O ESPÍRITO SANTO E A MISSA NOVA

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

O Espírito Santo nos incita à oração, à união com Nosso Senhor Jesus Cristo, à união com Deus, através da oração. Então é o dom da piedade que o Espírito Santo nos dá. Dom de piedade que se manifesta particularmente pela virtude da religião, que eleva nossas almas a Deus; virtude da religião que faz parte da virtude da justiça. Pois é justo e digno que rendamos um culto e o culto que Deus quer que Lhe rendamos, através de Nosso Senhor Jesus Cristo, através do sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, através da Santa Missa. Deus queria que Lhe rendêssemos toda honra e toda glória, com Nosso Senhor Jesus Cristo, por Nosso Senhor Jesus Cristo, em Nosso Senhor Jesus Cristo, no Santo Sacrifício da Missa. É o que os senhores vêm fazer, é o que a Igreja nos pede para fazer todos os domingos: nos unir ao sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta é a mais bela oração. Esta é a maior oração. Então, é aqui que o Espírito Santo nos inspira essa virtude da religião, esse espírito de profunda devoção, muito mais espiritual do que sensível.

É porque, novamente, há um erro na reforma litúrgica, quando é dada muita ênfase à participação dos fiéis. Eu mesmo ouvi Mons. Bugnini – aquele que tem sido a chave mestra da reforma litúrgica – nos dizer: “Toda essa reforma foi feita com o objetivo de tornar os fiéis mais participativos na liturgia”.

Mas qual participação? A participação exterior, a participação oral. Mas nem sempre são as melhores participações.

Por que a participação exterior? Por que essas cerimônias, por que essas músicas, por que essas orações vocais? Para a união interior, para a união espiritual, para a participação espiritual, sobrenatural, para unir nossas almas a Deus.

É por isso que não é de todo inconcebível que os fiéis, que qualquer assistente do Santo Sacrifício da Missa, permaneça em silêncio durante todo o Santo Sacrifício da Missa, nem sequer abra o seu missal – eu diria – durante o Santo Sacrifício da Missa. Se a pessoa realmente se sente atraída, conquistada, inspirada de alguma forma pelos sentimentos que o sacerdote manifesta em sua ação; ao ouvir o padre realizar seu ato de confissão, seu ato de contrição, a alma se une ao padre e lamenta seus pecados.

Ouvindo o Kyrie eleison é chamado à piedade e à misericórdia de Deus. Ao ouvir a palavra da Epístola, do Evangelho, é o espírito da fé, é o ato de fé; ato de fé no Credo, nas verdades ensinadas pela Santa Igreja. E o Ofertório: a alma se oferece com a hóstia sobre a patena; oferece o seu dia; oferece toda a sua vida; ofereça sua família, ofereça tudo que é seu a Deus. E assim, todos os sentimentos continuam através desta magnífica Missa. Esta é a verdadeira participação! É a participação interior de nossa alma, com a oração pública da Igreja. Não é necessariamente uma participação puramente exterior.

Sem dúvida, essas participações exteriores são muito úteis e podem nos ajudar a nos unir ao padre, mas o objetivo é sempre essa união espiritual de nossos corações, espíritos e almas com nosso Senhor Jesus Cristo, com Deus.

Há, portanto, um erro. Um erro enquanto se pretende em sentido absoluto que os fiéis participem de tal maneira, de maneira totalmente exterior; maneira essa que passa a ser um obstáculo para a oração interior; que se torna um obstáculo para a união de suas almas com Deus. Quantas pessoas dizem: não podemos rezar nas missas modernas, nas missas novas; não podemos mais rezar. Nós sempre ouvimos alguma coisa, ouvimos uma oração pública. Há, o tempo todo, uma manifestação exterior que nos distrai e não podemos mais nos recolher e verdadeiramente nos unir ao Bom Deus. É, portanto, o oposto da oração que se realiza. Eis também uma das manifestações do Espírito Santo: o espírito de piedade, o dom da piedade.

D. Marcel Lefebvre – Sermão de Pentecostes – 26 de maio de 1985