VOCÊ SABIA…?

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

… que a prática do jejum e da abstinência são antiquíssimas? 

Ainda no paraíso terrestre, o primeiro homem já estava obrigado a abster-se do fruto de uma árvore. Certos tipos de carne já estavam proibidos no Antigo Testamento. No dia da Propiciação, os Israelitas, antes da vinda de Jesus, estavam proibidos de provar até mesmo um pouco de comida durante por todo o dia (24 horas). Nosso Senhor Jesus Cristo tinha jejuado durante quarenta dias. Moisés e Elias, antes da vinda do Salvador, jejuaram; São João Batista jejuava rigorosamente.

… que nós, católicos, nos abstemos de comer carne nas sextas-feiras? 

É uma prática que já se observava desde os tempos apostólicos. E isso por reverência a Nosso Senhor que morreu uma sexta-feira e que sacrificou a Sua carne puríssima por nossos pecados. Além disso, a Igreja nos ensina que devemos nos abster, de vez em quando, das iguarias que gostamos, por exemplo, a carne, para que nosso espírito se fortaleça mais em relação aos seus desejos desordenados. A Igreja também nos exorta a abster-nos da carne para que nos lembremos de que os pecados da carne devem ser evitados.

… o jejum é benéfico para a alma e para o corpo? 

Através do jejum, obtemos perdão de nossos pecados de Deus. Pelo jejum, nossas faculdades intelectuais se aguçam, como mostrado na vida do Profeta Daniel, que na corte de Nabucodonosor só se alimentava com legumes e água. Pelo jejum, a alma torna-se capaz de dominar o corpo e superar as tentações do demônio. O jejum inclina o homem à oração, ajuda-o a vencer a si mesmo, a tornar-se amável, paciente e casto. O jejum faz com que o homem se assemelhe aos anjos que não comem nem bebem e facilita o que é característico deles – sua pureza. Quanto mais se sujeita o animal em nossa natureza, muito mais se fortalece o espirito nela.

… Hipócrates, o pai da medicina, atingiu a idade de 140 anos? Ele sempre atribuiu sua longevidade ao fato de ele jamais ter satisfeito completamente seu apetite.

… Moisés e Elias estiveram presentes na Transfiguração porque, entre todos os Patriarcas, apenas eles dois jejuaram 40 dias assim como Nosso Senhor?

… Marco Aurelio, imperador romano do ano 161 a 180, chamado o filósofo, foi um dos imperadores que perseguiram a Igreja? 

No entanto, ele ensinava a seus súditos que a vida moral, algo bem contrário aos exemplos de seus falsos deuses, conduz à tranquilidade. Em uma de suas campanhas contra os bárbaros invasores da Germania, estando as legiões romanas cercadas por inimigos e sofrendo pela falta de água, uma legião composta inteiramente de cristãos levantou suas súplicas a Deus Nosso Senhor e em pouco tempo uma grande tempestade lhes providenciou abundantemente o que eles tanto precisavam.

QUARTA FEIRA DE CINZAS: A LEMBRANÇA DA MORTE E O JEJUM QUARESMAL

Lembra-te que és pó, e ao pó hás de voltar"Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris ― «Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar» (Gen 3, 19).

Sumário. Os insensatos que não crêem na vida futura, estimulam-se com o pensamento da morte a passarem bem a vida. De maneira bem diferente devemos nós proceder, os que sabemos pela fé que a alma sobrevive ao corpo. Nós, lembrando-nos de que em breve temos de morrer, devemos cuidar da nossa eternidade e por meio de oração e penitência aplacar a divina justiça. É com este intuito que a Igreja, depois de por as cinzas sobre a cabeça, nos ordena o jejum da Quaresma.

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Para compreendermos em toda a sua extensão o sentido destas palavras, imaginemos ver uma pessoa que acaba de exalar o último suspiro. Ó Deus, a cada um que vê esse corpo, inspira nojo e horror. Não passaram bem vinte e quatro horas depois que aquela pessoa morreu, e já o mau cheiro se faz sentir. É preciso abrir as janelas e queimar bastante incenso, afim de que o fedor não infeccione a casa toda. Os parentes com pressa mandam levar o defunto para fora da casa e entregar à terra.

Metido que foi o cadáver na sepultura, vai se tornando amarelo e depois preto. Em seguida, aparece em todos os membros uma lanugem branca e repelente, donde sai um pus infecto que corre pela terra e donde se gera uma multidão de vermes. Os ratos vêm também procurar o pasto nesse cadáver, roendo-o uns por fora, ao passo que outros entram na boca e nas entranhas. Despegam-se e caem as faces, os lábios, os cabelos; escarnam-se os braços e as pernas apodrecidas, e afinal os vermes, depois de consumidas todas as carnes, consomem-se a si próprios. E deste corpo só restará um esqueleto fétido, que com o tempo se divide, ficando reduzido a um punhado de pó.

Eis aí o que é o homem, considerado como criatura mortal. Eis aí o estado a que tu também, meu irmão, serás, talvez em breve, reduzido: um punhado de pó fedorento. Nada importa ser alguém moço o velho, são ou enfermo: a todos caberá a mesma sorte, o que a Igreja recorda pondo as cinzas bentas indistintamente sobre a cabeça de todos: Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris ― «Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar». Continuar lendo

INSTRUÇÃO SOBRE A QUARESMA

A Quaresma são os quarenta e seis dias, da Quarta Feira de Cinzas ao Domingo de Páscoa, em que jejuam os cristãos, exceto aos domingos.

Afirmam os santos padres (como se pode ver em Cornélio e Lapide, Bellarmino, etc.) que foi a Quaresma instituição dos apóstolos para honrarmos e imitarmos o jejum de Nosso Senhor Jesus Cristo, satisfazermos a Justiça Divina, e assim preparamos a digna celebração da Páscoa.

Nesse tempo sagrado, substituindo a Igreja o luto as profanas alegrias, bradando a Deus a implorar seu auxilio, a pedir-lhe a conversão dos pecadores, exorta-nos, e como que nos obriga, a entrarmos em contas conosco. Façamos-lhe a vontade, cumpramos com o preceito do jejum, e juntemos a essa penitencia exterior a do coração, sondando o abismo da nossa consciência, lavando os pecados nas lágrimas da compunção e no sangue de Cristo, frequentando mais os sacramentos, ouçamos a missa todas as vezes que pudermos, apliquemo-nos a lição espiritual, a oração, a consideração das verdades eternas, a pratica das boas obras, façamos esmolas mais generosas, sirvam as nossas privações para sustento do pobre. Desta sorte apagaremos, nestes dias da salvação, nossas culpas passadas, e fortalecemo-nos contra as tentações futuras.

 Foi religiosamente praticado esse jejum desde o tempo dos apóstolos. Que vergonha para nossa tibieza e covardia a piedade e rigor dos primeiros cristãos! Privavam-se, não só da carne, como de muitos outros alimentos; era depois das vésperas a única refeição do dia; comiam só para não morrer, sem tantas sensualidades. Só nos princípios do século XIII consentiu a Igreja que adiantassem ate ao meio dia refeição da tarde. Asseveram São Bernardo e Pedro Blezense (12º século) que bem como eles jejuavam os fieis ate a boca da noite.

Nunc usque ad Vésperam jejunábunt nobíscum páriter univérsi reges, et príncipes, cleros et pópulus, nóbiles et ignóbiles, simul in unum dives et pauper. (Serm. 3 in Quadrag.)

Em memória desta antiga disciplina rezam-se as Vésperas na Quaresma antes da comida, e desta indulgente antecipação da hora veio aconsoada, a qual não deve ser mais uma refeição completa.

Unamos cada dia nosso jejum ao de Cristo Nosso Senhor, em testemunho da nossa obediência a Igreja nossa Mãe, do nosso agradecimento por tantos benefícios, para expiação dos nossos pecados e dos de nossos irmãos, para alivio das almas do Purgatório, e para alcançar a graça de livrar-nos de tal pecado e praticar tal virtude.

Goffiné – Manual do Cristão

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BENEFÍCIOS DO JEJUM

BENEFÍCIOS DO JEJUM

quarta-feira-de-cinzasNestas passagens, tiradas de conferências espirituais inéditas, dadas na comunidade de monges beneditinos de Mesnil-Saint-Loup, o pe. Emmanuel ressalta com clareza, apoiando-se na liturgia, os numerosos benefícios do jejum.
 
Reproduzimos estes textos aqui pois a prática do jejum na Quaresma, apesar de não mais obrigatória (salvo na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa), segue sempre recomendada, desde que a saúde o permita e que não impeça o cumprimento dos deveres de estado.
 
É isso que escrevia Mons. Lefebvre aos padres da Fraternidade São Pio X em 1980: «Aconselhamos vivamente que se encoraje os fiéis à observar a abstinência todas as sextas-feiras e à jejuar nas sextas-feiras da quaresma e mesmo, se puderem, estender o jejum e a abstinência a toda quaresma e às quatro Têmporas.»
 
Assim, pois, recomendados pelo pde. Emmanuel e por Mons. Lefebvre, em conformidade com a Igreja, jejuemos “pacificamente, docemente, alegremente”.
 
Pe. Philippe François
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Entramos na Quaresma. É um tempo muito precioso. A Quaresma é uma grande graça de Deus. Como diz são Basílio, na homilia do quarto domingo da Quaresma, o jejum merece todos os elogios. Com efeito, ele alivia o peso da carne, dá à alma como que asas para mais facilmente elevar-se a Deus. Ah! lembro-me que outrora chegava a pensar no fim da Quaresma: “pena não durar para sempre”, tanto me sentia à vontade nela. É verdade, no entanto, que não teríamos forças para tanto. Se não podemos prolongar por toda a vida este tempo de penitência, aproveitemos dele quando nos é oferecido.
 
Pelo jejum, nos privaremos de alguma coisa. Mas é preciso saber que o jejum não consiste tão-somente na privação. Seria ruim se assim fosse: o jejum seria um fardo acabrunhante. Portanto, lembrem-se que toda virtude consiste em duas coisas: na privação e no gozo. Ora, também é assim quanto a virtude da temperança: privamos o corpo da refeição para que a alma goze de Deus. Ah! toda alma que tem amor pelo jejum compreende o que digo. Os mundanos não compreenderão nada. Leiam o prefácio da Quaresma no rito Ambrosiano, que eu reproduzi no Bulletin (fevereiro de 1896), e verão que o jejum alimenta a fé, fortifica a esperança e faz progredir a caridade.

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O JEJUM E A ABSTINÊNCIA

Christ_desert_1Com o intuito de fazer penitência por nossos pecados, de melhor nos dispor para a oração e de estar unidos aos sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Santa Igreja nos pede, nos tempos de penitência, que ofereçamos jejum e abstinência a Deus.

O Jejum:

Praticado desde toda a Antiguidade pelo povo eleito, como sinal de arrependi­mento, praticado por Nosso Senhor Jesus Cristo e por todos os santos, recomendado pela Santa Igreja como instrumento de santificação da alma, de controle do corpo e equilíbrio emocional, o jejum obrigatório foi sendo reduzido ao longo dos séculos.
Quando devemos jejuar por obrigação?

Na Quarta-feira de cinzas, abertura da Quaresma
Na Sexta-feira Santa, dia da morte de Nosso Senhor.

No entanto, todos os católicos devem ter a mortificação e o jejum presentes em suas vidas ao longo do ano, principalmente durante o Advento, a Quaresma e nas Quatro Têmporas, tendo sempre o espírito mortificado, fugindo do excesso de conforto e prazeres e, na medida do possível, oferecendo alguns sacrifícios a Deus, seja no comer, no beber, nas diversões (televisão principal­men­te), nos desconfortos que a vida oferece (calor, trabalho, etc.), sabendo suportar os outros, tendo paciência em tudo.

Assim sendo, mesmo não sendo obrigatório, continua sendo recomendado o jejum nas Quartas e Sextas da Quaresma e do Advento, guardando-se sempre o espírito pronto para as pequenas mortificações também nos demais dias. Continuar lendo