VÍDEO: TRECHOS DO FUNERAL DE D. LEFEBVRE, EM 2 DE ABRIL DE 1991, EM ECÔNE

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Este vídeo VHS foi produzido por um dos fiéis de Amiens que compareceu ao funeral de D. Marcel Lefebvre, em 2 de abril de 1991, no seminário de Ecône.

Pode-se reconhecer muitos clérigos na imensa procissão que precede e segue a cerimônia da qual vemos alguns extratos.

Este vídeo, de 26 minutos, é a homenagem de um simples católico ao grande e perspicaz Bispo, D. Marcel Lefebvre.

 

25/03/2021 – 30 ANOS DO FALECIMENTO DE S.E.R. DOM MARCEL LEFEBVRE

“Somos todos filhinhos Dele”.

Aos 30 anos da morte de Dom Marcel Lefebvre, como nossa singela homenagem, reapresentamos a nossos leitores um post publicado por nós há exatos dez anos: os últimos instantes deste heróico arcebispo, a quem a Igreja tanto deve neste sombrio momento em que vivemos.

Obrigado, Monsenhor!

Fonte: Fratres in Unum

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Tempo da paixão

Tomando conhecimento da morte de sua irmã mais velha, Jeanne, Dom Lefebvre decidiu não ir ao seu funeral [ndr: por conta de seus problemas de saúde]: “Rezo todo dia para que eu possa morrer antes de perder minha consciência. Prefiro partir, pois se caísse em contradição, diriam: ‘Aí está; ele disse que errou!’ E eles tirariam vantagem disso”.Muitas vezes o Arcebispo mencionava a morte suave de sua irmã mais velha, chamada de volta à casa por Deus quando acabara de ir tirar um cochilo; ele gostaria de ter falecido assim, embora com a Extrema Unção. Mas Deus pediria ao padre e bispo Marcel Lefebvre que tomasse parte em Seus sofrimentos redentores.

Em 7 de março de 1991, festa de Santo Tomás de Aquino, o Arcebispo deu a seus amigos e benfeitores de Valais a tradicional conferência. Cheio de fé e eloqüência, concluiu com estas palavras: “Nós as teremos!”. E no dia seguinte, às 11 da manhã, celebrou o que seria sua última Missa na terra. Mas tamanhas eram sua dor de estomago e fadiga que realmente pensou que não poderia terminá-la. Apesar disso, partiu de carro para Paris, a fim de assistir ao encontro dos fundadores religiosos nos “Círculos da Tradição”:  “É algo muito importante”, disse, “e está dentro do meu coração”.

Hospitalização, operação

Ele sequer passou de Bourg-en-Bresse; por volta das 4 da manhã, acordou seu motorista, Rémy Bourgeat: “Não estou bem”, disse, “vamos voltar para a Suíça”. E a seu pedido, ingressou no hospital em emergência na manhã de 9 de março. O direitor do hospital em Martigny, Sr. Jo Grenon, era um amigo de Ecône. O Arcebispo foi acolhido na ala operatória no quarto 213. Atrás das montanhas que cercam a cidade estava Forclaz, e França, e não muito distante o Grande Passo de São Bernardo, Itália, e Roma.

O Arcebispo estava confiante, mas sofria: “É como um fogo queimando meu estômago e subindo até meu peito”.

Padre Simoulin deu-lhe a Sagrada Comunhão, que receberia até a sua operação: Ele o agradeceu: “Fiz o senhor perder as vésperas… mas o senhor fez uma obra de caridade. Trouxe para mim o melhor Médico. Nenhum deles pode me dar mais do que o senhor deu”.

Admirava o Crucifixo, que fora trazido para o altar temporário em seu quarto: “Ele ajuda a suportar os sofrimentos”.

Analgésicos ajudavam a diminuir seus sofrimentos e era alimentado intravenosamente. Brincava, dizendo às enfermeiras: “Vocês fizeram um bom negócio comigo: estou pagando integralmente e vocês sequer estão me alimentando!”

Além do mais, era muito paciente e os médicos tiveram que repreendê-lo para que falasse sobre suas dores. As enfermeiras acharam-no muito gentil e excepcionalmente discreto: nunca usara o sino para pedir atenção. Não queria incomodar os outros. Estava um pouco preocupado com as conseqüências de uma cirurgia, mas ao mesmo tempo resignado e confiante. Disse por diversas vezes: “Terminei meu trabalho e não posso fazer mais. Não me resta senão rezar e sofrer”.

Na segunda-feira, 11 de março, sentiu um calafrio subindo suas pernas e pediu a Extrema-Unção, que recebeu com grande recolhimento e simplicidade, mantendo seus olhos fechados e respondendo ao sacerdote de maneira muito clara. Em seguida, pediu a benção apostólica in articulo mortis (na hora da morte) e então abriu seus olhos tranquilos, sorriu, agradeceu ao sacerdote e acrescentou: “Quanto às orações pelos moribundos, podemos esperar um pouco mais”.

Melhorara um pouco, mas ainda não havia começado a rezar novamente seu breviário. “Então rezo algumas orações simples. Não sirvo para mais nada. Nada mal”.

Ele já havia passado por numerosos exames quando na quinta-feira, 14 de março, os médicos decidiram dar-lhe uma refeição que apreciasse e que lhe desse alguma resistência. Mas ele não a comeu, a fim de que pudesse receber a Sagrada Comunhão… o Padre estava com pressa. Na mesmo dia, um dos médicos disse ao Padre Denis Puga: “Padre, devo lhe dizer algo. Passei o dia com o Arcebispo por causa dos exames. Ele é um homem extraordinário, e sinceramente é um prazer estar com ele. Que bondade! É possível ver a bondade divina em sua face. O senhor realmente é privilegiado por estar tão próximo dele. As pessoas não percebem quando o vêem nos jornais. Pedi ao Arcebispo que rezasse por mim”.

Esse médico não era católico. Na sexta-feira, 15 de março, Dom Lefebvre foi levado a Monthey para ser examinado por um tomógrafo. Voltou ao hospital onde seus padres o encontraram com certa dificuldade por causa do intravenoso, que estava lhe causando inchaço:

“Suas veias estão muito difíceis”, disse-lhe o Padre Simoulin.

“Não, muito pelo contrário, parece que elas estão bem e miúdas. Que tal… para um bispo de ferro!”

No sábado, dia 16, Sitientes, as ordenações ao subdiaconato ocorreram em Ecône. “Estava unido em oração com a ordenação”, disse o Arcebispo ao Padre Puga.

“É a primeira ordenação, e ela não teria ocorrido se o senhor não nos tivesse dado bispos”.

“Sim, de fato aquele ano de 1988 foi uma grande graça, uma benção do Senhor, uma verdadeiro milagre. Esta é a primeira vez que fiquei seriamente doente em que também fiquei perfeitamente em paz. Devo admitir… desculpe… mas antes, quando eu ficava doente, estava sempre preocupado pelo fato da Fraternidade ainda precisar de mim e de que ninguém poderia fazer o meu trabalho. Agora estou em paz, tudo está pronto e caminhando bem”.

No domingo, dia 17, Domingo da Paixão, após receber a Sagrada Comunhão, ele explicou que seria operado nos próximos dias e advertia: “Que o Senhor me leve, se quiser”.

Assim, a cirurgia ocorreu na segunda-feira da Semana da Paixão: “Quando o médico me pediu para contar até dez enquanto eu adormecia, fiz um grande sinal da Cruz… e então… não havia mais nada. Depois acordei e perguntei: “Então a cirurgia não está indo adiante?”

“Mas Sr. Lefebvre [sic], já acabou”, responderam.

Este foi o relato que o Arcebispo fez de sua cirurgia. O cirurgião removeu um grande tumor, do tamanho de mais ou menos três toranjas. Aconteceu de ser canceroso, mas nada foi dito ao paciente. Estava exausto pela cirurgia, mas sorriu por detrás de sua máscara de oxigênio e do tubo estomacal. Na noite da quarta-feira, ficou ansioso; seus membros estavam terrivelmente inchados e tinha dores nas costas e de cabeça. Disse: “É o fim, tenho uma terrível dor de cabeça. O bom Deus deve vir e me levar. Quero realmente morrer com um pouco dos meus padres ao meu redor para rezarem a oração pelos agonizantes. Eles não podem me negar isso”.

Pensava que seus padres estavam sendo impedidos de vê-lo e a chegada de Padre Puga, na manhã da quinta-feira, o acalmou. Ficou novamente otimista e muito mais alegre. No Sábado da Semana da Paixão, Dom Lefebvre falou sobre os procedimentos humilhantes e dolorosos que tivera de sofrer, e disse que o menor dos esforços o exauria. Suas mãos estavam inchadas.

“Estamos no tempo da Paixão”, disse o Padre Simoulin.

O Arcebispo fechou seus olhos e repetiu: “Sim, é a paixão!”. Ele não podia receber a Comunhão: “Sinto falta… preciso dela… ela me dá força”, disse tristemente.

Na noite do mesmo dia, Padre Puga o contou sobre algumas observações do Cardeal Gagnon na 30 Giorni, no sentido de que não encontrara nenhum erro doutrinal em Ecône. O Arcebispo encolheu os ombros: “Um dia a verdade virá. Não sei quando, mas o bom Deus o sabe. Mas virá”.

Morte dolorosa

Ao final, o Arcebispo não tinha a menor dúvida de que fizera a coisa certa. Como veremos, seu fim foi, assim como sua vida, centrado e fortalecido por uma fé que era simples, discreta e modesta. Parece não ter havido mensagens espirituais ou novissima verba – “últimas palavras”. Fez algumas poucas observações que eram aparentemente comuns ou “mesmo travessas, embora não maliciosas”, cuja importância apenas seriam visíveis posteriormente, especialmente com relação àqueles que pouco ou nada conheciam Dom Lefebvre e que não poderiam imaginar como ele morreu, já que não viram como ele viveu.

No Domingo, 24 de março, o primeiro dia da Semana Santa, as condições do paciente repentinamente pioraram. Na sexta-feira, pediu por seu relógio e aparelho auditivo (prova de que estava se sentindo melhor) e no sábado pensaram em transferi-lo de volta para seu quarto no dia seguinte. Mas no domingo, a esperança deu lugar à preocupação: o Arcebispo tinha uma temperatura muito alta e o cardiologista decidiu mantê-lo na unidade de tratamento intensivo. Estava agitado e sentia dores, e falava incessantemente, mas por conta da máscara de oxigênio havia dificuldade para compreendê-lo. Todavia, Jo Grenon decifrou: “Somos todos filhinhos Dele”. Quando Grenon o deixou, o Arcebispo sorriu e estendeu sua mão para dizer adeus.

Quando o Padre Simoulin disse a ele que seu irmão Michel Lefebvre viera, sorriu o máximo que pôde e a alegria brilhou em sua face. Por volta das 7 da noite, o reitor de Ecône retornou ao hospital, mas assim que entrou na unidade de tratamento intensivo, ouviu o assustador som do forte gemido que podia ser ouvido acima dos barulhos vindos do equipamento ao lado; ele aumentava ainda mais por causa da máscara de oxigênio. O Arcebispo estava absolutamente exausto e não podia falar, mas compreendia tudo que o padre lhe disse: “Excelência, o retiro que o senhor estaria pregando para nós… está sendo pregado de uma maneira que não prevíamos!”. O Arcebispo sorriu. “Alguns dos fiéis de Valais, incluindo os motoristas [ndr: amigos pessoais de Dom Lefebvre], estão seguindo o retiro conosco”. E o Arcebispo sorriu novamente.

Então o padre notou o Crucifixo do cubículo e fez uma observação, enaltecendo o hospital e seu bom diretor, que colocava todo paciente sob o olhar do Redentor. Muito lentamente o Arcebispo moveu sua cabeça à esquerda, para olhar na direção em que o Padre apontara, e então suavemente fechou os olhos.

Um sorriso… um olhar para o Crucificado… estas foram as últimas palavras de Dom Lefebvre. Um sorriso… para dizer obrigado, para acalmar, para encorajar os outros a terem a mesma serenidade, um sorriso de caridade e atenção aos outros, no esquecimento de si mesmo. Um olhar em direção ao Crucifixo, o último gesto consciente que seus filhos viram-no fazer: o olhar adorador do contemplativo e do sacerdote.

Por volta das 11:30 da noite, o hospital ligou para Ecône: Dom Lefebvre acabara de sofrer uma parada cardíaca e estava em processo de ressuscitação. Os Padres Simoulin e Laroche encontraram o Arcebispo respirando com grande dificuldade: seus olhos estavam fixos e vidrados. Fora-lhe administrada uma massagem cardíaca e devia ter sofrido uma embolia pulmonar.

Enquanto o Padre Laroche retornava ao seminário para acordar a comunidade e levá-la para rezar na capela, Padre Simoulin permanecia com o Arcebispo, que dolorosamente tentava respirar; era como a agonia do Crucificado. Com o passar do tempo, seu rosto ficava mais revestido de dor enquanto as medições nos monitores diminuíam pouco a pouco.

Por volta das 2:30 da madrugada, seu declínio se acelerou e sua respiração diminuiu, ao passo em que a dor ainda traçava uma marca em sua fronte. Pouco a pouco tudo se acalmava. Em torno das 3:15 da madrugada, o padre disse à enfermeira: “Sua alma está apenas esperando por uma coisa: deixar seu corpo que sofre e estar com Deus”;

“Acho que a alma está deixando agora”, disse a enfermeira, saindo depois.

Padre Simoulin começou então as orações pelos agonizantes. “Exatamente no momento em que eu terminara”, disse, “era por volta das 3:20 da manhã, e o Superior Geral, Padre Schmidberger, entrou na unidade de tratamento intensivo. O monitor do pulso caiu até ‘00’, mas ainda se podia ouvir a respiração: era o Arcebispo ou a máquina? Ofereci o ritual ao Padre Schmidberger, que recomeçou as orações in expiratione”.

Alguns últimos surtos de dor relampejaram do rosto do Arcebispo e então, por volta das 3:25 da madrugada, os sofrimentos cessaram completamente e ele retornara à paz novamente. O Superior Geral então fechou os olhos do amado pai.

Era uma segunda-feira da Semana Santa, 25 de março, festa da Anunciação da Santíssima Virgem Maria, o dia em que o Céu sorriu para a Terra e quando a esperança renasceu nas almas: o dia da Encarnação do Filho de Deus e da ordenação sacerdotal de Jesus Cristo como Sumo Sacerdote. Neste dia, a alma de Marcel Lefebvre foi julgada…

Em Lille, quinze anos antes, ele disse: “Quando eu estiver diante de meu Juiz, não quero ouvi-lo dizer a mim: ‘Vós também, vós deixastes a Igreja ser destruída’”.

Então, naquele 25 de março de 1991, quando Deus o perguntou o que fizera com a graça de seu sacerdócio e episcopado, o que, de fato, poderia ele ter respondido, esse velho soldado da Fé, esse bispo que restaurou o sacerdócio Católico?

“Senhor, vede, eu transmiti tudo o que podia ter transmitido: a Fé Católica, o sacerdócio Católico e também o episcopado Católico; Vós me destes tudo isso e tudo isso transmiti para que a Igreja pudesse continuar”.

“Transmiti o que recebi”.

"Transmiti o que recebi".“Vosso grande Apóstolo disse, ‘Tradidi quod et accepi’ e como ele eu quis dizer: ‘Tradidi quod et accepi’, transmiti o que recebi. Tudo que recebi, transmiti”.

Ninguém tem maior amor

Os restos mortais do fiel lutador foram solenemente trazidos de volta para Ecône. Em vestes pontificais, ficaram velados na capela de Notre Dame des Champs. A multidão formou fila por toda a semana; até o Núncio e Dom Schwery, bispo de Sion, vieram e abençoaram o corpo daquele que o Papa declarou excomungado. O corpo foi assistido dia e noite, da segunda  [dia 25 de março] até a terça-feira da Páscoa [2 de abril]. O Arcebispo recebeu uma benção final na manhã de 2 de abril, e então o caixão foi fechado. Uma placa foi afixada sobre o mesmo, ornado com as armas do Arcebispo e as palavras que ele pediu que se gravasse: Tradidi quod et accepi.

Lentamente o Arcebispo foi carregado sobre os ombros de seus padres e passou pela multidão de vinte mil fiéis que se reuniram para o funeral. Foi levado pelo campo de Ecône no qual ele muitas vezes transmitiu a graça do sacerdócio. Então chegou à “basílica-tenda”, no fundo do campo, onde ocorreriam a Missa e as Absolvições Pontificais. O clima estava frio e nublado; o sol apenas brilhava no lado oposto do vale. De repente, no meio da cerimônia, ele lançou suas luzes na imensa multidão de amigos da Fraternidade São Pio X. O calor se espalhou. Então, quando o corpo foi levado de volta pelo campo, debaixo do céu azul, a seu lugar de descanso em Ecône, vinte mil almas sentiram em seus corações que ali a vida estava passando e continuando. Este também era o sentimento nos corações de seus filhos no sacerdócio, cada um deles segurando uma pequena vela acesa na ofuscante luz refletida nas rochas atrás de Ecône. A Tradição estava viva.

No livro de condolências, um dos “soldados católicos” que seguiu a Tradição da Igreja graças a Dom Lefebvre, escreveu estas breves linhas: “Obrigado por intervir, por salvar o sacerdócio, por ter sido o nosso porta-bandeira, por ter se oferecido em holocausto para salvar o seu povo”.

Sim, ele amou a Igreja com todo o seu coração até os próprios limites do amor: in finem dilexit. Não teria ele mostrado o maior amor possível? Ele amou mais do que muitos, esse homem que até o último instante “acreditou na caridade que Deus tem por nós”.

Marcel Lefebvre, The Biography – Dom Bernard Tissier de Mallerais, 608-614, Angelus Press, 2004 – Tradução: Fratres in Unum.com

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O BOM SAMARITANO DA DÉCADA DE 1970 NOS ESTADOS UNIDOS

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[Nota da Permanência: O texto a seguir foi escrito por um monge beneditino norte-americano em homenagem a Dom Marcel Lefebvre. Tudo aquilo que o religioso escreveu acerca da importância do grande bispo para os católicos do seu país, podemos subscrever no que se refere aos católicos do Brasil]

A década de 1970 foi uma época turbulenta para a Igreja Católica. A aplicação das mudanças litúrgicas na Igreja foi brutalmente implementada com o assim chamado espírito do Concílio. Nós testemunhamos a destruição dos altares principais das igrejas, sendo substituídos pelo que ficou conhecido como as mesas de açougueiro de 19701 . Vimos as igrejas sendo destituídas da mesa de comunhão dos fiéis, das imagens dos santos e do crucifixo acima do altar principal, o qual foi substituído por uma cruz vazia e um véu branco representando o Cristo ressuscitado em oposição ao sacrifício de Cristo na Cruz. O tabernáculo foi escondido em alguma parte obscura da igreja. O sagrado canto gregoriano foi substituído, na melhor das hipóteses, por “Kumbaya, My Lord” 2, ou, na pior das hipóteses, com as missas “clown” 3 ou “rock-n-roll”. A mais devastadora mudança foi no rito sagrado da missa em si, que ficou desfigurado a ponto de ficar essencialmente irreconhecível. Os clérigos daquela época tornaram-se centrados no homem. Eles não mais pregavam sermões sobre Deus e as almas, mas denunciavam a injustiça social sobre o proletariado.

As vítimas de todas essas mudanças foram os próprios padres e os fiéis sob seus cuidados. Algumas estimativas falam de 120.000 padres abandonando o sacerdócio. Só Deus sabe o dano feito às almas dos fiéis durante estes tempos terríveis. Esses pobres padres foram vítimas da ilusão de que o homem e o mundo têm mais a oferecer do que Deus. Foi nesses mesmos anos que os EUA aceitaram legalmente o assassinato de crianças ainda não nascidas.

Essa era a triste situação da Igreja na década de 1970. Esses exemplos são bem conhecidos, mas há muitos outros que permanecem ocultos na consciência das vítimas. Era como se os ladrões tivessem nos despojado de nossa Igreja, deixando-nos meio mortos à beira da estrada da vida. A maioria das famílias, confundidas por seus pastores, simplesmente deixaram a Igreja em busca de um sentido para a vida. Muitas almas desiludidas voltaram-se para as comunidades hippies, onde tentaram satisfazer sua sede pelo sobrenatural com drogas alucinógenas e prazer sensual que chamavam de “amor livre”.

Essas feridas infligidas a toda a sociedade nos fazem pensar na parábola do Bom Samaritano. Nosso Senhor explica que a maior lei é o amor a Deus e a segunda é o amor ao próximo como a si mesmo. Um doutor da lei, para O tentar, pergunta: “Quem é meu próximo?” Nesta ocasião, Nosso Senhor apresenta a parábola do Bom Samaritano. Continuar lendo

ALGUMAS PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

Dom Marcel Lefebvre (33) | Permanência

A MAÇONARIA ASSUME A EDUCAÇÃO DOS JOVENS

A MISSA NOVA LEVA AO PECADO CONTRA A FÉ

VALIDADE NÃO É SUFICIENTE PARA FAZER QUE UMA MISSA SEJA BOA

A DIMINUIÇÃO DO NÚMERO DE MISSAS

FIDELIDADE NA TEMPESTADE

A MISSA EM VERNÁCULO: FRUTO DO RACIONALISMO

OTIMISMO NA JUVENTUDE

O QUE DIZER A PESSOAS DE OUTRAS RELIGIÕES?

AS FALSAS RELIGIÕES FORAM INVENTADAS PELO DEMÔNIO

A PERDA DO ESPÍRITO DE SACRIFÍCIO

SACERDOTE, MÉDICO DAS ALMAS

A ESSÊNCIA DA ORAÇÃO É A ELEVAÇÃO DA ALMA PARA DEUS

A VERDADEIRA HUMILDADE

A PREPARAÇÃO DOS NOIVOS PARA O MATRIMÔNIO

VERDADEIRO SACERDÓCIO

O BOM PASTOR

A CAPACIDADE DE FAZER O MAL É UM DEFEITO DA VONTADE

A MISSÃO DO VERBO ENVIADO PELA CARIDADE DO PAI

EPIFANIA E CONTRA-EPIFANIA

SERMÃO INÉDITO DE MONS LEFEBVRE PROFERIDO NA SOLENIDADE DA EPIFANIA DE 1987, EM ECÔNE.

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Neste sermão, Mons. Lefebvre explica que a Epifania, ou Teofania, significa a “manifestação de Deus”.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

RESUMO

Pax romana contra Pax christiana

Mons. Lefebvre demonstra a diferença entre a Pax Romana, a paz romana de Augusto, a do mundo, e a Pax christiana, a paz cristã.

Os Magos e os Apóstolos acreditaram na manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo, único Salvador: eles tinham a fé. Através do batismo, de Seu sacrifício, de Sua eucaristia, Jesus divinizará as almas, lhes ensinará o que são: verdade, virtude e santidade. O mundo será completamente transformado sob a influência de Jesus Cristo e de Sua Santa Igreja, as almas abandonarão, na medida do possível, seus vícios, sua impiedade, seu apego ao erro, às coisas deste mundo.

A Pax christiana é a ordem de Nosso Senhor nas almas, nas famílias, nas vilas, na cidade. Durante séculos, Jesus Cristo foi verdadeiramente o Rei, o Rei reverenciado deste mundo, e sua Igreja foi a Rainha, sua Esposa Mística. Ah, se os homens tivessem compreendido, se tivessem escutado… como o mundo seria feliz, como o mundo seria a sala de espera do céu, como viveria em paz.

Uma luta até a morte

Diante desse programa ergue-se a imagem de Satanás, aquele que reinou no mundo antes de Jesus vir para tirar seu império. É a luta até a morte, morte aos cristãos. Os reis magos manifestaram a sua fé: o sangue dos pequenos inocentes escorrerá, porque cremos em Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus chega à margem do Jordão, o Espírito Santo apareceu, o Pai O designou como Salvador do mundo: a cabeça de João Batista cairá. Satanás acredita triunfar, fez Jesus preso ao cadafalso da Cruz e eis que Nosso Senhor ressuscita. Esse combate continuará em todos os lugares. Durante os primeiros três séculos o sangue fluirá. As falsas religiões se levantarão violentamente. O triunfo não está garantido por Satanás, então ele atacará os espíritos, os afastará da fé, fará penetrar as heresias e os cismas, mas a Igreja permanece sempre forte, poderosa contra os erros, ela defende sua fé até a morte, se necessário.

Satanás inventou outra coisa agora, ele destruirá a própria cristandade em seus aspectos mais fundamental, na raiz de sua fé. A partir de agora espalhará na Igreja e através da Igreja que a salvação em Jesus Cristo não é essencial, que Jesus Cristo é uma opção. É a própria fé que está em questão. Pode-se escolher a religião que quiser para se salvar. A religião católica deve respeitar as outras, eis onde chegamos. É uma contra-epifania.

A epifania é um programa para nós, é a vida do cristão. A fé, o batismo, o sacrifício de Jesus Cristo são nossas estrelas nos dias de hoje. Manifestemos nossa fé, até mesmo com derramamento de nosso sangue se necessário, seguindo todos aqueles que foram testemunhas de Jesus Cristo.

O Sermão

A GRANDE ILUSÃO DOS CLÉRIGOS NO CONCÍLIO VATICANO II

paulo vi

Esta síntese de Mons. Lefebvre manifesta o viés psicológico que levou ao desastre conciliar.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

A preparação desta ilusão perante o Concílio

Seria necessário escrever longas páginas para detectar todas as causas que prepararam esta incrível ilusão dos clérigos, para não dizer dos Bispos do Concílio Vaticano II.

Sem repetir a história do liberalismo e do modernismo bem conhecido de nossos leitores, devemos afirmar que, apesar das solenes e repetidas advertências dos Papas do século XIX e da primeira parte do século XX, esses erros originários das lojas maçônicas, habilmente difundidos e disseminados por todos os meios modernos de difusão do pensamento, continuaram a crescer, a inspirar as sociedades civis e por meio delas a invadir todas as instituições públicas e privadas, todas as famílias e, da mesma forma, os Seminários e as Universidades Católicas.

Em breve, as próprias ordens religiosas e suas revistas espalharão esses erros que reduzem a fé a um sentimento natural de religião, atos de religião a simples manifestações desse sentimento. A partir de então, seriam os próprios clérigos que destruiriam sua fé, submetendo-a a razão e fazendo desaparecer a vida sobrenatural, a vida da graça.

As guerras também contribuíram para a desordem e, acima de tudo, para a desordem moral, em particular a última guerra. Após o conflito, a euforia da prosperidade material trouxe um desejo desenfreado de diversão. O naturalismo infiltrado na Igreja fez desaparecer a noção de pecado, exaltando a consciência individual, o orgulho da personalidade humana que se tornara adulta e responsável. Todos os abusos, todos os crimes tornaram-se legítimos e protegidos pela consciência! Continuar lendo

PAREM O ABORTO! – TELEGRAMA DE D. LEFEBVRE

41 ANOS DA DECLARAÇÃO DE D. LEFEBVRE | DOMINUS EST

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

A lei Veil de 1975, legalizando o aborto (na França), foi promulgada à título experimental por 5 anos. Uma lei de 1979 a renovaria sem limite de tempo. Nesta ocasião, Mons. Lefebvre enviou o seguinte telegrama ao Presidente da República.

O Telegrama

Pelo voto que lhe foi confiado, o senhor comprometerá gravemente vossa consciência diante de Deus, pois o 5º mandamento do Decálogo proíbe o assassinato. É por esta razão que, em face da gravidade do aborto, a Igreja levanta severas sanções (cânon 2350). Todos aqueles que contribuem física ou moralmente para um aborto são excomungados.

Mons. Lefebvre

O Sr. Valéry Giscard d’Estaign, Presidente da República Francesa, recebeu este telegrama oficial na tarde de terça-feira, 27 de novembro de 1979.

Ao mesmo tempo, 320 deputados, embaixadores e jornalistas estavam de posse deste texto enviado por telegrama pessoal.

Fideliter, número 13, janeiro/fevereiro de 1980.

A MISSÃO DO VERBO ENVIADO PELA CARIDADE DO PAI – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

Eis algumas palavras de Mons. Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, sobre a missão do Verbo enviado pela caridade do Pai.

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

“O fim do amor que Nosso Senhor sente por nós é fazer caridade de nós mesmos. Na medida que guardarmos Seus mandamentos de amor e caridade, nós estaremos Nele e Ele estará em nós. Nosso Senhor mesmo explica isso quando promete enviar seu Espírito Santo, dizendo: Não vos deixarei órfãos; voltarei a vós”(Jo 14,18)

De certo modo, Nosso Senhor se identifica com o Espírito que virá até nós, seu Espírito de caridade que nos enviará.

Dada a consubstancialidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Nosso Senhor sempre diz: “O Pai e Eu viremos a vós” e depois, falando do Espírito Santo: “Virei a vós quando vos enviar o meu Espírito“. Logo, essa obra de caridade, que é o próprio Deus, realmente opera em nós a morada da Santíssima Trindade. A única coisa que Ele pode fazer é nos dar caridade.

Não podemos ser nada além de caridade. Aqueles que não são “caridade” são desnaturados. Não ser “caridade” é contrário à natureza. Agir por egoísmo, para nossa satisfação, para agradar a nós mesmos, por orgulho ou amor próprio, é contrário ao fim para o qual fomos criados e, mais ainda, ao fim para o qual fomos redimidos.

Devemos deixar o lugar à caridade de Deus, ou seja, o lugar que ela deve ocupar na alma. Trata-se, portanto, de preservá-la. Isso nos dá uma verdadeira luz sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Esta caridade que nos dirige a Deus deve ter por objeto a doação a si mesma. Entregar-se primeiro a Deus e até mesmo, quando nos entregamos ao próximo, tomando sempre Deus por seu motivo e causa”.

+ Mons. Marcel Lefebvre

Fonte: O mistério de Nosso Senhor

 

NADA TÃO ATUAL: O GOLPE DE MESTRE DE SATANÁS

Neste pronunciamento, Mons. Lefebvre desmascara o golpe de mestre que a inteligência perversa do demônio inventou para prejudicar a Igreja pós-Vaticano II: levar à desobediência por meio da obediência.

Por outro lado, repetimos com São Pedro: “Devemos obedecer a Deus e não aos homens” (Atos dos Apóstolos), ou com São Bernardo: “Aquele que pela obediência se submete ao mal está aderido à rebelião contra Deus e não à submissão devida a Ele“.

Disponibilizamos abaixo o livro, em formato PDF. Clique na imagem para baixá-lo.

GOLPENota: A publicação on-line deste livro tem como único objetivo a divulgação para uso doméstico. Fica proibido o uso para fins comerciais.

A CAPACIDADE DE FAZER O MAL É UM DEFEITO DA VONTADE – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

Vamos esclarecer uma coisa. A capacidade de fazer o mal é um defeito da liberdade. Isso é o que o liberalismo condena. Para os liberais, precisamente, o homem é livre; somos livres e por isso podemos fazer o bem e o mal, e se não pudéssemos fazer o mal, não seríamos livres. Esse é o seu raciocínio.

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Se a capacidade de escolher entre o bem e o mal fosse um bem e uma perfeição, teríamos a impressão de poder fazer mais do que se escolhêssemos apenas coisas boas: poderíamos também escolher as más. À primeira vista, seria uma capacidade mais ampla, mas não é assim, porque se fosse uma perfeição também a seria para Deus, que desta forma também poderia fazer o mal. Porém, Deus é sumamente livre. Ele possui liberdade em um grau infinito, mas não pode fazer o mal. O mesmo acontece com os bem-aventurados, anjos ou homens.

Por outro lado, os anjos, antes de sua prova, podiam fazer o mal moral, ou seja, pecar. Deus lhes havia proposto algo novo: sua possível elevação à visão beatífica ou, como dizem alguns, havia-lhes revelado o mistério da Encarnação e sua vontade de fazer-se homem. E então alguns se rebelaram. Descartaram a necessidade de algo que já não possuíam por natureza, ou sendo puros espíritos, negaram a obrigação de adorar um Deus homem, composto de matéria, ou seja, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Portanto, para os anjos e para os homens, a capacidade de cometer o mal não é nenhuma perfeição. Isso é exatamente o que Santo Agostinho enfatizou contra os pelagianos:

“Se a possibilidade de enganar-se no bem fosse da essência e da perfeição da liberdade, então Deus, Jesus Cristo, os Anjos, os Bem-aventurados, entre os quais este poder não existe, ou não seriam livres, ou, pelo menos, o não seriam tão perfeitamente como o homem em seu estado de prova e imperfeição” 

Com certeza, isso é impensável. Deus, os anjos e os eleitos seriam menos livres e menos perfeitos do que os homens. Ademais, basta refletir um pouco: escolher o mal só pode ser um defeito. Se fizermos uma comparação com a doença: o que é mais perfeito, estar doente ou não? Se estar doente fosse melhor do que não estar – os santos no céu não podem estar- os homens na terra poderiam “escolher” entre a saúde e a doença, e assim seríamos mais perfeitos na terra do que no céu. Isso é ridículo.

Escolher o mal é um defeito e não pode ser mais do que isso. No fundo, se escolhe a própria destruição … é suicidar-se. Querer o que é pecado é querer a própria imperfeição e, portanto, o nada. Como Deus poderia querer seu próprio mal? Isso é impossível, porque já não seria Deus. Como poderiam os anjos e os eleitos, que estão em perfeito gozo e absoluta perfeição, destruirem-se procurando o mal? Isso é impossível.

Vamos esclarecer uma coisa. A capacidade de fazer o mal é um defeito da liberdade. Isso é o que o liberalismo condena. Para os liberais, precisamente, o homem é livre; somos livres e por isso podemos fazer o bem e o mal, e se não pudéssemos fazer o mal, não seríamos livres. Esse é o seu raciocínio.

Este é o pensamento que norteia nossas sociedades atuais, ditas liberais: o homem é livre e deve poder exercer sua liberdade e fazer o que quiser.

D. Marcel Lefebvre – Sou eu, o acusado, quem deveria vos julgar

MUITOS NOS PERGUNTAM: O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA IGREJA?

MONSEÑOR LEFEBVRE Y LA SEDE ROMANA | Imágenes religiosas, Catolico, Religión

Nada que Mons. Marcel Lefebvre já não tenha visto décadas atrás:

  1. PORQUE OS CATÓLICOS ESTÃO PERPLEXOS?
  2. “ESTÃO MUDANDO NOSSA RELIGIÃO”
  3. MISSAS OU QUERMESSES?
  4. A MISSA DE SEMPRE E A MISSA “AO SABOR DO VENTO”
  5. “VOCÊS SÃO RETRÓGRADOS!”
  6. O NOVO BATISMO, O NOVO CASAMENTO, A NOVA PENITÊNCIA, A NOVA EXTREMA-UNÇÃO
  7. OS NOVOS PADRES
  8. DO CATECISMO HOLANDÊS A “PIERRES VIVANTES”
  9. A NOVA TEOLOGIA
  10. O ECUMENISMO
  11. A LIBERDADE RELIGIOSA
  12. OS CAMARADAS E OS IRMÃOS
  13. LIBERDADE RELIGIOSA, IGUALDADE COLEGIAL, FRATERNIDADE ECUMÊNICA
  14. “VATICANO II, É O 1789 NA IGREJA”
  15. CONÚBIO DA IGREJA COM A REVOLUÇÃO
  16. O NEO-MODERNISMO OU “PIERRE VIVANTES” EM RUÍNAS
  17. QUE É A TRADIÇÃO?
  18. A VERDADEIRA OBEDIÊNCIA
  19. AS SANÇÕES ROMANAS CONTRA ECÔNE
  20. A MISSA DITA “DE S. PIO V”, MISSA DE SEMPRE
  21. NEM HEREGE NEM CISMÁTICO
  22. AS FAMÍLIAS DEVEM REAGIR
  23. CONSTRUIR, NÃO DESTRUIR

“ENQUANTO ELES DESTROEM, TEMOS A FELICIDADE DE CONSTRUIR”

Capela São José: Mons. Marcel Lefebvre - Cismático?Tal cegueira, só se explica como a realização da profecia de São Paulo, “lhes enviará um poderoso enganador, afim de que creiam na mentira” (2 Ts 2, 11). Que castigo mais terrível pode haver do que uma hierarquia desorientada? Se dermos crédito à Irmã Lúcia, isto é precisamente o que Nossa Senhor predisse na terceira parte do Segredo de Fátima: a Igreja e sua hierarquia sofrerão uma “desorientação diabólica, e esta crise corresponde ao que o Apocalipse nos diz sobre o combate da Mulher contra o Dragão. A Santíssima Virgem nos assegura que no final desta luta “seu Coração Imaculado triunfará”.

Compreendereis então porque apesar de tudo não sou pessimista. A Santíssima Virgem sairá vitoriosa, Ela vencerá a grande apostasia fruto do liberalismo. Uma razão para não ficarmos de braços cruzados! Devemos lutar mais do que nunca pelo Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Neste combate não estamos sós; temos conosco todos os papas até Pio XII inclusive. Todos combateram o liberalismo para salvaguardar a Igreja

Deus não permitiu que lograssem, mas isto não é razão para abaixar armas! É necessário resistir, é necessário construir enquanto outros destroem. É necessário reconstruir as cidades destruídas, reconstruir os baluartes da fé. Primeiro o Santo Sacrifício da Missa de sempre, forjada de santos. Depois nossas capelas que são na verdade nossas paróquias, mosteiros, as famílias numerosas, os empreendimentos fiéis à doutrina social da Igreja, nossos homens políticos decididos a fazer a política de Jesus Cristo. Devemos restaurar um conjunto de costumes, vida social e reflexos cristãos, com a amplitude e a duração que Deus queira. Unicamente o que sei e que a fé nos ensina, é que Nosso Senhor Jesus Cristo deve reinar neste mundo agora e não somente no fim do mundo, como quiseram os liberais!

Enquanto eles destroem, nós temos a felicidade de construir. Felicidade ainda maior porque gerações jovens de sacerdotes participam com zelo desta tarefa de reconstrução da Igreja, para a salvação das almas.

Pai nosso, venha a nós o Vosso Reino!

Viva Cristo Rei!

Espírito Santo enchei o coração de vossos fiéis.

Imaculado Coração de Maria, seja a nossa salvação.

 

Trecho do livro “Do Liberalismo à Apostasia” – Mons. Marcel Lefebvre

EU NÃO QUERO, NA HORA DE MINHA MORTE…

Pale Ideas - Tradição Católica!: Dom Marcel Lefebvre fala

“Se minha obra é de Deus, Ele saberá mantê-la e fazê-la servir ao bem da Igreja. Nosso Senhor no-lo prometeu: as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

É por isso que eu me obstino, e se quereis conhecer a razão profunda desta obstinação, ei-la. Eu não quero, na hora de minha morte, quando Nosso Senhor me perguntar: “Que fizeste de teu episcopado, da tua graça episcopal e sacerdotal?” ouvir de sua boca estas palavras terríveis: “Tu contribuíste para destruir a Igreja com os outros.”

D. Marcel Lefebvre

 

ENTREVISTA COM O SUPERIOR GERAL DA FSSPX: “OS ACONTECIMENTOS TRAZEM À LUZ A PERSPICÁCIA EXCEPCIONAL DO NOSSO FUNDADOR.”

Entrevista com o Padre Pagliarani, Superior da Fraternidade Sacerdotal São  Pio X - Seminário Nossa Senhora Corredentora - AR

OS CINQUENTA ANOS DA FSSPX

«Reavivar nosso ideal de fidelidade naquilo que recebemos.»

  1. DICI: O que representa, para a Tradição, o cinquentenário da FSSPX?

Em primeiro lugar, o jubileu é a ocasião para agradecer à Providência por tudo o que ela nos concedeu durante esses cinquenta anos, porque uma obra que não fosse de Deus não teria resistido ao desgaste do tempo. Devemos atribuir tudo isso primeiramente a Deus.

Acima de tudo, o jubileu é ocasião de reavivar nosso ideal de fidelidade naquilo que recebemos. Com efeito, após tantos anos, pode surgir um compreensível cansaço. Esse dia, portanto, deve reanimar nosso fervor no combate pelo estabelecimento do reinado de Cristo Rei, para que Ele reine primeiro em nossas almas e depois a nosso redor. É esse ponto em especial que merece nossa atenção, seguindo Dom Lefebvre.

  1. DICI: Por que, segundo o senhor, a herança de Mons. Lefebvre pode ser resumida nessa vontade de estabelecer o reinado de Cristo Rei?

A resposta me parece muito simples: é o amor a Cristo Rei que fez de Mons. Lefebvre um santo prelado e um grande missionário, um homem que buscou apaixonadamente estender à sua volta o reino d’Aquele que reinava antes em sua alma – e é esse amor que o conduziu à denunciar com vigor tudo aquilo que lhe era oposto. Ora, para estender esse reino e combater seus inimigos, o meio principal é o Santo Sacrifício da Missa. A voz de Mons. Lefebvre tremulava de emoção quando ele pronunciava essas palavras da liturgia, que também resumem seu amor pela Missa e por Cristo Rei: «Regnavit a ligno Deus» (hino Vexilla Regis), Deus reina pelo madeiro da Cruz. Em uma carta escrita a um antigo confrade de sua congregação de origem, pouco antes de sua morte, Mons. Lefebvre fez questão de dizer que, durante toda sua vida, a única coisa pela qual trabalhou foi pelo reino de Nosso Senhor. Eis o que sintetiza tudo o que ele foi e tudo o que ele nos legou.

  1. DICI: No dia 24 de setembro, a seu pedido, o corpo de Mons. Lefebvre foi transferido para uma cripta na igreja do seminário de Ecône. Apesar da crise do coronavirus, muitos padres, seminaristas, religiosos e fiéis participaram da cerimônia. Como foi esse dia?

Na verdade, essa transferência foi determinada no último capítulo geral, em 2018, e estou muito feliz que ela tenha podido se concretizar dentro do período de dois anos. Ainda que pertença apenas à Igreja um dia canonizar Mons. Lefebvre, penso que ele já merece nossa veneração num local de sepultura digno de um santo bispo. Neste ano jubilar, esse gesto é a expressão da gratidão de todos os membros da FSSPX para aquele que a Providência suscitou como instrumento para salvaguardar a Tradição da Igreja, a fé, a santa Missa, e para nos legar todos esses tesouros. O fato de rever, após trinta anos, o caixão do nosso fundador, de ver nossos padres carregá-lo sobre seus ombros como no dia do seu funeral, foi algo especialmente comovente. Vi antigos confrades comovidos até às lágrimas. Continuar lendo

DESCUBRA A IGREJA DA SAGRAÇÃO DE D. LEFEBVRE

A igreja Nossa Senhora dos Anjos, de Tourcoing (que os habitantes costumam chamar pelo único título de “Nossa Senhora”) está atualmente em reforma. Este pequeno vídeo permite que os senhores descubram esta igreja onde Mons. Lefebvre foi sagrado.

ATENÇÃO: a Fraternidade São Pio X não tem vínculo com a associação que está transmitindo este vídeo.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

A igreja Nossa Senhora dos Anjos, de Tourcoing (que os habitantes costumam chamar pelo único título de “Nossa Senhora”) está atualmente em reforma. Este pequeno vídeo permite que os senhores descubram esta igreja onde Mons. Lefebvre foi sagrado.

Mons. Marcel Lefebvre recebeu a plenitude do sacerdócio na quinta-feira, 18 de setembro de 1947, na presença de Mons. Le Hunsec e outros 6 Bispos missionários, de Mons. Dutoit, Bispo de Arras, do Cura de Mortain e numerosos padres do Espírito Santo da França, Senegal e representantes do Seminário Francês. O Pe. René Lefebvre e Pe. Jean Watine SJ, irmão e primo do eleito, foram os diáconos e subdiáconos da Missa pontifical de sagração.

Sendo o Cardeal Liénart Bispo de sua diocese de origem e grande amigo das missões, Mons. Lefebvre pediu-lhe para que fosse seu consagrador. Ele escolheu como co-consagradores Mons. Alfred Ancel, auxiliar de Lyon, seu antigo condiscípulo em Santa Chiara, e seu amigo Mons. Fauret. (de acordo com Bernard Tissier de Mallerais, Marcel Lefebvre. Uma vida, edições Clovis).

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A MAÇONARIA ASSUME A EDUCAÇÃO DOS JOVENS – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Disse Leão XIII: “A seita dos maçons também tem como objetivo, com uma suma conspiração de vontades, arrebatar para si a educação dos jovens”.

Depois do divórcio, a seita agora apropria a educação dos jovens. É tão evidente que salta aos olhos. O progresso do laicismo no ensino nos países de todo o mundo são evidentes.

Organismos como a UNESCO, supostamente criados para difundir o ensino pelo mundo e lutar contra o analfabetismo, na verdade são administrados pela Maçonaria para difundir a educação laica e ateísta em todo o mundo com o pretexto falacioso de permitir que todos os homens tenham acesso à cultura.

Vimos isso muito bem em nossas missões. Nossos maiores problemas eram com as organizações da UNESCO, porque tinham muito dinheiro e colocavam escolas laicas em todos os lugares onde tínhamos escolas católicas, sendo que havia muitos lugares para colocá-las e que não havia escolas católicas. Mas não, as colocavam propositadamente perto das nossas para destruir a influência da Igreja Católica. Com o dinheiro que tinham era fácil e pagavam aos professores muito mais do que poderíamos pagar Continuar lendo

LIVE – TRANSLADAÇÃO DO CORPO DE MONS. LEFEBVRE – 24/09 – 04:00H (HORÁRIO DE BRASÍLIA)

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Amanhã, 24 de setembro de 2020, o Seminário Internacional São Pio X, em Écône, na Suíça, celebra o Jubileu de Ouro de sua inauguração. Após a Missa Pontifical de Ação de Graças por estes 50 anos, rezada por Mons. Bernard Fellay, o corpo de Mons. Marcel Lefebvre será transferido da cripta do Seminário para a Cripta da Igreja do Imaculado Coração de Maria.

Assista as cerimônias aqui:

D. VIGANÒ FALA SOBRE D. LEFEBVRE, FSSPX, CITA D. TISSIER, ENTRE OUTROS TEMAS REFERENTES À TRADIÇÃO E A IGREJA

Fonte: Dies Irae

Caro Dr. Kokx,      

Li, com grande interesse, um seu artigo intitulado Perguntas para Viganò: Sua Excelência tem razão sobre o Vaticano II, mas o que acha que deveriam fazer os católicos agora?, publicado, a 22 de Agosto, no Catholic Family News. Tratando-se de questões muito importantes para os fiéis, respondo-lhe de bom grado.  

Pergunta-me: «O que significa “separar-se” da igreja conciliar segundo o Arcebispo Viganò?». Respondo-lhe com uma questão: o que significa separar-se da Igreja Católica de acordo com os defensores do Concílio? Embora seja evidente que não é possível misturar-se com aqueles que propõem doutrinas adulteradas do manifesto ideológico conciliar, deve-se notar que o simples facto de sermos baptizados e membros vivos da Igreja de Cristo não implica a adesão à estrutura conciliar; isto vale, antes de mais, para os simples fiéis e para os clérigos seculares e regulares que, por várias razões, se consideram sinceramente Católicos e que reconhecem a Hierarquia.

Em vez disso, deve ser esclarecida a posição daqueles que, declarando-se Católicos, abraçam as doutrinas heterodoxas que se difundiram nas últimas décadas, com a consciência de que essas representam uma ruptura com o Magistério precedente. Neste caso, é legítimo questionar a sua real pertença à Igreja Católica, na qual, todavia, ocupam cargos oficiais que lhes conferem autoridade. Uma autoridade exercida ilicitamente, se a finalidade que se propõe é obrigar os fiéis a aceitar a revolução imposta depois do Concílio.

Uma vez esclarecido este ponto, é evidente que não são os fiéis tradicionalistas – ou seja, os verdadeiros Católicos, nas palavras de São Pio X – que devem abandonar a Igreja na qual têm pleno direito de permanecer e da qual seria lamentável separar-se; mas os Modernistas, que usurpam o nome católico precisamente porque é o único elemento burocrático que lhes permite que não sejam considerados como qualquer outra seita herética. Esta sua pretensão serve, de facto, para evitar que acabem entre as centenas de movimentos heréticos que, ao longo dos séculos, acreditaram poder reformar a Igreja segundo a própria vontade, colocando o seu orgulho acima da humilde custódia do ensinamento de Nosso Senhor. Mas como não é possível reivindicar a cidadania de uma Pátria de que não se partilha a língua, a lei, a fé e a tradição, assim é impossível que aqueles que não partilham a fé, a moral, a liturgia e a disciplina da Igreja Católica possam reivindicar o direito de permanecer nela e até mesmo de ascender aos graus da Hierarquia. Continuar lendo

UM CARDEAL: UM DIA D. LEFEBVRE SERÁ RECONHECIDO COMO DOUTOR DA IGREJA

Fonte: Santa Iglesia Militante – Tradução: Dominus Est

(Dra. Maike Hickson – Catholic Family News – 27/08/20) O professor Armin Schwibach, professor de filosofia e correspondente do site austríaco Kath.net. em Roma, relatou no Twitter que um cardeal lhe havia feito, recentemente, alguns comentários de apoio ao Arcebispo Marcel Lefebvre, falecido fundador da Fraternidade São Pio X (FSSPX).

Em 21 de agosto, Schwibach escreveu : “Como disse, recentemente, um cardeal: o Arcebispo Lefebvre, um dia, será reconhecido como Doutor da Igreja. Para tanto, os “outros” devem estar à altura dele.” O Catholic Family News se aproximou do professor Schwibach e confirmou que, de fato, um cardeal da Igreja Católica lhe havia dito recentemente essas palavras. Em outra ocasião segundo Schwibach, esse mesmo Cardeal acrescentou que Lefebvre era “profético”. No entanto, o Cardeal pronunciou essas palavras em particular e não quer dizê-las em público.

Este fato confiável, conforme revelado por Schwibach, é de grande importância para a Igreja Católica, pois mostra que existem outros prelados de alto escalão além do Arcebispo Carlo Maria Viganò e do Bispo Athanasius Schneider que estão vendo a validade das críticas sustentadas pelo próprio D. Lefebvre ao Concílio Vaticano II, de aspectos do Magistério pós-conciliar e da Missa Novus Ordo. Continuar lendo

O NOVO CONCEITO DE PENITÊNCIA

Qual é a matéria do sacramento da Confissão?O sacramento da penitência não pode ser senão individual. Por definição e conforme a sua essência, ele é, como lembrei mais acima, um ato judiciário, um julgamento. Não se pode julgar sem estar a par de uma causa; é preciso ouvir a causa de cada um para julgá-la e depois perdoar ou reter os pecados. S. S. João Paulo II insistiu várias vezes neste ponto, dizendo notadamente no dia 1°. de abril de 1983 a bispos franceses que a confissão pessoal das faltas seguida da absolvição individual “é antes de tudo uma exigência de ordem dogmática”. Por conseguinte é impossível justificar as cerimônias de “reconciliação” explicando que a disciplina eclesiástica se abrandou, que se adaptou às exigências do mundo moderno. Não se trata de um caso de disciplina.

Havia precedentemente uma exceção; a absolvição geral dada em caso de naufrágio, de guerra: absolvição aliás cujo valor é discutido pelos autores. Não é permitido fazer da exceção uma regra. Se se consultam os Atos da Sé apostólica salientam-se as expressões seguintes tanto nos lábios de Paulo VI como nos de João Paulo II em diversas ocasiões: “o caráter excepcional da absolvição coletiva”, “em caso de grave necessidade”, “caráter inteiramente excepcional”, “circunstâncias excepcionais”…

As celebrações deste gênero não deixaram, contudo, de se tornar um hábito, sem, entretanto, serem freqüentes numa mesma paróquia, à falta de fiéis dispostos a pôr-se em ordem com Deus mais de duas ou três vezes no ano. Não se experimenta mais a necessidade disto, o que era de prever, visto que a noção de pecado se extinguiu nos espíritos. Quantos sacerdotes lembram a necessidade do sacramento da penitência? Um fiel me disse que, confessando-se conforme os seus deslocamentos numa ou noutra das igrejas parisienses onde ele sabe poder encontrar um “sacerdote de acolhimento”, recebe freqüentemente as felicitações ou os agradecimentos deste, todo surpreso de ter um penitente.

Estas celebrações submetidas à criatividade dos “animadores” compreendem cantos; ou então se coloca um disco. Depois se dá um lugar à liturgia da palavra antes de uma prece litânica à qual a assembléia responde: “Senhor, tende piedade do pecador que sou”, ou uma espécie de exame de consciência geral. O “Eu pecador me confesso a Deus” precede a absolvição dada uma vez por todas e a todos os assistentes, o que não deixa de pôr um problema: uma pessoa presente que não a desejasse vai receber a absolvição contra a sua vontade? Vejo numa folha roneotipada distribuída aos participantes de uma destas cerimônias, em Lourdes, que o responsável se coloca a questão: “Se desejamos receber a absolvição, venhamos mergulhar nossas mãos na água da fonte e tracemos sobre nós o sinal da cruz” e, no fim: “Sobre aqueles que se benzeram com o sinal da cruz com a água da fonte o sacerdote impõe as mãos (?). Unamo-nos à sua prece e recebamos o perdão de Deus.”
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O NOVO CONCEITO DE MATRIMÔNIO E A INVERSÃO DE SEU FIM PRIMÁRIO

PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO | DOMINUS ESTO matrimônio foi sempre definido por seu fim principal, que era a procriação, e seu fim secundário, que era o amor conjugal. Pois bem, no concílio, se quis transformar esta definição e dizer que não havia mais fim primário, mas que os dois fins que acabo de citar eram equivalentes. Foi o cardeal Suenens que propôs esta mudança e eu me lembro ainda do cardeal Brown, superior geral dos dominicanos, levantando-se para dizer: “Caveatis, caveatis! (Tomai cuidado!) Se aceitamos esta definição, nós vamos contra toda a Tradição da Igreja e pervertemos o sentido do matrimônio. Não temos o direito de modificar as definições tradicionais da Igreja.”

Ele citou textos em apoio de sua advertência e a emoção foi grande na nave de São Pedro. O Santo Padre pediu ao cardeal Suenens que este moderasse os termos que tinha empregado e mesmo os mudasse. A Constituição pastoral Gaudium et Spes contém mais de uma passagem ambígua, onde o acento é posto na procriação “sem subestimar por isso os outros fins do matrimônio”. O verbo latino post habere permite traduzir: “sem colocar em segundo plano os outros fins do casamento”, o que significaria: pô-los todos no mesmo plano. É assim que se quer entendê-lo hoje em dia; tudo o que se diz do casamento se liga à falsa noção expressa pelo cardeal Suenens que o amor conjugal — que bem se chamou simplesmente e mais cruamente “sexualidade” — vem à testa dos fins do matrimônio. Conseqüência: a título da sexualidade, todos os atos são permitidos: contracepção, limitação dos nascimentos, e enfim aborto.

Uma má definição e eis-nos em plena desordem.

A Igreja em sua liturgia tradicional, faz o padre dizer: “Senhor, assisti em vossa bondade as instituições que vós estabelecestes para a propagação do gênero humano…” Ela escolheu a passagem da Epístola de São Paulo aos Efésios que precisa os deveres dos esposos, fazendo de suas relações recíprocas uma imagem das relações que unem Cristo e a sua Igreja. Hoje, muito freqüentemente, os próprios esposos são convidados a compor a sua missa, sem mesmo serem obrigados a escolher a epístola nos livros santos, substituindo-a por um texto profano, tomando uma passagem do Evangelho sem relação com o sacramento recebido. O sacerdote, em sua exortação, se acautela de fazer menção das exigências às quais eles se devem submeter, por medo de apresentar uma imagem rebarbativa da Igreja, eventualmente de chocar os divorciados presentes na assistência.
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O NOVO CONCEITO DE BATISMO

A Bíblia ordena batizar bebês? – EvangelismoO primeiro efeito do batismo é a remissão do pecado original, isto se sabia, transmitido de pai para filho e de mãe para filha.

Mas eis que não se fala mais disto em parte alguma. A cerimônia simplificada que se realiza na igreja evoca o pecado num contexto tal que parece tratar-se daquele ou daqueles que cometerá o batizado na sua vida e não da falta original com a qual nós todos nascemos carregados.

O batismo aparece por conseqüência simplesmente como um sacramento que nos une a Deus, ou antes, nos faz aderir à comunidade. Assim se explica o rito de “recepção” que se impõe em certos lugares como uma primeira etapa, numa primeira cerimônia. Isto não é devido a iniciativas particulares, uma vez que nós encontramos amplos desenvolvimentos sobre o batismo por etapas nas fichas do Centro nacional de pastoral litúrgica. Chama-se também batismo diferido. Após a recepção, o “encaminhamento”, a “busca”, o sacramento será ou não administrado, quando a criança puder, segundo os termos utilizados determinar-se livremente, o que pode ocorrer numa idade bastante avançada, dezoito anos ou mais. Um professor de dogmática muito apreciado na nova Igreja estabeleceu uma distinção entre os cristãos cuja fé e cultura religiosa ele julga capaz de atestar, e os outros — mais de três quartos do total — aos quais não atribui senão uma fé suposta quando eles pedem o batismo para seus filhos. Estes cristãos “da religião popular” são descobertos no decorrer das reuniões de preparação e dissuadidos de ir além da cerimônia de acolhimento. Esta maneira de agir seria “mais adaptada à situação cultural de nossa civilização”. 

Recentemente, devendo um pároco do Somme inscrever duas crianças para a comunhão solene, exigiu as certidões de batismo, que lhe foram enviadas pela paróquia de origem da família. Ele verificou então que uma das crianças tinha sido batizada mas que a outra não, contrariamente ao que acreditavam os seus pais. Ela havia simplesmente sido inscrita no registro de recepção. É uma das situações que resultam destas práticas; o que se dá é efetivamente um simulacro de batismo, que os fiéis tomam de boa fé pelo verdadeiro sacramento. Continuar lendo

D. ATHANASIUS SCHNEIDER: “ESTAMOS AGORA TESTEMUNHANDO A CULMINAÇÃO DO DESASTRE ESPIRITUAL NA VIDA DA IGREJA QUE O ARCEBISPO LEFEBVRE JÁ HAVIA APONTADO COM TANTA VIGOR HÁ 40 ANOS.”

Fonte: Corrispondenza Romana – Tradução: Dominus Est

[…] O período após o Concílio nos deu a impressão de que um de seus principais frutos foi a burocratização. Essa burocratização mundana nas décadas seguintes ao Concílio frequentemente paralisou o fervor espiritual e sobrenatural em uma medida considerável e, ao invés da primavera anunciada, chegou uma época de inverno espiritual. Bem conhecidas e inesquecíveis permanecem as palavras com as quais Paulo VI honestamente diagnosticou o estado da saúde espiritual da Igreja após o Concílio: “Acreditava-se que, depois do Concílio, viria um dia se sol na história da Igreja. Mas ao invés do sol, vieram as nuvens, a tempestade, a escuridão, a busca, a incerteza. Pregamos o ecumenismo e nos distanciamos cada vez mais dos outros. Buscamos cavar abismos ao invés de preenchê-los. ”(Homilia de 29 de junho de 1972).

Nesse contexto, foi Arcebispo Marcel Lefebvre, em particular (embora não tenha sido o único a fazer), quem  iniciou em uma escala mais ampla e com franqueza similar à de alguns dos grandes Padres da Igreja, a protestar contra o enfraquecimento e a diluição da fé católica, particularmente no que diz respeito ao caráter sacrifical e sublime do rito da Santa Missa, que se espalhava na Igreja, sustentado ou ao menos tolerado também pelas autoridades de alto escalão da Santa Sé. Em uma carta dirigida ao Papa João Paulo II, no início de seu pontificado, o Arcebispo Lefebvre descreve de maneira realista e apropriada, em um breve resumo, a verdadeira magnitude da crise na Igreja. Impressiona a perspicácia e o caráter profético da seguinte afirmação: “O dilúvio de novidades na Igreja, aceito e encorajado pelo Episcopado, um dilúvio que arrasa tudo em seu caminho: fé, moral, Igreja, instituição: não podiam tolerar a presença de um obstáculo, de uma resistência. Tivemos então a oportunidade de nos deixar levar pela corrente devastadora e nos unirmos ao desastre, ou resistir ao vento e às ondas para proteger nossa fé católica e o sacerdócio católico. Não podemos duvidar. Não podíamos hesitar. As ruínas da Igreja estão aumentando: ateísmo, abandono de igrejas, desaparecimento de vocações religiosas e sacerdotais são de tal magnitude que os Bispos começam a despertar” (Carta de 24 de dezembro de 1978). Estamos agora testemunhando a culminação do desastre espiritual na vida da Igreja que o Arcebispo Lefebvre já havia apontado com tanta vigor há 40 anos. […]

Trecho da entrevista de D. Schneider ao site Corrispondenza Romana.

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Nota do Blog: Assim como uma outra entrevista de D. Schneider publicada tempos atrás, sabemos que temos de tomar estas palavras com contrapeso e medida. É positivo que um prelado tenha esta posição em relação à D. Lefebvre, mas há outras coisas com o qual não poderemos concordar.

Mons. Viganó, de forma impressionante, tem se mostrado muito mais firme em relação ao Vaticano II e a crise da Igreja. Vejam esses dois posts recentes:

Rezemos para que os prelados conservadores tenham também o exemplo de Dom Salvador Lazo, que pode ser lida nesse post: DOM SALVADOR LAZO, BISPO EMÉRITO DE SÃO FERNANDO DA UNIÃO (FILIPINAS) – DA TRADIÇÃO CATÓLICA À TRADIÇÃO CATÓLICA

MONS. VIGANÒ, SUAS CARTAS E D. LEFEBVRE

viganoFonte: SSPX Great Britain – Tradução: Dominus Est 

“Calcam, Senhor, o teu povo, e oprimem a tua herança; trucidam a viuva e o peregrino, tiram a vida aos órfãos.” (Sl 94, 5-6) 

Meus caros irmãos,

Há um senso coletivo de que o mundo está à beira de mudanças dramáticas. De certo, a crise do Covid-19 e a recente agitação civil em muitos países – ambos com características de uma sinistra orquestração – tem sido ocasião de um condicionamento social em massa e de uma violação dramática dos direitos religiosos e civis. Lamentavelmente, parece que deve acontecer o mesmo de sempre. A grande mídia está criando expectativas com expressões como “o novo normal”, o colapso econômico é iminente e o Fórum Econômico Mundial – uma organização para os “minions” da Nova Ordem Mundial – lançou uma iniciativa chamada “The Great Reset”, que parece augurar a imposição de um controle individual mais direto, do ecologismo e da cultura da morte em todo o planeta.

“E dizem: Não o vê o Senhor, nem o nota o Deus de Jacob.” (Sl 94, 7) 

Enquanto isso, Deus é ignorado em toda essa agitação e os homens de boa vontade estão sendo manipulados para fazer uma escolha entre apoiar o “novo normal” dos marxistas culturais ou enfrentar a exclusão social e econômica.

“Quem se levantara por mim contra ob malfeitores? Quem estará por mim contra os que praticam a iniquidade?” (Sl 94,16) 

Não podemos perder a esperança, no entanto, o mal que está nos visitando é a ocasião de um grande heroísmo por parte daqueles que se mantêm firmes na fé católica. Os membros da FSSPX sempre se recordam dos atos heróicos do Arcebispo Marcel Lefebvre, seu fundador, para dar um exemplo de fidelidade à fé. Ele enfrentou os malfeitores que fomentaram uma revolução na Igreja e fundou a FSSPX para continuar o trabalho da Igreja através da formação de padres católicos. Continuar lendo

MONS. VIGANÒ EM 2020, MONS. LEFEBVRE EM 1966

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em resposta à carta de uma religiosa de clausura, em 29 de maio de 2020, Mons. Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos Estados Unidos, fala da atual crise na Igreja como como “a metástase do câncer conciliar“. Esta carta e a resposta de Monsenhor Viganò foram publicadas em 31 de maio por Marco Tosatti em seu blog Stilum Curiæ e traduzidas por Jeanne Smits em 2 de junho.

A afirmação do diplomata romano encontra-se no seguinte parágrafo: “Acredito que o ponto essencial para liderar efetivamente uma batalha espiritual, doutrinal e moral contra os inimigos de Cristo é a certeza de que a crise atual é a metástase do câncer conciliar: se não entendermos a relação de causa e efeito entre o Vaticano II e suas consequências lógicas e necessárias nos últimos 60 anos, não será possível restaurar o timão da Igreja na direção do curso estabelecido pelo timoneiro divino e mantido por 2000 anos. Temos sido catequizados há décadas com seu abominável “não há volta” em questões de liturgia, fé, moral, penitência, ascetismo: hoje também ouvimos repetir servilmente as mesmas expressões na esfera civil, enquanto se tenta doutrinar as massas com a ideia de que “nada será como antes”. O modernismo e o Covid-19 estão ligados pela mesma marca e, para aqueles que tem o olhar no transcendente, não é difícil entender que o pior medo daqueles que querem que acreditemos que a corrida ao abismo é inevitável e imparável, é que podemos não acreditar neles, podemos ignorá-los, desmascarar sua conspiração. Esta é a nossa tarefa hoje: abrir os olhos de muitas pessoas, incluindo clérigos e religiosos que ainda não estabeleceram o panorama geral e que se limitam a olhar a realidade de maneira parcial e desordenada. Depois de fazê-los entender o mecanismo, também entenderão todo o resto.

“Sim, podemos voltar atrás; podemos garantir que os bens dos quais fomos fraudulentamente despojados sejam devolvidos para nós. Mas isso só será alcançado na consistência da doutrina, sem flexibilização, sem abrir mão de nada, sem oportunismo. O Senhor se dignará a conceder-nos uma parte de sua vitória, mesmo que sejamos fracos e sem meios materiais, mas somente se nos abandonarmos completamente a Ele e a Sua Mãe Santíssima.” Continuar lendo

A MISSA NOVA LEVA AO PECADO CONTRA A FÉ – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

A missa nova é escandalosa, não no sentido do escândalo que causa estranheza. Não se trata disso. O escândalo é que conduz ao pecado. Pois bem, a nova missa leva ao pecado contra a fé, que é um dos pecados mais graves e perigosos, porque a perda da fé é, verdadeiramente, afastar-se da Revelação, de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Igreja.

Isso equivale a concluir que uma pessoa que estava ciente e está a par do perigo dessa missa e que foi a ela, cometeria, é claro, pelo menos um pecado venial. Por que, me direis, por que não nos diz ser um pecado mortal? Porque acredito que assistir uma só vez essa missa não constitui um perigo próximo. Acredito que o perigo se torna grave e, portanto, se torna motivo de um pecado grave, pela repetição. (…) O pecado torna-se grave se uma pessoa consciente e está a par do assunto frequenta regularmente e diz: “Ah, pra mim é a mesma coisa, não tenho medo quanto a minha fé”!, sendo que sabe perfeitamente que é algo perigoso. Ele sabe: é testemunha que as crianças perderam a fé porque assistiam regularmente a missa nova, é testemunha de que os pais deixaram a Igreja … mas, enfim, vai a ela de qualquer jeito. Nesse caso, é evidente que ele está realmente colocando em risco sua fé.

Para julgar a falta subjetiva dos que celebram a missa nova ou dos que a assistem, devemos aplicar as regras do discernimento de espíritos, segundo as diretrizes da teologia moral e pastoral. Devemos agir sempre como médicos de almas e não como justiceiros ou carrascos, como são tentados a fazer aqueles que são animados por um zelo amargo e não por um zelo verdadeiro(1) . Os jovens sacerdotes devem inspirar-se nas palavras de São Pio X em sua primeira encíclica e em muitos textos de autores espirituais conhecidos, como os de D. Chautard em A alma de todo apostolado, de Garrigou-Lagrange no segundo volume de  Perfeição cristã e Contemplação e D. Marmion em Cristo Ideal do Monge . 

Diretrizes práticas 

Os fiéis católicos devem fazer todo o possível para manter a fé católica intacta e íntegra: assistir à Missa de sempre quando puderem, ainda que seja uma vez por mês e colaborar ativamente para ajudar os sacerdotes fiéis na celebração da Missa da sempre e na distribuição dos sacramentos segundo os ritos antigos e o catecismo antigo.

Quando não podem ir a essas missas, podem lê-la aos domingos no missal, em família se possível, como os cristãos dos países missionários, que só recebem a visita do padre duas ou três vezes por ano e, às vezes, apenas uma!

Damos essas diretrizes para que cada uma possa seguir a linha de conduta mais favorável para a preservação da fé. É evidente que o preceito de domingo é obrigatório apenas quando há uma Missa de sempre acessível. É a época do heroísmo. Acaso não é uma graça de Deus viver nestes tempos turbulentos, para poder encontrar a Cruz de Jesus, seu sacrifício redentor, e estimar em seu justo valor essa fonte de santidade da Igreja, colocá-la novamente em  honra e apreciar melhor a grandeza do sacerdócio?

Entender melhor a Cruz de Jesus é elevar-se ao céu e aprofundar na verdadeira espiritualidade católica do sacrifício, e o sentimento de sofrimento, da penitência, da humildade e da morte.

A Missa de Sempre – Mons. Marcel Lefebvre +