FÁTIMA E O DEVER DE ESTADO

Pe. Bertrand Labouche – FSSPX

Na aparição de 13 de setembro, Nossa Senhora de Fátima pediu aos três pastorinhos para não usar a corda à noite. Para converter os pobres pecadores, eles tinham decidido oferecer o sacrifício de trazer uma corda amarrada sobre os rins dia e noite, mas Nossa Senhora lhes lembrou que a noite foi feita para descansar.

“O dever antes de qualquer outra coisa”, por mais santa que seja”, dizia o Pe. Pio.

O dever de estado é um grande meio de santificação. Irmã Lúcia escreveu numa carta de 1943 o que Nosso Senhor lhe revelou sobre o assunto:

Esta é a penitência que o bom Deus agora pede: o sacrifício de cada um para impor a si mesmo uma vida de justiça na observância da Sua lei.Ele deseja que se faça conhecer com clareza este caminho às almas; pois muitas, julgando que o sentido da palavra ‘penitência’ restringe-se às grandes austeridades, por não sentirem forças nem generosidade para elas, desanimam e descansam numa vida de tibieza e pecado.

“[…] estando na capela, com licença de meus superiores, às 12 da noite, me dizia Nosso Senhor: ‘O sacrifício que o cumprimento do seu próprio dever e a observância da minha lei exige de cada um, é a penitência que agora peço e exijo.”

À fidelidade à vontade de Deus — significada pelos seus Mandamentos e pelo nosso dever de estado — somemos a conformidade àquilo que Deus deseja para nós, segundo as palavras do Anjo de Fátima aos pastorinhos: “Aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar”.

“O mais difícil não é o ímpeto do fervor das vigílias noturnas, das procissões de pés descalços sobre o solo pedregoso ou ardente, se isso não passa de um episódio passageiro. O mais difícil é a fidelidade constante aos deveres de católico mesmo quando são incômodos,às práticas piedosas, aos sacrifícios mais pequenos da vida quotidiana, com espírito de reparação, humildade e  amor” (Discurso do Papa Pio XII, 22/11/1946). O que não exclui, evidentemente, se inscrever numa peregrinação, assistir à Missa nos dias de semana ou fazer um retiro, mas com a finalidade, precisamente, de ser mais fiel ainda a seus deveres. Continuar lendo

MÁQUINA MORTÍFERA

Fonte: Novo Boletim Permanencia

Até onde ainda pode ir a banalização das relações? No caso, a pergunta ainda pode ser mais específica: até onde ainda pode ir a negação da vida e da própria espécie? A pílula do dia seguinte, uma espécie de aborto do aborto, prenuncia a absoluta irresponsabilidade e indiferença sexual, a redução do ato sexual a uma função fisiológica sem outra consequência que o alívio provisório da concupiscência.

Nos Estados Unidos, no campus da Universidade de Yale, a pílula do dia seguinte estará disponível nas máquinas de vender bebidas e guloseimas já na volta das férias de inverno. Aperta-se um botão e, em troca de uma moeda, da mesma máquina que poderia expelir um refrigerante ou uma batata frita, irá saltar uma pílula abortiva.

Por ora, essa é ainda a alternativa ‘última’, depois de falharem todos os outros meios de evitar a fertilização. Chegará o dia em que essa pílula se torne tão segura e efetiva que substitua os outros meios?

Parece que não. As pílulas do dia seguinte são uma espécie de extintor de incêndio, usado por mulheres que já utilizam um ou mais métodos contraceptivos, mas que por alguma razão recorrem a ela para não engravidar, seja evitando o encontro do óvulo com o espermatozóide (fertilização), seja evitando a implantação (nidação) do ovo (óvulo fecundado) na parede uterina, isto é, uma espécie de aborto, pois provoca a morte de um ser humano.

Como hoje as mulheres normalmente não demonstram nenhum impedimento moral para o uso de quaisquer meios de contracepção, o que passou a acontecer desde o fim do século XX é uma preocupação maior com as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

A ‘camisinha’ foi e é distribuída de graça ou com grande facilidade para todas as pessoas desde os 13 anos. Em segundo lugar, as meninas passam a tomar pílulas muito cedo, consentidas ou mesmo estimuladas por pais e médicos. Assim passam a cobrir dois momentos da dinâmica da fertilidade, o ato sexual em si e a ovulação.

A pílula do dia seguinte já é usada no Brasil sem receita médica. E claro, sua popularidade aumentou muito desde 2005, mas o seu uso ubíquo e frequente mostrou se tratar de droga com riscos à saúde. Além disso, países “desenvolvidos” como os EUA oferecem concorrentes a este público: o aborto praticado pelo médico e a pílula abortiva propriamente dita.

Por estas razões, e outras como aumento da infertilidade, da sodomia e do lesbianismo, além da perda da libido, essas pílulas vêm perdendo consumidoras e sendo substituídas por um método antigo e mais perverso: o DIU. O DIU funciona impedindo a passagem do espermatozóide, a nidação do ovo, ou mesmo pela inibição da ovulação, quando é liberador de hormônio.

Outro ponto importante é o conceito de ‘empoderamento’ feminino. Parte da proposta de se vender essas pílulas em máquinas automáticas é lisonjear os egos das novas feministas, que advogam mais direitos sobre “seus corpos”, e igualdade de opções com seus pares masculinos. Querem fazer crer que essa ‘ciência’ é machista e por isso não desenvolve métodos similares para os homens.

No fim as potestades infernais saem ganhando de uma ou doutra maneira, pois essa banalização do sexo leva necessariamente ao desprezo da vida e da espécie humanas.

O saudoso Nelson Rodrigues já anunciava e repetimos com ele: “Sou contra a pílula, e ainda mais contra a ciência que a inventou; a saúde pública que a permite; e o amor que a toma.” 

 

LANÇAMENTO DO BOLETIM PERMANÊNCIA

O dia 6 de janeiro, festa da Epifania de Nosso Senhor, seria também aniversário de Julio Fleichman, meu pai, que participou junto a Gustavo Corção e outros alunos e amigos, da fundação da Permanência, em 1968. 

Dr. Júlio, como era conhecido, presidiu o movimento e dirigiu a Revista Permanência entre 1969 e 2003. Dois anos depois de ceder o cargo, veio a falecer, vítima de um câncer no cérebro.

Levados pelo alto nível intelectual e religioso de Gustavo Corção, os amigos da Permanência sempre pautaram o trabalho na formação profunda e séria da doutrina católica, em seus diversos pontos.

No entanto, iniciaram nos anos 70 o Boletim Permanência, com o objetivo de oferecer aos seus leitores textos mais curtos sobre assuntos de atualidade política, civilizacional ou cultural. 

A Revista Permanência foi relançada, após 22 anos de inatividade, com o número de Natal de 2011, e consolidou-se como órgão trimestral de formação católica tradicional no Brasil. 

Por iniciativa da equipe de colaboradores da Revista Permanência, relançamos hoje a edição digital do Boletim Permanência, que nossos leitores encontrarão no seguinte link:

boletim.permanencia.org.br

Complementar ao site Permanência, o Boletim mantém a mesma postura daquele lançado por Julio Fleichman: textos curtos, análises de fatos noticiados na mídia, política, cultura, fatos religiosos relevantes etc.

Porém, enquanto o site de formação mantém atualizações semanais e artigos mais longos, o boletim é atualizado todos os dias, ou mesmo várias vezes ao dia, dependendo dos acontecimentos.

Convidamos nossos leitores a freqüentarem  assiduamente essa nova página da Permanência.

Dom Lourenço Fleichman OSB