ATENÇÃO: AVISO SOBRE UM TAL BLOG DOMINUS EST “EM ESPANHOL”

Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vimos através deste post fazer um esclarecimento acerca de uma confusão que está sendo amplamente divulgada nas redes sociais (Facebook, Whatsapp, Twiter, etc…).

Chegou-nos um texto onde se dizia que nosso pequeno blog, o Dominus Est, estaria promovendo matérias contra a FSSPX e D. Lefebvre. Uma total incoerência, visto que pertencemos a uma Missão da FSSPX em Ribeirão Preto/SP.

Ao tentar entender o que estava acontecendo acabamos por encontrar um blog, em espanhol, cujo nome também é Dominus Est. Ao que parece é um blog ligado à famigerada Fraternidade São Pedro (FSSP), que é neoconservadora e está subordinada à Comissão Ecclesia Dei, criada para tentar minar o trabalho da FSSPX, porém, sem muito sucesso.

Realmente o tal blog tem vários escritos detratando a FSSPX, porém nada que se possa dar valor, visto que são matérias simplistas e que já foram refutadas há décadas. Não iremos colocar o link do tal blog, que também mantém uma página no Facebook com o mesmo nome, para que não haja propaganda gratuita de páginas neoconservadoras.

Então, para que fique claro, nossos links são:

Blog: Dominus Est (Fiéis Católicos de Ribeirão Preto)http://catolicosribeiraopreto.com/

Facebook: Dominus Est (Católicos Ribeirão Preto) https://m.facebook.com/catolicosribeiraopreto/

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCjPrdZNrnEHiwhE_W-8zzXw

Peço que façam a divulgação para que não tenhamos problemas e confusões desnecessárias.

Obrigado a todos que nos acompanham, confiam em nosso trabalho e de prontidão nos defenderam nas redes sociais.

Equipe Dominus Est

A EUCARISTIA, ANTÍDOTO UNIVERSAL AO VENENO DO LIBERALISMO

Resultado de imagem para comunhão tridentinaFonte: “Fojitas de Fe”, 251 | Seminário Nossa Senhora Corredentora, FSSPX
Tradução:
Dominus Est

Hoje as pessoas, famílias e sociedades agonizam e morrem pelo pior dos venenos: o liberalismo. Esse é o seu nome científico: consiste em uma falsa concepção da liberdade, que a coloca como o valor máximo, essencial, em certo modo único para a humanidade. Os sábios antigos sempre definiram o homem como um animal racional. Mas o liberalismo o redefine como um animal livre: o que é próprio e específico da pessoa humana, que a distingue de tudo o mais, já não é mais sua racionalidade, mas sua liberdade.

Tomemos nota do diagnóstico! Acaso não é passo fundamental que o médico consiga descobrir o que está matando o paciente? E não é qualquer veneno, mas a essência mesma de todo tóxico da alma. A ilusão que está no fundo de todo pecado, que lhe dá força, seu mecanismo mais íntimo, é a ilusão liberal: “Non serviam!” Não servirei, não serei escravo de ninguém!

Bem, esse veneno universal, ocasionador de todas as doenças, tem remédio? Os remédios que curam todas as outras enfermidades espirituais, são apenas paliativos do liberalismo, causador de todas elas. Há apenas um antídoto universal ao liberalismo: o Santíssimo Sacramento da Eucaristia; e isso tanto no indivíduo, como na família e na sociedade. Continuar lendo

AS VIRTUDES E A VIDA INTERIOR A VIRTUDE DA ESPERANÇA

pedroFonte: Hojitas de Fe, 245 | Seminário Internacional Nossa Senhora Corredentora, FSSPX – Tradução: Dominus Est

A palavra de Deus é uma luz que no-Lo mostra à nossa inteligência e, assim, estabelece a fé; mas é também uma promessa que nos assegura sua posse e, portanto, estabelece a esperança.

1º Natureza da esperança.

A esperança é uma virtude teológica infusa que nos inclina a esperar, com garantia firme, a bem-aventurança eterna do céu e os meios necessários para alcançá-la. Portanto, a esperança tem como objeto o próprio Deus: Deus como fim e Deus como meio.

Deus como fim: o objeto principal da esperança é a posse eterna de Deus, ou a bem-aventurança eterna do céu.

Deus como meio: o objeto secundário da esperança é o conjunto de socorros úteis ou necessários para chegar à posse de Deus, e que podem ser: — de ordem sobrenatural: o perdão de nossos pecados, a graça santificante, as graças atuais para triunfar contra nossos inimigos espirituais, para praticar as virtudes de nosso estado, para tender eficazmente à perfeição; a graça da perseverança final; — ou também favores temporais, na medida em que se relacionam com a bem-aventurança eterna e nos são necessários ou úteis alcançá-la.

2º Fundamento de nossa esperança.

A esperança cristã apoia-se na natureza de Deus, em suas promessas e em seus dons.

A natureza de Deus. Tem-se confiança em alguém na medida em que pode e quer socorrer. Agora, Deus, por sua natureza: é todo-poderoso, realiza tudo o que quer, e sabe inclusive transformar em meio soberanamente eficaz o que se levanta como obstáculo insuperável; é infinitamente bom, uma vez que “Deus é caridade” (IJo. 4 16), e quer comunicar-nos os bens e felicidade de que Ele mesmo goza. Continuar lendo

SÃO JOSÉ: UMA VOCAÇÃO À VIRTUDE ESCONDIDA

Fonte: FSSPX/Distrito da Grã-Bretanha – Tradução: Dominus Est

São José, uma vocação oposta a dos apóstolos

Bossuet em seu primeiro panegírico do santo diz: “Dentre as diferentes vocações, noto duas nas Escrituras que parecem diretamente opostas: a primeira é a dos Apóstolos, a segunda a de São José.

  • Jesus foi revelado aos apóstolos para que eles pudessem anunciá-Lo por todo o mundo; Ele foi revelado a São José, para que permanecesse em silêncio e O mantivesse escondido.
  • Os Apóstolos são luzes para fazer o mundo ver Jesus; José é um véu para cobri-Lo; e sob esse misterioso véu estão escondidos de nós a virgindade de Maria e a grandeza do Salvador das almas
  • Aquele que torna os apóstolos gloriosos com a glória da pregação glorifica José pela humildade do silêncio”. A hora da manifestação do mistério da Encarnação ainda não chegara: deveria ser precedida pelos trinta anos de vida escondida.

São José, uma vocação superior a dos apóstolos

A vocação do silêncio e da obscuridade de São José ultrapassou a dos Apóstolos porque se aproximava mais da Encarnação redentora. Depois de Maria, José estava mais próximo do Autor da graça, e no silêncio de Belém, durante o exílio no Egito, e na pequena casa de Nazaré ele recebeu mais graças do que qualquer outro santo.

Dupla era a sua missão. Em relação a Maria, ele preservou sua virgindade contraindo com ela um casamento verdadeiro, mas totalmente sagrado. Maria encontraria ajuda e proteção em São José. Ele a amava com um amor puro e devotado, em Deus e por Deus. Continuar lendo

ALCANCE JURÍDICO DA BULA “QUO PRIMUM”

Resultado de imagem para PIO VI – NOTAS PRELIMINARES

1 – Se a Bula promulga uma verdadeira lei, esta será uma lei humana, cujo valor provem, não da natureza das coisas nem da vontade revelada de Deus, mas certamente de uma refletida escolha do legislador humano.

2 – Este deverá, então, manifestar da maneira mais clara e completa que lhe for possível, a natureza e a extensão de sua vontade:

1º) Dizer que promulga uma verdadeira lei, criando uma obrigação jurídica. Não se trata, pois, de um simples desejo ou recomendação, nem de uma “diretiva”, ou mesmo talvez, de uma vontade formal, mas vontade que não se declarasse como impondo uma ordem que obriga seus súditos.

2º) Em seguida, delimitar o campo de aplicação de sua lei quanto ao tempo, lugares e pessoas.

3º) Precisar, se for o caso, as modalidades da decisão legislativa: o que ela manda, o que permite e, talvez certos privilégios que concede ao lado da lei comum.

4º) No caso em que a prescrição não legisla sobre matéria inteiramente nova, precisar a relação da presente lei à lei ou aos costumes precedentes:

a) simples derrogação parcial;

b) simples abrogação.

5º) Como a lei habitual, não escrita, é munida de uma força que lhe é própria, decidir expressamente o que a nova lei dela conserva ou suprime.

3 – Para a expressão formal, oficial, destas diversas vontades, há certas “regras de direito”, um vocabulário próprio, um “própria verborum significatio” que os juristas conhecem bem. A Igreja jamais as desprezou, pois são a garantia única, ao mesmo tempo contra o despotismo arbitrário e contra a anarquia.

Estava reservada à “Igreja pósconciliar” desprezar estas regras, o que ela chama de “juridismo”, isto é, em todas as matérias (dogmática, ética, disciplinar) desprezar a expressão clara, honesta, leal do pensamento e das coisas. Continuar lendo

HOMEM DESDE O MOMENTO DA CONCEPÇÃO

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Concebido no ventre de sua mãe, esse pequeno embrião, dê a ele o nome que quiser, já é um homem. Se antigamente poderia duvidar-se que houvesse uma nova vida humana no ventre de uma mãe, desde o momento da concepção da criança – com tudo o que isso implica –, a ciência hoje não nos deixa nenhuma dúvida: interromper a gravidez voluntariamente, ainda que fosse possível fazê-lo no primeiro momento da concepção, seria assassinar um inocente e privá-lo para sempre da visão de Deus. Tal crime não pode ser descriminalizado sem incorrer em terríveis castigos para uma nação inteira.

A alma do embrião na biologia tomista

Este poderia ser o título de um livro inteiro e estamos escrevendo apenas um artigo em uma revista de divulgação, mas diremos algumas coisas. Interessa enormemente ao moralista e ao teólogo definir com precisão o momento em que o homem recebe a alma espiritual, e o instante em que a perde. Porém determinar precisamente o momento da concepção de um organismo vivo, com suas diferentes etapas e também o instante de sua morte, não pertence propriamente ao moralista nem ao que é comumente entendido por um teólogo, senão ao biólogo.

E hoje que a biologia moderna fez progressos tão maravilhosos, parece que a “Suma Teológica” de São Tomás de Aquino já não tem mais nada a nos dizer. Mas, certamente, não é assim.

A ciência moderna perdeu, há muito tempo, a sabedoria, pois desconfiou da inteligência e se apegou à observação e à medida. Daí que seus progressos foram reduzidos à ordem puramente corporal e material, que é sensível e quantificável, perdendo de vista de toda a realidade que se eleve acima deste horizonte, pois já não sabe ver com a mente.

Ela perdeu a capacidade de perceber, então, não só a realidade da alma espiritual, própria do homem, mas também a dos princípios animadores dos organismos vivos – a alma animal e vegetal – que, embora dependam, em sua existência, da organização material – que poderíamos chamar de físico-química – no entanto, não apenas não se reduzem a ela, senão que, precisamente, a organizam e a governam. Essa carência não causa tantos problemas para a física, mas é uma catástrofe na biologia.  Continuar lendo

ENCÍCLICA MEDIATOR DEI – CONDENAÇÃO POR ANTECIPAÇÃO DA “REFORMA LITÚRGICA” DE PAULO VI

Resultado de imagem para missa ecumênicaUma “lei nociva”: o “Ordo Missae” ecumênico

Há 30 anos (3 de abril de 1969), o Novus Ordo Missae de Paulo VI sucedeu ao antiqüíssimo e venerável rito romano da Santa Missa.

Pela Festa de Corpus Christi deste mesmo ano, foi apresentado a Paulo VI um Breve exame crítico do “Novus Ordo Missae“, precedido duma “Carta” dos cardeais Ottaviani e Bacci, na qual se afirmava: “Os súditos, para o bem dos quais se quer estabelecer uma lei, tiveram sempre, mais do que o direito, o dever de pedir, com confiança filial, ao legislador a ab-rogação da própria lei, quando ela se demonstra ser nociva”.

E como o Novus Ordo era “nocivo”, a ponto de fundamentar um verdadeiro “dever” de pedir a sua ab-rogação, os dois cardeais diziam sem rodeios: o novo rito da Missa “representa, tanto no seu conjunto como nos seus pormenores, um afastamento impressionante da teologia católica da Santa Missa, tal como foi formulada na sessão XXII do Concílio de Trento”.

A “Mediator Dei”

Este “afastamento da teologia católica da Santa Missa” tinha já sido apontado e reprovado por Pio XII no movimento litúrgico que precedeu o Concílio Vaticano II. Na “Mediator Dei” (1947), escrevia o Papa: “Nós notamos com muita apreensão que alguns são demasiado ávidos de novidades e se afastam do caminho da são doutrina e da prudência. Na intenção e no desejo duma renovação litúrgica, eles interpõem freqüentemente princípios que, na teoria ou na prática, comprometem esta causa santíssima, e muitas vezes até a contaminam de erros que afetam a fé e a doutrina ascética“.

Com esta Encíclica, Pio XII se propunha “afastar da Igreja” “falsas opiniões… inteiramente contrárias à santa doutrina tradicional“, “erros que afetam a fé católica e a doutrina ascética“, “exageros e desvios da verdade que não se harmonizam com os preceitos autênticos da Igreja“… opiniões, erros, exageros, desvios, que são a alma da “reforma litúrgica” de Paulo VI e das suas múltiplas realizações que, chegando mesmo às vezes além da letra, se situam, não obstante, no “espírito do Concílio” e do Novus Ordo (como o demonstra também o fato de que eles não são objeto de nenhuma sanção disciplinar). Continuar lendo

SERMÃO SOBRE O MATRIMÔNIO

Resultado de imagen para imagenes sagrada familia de nazaretFonte: Los Cocodrilos del Foso – Tradução: Bruno Rodrigues da Cunha

Nem tudo o que se encontra na Suma Teológica, de Santo Tomás, é exclusivamente para teólogos. Uma das pérolas mais acessíveis e úteis lá encontradas é seu pequeno tratado acerca dos bens do matrimônio.

Ele começa dizendo: “Nenhum homem sábio deve aceitar um prejuízo se ele não vier compensado por um bem igual ou maior”. E observa que o matrimônio traz juntamente consigo bens e males. Quem se casa aceita sofrer estes para alcançar aqueles.

Até essa frase, todos estão de acordo. Mas, daqui em diante — e é assustador percebê-lo — entre o que ensina Santo Tomás, resumindo toda a Tradição e bom senso católicos, e o sentir comum de hoje, não há uma mera divergência, e sim uma total e exata inversão. Aquilo que para o Doutor da Igreja são males, agora são considerados bens, e os bens, males. Deixemos bem claro que falamos de pessoas que se consideram católicas, de forma sincera.

Embora devamos reconhecer que tanto nos tempos de maior fé, como na época de Santo Tomás, quanto nos tempos de muita incredulidade, como hoje, muitos renunciam ao matrimônio (claro, antigamente renunciavam antes do casamento para se entregar a Deus, e hoje renunciam depois dele, para entregar-se a… sabe-se lá Deus). Ainda assim, tanto antes quanto agora, a grande maioria segue casando. E é curioso, porque apesar dessa inversão exata de valores, o saldo continua sendo positivo.

Quais são, segundo Santo Tomás, os males que o casamento traz consigo? Em primeiro lugar, uma decaída da atividade espiritual, devido à veemência das paixões própria do trato conjugal. E em segundo lugar, a “tribulação da carne”, ou seja, as preocupações e os trabalhos ocasionados pelas necessidades temporais.

Contudo, esses não tão pequenos males são extensamente superados por três grandes bens: a prole, a fidelidade e o sacramento. São os filhos, a prole, o primeiro e o grande bem do matrimônio, aquilo pelo qual Deus o instituiu. O segundo bem é a fidelidade, pela qual o homem se une com uma única mulher, e a mulher com um único homem, tendo cada um no outro um apoio em que poderão confiar. E o terceiro bem, selo sagrado dos demais, é o sacramento, pelo qual o matrimônio se vê transformado por Deus em laço indissolúvel e fonte de santidade para toda a família. Continuar lendo

D. FELLAY: NECESSÁRIA DEPENDÊNCIA DIANTE DE DEUS E NATUREZA DA OBEDIÊNCIA EM RELAÇÃO ÀS AUTORIDADES ROMANAS

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Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est 

Nesta Quinta-feira Santa, no Seminário São Pio X de Ecône , D. Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade de São Pio X, celebrou a Missa Crismal cercado por muitos sacerdotes. É durante esta Missa que são consagrados os santos óleos que serão usados durante o ano todo: o óleo dos catecúmenos para o batismo e a ordenação sacerdotal, o óleo dos enfermos para a extrema-unção e o santo crisma para o batismo e confirmação. Em seu sermão, o bispo Fellay recordou a dependência necessária diante de Deus e esclareceu a natureza da obediência em relação às autoridades romanas.

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Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,

Prezados Senhores Padres, caros seminaristas, queridos fiéis,

Nesta manhã, temos a alegria – de acordo com a Tradição da Igreja – de confeccionar os santos óleos, os Santos Óleos que servirão em quatro dos sete sacramentos da Igreja, alguns para a validade, outros para a perpetração do sacramento. Esta cerimônia é muito, muito especial, e ainda que tenhamos que ser breves, visto que os sacerdotes devem voltar ao seu ministério, devemos mesmo assim apresentar-lhes algumas noções.

Ter belos ornamentos

A primeira é que, de acordo com o que sei, este é o único lugar de todo o missal onde se encontra nas rubricas a exigência de ter belos ornamentos. A Igreja pede que o bispo esteja vestido de vestes preciosas. Isso não quer dizer que esta seja a única vez onde as coisas devem ser assim, denota a preocupação da Igreja, tão bem expressa por São Pio X: o povo cristão deve orar sobre a beleza. Trata-se do culto de Deus. É de tal forma normal, deveria ser evidente que, para honrar o bom Deus, damos-Lhe o melhor e, portanto, temos esse cuidado, especialmente nós que queremos manter toda a liturgia em toda a sua beleza, em toda a sua expressão. A liturgia é o culto de Deus e, portanto, que tenhamos esse cuidado com a beleza, em toda Santa Missa, em todo ato litúrgico, é necessário ter essa preocupação. Não é simplesmente fazer qualquer coisa, trata-se de honrar a Deus, glorifica-Lo, trata-se de toda a nossa adoração e nosso amor ao bom Deus. E como em todo amor, a gente cuida dos detalhes.

A Igreja é profundamente hierárquica.

Uma segunda noção: esta cerimônia expressa a profunda natureza da Igreja, profundamente hierárquica. Foi o bom Deus que quis as coisas. Tudo de bom, tudo de bom, tudo o que recebemos, recebemos do bom Deus. Quer se tratem das graças, quer se tratem de certas qualidades, dos poderes, tudo, tudo vem de Deus. E o modo de distribuir esses dons, sobretudo os dons sobrenaturais, está de tal forma expressa nesta Missa. Antes de tudo, a transmissão da graça. Tudo decorre da Santa Missa.

Verdadeiramente todas as graças que recebemos foram merecidas por Nosso Senhor na cruz, em Seu Sacrifício. E a Missa, a Santa Missa, que não é apenas a renovação, mas a perpetuação da Cruz, é exato e identicamente o mesmo Sacrifício de Nosso Senhor na cruz. Bem, esta Santa Missa será o instrumento utilizado por Deus para difundir por toda a terra Sua graça. Continuar lendo

UM URGENTE APELO PELA RENOVAÇÃO DO MONAQUISMO

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

Em nossos dias fala-se muito sobre a restauração na Igreja mas raramente consideramos a maneira como a Cristandade foi primeiramente estabelecida. A resposta é simples — monges.

A seguir estão as seleções de uma série maior, em duas partes: “… Forward to Benedict” originalmente publicado no The Angelus de 2001. A série completa foi publicada neste site em homenagem à festa de São Bento de 2018.

Acima, dissemos: “a resposta é simples — monges”. Monges seguindo a Regra de São Bento para ser preciso. Pode ser uma simplificação, mas qualquer estudante de história sabe que os mosteiros foram a principal influência cristianizadora e civilizadora em uma Europa pagã (na melhor das hipóteses, ariana).

Não devemos ter uma noção incorreta de como o monasticismo [ou monaquismo] afeta a sociedade. Certamente não é por esforçar-se no sentido de implementar um programa político. Não, os meios são inteiramente sobrenaturais. As armas são, pela graça de Deus, oração, fé, esperança e caridade. É como Nosso Senhor prometeu: “Buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas” (Mt. 6,33).

O monasticismo que resolverá os problemas sociais é aquele que visa principalmente a reforma do indivíduo. Sem santidade, nada … com santidade, tudo.

Hoje, em todas as nações, os homens pensantes reconhecem que nossa civilização se encontra à beira da ruína. Felizmente não há necessidade de ir ao político, ao economista ou ao estudante superficial de ciência política ou sociologia para uma análise do problema atual.

São Bento — Pai do Monaquismo Ocidental

Nunca o mundo estivera em uma condição tão deplorável do que no final dos primeiros cinco séculos da Cristandade. Todos os historiadores retratam a confusão, a corrupção e o desespero. Na moral, na lei, na ciência e na arte, tudo estava em ruínas. Os seguidores do Cristianismo estavam irremediavelmente divididos pela heresia e em todo o Império Romano não havia um imperador, rei, príncipe ou governante que não fosse pagão, ariano ou eutiquiano. Continuar lendo

MÃES, SEJAM SANTAS!

Santa Mônica com seu filho Santo Agostinho

Eis um texto para nossas mães de família. Rezemos para que Deus nos dê mães santas.

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

“Lembrem-se desta grande palavra de Cristo: “E através deles me santifico, para que também eles sejam santificados na verdade.” É o mesmo que toda mãe cristã dever dizer. A santificação é um dever pessoal, mas se infelizmente se se chega a esquecer disso como um dever pessoal, pelo menos deve ser lembrado como um dever maternal, como uma dívida para com seus filhos. Só Deus sabe a influência que tem a santidade de uma mãe tem nas almas de seus pequeninos. Quase todos os grandes santos tinham mães muito piedosas. A primeira graça que é dada a um homem é ter uma mãe segundo o coração de Deus. Temos o hábito de dizer: “Tal pai, tal filho” … mas diríamos de forma ainda melhor: “Tal mãe, tal filho “.

Saibam Mães, que sua maternidade não terminará enquanto, em sua tarefa, não tenham feito crescer Jesus Cristo no coração de seus filhos. A Igreja, esta Mãe divina através da qual Deus exerce principalmente a sua própria maternidade, deu à luz aos seus filhos para a vida eterna. O batismo é apenas uma semente e o batizado nada mais é do que um recém-nascido. Depois de colocar a semente, é necessário cultivá-la … após o nascimento, o crescimento. Esse é o seu dever e as senhoras não poderão fazê-lo sem serem santas. Oh, que missão a sua! Quantas coisas dependem das senhoras! Se a sociedade está tão doente ao ponto que nos perguntamos se está morrendo é porque há muito poucos cristãos. Agora, se há poucos cristãos, há poucas mães suficientemente cristãs. “

Cardeal Pie

“ELES TÊM OS TEMPLOS, VÓS A FÉ APOSTÓLICA”

Fonte: FSSPX Distrito do México – Tradução: Dominus Est

Carta de São Atanásio, Bispo de Alexandria, aos seus fiéis, onde lhes fala sobre a importância de permanecer dentro da verdadeira fé e adesão à Tradição.

“Que Deus vos conforte! … O que tanto vos entristece é que os inimigos ocuparam vossos templos pela violência, enquanto vós, em todo esse tempo, encontrais-vos fora.

É um fato que eles têm os edifícios, os templos, mas, por outro lado, vós tendes a fé apostólica. Eles conseguiram tirar-nos nossos templos, mas estão fora da verdadeira fé. Vós tendes que permanecer fora dos lugares de culto, mas permaneceis, contudo, dentro da fé.

Reflitamos: o que é mais importante, o lugar ou a fé? Evidentemente, a verdadeira fé. Nesta luta, quem perdeu, quem ganhou: aquele que guardou o lugar ou aquele que guardou a fé?

O lugar, é verdade, é bom, (mas) quando nele se prega a fé apostólica; é santo se tudo o que nele acontece e passa é santo.

Sois afortunados, porque permaneceis na Igreja por vossa fé, que chegou até vós através da Tradição Apostólica e se, sob pressão, um zelo execrável pretendeu quebrantar vossa fé, essa pressão não obteve êxito. São eles os que se separaram, na presente crise da Igreja.

Ninguém jamais prevalecerá contra vossa fé, caríssimos irmãos. E nós sabemos que um dia Deus nos devolverá nossos templos.

Assim, pois, quanto mais eles insistem em tirar nossos lugares de culto, mais eles se separam da Igreja. Eles pretendem representar a Igreja, quando, na realidade, expulsaram-se a si mesmos e se extraviaram.

Os católicos que permanecem leais à Tradição, ainda que reduzidos a um pequeno resto, são a verdadeira Igreja de Jesus Cristo”.

Santo Atanásio

GARRIGOU-LAGRANGE, RATZINGER E BERGOGLIO

pap

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

No quinto aniversário da eleição do bispo de Roma Francisco, parece-me oportuno pôr em evidência alguns pontos em comum entre Bergoglio e seu predecessor Ratzinger, tido por alguns ingênuos, sem nenhum fundamento, como um baluarte da sagrada e imutável tradição da Igreja.

Infelizmente, aqui no Brasil os blogs dos grupos Summorum Pontificum, atrelados à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei Adflicta, não deram a merecida publicidade ao lançamento do livro do filósofo italiano Enrico Radaelli, curador da obra de Romano Amerio, Al cuore di Ratzinger – al cuore del mondo

Na referida obra, Radaelli imputa a Ratzinger diversos erros filosóficos e teológicos defendidos em sua obra de juventude Introdução ao cristianismo, sendo que em alguns desses erros reincidiu o autor após ter abdicado do trono de São Pedro.

Diz Radaelli que, segundo Ratzinger, a existência de Deus é a melhor hipótese mas não é um dado da razão, como ensina São Tomás de Aquino. Ratzinger, portanto, seria um “tradicionalista rígido”, ou melhor, um fideísta. Quando li que Ratzinger considera Deus a melhor hipótese lembrei-me do que dizia D. Pestana sobre a mentalidade materialista de hoje: “Considera-se Deus uma hipótese inútil”.

Procurei, então, entender o alcance e as consequências do erro defendido pelo ex-papa. E logo me acudiram à memória as 24 teses tomistas concebidas sob o pontificado de São Pio X e publicadas  por Bento XV, em 1916. As 24 teses foram elaboradas e propostas como regras seguras de direção intelectual, a fim de que se evitassem erros filosóficos que tivessem consequências deletérias nos estudos teológicos. Continuar lendo

DEZ REFLEXÕES DO PADRE PIO SOBRE A QUARESMA

Fonte: FSSPX Distrito América do Sul – Tradução: Dominus Est

Padre Pio de Pietrelcina acompanha-nos também durante este período de mortificação, através da sabedoria de suas palavras.

1 – Precisamos entender a necessidade da guerra espiritual

Que sempre tenhamos diante de nossos olhos o fato de que aqui na Terra estamos em um campo de batalha e que é no paraíso que receberemos a coroa da vitória.

Que aqui é um banco de provas, o prêmio será outorgado lá em cima.

Que estamos agora em uma terra de exílio, enquanto nossa verdadeira pátria é o Céu a que devemos aspirar continuamente.

Satanás é um leão rugindo à procura de alguém para devorar e devemos manter isso sempre em mente durante a Quaresma.

2 – O Rosário é a arma secreta para a batalha

Empunhar o Rosário com firmeza. Ser gratos à Virgem porque foi ela quem nos deu Jesus.

Por amor à Virgem e para merecer o seu amor, rezar sempre o Rosário e com a maior frequência possível.

3 – A humildade é a chave mestra, a pureza o nosso escudo

A humildade é infinita. A pureza é poder. Imaginar a pureza e segui-la.

Estas também são armas na batalha. Humildade e pureza são as asas que nos levam a Deus e nos tornam quase divinos. Continuar lendo

RUMO À CANONIZAÇÃO DE PAULO VI

news-header-imageFonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Por ocasião de uma entrevista concedida ao site norte americano Crux, o cardeal Pietro Parolin anunciou em 6 de março de 2018 que o Papa Paulo VI (1963-1978) poderia ser canonizado em outubro próximo, no sínodo dos bispos dedicados aos jovens.

Este anúncio teve lugar após a aprovação, por parte da Congregação para as Causas dos Santos, em 6 de fevereiro de 2018, do reconhecimento de um “milagre” atribuído à intercessão de Giovanni Battista Montini.

Em 27 de abril de 2014, o Papa Francisco canonizou os papas João XXIII (1958-1963) e João Paulo II (1978-2005). Em 19 de outubro do mesmo ano, no final do sínodo familiar, beatificou Paulo VI.

Em 17 de fevereiro de 2018, durante um reencontro com o clero de Roma, o Papa Francisco declarou que a canonização de Paulo VI terá lugar no decorrer de 2018: “Paulo VI será canonizado este ano, a beatificação de João Paulo I está em processo, em relação a Bento XVI e a nós mesmos, estamos na lista de espera”, ele brincou.

Através destas canonizações à marcha forçada de todos os papas modernos, o que realmente se canoniza, de certo modo, é a reforma geral da Igreja que ocorreu há cinquenta anos e que, ao mesmo tempo, torna-se irreversível. Além disso, tem a pretensão de fortalecer a religião conciliar, isto é, a concepção e o espírito da prática do catolicismo como redefinido pelo Concílio Vaticano II através de suas destrutivas reformas de culto, da fé e da doutrina.

Mais uma vez, surge a questão da evolução dos processos de beatificação e canonização, bem como a sua utilização para fins de política eclesiástica.

Monsenhor Marcel Lefebvre, que foi suspenso a divinis durante o pontificado de Paulo VI, explicou aos seminaristas de Ecône a opinião que tinha sobre este papa, durante as conferências ministradas sobre as Atas do Magistério, que forneceram o material para o seu livro Le Destronaron, Capítulo XXXI, “Paulo VI, o Papa Liberal”, o qual nos permite saber exatamente o que o fundador da Fraternidade São Pio X havia dito sobre o anúncio desta próxima “canonização”.

O pontificado do Papa Paulo VI (1963-1978) descerá na história como o pontificado do Concílio Vaticano II e sua implementação, que introduziu a revolução na Igreja. As seguintes são algumas das principais reformas resultantes desse concílio: a Missa Nova, cujo espírito e rito são perigosamente semelhantes à “liturgia” protestante; um falso ecumenismo que ignora a verdadeira unidade da Igreja; o aggiornamento geral que aboliu as veneráveis ​​tradições das ordens e congregações ao questionar a vida sacerdotal e religiosa; a prolongada crise da Igreja, com a destruição da fé e das vocações, do espírito católico na educação, da prática moral e religiosa em todos os aspectos, etc. Paulo VI, um papa torturado, presa da dúvida e da preocupação, tentou proibir a Missa de São Pio V no consistório de 1976 e perseguiu a legítima reação da Tradição, a qual se opôs à revolução conciliar com os vinte séculos de vida e ensino da Igreja.

NÃO É ESTA A HORA DE JESUS?

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Lembram-se, amigos, quando à cabeça da Igreja havia um papa como o Venerável Pio XII? Ou um Padre Pio que nos trazia a certeza de ver Cristo vivo nele? Hoje, não há mais nada. A quem olhamos? A quem vamos? Não seria este o momento perfeito para a hora de Jesus?

Uma Babel como a atual no mundo e na Igreja nunca tinha sido vista antes. Autoridades da Igreja que se calam diante de legisladores que legalizam até aquilo que os antigos se envergonhavam; que propõem instituir “diaconisas”; os melhores católicos muitas vezes “amordaçados”; muitos anticlericais e sem Deus sendo apresentados como modelos… e outras amenidades.

Sacerdotes e Bispos que reduziram sua pregação pouco menos do que a educação cívica; o Credo católico e a Moral abalados por um documento que se chama Amoris laetitia, mas isso deve ser chamado de “Amoris malitia”. Tudo isso e mais ainda deixa as pessoas ainda honestas e amigas da Verdade sem palavras, aterrorizadas, alucinadas.

Sabemos que há reuniões de padres que competem para ver quem diz mais bobagens. Diante de todos, o vazio das igrejas e dos seminários, causado por pelo menos três gerações, abandonadas sem verdadeira catequese. Culpa-se a secularização, o declínio dos nascimentos, como se os homens da Igreja não tivessem a culpa quando, durante mais de 50 anos, mudaram a religião e hoje temos um pastor que não sabe mais quem ele é. As pessoas, que acreditam ou não acreditam, dizem uma só coisa: “Não há nada, tudo foi demolido, não há certezas ou pontos de referência. Não há guias, não há chefes: não há diretrizes de marcha, em uma palavra, não há mais nada”. Continuar lendo

ONDE JESUS DIZ BRANCO, RATZINGER DIZ PRETO

Em janeiro havíamos publicado um post que noticiava um bombástico livro e um texto de apoio ao mesmo que acusavam Bento XVI de algumas heresias (leia aqui: BENTO XVI É ACUSADO DE PROPAGAR HERESIAS).

Traduzimos agora uma matéria em que Enrico Maria Radaelli coloca 5 exemplos resumidos que estão em seu livro “No coração de Ratzinger. No coração do Mundo” mostrando a contradição entre os ensinamentos do então Prof. Ratzinger (confirmado posteriormente enquanto Papa) e a Doutrina da Igreja/Sagradas Escrituras.

Fonte: Cooperatores Veritatis – Tradução: Dominus Est

Por Enrico Maria Radaelli

Queremos aqui oferecer pelo menos cinco, dos muitos exemplos, da total incompatibilidade entre: de um lado os ensinamentos das Sagradas Escrituras e dogmas da Igreja, e de outro os ensinamentos apresentados pelo Professor Ratzinger em seu celebre livro de 1968, “Introdução ao Cristianismo”, até hoje verdadeiro e único paradigma de seu pensamento, vendido há cinquenta anos em todo o mundo, nunca negado, senão confirmado em 2000 por um novo Ensaio Introdutório escrito por seu próprio autor, na época Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, e, na sua linha de pensamento, ainda reiterado em uma entrevista publicada em L’Osservatore Romano em 17 de março de 2016, portanto, apenas dois anos atrás, e tendo o digníssimo Sujeito completado três anos da grande renúncia do papado. Livro, portanto, ainda muito atual.

Ele constitui o objeto da análise crítica do meu [livro] “No coração de Ratzinger. No coração do mundo”, pro manuscripto, Aurea Domus, Milão, novembro de 2017, pág. 370, disponível nas livrarias Ancora (Milão e Roma), Coletti (Roma), Hoepli (Milão), Leoniana (Roma), bem como no site metafísico Aurea Domus.

Pretendo também assegurar ao leitor, neste artigo, a contextualização mais ampla das citações do pensamento ratzingeriano, de modo a garantir ao estudioso uma compreensão mais profunda e, acima de tudo, o significado nem sempre claro.

É considerada urgente a máxima divulgação do livro No coração de Ratzinger, No coração do mundo, a fim de que seja evidente que esse que assina, podendo começar a trabalhar nele somente a partir de setembro de 2015, fez todo o possível para chegar a tempo de provar – pelo menos tentar – e convencer o ilustre autor da Introdução ao Cristianismo da necessidade de refletir sobre todos os seus pressupostos antes que seja tarde demais. Continuar lendo

FOCO SOBRE A FRANCO-MAÇONARIA?

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Pergunta-se por que seria necessário, subitamente, dar foco à Franco-Maçonaria. Simplesmente porque ambos, o mundo em que vivemos e a igreja conciliar, são hoje “maçonizados”. E foram pela única causa que é conveniente a este resultado: a maçonaria em si.

De que maneira o mundo e a Igreja foram maçonizados? A resposta está em apenas uma palavra: Relativismo. De fato, a mentalidade do mundo atual é uma mentalidade relativista: não há mais verdade saída da adequação da inteligência ao real (verdade natural) ou saída da Revelação (verdade sobrenatural), mas a cada um sua verdade. O mais grave é que o relativismo realmente entrou na mente dos homens da Igreja que querem ser fiéis ao Concílio Vaticano II.

O exemplo hoje vem de cima, já que vem do próprio Papa. Em seu vídeo de janeiro de 2016, vemos Francisco sentado atrás de uma mesa e o ouvimos dizer:

A maioria dos habitantes do planeta declara-se crentes. Isso deveria ser motivo para o diálogo entre as religiões. Não devemos deixar de rezar por isso e colaborar com quem pensa de modo distinto“.

O papa continua:

Muitos pensam de maneiras diferentes, sentem de maneira diferente, procuram Deus ou o encontram de diversas maneiras. Nessa multidão, nesta variedade de religiões, só há uma só certeza que temos para todos: somos todos filhos de Deus “(esse vídeo escandaloso pode ser visto aqui).

Historicamente, é fato que a “maçonização” da sociedade civil que precedeu e permitiu a maçonização da Igreja Católica. A famosa seita maçônica dos Carbonários (condenada pelo papa Pio VII em sua encíclica Ecclesiam a Jesu Christo, de 13 de setembro de 1821) concebeu o seguinte plano que foi realizado com o Concílio Vaticano II:

O que devemos pedir […] é um papa segundo nossas necessidades […]. Assim, caminharemos mais seguramente ao assalto da Igreja […]. Para asseguramos um Papa nas devidas proporções, devemos inicialmente preparar para este Papa uma geração digna do reino que sonhamos. […] Dentro de alguns anos  este  clero  jovem  terá  forçosamente  ocupado todas as funções; será quem governa, administra, julga, forma o conselho soberano e será chamado para eleger o Pontífice que terá que reinar, e este pontífice como a maioria de seus contemporâneos, estará necessariamente mais ou menos imbuído dos princípios italianos e humanitários que começaremos a pôr em circulação. […] Que o clero ande sob vosso estandarte, acreditando ir sempre atrás das bandeiras das Chaves apostólicas. […] Vós trareis amigos em torno da cadeira apostólica. Vós tereis pregado uma revolução em tiara e pluvial, marchando com a cruz e estandarte.”

A conclusão dessas considerações é a seguinte: combatendo sobrenaturalmente a Franco- Maçonaria, atacamos a raiz do mal atual.

Originalmente publicado na: Carta da Milícia da Imaculada – número 2 – também publicado na Revista Le Chardonnet n° 315, fev/2016, pág. 6)

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NOTA DO BLOG DOMINUS EST: D. Marcel Lefebvre já exclamava isso em seu livro DO LIBERALISMO À APOSTASIA, no capítulo: A CONSPIRAÇÃO DA ALTA VENDA DOS CARBONÁRIOS

 

NOSSA SENHORA TRABALHANDO ATRAVÉS DE SEUS FILHOS

maxiO franciscano conventual mártir São Maximiliano Kolbe, fundador de Niepokalanów, também chamada “a Cidade da Imaculada”, uma comunidade católica, em Teresin, perto de Varsóvia, na Polónia, construída em um terreno oferecido pelo príncipe Jan Drucki-Lubecki, em 1 de outubro de 1927. É a sede internacional da Milícia da Imaculada. Em Abril de 1980, o Papa João Paulo II concedeu o título de basílica menor à sua igreja.

Fonte: FSSPX Canadá — Tradução: Dominus Est

Queridos amigos e benfeitores,

Fevereiro trouxe-nos a bela festa de Nossa Senhora de Lourdes e, portanto, o grande mistério da Imaculada Conceição: “Eu sou a Imaculada Conceição!” Ao dizer “Imaculada Conceição”, diz-se uma eterna “inimizade”, uma luta, um combate tanto entre a Imaculada e a serpente amaldiçoada, quanto entre os seus descendentes, assim como há inimizade entre graça e pecado. O apóstolo disse bem: “Que compatibilidade pode haver entre Cristo e Belial, entre a luz e a escuridão?” (II Cor 6: 15)

Ao revermos os últimos dois séculos a partir desse ângulo da Imaculada, é claro que Nossa Senhora continua a lutar sozinha, direta e indiretamente, através de seus filhos. No século XIX, com 1) a Medalha Milagrosa (1830), 2) Nossa Senhora das Vitórias e a consagração ao Imaculado Coração (1836), 3) a redescoberta em 1847, no fundo de um antigo baú, do Tratado da Verdadeira Devoção de São Luís Maria Grignon de Montfort e 4) Lourdes (1858) — para mencionar apenas essas quatro datas — vemos a Rainha do Céu lembrando-nos que ela está aqui, entre nós, trazendo-nos esperança, confiança e algumas armas muito poderosas para a guerra espiritual que, antes de tudo, é dela mesma.

No século XX, a Rainha organiza ainda mais suas tropas para uma luta que se intensifica. Claro, há Fátima, sobre a qual muito falamos no ano passado. Gostaria de destacar aqui duas organizações que tiveram um impacto extraordinário nos últimos cem anos e que estão ganhando cada vez mais importância nas fileiras da Tradição em nossos difíceis tempos: a Milícia da Imaculada (MI) e a Legião de Maria.

A MI foi fundado em Roma, pelo jovem irmão Maximiliano-Maria Kolbe, polonês, 3 dias após o milagre do sol de Fátima, em 16 de outubro de 1917, véspera da festa de Santa Margarida. A fundação da Legião de Maria segue de perto, sendo fundada em Dublin, na Irlanda, em 7 de setembro de 1921, nas primeiras vésperas da festa da Natividade de Maria pelo Sr. Frank Duff. O Irmão Maximiliano-Maria Kolbe ainda não era um sacerdote (ele será ordenado um ano depois), nem qualquer um dos seus seis companheiros franciscanos em seu convento de Roma, na fundação da MI. Frank Duff, ele próprio um funcionário do governo que nunca se casará, que rezará o breviário completo em latim por quase cinquenta anos, reuniu um sacerdote e um grupo de senhoras, eram em quinze, para colocar-se a serviço da Santíssima Virgem. Continuar lendo

MONS. FELLAY SOBRE O ATUAL ESTADO DA FRATERNIDADE

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Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Monsenhor Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, graciosamente concordou em proferir uma conferência aos fiéis da Igreja de São José, ocasião em que falou sobre o desenvolvimento das relações da Fraternidade com Roma. Durante esta conferência, concedida em 3 de fevereiro de 2018, ele forneceu muita informação sobre isso e, acima de tudo, incentiva um assunto que pode parecer tão obscuro para os católicos hoje.

Diante de um grupo de fiéis muito interessados da Igreja de São José, Monsenhor Fellay abriu a conferência falando sobre os antecedentes da obra da FSSPX, relembrando os eventos e movimentos que tiveram lugar antes do Concílio Vaticano II. Ele também lembrou que o “respeito humano” em que o clero caiu, foi a razão pela qual eles evitaram condenar o comunismo e introduziram o conceito muito venenoso de liberdade religiosa. O último foi solicitado especificamente à Igreja pela Loja Maçônica B’nai B’rith.

No entanto, a influência do comunismo e da maçonaria não terminou no Concílio, mas devastou a Igreja extensivamente nas décadas seguintes. Os inimigos de Cristo atacaram o coração de sua Igreja apontando suas armas para o sacerdócio. Com a implantação de candidatos cuidadosamente selecionados nos seminários, esses inimigos conseguiram reduzir o corpo sacerdotal a uma mera sombra do que fora um dia, em questão de algumas décadas. Sua Excelência observou, por exemplo, o caso de uma paróquia na França que conta com dois sacerdotes, com mais de 60 anos de idade, aos quais foram confiados 92 centros de missas. É uma situação verdadeiramente dramática, e definitivamente não há avanço neste momento.

Em rápidas pinceladas, Monsenhor delineou um breve resumo dos tratados da Fraternidade com Roma desde a sua fundação em 1970. Entre outras coisas, ele falou do protocolo de 1988 — um documento que, apesar de não ser perfeito, era suficiente em si mesmo, e que teria concedido à Fraternidade o seu lugar legítimo na Igreja. Monsenhor Lefebvre voltou atrás em assinar este documento por uma razão prática; depois de rezar, deu-se conta de que estava sendo enganado, e de que não lhe seria concedido um sucessor. Continuar lendo

“A TRADIÇÃO É O ÚNICO FUTURO POSSÍVEL PARA A IGREJA”

Entrevista exclusiva com o Padre Fausto Buzzi – assistente do Superior do Distrito da FSSPX na Itália, com Francesco Boezi, do jornal italiano Il Giornale

A Tradição representa o único futuro possível para a Igreja. Dom Fausto Buzzi tem uma visão clara. Sacerdote da Fraternidade São Pio X, a mesma fundada por Marcel François Lefebvre em 1 de novembro de 1970, logo após Concílio Vaticano II, Buzzi é hoje assistente do Superior italiano. Ele serviu durante alguns anos na associação Alleanza Cattolica. Depois, em 1972, conheceu Monsenhor Lefebvre e ingressou no seminário de Ecône. Nesta entrevista exclusiva, o sacerdote de São Pio X falou, entre os pontos abordados, da reunificação doutrinal com o Vaticano.

Fonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Il Giornale: O que ainda separa  Fraternidade São Pio X da Igreja Católica?

Dom Fausto Buzzi: É bom ressaltar que a Fraternidade São Pio X não tem nada que a separa da Igreja Católica. Nós estamos unidos à Igreja Católica e nunca nos separamos dela, apesar das divergências com as autoridades da Igreja. Ora, essas divergências não partem de nós. Mons. Lefebvre dizia sempre que o condenaram pelos mesmos motivos pelos quais os papas costumavam enaltecê-lo, particularmente o Papa Pio XII. Foi Roma que mudou e, com o Vaticano II, se distanciou da bimilenar Tradição da Igreja. Em resumo, podemos dizer que o que nos separa de Roma são os graves e fundamentais problemas doutrinais”.

IG: Um pároco me disse, certa vez: “Fala-se muito sobre cisma, mas esses não têm a competência teológica de Marcel Lefebvre“. É isso mesmo?

FB: Muitos criticam ou condenam a Fraternidade São Pio X sem conhece-la e sem compreender as graves razões que a colocam em uma situação hostil em relação às autoridades eclesiásticas. Hoje, muitos, sacerdotes e leigos, estão começando a se perguntar o que está acontecendo na Igreja e estão abrindo os olhos para o fato de que aqueles que foram taxados por muitos anos como cismáticos são aqueles que permaneceram mais fiéis à Igreja Católica e, paradoxalmente, os mais fiéis ao papado. Em nossos seminários, Mons. Lefebvre queria que estudássemos a Summa Theologica de Santo Tomás de Aquino e outras obras clássicas de teologia. Lhe asseguro que foi uma grande graça para nós recebermos uma formação tão profunda e tão sólida.

IG: Qual a sua opinião sobre o Papa Francisco?

FB: Para nós, o Papa Francisco não é nem pior nem melhor do que os outros Papas conciliares ou pós-conciliares. Ele trabalha na mesma obra inaugurada por João XXIII, a de autodemolição da Igreja Católica com a finalidade de construir uma outra que esteja em conformidade com o espírito liberal do mundo. Eu ainda lhe direi mais: o atual Papa não é tão responsável quanto foi o Papa Paulo VI [em seguir adiante com a agenda de autodemolição da Igreja]. Este papa conduziu o Concílio, o concluiu, e conduziu também todas as reformas. E tudo isso, agora, é a causa da gravíssima crise que vemos na Igreja. É certo que as ações e as palavras do Papa Francisco parecem mais graves do que as de seus predecessores. Mas não é assim. Hoje, o efeito midiático ressoa muito mais do que no passado. No entanto, substancialmente, os atos de Paulo VI são muito mais graves do que os de Francisco. Continuar lendo

ONDE O SEDEVACANTISMO E NEOCONSERVADORISMO SE ENCONTRAM

A TENTAÇÃO SEDEVACANTISTA

FSSPX Distrito do México – Tradução: Dominus Est

Um estudo sobre a preocupante tendênciaque existe entre alguns católicos que amam os ensinamentos tradicionais e perenes da Igreja.

Sedevacantismo é uma palavra muito extensa que significa, literalmente, que a Santa Sede está vacante. Atualmente, indica a crença de que a pessoa que ocupa a cadeira de São Pedro não é o verdadeiro Papa, mas um impostor sem qualquer direito a exercer o oficio papal.

A razão alegada pelos sedevacantistas é que a crise da igreja tem o respaldo do Bispo de Roma. Eles afirmam que por omissão ou comissão, o Papa está promovendo erros e heresias como a nova Missa, o ecumenismo, a liberdade religiosa e a colegialidade. Os sedevacantistas pensam que um verdadeiro Papa não pode ser responsável por uma crise assim.

Esta mesma crise também produziu outro grupo, o dos neoconservadores, que aderem a tudo o que o Papa diga, pelo simples fato de ser o Papa. Deste modo, são levados a aceitar os falsos ensinamentos do Concilio Vaticano II mencionados acima.

É muito interessante que ambos os grupos, neoconservadores e sedevacantistas, servem-se do mesmo princípio: “O Papa é infalível em tudo, e o que ele ensina é verdadeiro e bom.” A diferença reside na forma como este princípio é aplicado. Os conservadores afirmam que, uma vez que o Vaticano II obteve a aprovação papal, devemos aceitar cegamente seus ensinamentos como bons e verdadeiros, sem importar-nos ou preocuparmos com o que possamos sentira respeito. Os sedevacantistas sustentam que, quando o Vaticano II promove heresias, sua autoridade não pode provir do verdadeiro Papa. Aqui está o dilema perfeito: neoconservador ou sedevacantista!

A solução para o dilema tem sua raiz no próprio princípio. A infalibilidade não é um passe universal para absolutamente tudo o que sai da boca do Papa ou tudo o que Roma diz. A infalibilidade está limitada a declarações específicas, que devem atender a certas condições para ter sua proteção. Esta proteção não se aplica aos documentos do Concílio Vaticano II nem à legislação em torno da Missa nova.

Monsenhor Lefebvre, em seu conhecimento da política romana e sabedoria sobrenatural, conhecia os principais problemas que ocorreram durante o Concílio Vaticano II: presidiu o Coetus, que foi o grupo formado pelos bispos em oposição aos modernistas provenientes dos países do Reno. Ao contrário dos sedevacantistas, o santo bispo não se escandalizou pela terrível confusão que sofreram a fé e a Missa sob o nome de ecumenismo. Ele lutou como um leão contra a Roma modernista e, no entanto, reconhecia a autoridade do Romano Pontífice. Ele agiu do mesmo modo que um bom menino o faria ao resistir a um pai que lhe pedisse para que roubasse, sem deixar de reconhecê-lo como pai.

Alguns sedevacantistas afirmam que os sacerdotes tradicionalistas (incluindo a FSSPX) invocam a pessoa do Papa dizendo “una cum” no cânon da Missa. Para eles ser “una cum” é tanto como dizer “Amém” às heresias promovidas pelo Papa. Na verdade, a tradução mais precisa do termo é que oramos pelo Papa, como cabeça visível da Igreja.

Por muito tentadora que possa parecer neste momento a opção do sedevacantismo, devemos resistir a cair nesse erro. No entanto, isso não significa que devemos alinhar-nos com os neoconservadores que tomam cada declaração papal como quase infalível. Recordemos que na história da Igreja houve santos e homens santos que consideraram necessário resistir ao Papa sem se tornarem sedevacantistas. Esta é a razão pela qual Monsenhor Lefebvre, mesmo com toda a sua oposição à Roma modernista, nunca adotou essa posição, e prudentemente proibiu os sacerdotes da FSSPX professá-la.

OS PECADOS QUE CLAMAM VINGANÇA AO CÉU

Distrito do México – Tradução: Dominus Est

ALERTA! Há pecados que clamam ao céu!… e são punidos neste mundo. Veremos a seguir o que são e qual o comportamento de um verdadeiro discípulo de Cristo.

“Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade. Não vos deixeis desviar pela diversidade de doutrinas estranhas. É muito melhor fortificar a alma pela graça do que por alimentos que nenhum proveito trazem aos que a eles se entregam” (Hb 13,8).

Todo homem quer ser feliz e viver em paz. Vive em paz aquele que segue a ordem que Deus colocou no mundo e obedece às leis que regem o mundo para que tudo funcione harmoniosamente. A lei natural é obra de Deus, consiste em fazer o bem e evitar o mal. O bêbado, por não obedecer à lei do seu corpo, com o tempo destrói seu fígado e morre. O motorista que não obedece à lei do trânsito em uma curva perigosa, pode acidentar-se e morrer. Deus criou o homem com inteligência e livre arbítrio. O mau uso da liberdade produz o pecado, e o pecado é a causa de nossos problemas. Hoje, a filosofia liberal subjetivista, fruto do livre exame protestante e maçônico, não leva em consideração as leis da natureza. Os homens que perderam a fé cristã católica, pensam que têm o poder e o direito de transtornar as leis da natureza das coisas; eles pensam que a realidade humana deve obedecer suas ideias, mesmo que sejam falsas. Isso faz com que a sociedade passe a ter sérios problemas. A causa de nossos problemas é o pecado; o remédio é seguir a lei de Cristo e respeitar a lei natural.

O que é o pecado?

O pecado é uma desobediência voluntária à lei de Deus. Existem dois tipos de pecado: pecado grave e pecado leve. O pecado grave é chamado de mortal, o pecado leve é chamado venial. O pecado mortal separa o homem de Deus e o entrega ao poder do demônio; abre diante dele a porta do inferno eterno. O pecado mortal coloca o homem numa situação anormal, destrói a graça santificante e a caridade, e expulsa o Espírito Santo da alma. Se uma pessoa morre em pecado mortal, sem confissão e sem arrependimento sincero, ela cairá no inferno, que é um lugar de fogo e sofrimento eterno. Há três condições para que um pecado seja mortal: matéria grave, plena advertência de que um pecado é grave e pleno consentimento. Isso significa que eu sei que o mal que quero fazer é algo grave, e mesmo assim, quero fazê-lo ou dou o meu consentimento. Por exemplo, matar, fornicar, adulterar, embriagar-se. Continuar lendo

“SE VOCÊ QUER AJUDAR A RESTAURAR A IGREJA, É PRECISO COMEÇAR COM O SACERDÓCIO”

news-header-imageFonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Trecho da entrevista concedida por Dom Bernard Fellay à MaikeHickson (MH) de OnePeterFive, sobre o centenário de Fátima e a crise da Igreja. Nota: as perguntas foram enviadas ao Bispo Fellay em finais de 2017, mas em razão de vários contratempos a entrevista foi concluída somente no presente mês.

MH: Cada vez mais muitos observadores parecem ver paralelos entre os princípios em que a Fraternidade São Pio X (FSSPX) baseou sua própria resistência contra certas novidades anteriormente vindas de Roma, e entre os princípios agora aplicados por aqueles críticos do documento exortatório do Papa Francisco, Amoris Laetitia. O próprio Professor Seifert repetidamente fez referência explícita em analogia ao seu próprio caso. O senhor poderia nos explicar esses princípios fundamentais na medida em que os vê em alguma correspondência mútua e reforçada?

Temos almas para salvar. A Igreja não é nova. Se seguimos o que a Igreja sempre fez, e o que os santos sempre fizeram, temos a certeza de estar no caminho seguro para o Céu. Em todos os tempos, a Igreja considerou perigosas as novidades e o fruto do orgulho. Podemos, hoje, dizer que há uma doença de novidade e mudança. Mas Deus não muda. A fé não muda. Os mandamentos não mudam. Seja fiel ao que a Igreja sempre ensinou em seus catecismos e você terá a certeza de estar no lado certo dessa luta por Deus e Sua glória.

MH: A FSPX desde cedo se opôs a certos aspectos do ecumenismo e da liberdade religiosa. Como o senhor relataria essa resistência anterior ao debate atual sobre a indissolubilidade do matrimônio à luz do fato de que essas outras religiões muitas vezes não acreditam neste dogma?

Uma vez que muitas religiões rejeitam a indissolubilidade do casamento, podemos pensar que as medidas tomadas por Roma se inspirariam no ecumenismo, mas não tenho certeza de que exista necessariamente uma ligação. Penso que o problema é uma relativização geral da verdade e, consequentemente, uma aplicação frouxa da lei e compreensão dos mandamentos de Deus. Ou, seguindo os princípios do personalismo, tal insistência na pessoa humana, no sentido de que a ordem de Deus não está em primeiro lugar. (Em outras palavras, o homem se torna Deus.) Você encontra isso no nível da religião e mesmo da legislação hoje. João Paulo II descreveu isso como antropocentrismo. Agora vemos isso aplicado ao matrimônio. Todos querem uma vida fácil… Continuar lendo

AINDA EXISTE, NA ALMA CATÓLICA, VERDADEIRA ORAÇÃO?

Resultado de imagem para rezando véu igrejaO que vem a ser Rezar ?

Mas se é para medir e regular nossa oração, caberia a cada um de nós perguntarmos: e eu rezo? O tempo da Quaresma serviu para melhorar minha oração?

Para responder a esta pergunta é necessário saber o que seja rezar. Ora, tanto o Catecismo como os santos doutores nos falam sobre a boa oração. Diz lá, então, a doutrina perene:

– Rezar é elevar a alma a Deus.

Santo Agostinho nos dará uma compreensão melhor ao afirmar:

– Rezar é ter uma intenção afetiva do espírito para Deus.

Outros santos dirão:

– Rezar é ter uma conversa íntima com Deus.

Ora, estas definições ou explicações se completam maravilhosamente e nos ajudarão a medir o nosso grau de oração, a sabermos se, de fato, rezamos de verdade ou não.

Ainda se encontra quem reze?

Mas a experiência de qualquer sacerdote, nos dias de hoje, deixa-nos assustados, a ponto de podermos interrogar: – O que está acontecendo conosco? Onde estão as almas que rezam de verdade? E se muitos adultos ainda guardam o costume salutar de recolher-se, todos os dias, diante de Deus, já os adolescentes, os jovens, deixando a idade da infância, porque abandonam tão facilmente a prática da oração que nos dá o céu? Onde encontraremos oração que seja elevação da alma, intenção afetiva, ou conversa íntima com Deus?

Não! Não! O que vemos hoje nestas almas é uma oração pesada, um coração irritado, uma oração rápida e mecânica.

Mas se é pesada por causa da contrariedade que se sente em rezar, então não se eleva.

Se vem carregada com irritação, nunca será uma intenção afetiva. Se é mecânica, não se pode pensar em conversa íntima com Deus. Continuar lendo

30 ANOS DEPOIS: O SERMÃO DAS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DO ARCEBISPO LEFEBVRE

Imagem relacionada“Preferimos continuar na Tradição, guardar a Tradição, esperando que essa Tradição reencontre seu lugar em Roma; seu lugar entre as autoridades romanas, e no espírito dessas autoridades romanas.” — Lefebvre

Introdução de Michael J. Matt (editor de Remnant) – Tradução Dominus Est

Em 1976, quando eu tinha dez anos, fui crismado pelo Arcebispo Marcel Lefebvre. Lembro-me de um homem bondoso e santo, de fala suave e verdadeiramente humilde. Mesmo crianças, meus irmãos e eu entendemos que ali estava um verdadeiro soldado de Cristo, que assumira uma posição corajosa e solitária em defesa da sagrada Tradição, em um momento em que não havia nada mais “hip” do que novidade e inovação. Nosso pai estava junto a ele, e esses homens eram “traddies” muito bem antes de “traddy” ser algo legal.

Lembrem-se: o mundo inteiro estava no auge da revolução da época — sexual, política, litúrgica, cultural — e não havia nada mais antiquado do que o passado. A resistência solitária dos primeiros tradicionalistas pôde, então, ser comparada a algo tão absurdo (aos olhos do mundo na época) como um homem na lama em Woodstock que insistisse para que os hippies colocassem suas roupas de volta e parassem de gotejar ácido e fumar maconha. Ninguém se importava. Eram zombados, riam deles e, eventualmente, mandados ir para bem longe da Igreja.

Os tempos estavam realmente ‘mudando’, e com poucas exceções, o elemento humano da Igreja de Cristo acompanhou a loucura — com efeito, poder-se-ia dizer, liderando o caminho.

Quando nos lembramos o porquê desses homens terem resistido à loucura dos anos 60, lembremo-nos de que eles não foram motivados principalmente pela ideia de salvaguardar suas próprias circunstâncias. O Arcebispo Lefebvre, por exemplo, estava aposentado antes que o mundo descobrisse quem ele era. Ele foi persuadido a sair de sua aposentadoria por seminaristas que, de repente, viram-se cercados por lobos em pele de ovelha, nos próprios seminários. Os modernistas estavam, literalmente, em toda parte. Continuar lendo

PODEMOS FAZER ALGO PELA SALVAÇÃO DE NOSSOS ENTES QUERIDOS?

Chegarás primeiro às sereias, que encantam a quantos homens vão a seu encontro. Aquele que imprudentemente se aproxima delas e ouve sua voz, já não volta a ver sua esposa nem seus pequeninos filhos rodeando-o, cheios de alegria, quando retorna aos seus lares; mas ele é enfeitiçado pelas sereias com seu canto hamonioso, sentado em um prado e tendo ao seu redor uma enorme pilha de ossos de homens putrefatos cuja pele se vai consumindo.” (A Odisséia)

Fonte: Adelante la Fé – Tradução: Dominus Est

A mitologia menos infantil sobre as sereias as ilustra como seres perversos que atraíam os marinheiros com seus hipnóticos cantos, sussurrando entre suas melodias mensagens com um  atrativo tão sugestivo para a vítima que não se podia resistir, se aproximando para ser devorados. Em “A Odisséia”, Ulysses advertiu seus marinheiros e, com tampões de cera, conseguiram esquivar seu perigo. Mas ele, querendo ouvi-las cantar, amarrou-se ao mastro de seu próprio navio para não ser pego, consciente de que seu poder sedutor e narcótico o faria inevitavelmente ir à direção delas.

Hoje em dia Satanás exerce sobre nós um poder sedutor, não similar, mas sim infinitamente mais poderoso. Suas “sereias” são numerosas: a televisão, os filmes, internet, a educação, os governos, a falsa espiritualidade … e nos cantam continuamente “venha, venha conosco fazer o que todos fazem e serás feliz”. No seu conjunto é um rolo compressor que é muito difícil escapar, e como se estivéssemos no barco de Ulisses sem tampões ou nós, vamos vendo com horror como a grande maioria dos nossos entes queridos vão caindo lentamente em seus braços.

Estes, por sua própria vontade, caem nas mãos do diabo, porque, não nos enganemos, ou se está nas mãos de Deus ou nas de Satanás, não há um estado intermediário de “boa pessoa” que não está nem com um nem com outro. E quando isso acontece, nos diz Santo Afonso Maria de Ligório, Deus acaba abandonando o pecador. E como Ele faz isso? Deixando-o cego e surdo à Luz divina, por isso vemos que essas pessoas deslizam como o óleo na água absolutamente tudo o que podemos dizer-lhes, ler-lhes ou ensinar-lhes. É como se eles tivessem uma armadura que os imuniza de Deus, e assim nos damos conta de sua dureza e cegueira. E é aqui que o diabo, que sempre tenta pescar em águas turbulentas, se aproveita e nos leva ao desespero: “não há nada a fazer“, “é um caso impossível“… Continuar lendo

ESPECIAIS DO BLOG: ESTUDO SOBRE O NATURALISMO DOS “MISTÉRIOS LUMINOSOS” DO PAPA JOÃO PAULO II

jpEm mais uma “Operação Memória” de nosso blog, trazemos novamente os links para os capítulos do “Estudo sobre o Naturalismo dos Mistérios Luminosos, escrito pelo Padre Peter R. Scott – FSSPX que expõe de forma clara a tentativa velada de promover o naturalismo da revolução pós-conciliar.

Como isso poderia ser possível? Como poderia um papa errar recomendando o Rosário? Como poderia Nossa Senhora abandonar aqueles que continuam a recitar suas Ave-Maria? Como poderia um católico criticar um papa que diz que o Rosário é “sua oração predileta”, “Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade” ?

Leiam e entendam.

 

“A IGREJA NÃO É O CORPO MÍSTICO DO PAPA; A IGREJA É, COM O PAPA, O CORPO MÍSTICO DE CRISTO”

Fonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Não voe muito baixo

Propomos aos nossos leitores este artigo (retirado da última edição da “Le Seignadou”, o boletim do Priorado “Saint-Joseph-des-Carmes”, no sul da França) de D. Michele Simoulin, ex-Reitor do Seminário Ecône (1988 -1996) e Superior do Distrito Italiano da FSSPX (1997-2004), a quem agradecemos a gentil autorização para publicá-la (original do texto italiano).

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Todos nós conhecemos a Declaração de Mons. Lefebvre, de 21 de novembro de 1974. Se a esquecemos, vamos relê-la: ela não envelheceu. Na verdade, é ainda mais atual: ainda hoje – e certamente será por muito tempo – o fundamento da nossa posição na atual situação da Igreja: “Nós aderimos de todo o coração e com toda a nossa alma à Roma católica, guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a manutenção dessa fé, à Roma eterna, mestra de sabedoria e de verdade. Pelo contrário, negamo-nos e sempre nos temos negado a seguir a Roma de tendência neo-modernista e neo-protestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II, e depois do Concílio em todas as reformas que dele surgiram“.

Não esqueçamos, no entanto, o que a declaração diz logo após: “Nenhuma autoridade, nem sequer a mais alta na hierarquia, pode obrigar-nos a abandonar ou a diminuir a nossa fé católica, claramente expressa e professada pelo magistério da Igreja há dezenove séculos“.

O cerne da questão, portanto, é a fé, propósito e razão de ser da Igreja e de seu magistério. Mons. Lefebvre é muito claro e delineia claramente o objeto final de sua fidelidade: “a Roma católica, guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a manutenção dessa fé“. Todo o resto é secundário ou simplesmente pertence à ordem dos meios, incluindo o Papa, os sacramentos, a moral, a teologia, o catecismo, etc. Tudo, até mesmo a Santa Igreja está a serviço da fé!

E assim não nos esqueçamos da exortação, cheia de força e sabedoria, do padre de Chivré para “não voar muito baixo“. Pode-se facilmente cair em uma espécie de racionalismo que reduz as questões da Igreja aos assuntos puramente humanos. Talvez tenhamos o mau hábito de referir tudo aos homens: Papa, bispos, sacerdotes…aos detentores da autoridade na Igreja, à Roma, ao Papa ou a Mons. Fellay – em vez de Deus e Jesus Cristo. Ao contrário, tudo passará: até a Igreja e a Fraternidade passarão, “mas minhas palavras não passarão” (Mt 24, 35). Somente a Igreja eterna, isto é, a Santíssima Trindade, pode justificar e merecer que se abandone tudo para servi-la. Continuar lendo

A FAMÍLIA COMO SANTUÁRIO E ESCOLA DE SANTIDADE

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Entre as mil maneiras apresentadas perante ao Verbo para aparecer em carne mortal entre nós e realizar a nossa Redenção, escolheu uma: ter uma Mãe, a quem fez Imaculada, e pela qual a quis desposada com um varão eminentemente justo, da altura de sua Mãe, para velar assim pela boa honra da Santíssima Virgem; assemelhando-se, deste modo, em tudo a nós, exceto no pecado.

Ou seja, o Verbo Encarnado quis levar uma vida em família e que essa vida em família fosse o começo da obra redentora. E isso por muitas razões, mas especialmente por duas, que gostaria de destacar hoje:

  1. Para nos mostrar a vida espiritual sob uma faceta conhecida e atraente: a vida em família;
  2. Para santificar o lar cristão em todos os seus aspectos, convertendo-o em fonte de santidade para os seus membros e mostrando-o como o princípio de todas as virtudes.

A vida espiritual assume o aspecto de uma vida familiar.

Deus quis calcar a vida sobrenatural sobre a vida natural, colocando assim semelhanças entre elas, de modo que não nos fosse completamente desconhecida, mas, pelo conhecimento que temos da vida natural, possamos intuir pelo menos um pouco o que é a vida sobrenatural. E assim, a vida sobrenatural como a vida natural, conta com: Continuar lendo