OS DOIS ROCHEDOS

Resultado de imagem para amigasExistem dois rochedos, que podem ser danosos para a juventude hodierna, e contra os quais infelizmente se despedaçam não poucas moças. São eles as amizades levianas e os maus livros.

Não tenhas amizade com pessoas de sentimentos levianos. É coisa muito importante saber escolher as amizades. Com os bons serás boa, com os maus tornar-te-ás má. Se a gota da chuva cair sobre a flor, converter-se-á em gota de orvalho e brilhará à luz do sol, qual pérola preciosa; mas se cair sobre a poeira da rua, tornar-se-á lama, lodo. A mocidade, facilmente, cria simpatia e amizades, o caráter vivo, entusiasta e aberto dos jovens inclina-os a procurar comunicação e correspondência.

A consciência de sua inexperiência, estimulada pelo isolamento e solidão, desperta no jovem o desejo de se unir a outrem e encontrar um coração que pulse em uníssono com o seu, numa sintonia de afetos e ideais. Esta inclinação afetiva pode ser uma cilada à pureza da jovem, principalmente por causa de sua suscetibilidade às impressões várias, devido ao caráter terno e maleável, e pelo espírito elástico e irrequieto, que se deixa facilmente empolgar. Como poderão as palavras carinhosas de um amigo não produzir-lhe uma impressão que dificilmente se apagará?! Como certos princípios não atuarão sobre ela de maneira perniciosa? Como os seus atos não a estimularão a imitá-la? Não é este um fato constatado quando existe certa semelhança de caráter, igualdade de gênio; ou quando as pessoas amigas se distinguem por talentos magníficos, por sua amabilidade natural e proceder atraente, por agradáveis dotes de conversação, por certa ousadia à qual dificilmente se resiste?

Quão pernicioso não será para ti a convivência com tais pessoas, se forem acostumadas com conversas levianas contra a religião e os bons costumes! Como não te hás de tornar, em pouco tempo, vacilante na tua santa fé e na virtude! Embora tais conversações, no começo, te repugnem sobremodo, ainda que tenhas recebido aprimorada formação e gozes de natural tendência para o bem, o mau influxo de tal amizade não desaparecerá, principalmente se houver assídua convivência e trato recíproco. Dia a dia as gotas do veneno imoral irão penetrando na tua alma até que enfim perderás de todo o bom espírito e te perverterás. Continuar lendo

MOÇAS QUE PERMANECERAM SOLTEIRAS NO MUNDO

Resultado de imagem para jovens modestasHá muitas jovens que não se casam. Algumas não sentem desejo, nem inclinação para o casamento, mas não pensam tampouco em ser freiras, e destarte permanecem solteiras por sua livre escolha. Outras há que optariam pela vida conjugal, mas o destino e as circunstâncias não lhes permitem dar tal passo. Devem estas fazer de necessidade virtude e, com sujeição cristã, reconhecer a mão de Deus, no governo de sua vida, entregando-se humilde e pacientemente à sua santa vontade.

Desejaria fazer agora algumas observações para louvor e consolação dessas almas.

1º – As jovens que permanecem solteiras são grandes perante Deus.

Serão grandes perante Ele, se guardaram fiel e integralmente a pureza virginal; pois, mediante esta virtude, se tornam particularmente agradáveis a Deus. A elas se aplica o alto encômio da Sagrada Escritura: “Oh! Quão formosa é a geração casta com seu brilho! Sua memória é imortal, e é louvada diante de Deus e diante dos homens”. (Sal., 4,1) Santo Efrém exclama entusiasmado: “Oh! Virgindade! Tu és o que o Autor de todas as coisas ama com predileção e em ti ocultou riquezas imperecedouras!”

Estas moças serão grandes perante Deus, se rezarem bem e com fervor. Enquanto os demais membros da família desprezam a oração ou a fazem com negligência, elas se entregam muitas vezes a este piedoso exercício conscienciosamente. Oram durante o dia, quando os outros se preocupam em coisas materiais, oram durante a noite e se prostram diante de Deus em seu quarto silencioso, enquanto os demais se entregam somente ao descanso e às diversões; oram na igreja diante do Santíssimo Sacramento, que em regra ninguém como elas tão assiduamente visita; oram durante o trabalho que executam com boa intenção, para honrar e servir a Deus.

As moças que permanecem solteiras são, freqüentemente grandes diante de Deus, em virtude do sacrifício que lhe oferecem. Sacrificam por vezes a sua juventude, com as alegrias e prazeres permitidos a essa idade; sacrificam um casamento que lhes promete esperanças e, com isto, segura garantia para o porvir. Continuar lendo

O ESTADO RELIGIOSO

Resultado de imagem para irmã fsspxA maioria das moças é, sem dúvida, chamada ao casamento. Deus, no entanto, escolhe, às vezes, uma distinta jovem para o estado religioso, onde ela O deverá servir, com grande fidelidade e amor, pertencer-Lhe de certo modo totalmente e tornar-se Sua esposa mística. Sua vida toda com suas energias, desejos e esforços, transforma-se numa agradável oblação, num sacrifício generoso a Deus, à humanidade sofredora, ou à mocidade ignorante.

Tal vocação é, por certo, grande honra e graça especial, pelo que não se poderia deixar de felicitar a uma jovem assim contemplada.

1º- O estado religioso é muito elevado.

É antes de tudo um estado de virtude e perfeição. Quem o segue se compromete a trabalhar nele seriamente para a salvação, porquanto além do exercício das demais virtudes, também se observam os conselhos evangélicos. Pode acontecer que alguns membros isolados não se esforcem com zelo eficaz para a perfeição, que um ou outro não haja rompido inteiramente com o mundo e, até mesmo, com o pecado. São, todavia exceções; em regra, há nos conventos de religiosos um sério e fervoroso esforço para a conquista da virtude. O mesmo também se verifica nos conventos de religiosas. Que bela vida de oração e piedade aí domina!

Quanto amor e fidelidade os religiosos dedicam a Jesus Cristo. Quão alegremente visitam o Santíssimo Sacramento! Com que boa vontade e com que prazer executam eles os trabalhos determinados! Como observam conscienciosamente a disciplina e as prescrições da regra!

Que de esforços para mutuamente praticar a caridade fraterna e suportar com paciência as cruzes quotidianas! É incontestável que de modo geral reina em nossas Ordens religiosas e nos conventos femininos uma vida florescente de virtudes. O estado religioso é um coeficiente inestimável para a salvação da humanidade. Não quero aqui relatar o que testifica a história sobre a atuação das Ordens religiosas, para incrementar o Cristianismo, para a formação, para a cultura, para as ciências e para as artes. Continuar lendo

BENEVOLÊNCIA PARA COM O PRÓXIMO

Resultado de imagem para donzela catolica“Deus quando formou o coração do homem, plasmou-o na bondade”, estas palavras do genial Bossuet se aplicam a todos nós, principalmente à mulher, a quem Deus enriqueceu com tesouros de bondade e delicadezas tais, que a torna apta para suavizar as horas amargas da vida.

Á vista da desgraça alheia, não se comove o coração da mulher muito mais depressa que o do homem? Não chora a moça e a mulher de vezes antes, sobre o infortúnio alheio? Não estendem com mais prazer sua mão benfazeja para suavizar a necessidade alheia? Em regra não resolvem dez moças consagrar-se, como irmãs de caridade, às obras de misericórdia cristã, antes que só rapaz queira prestar-se a tal sacrifício?

Este traço de bondade e benevolência, com que Deus marcou coração feminino, deves, jovem cristã, procurar conservá-lo e avivá-lo sempre mais. Não te é apenas um adorno: também se lhe anexa um grande poder, muito salutar e benfazejo a outrem.

O conhecido escritor inglês Faber, assim se exprime sobre o poder da benevolência:

“Vejo uma multidão de pequenos entes, com as faces veladas, quem em união com a graça e com os anjos executam as suas obras. Esvoaçam por toda a parte. Consolam os tristes, tranqüilizam os aflitos, acalmam os enfermos, acendem nos olhos dos moribundos um raio de esperança, mitigam as dores dos corações aflitos e desviam os homens do pecado. Parecem dotados de força surpreendente: conseguem o que os anjos não podem; insinuam-se nos corações, a cujas portas se lhes abrem, voam de novo estes pequenos mensageiros do Pai do Céu, para levar a graça. Estes pequenos, mas poderosos entes, são os atos de bondade, que da manhã à noite se acham ao serviço do bom Deus”.

Servindo-se de uma comparação tirada da vida dos animais, certo escritor francês procura expor o benefício influxo da benevolência, fazendo-nos ver como os próprios animais não são insensíveis ao toque da bondade. É a história de um pobre cãozinho, que corre apressado ao longo do muro e se esconde quanto pode. As crianças perseguem-no. Os trausentes o repelem a pontas-pé. É um cão do campo, cujo dono o expulsou. Magro, faminto, imundo, passa as noites ao relento nos portões, de orelha em pé, receoso de ser enxotado impiedosamente. Ninguém lhe dá um olhar carinhoso, e até os outros cães o assaltam com desprezo, por não serem tão magros quanto ele. Passa um homem; o pobre animal adivinha nele um salvador e se lhe arroja aos pés, implorando alguma coisa com um olhar de amargura e tristeza. Continuar lendo

BOM USO DA LÍNGUA

Resultado de imagem para donzela catolicaParece ter querido o Criador proteger a língua de modo especial. Com efeito, está melhor defendida que qualquer outro membro, por exemplo, os olhos e os ouvidos. Resguardam-na os lábios e os dentes, que, à guisa de muralhas a circundam e conservam. Não parece isto advertir-nos, que também, nós devemos dar atenção e vigilância toda especial a nossa língua? Sim, jovem cristã, é de grande importância, que te acostumes desde a tua mocidade ao domínio da língua.

1º- A língua não dominada facilmente causa grande mal.

O bom uso da língua pode transformá-la em instrumento de graças. No ano de 1263 retirou-se o corpo de Santo Antônio de Pádua do sepulcro, a fim de o transportar para a nova igreja, edificada em sua honra. Ao se abrir o sarcófago, os membros caíram aos pedaços, a carne já se havia transformado em pó e cinza. Mas, o queixo, os cabelos e os dentes estavam ainda conservados, e sobretudo a língua de todo incorrupta e com a sua cor natural. O Santo Cardeal Boaventura, que de Roma fora a Pádua por ocasião dessa festividade, tomou em suas mãos com grande respeito esse língua, beijou-a e disse entusiasmado: “Ó língua, que em todo o tempo louvaste ao Senhor e ensinaste os demais a louvá-Lo, agora se torna a todos manifesto, quanto és apreciada de Deus”.

Tinha razão São Boaventura de exaltar a língua de Santo Antônio, pois ela havia sido um excelente instrumento da graça, por meio da qual inúmeras almas foram conquistadas para o céu.

– Sim, a língua pode fazer muito bem. Aqui dirige a um pobre desconfortado algumas palavras de estímulo, e um suave conforto desce ao coração do mísero e o leva a suportar o peso da vida com ânimo forte. Aí, a língua de um orador fala a milhares de ouvintes e os arrebata. Suas palavras são como centelhas que incendeia os corações. Fala, e eles choram; fala e os revoluciona internamente; fala, e eles se enchem de esperança e júbilo. Por meio da palavra, eles os mantêm inteiramente em seu poder. A língua de um pregador virtuoso, como a de um Bertoldo de Regensburgo, conseguiu por vezes infundir um espírito novo numa povoação inteira.

Mas, a língua que tanto bem pode fazer, acha-se também em condições de causar grande mal. O apóstolo São Tiago escreve: “A língua é realmente um pequeno órgão, mas gloria-se de grandes coisas. Vede como um pouco de fogo devasta uma grande floresta! Também a língua é um fogo, um mundo de iniqüidade”. (Tg 3,5-6). E como são graves as palavras que se lêem no livro do Eclesiástico (cap. 28): “As chicotadas produzem vergões, mas os golpes da língua quebram os ossos… Faze uma porta e fechadura diante da tua boca: Funde o teu ouro e a tua prata e faze com isso uma balança para pesares as tuas palavras e um freio bem ajustado para a tua boca”. Continuar lendo

OBEDIÊNCIA

Imagem relacionadaNão podem desenvolver-se boas qualidades morais uma moça, que perde seu tempo com vaidades fúteis multiplicando consultas ao espelho. Há, todavia um espelho, no qual as moças deveriam contemplar-se sem perigo de descambar em devaneios fúteis, antes, encontrando na imagem refletida o ideal da virtude. É o sublime espelho de virtudes do Divino Salvador, de quem está escrito: “E foi com eles (os pais) para Nazaré e era-lhes submisso” (Lucas 2,51). Eis aqui um bom espelho, um elevado modelo para ti. Ensina-te a obediência. Se isto aprenderes profundamente, grande vantagem terás logrado para a tua vida futura; poder-se-á dizer que ficarás livre de noventa por cento das penas e aflições a que estão sujeitas as filhas de Eva.

1º- A obediência tem uma grande significação.

Significação universal e geral: Não pode o universo físico perdurar sem a obediência: estabelecer-se-ia uma confusão brutal e devastação monstruosa; não desapareceria a harmonia maravilhosa se os astros não observassem as leis e não seguissem com precisão órbita que lhes traçou o Criador? Não pode o mundo doméstico subsistir sem a obediência. De fato, que será de uma família, se a mulher não obedece ao marido, se os filhos não obedecem aos pais, se os criados não obedecem aos patrões?! Isto causará, sem dúvida, um desajuste, uma completa desorganização da família. O mundo político e social tampouco pode subsistir sem a obediência. No dia em que os cidadãos recusarem obediência aos seus superiores e os funcionários aos seus chefes, estalará a revolução e tudo entrará em confusão e desordem.

Finalmente, não pode o mundo eclesiástico existir sem obediência. Todas as obras propícias da Igreja desaparecerão, se os fiéis seguirem cada qual o seu caminho e não quiserem mais atender à voz do seu pastor espiritual. Disto decorre que toda salvação e prosperidade da ordem física, moral, social e religiosa repousam sobre a obediência; sem esta não pode subsistir nenhuma sociedade. Mas a obediência tem também, e, sobretudo, grande significação para ti mesma, jovem cristã. Ela te proporciona primeiro a exata compreensão da vida e dos deveres. De ordinário, que sabe a jovem a respeito da vida e das suas obrigações? Que sabe das emboscadas do mundo perverso, dos perigos que lhe ameaçam a inocência? Que sabe das enganadoras falsidades dos elogios e da ignomínia do vício?

Transcorre, por assim dizer, de olhos fechados, os anos da sua mocidade e dificilmente percebe as pedras que lhe embaraçam o caminho, e os profundos abismos que se alongam à margem. Mister se faz ter um guia sábio que ela transponha, com felicidade, os perigos! Não será a obediência e a confiança nos pais e superiores que lhe facilitará a verdadeira compreensão e a protegerá eficazmente contra os numerosos perigos? Continuar lendo

CARÁTER FIRME E NOBRE

Resultado de imagem para moça catolicaCaráter é um modo de pensar e agir adquirido por decidida determinação da vontade, que domina as faculdades da alma e lhe imprime um constante equilíbrio moral. Será um louvor para ti a afirmação de que possuis um caráter firme e positivo; pelo contrário, será uma afronta, o afirmar que não tens caráter. Somente quem possui caráter firme e nobre merece a nossa confiança em qualquer circunstância. Quem confia num homem sem caráter, se verá de ordinário amargamente enganado. Viver ao lado de pessoas de caráter nobre é sobremodo agradável e benéfico; essas pessoas nos comunicam coragem para o bem e confiança no futuro. Ao invés, o tratar com pessoas de mau caráter torna-nos a vida difícil; sentimo-nos como que apertados num cárcere e atormentados pelo desassossego e aborrecimento. Pelos benefícios que influi do bom caráter, podes deduzir quão importante seja que desde a meninice trabalhes na formação e enobrecimento do teu caráter.

Quão são, pois as qualidades do caráter para que se possa denominá-los bom?

1ª – FIRMEZA E INFLEXIBILIDADE

Não sejas como o caniço ou o salgueiro, que se curva profundamente, ao sabor do vento. Sê como o robusto e vigoroso carvalho, que ergue livre e corajoso a sua fronde para o alto, em direção ao céu. Forte e inabalável! Tempestades e tormentas sacodem-no sem cessar, esbravejam em torno daquela soberba copa, agitando-lhe os galhos e a folhagem, e não obstante, mantêm-se o tronco rijo, tranqüilo e imóvel, como nos dias calmos e lindos da primavera. Não há quem o vergue nem arranque nas tempestades; embora os esguios pinheiros e outras árvores, que o circundam, venham abaixo com estrondo, o carvalho persiste ereto e desafia qualquer embate dos vendavais.

Semelhante ao carvalho conserva-te também inflexível, permanece forte e firme em teus bons princípios, inabalavelmente fiel, tanto no próspero como no adverso, nas afrontas e perseguições, nas tempestades e tormentas, nos perigos e tentações.

É o Cristianismo rico em pessoas desta natureza. Lembra-te dos santos mártires dos primeiros séculos da Igreja. Não permitiam que nada lhes abalasse ou quebrantasse a convicção; nem o suplício da tortura, nem as chamas das fogueiras, nem a fúria dos animais ferozes. Se quiseres adquirir tamanha firmeza de caráter, cumpre que te habitues, desde a juventude, a não seguir, em teu proceder a vontade dos homens caprichosos, e sim o desejo de Deus eterno e imutável, que te julgará depois da morte. Esta há de ser sua divisa: “Deve-se antes obedecer a Deus que os homens” (Atos, 5 29) Continuar lendo

A GRATIDÃO

Resultado de imagem para rezando igrejaCerta dama norte-americana sentiu-se um dia profundamente humilhada, por haver omitido um agradecimento. Desejava fazer uma viagem de trem e ao subir no vagão, notou que todos os lugares já estavam ocupados. Um senhor de idade para se mostrar gentil para com ela, cedeu-lhe o lugar. Na estação ela desceu do trem e quando já estava a certa distância, um viajante gritou-lhe do vagão: “Senhora, esqueceu-se de alguma coisa”. Aproximou-se rápida, indagando de que coisa se havia esquecido. Informou o viajante: “Esqueceu-se de agradecer àquele senhor que lhe cedeu o lugar”.

Foi grande, em verdade, o vexame, mas muito merecido, não dizer sequer uma palavra de agradecimento a um senhor idoso que se houvera com tanta delicadeza e atenção para com uma pessoa estranha; foi, por certa falta de polidez, merecedora daquela correção.

Se cuidares de agradecer todo o bem que te fizerem, tanto Deus como os homens se alegrarão com teu proceder; se, porém fores ingrata, serás desprezada e ninguém desejará ter relações contigo. Desejo, pois, incutir, em teu coração a virtude da gratidão.

1º – O sentimento de gratidão é de todo conforme a nossa natureza.

Diz o grande teólogo, Santo Tomás de Aquino: “Todo efeito segue a natureza da causa que o produz, e de maneira proporcionada à mesma coisa”. Ora, o benfeitor é causa do benefício que produz. Portanto, deve o beneficiado voltar ao benfeitor, e voltar com a inteligência que reconhece e com a vontade que avalia o beneficio. Continuar lendo

O AMOR À VERDADE

Imagem relacionadaO célebre presidente dos estados Unidos, Jorge Washington, quando contava seis anos, recebeu de presente uma machadinha com a qual ia desbastando tudo quanto encontrava; maltratou a tal ponto uma cerejeira inglesa, tirando-lhe a casca, que a árvore devia fatalmente morrer. Na manhã seguinte, quando o pai viu a sua querida árvore em tão lamentável estado, tomou-se de furor e perguntou quem havia praticado aquela ação bárbara. Aparece, entretanto o pequeno Jorge com sua machadinha, e o pai intuiu imediatamente, que este era o culpado. Á vista disso, indagou sério:

– “Jorge, não sabes quem assim maltratou está árvore?” O menino deteve-se por alguns momentos, mas em seguida respondeu com franqueza:

– “Não posso mentir, papai, sabe que não posso mentir, golpeei-a com esta machadinha”.

A resposta abrandou a cólera do pai que, profundamente comovido, assim lhe falou: -“Vem a meus braços, filhinho! O dano que fizeste à árvore reparaste-o, agora, mil vezes com a tua sincera confissão; pois, tal amor à verdade é mais precioso do que milhares de árvores, ainda quando carregadas de frutos saborosos”.

Sim, o amor à verdade é uma bela virtude que te recomendo com toda a energia, e, por isto desejaria prevenir-te contra o feio vício da mentira.

1º – Não mintas – a mentira é abominável a Deus.

Com efeito, Deus é Verdade, a mais pura e a mais límpida, e absolutamente, não pode mentir. Eis porque detesta, em nós, a mentira; esta lhe contraria a essência e se opõe ao escopo que Ele teve em mira ao dar-nos ao dom da palavra. Esta faculdade preciosa, certamente, não nos foi concebida, para camuflar a realidade com a aparência e o engano. A mentira é, portanto, uma subversão da ordem divina, uma revolta contra Deus. Satanás, o primeiro que se insurgiu contra Deus, foi por isso mesmo o primeiro mentiroso, “o pai da mentira”, como denominou o Divino Salvador. Visto, opor-se a mentira à essência divina e à sua santa ordem, Deus a aborrece, e assim se exprime séria e severamente na Sagrada Escritura: “Os lábios mentirosos são abominação para o Senhor”. (Prov., 12,22)

2º – Não mintas – a mentira é também, desdouro na perspectiva humana.

Detestemos a mentira, que é contrária à natureza humana. O homem é, inclinado à verdade, repugnam-lhe a mentira e a falsidade. A criança, ainda não corrompida, diz só o que pensa, seus olhos brilhantes são o espelho fiel de sua alma pura e franca. A primeira que profere, revolta-se a natureza íntima da criança e manifesta-se pelo rubor da face que denuncia a confusão. Detestemos a mentira, porque solapa o fundamento da sociedade humana, que são a veracidade e a confiança, mútuas. Continuar lendo

ALEGRIA E BOM HUMOR

Imagem relacionadaEstranharás talvez que um religioso te estimule à alegria e jovialidade e pensarás que haveria coisas mais importantes para as quais poderia ele impelir-te. No entanto, quero mostrar-te que também a alegria é um dom de grande preço que um religioso com muita razão pode colocar em teu coração.

1º – Na alegria bem ordenada se esconde uma grande bênção

A jovialidade que te recomendo é uma pacífica e bem fundada alegria, uma irradiação da paz interna e da harmonia que residem no coração. Vem a ser, para ti, um grande bem. Desta alegria diz João Paulo: “A jovialidade é um céu sob o qual tudo prospera, menos o veneno”. Certo que é grande o encômio, mas verdadeiro. A alegria contribui para que os bons germes e disposições naturais do coração se desenvolvam do melhor modo possível.

A primavera é na natureza a quadra da alegria e dos prazeres. Quão afável e doce nos sorri o céu azul! Sobre montes e vales, derrama o sol seus raios dourados, os quais penetram até o íntimo do nosso coração! Os pássaros, com seus cantos alegres e variados, enchem a floresta! Solícita e contente, esvoaça a abelha, de flor em flor para sugar o mel. As flores ostentam sua beleza à nossa vista, amáveis crianças em trajes festivos!

Por toda a parte deparamos alegria e beleza!

Mercê desta alegria, como tudo se desenvolve e prospera na natureza! Então contemplamos o fermentar e germinar, o abotoar e florescer, como se tudo, montes e vales, estivesse cheio de uma vida nova e misteriosa. Como tudo se transforma e modifica, sob a ação do inverno duro e rigoroso, qual fantasma do terror domina por toda a parte, afugentando a fresca vida da natureza. Eis a imagem do que sucede, também, contigo, jovem cristã.

Quando permite que se apodere de ti uma disposição sombria e triste, que te domina por longo tempo, secam-se em teu coração as fontes da vida, como no inverno fenece a natureza. Torvas imagens e tenebrosas impressões descem sobre tua alma qual fria neve; teu espírito se escurece, entibia-se tua vontade e tua fantasia se povoa de melancólicos devaneios. Como poderão desenvolver-se, cheios de esperança, os bons germes, a inclinação para a virtude, que Deus te concedeu? Continuar lendo

ECONOMIA, PARA AS DONZELAS CRISTÃS

Resultado de imagem para donzela cristãO ouro e os bens temporais, principalmente, têm sem dúvida a sua grande importância para cada indivíduo, para a família e para a vida social. Se o cristão, antes de mais nada, deve dirigir seus cuidados para a consecução dos bens celestes, não pode, todavia, mostrar-se indiferente aos bens terrenos e temporais.

Há de esforçar-se por adquiri-los pelo emprego de meios lícitos e de maneira justa, deve sobretudo usar deles conscienciosamente, e de acordo com a vontade de Deus. Não pode, portanto, dissipá-los; cumpre que os empregue com economia.

Sobre a economia desejo agora dar-te uma breve instrução.

1º – A religião cristã exige de ti a economia.

A economia pertence ao número das virtudes que são mais desprezadas e criticadas. Quem não sabe distinguir devidamente a sua renda e as suas despesas e por isso nunca “chega a um ramo verde” (como dizem os alemães), é precisamente o que murmura da economia daqueles que a aconselham e os difama como sovinas. Eis porque não raro acontece que a gente se envergonha da economia e procura escondê-la quanto possível aos olhos do mundo. No entanto, ela merece, como as outras virtudes, todo apreço e cumpriria que a praticassem fiel e retamente todos os cristãos. Sim, mesmo os ricos, até os milionários, devem ser econômicos, naturalmente de maneira diversa da dos burgueses comuns.

O Cristianismo exige de todos nós uma sensata economia. Diz-nos que Deus é o altíssimo Senhor e Proprietário dos nossos bens terrenos, dos quais só nos confiou o uso e administração. Nesta administração e neste uso devemos acomodar-nos à sua vontade infinitamente santa e sábia, que sem dúvida reprova uma dissipação leviana e insensata dos mesmos bens, e que será denunciada, perante o Seu divino tribunal. Eis porque prescreve a Sagrada Escritura: “Tudo quanto entregares conta e pesa: e tudo anota do que deres e receberes”. (Ecli. 12,7). E assim nos exorta outro passo: “No tempo da abundância, lembra-te da pobreza, e das necessidades da indigência no dia das riquezas”. (Ecli. 18,25). Continuar lendo

AMOR A ORDEM E A PONTUALIDADE

Resultado de imagem para donzela cristãDeus confiou à mulher um encargo duplamente importante: santificar a família por sua vida e trabalhos, e dar aos filhos primeira educação. Cumpra ela, conscienciosamente, esse dever, e grande cópia de graças fará fluir sobre a humanidade. Para torná-la apta à sua missão, comunicou-lhe o Criador, a par de outros dons, o amor à ordem e a atenção às coisas pequenas. Exercitar retamente este amor à ordem é, portanto, um dever que Deus exigirá, principalmente dela.

A ordem agrada. Agrada, principalmente, a Deus, Deus ama a ordem, porque Ele mesmo é ordem, a mais maravilhosa e a mais amável harmonia. Unem-se nEle as três Pessoas, numa perfeita unidade de substância; nEle estão todos os atributos em perfeita consonância entre si – a justiça com a misericórdia, a onipotência com a bondade, a majestade com a assombrosa singeleza de Seu amor; todos os Seus atributos infinitos forma a unidade absolutamente perfeita do Seu Ser, numa ordem e harmonia inconcebíveis. Não há nEle a menor sombra de desordem ou dissonância.

Deus ama a ordem. Eis porque comunicou à Sua obra (a natureza) uma ordem admirável. Com quanta precisão os inumeráveis corpos celestes executam as órbitas que o Senhor lhes traçou! Que ordem surpreendente as manifesta na criação das mais pequeninas plantas e dos mais insignificantes insetos, que nós podemos examinar suficientemente apenas com o microscópio! E não estabeleceu também na Sua Igreja, uma ordem santa, uma hierarquia, por meio da qual todos os seus membros, desde o Papa até o último dos fiéis, uns a outros se ligam numa grandiosa e estupenda unidade? Suprima-se esta ordem santa, e dentro em breve perderá a Igreja sua unidade e sua força, e o Reino de Jesus Cristo se malogrará, suas partes dispersarão como o vento que espalha em todas as direções a pedra moída e reduzida a pó.

Assim como Deus ama a ordem, também tu deves ter sempre em vista um método em tua vida e nos teus trabalhos, seguindo assim a admoestação do Apóstolo dos gentios: “Faça-se tudo decentemente e com ordem”. (I Cor. 14,40).

A ordem agrada também aos homens.

Quando entramos num jardim e encontramos tudo bem ordenado, as plantas tratadas com cuidado, as árvores dispostas com perícia e inteligência, ordem e proporção, no desenho dos caminhos, dos canteiros e divisões, imediatamente e desde o primeiro aspecto sentimo-nos cheios de alegria e satisfação, e esta alegria ainda sobe de ponto à medida que dirigimos nossa atenção, para cada coisa em particular. Continuar lendo

O TRABALHO

Resultado de imagem para mulher do lar“Ora et labora – Reza e trabalha!” Era esta a divisa usada por uma antiga Ordem. Quanto mais fielmente os membros daquela Ordem se apegavam a esta divisa, tanto melhor se tornava para a sua virtude e perfeição, para a sua alegria e felicidade, para o bom êxito e prosperidade de seu trabalho. Mas, isto que com proveito se aplica aos habitantes do claustro, tem também a sua repercussão para as pessoas do mundo, e para estas, talvez, com mais vantagens do que para as primeiras. Como já incuti em teu coração o amor à oração, quero agora recomendar-te o trabalho.

1º- Trabalha com fidelidade e diligência; pois o trabalho é um dever.

Já no paraíso o homem devia trabalhar, segundo a vontade de Deus. Está escrito no Gênesis (2,15): Deus, o Senhor, tomou o homem e o colocou no paraíso, para que ele o cultivasse. Aliás, o trabalho, era para o homem uma distração doce e suave. Depois da queda, Deus renovou a ordem, o preceito do trabalho. Dirigindo-se a Adão, que representava toda a humanidade, disse: Comerás o pão no suor da tua face, até que tornes a terra, donde foste tirado. (Gênesis 3, 19). Homem algum está isento da lei do trabalho, nem o rico, nem pobre, nem o rei, nem a mocidade (esta principalmente) que é a primavera da vida, o tempo da semeadura.

Na mocidade é que se deve preparar a terra, para que há seu tempo, se logre colher, com abundância: a mocidade é a quadra em que se deve cuidar da árvore, para que mais tarde não produza frutos amargos, insípidos e envenenados. Na mocidade é que se hão de aprender os meios de ganhar a vida e sustentar-se na idade futura. Se a mocidade transcorre-se na vadiagem, então está perdida, e esta perda é, na maioria dos casos irreparável, irremediável. De modo que, justamente para ti, na tua mocidade, a obrigação de trabalhar é muito séria e importante, e deverás cumpri-la conscienciosamente.

Trabalha com fidelidade e diligência, pois o trabalho é uma honra. Não é de fato uma honra o tornar-se semelhante ao divino Salvador, trabalhar, como Ele o fez? Como Jesus trabalhava com diligência e boa vontade! Na oficina de Nazaré, no decorrer de muitos anos, dia a dia, o suor Lhe gotejou de face, quando com a enxó na mão, desbastava a madeira. Continuar lendo

DONS DO CORAÇÃO

Resultado de imagem para imaculado coraçãoA castidade das jovens é de capital importância para a conservação dos bons costumes na sociedade. Se as moças guardarem, rigorosamente no trajar e em todo o proceder, decoro e modéstia, será este o melhor impulso para a moralidade. Sendo, portanto a pureza de coração do sexo feminino de tamanha importância para a moralização da sociedade, deverás gravar bem, no espírito e no coração, e seguir fielmente as normas expostas neste capítulo.

Tem sempre, em alta estima e grande amor, a castidade; pois ela comunicará à tua alma, antes de tudo, particular beleza e graça. “É, sem dúvida a castidade – como diz São Cipriano – a mais formosa flor no jardim da Igreja, o ornamento da beleza, o encanto da graça e a característica da virgem cristã. É por ela que se produzem, na Igreja, os mais deliciosos frutos, e quanto maior for o número das donzelas puras, tanto mais crescerá a alegria desta mãe espiritual”.

São Francisco de Sales escreve: “A castidade é o lírio entre as virtudes; torna os homens semelhantes aos anjos. Nada há belo que não seja puro, e a beleza do homem é a castidade”.

Muitas vezes nas agradáveis manhãs primaveris és arrebatada pelos encantos da natureza. Para onde quer que teus olhos se dirijam, alegram-se com a vida mais luxuriante; montes e vales atapetados de relva fresca banhadas pelos raios dourados do sol. A pomposa florescência das árvores de cujos galhos, cantores alados lançam no espaço, suas canções argentinas. Milhares e milhares de flores abrem as mimosas corolas, exalando suave perfume. Sim, magnífica e admirável é a terra, com seu ornato da primavera.

No entanto muito mais, bela e mais formosa é a alma juvenil que se apresenta pura aos olhos perscrutadores de Deus, não profanada pelo sopro do pecado, espargindo os fúlgidos raios da graça santificante. É tão bela, que os anjos do céu, com grande prazer, a contemplam, e o próprio Deus que com sua bondade onipotente, criou tudo o que há de belo, no céu e na terra, como que encantado com sua magnificência, exclama: “Oh! Quão formosa é a geração casta com seu brilho! Oh! Quão formosa é a geração casta com seu brilho! Imortal é a sua memória e é louvada diante de Deus e diante dos homens” (Sab, 4.1). Continuar lendo

O TESOURO ESCONDIDO

Resultado de imagem para violetaA violeta, flor tão apreciada e procurada, não apresenta, nas cores de suas pétalas, beleza singular que nos impressione a vista. Possui apenas uma vestimenta simples e completamente lisa. Não procura, por meio de beleza cintilante atrair sobre si os olhos dos homens, mas parece comprazer-se na sua forma pequena e pouco vistosa. Não cresce, por via de regra, nas praças públicas, onde poderia ser divisada por todos, mas de preferência em lugares escondidos, nas orlas silenciosas das matas e ao longo de cercas espinhosas; e ainda nesses lugares procura com suas folhas formar uma espécie de esconderijo, para se furtar as vistas dos transeuntes, e ocultar as suas próprias flores.

Tudo, no entanto, é em vão, pois o aroma suave a denuncia. Se alguém a descobre, não a admira, mas aprecia-a e deleita-se com sua balsâmica fragrância. Esta florzinha, pouco vistosa, mas geralmente querida, é símbolo daquela amável virtude, que tão insistentemente o Espírito Santo recomenda aos cristãos, com estas palavras: “Seja vossa modéstia conhecida de todos os homens”.(Fil., 4,5)

A humildade e a modéstia honram e ornam todos os homens, mesmo o sábio que, por sua sabedoria e seu gênio pasma o mundo; até o príncipe, que governa um grande reino. Sejam tais homens humildes e afáveis, tanto quanto lho permite a posição, e conquistarão de assalto, os corações dos seus compratiotas, granjeando por toda a parte honras e afeições entusiásticas. Mas, se a humildade convém a todo cristão, a todo homem, ela, no entanto, se ajunta principalmente aos jovens e de modo particular à donzela cristã, que deve exercitar-se na virtude, e tantas vezes há de reconhecer e dizer que é uma criatura fraca e inclinada para o mal.

Só onde se encontra a humildade, existe a verdadeira virtude; sem aquela, esta nada mais é que uma aparência vã. O rochedo que levanta orgulhoso o cabeço a uma enorme altura, lá permanece solitário e despido; em vez de reflexos dourados, não apresenta senão gelo e neve. Os campos ondulantes e auspiciosos situam-se, pelo contrário, nas planícies e partes baixas da terra. Continuar lendo

A FIDELIDADE AOS PAIS

Resultado de imagem para mães e filhas modestiaConforme a vontade de Deus deve antes de tudo dedicar aos teus pais amor e fidelidade. São Jerônimo refere-se um belo exemplo desta fidelidade na vida da Santa Eustáquia, filha de Santa Paula, notável dama romana. Segundo conta, ela portou-se em tudo, como boa filha, ternamente amorosa para com a sua mãe. Amava a mãe de todo o coração e se empenhava por imitá-la em todo o bem.

Assinalavam-se, constantemente, por uma voluntária e pontual obediência, e cumpria-lhe prazerosa os menores desejos. Sempre ficava satisfeita, quando podia proporcionar-lhe alguma alegria. Seu maior gosto era permanecer em sua presença e assisti-la, com incansável dedicação e ilimitada diligência, tanto nos dias de saúde, como nos de doença, até o derradeiro momento de sua existência. Tais foram às disposições e o procedimento de uma filha verdadeiramente boa, que tu, donzela cristã, deverás ternamente imitar.

Sim, cumpre com absoluta fidelidade, os teus deveres para com teus pais que, segundo a determinação de Deus são os teus maiores benfeitores. Lembra-te, por um instante que tudo deve agradecer a teus pais. Vê quanto por ti se afadigou teu pai, no decorrer de muitos anos. Todos os dias, pela manhã, erguia-se do leito e, depois de curta oração, encaminhava-se para os duros trabalhos de sua profissão. Quantas pesadas gotas de suor derramou para satisfazer às suas obrigações! Quantas vezes sentia que as forças ameaçavam abandoná-lo, e as mãos denunciavam cansaço! Sem embargo, o pensamento em ti, o amor por ti, estimulava-o sempre a continuar o trabalho, não obstante toda a fadiga.

Enumera, se puderes, os penosos passos que deu por ti, as muitas alegrias e prazeres de que se privou para que nada te faltasse, os gastos incalculáveis que fez para que tivesses o necessário e te instruísses convenientemente. Contempla os duros calos de suas mãos, os sulcos de sua fronte, a gravidade que lhe transparece na face e em todo o ser – tudo isso te fará lembrar uma infinidade de incômodos e cuidados que teu pai suportou por tua causa. Interpela, depois tua mãe, sobre o que tem feito. Responder-te-á: Minha filha, não te posso narrar, é impossível. Horas e dias consecutivos trouxe-te em meus braços, acalentei-te ao meu coração e velei-te no berço; cumulei-te de carícias, antes que tu as pudesses compreender. Tu me fatigaste, muitas vezes; longas horas me roubaste ao repouso noturno pelo qual suspirava e do sono de que eu tanto necessitava. Sustentei a tua fraca vida, alimentei-te e tanta coisa suportei, até que pudesses falar, andar e de algum modo agir por ti mesma. E, que de cuidados eu não sentia por tua vida, quando ela de qualquer modo corria perigo! Como eu oscilava entre a angústia e a esperança, esquecendo o comer e o beber, quando alguma doença te retinha no pequeno leito.
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O RESPEITO HUMANO

Resultado de imagem para filhas de mariaDistinta e rica dama desejava adotar uma filha de Maria, cujo procedimento lhe agradava sobremaneira. Mas estabeleceu como condição que se retirasse da associação mariana e depusesse a medalha da Mãe de Deus. Firme e resoluta, embora gentil e cortês, respondeu a donzela que a esta exigência não satisfaria por nenhum preço: preferia ser filha de Maria, a se tornar rica e notável.

A dama encontrou nesta franqueza e firmeza tanta satisfação, que tomou consigo a jovem e – o que é mais notável – adotou-a para sua própria santificação. O bom exemplo da moça reconduziu-a a piedade e à virtude. Se esta filha de Maria, no seu covarde respeito humano, tivesse satisfeito à exigência da rica dama, mui provavelmente, não voltaria esta para Deus, mas cairia na indiferença religiosa.

Eu desejaria animar-te, jovem cristã, a imitares a firmeza desta filha de Maria, e a jamais te tornares infiel a Deus e aos teus deveres, por causa do respeito humano.

1º – Contentar a Deus, há de ser sempre tua principal preocupação.

“Teme a Deus e observa os seus mandamentos, porque nisto está o homem todo” (Ecl. 12,13). Lembra-te de que Deus é Teu soberano Senhor, a quem tudo deves agradecer e de quem dependes em qualquer circunstância; reflete que dentre poucos anos deverás comparecer perante Ele, que será Teu reto Juiz, a fim de lhe prestar contas de toda a tua vida, e que da Sua sentença dependerá a tua eternidade.

Pondera, ainda mais, que os homens são criaturas frágeis, as quais hoje possuem a vida e amanhã desaparecerão no túmulo, e que da grandeza e fausto do homem mais rico, mais honrado e mais célebre, nada mais restará, senão um punhado de terra e pó. O Padre Clemente Hoffbauer, a um senhor importante, que se ufanava da sua distinta posição, quis um dia fazer-lhe ver o que é o homem. Curvando-se para o chão, tomou um pouco de pó na mão e mostrou-lho com as seguintes palavras: “Vede, isto é o homem, uma mão cheia de pó!” Continuar lendo

AMA A TUA MÃE

Resultado de imagem para nossa senhora menino jesusO conhecido jesuíta Alexandre Baumgartner viajava certa vez com dois companheiros pela Islândia. De uma feita tiveram de pernoitar numa quinta, pertencente a uma família protestante, onde foram servidos de maneira modesta e simples, mas sincera e leal. No momento de separação, o Pe. Geyer, um dos companheiros de Baumgartner, convidou a senhora da casa a escolher como lembrança uma das três imagenzinhas que lhe foram apresentadas: a de Cristo, a da Mãe de Deus, e a do Anjo da guarda. A senhora fixou bem as três imagens e escolheu a da Mãe de Deus. Perguntou-lhe então o Pe. Geyer se ela venerava também a Maria. Sem delongas respondeu a protestante: “Certamente, pois Ela é a Mãe de Nosso Senhor!”

Se essa mulher que não tinha a felicidade de pertencer à nossa Igreja Católica, possuía tais sentimentos para com a Bem-aventurada Virgem Maria, não se esforçará uma boa católica, muito mais ainda, em honrá-lA fielmente e com todo o zelo? Faze-o também e alcançarás muitas bênçãos.

1º- Venera, fielmente, a Bem-aventurada Virgem Maria, por Sua relação íntima com o Salvador.

Nenhum homem, por mais perfeito, nenhum anjo, ainda o mais puro e mais elevado, esteve em relação tão intima e tão estreita com Deus como a Virgem Maria. O Filho Eterno e consubstancial de Deus, quando assumiu no tempo a natureza humana para nossa salvação, A escolheu para Sua verdadeira Mãe carnal. Ela trouxe, portanto, em Seu seio virginal Aquele que o Céu dos céus não pode conter; deu à luz, no tempo, Aquele que desde toda a eternidade foi gerado pelo Pai Celeste; recebeu diariamente em Nazaré provas de reverência e obediência Daquele cujo aceno obedecem os anjos do céu.

Ela se acha numa relação toda singular e extraordinária para com o Divino Salvador; criatura alguma pode nisto equipar-se a Ela. Se amamos a Jesus Cristo sobre todas as coisas, se Ele é nosso tudo, como realmente deve ser, porventura não será também Maria digna de veneração toda particular? Objetos que se relacionam com o Divino Salvador apenas de modo extrínseco e transitório têmo-lo nós os cristãos por santificados; pensamos, com amor e veneração na Sua Gruta; na Sua Cruz e no Seu Sepulcro. Maria, que conviveu com Ele, na mais íntima relação que podemos imaginar, não será mil vezes mais digna da nossa veneração?
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O AUGUSTO SACRIFICIO DA MISSA

Resultado de imagem para missa véuCom muita razão diz o Pe. Martinho de Cochem: “Assim como sol sobreleva em esplendor a todos os planetas e é mais útil à terra do que todos os astros reunidos, assim também a piedosa assistência à Santa Missa sobrepuja, em merecimentos e utilidade a todas as nossas obras”.

Outro Padre afirma: “Se todas as criaturas do mundo fossem outras línguas, que louvassem e exaltassem ao Criador; se tudo quanto se acha entre o céu e a terra, desde o ser mais ínfimo até o mais elevado, apregoassem em altos sons o nome de Deus, tudo isso agradaria ao Senhor infinitamente menos do que a Hóstia consagrada, que na Santa Missa se levanta em sublime holocausto de adoração e amor”.

Jesus Cristo nos remiu sobre o Gólgota e nos mereceu todas as graças.

Ela tem, portanto, um valor infinito e não poderás jamais apreciá-la devidamente. Seja-me, pois, lícito pedir-te com empenho que quando tiveres tempo e oportunidade, assistas diariamente a ela, o que te será de grande proveito.

1º- Se assistires freqüentemente, com piedade, ao santo Sacrifício da Missa, pecarás menos.

Na santa Missa, o Divino Salvador te manifesta, por assim dizer, as suas sagradas chagas e te faz esta advertência: contempla o Meu corpo lacerado, fixa o teu olhar sobre minhas fundas e hiantes chagas nas mãos, nos pés, e no lado; olha para a minha cabeça coroada de espinhos; medita sobre a minha morte dolorosa da Cruz; vê, tudo isso, eu padeci por causa dos pecados teus e de todos os homens. Pondera, ainda, quão grande mal é o pecado aos olhos de Deus, pois, somente por meio da minha morte pode ser expiado.

Se com tais pensamentos sobre a dolorosa Paixão do nosso Divino Salvador assistires, freqüentemente, ao Santo Sacrifício da Missa, não se apossará necessariamente, pouco e pouco do teu coração um grande horror, um ódio vivo ao pecado? Não andarás depois acautelada e vigilante, a fim de te preservares dele? É o que indica a experiência de cada dia. Demonstra, ainda que as jovens, que até nos dias úteis, freqüentam a santa Missa, quando podem, premunem-se contra os devaneios e pecados em que a mocidade feminina cai facilmente, porque se priva daquele santo exercício. Continuar lendo

SAGRADA COMUNHÃO

Resultado de imagem para moça comunhão véuLembra-te ainda muito bem do belo dia da tua primeira Comunhão. Que profunda comoção se apoderou de teus queridos pais naquela ocasião! Que é que os sensibilizava tão intimamente o coração? Era o pensamento de que naquele dia uma grande felicidade te ia ser concedida, porque o Divino Salvador, pela primeira vez, entrava em teu coração infantil e te enriquecia com graças preciosas. Teus pais tinham toda a razão! O dia da Comunhão é, sem dúvida, um dia de bênçãos, e isto se diz não somente da primeira Comunhão, senão também de cada uma das que se seguem, contanto que seja recebida digna e piedosamente.

1º- A Sagrada Comunhão te robustece e dá forças contra os perigos que ameaçam a salvação da tua alma.

É justamente no tempo da mocidade, que podem invadir-te numerosas tentações e perigos. Instalam-se, no coração inexperto nesse período de transição todas as espécies de agitações e inclinações que o querem impelir as veredas do pecado. Vêm de fora sugestões perigosas que, justamente nesta quadra, são numerosas. A donzela freqüentando a companhia de outras, ouve conversas levianas que corrompem o coração puro, ou lançam o desprezo e a zombaria sobre a doutrina e a organização cristã!

Quão perniciosamente atua a liberdade de costumes na mocidade, que já não permite se lhe fale de outra coisa! Como são sedutores os exemplos das paixões e abundantes as ocasiões de tornar a vida agradável, cômoda! Como é corrosivo o veneno que inúmeros livros e revistas instilam no coração da mocidade! Sobremodo funesto e pernicioso pode tornar-se para uma donzela, e às vezes por toda a vida, o capitular-se, na presença do perigo e submeter-se ao seu mau influxo. Talvez já tiveste ocasião de observar como toda a esperança, que se deposita numa árvore magnificamente florida, fica inteiramente destruída por uma geada noturna ou por um granizo. Coisa semelhante acontece também com muitas jovens nas quais os pais e parentes depositavam grande esperança. Quão amarga foi à decepção destes! Quão triste lhes saiu e experiência com sua filha que, nesta contínua agitação do mundo, veio a ser cada vez mais leviana! Continuar lendo

A PENITÊNCIA

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Foi uma palavra da onipotência divina a que o Divino Salvador pronunciou: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados e àqueles a quem retiverdes, ser-lhe-ão retidos”. (Jô. 20,23). Contra esta palavra, pela qual Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Penitência, levantou-se uma oposição multissecular; todas as paixões se insurgiram contra ela. No entanto, para o Divino Salvador e Sua palavra nenhum obstáculo existe. É assim que, a despeito do mais encarniçado ataque dos inimigos de Cristo, em todo o mundo, aí permanece o Instituto da Penitência. Ainda hoje, milhares de cristãos confessam humildemente seus pecados no Tribunal da Penitência e se fortalecem por meio deste sacramento, contra a tentação e más inclinações. Também tu, donzela cristã, faze por que nada te embarace de freqüentar o tribunal da penitência. Confessa-te muitas vezes, pois, isto te será sumamente salutar.

1º- A confissão freqüente levar-te-á ao conhecimento de ti mesma.

Sem o conhecimento de si próprio, não há regeneração, não há combate às más inclinações. Eis porque é muito triste que tantíssimas almas não se conheçam a si mesmas. Conhecem os personagens e os acontecimentos da história dos povos; sabem descrever as montanhas e os rios dos países estrangeiros; todavia, o seu próprio interior é para elas uma região estranha, da qual não possuem nenhum conhecimento. Se alguém lhes chama a atenção para alguma falta, logo se mostram admiradas, agastadas de que se faça delas tal conceito; enquanto outras, que muitas vezes se deixaram arrastar para essa falta, dela não têm absolutamente nenhuma idéia ou lembrança.

A confissão freqüente, portanto, facilita-nos sobremodo, o tão importante conhecimento de nós mesmos. Se cada vez, por ocasião da confissão freqüente, diriges a teu coração um olhar sério, não verás acaso, as profundezas e não se tornarão os olhos de teu espírito penetrantes, de tal modo, que muitas coisas, as quais à primeira vista permaneciam ocultas, pouco a pouco se manifestam no seu verdadeiro aspecto? Continuar lendo

O DIA DO SENHOR

Resultado de imagem para moça modestaUm dos Santos Padres da Igreja denominou o domingo:“Rei e Príncipe de todos os dias”. Outro opina que a vida sem domingo seria um grande deserto sem oásis. Certamente seria uma vida triste. Pode-se dizer que o domingo é como que a raiz da semana. De uma raiz boa e sã, brotam também galhos, folhas, flores e frutos sãos e bons. De modo análogo, a um domingo cristãmente festejado, sucede uma semana inteira de cunho cristão. Consiste a vida do homem em certo número de semanas, as quais trazem impresso o selo do valor que lhes comunica o domingo, por onde começam. Com muita razão se poderia dizer: assim como for o teu domingo, assim será também toda a tua vida. De que modo deverá, então passar o domingo, para que se torne uma fonte de bênçãos para a tua vida e para a eternidade futura? Eis uma pergunta de grande importância para ti.

1º – O domingo deve ser, antes de mais nada, dia de descanso.

O descanso dominical é uma necessidade para o corpo e para a alma. Poderá alguém trabalhar ininterruptamente, todos os dias, nos domingos e dias úteis, por um lapso do tempo; poderá fazê-lo mesmo durante alguns anos; mas, chegará com certeza o tempo em que as forças constantemente ativas entrarão a adormecer, ou se quebrarão de súbito.

O descanso que, à tarde se desfruta, após o trabalho diário, e um bom sono pela noite adentro, são de grande proveito para o corpo; mas, quanto à duração não bastam para estabelecer o necessário equilíbrio das forças. Os médicos sustentam mui judiciosamente que, para se manter em pleno vigor, além do pequeno descanso diário, de tempo a tempo, necessita o corpo humano de uma pausa e folga mais longa, um maior relaxamento das forças. Isto se aplica, sobretudo, aos tempos atuais, que, pela crescente concorrência em todos os domínios, despertam em quase todos os homens, até mesmo nos rapazes e nas moças, maior dedicação ao trabalho. Com seu descanso maior e mais longo repouso, é, portanto, o domingo uma verdadeira bênção para a nossa vida corporal. Lord Palmerston, conhecido estadista inglês, conservava ainda, na velhice, grande atividade e vigor, que ele principalmente atribuía ao fato de se haver sistematicamente abstido do trabalho dominical, em todo o percurso de sua longa vida. Continuar lendo

UMA FONTE DE ENERGIA – ORAÇÃO

Resultado de imagem para rezando catolicaA oração é um colóquio de amor com Deus. A criança, que ama verdadeiramente os pais, gosta de falar com eles, manifesta-lhes tudo que agita o seu coração. Cada alegria que sente, vai logo comunicá-la à mãe, ou ao pai; expõe-lhes todas as suas dores; narra-lhes os seus receios; conta-lhes os seus interesses.

Se a criança passasse com seus pais um dia inteiro, sem lhes dirigir uma só palavra, teriam muita razão em se queixar: nosso filho não nos ama, pois se nos amasse seria mais comunicativo conosco. É o que dará contigo, jovem cristã, se amares a Deus e Vosso Salvador, verdadeiramente, e de coração, sentir-se-ás necessariamente compelida a falar com Ele, a entreter-se com Ele, isto é, a rezar. A oração é para ti um dever sagrado, que não hás de omitir um só dia sequer.

1º – A oração te enobrece.

Conta-se que a opala à luz solar por muito tempo, é penetrada tão profundamente pelos raios, que (esta pedra) se torna inteiramente luminosa, e na escuridão da noite, irradia uma luz brilhante.

A opala é a imagem da alma, que na oração, se põe em contato com o Altíssimo.

A alma, quando reza, entra em relação íntima com Deus, infinitamente grande, infinitamente perfeito e santo. A luz de Deus, os raios da Sua santidade e magnificência atuam sobre ela. Deus a alumia e a penetra cada vez mais com Sua graça, a atrai cada vez mais para si, eleva-a e a enobrece. A alma, pela oração, torna-se semelhante a Deus. Aqui, também, viria muito a propósito o brocardo: “Dize-me com quem andas e dir-te-eis quem és”. Continuar lendo

AMOR DE DEUS

mocaMuitas jovens cristãs se têm distinguido por uma grande piedade, que consiste no amor de Deus e na fidelidade ao Divino Salvador. Estavam resolvidas a sofrer tudo de boa vontade, a sacrificar até a própria vida, para não ofenderem a Deus e se não tornarem infiéis ao Seu Salvador. A mártir Santa Susana brilhava em Roma pela alta nobreza do seu nascimento e pelos dotes excepcionais de espírito e de corpo. O Imperador Diocleciano desejava, então dá-la por esposa a seu cor-regente Galério Maximiano, e para este fim pediu-a ao pai. Dirigiu-se este imediatamente, à casa da filha e assim lhe falou:

– “Minha filha, compreendeste bem o valor e a superioridade de ser esposa de Cristo?”

– “Eu o conheço tão bem – replicou Susana – que em minha opinião, todas as coroas deste mundo nada são comparadas com Ele”.

Instou Gabino? “Julgas retamente. Mas, se o Imperador te destinasse para esposa de Galério, a dignidade de imperatriz não venceria o teu amor ao Salvador Crucificado? Serás, acaso, bastante forte, para preferir, por amor de Cristo, morte cruel a cingir a

coroa de Imperatriz?” Radiante de júbilo, respondeu Susana: – “Ah! meu querido pai, quanto não me sentiria feliz, se me fosse concedido sacrificar a vida por amor ao divino esposo, que derramou Seu sangue pela minha salvação! Nenhuma púrpura seduz-me, nenhum martírio me atemoriza!”

– “É o que provarás dentro em breve”, respondeu comovido o pai cristão, animando a filha, para o combate iminente. A todos os engodos e adulações, como também as ameaças e injúrias, Susana opôs inabalável firmeza. Os mais cruéis martírios, nem sequer um instante a fizeram vacilar no seu amor ao Divino Salvador. Não precisas, leitora cristã, sofrer pelo teu Divino Salvador, a morte violenta pelo martírio doloroso: deves, todavia oferecer-Lhe o primeiro lugar no teu coração juvenil; quer te chame Deus para o matrimônio, quer para o estado religioso ou para uma constante vida de solteira no mundo. Continuar lendo

SANTIFICAR A MOCIDADE

donz1º- Orna, donzela cristã, de virtudes a tua mocidade.

Para isto, deve o teu pensamento, antes de tudo, incitar-te para Deus. Quando desejas mimosear tua amiga com uma rosa, certamente, não lhe envias uma flor sem viço, cujas pétalas caíram em parte, antes escolhe a rosa mais fresca, mais viçosa e mais olorosa do teu jardim; pois, somente esta será recebida com gratidão, enquanto a primeira será desdenhosamente rejeitada. Do mesmo modo deverá proceder, donzela cristã, para com teu Deus. A mocidade é o tempo mais belo, mais florescente mais alegre de tua vida. Assemelha-se à primavera, na qual, por toda parte, na natureza, se agita uma juventude forte e fresca; inúmeras flores abrem a doce corola, o céu azul sorri por cima de nossas cabeças e uma exalação aromática nos envolve. Assim sucede agora contigo.

Como corre fresco e forte o sangue em tuas veias, como teus olhos cheios de esperança fitam o futuro, e como são elásticas as forças do teu espírito! Teu coração ainda não está dominado pelas paixões e se entusiasma por tudo quanto é elevado e bom. Na tua força juvenil e na tua inocência, tu és mil vezes mais bela que a mais formosa flor, de cujas pétalas pende uma gota de orvalho, onde brilha maravilhosa a imagem do sol.

Este tempo mais belo de tua vida não o deves negar a Deus, a quem tudo tens que agradecer, até a última gota de sangue de tuas veias e a menor fibra de teu coração; a Deus, para cujo serviço fosse criada e perante cujo tribunal hás de comparecer um dia, a fim de lhe prestar contas de toda tua vida, como também de tua mocidade; a Deus que te ama infinitamente e que encontra o Seu maior prazer nos serviços que lhe prestas na tua mocidade, e por isto Se inclina para ti cheio de graças e pede o teu amor sincero: “Minha filha, dá-me o teu coração”. (Prov. 23,26). Este teu nobre coração não o deves negar a Deus, para dá-lo ao mundo, que aproveita de ti e por fim te ilude; nem a uma paixão que te escraviza, cega e conduz ao caminho de perdição. Não, não! Tal coisa não pode, nem deves querer. Tem sempre em vista a admoestação do Espírito Santo: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade” (Ecl. 12,1). Alegremente e com entusiasmo deves consagrar-lhe o mais belo tempo de tua vida. De fato: somente aquilo que é mais belo, melhor e mais excelente é digno de Deus. Continuar lendo