DA CONFORMIDADE COM A VONTADE DE DEUS – PONTO III

Resultado de imagem para de joelhosAquele que se conserva unido à vontade de Deus, goza, mesmo neste mundo, de paz admirável e constante. “Não se contrista o justo por coisa que lhe aconteça” (Pr 12,21), porque uma alma se alegra e se satisfaz ao ver todos os seus desejos cumpridos; ora, quem só quer o que Deus quer, tem tudo o que deseja, pois que tudo o que acontece é por efeito da vontade de Deus. Quando a alma resignada, diz Salviano, recebe humilhações, quer ser humilhada; quando cai na pobreza, compraz-se em ser pobre; em suma, fica contente com tudo quanto lhe sucede e por isso goza de felicidade nesta vida. Faça frio ou calor, caia chuva ou sopre o vento, com tudo ela se conforma e se alegra, porque assim Deus o quer. Quando sofre reveses, perseguições, enfermidades e até lhe sobrevenha a própria morte, quer ser pobre, perseguida, enferma, quer morrer, porque tudo é da vontade de Deus. Aquele que deste modo descansa na vontade de Deus e se compraz naquilo que a Providência dispuser, é como se estivesse sobranceiro às nuvens do céu e visse a seus pés furiosa tempestade, sem recear perturbação ou dano. Esta é aquela paz que — como disse o Apóstolo — supera a todas as delícias do mundo (Fp 4,7); paz constante, serena, imutável.

“O néscio é inconstante como a lua, o sábio se mantém na sabedoria como o sol” (Ecl 27,12)

O pecador é variável como a luz da lua, que hoje cresce e noutros dias míngua. Hoje o vemos rir; amanhã, chorar; ora se mostra alegre e tranquilo; ora, aflito e furioso. Varia, enfim, à mercê das coisas prósperas ou adversas que lhe sucedem.

O justo, pelo contrário, se mantém sempre com igualdade e constância.

Nenhum acontecimento o priva de sua feliz tranquilidade, porque essa paz de que goza é filha de sua conformidade perfeita com a vontade de Deus.

“Paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc 2,14) Continuar lendo

DA CONFORMIDADE COM A VONTADE DE DEUS – PONTO II

Resultado de imagem para olhando céuDevemos conformar-nos com a vontade divina, não apenas nas coisas que recebemos diretamente de Deus, como sejam enfermidades, desolações espirituais, reveses de fortunas, morte de parentes, mas também nas que só indiretamente vêm de Deus e que ele nos envia por intermédio dos homens, como, por exemplo, a desonra, desprezos, injustiças e toda sorte de perseguições. E note-se que quando alguém nos ofende em nossa honra ou nos causa dano em nossos bens, não é Deus que quer o pecado de quem nos ofende ou causa dano, mas sim a humilhação ou a pobreza que dele resulta. É certo, portanto, que tudo quanto sucede acontece por vontade divina.

“Eu sou o Senhor que formo a luz e as trevas; faço a paz e crio a desdita” (Is 45,7)

E no Eclesiástico lemos:

“Os bens e os males, a vida e a morte vêm de Deus”

Tudo, em suma, de Deus procede, tanto os bens como os males.

Chamam-se males certos acidentes porque nós assim os denominamos e em males os transformamos; entretanto, se os aceitássemos como era devido, resignando-nos à mão de Deus, seriam para nós bens em vez de males. As joias que mais resplandecem e mais valorizam a coroa dos Santos são as tribulações que aceitaram das mãos de Deus.

Quando o santo homem Jó soube que os sabeus lhe haviam roubado os bens, não disse:

“O Senhor nos deu e os sabeus nos tiraram, mas “O Senhor nos deu e o Senhor nos tirou” (Jó 1,21) Continuar lendo

DA CONFORMIDADE COM A VONTADE DE DEUS – PONTO I

Imagem relacionadaEt vita in voluntate ejus. – “E a vida, em sua vontade” (Sl 29, 6)

Todo fundamento da saúde e da perfeição das nossas almas consiste no amor de Deus.

“Quem não ama está morto. A caridade é o vínculo da perfeição” (Jó 3,14; Cl 3,14)

Mas a perfeição do amor é a união da nossa própria vontade com a vontade divina; porque nisto se cifra — como disse o Areopagita — o principal efeito do amor, em unir de tal modo a vontade dos amantes, que não tenham mais que um só coração e um só querer. Portanto, as nossas obras, penitências, esmolas, comunhões, só agradam ao Senhor enquanto se conformam com sua divina vontade; de outra maneira não seriam virtuosas, mas viciosas e dignas de castigo.

Isto, particularmente, nos manifestou com seu exemplo o nosso Salvador, quando do céu desceu à terra. Isto, como ensina o Apóstolo, disse o Senhor ao entrar neste mundo:

“Vós, meu Pai, recusastes as vítimas oferecidas pelo homem e quereis que vos sacrifique a vida deste corpo que me destes. Cumpra-se vossa divina vontade” (Hb 10,57)

Isto também declarou muitas vezes, dizendo que tinha vindo à terra só para fazer a vontade de seu Pai (Jo 6,38). Quis assim patentear-nos o infinito amor que tem ao Pai, a ponto de entregar-se à morte para obedecer à sua divina ordem (Jo 14,31). Declarou, além disso, que reconheceria por seus unicamente aqueles que fazem a vontade de seu Pai (Mt 12,50) e, por esta razão, o único fim e desejo dos Santos em todas as suas obras tem sido o cumprimento da mesma. O beato Henrique Suso exclama: Continuar lendo

DA SAGRADA COMUNHÃO – PONTO III

Resultado de imagem para comunhão joelhosConsideremos, finalmente, o grande desejo que tem Jesus Cristo de que o recebamos na Santa Comunhão… Sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora… (Jo 13,1), mas por que Jesus Cristo chamava a sua hora aquela noite em que devia começar sua dolorosa Paixão?… É porque naquela noite ia legar-nos este divino Sacramento, com o fim de unir-se ele mesmo às almas queridas de seus fiéis. Este sublime desígnio fê-lo exclamar então: “desejei ardentemente celebrar convosco esta Páscoa” (Lc 12,15), denotando com estas palavras o divino Redentor o veemente desejo que nutria de estabelecer conosco essa união na Eucaristia…

Desejei ardentemente… Assim o obriga a falar o amor imenso que nos tem — disse São Lourenço Justiniano.

Quis ocultar-se sob as espécies de pão, a fim de ser acessível a todos. Se houvesse escolhido para este portento algum alimento esquisito e caro, os pobres não poderiam recebê-lo frequentemente. Outra classe de alimento, mesmo que não fosse seleto e precioso, não se encontraria em toda parte. Por isso, o Senhor preferiu esconder-se sob as espécies do pão, porque o pão facilmente se encontra e todos os homens o podem procurar.

O vivo desejo que tem o Redentor de que com frequência o recebamos sacramentado, movia-o a exortar-nos muitas vezes: “Vinde, comei o pão; e bebei o vinho que vos preparei. Comei, amigos, e bebei; inebriai-vos, meus muito amados” (Pr 9,5; Ct 5,1); venho a vô-lo impor como preceito:

“Tomai e comei; este é meu corpo” (Mt 26,26)

E para nos atrair a recebê-lo, estimula-nos com a promessa da vida eterna.

“Quem come a minha carne, tem a vida eterna. Quem come este pão, viverá eternamente” (Jo 6,55.59) Continuar lendo

DA SAGRADA COMUNHÃO – PONTO II

Resultado de imagem para comunhão véuConsideremos, em segundo lugar, o grande amor que nos manifestou Jesus Cristo ao outorgar-nos este dom preciosíssimo; pois que o Santíssimo Sacramento é dádiva unicamente do amor. Segundo os decretos divinos, foi necessário que o Redentor morresse para nos salvar.

Mas que necessidade há para que Jesus Cristo, depois de sua morte, permaneça conosco a fim de ser sustento de nossas almas?…

Assim o quis o seu amor. Foi unicamente para manifestar-nos o imenso amor que nos tem que o Senhor instituiu a Eucaristia — disse São Lourenço, expressando o mesmo que São João refere em seu evangelho:

“Sabendo Jesus que era chegada a sua hora de trânsito deste mundo ao Pai, tendo amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim” (Jó 13,1)

Isto é, quando o Senhor viu que se aproximava o tempo de afastar-se deste mundo, quis deixar-nos maravilhosa prova de seu amor, dando-nos o Santíssimo Sacramento, como precisamente significam estas palavras: “amou-os até ao fim”, ou seja “amou-os extremamente, com sumo e ilimitado amor”, segundo a explicação de Teofilacto e São João Crisóstomo.

Notemos, como observa o Apóstolo, que o tempo escolhido pelo Senhor para nos fazer este inestimável donativo foi o de sua morte. Continuar lendo