SÃO JOSÉ E AS CRIANÇAS

Resultado de imagem para são joséa) Nas horas em que não havia ninguém na igreja, notou o irmão sacristão que um menino de cinco anos vinha passar longo tempo diante do altar de S. José. Ora encostado à grade, ora de joelhos e ora assentado, ali permanecia horas olhando para o Santo.

O bom irmão sentiu-se impelido a fazer esta breve invocação:

– Ó bom S. José, ouvi a oração dêsse pequenino, não lhe recuseis a graça que vos pede com tanta piedade e inocência!

O pobrezinho rezava pela conversão do pai…

– Amiguinho, disse-lhe o sacristão, se você quer dirigir a S. José uma bela oração, diga: “S. José, rogai por nós”.

Tomou-o ao pé da letra o menino e, trocando de oração, começou a ir e vir diante do Santo e, ajoelhando-se, dizia: “S. José, rogai por nós; S. José, rogai por nós!”

Nisso se ocupava quando chegou sua mãe para buscá-lo. Teve que sair. Duas horas depois, o papai, que havia doze anos não se confessava, entrou na igreja para reconciliar-se com Deus.

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b) Um menino da Diocese de Montpellier contava assim um favor que alcançara de S. José:

” Quando brincava na esquina de uma rua, fui atropelado por um carro que me esmagou contra uma parede; meu corpo tornou-se uma massa informe. O médico não dava nenhuma esperança. Meus pais apressaram-se a chamar um padre para me dar a extrema-unção.

Uma religiosa amiga, muito devota de S. José, enviou-me um cordão bento do Santo.

Pedia-me que me encomendasse a ele com fé e confiança. Assim o fiz.

Dormi logo depois e tive um sonho muito esquisito. Parecia-me estar vendo S. José, que garantia a minha cura. Anunciou-me, além disso, que eu seria padre. Despertei alegre e contente a visão à minha mãe.

O sonho realizou-se. Até esta data estou bom e são… e não penso senão em ser sacerdote”…

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

UM LOBO QUE SE TORNA CORDEIRO

Resultado de imagem para são josé imagemEstava no hospital uma infeliz mulher que, há vinte e dois anos, abandonara sua família para se entregar aos vícios mais vergonhosos. Fôra, enfim, internada naquela casa pela polícia.

A vida que levara, de tal modo a embrutecera que parecia louca; e o médico, não descobrindo nenhuma doença, queria despedi-la do hospital para que não perturbasse os verdadeiros enfermos.

Pediram-lhe as religiosas que a deixasse alguns dias ainda, enquanto recorriam a S. José. Bem inspiradas, vestiram-na com o hábito e com o cordão de S. José e puseram-se a pedir com fervor que êle tivesse compaixão daquela pobre alma.

O auxílio de S. José não se fêz esperar. Poucos dias depois a mulher recobrou a paz, confessou-se com muita dor e arrependimento. Era um verdadeiro lobo e tornou-se tão manso cordeiro que pediu a seu protetor lhe alcançasse antes a morte que voltar à vida de pecado.

Atendeu o Santo a tão pios desejos, vindo a convertida a falecer com os mais sinceros sentimentos de dor. Antes da morte pediu humildemente perdão a todos os que escandalizara com seus vícios.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

RECUPEROU A VISTA

Resultado de imagem para são joséEm Vinovo, aldeia pouco distante de Turim, na Itália, uma moça chamada Maria Stardero teve a desgraça de perder totalmente a vista.

Desejando recuperá-la, fêz uma visita a S. João Bosco, que então construía, com as esmolas do povo de Turim, a magnífica igraja de Maria Auxiliadora. A môça, depois de ter rezado diante de uma imagem de Nossa Senhora, falou com S. João Bosco, que lhe perguntou:

– Faz muito tempo que perdeu a vista?

– Sim, muito; faz um ano que não vejo nada.

– Tens consultado os médicos?

– Ah! padre, já não sabem o que receitar-me.

– Distingues os objetos grandes ou pequenos?

– Não; como disse, não vejo nem pouco nem muito.

– Mas não vês a luz desta janela?

– Não, senhor; nada.

– Queres recuperar a vista?

– Sr. padre, sou pobre e preciso dela para ganhar a vida.

– Servir-te-ás da vista para proveito de tua alma e não para ofender a Deus?

– Prometo-o sinceramente.

– Confia, pois, em Nossa Senhora e S. José. – E, em tom solene, D. Bosco acrescentou: – Para a glória de Deus, da SS. Virgem e de S. José, dize: que é que tenho na mão?

A moça abre os olhos, que antes não viam nada, e diz:

– Uma medalha de Nossa Senhora.

– E isto, que é?

– Um ancião com a vara florida; é S. José.

Estava operando o milagre. Pode-se imaginar a alegria da môça e de seus pobres pais!…

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

SÃO JOSÉ CHAMA O PADRE PARA UM DOENTE

Resultado de imagem para são joséCerto dia, apresentou-se na casa paroquial um ancião desconhecido, pedindo ao padre que fosse socorrer uma agonizante.

Ele mesmo o acompanharia até à casa. Como a rua era de má fama e a noite se aproximava, o padre desconfiou de alguma cilada, mas o ancião insistiu:

– É preciso que o senhor vá logo, porque se trata de administrar os sacramentos a uma velha que está nas últimas.

Partiu o padre levando o Santíssimo e os Santos Óleos. A noite era glacial, mas o velho parecia não senti-lo; ia adiante até chegar a uma casa de péssima reputação; teve o padre um momento de vacilação e temor, mas o ancião animou-o dizendo:

– Eu o esperarei aqui.

Bateu o padre à porta repetidas vezes e, como não abrissem, o ancião deu umas pancadas esquisitas e a porta abriu-se imediatamente.

– O Sr. entre, suba a escada, abra a porta do fundo do corredor e encontrará a agonizante.

Disse essas palavras com tal força e autoridade que o padre não vacilou mais. Encontrou estendida numa cama miserável uma mulher abandonada que repetia aos gritos:

– Um padre! um padre! Deixar-me-eis morrer sem um padre?…

– Filha, aqui estou, sou o padre que a Sra. chama. Um ancião foi buscar-me…
Ela não queria acreditar.
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A POMBA MENSAGEIRA DE SÃO JOSÉ

Resultado de imagem para são josé imagemHá acontecimentos que parecem novelas: que os nossos leitores tomem-nos a seu gosto.

A família do Sr. B… sua esposa e uma filha, Josefina, de 20 anos, havia gozado em N. de uma bela fortuna; mas, a enfermidade do pai e alguns maus negócios a haviam obrigado a viver só do trabalho da filha.

A moça era inteligente, enérgica, alegre e, o que é mais, piedosa. Um dia, porém, voltou para casa com uma notícia triste: não quiseram pagar-lhe as costuras, e comunicaram-lhe que, por algumas semanas, não haveria trabalho.

Que fazer? Que comer? Mas ela não desanima; confia, não nos homens, mas no paternal auxílio de seu poderoso patrono S. José, cuja festa será celebrada no dia seguinte.

Senta-se, escreve num papelzinho a sua situação penosa e, abrindo uma gaiola onde tem uma pombinha mansa, ata-lhe debaixo da asa a sua missiva e, beijando-a, solta dizendo:

– Vai, querida, aonde te guie S. José a fim de que encontres pão para nós e para ti.

Passada meia hora, se muito, eis que se apresenta à entrada da casa um moço que pede para falar com Josefina; acompanhava-o um criado com um pesado embrulho. Diante da família admirada conta que, sendo devoto de S. José, lhe prometera atender o primeiro pedido de auxílio que se apresentasse. Ora, apenas fizera a sua promessa, entrou pela sua janela uma pombinha em cuja asa viu um papelzinho e a petição a S. José.
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A ESTATUAZINHA DE SÃO JOSÉ

Resultado de imagem para são josé estatuaDois carroceiros estavam suas carroças com os escombros de um casarão que fôra demolido. Eram bons e honrados, mas, em matéria de religião, completamente indiferentes e ignorantes. De repente um deles tirou com sua pá do montão de entulho uma estatuazinha de S. José.

– Toma – disse ao seu companheiro – um deusinho…

– Não o quebres: isto te traria má sorte.

– Tu crês em contos de avozinhas?

– É melhor que mo dês, pois, embora não sendo muito de igreja, prefiro levar um santinho para minha casa a atirá-lo no carro. Isso me sairia mal depois.

– Tens razão, replicou o outro, lembrando-se talvez do tempo de sua primeira comunhão: é melhor levá-lo…

Passaram-se anos. O carroceiro era já um velho inválido, estendido num leito de madeira carcomida. No quarto, duas cadeiras desconjuntadas, uma mesinha cambaleante e uns pedaços de cobertores. Acabava seus dias na miséria. A seu lado uma netinha de treze anos…

– Vovô, o Sr. quer, eu vou chamar o padre que nos dá catecismo; ele é bom.

– Não, filha, ainda não estou tão mal…

É sempre assim. Os pobrezinhos nunca julgam estar muito mal. Mas S. José cuidou dele.

– Mariazinha, traga-me a estátua de S. José que está ali… ela quer me falar… eu a ouço…

– Pobre vovô! a febre devora-o…

Põe-lhe nas mãos a imagem de São José e põe-se a chorar. Parece-lhe chegado o momento de insistir:

– Vovozinho, o Sr. quer falar com o vigário? Ele é tão bom; o Sr. conhece…

– Falar? falar é coisa muito vaga; diga-lhe que quero confessar-me, ouviu?

– Obrigada, meu S. José. Salvais a quem vos respeitou; obrigada, obrigada, dizia a menina, correndo em busca do padre.

Reconciliado com Deus, e beijando a estatuazinha, dizia às pessoas presentes: – Não vos esqueçais de Deus, dos deveres religiosos, da missa aos domingos. Eu não fazia nada disso e estou arrependido. S. José me salvou.

Alguns dias depois o velho carroceiro morria santamente abraçado à estatuazinha do seu grande benfeitor S. José.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

SÃO JOSÉ E A PRIMEIRA COMUNHÃO

Resultado de imagem para são joséO célebre Pe. Leonard, grande missionário na Itália, chorava toda vez que tinha de pregar um retiro de primeira comunhão.

– Mas, Padre, que é que tem o Sr.? perguntavam-lhe.

– Ah! não sabeis (respondia) que se preparam para o dia da primeira comunhão vários calvários, onde Jesus Cristo será de novo crucificado? Nada mais comum do que este crime entre os meninos. Não sabeis que muitos ocultam seus pecados na confissão; outros se confessam mal; outros não têm arrependimento; outros, enfim, não compreendem a grandeza do ato que vão fazer? Por pouco que se ame a Deus, é impossível não chorar e não sentir horror de semelhante atentado.

Impressionado com estas palavras, um piedoso Diretor de Colégio mandava rezar todos os dias do mês de março para que nenhum dos alunos cometesse tão horrendo pecado.

Nove dias antes da comunhão deviam fazer uma novena a S. José, a fim de que todos se preparassem bem para a primeira comunhão e não se encontrasse nenhum Judas entre os mesmos. Certa vez, no último dia da novena, véspera da primeira comunhão, um menino muito sobressaltado veio cedinho à procura do confessor, dizendo-lhe antes de confessar-se.

– Padre, a noite passada não pude dormir. Parecia-me ver S. José, que, irado, me dizia: “Infeliz, pedem-me os meninos que não haja entre eles nenhum Judas e tu queres ser um, pois ocultaste teus pecados de impureza”… É por isso que aqui estou para reparar todas as minhas confissões sacrílegas e dizer-lhe tudo o que tenho na consciência.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

OS TRÊS DEGRAUS DA FORCA

Imagem relacionadaEra no tempo da famosa rainha Isabel que governou a Inglaterra de 1558 a 1603. Foi uma rainha cruel e mandou matar fria e injustamente a muitíssimos de seus vassalos simplesmente por serem católicos convictos e fervorosos.

Entre as inúmeras vítimas de seu ódio satânico estava João Post, natural de Pereth (Cumberland), grande devoto da Mãe de Deus. Ainda na hora trágica da morte deu prova desta sua devoção.

Foi assim: Ao ser conduzido à forca, em presença de inúmeras espectadores, ajoelhou-se no primeiro degrau da forca e rezou em voz alta: ” O anjo do Senhor anunciou a Maria; e ela concebeu do Espírito Santo”. E rezou logo em seguida uma Ave-Maria.

Subiu, depois, ao segundo degrau e rezou com voz forte: “Eis aqui a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a vossa palavra. E rezou outra Ave-Maria.

Subiu, enfim, ao terceiro degrau, que era o último do cadafalso, ajoelhou-se pela última vez e rezou: “E o Verbo de Deus se fez homem e habitou entre nós”. Rezou a terceira Ave-Maria, encomendando-se fervorosamente a Nossa Senhora.

Entregou-se então ao carrasco e sofreu heróicamente o martírio, sendo enforcado por causa de sua fé inabalável em Jesus Cristo e na santa Igreja Católica.

Meu irmão, também nós estamos condenados à morte. Todos havemos de morrer. Pode-se dizer que nos aproximamos dela, subindo também três degraus: um pela manhã, outro ao meio-dia e o terceiro à tarde.

Imitemos o exemplo desse santo mártir, rezando três vezes ao dia, como é costume entre os bons católicos, o “Anjo do Senhor”.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

ESCAPARAM DA GUILHOTINA

Resultado de imagem para moça rezandoFoi em Paris, na época mais triste da Revolução Francesa. Para alguém ser preso e condenado à morte, bastava que o acusassem de monarquista ou católico intransigente.

Também os pais de Júlia Janau, uma criança de 11 anos, foram presos por causa de sua religião. Júlia, que ficara só com uma velha criada, chorava dia e noite, temendo pela sorte de seus pais.

Em sua grande aflição rezava continuamente o rosário à compassiva Mãe do Céu para que salvasse seus pais. Essa devoção do rosário ensinara-lhe sua boa mãe, dizendo-lhe que, em todo o perigo e necessidade, recorresse a Maria com muita confiança e seria socorrida.

Estava a menina ajoelhada, rezando o seu rosário, quando um representante do partido revolucionário penetrou na casa à procura de mais alguma vítima para a guilhotina.

À vista daquela criança, inocente e tímida, o carrasco sentiu-se inexplicávelmente comovido.

Dirigindo-se à pequena, perguntou: Continuar lendo

UM PECADOR SE CONVERTE

Resultado de imagem para leito de morteDiz S. Brígida que “assim como o magnete atrai o ferro, assim também Maria Santíssima atrai a Deus os corações”. É um fato.

Um dia foi S. Francisco Regis chamado para um enfermo que não queria de modo algum preparar-se para a morte. O infeliz negava-se a aceitar os socorros da religião, sabendo embora que o seu fim era iminente. Convencendo-se S. Francisco de que os meios humanos eram inúteis, tirou de seu breviário uma imagem de Nossa Senhora e, mostrando-a ao enfermo, disse:

– Olha! Maria te ama.

– Como! – replicou o pecador, como se acordasse de um sonho – então ela não me conhece.

– Mas eu sei que ela te ama! tornou o santo.

– Então ela não sabe que reneguei a minha fé e desprezei a minha religião?

– Sabe.

– Que insultei a seu Filho e calquei aos pés o seu sangue?

– Sabe.

– Que estas mãos estão manchadas de sangue inocente?

– Sabe.

– Padre, o Sr. fala a verdade? Continuar lendo

ÚLTIMA AVE-MARIA, ÚLTIMO SUSPIRO!

Imagem relacionadaAchava-se num asilo de velhos um antigo soldado que, apesar de sua vida de caserna e acampamento, se conservava dócil e acessível às verdades religiosas.

Um sacerdote, que o visitava com freqüência, falou-lhe da devoção do rosário e ensinou-lhe o modo de rezá-lo.

Deu-lhe a Irmã um rosário e o velho militar achou tamanho consôlo em rezá-lo, que sentia muito não o ter conhecido antes, dizendo que o teria rezado todos os dias.

– Irmã, (perguntou um dia), quantos dias há em sessenta anos?

– A Irmã fez o cálculo e respondeu:

– 21.900 dias.

– Irmã, e quantos rosários teria eu que rezar cada dia para, em três anos, chegar a êsse número?

– 20 cada dia, disse-lhe a Irmã.

Daí em diante viam-no, dia e noite, com o rosário na mão.

Após três anos de sofrimentos, suportados com grande paciência, chegou ao seu último rosário.

Ali o esperava a morte, pois não viveu nem um dia nem uma hora mais. Ao terminar a última Ave-Maria, deu o último suspiro, entregou sua alma a Deus.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

SALVO PELO ROSÁRIO

Imagem relacionadaEra em maio de 1808. Os habitantes de Madrid tinham-se levantado contra o intruso José Bonaparte, que usurpara o trono dos Bourbons.

Os insurretos, cheios de ódio contra os franceses, matavam sem piedade os soldados que podiam surpreender nas ruas e nas casas.

Certa manhã encontrou-se o célebre Dr. Claubry com uma turba de insurretos que, pelo seu traje, viram que pertencia ao exército invasor.

O Dr. era grande devoto de Nossa Senhora e pertencia à Confraria do Rosário.

Naquele dia mesmo recebera a comunhão numa igreja dedicada a Nossa Senhora e voltava tranquilamente para casa.

Quando percebeu o perigo, levantou as mão ao céu e invocou os santos nomes de Jesus e Maria.

Já estavam prestes a matá-lo, acoimando-o de renegado e ímpio, quando uma feliz ideia lhe passou pela mente.

– Não, disse, não sou infiel nem blasfemo e se querem uma prova, vede o que tenho comigo. E mostrou-lhes o rosário que estava rezando.

Diante disso os assaltantes baixaram imediatamente as armas, dizendo:

– Este homem não pode ser mau como os outros, pois reza o rosário.

Precisamente naquele instante, como que enviado por Nossa Senhora, surgiu ali o sacristão da igreja em que o Doutor comungara e, vendo-o cercado pelos insurretos, gritou bem alto:

– Não lhe façam mal; é devoto de Nossa Senhora; eu o vi comungar esta manhã em nossa igreja.

Ouvindo isto, os agressores acalmaram-se, beijaram o crucifixo do rosário de Claubry e levaram-no a um lugar seguro.

Regressando à sua pátria, o piedoso Doutor publicou o favor recebido e continuou tôda a sua vida rezando o rosário.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

A DEVOÇÃO A MARIA DÁ VALOR

Resultado de imagem para santíssima virgemMuito tempo faz encontrava-se entre os religiosos trapistas de Sept-Fons, na França, um irmão leigo, muito velho e enfermo, que tinha na mão o seu rosário.

Era o irmão Teodoro, o qual outrora fora um soldado valoroso.

Quando em 1812 o exército francês, vencido voltava da Rússia, a coluna de Teodoro, extenuada de cansaço e de fome, encontrou-se em frente de uma bateria russa que barrava o caminho de fugida.

Um verdadeiro desespero se apoderou de todos: oficiais e soldados atiravam suas armas ao solo. Que fazer? Era no rigor do inverno e haviam caminhado longas horas sobre a neve e o gelo. Que fazer? Voltar era impossível. Ir adiante?

Ali estava a poderosa bateria inimiga. Permanecer naquele posto? Era condenar-se a morrer de frio e de inanição.

De repente adianta-se um oficial:

– Venham comigo os valentes!…

Coisa rara nos anais de nossa guerra: nem uma voz respondeu.

Engano-me. Um só homem, um só, o irmão Teodoro, saiu da fila dizendo:

– Irei sozinho, se o Sr. quiser.

Dizendo isto, tira a mochila e o fuzil e ajoelha-se na neve, persigna-se diante de todos e reza uma dezena do rosário com fervor como nunca. Toma novamente o fuzil e, de cabeça baixa, lança-se a passo de carreira, com tanta confiança como se dez mil homens o seguissem.

Estava para alcançar a bateria inimiga, quando os russos, crendo que os franceses queriam apanhá-los pelas costas, enquanto se ocupassem de um só inimigo, abandonaram sua peça e bagagem e fugiram.

Dono do campo, disse nosso herói com admirável naturalidade:

– Eis aí! para sair de apuros, não há coisa melhor do que rezar o rosário.

O oficial entusiasmado corre para ele, tira sua própria Cruz de Honra e pendura-a ao peito do jovem, exclamando com lágrimas nos olhos:

– Valente soldado, tu a mereces mais do que eu!

– Comandante (respondeu Teodoro), não fiz mais do que meu dever.

Cinquenta anos mais tarde, com seu hábito de trapista, quando, no mais rigoroso inverno, passava a maior parte do dia de joelhos rezando o rosário, gostava de repetir:

– Não faço mais do que o meu dever!

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

O SENHOR AMA A SUA MÃE?

Resultado de imagem para santíssima virgemFoi um valente soldado o cabo Pedro Pitois, que fez essa pergunta a Napoleão.

Pedro estava sempre na primeira linha de combate, não temia as balas inimigas, e, a 6 de julho de 1809, na batalha de Wagram, ainda pelejou valorosamente.

Depois desapareceu. Desertara do exército… Não demorou muito foi preso e condenado à morte.

– Tu, um dos mais valentes, por que fizeste isso? perguntavam-lhe os companheiros.

– Não me arrependo – respondia – não fiz mal.

À meia-noite, na véspera da execução, um oficial entrou na cela de Pedro. Era Napoleão e o preso não o reconheceu.

Tomando-o o pela mão, o Imperador disse-lhe com carinho: “Amigo, eu como oficial sempre admirei o teu valor nos combates. Agora venho saber se tens alguma recordação para tua família, que a enviarei depois da tua morte.

– Não, nenhuma.

– Não queres mandar um adeus a teu pai, a teus irmãos ou irmãs?

– Meu pai é falecido; não tenho irmãos nem irmãs.

– E a tua mãe?

– Ai! não a nomeie, porque, quando ouço nomeá-la, tenho vontade de chorar e um soldado não deve chorar.

– Por que não? replicou Napoleão. Eu não teria vergonha de chorar ao lembrar-me de minha mãe.

– Ah! o Sr. quer bem a sua mãe? Vou contar-lhe tudo.

De tudo que existe no mundo, nada amei tanto como minha mãe. Quando parti, deu-me sua bênção e disse-me: “Se me amas, cumpre o teu dever”.

Nas batalhas, diante das balas, sempre me recordei de suas palavras. Não tinha medo algum. Um dia soube que estava gravemente enferma; pedi licença para ir abraçá-la pela última vez e… não me deixaram partir. Recebi, afinal, a notícia de que falecera e pedi licença para ir vê-la ao menos morta. Segunda vez me disseram que não. Não aguentei mais: era preciso ir depositar uma flor ao menos sobre a sua sepultura. Fui, chorei e recolhi esta flor de miosótis que aqui trago sobre o meu coração. Morrerei amanhã, mas a morte não me amedronta.

Napoleão, depois de algumas palavras de conselho, retirou-se grandemente comovido. No outro dia foi o preso conduzido ao lugar do suplício.

Estando a guarda para disparar, chegou o Imperador a cavalo, poupou a vida de Pedro Pitois e nomeou-o oficial.

– Amais a vossa mãe do céu?

Respondereis certamente com S. Estanislau: “Como não a hei de amar, se é minha Mãe?”

E ela vos diz: “Cumpri o vosso dever, e eu vos alcançarei a perseverança, a graça final”.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

O ROSÁRIO NOS PERIGOS

Resultado de imagem para rosárioJá faz bastante tempo, deu-se na cidade de Cartago, na república de Costa Rica, um terremoto tão violenta que a destruiu quase por completo.

A Revista “América”, dos Jesuítas de Nova York, narrando os pormenores da pavorosa catástrofe, chamou a atenção dos leitores para o fato seguinte:

Ezequiel Gutiérrez, que fôra presidente daquela república, no momento do cataclismo, achava-se em sua casa rezando o rosário acompanhado de toda a sua família. Algumas pessoas quiseram interromper a reza e fugir para a rua, mas o chefe obrigou-as a ficar até terminar o rosário.

Acabada a oração, saíram à rua e qual não foi o assombro de todas ao verem as casas convertidas em ruínas. Em toda a redondeza nenhum edifício ficara intacto; a desolação era completa; somente a casa do ex-presidente não sofrera nenhum dano, nem sequer um abalo.

Evidentemente Nossa Senhora a tomara sob a sua especial proteção, porque ali se rezava o seu rosário.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

NOSSA SENHORA E O FAMOSO CAÇADOR

Imagem relacionadaCerto manhã, pouco antes do almoço, descia do trem em Lourdes um senhoraço, completamente indiferente, que mal se resolvera a acompanhar a esposa e a filha ao balneário. Não pensava em demorar-se ali mais que o tempo que medeia entre dois trens: era tudo o que conseguiram alcançar dele a esposa e a filha.

Apenas lá chegadas, correram as duas à gruta para rezar pelo chefe da família, que tanta pena lhes causava por sua irreligião.

Ele, porém, mais preocupado com o estômago do que com a alma, foi à procura do melhor hotel e, chamando o garçom, disse:

– Enquanto espero minha senhora e minha filha prepare para nós três um bom almoço.

– Deseja o Sr. comida como de sexta-feira?

– Como? De sexta-feira?

– É que hoje é dia de abstinência e quase toda gente o guarda, pelo menos aqui.

– Que me importa o dia? diz o livre-pensador. Ora essa! O almoço tem que ser substancioso, e demais sou caçador, quero carne, ouviu?

O garçom inclinou-se respeitoso e deu ordem ao cozinheiro de preparar bife, frango, etc.

Acendendo um bom charuto, o nosso homem dizia de si para si:

– Não hão de dizer que não vi a famosa gruta… irei ver aquilo.

Chegou lá muito antes que as duas senhoras tivessem terminado suas visitas à gruta, à basílica e à cripta, em toda a parte rezando e suplicando por seu querido rebelde… Continuar lendo

SALVO POR NOSSA SENHORA

Resultado de imagem para desesperoUm jovem seminarista francês, por instigação de um parente, abandonou a vocação.

Seus pais e mestres fizeram tudo para abrir-lhe os olhos e segurá-lo. Obstinou-se e partiu para a capital, onde conseguiu ótima colocação e ganhava bom dinheiro. Desgraçadamente seus maus amigos o arrastaram aos vícios e de suas práticas religiosas só conservou o “Lembrai-vos”, que todas as noites rezava em louvor de Maria Santíssima.

Ao cabo de alguns anos perdeu a colocação e caiu na mais profunda miséria; e, como já não contava com o auxílio da religião, entregou-se ao desespero e resolveu acabar com a vida. Ia já lançar-se ao rio para afogar-se, quando, por inspiração singular, quis antes rezar o seu “Lembrai-vos” a Nossa Senhora. Ajoelhou-se e rezou…

Ao levantar-se, um terror estranho se apoderou dele: parecia-lhe ver um abismo aberto e fogo abrasador diante de seus olhos; em sua mente agitada pelo remorso começavam a despertar as recordações da infância. Percebeu que um passo apenas o separava do inferno. Fugiu atemorizado pelas ruas de Paris, sem saber aonde ia… Ao acaso? Não. Nossa Senhora guiou-lhe os passos até uma igreja, em que entrou arrastado por uma força invisível.

Uma grande multidão de fiéis rezava em silêncio diante da imagem de Maria adornada de luzes e flores.
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UM SACRISTÃO E UMA VOZ MISTERIOSA

Resultado de imagem para nossa senhora das dores barrocoNa pequena cidade de Ostra-Brama, Polônia, há uma bela igreja onde, há séculos, se venera uma devota imagem de Nossa Senhora das Dores.

No mês de março de 1896, um forasteiro, falando polonês com sotaque russo, apresentou-se ao sacristão com dois grossos círios, dizendo que queria ardessem diante da milagrosa imagem até se acabarem.

– Fiz promessa – disse – que fiquem acesos até amanhã depois da missa sem que se apaguem. Tendo um grande negócio, que amanhã se há de decidir e só me resta este tempo para recomendá-lo a Nossa Senhora. Se quiser, irei junto para colocá-los na igreja.

– Eu o farei com gosto – replicou o sacristão – mas o caso é que, quando se deixam luzes na igreja, tenho de passar a noite lá, por temor de um incêndio.

– Sei – disse o desconhecido – mas por esse seu trabalho dou-lhe agora mesmo dois rublos.

A filha do sacristão preparou ao pai a ceia e roupas quentes e o russo foi com ele acender os círios, rezou alguns minutos e foi-se embora.

O sacristão, uma vez sozinho, tocou as Ave-Marias, fechou as portas, rezou sua oração da noite, sentou-se numa cadeira, na sacristia, e logo começou a cochilar.

De repente ouve uma voz que lhe grita:

– Apaga, apaga os dois círios!

Assustado, levanta-se, olha para todos os lados e não vê ninguém. Julga ter sido um sonho e torna a dormir; mas, pouco depois, desperta-o a mesma voz misteriosa:
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DEUS ME CHAMA

Resultado de imagem para leito de morteUm missionário Lazarista, falecido na Itália em fins do século passado, pregava retiro a umas jovens de Constantinopla precisamente nos dias em que a cólera invadia a infeliz cidade.

Na manhã do terceiro dia, bem cedo, viu o missionário chegar uma das jovens retirantes, que lhe disse:

– Padre, desejo confessar-me e fazer uma boa comunhão esta manhã. Depois da missa lhe direi o motivo.

Comungou com singulares mostras de fervor. Depois da ação de graças veio dizer-me:

– Padre, esta noite, passei-a acordada e tive a sensação de que chegara para mim o momento da morte e minha alma, separada do corpo, era levada por meu anjo da guarda ao tribunal do soberano Juiz.

Já não era o Salvador tão bom e misericordioso, de que tantas vezes nos falam os padres, mas um juiz inexorável. Iam chegando todas as partes do mundo inúmeras almas; muitas iam para o inferno, bastantes para o purgatório, muitas poucas diretas para o céu.

Perturbada e atemorizada, levantei os olhos e – ó felicidade! – minha boa Mãe, a Imaculada, ali estava a olhar para mim com uma doçura infinita. Animada com esta vista, do fundo do meu coração saiu o grito que repetia muitas vezes na terra: ” Boa Mãe, Mãe do Perpétuo Socorro, socorrei-me, salvai-me!”

Estava eu aos pés do tribunal de Deus e a minha sorte eterna ia decidir-se num instante.
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CASTIGO DE UM ESTUDANTE

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Dois estudantes perversos iam certo dia pelo caminho que conduz ao santuário de Nossa Senhora se Ostaker, onde muitos enfermos recobram a saúde, bebendo água da fonte milagrosa.

Discorriam ambos sobre como se divertiriam naquele feriado, quando um exclamou:

– Sabes o que vamos fazer?

– Não.

– Um milagre; sim, um autêntico milagre. Não te rias e ouve-me. Vendar-te-ei os olhos, tu te fingirás de cego e eu te levarei à fonte.

– E depois?

– Quando chegarmos, começarás a rezar, lavarás os olhos com a água, e gritarás que estás curado, que estás vendo… assim pregaremos uma peça aos devotos. Não te parece divertido?

– Sim, ótimo. E quando voltarmos, contaremos o prodígio aos jornais e como se rirão aos leitores desses pobres imbecis que vão lá buscar saúde. Falarão de nós e nos tornaremos célebres…

– Vamos…

Assim foram nossos dois comediantes, fazendo cada um o seu papel, até a fonte milagrosa. Como sempre, havia ali muitos peregrinos. Vendo os dois jovens, aproximaram-se com sinais de simpatia como fazem os bons cristãos com os enfermos. Todos se puseram a rezar enquanto o jovem ímpio se aproximava da fonte para se lavar.
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UM CASTIGO E UMA GRAÇA

Resultado de imagem para imagem nossa senhora barrocaO Sr. Beauveau, marquês de Novian, deveu a sua conversão e vocação religiosa à Companhia de Jesus a uma vitória sobre o respeito humano para honrar a Nossa Senhora.

Em 1649, estando as tropas alemãs na Alsácia-Lorena, alguns soldados alojados em Novian, depois de haverem bebido em excesso, puseram-se a jogar. Um deles, depois de haver perdido no jogo, vendo uma estátua de Nossa Senhora colocada na parede, ficou furioso como se fora ela a causa de sua falta de sorte, e começou a golpeá-la proferindo horríveis blasfêmias. Apenas terminara, caiu por terra com um tremor em todo o corpo e dores tão fortes e contínuas que foi impossível fazê-lo tomar alimento durante quatro ou cinco dias. Tendo a tropa recebido a ordem de partir, ataram o infeliz em seu cavalo para que acompanhasse a marcha.

Soube-se que, à força de agitar-se, caíra da montaria e morrera no caminho, mordendo a terra espumando de raiva.

Naquela vila falou-se, por muito tempo, do exemplar castigo do blasfemo. Dois anos após, a pedido de um missionário, resolveu-se fazer um ato solene de reparação. Para esse fim foram àquela casa em procissão o vigário, o missionário, alguns outros sacerdotes e o povo de Novian com o marquês à frente.

Chegados ao lugar, por mais que o padre chamasse a alguns homens, nenhum se apresentou para levar a imagem à igreja. O Sr. Beauveau, indignado com semelhante indiferença para com Nossa Senhora, sentiu-se interiormente movido a levá-la ele mesmo. Apesar do respeito humano e de parecer beato aos olhos daquela gente, tomou a imagem e levou-a com respeito à capela do castelo onde, por ordem do Bispo, foi colocada com todas as honras. Maria Santíssima não tardou a recompensar esse ato de piedade, pois, segundo declarou ele mesmo, começou o marquês a receber tal abundância de graças e tão fortes inspirações para a vida perfeita que não só se tornou um cristão modelo, mas ainda abraçou a vida religiosa, onde viveu e morreu santamente.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

ENTRE NA MINHA GUARITA!

Resultado de imagem para exercito rezandoO veterano capitão Hurtaux, cavaleiro da Legião de Honra, não era católico praticante. Tinha, como muitos homens, certo temorzinho ou respeito humano de chegar-se à confissão.

Muito antes de dar o passo definitivo, gostava de invocar a SS. Virgem, indo rezar no santuário de Nossa Senhora em Chartres, onde morava.

Um dia, estando de joelhos diante de um grande Cristo na catedral, viu que um sacerdote, que o conhecia e tinha a franqueza de um militar, se aproximou, bateu-lhe no ombro e disse:

– Capitão, pouco adianta estar o Sr. aí a rezar, se não se põe na graça de Deus.

E tomando-o pelo braço acrescentou:

– Entre na minha guarita.

O capitão deixou-se levar, fez a sua confissão e saiu com o rosto radiante e a alma revestida da graça de Deus. Foi desde esse dia um cristão modelo: todos os dias fazia a sua hora de guarda aos pés de Nossa Senhora e não se levantara sem lançar um afetuoso olhar para a Mãe do céu.

Um dia, afinal, já não pôde ir fazer a guarda e teve Nosso Senhor, sem dúvida acompanhado de sua Mãe, que vir ao leito de morte de seu servo.

Recebeu os sacramentos com fé viva e, ao apresentar-lhe o padre a sagrada Hóstia, exclamou:

– Senhor, não sou digno… não sou digno que venhais à minha casa, mas sois tão bom!

O capitão não se envergonhava de suas crenças nem dissimulava suas práticas piedosas e sabia tapar a boca dos que o interpelavam.

– Aonde vais? perguntou-lhe certo dia um amigo, ao vê-lo dirigir-se a uma igreja.

– Vou aonde tu deverias ir e não tens coragem.

Com este seu gênio tão simples como firme granjeara o respeito de todos.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

O SORRISO DA IMACULADA

Imagem relacionadaQuatro anos após a definição do dogma da Imaculada Conceição, Nossa Senhora se dignou baixar à terra para confirmar de um modo estupendo a declaração do Papa Pio IX, de santa memória.

Foi em Lourdes, na França, que Nossa Senhora apareceu repetidas vezes à inocente Bernadete e na última aparição disse: Eu sou a Imaculada Conceição.

Quem refere o seguinte episódio não é nenhum devoto, nem sequer bom cristão. Ele escreve:

” Quando já se falava muito das aparições de Lourdes, achava-me em Cauterets, povoação próxima de Lourdes, mais para distrair-me do que para curar-me.

Achei graça ao ouvir que a Virgem sorrira para Bernadete e resolvi ir a Lourdes para ver a Vidente e surpreendê-la na mentira. Fui a casa dos Soubirous e encontrei Bernadete sentada à porta cerzindo umas meias. Pareceu-me o seu rosto bastante vulgar; apresentava sinais de enfermidade crônica ao par de muita doçura. A instâncias minhas contou-me as aparições com toda a simplicidade e convicção.

– Mas é verdade que a Virgem sorriu?

– Sim, sorriu.

– E como sorria?

– A menina olhou-me com ar de espanto, e disse

– Mas , senhor seria preciso ser gente do céu para repetir aquele sorriso.

– Não o poderia repetir para mim? Sou incrédulo e não creio nas aparições.

O rosto de Bernadete tornou-se triste e severo.

– Então julga o senhor que menti?

Senti-me vencido. Não, aquela menina tão cândida não podia mentir. Ia pedir-lhe desculpas, quando ela acrescentou:

– Bem; se o senhor é um pecador, tentarei imitar o sorriso de Nossa Senhora.

A menina ergueu-se lentamente, juntou as mãos e um reflexo celeste iluminou seu rosto. Um sorriso divino, que jamais vi em lábios mortais, encantou os meus olhos… Sorria ainda, quando caí de joelhos, vencido pelo sorriso da Imaculada nos lábios da ditosa Vidente.

Desde aquele dia nunca mais se me apagou da imaginação aquele sorriso divino. Passaram-se muitos anos, mas a sua recordação enxugou-me muitas lágrimas ao perder minha esposa e minhas duas filhas… Parece-me estar só no mundo e vivo no sorriso da Virgem”.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

NÃO IREI DORMIR EM PECADO

Resultado de imagem para confissão criançaQuando fez a sua primeira comunhão, tomou um menino a resolução de nunca ir dormir em pecado mortal na consciência.

O seu propósito era: “Se tivesse a desgraça de cair em falta grave, irei confessar-me no mesmo dia e não irei para a cama antes de me haver conciliado com Deus”.

Alguns meses mais tarde teve a fraqueza de cometer um tal pecado. Era sábado, fazia mau tempo e a igreja era distante. Ele dizia:
– Amanhã, quando for à missa, procurarei o confessor e me confessarei.

Lembra-se, porém, de sua promessa e uma voz interior lhe diz:
– Fazei o que prometeste, vai te confessar…

Contudo, não se resolvia ir e, nessa luta, ajoelhou-se e implorou o auxílio de Nossa Senhora, rezando uma Ave-Maria para que lhe fizesse conhecer a vontade de Deus. Apenas terminara a sua oração, sentiu-se mais vivamente impelido a ir confessar-se imediatamente. Levanta-se, corre à igreja e confessa-se.

De volta encontra-se com sua madrinha, que lhe pergunta de onde vem.

– Acabo de confessar-me, diz com rosto alegre e feliz: cometi um pecado e não quis ir dormir sem alcançar o perdão; agora, sim, tendo recuperado a graça de Deus, posso dormir tranquilo…

Sua mãe tinha o costume de deixá-lo dormir um pouco mais aos domingos; por isso não foi despertá-lo cedo. Às sete horas bate à porta, chama-o pelo nome… Não responde. Passa um quarto de hora e o menino não aparece. Chama-o de novo, mas sem resultado algum.

Inquieta, abre a porta, abeira-se da cama onde o filho jaz imóvel; pega-lhe, está fria; fixa-o um instante, dá um grito e desmaia… O menino estava morto!

E se não tivesse ido confessar-se?

 

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

OS DOIS SOLDADOS

Imagem relacionadaFoi na guerra de 1914-18. Um soldado francês narra o seguinte fato:

“Nunca me esquecerei de um episódio, que eu mesmo presenciei. Atacamos à tarde; depois de algumas oscilações, penetramos na trincheira inimiga, onde jaziam cadáveres horrendamente massacrados pelos canhões 75.

No momento do novo ataque, uma metralhadora inimiga camuflada abateu alguns dos nossos; eu fui um deles. Passados os primeiros instantes de terrível impressão pelo ferimento recebido, olhei ao redor. Dois soldados jaziam por terra agonizantes: um alemão, bávaro, louro e muito moço, com o ventre dilacerado, e ao lado dele um francês, igualmente jovem. Ambos manifestavam já a palidez da morte; a minha maior dor era de não poder mover-me para socorrer ou ao menos suavizar a morte do meu camarada.

Foi quando o francês, com supremo esforço, procurou com a mão alguma coisa que estava sobre o peito, debaixo do capote. E tirou um pequeno crucifixo que levou aos lábios; depois, com voz fraca, mas ainda clara, rezou: Ave, Maria…

Vi então outra coisa. O alemão, que até aquele momento não dera sinal de vida, abriu os olhos azuis e meio apagados, virou a cabeça para o francês e respondeu: Santa Maria Mãe de Deus…

O francês, um tanto, surpreendido, olhou para o seu vizinho; seus olhares encontraram-se; o francês apresentou o crucifixo ao bávaro, que o beijou; apertaram-se as mãos num frêmito de amor a Deus e à pátria; seus olhos fecharam-se, e o espírito desprendeu-se do corpo, enquanto o sol os iluminava através de púreas nuvens… “Amém, disse, e fiz o sinal da cruz”.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

UM GRANDE DEVOTO DE MARIA

Resultado de imagem para Garcia MorenoO célebre presidente da República do Equador, Garcia Moreno, assassinado pela maçonaria em 1875, era devotíssimo de Nossa Senhora.

Achando-se um dia entre operários irlandeses, que mandara vir dos Estados Unidos para montar uma serraria mecânica, interrogou-os sobre os costumes religiosos de seu país e perguntou-lhes se sabiam algum cântico em honra de Maria Santíssima.

Os bons irlandeses puseram-se logo a cantar. Garcia Moreno ouvia-os cheio de comoção. Terminado o cântico, perguntou:

– Vós, irlandeses, amais muito a Nossa Senhora?

– Sim, senhor, de todo o coração, – responderam.

– Então, meus filhos, acrescentou o Presidente, ajoelhemo-nos e rezemos o rosário, a fim de que preserveis no amor e no serviço de Deus.

E todos, ajoelhados ao redor do Presidente, rezaram, com grande fervor e com os olhos úmidos de pranto, a coroa mariana.

Foi na devoção a Nossa Senhora que Garcia Moreno encontrou a força daquela fé viva que, diante dos assassinos, lhe pôs nos lábios, como um grito de desafio, a palavra memorável: “Deus não morre!”

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

VALOR DIGNO DE IMITAÇÃO

1O famoso orador P. Sarabia narra o seguinte fato.

“Vivíamos então em plena revolução comunista. As greves socialistas tinham envenenado os nossos operários e cada dia era maior o número dos que militavam sob bandeiras vermelhas. Eram muitos e muito ousados… porque os governos liberais não defendiam os direitos da ordem e da verdade.

Poucas eram as procissões, que, naquele tempo, saíam à rua; em algumas regiões, as poucas que saíam raramente voltavam à igreja em paz sem serem molestadas.

Certo dia, em Bilbao, os católicos organizaram uma soleníssima procissão. Todas as forças católicas, levando suas bandeiras e estandartes, haviam de subir ao santuário de sua rainha e Senhora, a Virgem de Begoña.

E marchavam aquelas filas intermináveis de fervorosos católicos, ao som de magníficos hinos religiosos, com a fronte erguida e o coração tranquilo… e marchavam como quem exerce um direito e representava a verdade e a glória. De repente ouve-se um tiro… Houve um momento de confusão… Soou outro tiro… e logo mais outro… Não restava dúvida, os ferozes socialistas estavam escondidos atrás de alguma sacada e dali descarregavam suas armas, impunemente, sobre os católicos… Houve um momento em que as filas se cortaram e alguns correram a esconder-se nas estradas das casas. Não foi mais do que um instante.

Logo se refizeram os valentes bilbaínos e subiam à igreja à frente da santa imagem de sua Rainha e Senhora. E não eram poucos os valentes que se metiam pelas ruas e pelas casas à caça dos covardes que pretendiam estorvar o triunfo da Virgem.
Contudo os tiros aumentavam… O alvo preferido era o estandarte da Imaculada carregado pela presidente das Filhas de Maria… Estava já várias vezes perfurado de balas…
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DIANTE DA IMAGEM DE MARIA

jovemEra Margarida uma jovem de dezesseis anos. Seu pai fora maçom; sua mãe, nada piedosa.

Educaram-na numa escola onde não se pronunciava o nome de Deus; mas Nosso Senhor amava aquela menina. De caminho para a escola, ao passar por uma igreja, sentia-se impelida a entrar a ali permanecia algum tempo a olhar para o altar.

Muitas vezes e de maneira maravilhosa falou Deus ao coração daquela menina, que, às escondidas, chegou a confessar-se e a comungar.

A falta de religião no lar bem depressa a fez esquecer essas inspirações divinas.

Não era má, nunca dera escândalo, mas nunca rezava nem ia à Missa. Só pensava em divertir-se com as amigas, entregando-se com elas a bailes e passeios. Deus, porém, não permitiu que seu coração se manchasse de impurezas.

Era o primeiro dia da novena de Nossa Senhora do Carmo. Algumas moças, levando jarros, velas e flores, entraram na igreja, onde ia começar a novena solene. Margarida, que passava por ali com suas alegres companheiras, sentiu um não sei o quê no coração e, dirigindo-se às outras, disse: Continuar lendo

NÃO CHORES, MINHA MÃE

estaCarlos, menino muito devoto de Nossa Senhora, caiu gravemente doente. Seus pais, sumamente aflitos e angustiados, levaram-no ao hospital. Chegaram os médicos, examinaram o enfermo e disseram:

– É preciso operá-lo; seu estado é grave.

Fizeram-se os preparativos e o enfermeiro já estava pronto para dar-lhe clorofórmio, que é um líquido que faz o doente adormecer e ficar insensível às dores da operação, quando ele começou a falar:

– Não, respondeu, não quero clorofórmio; garanto-lhes que ficarei quietinho. E dirigindo-se à mãe, que estava do lado, disse:

– Mamãe, dá-me o crucifixo; quero sofrer por Jesus.

Durante toda a operação não se queixou nem chorou, mas oferecia a Deus as suas dores, com os olhos fixos no Crucifixo. Os médicos ficaram admirados de ver tanto valor e coragem num menino.

Desde aquele dia não pôde articular palavra; fazia-se entender por escrito.

Seu professor, um Irmão Marista, deu-lhe uma estampa de Nossa Senhora com uma inscrição que dizia: ”Quem me ama siga-me”.

E Carlos, considerando como dirigido a si aquele convite da Mãe de Deus, escreveu: – Mamãe, eu amo muito a Nossa Senhora e quero segui-la.

E como a mãe se pusesse a chorar, Carlos continuou escrevendo:

– Não chores, minha mãe; vou para o céu, onde rezarei por ti e por papai e estarei em companhia de Nossa Senhora; dá-me um abraço.

Depois de abraçar sua mãe, a quem muito amava, Carlos fixou com ternura a imagem de Maria, beijou-a e expirou.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

SENHORA, SÊDE VÓS A MINHA MÃE

terezaEra no mês de novembro. Amarelas e secas caíam as folhas das árvores, como secas e murchas caem do coração as ilusões da vida, quando se aproxima o inverno da velhice.

Em Ávila, numa nobre casa, está agonizando na primavera da vida uma distinta e piedosa senhora: dona Beatriz Ahumada. Já os sacerdotes, ali reunidos, rezavam as orações dos agonizantes, quando aquela senhora abriu os olhos, olhou ao redor de si e com voz apagada, disse:

– Teresa! chamem a Teresa.

Uma menina de uns doze anos, de singular modéstia e extraordinária formosura, penetrou no quarto e aproximou-se da cabeceira da mãe agonizante. Esta, fixando a filha, e como se Nosso Senhor lhe revelasse os futuros destinos daquela menina, exclamou: – Bendita… bendita! E expirou.

Levantando-se a menina desfeita em pranto, beijou pela última vez aquelas mãos frias e retirou-se a um aposento, onde havia um quadro de Nossa Senhora pendurado na parede. Ali deixou correr livremente suas lágrimas. Depois, erguendo os olhos com inefável ternura e uma fé imensa, disse do fundo da alma estas comovedoras palavras:

– Senhora, eis que não tenho mãe; sede vós a minha mãe daqui em diante.

Aquela menina, protegida da Mãe do céu, veio a ser uma das maiores mulheres da História, S. Teresa de Jesus, que mereceu as honras dos altares.

Tanto bem lhe adveio por haver tomado a Maria Santíssima por Mãe desde os primeiros dias de sua vida.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves