser nosso bisavô. Xeque-mate: confrontado com esse argumento, ou o democrata reconhece o valor da tradição, ou cairá em contradição com sua retórica de defesa dos mais necessitados, dos esquecidos, dos que não têm voz.

No ambiente dos tribunais, para defender aqueles que não têm meios de defesa, que não podem contratar advogados, há no Brasil o órgão da Defensoria Pública. Sua função é proteger os desvalidos, os necessitados; na palavra da moda no meio forense, os vulneráveis. E por isso seus membros se ufanam de pertencer a uma instituição que se quer como “expressão e instrumento do regime democrático” (art. 134, CF), o que está em linha com a retórica de proteção dos indefesos.

Eis que, chamada a se manifestar numa ação judicial em que o STF mais uma vez se esforça para espezinhar a lei natural (e atrair para si a vingança clamada aos céus), a Defensoria Pública da União opinou pela “descriminalização” da “interrupção da gravidez” (leia-se: homicídio de um ser humano em formação) até o 3º mês de gestação. Fundamentos? O cardápio de falácias liberais e feministas de sempre: machismo (misoginia, segundo a última reforma vocabular da Novilíngua) institucional de nossas leis, feitas por homens para vitimar mulheres; impossibilidade de se impor a maternidade; direitos sexuais e reprodutivos; dignidade humana (sempre ela!) e outros filhos do demônio. Continuar lendo

A INIQUIDADE GARANTIDA

Fonte: Boletim Permanencia

A valente linhagem de católicos antiliberais dos últimos séculos nos ensina que “não há maior sectário do que um liberal”, já que ele é “um fanático da liberdade” somente enquanto ela convém a suas utopias e interesses. Desde o jacobino Saint-Just a bradar “nenhuma liberdade aos inimigos da liberdade”, até Sir Karl Popper proclamando “em nome da tolerância, o direito de não tolerar os intolerantes”, não poucos desses fanáticos fizeram o involuntário favor de confirmar a justeza de seus adversários católicos.

O dia de hoje deverá trazer mais uma dessas confirmações, vinda agora de uma das máximas instituições políticas do país: o Supremo Tribunal Federal está para julgar a criminalização da “homofobia”. Um dos efeitos da tragédia será transformar em “discurso de ódio” qualquer afirmação um pouco mais assertiva, um pouco mais firme, da obviedade de que “homem é homem, mulher é mulher”, e fazer passar por crime o ato de misericórdia espiritual de corrigir os que erram, e erram grave (Catecismo de São Pio X, nº 941). Mais uma vez, o falso princípio da dignidade da pessoa humana levará à legalização do pecado e à criminalização da misericórdia. 

O STF é conhecido como um verdadeiro templo do garantismo penal. Garantismo é a tendência de juristas que reforçam a prevalência das garantias do acusado sobre as exigências da ordem pública e da contenção do banditismo. Opõem-se aos punitivistas, alcunha derrisória que deram aos seus adversários doutrinais. Temas como regime de cumprimento das penas, nulidades processuais, política de desencarceramento, legítima defesa do policial e autos de resistência são alguns dos muitos que dividem esses dois campos.

Como o topo da pirâmide judiciária brasileira é marcadamente garantista, temos a peculiar situação de um país assolado pela criminalidade onde algemar um preso em flagrante (mesmo sem nenhuma violência) pode configurar um abuso de autoridade, ou onde o banho quente ― do qual algumas famílias pobres talvez ainda se privem, e do qual graças a Deus são privados os acampamentistas de São Domingos Sávio ― é considerado um direito inalienável do presidiário em razão de sua dignidade humana. E se nossa Corte Suprema ainda não virou o apertado escore que assegura a execução da pena após a condenação em segunda instância, é apenas por um equilíbrio instável e provisório, que aparentemente resultou de uma pressão dos nossos militares.

Mas é preciso fazer as devidas distinções: nem toda garantia é expressão do garantismo. No bojo do direito penal estão algumas regras que, nutridas pelas raízes longínquas do direito romano, são verdadeiras conquistas civilizacionais. Um dos melhores exemplos é o direito que tem o acusado de se defender, regra justa que a própria Sabedoria Divina chancelou na Sagrada Escritura: “Parece ter razão o que expõe primeiro a sua causa; vem depois a parte adversa, e então se examina a fundo a questão” (Pr 18, 17).

Também assim a norma que diz: “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”  nullum crimen, nulla poena sine lege praevia. Embora a fórmula latina desse princípio seja recente, suas origens estão na regra geral da irretroatividade das leis: “omnia constituta non praeteritis calumniam faciunt, sed futuris regulam ponunt”, na expressão do Código de Teodósio I (393 AD) ― a propósito, o imperador romano do Edito de Tessalônica, que definiu a ortodoxia católica como religião oficial. E seria de perguntar se a regra de aplicação pro futuro da lei nova não está implícita nos artigos da questão 97 da Suma Teológica (IaIIae), em que Santo Tomás trata da mudança das leis.

O triste espetáculo que, salvo milagre, se desenha para a tarde de hoje (ou para um pouco depois, se houver um pedido de vista) não é só mais um abjeto ataque à Lei Natural, mais uma zombaria de homens que substituíram o Decálogo pela Declaração dos Direitos do Homem, que trocaram a Cruz pela constituição (e alguns falam em “redenção constitucional”). Para avançar a Revolução, os senhores ministros terão desta vez de se desfazer não apenas dos preceitos da moral (a isto já estão acostumados), mas até mesmo das garantias penais que se ufanam de resguardar.

A Revolução nasceu, nos domínios da política, como um rebento dos Parlamentos. Foram deles os séculos XVIII-XIX com suas assembléias gerais, suas constituições, seus monarcas decapitados, seus códigos civis. No séc. XX, o timão da nau revolucionária passou às mãos do Executivo ― os totalitarismos de esquerda e de direita, as ditaduras do proletariado, o New Deal, o Estado-providência foram todos mecanismos de aprofundamento da revolução através do engrandecimento do Poder Executivo, à custa do protagonismo parlamentar.

Agora ― e o caso brasileiro é exemplar ― o Judiciário é a bola da vez. Por ele, avança a agenda tão antinatural que nem os nossos congressistas (nem eles!) ousam aprovar: aborto, eutanásia, “casamento” homossexual, “homofobia” etc. A Revolução precisa seguir, ainda que negando hoje o que exaltou ontem.

A se confirmar a fácil profecia, os garantistas do Supremo Tribunal Federal mandarão às favas a garantia do nullum crimen, nulla poena sine lege. Criarão de suas eminentes entranhas um crime jamais definido em código nenhum do Brasil, por meio de analogia ― o que o direito penal repudia com toda veemência.

Pela primeira vez, os veremos lançar mão de rocambolescas interpretações jurídicas em desfavor do réu ― logo o réu, esse ente quase idolatrado pelas constituições liberais, esse beneficiário do in dubio, esse contemplado pelas “leis posteriores mais favoráveis”. E não devemos nos espantar demais se suas excelências ainda concluírem que esse “crime” retroage porque sempre esteve implícito nas leis ― ainda que ninguém o houvesse enxergado antes.

Diante da lei divina, isso se chama praticar um ato que clama aos céus por vingança, como ensina o Catecismo de São Pio X (nº 963, “pecado impuro contra a natureza”). Diante da lei dos homens, diante mesmo dos princípios de separação de poderes do Estado moderno, isso se chama golpe. Sim, golpe de um dos poderes constituídos contra os demais.

Nós, católicos, não precisamos do apoio da constituição de 1988 para dar nome aos bois e chamar uma aberração de aberração. Mas os senhores congressistas, ainda que já não tenham Fé, se quiserem resguardar algo de sua relevância, se quiserem ser mais do que carimbadores de projetos econômicos do Executivo, deverão fazer valer sua última oportunidade de se opor à avalanche da ditadura da toga. Já perderam as chances do passado, a maior das quais se deu quando os onze iluminados decidiram (por unanimidade!) que “um homem e uma mulher”, texto explícito da constituição de 88, pode significar “dois homens” ou “duas mulheres” ou sabe-se lá quais outras infinitas combinações. Não houve voz que se levantasse na tribuna da Câmara ou do Senado, não digo para defender a moral e a natureza (seria pedir demais), mas para defender as prerrogativas da corporação parlamentar, para acusar os ministros de golpistas.

Se falsidades como a soberania popular, voto majoritário, separação de poderes ainda lhes são caras, é preciso que os parlamentares ajam imediatamente nesta sua última oportunidade. Se não há entre eles quem defenda o Bem por amor à Verdade, que ao menos se oponham ao mal, nem que seja por apego aos erros liberais ou por defesa das honras do cargo.

De resto, fica reforçada a constatação já mil vezes registrada pelos heróis do antiliberalismo católico, como um Louis Veuillot: é suicida o estratagema de defender a verdade e o bem com os falsos princípios do erro e do vício, tentar frear a Revolução com o recurso às bandeiras de 1789, numa palavra, tentar enganar o demônio. Os defensores da tresloucada idéia da “Igreja livre no Estado livre”, se já não estiverem cegos, devem abrir os olhos à gritante realidade de que a liberdade dos liberais é uma quimera, é a liberdade do pecado, é a arma da Revolução contra a Revelação ― aqui aberta e declarada, ali tímida e disfarçada, mas sempre a mesma inimizade. Não há como entrar nesse jogo e sair ganhando, e o motivo foi o Pe. Garrigou-Lagrange quem melhor definiu: “A Igreja é intolerante por princípio, porque crê; mas tolerante na prática, porque ama. Os inimigos da Igreja são tolerantes por princípio, porque não crêem; e intolerantes na prática, porque não amam.”

O SÍNODO DA AMAZÔNIA (1)

Sínodo da Amazônia: pretexto para promover a primeira etapa da ordenação de mulheres, seguindo os passos da Igreja Anglicana

Fonte: Boletim Permanencia

É curiosa a situação do pontificado do Papa Francisco. Sendo o mais liberal de todos os papas pós Vaticano II, Francisco parece querer levar o liberalismo do Concílio ao seu grau máximo. Tanto por suas frases de efeito como pela prática de aceitar e elogiar pecadores públicos, e mesmo pelas liberdades que deu à Fraternidade São Pio X, Francisco parece não ter medida no seu plano de abrir tudo a todos.

Poderíamos denunciar os erros doutrinários e morais contidos em seus pronunciamentos ou em seus documentos, mas estamos diante de uma situação nova, ao vermos cardeais e bispos do clero oficial atacarem o papa com acusações por vezes mais salgadas e agressivas do que tudo o que a Fraternidade São Pio X já publicou contra os papas do Vaticano II.

Pela primeira vez em 50 anos vemos textos, conferências, livros sendo publicados contra os excessos doutrinários do atual papa. Poderíamos pensar que essa situação é altamente favorável à Tradição, pois poderia significar uma aproximação desses bispos da Tradição, mas a realidade é outra.

Qual é o objeto da reclamação dos bispos contra o papa? O que eles pretendem é que Francisco se mantenha nos termos estipulados pelo Concílio Vaticano II, o que é inadmissível para nós, pois são esses textos do Concílio que se afastaram da fé católica a ponto de não se encontrar mais, no mundo atual, quem de fato creia em tudo o que Deus nos revelou e nos ensina a Igreja. Continuar lendo

AS REDES DO DEMÔNIO

A guerra nos mundos: o natural e o sobrenatural.
As redes de um são a cara das redes do outro

Fonte: Boletim Permanencia

O artigo é oportuníssimo – basta ler o título para saber que estamos no Brasil: “Os demônios nunca são neutros em política”. E ainda que não haja nenhuma referência o país, quem tenha olhos para ler verá nitidamente como a rede demoníaca se reflete em outras redes – fomentando sempre e essencialmente o conflito, a discórdia – e a raiva, que obscurece a inteligência e excita as paixões.

Outra conclusão oportuna: a guerra é sempre sobrenatural. Guardada a óbvia ressalva: só crê nisso – e atua orientado por esse principio – quem é genuinamente católico.

“A oração é tão poderosa quanto os maiores exércitos ou as maiores fortunas. Só com a sua oração, uma pessoa humilde e desconhecida pode, por exemplo, evitar guerras e impedir que ideologias malignas chegam ao poder. Só os demônios sabem até que ponto a oração é temível para eles.”, escreve o padre Fortea em seu livro Suma Demoniaca.

Reproduzimos a seguir o artigo original do Aleteia:

Exorcista alerta: “Os demônios nunca são neutros em política”

O mal exerce grande influência sobre os poderes deste mundo, mas “a oração é tão poderosa quanto os maiores exércitos ou as maiores fortunas”

O pe. José Antonio Fortea é um dos mais conhecidos exorcistas da nossa época. No seguinte extrato de sua Svmma Daemoniaca, ele fala da relação entre a estratégia do mal e o uso dos poderes terrenos a seu favor. Vale a reflexão.

O grande poder do demônio é tentar, e, como os demônios se comunicam entre si, podem coordenar-se para tentar em uma mesma direção.

Em 1932, os demônios compreenderam perfeitamente que, para o cumprimento de seus fins, era necessário tentar as pessoas para que se votasse num candidato que até então era um completo desconhecido: Hitler.

Isto significa que a sua ascensão ao poder se deu pela ação dos demônios? Não. Mas eles, sem dúvida, ajudaram.

Do mesmo modo, devemos recordar-nos que o Santos Padres dos primeiros séculos da igreja, ao tratarem da perseguição contra os cristãos, destacaram como primeira e principal causa a instigação do demônio tanto sobre as massas quanto sobre os governantes.

Outro exemplo poderia ser o do cardeal Nasalli Rocca: em sua Carta Pastoral da Quaresma (Bolonha, 1946), ele escreveu que o secretário do Papa, monsenhor Rinaldo Angeli, tinha contado a ele, várias vezes, que Leão XIII havia tido uma visão em que os espíritos se concentravam sobre Roma; pois bem, esta foi a origem da oração que ele pediu a toda a Igreja que rezasse e que foi expedida aos prelados em 1886.

Sim, os demônios também têm suas estratégias e combinam levá-las a termo. Podem concentrar-se em determinado lugar. Eles ambicionam todas as almas, mas sabem muito bem que algumas pessoas têm o dom de persuadir outras, pela sua cultura, pelo seu poder ou pelo seu dinheiro. As forças do mal, portanto, são conscientes de que essas elites são especialmente desejáveis.

Os demônios nunca são neutros em política: analisam a situação e estão seguros de quais serão as pessoas que mais favorecerão as suas estratégias. Felizmente, o lado do bem tem anjos e muitas pessoas que, com a sua oração, destroem os planos das trevas. Por isso a oração e o sacrifício são tão importantes. Os mosteiros e as pessoas orantes são as forças invisíveis que não somente combatem o poder do inferno neste mundo, mas também remetem abundantemente a nós todo tipo de bênção.

Em qualquer caso, a explicação de uma luta invisível de poderes espirituais não nos deve fazer esquecer que os autores da nossa história somos nós mesmos. Essas forças invisíveis do mal não são mais que uma influência, e, no final das contas, cada homem faz o que quer e é responsável pelos seus atos. Nem todos os demônios do mundo podem obrigar alguém, ainda que seja um pecador, a tomar uma decisão se ele decide tomar outra.

A oração é tão poderosa quanto os maiores exércitos ou as maiores fortunas. Só com a sua oração, uma pessoa humilde e desconhecida pode, por exemplo, evitar guerras e impedir que ideologias malignas chegam ao poder. Só os demônios sabem até que ponto a oração é temível para eles.

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Pe. José Antonio Fortea, exorcista espanhol, na “Svmma Daemoniaca”, 78, 79.

 

SEXO NÃO SE APRENDE NA ESCOLA

Fonte: Boletim Permanencia

Não se sabe exatamente o que acontece quando o Papa Francisco entra em um avião, mas é justamente a milhares de metros de atitude que costuma dar as mais desastrosas declarações. Desde o início do seu pontificado tem sido assim, ou já esquecemos o tristemente celebre “Quem sou eu para julgar”?

Não foi diferente no recente vôo de volta do Panamá quando, numa coletiva de imprensa, disparou: “Creio que nas escolas é preciso dar educação sexual. Sexo é um dom de Deus, não é um monstro”. E talvez para tranquilizar as almas mais conservadoras, ou predispostas a aceitar tudo desde que dito com certas mesuras, acrescentou: “Precisamos oferecer uma educação sexual objetiva, como é, sem colonização ideológica. Porque se nas escolas se dá uma educação sexual embebida de colonizações ideológicas, se destrói a pessoa”.

É um escândalo que uma proposta como essa venha do próprio Papa! Francisco coloca-se aqui em oposição frontal ao ensinamento claríssimo de Pio XI que, não numa conversa com jornalistas, mas na Encíclica Divini illius magistri, declarou sem meias-palavras: “Assaz difuso é o erro dos que, com pretensões perigosas e más palavras, promovem a pretendida educação sexual”.

Para que não reste dúvidas, citemos ainda o Decreto do Santo Ofício de 21 de março de 1931, que respondeu de modo taxativo sobre a possibilidade dos católicos aprovarem a educação ou iniciação sexual: Continuar lendo

MORTE POR ENCOMENDA

O Triunfo da Morte – Pieter Bruegel, o Velho

Fonte: Boletim Permanencia

Certa vez, quando jogava no PSV Eindhoven, Romário respondeu a um jornalista que lhe perguntava sobre seus atrasos e faltas aos treinos nos dias seguintes aos jogos:

– Mas, Romário, todo mundo treina…

– Eu não sou “iedereen” (todo mundo)!

A Holanda tampouco é iedereen. Mas ao contrário do goleador, não por ser o “melhor do time”, mas por ser o “pior” entre os ‘civilizados’, ultrapassando a Bélgica. De fato, esses países nunca foram tão baixos, o pior exemplo de vanguarda legal e estupidez assassina do mundo ocidental.

Conhecida pelo macabro pioneirismo de ser a primeira a legalizar tudo o que antes era crime, o país das tulipas e dos moinhos também figura na pole position quando o assunto é eutanásia.

A lei foi aprovada em 2001, e entrou em vigor em primeiro de abril do ano seguinte – nosso dia da mentira – tornando legais o assassinato de um “doente terminal” para “aliviar” seu sofrimento, e o suicídio assistido pelo médico, uma espécie de salvo-conduto para tirar a própria vida por razões de doença, endossadas pelo profissional que deveria se preocupar em salvar a sua vida, ou pelo menos tentar.

Desde que foi implementada a lei, os números dos pedidos e das mortes causadas com o seu aval só aumentaram. Em 2016, subiram para 6091 casos, 10% a mais que 2015, e correspondiam a 4% do total de mortes, sendo a quinta ou sexta na lista das causas de morte. Vale notar que as estatísticas são provavelmente escamoteadas, pois as mortes por eutanásia parecem se diluir nos números das outras doenças letais, como câncer e doenças pulmonares, mas deveriam ser contadas a parte. Continuar lendo

DOM LOURENÇO FLEICHMAN: “É PRECISO DOBRAR A INTELIGÊNCIA À VERDADE REVELADA”

Excelente entrevista de Dom Lourenço Fleichman aos fiéis da missão da FSSPX em Parnaíba, no Piauí, publicada no site Capela Santo Agostinho.

Acerca da situação do catolicismo hoje no mundo e no Brasil, há um ressurgimento mais evidente da Tradição Católica? Que sinais e iniciativas podem indicar isso?

É evidente que houve uma mudança na vida da Tradição dentro da Igreja nos últimos anos que variou de uma certa unidade de pensamento e de doutrina, porque durante muitos anos a Tradição existia em torno da obra de Monsenhor Lefebvre e de obras próximas da Fraternidade São Pio X, entre as quais nós incluímos a própria Permanência, que já há 50 anos combate pela Tradição.

Acontece que, ao longo dos anos, algumas dissidências foram acontecendo. Umas, para a esquerda – e eu diria que são aqueles legalistas que caíram no erro de achar que tudo tem que ser na obediência ao Vaticano II, ao Papa que nos exige a adesão a Vaticano II. E, outras que caíram para a direita, e são os sedevacantistas que, ao contrário dos primeiros, ensinam que o Papa não seria Papa. E essas dissidências foram se autodividindo dentro do espírito sectário, como em geral acontece, enquanto que a Fraternidade São Pio X e as suas obras amigas permaneceram com os mesmos princípios, os mesmos critérios e as mesmas atitudes e atividades.

Então, hoje nós estamos vendo o aparecimento de todo um movimento chamado conservador, que alguns acreditam ser tradicional, mas, na verdade não é. É um movimento conservador que mistura várias tendências diferentes, várias opiniões diferentes, tanto na religião quanto na política. E tudo isso vai sendo considerado como fazendo parte do mesmo grupo, e não faz. São grupos diferentes, com princípios e critérios diferentes. Então, eu acho que essa é a principal mudança que nos trouxe hoje uma quantidade grande de grupos e pessoas e que se dizem da Tradição, mas, na verdade, não seguem a orientação da Fraternidade São Pio X ou os princípios norteadores que Dom Marcel Lefebvre nos mostrou no seu combate pela Tradição. Continuar lendo

O DIA EM QUE A TERRA PAROU

Fonte: Boletim Permanencia

Nossa Senhora de Fátima anunciou em 13 de julho de 1917 aos três pastorinhos:

“A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.”

Essa noite alumiada ocorreu há 81 anos no reinado do Papa Ratti, Pio XI.

Registro da “noite alumiada por uma luz desconhecida”:
Prenúncio de uma guerra ainda pior que a primeira

O fenômeno ocorreu em toda a Europa e também foi percebido em várias regiões do hemisfério norte. Será que Pio XI, que conhecia essa parte do segredo, compreendeu o sinal do céu?

Vinte e um anos mais tarde, na mesma data, João XXIII assombrou o século ‘sinalizando’ um desejo intempestivo, como confessou mais tarde:

“A ideia mal surgiu em nossa mente e logo a comunicamos com fraternal confiança aos senhores cardeais, lá na Basílica Ostiense de São Paulo Fora dos Muros, junto ao sepulcro do Apóstolo dos Gentios, na festa comemorativa de sua conversão, a 25 de janeiro de 1959”. (Alocução 20/2/62) Continuar lendo

O APOSTOLADO DA FSSPX EM UMA PRISÃO NOS ESTADOS UNIDOS

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Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Um Retiro Inaciano foi conduzido pela FSSPX sob circunstâncias excepcionais: trancados a chave em Lamesa, Texas.

No início deste verão, um padre da Fraternidade teve o privilégio de pregar os Exercícios Inacianos a 40 detentos de uma prisão no oeste do Texas (EUA).

A Unidade Preston Smith, parte do sistema penitenciário em Lamesa, Texas, pode acomodar mais de 2.200 presos, em diferentes graus de confinamento. Esta prisão tem a grande graça de contar com um dedicado catequista católico tradicional, o Sr. Michael Banschbach, que visita a prisão duas vezes por mês para instruir na fé entre 40 e 50 prisioneiros. Como você pode se lembrar, da entrevista na edição de maio-junho de 2016 da Revista The Angelus, o Sr. Michael Banschbach mora em Midland, Texas, com sua grande família. Sob os auspícios e com a bênção dos sacerdotes da Fraternidade, ele iniciou um apostolado na prisão, que deu muitos frutos em todo o estado.

A prisão veio sediar o retiro após um encontro casual do capelão com um padre da Fraternidade que visitava o local para celebrar a Santa Missa para alguns dos internos. No decorrer da conversa, surgiu o tema dos Exercícios Inacianos. Alguns meses depois, o capelão da prisão perguntou ao Sr. Banschbach: “quando aquele padre virá aqui pregar um retiro?”

Então, depois de obter permissão do Superior de Distrito e de tomar as providências necessárias, o Retiro foi planejado para ocorrer entre 10 e 12 de maio de 2018. Logisticamente, as circunstâncias eram compreensivelmente muito difíceis. Os presidiários foram confinados em compartimento único – neste caso, o ginásio – e o tempo previsto era das 8:00h às 20:00h. Não havia possibilidade, como normalmente se tem em um retiro, para sair para uma caminhada ou voltar a o quarto. Os dias de 12 horas acabaram sendo dias de 14h, graças à intervenção do capelão da prisão com o diretor, que nos permitiu estendê-lo até as 22:30h. Continuar lendo

A CURA DA VIRILIDADE

Destruição de Sodoma e Gomorra, pintura de John Martin (1852)

Fonte: Boletim Permanencia

A virilidade é uma doença mental que tem levado os homens à morte, seja por suicídio, seja por doenças provocadas pelo consumo de álcool, cigarros, má alimentação ou a simples recusa em obedecer aos preceitos da medicina. A conclusão, exposta em artigo da revista da American Psychological Association (APA), foi duramente criticada pelo psicólogo Roberto Marchesini, num texto publicado no site italiano La Nuova Bussola Quotidiana, e traduzido por Rafael Salvi para a Gazeta do Povo.

A ideia pode parecer uma piada, mas quem tem idade suficiente para ter acompanhado a evolução do politicamente correto sabe como essas coisas acabam: Leis.

Como ressalta Marchesini, a American Psychological Association é a mais importante associação profissional de psicólogos do mundo. Portanto, quando sua revista afirma que “treze anos de trabalho, compreendendo mais de 40 anos de pesquisa, demonstram que a masculinidade tradicional é psicologicamente danosa” diferentes e contraditórios alertas se acendem em todo mundo, anunciando novas batalhas pela frente.

Não é preciso muita imaginação para perceber que “virilidade” aqui é facilmente conversível em “machismo”. Portanto não é absurdo prever que logo se estará falando a serio em “cura da virilidade”.