A VERDADEIRA POLÍTICA É SOBRENATURAL

Pe. Guillaume Devillers, FSSPX

“Civitas est communitas perfecta” (a cidade é a comunidade perfeita)

É sobre este princípio, retirado de Santo Tomás de Aquino, que muitos se baseiam para justificar a autonomia da política: a cidade, ou seja, a sociedade civil, é uma sociedade perfeita, logo, autônoma. Sem dúvida existe também outra sociedade perfeita, fundada por Cristo, a Igreja, sociedade sobrenatural ordenada à salvação das almas. Mas a graça não suprime a natureza; e portanto, permanece o fato de que a sociedade política é perfeita e, por si mesma, autônoma.

É este exatamente o pensamento de Santo Tomás? Vejamos um pouco como o santo doutor nos explica este princípio: “a cidade é a comunidade perfeita, o que Aristóteles prova mostrando que, como toda comunicação social ordena-se a alguma necessidade da vida, a comunidade perfeita será aquela ordenada a que o homem tenha suficientemente tudo o que é necessário à vida: ora, tal é a comunidade da cidade…” 1

A cidade é, portanto, a sociedade perfeita na medida em que pode satisfazer todas as necessidades do homem. Santo Tomás esclarecerá: necessidades materiais e espirituais, asseguradas pela diversidade de ofícios, tais como agricultores, artesãos, soldados, príncipes e padres 2. Para Santo Tomás, como para todos os papas que trataram destas questões, a sociedade perfeita é, portanto, antes de tudo a que une organicamente Igreja e Estado, a sociedade civil e a sociedade religiosa, o poder temporal e o poder espiritual, sob um único chefe, que é Cristo. Não há dúvida de que, em seu seio, podemos distinguir dois tipos de comunicação — espiritual e temporal — e por conseguinte, dois poderes, cada qual com sua função particular e seu fim próprio. Porém, todos os dois estão unidos sob um único chefe, que é Cristo, e seu vigário, o papa; e sobretudo, os dois estão ordenados ao um mesmo fim, a felicidade ou beatitude sobrenatural 3. Esta civitas, que é uma sociedade perfeita, é portanto a cidade católica, é a cristandade, que une em seu seio os dois poderes 4.

Santo Tomás distingue mas não separa, o que são coisas absolutamente diferentes. Distinguimos no homem a alma e o corpo, mas não os separamos 5. Estes dois elementos constituem um único ser, ordenam-se um e outro a um único fim que é a felicidade e a perfeição do homem. Podemos e devemos distinguir na sociedade humana as diferentes pessoas que a compõem, os diferentes ofícios ou trabalhos que concorrem para sua perfeição, e o temporal e o espiritual. Mas não é possível separá-los sem causar à sociedade um grande mal. Continuar lendo

COMO FALAR COM DEUS NAS TRIBULAÇÕES?

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Se podemos ter certeza de alguma coisa, é que enquanto vivermos neste mundo estaremos cercados de adversidades e tristezas. Tem que ser assim se quisermos gozar um dia no céu. Santo Afonso de Ligório nos ensina como devemos nos dirigir a Deus nesses momentos, dizendo-Lhe familiarmente, como um filho a seu pai, abrindo-Lhe nossos corações e pedindo-lhe que venha em nosso auxílio.

Quando te veres sobrecarregado, alma devota, pelo peso da enfermidade, das tentações, perseguições e outras obras, acorra ao Senhor e peça-Lhe que te estenda sua poderosa mão. Bastará que, nesses casos, Lhe manifeste a cruz que te martiriza, dizendo: “Olha, Senhor, como estou cercado de tribulações”, e certamente Ele não deixará de consolar-te ou, pelo menos, lhe dará a força necessária para levar com paciência as penas que te afligem, do qual resulta, quase sempre, um bem maior que te livrará delas.

Mostre todos os pensamentos que te atormentam e os medos e tristezas que te consomem, dizendo-Lhe: “Em Ti, meu Deus, coloquei toda a minha esperança. Lhe ofereço esta tribulação e acato os desígnios de sua vontade, mas tenha piedade de mim; livra-me Senhor desta tribulação ou dar-me a força para suportá-la. ” Tenha certeza de que que não faltará a promessa que Ele nos fez em seu Evangelho, de consolar e fortalecer todas as almas atormentadas que acorrem a Ele.  Vinde a mim, Ele nos diz, todos aqueles fatigados e carregados, e eu vou aliviarei.

Deves saber que o Senhor não se ofende quando você, em suas angústias e presares, busca alívio em seus amigos; a única coisa que te pede é que acorra a Ele como seu principal favorecedor. Quando verdes como em vão acorrestes às criaturas em busca de consolo, acorra então, ao menos, ao seu Criador, e diga-Lhe: “Senhor, os homens não têm mais que palavras, não podem consolar-me, nem tampouco quero mendigar seu consolo, só Vós sois minha esperança e meu amor, só de Vós há de vir o consolo, e a única coisa que agora Lhe peço é fazer o que mais Vos agrade. Disposto estou a sofrer essas penas e trabalhos durante toda a minha vida e por toda eternidade, se tal for a Vossa vontade: a única coisa que Vos peço é que me socorras com a sua graça “.

Não temas desagradar-Lhe se algumas vezes se queixas amorosamente Dele e Lhe diga: Por que, Senhor, tem-se afastado tanto de mim?  “Bem sabes, meu Deus, que te amo e que só desejo teu amor, socorra-me com teu favor e não me abandone.” 

Se a tribulação cai com todo o seu peso em teus ombros e te rendes e te oprimes, una teus lamentos aos de Jesus Cristo aflito e moribundo na cruz, e peça-Lhe compaixão e piedade dizendo:  Meu Deus, meu Deus! Por que me abandonaste?  Esses casos devem servir-te para humilhar-te na presença de Deus, pensando que não merece nenhum tipo de consolo aquele que ousou ofender a tão soberana majestade. Para reviver sua confiança, lembre-se de que o Senhor faz ou permite tudo isso para o nosso bem maior, ou como disse São Paulo:  Todas as coisas se tornam boas para aqueles que amam a Deus .

Quanto mais humilhado e desconsolado te verdes, deves exclamar com maior fortaleza na alma:  O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem hei de temer? Espero em Vós, meu Deus, que há de me iluminar e salvar. Assim, permaneça tranquilo, certo de que jamais se perdeu quem colocou sua confiança em Deus. 

Veja que Deus te ama com um amor mais profundo do que amas a ti mesmo; não há, assim, razão para temer. Sinta-se bem com o Senhor. Com estas palavras, o Sábio nos exorta a confiar mais na misericórdia divina do que a temer a justiça divina; porque Deus está mais inclinado por natureza a perdoar do que a castigar. São Tiago já disse: A misericórdia sobrepõe o rigor do julgamento. E o apóstolo São Pedro nos aconselha que em nossos negócios, sejam temporários ou eternos, devemos confiar tudo à vontade de Deus, que tão a sério tomou nossa salvação. Descarregue no seu peito amoroso, diz o Santo, todos vossos pedidos, porque Ele cuida de vós.

Lembro-te, alma devota, estes textos da Sagrada Escritura para que esforce seu ânimo abatido, considerando que Deus prometeu salvar-te se resolverdes servi-lo e amá-lo como Ele deseja.

QUERIA MATAR O PAPA… E CONVERTEU-SE

Faz alguns anos. Pio XII estava na sua capela, a rezar o terço com um grupo de trabalhadores italianos. Acabada a reza, aproximou-se de Santo Padre Bruno Carnacchila, italiano de 31 anos de idade, e entregou-lhe um punhal, dizendo todo comovido: “Santo Padre, com este punhal jurara matar Vossa Santidade. Que Vossa Santidade me perdoe!”

Pio XII permaneceu silencioso por um momento, e, apanhando o punhal, disse apenas:

– Perdôo-te, meu filho.

Esse Bruno fora terrível comunista. Odiava a Santa religião. Não podia ver Padres. Largara completamente suas orações.

Mas quem não o abandonou foi Maria Santíssima a quem ele tanto rezara em pequeno.

Passando um dia por uma gruta de Nossa Senhora, olhara para a bela imagem, e ela fixou seus olhos nele…e converteu-o totalmente.

Após ter renunciado ao comunismo, e ter-se reconciliado com a Igreja, decidiu entregar pessoalmente o punhal ao Papa.

 

Como Maria Santíssima é Boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

A BATALHA DE LEPANTO E O ROSÁRIO

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”Nem as tropas, nem as armas, nem os comandantes,
mas a Virgem Maria do Rosário foi quem nos deu a vitória”
 

Fonte: Hojitas de Fe, 216, Seminário Nossa Senhora Corredentora, FSSPX
Tradução:
Dominus Est

São Pio V, eleito Papa em 1566, teve o desejo de convocar a Cristandade para um duplo combate: contra o protestantismo e contra o Islã. Contra este último convidou os príncipes católicos a contrair uma aliança, mas todos eles, ocupados por seus problemas internos, não responderam à iniciativa. Em 1569 os otomanos souberam que o arsenal veneziano havia sido destruído pelo fogo, e que além disso toda a península itálica estava ameaçada pela fome devido a uma má colheita. Selim II aproveitou a ocasião para romper a trégua com Veneza e enviou um ultimato: ou entregaria a preciosa posse de Chipre, ou lhe declararia guerra. Veneza pediu auxílio, mas não queria fazer aliança com a Espanha, nem a Espanha com Veneza, pois Veneza várias vezes fizera aliança com os turcos. São Pio V interveio exortando a Espanha a enviar uma armada para proteger Malta e garantir a rota que levaria auxílio até a Ilha de Chipre.

Felipe II aceitou e enviou seus embaixadores, diante do qual Sua Santidade nomeou Marco Antonio Colonna, bem visto por Filipe II e Veneza, como chefe da armada pontifícia. Sob o comando e mediação do Supremo Pontífice tiveram início as negociações entre a Espanha e Veneza, mas desconfiança mútua e os interesses de ambas as partes, influenciara na demora dos acordos. São Pio V mediou nas discussões com paciência heroica e cordura, e sugeriu a Dom João da Áustria, bastardo irmão de Felipe II, então jovem de 24 anos, como generalíssimo dos exércitos cristãos.

Durante as negociações, uma peste dizimou a esquadra veneziana, e os turcos conquistaram a ilha de Chipre, após 48 dias de resistência heroica. A perda de Chipre desanimou toda a Cristandade. São Pio V culpou os príncipes católicos por aquela perda, que deveriam abandonar suas atitudes antes que fosse tarde demais, e só expiariam suas culpas se resolvessem se unir em defesa da Cristandade. Continuar lendo

A CRISE DA DEMOCRACIA

Resultado de imagem para democraciaNum interessante inquérito promovido pelas revistas norte-americanas U.S. News and World Report, e publicado com grande destaque pelo O GLOBO, desde os dias 18 e 19 do corrente, vem sendo abordado problema da crise, do malogro ou do futuro da “democracia”. Numerosos intelectuais norte-americanos e ingleses, de alto prestígio, como: Professor Samuel P. Huntington — Cientista Político, Professor Charles Frankel — Filósofo, Professor Robert L. Heilbroner — Economista, Professor Max Beloff — Cientista Político, Professor William H. McNeill — Historiador, Professor Michael J. Crozier — Sociólogo, Professor Friedrich A. Hayek — Economista e Professor René Dubos. Cientistas, trouxeram sua contribuição ao debate que, para esses intelectuais, parece assentado em claros postulados aceitos por todos e motivado por mais uma inquietação do mundo moderno, ou pelo menos, do ocidente moderno.

Em primeiro lugar observo que o termo “democracia” sempre demarcado com o artigo “a” que reforça sua determinação designa um conceito quase tão claro e tão unívoco como o de “quadrado”. Ora, desde aqui me parece que esse inquérito aceita, sem sinais de relutância, todos os movediços equívocos que formam a atmosfera cultural de nosso tempo.

Efetivamente, o termo “democracia”, no tumulto provocado por guerras, revoluções, reformas de coisas irreformáveis e mise en question de todos os princípios morais e religiosos, o termo “democracia”, embora pretenda ter permanecido imóvel no mercado das idéias baratas, sofreu deslocamentos semânticos denunciados pelos adjetivos que lhe são anexados: democracia-liberal, democracia-cristã, democracia-popular etc. Mas também sofreu deslocamentos metafísicos mais profundos e mais perturbadores. Na sua primeira e clássica acepção o termo “democracia” significava forma de governo caracterizada pela mais ampla participação do povo — como “monarquia” significava forma de governo de mais concentrada autoridade. No processo revolucionário que, nos últimos quatro séculos, corre nos subterrâneos da História, o termo “democracia” passou a significar uma filosofia de vida, e não apenas uma especial forma de governo. Seria melhor dizer que passou a ser um humanismo, que pretende marcar os eixos essenciais de uma nova civilização que deixara de ser essencialmente cristã, mas ainda tolera ou respeita o cristianismo subsistente como uma opção individual.
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GRANDEZA DO CATECISMO

Irmãs da Fraternidade São Pio X

Francisco está estudando no quarto ano no colégio mais famoso da cidade. Ao voltar da aula, ele entrega à sua mãe, Andreia, o boletim com as notas do bimestre. “Que bom!”, pensa Andreia: “Francisco tirou notas excelentes em matemática e em português. Com a sua prática em idiomas, com certeza ele vai poder entrar nas melhores universidades do país!”.

E Andreia já imagina seu filho sendo um advogado de prestígio, um engenheiro com êxito ou um cientista eminente… Que mãe não tem grandes ambições para seus filhos?

Ao mesmo tempo, Gustavo – estudando no 5º. ano no Colégio São Pio X – também entrega a Silvina, sua mãe, as suas notas bimestrais. Silvina lê com atenção: Catecismo: 9; Comportamento geral exemplar: bom espírito, responsável e prestativo com os menores. Silvina sonha também com o futuro do seu filho: “O que será de Gustavo no futuro? Um bom pai com uma família numerosa? Talvez padre?” 

Que mãe não tem grandes ambições para seus filhos?

Na verdade, a maneira como os pais encaram os boletins escolares dos seus filhos revela percepções muito diferentes da vida. O que os senhores esperam da sua escola? Que lhes ensine com perfeição as equações e a geometria?

Está bem, mas “os pagãos não fazem isto também?” (São Mateus 5, 47). Matricularam seus filhos nas escolas da Tradição só porque a disciplina é melhor, porque não se empregam nelas os lamentáveis métodos educativos modernos, ou porque os resultados escolares são excelentes? Continuar lendo

ESPECIAIS DO BLOG: CATECISMO ANTI-COMUNISTA

Resultado de imagem para ANTICOMUNISMOEm mais um Arquivo Memória de nosso blog, publicamos abaixo os links para o Catecismo Anticomunista, escrito por D. Geraldo de Proença Sigaud.

Nesses posts vemos todos os pontos referentes à essa doutrina diabólica e verificamos a total incompatibilidade dela com a Doutrina Católica.

(O que é o comunismo e o que ele ensina; Atitudes do comunismo perante a religião; Pontos básicos da divergência entre comunismo e catolicismo; A essência do homem é ser trabalhador)

(A revolução e a cristandade; Virtudes que fundamentam a cristandade e paixões que movem a revolução; O proletário é o único homem ideal, segundo o comunismo; A luta de classes; A propriedade, a vida humana e a escravidão do operariado; O papel de satanás; A violência e a liberdade; O materialismo do ocidente prepara o caminho do comunismo; A igreja e os operários)

(O socialismo; A conquista do povo — as elites e a massa; Os pontos mais visados; a reforma agrária; O ideal do comunismo: a sociedade sem classes; o igualitarismo)

O VOTO É OBRIGATÓRIO DO PONTO DE VISTA MORAL?

Resultado de imagem para votoFonte: SSPX USA – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo Helton Barbosa

É bem verdade que os modernistas consideram a democracia e o direito ao voto uma sacrossanta e imediata consequência da dignidade humana diretamente conectada à sua religião humanista.

Reagindo contra isso, sabedores que somos de quão injusto é o sistema eleitoral, percebendo o quanto a moderna democracia tem como base um falso princípio liberal de liberdade humana, o qual rejeita toda intenção divina e lei moral, conscientes da estreita margem de escolha entre candidatos e também tendo a impressão (embora errada) que o voto de somente uma pessoa não fará uma real diferença em um sistema tão secularizado e inimigo de Deus – podemos facilmente concluir que uma pessoa não é obrigada de todo a votar.

Ainda assim o ensino da Igreja sobre este assunto não é de modo algum novo. Não aprovando o sistema moderno de democracia e seu falso princípio de soberania popular a Igreja, contudo, nos delega o contribuir para o bem comum da sociedade por meio de uma obrigatoriedade legalmente instituída. Este é um princípio bem expressado pelo Papa Pio XII em seu discurso de 20 de abril de 1946 à Ação Católica Italiana:

“O povo é convocado para tomar sempre considerável parte na vida pública de uma nação. Essa obrigação traz consigo graves responsabilidades. Daí a necessidade dos fiéis terem um claro, sólido e preciso conhecimento das suas responsabilidades no âmbito moral e religioso no que diz respeito ao exercício de seus direitos civis e em particular o direito de voto.”

De fato, o Papa Pio XII havia explicado de maneira clara que isso é devido exatamente ao espírito secular e anti-católico que cercam os católicos que estes têm o dever de defender a Igreja através do correto exercício do direito de voto com a finalidade de impedir um mal ainda maior. Ele havia declarado no dia 16 de março de 1946 aos padres paroquiais de Roma: Continuar lendo

OS DOZE GRAUS DO SILÊNCIO

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

A vida interior poderia consistir somente nesta palavra: Silêncio! O silêncio prepara os santos; os inicia, os perfecciona e os consome. Deus, que é eterno, não diz mais que uma só palavra, que é o Verbo. Do mesmo modo, seria desejável que todas as nossas palavras digam “Jesus” direta ou indiretamente. Esta palavra, silêncio, quão bonita é!

1º Falar pouco às criaturas e muito a Deus. Este é o primeiro passo, mas imprescindível, nas vias solitárias do silêncio. Nesta escola se ensinam os elementos que dispõe à união divina. Aqui a alma estuda e aprofunda esta virtude, no espírito do Evangelho e da Regra que abraçou, respeitando os lugares sagrados, as pessoas, e sobretudo esta língua em que tantas vezes descansa a Palavra do Pai, o Verbo feito carne. Silêncio ao mundo, silêncio às notícias, silêncio com as almas mais justas: a voz de um Anjo turbou Maria…

2º Silêncio no trabalho, nos movimentos. Silêncio no porte; silêncio dos olhos, dos ouvidos, da voz; silêncio de todo o ser exterior, que prepara a alma para entrar em Deus. A alma adquire grandes méritos por estes primeiros esforços em escutar a voz do Senhor. Que bem recompensado é este primeiro passo!

Deus a chama ao deserto, e por isso, neste segundo estado, a alma aparta tudo o que poderia distraí-la; se distancia do ruído, e foge sozinha Àquele que somente é. Ali saboreará as primícias da união divina e o zelo de seu Deus. É o silêncio do recolhimento, ou o recolhimento no silêncio.

3º Silêncio da imaginação. Esta faculdade é a primeira em chamar à porta fechada do jardim do Esposo; com ela vêm as emoções inoportunas, as vagas impressões, as tristezas. Mas neste lugar retirado, a alma dará ao Amado provas de seu amor. Apresentará a esta potência, que não pode ser destruída, as belezas do céu, os encantos de seu Senhor, as cenas do Calvário, as perfeições de seu Deus. Então, também ela permanecerá no silêncio, e será a servente silenciosa do Amor divino. Continuar lendo

SÃO PIO X, SANTO PROVIDENCIAL DOS TEMPOS MODERNOS

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Fonte: Hojitas de Fe, 211, Festas do Santoral, Seminário Nossa Senhora Corredentora, FSSPX – Tradução: Dominus Est

Quando Pio XII canonizou São Pio X, em 29 de maio de 1954, não deixou de chamar-lhe repetidamente, no discurso de canonização, “o santo dado pela Providência para a nossa época”, “o santo providencial do tempo presente”, “o santo providencial de nossos tempos”. E, de fato, na pessoa de São Pio X podemos ver, em ordem à Igreja, uma tríplice Providência de Deus:

  • A Providência pela qual o retira de uma humilde família de Riese, conduzindo-o por todos os graus e cargos da hierarquia, até estabelecê-lo no Sumo Pontificado.
  • A Providência pela qual a sua ação não se limita ao tempo de sua vida, mas que perdura nos tormentosos tempos posteriores.
  • A Providência pela qual o Supremo Magistério reconhece a ação providencial de José Sarto, de Pio X, e a confirma.

1 – Providência primeira

Podemos vê-la assinalada nas palavras do Introito da Festa de São Pio X: “Do meio do povo tirei o meu eleito; ungi-o com o meu óleo santo; a minha mão o sustentará, e o meu braço lhe dará firmeza”.

É admirável ver como Deus, de maneira suave, mas precisa, vai guiando a esse humilde filho de um oficial, que nem sequer tem com que pagar os estudos, por todos os graus da hierarquia: exemplar seminarista entre seus companheiros, depois vigário em Tombolo (9 anos), pároco de Salzano (9 anos), cônego de Treviso, diretor espiritual do seminário desta mesma diocese, chanceler secretário do bispo (8 anos), bispo de Mântua (9 anos), cardeal e patriarca de Veneza (9 anos). Uma longa preparação de 45 anos de sacerdócio, e de 19 anos de vida episcopal, dedicada às necessidades das almas, da formação sacerdotal, da Igreja, dos erros e perigos que a combatem, e dos melhores meios para promover a difusão e a defesa da fé e da Igreja. Continuar lendo

A DEMOCRACIA NOS COAGE

Resultado de imagem para democraciaOS DIREITOS E AS OBRIGAÇÕES

Os defensores dos “direitos humanos” entendem, por estas palavras, dois tipos de valores que buscam defender: ora a expressão se refere a problemas de alegadas “torturas” em prisioneiros que eles chamam “políticos” — e nesse caso trata-se de uma campanha que só começou a existir no mundo a partir da derrubada de governos esquerdistas na América Latina — ora dos que se arvoram em defensores dos “direitos humanos” se referem a requisitos “democráticos” da organização social, requisitos esses nascidos das concepções iluministas do século XVIII e que misturam atributos de ordem natural com pretensos direitos de uma lógica materialista presente no humanismo desde a Renascença.

É curioso notar que as grandes ordenações jurídicas do passado da humanidade, desde o Código de Hamurabi, as leis gregas e até as codificações do Direito Romano, sempre se exprimiram antes em termos de mandamentos, proibições ou obrigações quando regulavam a vida dos homens em sociedade; raramente falavam em direitos. Mais nítida ainda se vê que esta é a maneira adequada de encarar a lei ou regra de convivência social, nos mandamentos da lei de Deus, revelada aos antigos hebreus e confirmada nos Evangelhos. Em termos de lei natural, tratadistas católicos modernos, que não puderem furtar-se a influências nefastas do neo-paganismo de nossos dias, costumam conceder que a “pessoa humana”, como eles dizem, tem o direito à vida, aos meios de subsistência condigna etc., maneira de falar que soaria curiosa e estranha a qualquer pensador católico antes do final do século XIV, os quais diriam antes que viver é um atributo da natureza humana, comum aos outros seres vivos e que no caso especial do homem esse atributo, por causa da ordem estabelecida por Deus deve ser obrigatoriamente respeitado, salvo quando em certas situações o dever de respeitar a vida própria impõe a eliminação da vida de um agressor injusto, por exemplo. Também diriam os antigos pensadores católicos que o homem tem por imperativo de sua natureza, o instinto, comum ao dos animais, de procurar sua subsistência e que necessita de um patrimônio que o ajude nisso, cabendo aos demais respeitarem essa necessidade e esse patrimônio mas não formulariam tal atributo ou tal imperativo em termos de um “direito” no sentido que a expressão ganhou, direito que, como perguntou com razão o Prof. Gudin, não se sabe em que guichê ou repartição poderia ser objeto de cobrança individual.

Há, em torno dessas concepções “humanísticas” que começaram no século XVI, uma gradual mudança de acento tônico nos termos dessa relação social que é a norma da lei. Onde a ênfase natural dos antigos recaia sobre o termo “ligado” pela lei, isto é, aquele sobre quem a lei impera, de quem se quer um determinado comportamento em conformidade com determinada ordem, as concepções que se foram estabelecendo a partir da revolução humanística passaram a emprestar maior atenção e seu principal acento ao outro termo, o termo, digamos beneficiário daquelas obrigações, isto é, os que simplesmente deveriam receber os efeitos da boa ordenação social. Estes passam a ser objeto principal da ênfase e, assim passam a ser titulares de “direitos”. Onde antes imperava a noção de norma, de ordenação, de lei, passará gradualmente a imperar a idéia de reivindicação, de insurreição sob o pretexto de direitos desatendidos, de rebeldia. Não é de espantar que, em conseqüência, os homens se tenham tornado “ingovernáveis” como disse profeticamente, em meados do século passado, o grande pensador espanhol Donoso Cortês. Continuar lendo

TRÊS EXEMPLOS DE VIRTUDE CRISTÃ NA VIDA DE SANTA ROSA DE LIMA

Resultado de imagem para santa rosa de limaFonte: Hojitas de Fe, 158, Festas do Santoral | Seminário Nossa Senhora Corredentora, FSSPX – Tradução: Dominus Est

No dia 30 de agosto, a Igreja celebra a festa de Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina e primeira santa do continente americano. Esta Santa é, em razão de sua vida prodigiosa, quase mais admirável do que imitável, uma alma rival de São Luís Gonzaga em santidade, inocência e penitência, e um dos exemplos que Nosso Senhor Jesus Cristo concedeu à sua Igreja no tempo da Contrarreforma, para mostrar com os fatos o poder da graça que o Protestantismo negava: “Tens, porém, algumas pessoas em Sardes que não contaminaram os seus vestidos; e irão comigo (ao céu) vestidas de branco, porque são dignas disso.” (Ap 3, 4).

Aproveitemos, pois, o repasso de sua vida para nela encontrar alguns exemplos que se pudermos imitar em nossa vida cristã, em torno das três graças que nela mais brilharam, a saber:

• a fidelidade de Santa Rosa à graça;

• a penitência admirável que praticou durante toda a sua vida;

• e o total desprezo pelo respeito humano.

1º Grandes dons e graças de Deus a Santa Rosa e fidelidade da Santa aos mesmos.

Santa Rosa de Lima nasceu em 20 de abril de 1586 em Lima, então capital do Vice-Reino do Peru, sendo filha de Gaspar de las Flores e Maria de Oliva, ambos ilustres por sua nobreza e por sua piedade, embora de condição modesta.

Recebeu nossa Santa no batismo o nome de Isabel; mas três meses depois, quando sua mãe observou seu rosto transfigurado em uma rosa, começaram a chamá-la Rosa. Continuar lendo

SALVO PELO ROSÁRIO

Imagem relacionadaEra em maio de 1808. Os habitantes de Madrid tinham-se levantado contra o intruso José Bonaparte, que usurpara o trono dos Bourbons.

Os insurretos, cheios de ódio contra os franceses, matavam sem piedade os soldados que podiam surpreender nas ruas e nas casas.

Certa manhã encontrou-se o célebre Dr. Claubry com uma turba de insurretos que, pelo seu traje, viram que pertencia ao exército invasor.

O Dr. era grande devoto de Nossa Senhora e pertencia à Confraria do Rosário.

Naquele dia mesmo recebera a comunhão numa igreja dedicada a Nossa Senhora e voltava tranquilamente para casa.

Quando percebeu o perigo, levantou as mão ao céu e invocou os santos nomes de Jesus e Maria.

Já estavam prestes a matá-lo, acoimando-o de renegado e ímpio, quando uma feliz ideia lhe passou pela mente.

– Não, disse, não sou infiel nem blasfemo e se querem uma prova, vede o que tenho comigo. E mostrou-lhes o rosário que estava rezando.

Diante disso os assaltantes baixaram imediatamente as armas, dizendo:

– Este homem não pode ser mau como os outros, pois reza o rosário.

Precisamente naquele instante, como que enviado por Nossa Senhora, surgiu ali o sacristão da igreja em que o Doutor comungara e, vendo-o cercado pelos insurretos, gritou bem alto:

– Não lhe façam mal; é devoto de Nossa Senhora; eu o vi comungar esta manhã em nossa igreja.

Ouvindo isto, os agressores acalmaram-se, beijaram o crucifixo do rosário de Claubry e levaram-no a um lugar seguro.

Regressando à sua pátria, o piedoso Doutor publicou o favor recebido e continuou tôda a sua vida rezando o rosário.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

ROMA, O QUE FIZESTE DO MARTÍRIO DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO?

Meus caríssimos irmãos,

Eis-nos outra vez reunidos sob o patrocínio de São Pedro e São Paulo, mártires. Como não lançar nossos olhares, pelo pensamento, pelo coração, para Roma? Roma que este Papa e o apóstolo São Paulo regaram com o seu sangue, acompanhados de tantos e tantos mártires. Foi também com emoção que lemos esta manhã as lições do Papa São Leão, que se dirigia assim à Cidade Eterna: 

“Ó Roma, quæ eras magistra erroris facta est discípula veritatis – Ó Roma, tu que eras mestra do erro, que ensinaste o erro, eis que te fizeste serva da Verdade”. 

Que bela palavra: serva da Verdade! E ele acrescentava que esta cidade de Roma reunia todos os erros de todas as nações: Omnium gentium serviebat erroribus

Roma parecia estar a serviço dos erros de todas as nações. Acolhendo todas as divindades, Roma julgava, diz ainda São Leão, que tinha uma grande religião, magnam religionem, porque, precisamente, ela reunia todos os erros, todas as religiões, em seu seio.

Estas palavras de São Leão descrevendo a Roma pagã, a Roma antiga, faz-nos refletir hoje.

Qual é, atualmente, a situação de Roma? O que pensa de nós, reunidos aqui para realizar, assistir ou participar destas ordenações sacerdotais?

Podemos sabê-lo lendo o livro do Cardeal Ratzinger que acaba de ser lançado  e que fala de nós.

O que diz ele de nós? Diz que é espantoso que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X seja tão ligada aos papas anteriores ao Concílio – o que para nós é verdadeiramente um testemunho que nos alegra – e que façamos tão grandes reservas aos papas que se seguiram ao Concílio. Se são tão ligados ao papado, porque, espanta-se ele, fazer distinção entre os papas? Continuar lendo

PADRE PIO, O RETRATO VIVO DO CRISTO CRUCIFICADO

news-header-imageA edição de julho-setembro de 2018 do Le Chardonnet (# 340) inclui um artigo do Pe. François-Marie Chautard sobre Padre Pio, o sacerdote estigmatizado que morreu há 50 anos em 23 de setembro de 1968.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Uma das missões do Padre Pio foi “tornar visível a cruz de Jesus Cristo”. Cristo assumiu a forma humana para tornar visível o invisível. Esta revelação de Deus não terminou com a Sua Ascensão, pois após o Seu retorno ao Pai, Nosso Senhor enviou o Espírito Santificador. Desde então, cada século teve sua parcela de santos cujas vidas perfeitas em imitação de Cristo parecem renovar Sua encarnação. A vida exterior de alguns santos, por vezes, configura-se tão bem à de Cristo que eles revivem Sua paixão em sua própria carne.

São Francisco de Assis é o mais conhecido de todos eles, e muitos artistas ilustraram o Poverello recebendo os estigmas. Outros santos também experimentaram este fenômeno extraordinário: Santa Catarina de Siena, ou Madame Acarie (Bem-aventurada Marie de l’Incarnation), cujos estigmas eram invisíveis.

Mas até 20 de setembro de 1918, nenhum sacerdote, apesar de sua sacramental união com Cristo Sumo Sacerdote, havia sido escolhido para renovar em sua própria carne o mistério do Sacrifício da Cruz.

Em 20 de setembro de 1918, quando ele orava diante de um crucifixo pendurado diante do coro dos monges, raios de luz do crucifixo perfuraram suas mãos, pés e lados como setas. O jovem Capuchinho, de 31 anos, ainda não sabia disso, mas nos cinquenta anos seguintes, até 20 de setembro de 1958, ostentaria as marcas visíveis da Paixão de Cristo, que reviveria a cada dia. Continuar lendo

O ACORDO ROMA-MOSCOU

O artigo seguinte trata de uma das páginas mais tristes de nossa história, o acordo Roma-Moscou firmado em 1962. Ele nos ajuda a compreender o porquê do Vaticano ter se calado sobre o comunismo no Concílio, bem como as origens da atual política de simpatia por políticos e personalidades de esquerda. 

Revelado inicialmente pela imprensa comunista, foi confirmado posteriormente por publicações progressistas e comentado no periódico católico “Itinéraires”. Mas ninguém leu, ou se leu, não acreditou, ou se acreditou, deu ao acordo uma interpretação complacente que não mais se pode manter.

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Jean Madiran

A negociação secreta entre a Santa Sé e o Kremlin efetivamente realizou-se. Concluiu-se realmente o acordo. Roma comprometeu-se de verdade. Tudo mostra que o pacto continua em vigor, embora não seja de ontem mas de anteontem. Ele é de 1962. Há 22 anos a atitude mundial da Igreja Católica em face do comunismo está subordinada às promessas feitas aos negociadores soviéticos.

Não revelo segredo algum. Relembro o que todos deviam saber, mas esqueceram, ou jamais souberam ou fingem ignorar. No entanto, publicaram-se, em 1962, três coisas na imprensa comunista e na católica: 1) a existência da negociação; 2) a conclusão do acordo; 3) as promessas feitas pela Santa Sé. O essencial foi dito, escrito, impresso sob completa desatenção. Os comentadores mais bem informados baixaram os olhos pudicamente. Não se registrou nenhum comentário pormenorizado, salvo em “Itinéraires”. Admitindo-se que, na época, a distração, real ou fictícia, foi universal, hoje a ignorância é completa. De sorte que, resumindo o assunto em algumas dezenas de linhas em “Présent” de 30 de dezembro de 1983, provoquei a estupefação dos mais experimentados na matéria e topei freqüentemente com uma incredulidade desdenhosa ou indignada. Era esse o meu resumo: “João XXIII comprometeu-se com o negociador soviético — que era Mons. Nicodemo — a não atacar o povo nem o REGIME da Rússia. Isso era para que Moscou permitisse que os observadores ortodoxos russos comparecessem ao Concílio. Desde então a Santa Sé considera-se ligada pelos compromissos de João XXIII. Já não se nomeia o comunismo em nenhum documento pontifício”. Diante dessas linhas, as pessoas reagiram como se jamais tivessem ouvido falar dessa negociação e dessa promessa. Continuar lendo

A ÉPOCA DOS MACABEUS, FIGURA DA SITUAÇÃO ATUAL DA IGREJA

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Fonte: Hojitas de Fe, 7, Seminário Nossa Senhora Corredentora, FSSPX
Tradução:
Dominus Est

“Tudo o que foi escrito, para nosso ensino foi escrito; a fim de que, pela paciência e consolação (que tiramos) das Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15 4). Nesta ordem de coisas, o primeiro Livro dos Macabeus está repleto de instruções para nós, ao assinalarmos duas coisas: • por um lado, as tremendas provas que o povo escolhido sofreu por querer imitar os pagãos: • por outro lado, o auxílio que a divina Providência deu naquela luta de vida ou morte, que, humanamente falando, deveria ter resultado na total aniquilação do pequeno povo judeu.

Propomos, então, aplicar em pinceladas breves o tema deste livro inspirado à crise atual da Igreja, também em dois pontos: • em primeiro lugar, descrevendo a situação provocada na Igreja por querer aceitar os princípios do homem moderno, racionalista, independente de Deus; • e, em seguida, destacar os remédios que a Providência deixou para a sua Igreja: uma situação semelhante a dos Macabeus, remédios semelhantes aos então dados pelo auxílio divino.

1ª Situação descrita pelo Livro inspirado, e aplicação à nossa.

Este livro nos conta como foi poderoso o reinado de Alexandre, o Grande, que rapidamente ocupou o mundo então conhecido. Este império impôs seus deuses e costumes em todos os lugares, exceto sobre o povo escolhido, que a princípio respeitou. Porém, mais tarde, sob o rei Antíoco Epifânio, da dinastia selêucida, este império tornou-se um perseguidor da verdadeira religião e do povo que a professava, o povo judeu. As coisas ocorreram da seguinte maneira. Continuar lendo

MEDITAÇÕES SOBRE A RUÍNA DO MUNDO

Resultado de imagem para gustavo corçãoQual será a causa profunda da doença mortal que corrói a civilização e que, por derrisão depois da leitura da página de Ibsen no artigo de quinta-feira, poderíamos chamar de fé na mentira vital?

Tomando o problema na perspectiva da causalidade formal, e renunciando por enquanto à pesquisa da causa eficiente e de sua localização histórica, diríamos que com a estranha subversão observável em qualquer fenômeno social, e mais claramente visível nos meios religiosos onde a corrupção do melhor se torna péssima, defrontamo-nos com uma forma de causação circular que podemos tomar pela subversão interior ocorrida no próprio centro de nossa personalidade onde se decide a opção de dois amores de si mesmo: o belo amor de si mesmo que se volta para Deus e nele se perde até o esquecimento de si mesmo e de todas as coisas do mundo que se oferecem ao nosso senhorio, e ao deleite de nos sentirmos sicut dii; ou então, o falso amor de si mesmo, que, voltado para as coisas exteriores e para o prazer sensível de sua dominação, nos leva até o esquecimento e o desprezo de Deus.

Já disse que esse amor de si mesmo é falso e, com esta qualificação irresistivelmente formulada, já formulamos a natureza e a forma da subversão, isto é, da falsificação fundamental da alma humana; o esquecimento de Deus produzido pela dispersão das virtudes e dons no múltiplo espetáculo das coisas do monumental mercado que nos inebria. Fundamentalmente, essencialmente, a alma que se afasta de Deus se volta para uma progressiva mentira. Perdida a luz que ilumina a verdade em cada coisa, a alma se compraz em inventar valores tirados da vontade própria que, num primeiro ato fundamental, deixa-se crer que se ama a si mesma, justamente quando a alma não sabe realmente o que ela é. Esta implicação de uma mentira no processo interno com que o homem afastado de Deus se contempla e julga amar-se quando trabalha por sua perdição, está magistralmente formulada por Santo Tomás de Aquino na questão em que pergunta “se os pecadores se amam a si mesmos de um vero amor”. Depois da habitual exposição das dificuldades e erros vigentes, Santo Tomás chega ao centro de gravidade do problema da integridade moral e psicológica do EU: “Unde non recte cognoscentes seipsos, non vere diligunt seipsos, sed diligunt illud quod seipsos esse reputant”. (llllæ. q. XXV, a. 7) Poderíamos, com inevitável perda de sua admirável concisão, traduzir assim:“… então, não se conhecendo retamente a si mesmos, não podem verdadeiramente se amar a si mesmos, mas amam aquilo que eles mesmos pensam que são”. Continuar lendo

OS FRANCO-MAÇONS

Fonte: Permanencia

Aviso do Editor

Este opúsculo foi escrito em 1867. Desde então, as coisas se precipitaram, fez-se a luz e a seita maçônica tirou a máscara. Hoje ela confessa às claras que é aquilo que é – uma organização anticristã da Revolução.

É inimaginável a raiva que esta obrinha suscitou e ainda suscita; essa reação é perfeitamente compreensível e, melhor que qualquer raciocínio, comprova a temível verdade das revelações que aqui se dão a público.

Muitos maçons admitiram esse fato. “O autor deste livro está bem informado”, dizia entre outros, em 1868, um velho maçom de Tours. Um dos cabecilhas mais fanáticos da Loja de Marselha, que retornou à prática da Religião, declarava “que uma das coisas que mais o impressionou foi o livrinho de Mons. de Ségur sobre a maçonaria”. E acrescentava: “Eu o li pensando que encontraria terríveis exageros; mas, ao contrário, achei-o ainda tão aquém da verdade, que me deu medo, de modo que senti necessidade de sair da minha abjeta situação”.

Com a ajuda de Deus, este opúsculo impediu que muitas almas fossem seduzidas, e abriu os olhos de uns pobres coitados que se deixaram enredar pelo Grande Oriente. Em Paris, em uma grande escola noturna, freqüentada por operários e moços, em um só mês, por conta da leitura de algumas páginas, mais de cinqüenta decidiram deixar de imediato as Lojas às quais acabavam de afiliar-se.

Desde o seu aparecimento, esta brochura se esgotou com muita rapidez: em três meses nove edições, ou seja, cerca de trinta mil exemplares desapareceram; em menos de cinco anos trinta e seis edições, ou seja, cerca de cento e vinte mil exemplares – e as edições continuam a sair. Continuar lendo

PE. DAVIDE PAGLIARANI – SUPERIOR GERAL DA FSSPX: “O SACERDÓCIO EXISTE PARA A SANTIFICAÇÃO DAS ALMAS”

news-header-imageExcerto da entrevista do Pe. DavidePagliarani, novo Superior Geral da FSSPX, publicada em FSSPX News – Tradução: Dominus Est.

Creio que o objetivo da Fraternidade é a formação de sacerdotes. Mas, ao mesmo tempo, um sacerdote deve continuar amadurecendo, formando-se e se santificando ao longo de toda a sua vida. Penso que é aqui onde devemos concentrar todos os nossos esforços para ajudar os sacerdotes a perseverar nessa busca pela santidade.

Parece-me que cada um dos sacerdotes, cada vida sacerdotal, assemelha-se um pouco a uma corda de violino que requer muito cuidado para que esteja bem estirada e afinada, de modo que possa sempre produzir a nota certa… a nota que Deus espera de cada um de nós. Nesse sentido, penso que entre a vida do seminário, a formação do seminário e o que esperamos mais tarde do sacerdote em seu ministério, existe uma certa unidade, uma continuidade que não deve deixar de existir nessa busca de santidade. Penso que esta é a solução para a maioria dos nossos problemas.

(…)

Agora, o que eles (os fiéis) esperam de mim? Creio que eles esperam que a Fraternidade seja fiel à razão pela qual foi fundada. Já disse que foi fundada para formar sacerdotes, mas o sacerdócio existe para a santificação das almas, de modo que a fidelidade dos sacerdotes ao seu sacerdócio e a sua santificação inevitavelmente afeta os fiéis. É isso que os fiéis esperam, não só de mim, mas de todos os sacerdotes da Fraternidade.

VICTOR PASICHNIK – PRIMEIRO PADRE RUSSO DA FSSPX

Fonte: La Porte Latine – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo Bruno Rodrigues da Cunha

Nesse ano de 2018, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X vê pela primeira vez um russo receber o sacramento da ordem em seu seio. O postulante foi ordenado, juntamente com 5 de seus colegas, por Sua Excelência Mons. De Galarreta, em 30 de junho, no Seminário Internacional de Zaitzkofen.

Victor Pasichnik nasceu em Moscou em 1982, sob o regime soviético. Foi batizado na Igreja Ortodoxa Russa após a queda do regime comunista somente aos 13 anos de idade, devido aos obstáculos impostos aos crentes pelo ateísmo de Estado.

Após uma infância e uma adolescência sem instrução religiosa, começou a praticar sua religião durante seus estudos universitários. O contato com os católicos e seu desejo em leva-los à Igreja Ortodoxa fez-lhe conhecer a doutrina romana, mas o resultado alcançado foi muito distinto do que ele esperava.

A retidão desse apóstolo da ortodoxia fez com que ele merecesse, pela graça de Deus, constatar que aquilo que ele tratava como herético era verdadeiramente ortodoxo, e que a Ortodoxia que ele desejava defender não tinha nada de ortodoxo, senão o nome. Ele teve de reconhecer, na Igreja Católica Romana, a verdadeira Igreja de Jesus Cristo. Mas um primeiro obstáculo estaria diante dele. Continuar lendo

CATECISMO DAS VERDADES OPORTUNAS: OS “RALLIÉS” (VISTOS POR MONS. LEFEBVRE)

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

1) Quem são os “ralliés”?

Chamamos de “ralliés” as comunidades, os sacerdotes e os fiéis que escolheram inicialmente defender a Tradição, mas que depois das sagrações de 30 de Junho de 1988 e da excomunhão contra Mons. Lefebvre, Mons. Castro Mayer e os quatro bispos sagrados, escolheram se submeter efetivamente sob a dependência da hierarquia atual, conservando, contudo, a liturgia tradicional. Logo, eles se “ralliés” à igreja conciliar.

Por extensão, o termo “ralliés” designa as comunidades, sacerdotes e fiéis que mantém a liturgia tradicional, mas aceitam os grandes erros conciliares, assim como a plena validade e legitimidade do Novus Ordo de Paulo VI e dos sacramentos promulgados e editados por Paulo VI .

Dom Gerard, em sua declaração, faz referência ao que lhe foi dado e aceito ao se submeter à obediência da Roma modernista, que permanece fundamentalmente anti-tradicional” (1).

2) A palavra “ralliés” não é pejorativa?

Sim, a palavra “ralliés” é pejorativa, pois expressa uma traição em relação à Tradição.

3) Como os “ralliés”  traíram a Tradição?

Os “ralliés” traíram a Tradição porque muitos deles, tendo começado a servi-la, pararam de defendê-la, para depois abandoná-la, fazendo gradualmente apologia dos erros conciliares, e se opondo à Tradição e seus defensores,

“Eles nos traem. Agora eles dão as mãos àqueles que demolem a Igreja, os liberais, os modernistas “(2). Continuar lendo

REFLEXÕES SOBRE O “PENSAMENTO ÚNICO”

As antigas escolas filosóficas nas quais se “aprendia a pensar”

Fonte: FSSPX Distrito América do Sul – Tradução para o português: Dominus Est

 

O mundo do “livre pensamento” também tem suas máximas. Pode-se “pensar o que quiser” sempre que obrigatoriamente “se pense dessa maneira”. Esse “pensamento único” manipulado pelos meios de comunicação é o que abre as portas para todos os infortúnios que vivemos na atualidade.

Hoje, a cultura dominante, se podemos falar cultura, é essencialmente baseada na destruição de todos os cânones da ética cristã. A demolição das estruturas éticas está alinhada com o espírito do homem de hoje: se a “verdade” condena a realidade como a reduzimos, então a “verdade” é adaptada. Com o objetivo de não encarar a realidade e não precisar assumir responsabilidades, a maioria das pessoas adota crenças absurdas, renuncia à liberdade, prefere reconstruir a realidade adaptando-a às suas próprias ilusões.

“A verdade gera ódio; por isso alguns, para não incorrer no ódio daqueles que os escutam, velam sua boca com o manto do silêncio. Se pregaram a verdade, como a própria verdade exige e a divina Escritura abertamente impõe,incorreriam no ódio das pessoas mundanas, que acabariam expulsando-as de seus ambientes. Mas, como caminhamos de acordo com a mentalidade dos mundanos, temem escandalizá-los, enquanto nunca se deve faltarà verdade, nem mesmo à custa de escândalo”.[1]

Os fundamentos da vida ética estão sendo destruídos: os valores cristãos, a família, o Estado soberano, a escola. O Estado desaparece como estrutura que protege o bem comum e, com a normalização dos casais homossexuais, desaparecem as figuras do pai e da mãe e, portanto, da família. São considerados inimigos todos aqueles que ousam opor os valores éticos cristãos da vida pública.

A batalha contra a verdade emprega forças tão grandes que impedem as poucas pessoas “não contagiadas” de organizar e formar um movimento compacto e consistente. O poder da Besta aumenta a cada ataque, já que o Bezerro de Ouro, ou seja, o sistema financeiro internacional, é capaz de financiar qualquer operação. Os instrumentos monetários utilizados para o controle global são claramente devidos à coletividade.

O Bezerro de Ouro, para manter seu sistema de benefícios, precisa, contudo, impor o pensamento totalitário, eliminando todo vínculo moral, espiritual e cultural, de maneira que nos converta a todos em ignorantes, cheios de caprichos e sem qualquer responsabilidade em relação ao mundo exterior. O pensamento único globalizado – com seus promotores, arquitetos, vigilantes – serve para fazer previsíveis e controláveis os comportamentos sociais.

O homem de hoje está cada vez mais animalizado e globalizado, tendo escolhido aceitar a estupidificaçãotelevisiva e obedecer aos ditames do pensamento único “politicamente correto”.

Muitos já têm consciência da realidade dos “desenhos animados”. Não têm a menor ideia de como governos, bancos e instituições estão controladas para subverter a ordem natural e espiritual desejada por Deus.Acredita-se ainda que os telejornais e os periódicos são fontes de ciência e verdade, isentos de conflitos de interesses e intentos propagandísticos. Não há a menor consciência de que as mídiassão o instrumento de propaganda utilizado para manipular a percepção pública de ações governamentais e econômicas, para consolidar um sistema que vai completamente contra as leis de Deus. Tudo isso é claramente reforçado por instituições educacionais e escolares, nas quais é assimilado um conhecimento criado para distrair da compreensão do que está acontecendo.

Muitas pessoas pensam que a realidade começa e termina exatamente onde elas foram levadas a acreditar. Mas, como Sêneca nos advertiu:

“Não há pessoa mais escravizada do que aquela que se crê livre”.

A verdade é que vivemos em um “sistema de poder” corrupto, que, por meio do uso de ações dificilmente opináveis, por ser sustentadas por motivos “aparentemente coerentes”, dirige-nospor caminhos acima determinados pelos Veneráveis Irmãos Iluminados,os “Cavaleiros da Mesa Posta”, a serviço do Grande Arquiteto dos Distribuidores e dos Alimentadores.

A “ditadura do pensamento único” é a evolução dos antigos sistemas totalitários. Para convencer ou conquistar, não é necessário recorrer aos métodos autoritários de um tempo; por meio do controle dos meios de comunicação são criadas opiniões majoritárias. As descobertas no campo da psicologia cognitiva permitiram a criação de sofisticadas técnicas de manipulação que têm nos “Spin Doctors” [peritos]suas figuras de referência. São os Spin Doctorsos que, atuando dentro das instituições como consultores ou assistentes de políticos, ditam a agenda dos meios de comunicação.

São Tomás de Aquino, defensor do conhecimento da única verdade

A neo-linguagem do “pensamento único”, análogo ao orwelliano, inverte o significado das palavras. Ridiculariza, isola, reprime todas as formas de pensamento que divergem da “ortodoxia”, sem utilizar argumentos racionais, mas simplesmente por meio de acusações e slogans pré-fabricados.

Para dirigir segundo os planos o curso da transformação da sociedade, constroem-se “crenças protegidas” continuamente reforçadas nos telejornais; algumas das mais recorrentes são: impostos, dívida pública, imigração. Essas “crenças protegidas” são usadas pelos vassalos do poder mundialista para determinar a forma da sociedade porque, como afirmava Pio XII:

“Da forma dada à Sociedade, conforme ela concorda ou não com as Leis divinas, depende o bem ou o mal das almas”.

Como Orwel previu, hoje são as massas que defendem as “mentiras oficiais”. É suficiente desligar a televisão e ligar o cérebro para entender sobre quais bases se apoiam. Um pouco de espírito crítico é suficiente para ver a mentira tecnocrática segundo a qual o que acontece na política e na economia é muito difícil de compreender.

Não basta entender que a tarefa das “instituições legítimas” deveria ser a de emitir moeda, não subtraí-la do povo para dar aos banqueiros privados, fazendo-o pagar, como os italianos pagaram, dois trilhões de euros de “juros da dívida”. Não basta entender que a assim chamada “dívida pública” é uma superestrutura criada pela concessão da soberania monetária a banqueiros privados, o que acontece quando uma moeda do Estado é substituída por uma moeda privada como o euro. Não basta entender que justificar a imigração como forma de compensar o declínio demográfico é uma mentira: em vez de gastar 45 euros por dia por cada africano que entra na Itália, seria suficiente dar 45 euros por dia a todos os casais italianos que tenha um filho…

Se não se fizer o esforço para desligar a TV e ligar o cérebro, corre-se o risco de se tornar como a maioria das pessoas, que se “confina” na televisão depositando plena confiança em jornalistas telegênicos da moda, colocados ali para organizar o pensamento coletivo.

Infelizmente, a população, além de se adaptar ao “pensamento único”, também tende a se acostumar com a imoralidade do poder, já que pensar na injustiça sofrida é muito doloroso. A dimensão da batalha espiritual é imponente e não é possível tomá-la sem a verdadeira fé cristã; isto é, aquela que não foi mutilada pelo espírito inovador da Igreja “emancipada”, que, em vez de converter o mundo ao Evangelho, prefere “adaptar” o Evangelho ao mundo moderno.

“Não pode ser negligenciado o espetáculo miserável de um mundo em desordem pela ruína, operada, das estruturas morais fundamentais da vida… Não podemos, contudo, deixar de notar a crescente onda de culpas privadas e públicas, que tenta submergir as almas na lama e subverter todos os ordenamentos sociais saudáveis. Como toda época tem suasmarcas que selam suas obras, nossa era, em sua própria culpabilidade, distingue-se por indicadorescomo os séculos passados, talvez,nunca viram igualmente reunidos”.[2]

AnonimoPontino

(Traduzido para o espanhol por Marianuso eremita)

Sí Sí NO NO, 22 de junho de 2018.

[1] Sto. Antônio de Pádua. Sermões.

[2] Pio XII, Homilia, Basílica Vaticana, 26 de março de 1950.

O PECADO DA MURMURAÇÃO: QUÃO FÁCIL É FALAR E QUÃO DIFÍCIL É CALAR!

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

A Murmuração é uma língua de víbora, que de um só golpe fere três pessoas (Rm 1,30): O murmurado, o que ouve e o murmurador, odiado por Deus (São Bernardo).

A) Aquele de quem se murmura

As Sagradas Escrituras e os Santos Padres frequentemente chamam a murmuração de homicídio, porque arrebata a vida social, mais estimável que a do corpo.

“Os pecados cometidos contra o próximo são medidos pelos danos que causam … O homem desfruta de um triplo bem, a saber: o da alma, o do corpo e a dos bens exteriores … Entre esses últimos, a fama supera muito as das riquezas, porque se opõe aos bens espirituais, pela qual se diz nos Provérbios (22,1): “O bom nome vale mais do que riquezas“. Portanto, a murmuração, embora seja um pecado menor que o homicídio e o adultério é, sem dúvidas, maior que o roubo” (São Tomás de Aquino).

Matéria grave é ferir a reputação de alguém, uma vez que é o maior bem do homem, e perde-la lhe impede trabalhar muitos bens que seriam capazes”, conforme o Eclesiástico (41,15): “Cuide do seu nome, que permanece mais que milhares de tesouros ” (São Tomás de Aquino).

O homem de juízo dá por bem empregado qualquer dispêndio destinado a recuperar sua boa reputação. Então aquele que o priva dela prejudica-o mais que roubando-lhe. Eis como o murmurador profissional é mal visto. Apesar disso, temos vergonha de ter cometido um roubo e não temos de haver murmurado vinte vezes. Continuar lendo

NOSSA SENHORA, NOS TEMPOS DO ANTICRISTO

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Este artigo do Padre Calmel, OP – uma grande figura do tradicionalismo católico – mostra-nos como devemos pedir a intercessão da Santíssima Virgem em nosso tempo de confusão geral.

“Quisera eu viver nos tempos do Anticristo” escrevia a pequena Teresa em seu leito de agonia. Não há dúvida de que a carmelita que se ofereceu como vítima de um holocausto ao Amor Misericordioso intercederá por nós quando surgir o Anticristo, nem há dúvida que já está intercedendo especialmente em nosso tempo, em que os precursores do Anticristo se introduziram no seio da Igreja. Também não há dúvida de que sua oração está unida com a súplica infinitamente mais poderosa da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus. Aquela que esmaga a cabeça do dragão infernal em sua Imaculada Conceição e sua Maternidade virginal, a que foi glorificada de corpo e alma e que reina no céu com seu Filho. Ela domina como soberana todos os tempos de nossa história e, particularmente, os momentos mais tremendos para as almas, a saber, os da vinda do Anticristo e aqueles em que seus diabólicos precursores prepararão esta vinda.

Maria se manifesta não somente como Virgem Poderosa e consoladora nos momentos de angústia para a cidade terrestre e a vida corporal, mas se mostra, sobretudo, como Virgem auxiliadora, forte como um exército em ordem de batalha, em tempos de devastação da Santa Igreja e de agonia espiritual de seus filhos. Ela é a rainha da história do gênero humano, não somente para os tempos de angústia, mas também para os tempos do Apocalipse.

A Primeira Guerra Mundial foi um desses tempos de angustia: matanças de ofensiva mal preparadas, derrota implacável sob um furacão de ferro e fogo … Quantos homens ao apertarem seus cintos saíam com a terrível certeza de perecer neste tornado alucinante sem nunca ver a vitória; mesmo às vezes, e era o mais atormentador, as dúvidas lhes vinham à mente a respeito do valor de seus chefes e a prudência em suas ordens. Mas, no final, em um ponto eles não tinham dúvidas e essa questão superava todas: a da autoridade espiritual. O capelão que auxiliava esses homens a serviço da pátria até sua morte era absolutamente firme em todos os artigos da fé e nunca teria pensado em adaptar pastoralmente a Santa Missa. Celebrava o Santo Sacrifício da Missa segundo o rito e as palavras antigas; celebrava com uma piedade muito mais profunda, que o sacerdote sem armas e seus paroquianos armados, poderiam ser chamados a unir, de um momento a outro, seu sacrifício de pobres pecadores com o único sacrifício do Filho de Deus que tira os pecados do mundo.  Continuar lendo

A DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO – CRIME QUE CLAMA VINGANÇA AO CÉU

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Fonte: Hojitas de Fe, 253, Seminário Nossa Senhora Corredentora, FSSPX
Tradução:
Dominus Est

O livro de Daniel, ao contar-nos o episódio da casta Susana, em que dois judeus iníquos, velhos maliciosos, tentaram condenar uma mulher inocente à morte, para dissimular a paixão que os inflamava e se vingarem daquela que não cedera, diz deles:

“Naquele ano tinham sido constituídos juízes dois velhos dentre o povo, daqueles de quem o Senhor falou, quando disse: A iniquidade saiu da Babilônia por meio de velhos que eram juízes, os quais pareciam governar o povo.” (Dn13 5).

O mesmo está acontecendo em nossa terra natal [Argentina]. Em 13 de junho de 2018, o projeto de lei de descriminalização do aborto foi aprovado na Argentina, na Câmara dos Deputados da Nação. Já em 25 de maio, havia sido na Irlanda, por 65% dos votos, e no Chile, em setembro de 2017. A iniquidade vem daqueles mesmos que estão encarregados de governar o povo, dando-lhes leis; os inocentes, neste caso os nascituros, são condenados à morte por aqueles mesmos que deveriam velar por suas vidas, e isso por causa de interesses sórdidos, paixões não confessadas.

Confrontado o caos de ideias e argumentos sobre a questão do aborto exibidos, é necessário fazer uma pontuação de esclarecimento, para apresentar a realidade como ela é. Iniciemos com algumas reflexões. Continuar lendo

MÊS DE JULHO, DEDICADO AO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE JESUS CRISTO

Resultado de imagem para sangue de jesusFoste imolado e resgataste para Deus, ao preço de teu sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça” (Ap 5,9).

Fonte: Fojitas de Fe, 203, Seminário Nossa Senhora Corredentora
Tradução:
Dominus Est

A Igreja dedica todo o mês de julho ao amor e adoração do Preciosíssimo Sangue de nosso Salvador Jesus. É justo que nós adoremos na santa humanidade de Cristo, com um culto especial, aquelas partes que são mais significativas de algum mistério ou perfeição divina; e assim honramos: • SEU CORAÇÃO: para prestar culto ao seu amor infinito; • SUAS CHAGAS: para prestar culto a suas dores e sua paixão; • SEU SANGUE: para prestar culto ao preço de nossa Redenção.

No entanto, esse culto do Sangue do Salvador assume um caráter festivo no mês de julho e na festa com a qual este mês inicia. Já na Quinta-feira Santa celebramos a instituição da Eucaristia e na Sexta-feira Santa o Sangue de Cristo derramado por nós; mas o acento da celebração centrava-se em sentimentos de dor, de compunção, de contrição. A Igreja volta depois a dar culto à Sagrada Eucaristia na festa de Corpus Christi, e também à Paixão e Sangue do Salvador, mas com maior ênfase nos sentimentos de alegria e triunfo.

Por este culto nós agradecemos a Nosso Senhor a Redenção como uma vitória já obtida, e nos exultamos em tomar parte entre o número dos redimidos, daqueles que foram lavados no Sangue do Cordeiro. E prestamos culto de latria ao Sangue do Redentor, reconhecendo especialmente uma virtude salvadora, como se vê: Continuar lendo

D. FELLAY: A CRISE NA IGREJA -RAÍZES E REMÉDIOS

news-header-imageMensagem de Mons. Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, na jornada de estudo sobre “as raízes da crise na Igreja“, Roma, 23 de junho de 2018.

Fonte: FSSPX News – Tradução: Dominus Est

A presente jornada de estudo é muito útil, porque hoje é mais do que necessário retomar às raízes da crise da Igreja. Em setembro passado, quando da publicação da Correctio filialis que assinei, era meu desejo que ” o debate sobre essas grandes questões se ampliasse, de maneira que a verdade seja restabelecida e o erro condenado” (FSSPX.News 09/26/17), ou seja, que adiro plenamente ao objetivo que os senhores propõem: “A rejeição desses erros e o retorno, com o auxílio de Deus, à Verdade católica plena e vivenciada, é a condição necessária para o renascimento da Igreja” (Apresentação do congresso de 23 de junho de 2018).

Correspondência entre o Cardeal Ottaviani e Monsenhor Lefebvre

A abordagem que os senhores fazem agora segue a linha de uma troca de correspondência pouco conhecida entre o Cardeal Ottaviani e o Monsenhor Lefebvre, o que pode nos proporcionar um valioso esclarecimento. Esse intercâmbio ocorreu um ano após o final do Concílio, em 1966.

Com efeito, em 24 de julho de 1966, o Cardeal Alfredo Ottaviani, então pró-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, enviou aos bispos uma carta em que apontava 10 erros que se manifestaram após o Concílio Vaticano II. Nela podemos ler as seguintes afirmações, cuja relevância, após mais de 50 anos, permanece intacta:

“A verdade objetiva, absoluta, firme e imutável, dificilmente é aceita por alguns, que sujeitam todas as coisas a um certo relativismo, e isso conforme essa razão obscurecida segundo a qual a verdade segue necessariamente o ritmo da evolução da consciência e da história” (no. 4). Continuar lendo

A PREPARAÇÃO PARA O NATAL, PREFIGURADA NA PESSOA DO BATISTA

Para a Festa de hoje, de São João Batista.

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Fonte:  Hojitas de Fe, 17. | Seminário Nossa Senhora Corredentora FSSPX / – Tradução: Dominus Est

Como é sabido, o tempo do Advento prepara nossas almas para as três vindas ou adventos de Cristo entre nós: • a primeira é sua vinda em carne mortal, pela Encarnação, para padecer e morrer por nós; • a segunda é sua vinda espiritual a nossas almas, pela graça, para nos fazer viver de seus mistérios; • a terceira é sua vinda no final dos tempos, pela Parusia, pra julgar os vivos e os mortos.

Pois bem, essas três vindas reclamam uma preparação semelhante, maravilhosamente prefigurada e expressa por São João Batista. Poderíamos até mesmo dizer que São João Batista é um advento em ação: toda sua pessoa e missão estão inteiramente ordenadas a preparar os corações para receber a Cristo. Assim, pois, considerando o que São João Batista foi na primeira vinda de Cristo, veremos quais são as disposições que são agora necessárias em nós para nos prepararmos dignamente para a festa de Natal.

1ª Penitência: Preparai os caminhos do Senhor.

Quando São João Batista apareceu, o mundo inteiro se comoveu, ao menos na Judeia. Por mais de quatro séculos já não havia profetas em Judá, e a voz do Senhor houvera se calado durante tanto tempo justamente para que o povo eleito estivesse em expectativa, em relação ao futuro Messias. Por isso, quando João fez sua aparição, todos vieram até ele.

Para devidamente cumprir sua missão, João teve que conhecer, à luz do Espírito Santo, três coisas: • o advento iminente do Messias; • as disposições morais com que Israel deveria recebê-lo; • a ação que ele, como Precursor, deveria realizar, tanto em ordem ao Messias, a quem havia de apontar com o dedo, como em ordem a Israel, a quem havia de dispor. Pois bem, entre essas disposições, a primeira que João pregou foi a penitência:

“O Senhor falou a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele foi por toda a terra do Jordão, pregando o batismo de penitência para remissão dos pecados, como está escrito no livro das palavras de Isaías profeta: ‘Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai as suas veredas; todo o vale será terraplanado, e todo o monte e colina será arrasado, e os caminhos tortuosos tornar-se-ão direitos, e os escabrosos planos; e todo o homem verá a salvação de Deus’”. Continuar lendo