CRUZADA DE ROSÁRIOS – NOVEMBRO

Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Aos que estão em oração conosco na NOVA CRUZADA DE ROSÁRIOS DA FSSPX, segue abaixo a planilha para acompanhamento em novembro.

novE aos que quiserem informar a quantidade de terços e sacrifícios oferecidos em outubro, podem nos enviar pelo gespiox@yahoo.com.br

Ao recebermos repassaremos ao Priorado de São Paulo para a contabilização.

Que Nossa Senhora nos mantenha fiel na verdadeira Fé.

“JAMAIS ME TORNAREI CATÓLICA. DIZEIS E REPETIS SEMPRE AS MESMAS PALAVRAS NO ROSÁRIO, E QUEM REPETE AS MESMAS PALAVRAS NÃO É SINCERO”

Já se tem objetado que há muitas repetições no rosário, e que o «Pai-Nosso» e a «Ave-Maria», à força de repetidos, tornam-no monótono. Isto faz-me lembrar o caso duma mulher que veio procurar-me uma tarde, depois da preleção

São Domingos, que morreu em 1221, recebeu de Nossa Senhora a ordem de pregar e popularizar a devoção em sufrágio das almas do purgatório, pela vitória sobre o mal e pela prosperidade da Santa Madre Igreja, e assim nos deu o rosário na sua forma atual. Já se tem objetado que há muitas repetições no rosário, e que o «Pai-Nosso» e a «Ave-Maria», à força de repetidos, tornam-no monótono. Isto faz-me lembrar o caso duma mulher que veio procurar-me uma tarde, depois da preleção.

Disse-me: «Eu jamais me tornarei católica. Vós dizeis e repetis sempre as mesmas palavras no rosário, e quem repete as mesmas palavras não é sincero. Eu nunca acreditarei em tal pessoa. Tampouco Deus acreditará nela».

Perguntei-lhe quem era o homem que a acompanhava.

Respondeu-me que era o seu noivo.

Perguntei-lhe ainda: «Ele gosta de si?» Continuar lendo

CRUZADA DE ROSÁRIOS – OUTUBRO

Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Aos que estão em oração conosco na NOVA CRUZADA DE ROSÁRIOS DA FSSPX, segue abaixo a planilha para acompanhamento em outubro.

outE aos que quiserem enviar a quantidade de terços e sacrifícios oferecidos em setembro, podem fazer pelo gespiox@yahoo.com.br

Ao recebermos repassaremos ao Priorado de São Paulo para a contabilização.

Que Nossa Senhora nos mantenha fiel na verdadeira Fé.

ESTUDO SOBRE O NATURALISMO DOS “MISTÉRIOS LUMINOSOS” DO PAPA JOÃO PAULO II – PARTE 4/4

Fonte: SSPX Asia – Tradução: Dominus Est 

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Frutos do Rosário

Se for necessária uma última prova sobre todo esse espírito naturalista da carta apostólica, ele encontra-se na discussão sobre os frutos do Rosário. Há, antes de tudo, uma reinterpretação humanista das graças a serem recebidas pela meditação dos mistérios, especialmente nos mistérios dolorosos e gloriosos. Tradicionalmente, meditamos os mistérios dolorosos em reparação aos nossos pecados e aos pecados do mundo, para que assim cresçamos em contrição e, ao sermos purificados das desordens da nossa sensualidade e orgulho, possamos carregar nossa cruz. Todavia, de acordo com a Carta Apostólica de João Paulo II, os mistérios dolorosos são simplesmente “o ápice da revelação do amor e a fonte da nossa salvação” que revela “o mesmo sentido do homem” através da “força regeneradora” do “amor de Deus” (§22). Essa é uma consequência direta da nova teologia naturalista do Mistério Pascal, que diz que não há necessidade de penitência, sacrifício e satisfação dos pecados. O sofrimento humano de Cristo simplesmente nos dá um maior conhecimento da humanidade em comum (isto é, do próprio “sentido do homem”). Visto assim, esse humanismo é em si mesmo uma revelação do amor de Deus, pois Cristo é a melhor manifestação humana desse amor. Pode-se facilmente ver que nenhum fruto sobrenatural pode vir dessa nebulosa experiência, pois ela não nos atrai ao paraíso, nem nos inspira a desprezar as coisas da terra e abraçar nossa cruz.

A mesma coisa pode se dizer das graças que se obtêm dos mistérios gloriosos. Tradicionalmente, eles nos dão as virtudes teologais (Fé, Esperança e Caridade) e nos dão um fervente desejo pelo Paraíso, além da humilde devoção e confiança na Santíssima Virgem Maria. Já na Carta Apostólica é dito que nos mistérios gloriosos “o cristão descobre novamente as razões da própria fé” (§23) — algo que não faz sentido algum para aqueles que acreditam que a Fé é um dom gratuito de Deus aceito por causa da autoridade D’Ele e porque Ele não pode enganar nem ser enganado. Apenas uma fé [puramente] humana procuraria confirmações desse tipo. Ademais, o Papa João Paulo II resume os frutos dos mistérios gloriosos dizendo que eles “alimentam nos crentes a esperança da meta escatológica, para onde caminham como membros do Povo de Deus peregrino na história” (§23). Essa estranha expressão indica que o propósito desses mistérios é ajudar crentes de todos os tipos (pois a ambígua expressão “o povo de Deus” é deliberadamente estendida aos que não são católicos), e ajudá-los na “história” — ou seja, nesta terra — em que a própria Igreja é uma peregrina que não sabe para onde os tempos modernos e as mudanças a levam, embora Ela sempre tenha uma mente aberta. A escatologia é o estudo do destino final, mas aqui o termo “meta escatológica” é usado em sentido ambíguo, de modo que ele muito bem poderia se referir ao destino final do povo de Deus na busca da paz e justiça terrenas, assim como na busca de uma vida perene. Novamente a perspectiva naturalista torna a verdadeira graça ausente. Continuar lendo

ESTUDO SOBRE O NATURALISMO DOS “MISTÉRIOS LUMINOSOS” DO PAPA JOÃO PAULO II – PARTE 3/4

Fonte: SSPX Asia – Tradução: Dominus Est

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Os “melhoramentos” do Rosário

A mais óbvia das melhoras a ser feita no Rosário é a adição de uma nova série de cinco dezenas para ser recitada após os Mistérios Gozosos (§19 e §21). A escolha desses novos mistérios, que o Papa chama de “momentos luminosos”, não é de maneira alguma por acaso. Há um esforço deliberado para evitar os dois principais fatores que contribuíram para que São Domingos determinasse as 15 dezenas as quais estamos acostumados. Primeiro, os mistérios foram dados a ele pela Tradição, e em segundo esses mistérios são eventos objetivos da nossa Redenção. Os 15 mistérios do Rosário como o conhecemos são eventos que aconteceram e que constituíram etapas importantes no cumprimento da Redenção, seja pela Encarnação (no caso dos Mistérios Gozosos), seja pelo mérito e reparação (como nos Mistérios Dolorosos), seja pela causalidade exemplar (como nos Mistérios Gloriosos). Os três conjuntos de mistérios são necessários a nossa redenção, e não poderia ser de outra maneira. É verdadeiro que muitos dos mistérios estão na Sagrada Escritura, todavia, não é por essa razão que eles foram incluídos no Rosário. Eles foram incluídos porque a Tradição católica vivente transmitiu até São Domingos como os mistérios da nossa redenção precisam ser meditados através do Rosário. Por conseguinte, é completamente falso chamar o Rosário de “compêndio do Evangelho” (§19) como ele é chamado na Carta Apostólica. Da mesma maneira, não está de acordo com a Tradição católica — portanto não é católico — querer adicionar cinco mistérios “para que o Rosário possa considerar-se mais plenamente ‘compêndio do Evangelho’” (§19). Ademais, não é surpreendente notar que os mistérios de luz propostos não são eventos da nossa Redenção. São apenas belos episódios do Evangelho e palavras para nos encorajar. Consequentemente, a inserção desses trechos no Rosário obscurece a realidade e a importância da redenção objetiva que o Rosário tradicional representa. Além disso, os novos mistérios são histórias do Evangelho que a Tradição nunca ligou de qualquer maneira ao Rosário. Para acrescentar mais elementos antagônicos ao verdadeiro aspecto mariano da devoção ao Santo Rosário, apenas um desses mistérios menciona a presença e o papel de Nossa Senhora — e apenas de passagem — na ocasião da bodas de Caná. A Santíssima Mãe não está de maneira alguma presente nos demais mistérios. É o caso de se perguntar o que eles estão fazendo no Rosário além de levar sub-repticiamente a atenção para longe de Nossa Senhora.

Citemos esses cinco “momentos” “luminosos” e “significantes” (§21): O batismo de Cristo no Jordão, sua auto-revelação nas bodas de Caná, seu anúncio do Reino de Deus com o convite à conversão, sua Transfiguração e, enfim, a instituição da Eucaristia. Você pode legitimamente se perguntar por que esses episódios do Evangelho e o quê esses episódios têm em comum para merecer o título de “mistérios de luz”. Evidentemente não têm nada a ver com Nossa Senhora, ou mesmo com a redenção objetiva. Continuar lendo

ESTUDO SOBRE O NATURALISMO DOS “MISTÉRIOS LUMINOSOS” DO PAPA JOÃO PAULO II – PARTE 2/4

Fonte: SSPX Asia – Tradução: Dominus Est

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Naturalismo, o defeito primordial da carta

Há um espírito que não se menciona explicitamente na carta, mas toda ela é permeada por ele: é o naturalismo. Embora lá se diga que o Rosário é uma “contemplação salutar” (§13), não há qualquer menção sobre como ele ajuda na salvação, isto é, como ele pode dar a graça divina, inspirar mortificação e sacrifício, elevar as almas à verdade sobrenatural e eterna e ao amor sobrenatural a Deus. Eliminar essa clara distinção entre as ordens natural e sobrenatural — e eliminar a menção de qualquer coisa especificamente sobrenatural — é o erro modernista de Henri de Lubac que o Papa Pio XII condenou em sua encíclica Humani generis.

A evidência de que o erro naturalista permeia a carta Rosarium Virgnis Mariae reside no fato de que toda afirmação lá feita acerca de meditação e Rosário poderiam ser tanto interpretada facilmente em termos de meditação natural (isto é, de uma experiência psicológica) quanto em termos de meditação sobrenatural. Citemos alguns exemplos disso a seguir.

Afirma-se que “O contemplar de Maria é, antes de mais, um recordar” (§13); e que o “Rosário” de Maria consistia nas lembranças que tinha de seu Filho (§11); e que essa “oração marcadamente contemplativa” “por sua natureza (…) requer um ritmo tranquilo e uma certa demora a pensar” (§12).

A meditação sobrenatural vai muito além da pura lembrança, pois ela preenche a alma com a convicção e o desejo de amar e se sacrificar pelo amado. Ademais, meditação sobrenatural não é produto de um mantra ou produto da maneira em que alguma oração particular é dita — como são as meditações naturais da yoga e de religiões orientais. Continuar lendo

ESTUDO SOBRE O NATURALISMO DOS “MISTÉRIOS LUMINOSOS” DO PAPA JOÃO PAULO II – PARTE 1/4

Apresentamos um Comentário do Padre Peter R. Scott – FSSPX, que dividimos em 4 partes para publicação, sobre o Naturalismo da Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae de João Paulo II, publicada em 16 de outubro de 2002.

Fonte: SSPX Asia – Tradução: Dominus Est

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Naturalismo e o Rosário

Não deve existir nada que possa alegrar tanto o coração de um católico tradicional como uma carta apostólica de um papa sobre o Rosário. O que poderia ser mais propício para a renovação da devoção à Nossa Senhora? O que de mais poderoso poderia superar a impiedade dos nossos tempos? O que, em última análise, poderia estar mais de acordo com os pedidos de Nossa Senhora de Fátima sobre a consagração e o triunfo do Imaculado Coração? O que de fato poderia ser mais efetivo como resposta ao ecumenismo, à liberdade religiosa e aos outros erros do Concílio Vaticano II, incompatíveis como são com a verdadeira devoção à Nossa Senhora?

Entretanto, nosso entusiasmo inicial acerca de um pronunciamento papal sobre o Rosário se esvaece tão logo estudamos a carta e percebemos que ela é uma tentativa velada de promover o naturalismo da revolução pós-conciliar, e isso vem disfarçado no tratamento dado à mais tradicional devoção que os católicos conhecem. Como isso poderia ser possível? Como poderia um papa errar recomendando o Rosário? Como poderia Nossa Senhora abandonar aqueles que continuam a recitar suas Ave-Maria? Como poderia um católico criticar um papa que diz que o Rosário é “sua oração predileta”, “Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade” (§2)? Continuar lendo

ATENÇÃO: A NOVA CRUZADA DE ROSÁRIOS COMEÇARÁ NESSA SEGUNDA, DIA 15

Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Na próxima segunda-feira, dia 15/08 começaremos a nova Cruzada de Rosários da FSSPX, por ocasião do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima (Maio à Outubro/1917).

Esta cruzada será realizada de 15 de agosto de 2016 a 22 de Agosto 2017 .

Ela corresponde às intenções indicadas pela própria Virgem Santíssima: 

(I) Jesus quer estabelecer no mundo a devoção ao Coração Imaculado de Maria. Para que seja feita, todos os fiéis são convidados a:

  • Recitar diariamente o rosário, sozinho ou em família; 
  • Realizar a devoção da Comunhão reparadora nos cinco primeiros sábados do mês, e multiplicar os sacrifícios diários, em espírito de reparação pelos ultrajes cometidos contra Maria; 
  • Levar consigo a medalha milagrosa e difundi-la;
  • Consagrar seus lares ao Imaculado coração de Maria .

Além da propagação desta devoção, rezemos também:

(II) para apressar o triunfo do Coração Imaculado; 

(III) Para que seja realizado pelo Papa e todos os bispos do mundo católico a consagração da Rússia ao Coração Imaculado e Doloroso de Maria.

E nós adicionamos (IV) como uma intenção especial, a proteção da Santíssima Virgem à Fraternidade São Pio X e todos os seus membros, bem como as comunidades religiosas da Tradição .

Dom Bernard Fellay fixou como objetivo um buquê de 12 milhões de rosários e 50 milhões de sacrifícios ofertados a Nossa Senhora de Fátima.

QUATRO RAZÕES PARA SE REJEITAR O NOVO ROSÁRIO

xilogravura-rosarioXilogravura do século XVI representando os 15 mistérios do Rosário

1 – O Rosário, tal como ele foi recitado desde a época de São Domingos (entre 1170 e 1221), ou seja, desde oito séculos, deu inumeráveis provas de sua eficácia sobrenatural, tanto no plano individual (é um instrumento poderoso de santificação, graças ao qual o Céu se povoou e se povoará até o fim do mundo de inumeráveis eleitos), como no plano social e político, assegurando a vitória da Cristandade sobre os inimigos da verdadeira Fé (cátaros, muçulmanos e protestantes em particular: toda a história da Igreja desde o século XIII testemunha isto). Portanto, já que o Santo Rosário mostrou sua perfeita eficácia durante oito séculos, assegurando a salvação das almas e da Igreja militante, não há nenhuma razão para modificá-lo substancialmente. Além disto, nas últimas aparições de Fátima, reconhecidas pela Igreja, às quais o Papa (João Paulo II, n.d.t.), se refere na sua carta apostólica (Rosarium Virginis Mariae, §7), a Santíssima Virgem pede, em cada uma de suas aparições, a recitação quotidiana do Rosário tal como sempre se praticou.

2 – O Antigo Testamento contêm 150 Salmos, que formam a trama do Ofício Divino ou breviário, ao qual são obrigados à recitação diária todos os padres, em honra da Santíssima Trindade e de Nosso Senhor Jesus Cristo. Este Ofício Divino é concebido de tal forma que, a cada semana, o padre recita ao menos uma vez cada Salmo. O Rosário, com as suas 150 Ave Marias, recitadas em honra de Nossa Senhora, sempre foi considerado, dentro do espírito da Igreja, como algo semelhante ao Ofício Divino; por causa disto, ele foi chamado “o Saltério de Nossa Senhora”, o que tinha a vantagem de sublinhar o lugar especial e único ocupado por Nossa Senhora na devoção da Igreja, e por consequência o culto particular que se deve render à Santíssima Virgem Maria: o culto de hiperdulia.

Mesmo o Papa sublinha esta correspondência entre as 150 Ave Marias do Rosário e os 150 Salmos do Antigo Testamento (Ibid. §19). Porque então acrescentar 5 novos mistérios, fazendo assim o Rosário passar a 200 Ave Marias, o que vem a provocar confusão, e rompe a bela simetria que exprimia tão bem a verdadeira devoção da Igreja em toda a sua riqueza tão perfeitamente ordenada?

3 – Assim também, existe uma eloquente correspondência entre os quinze mistérios do Rosário e os tempos mais importantes do ano litúrgico:

– Os cinco mistérios gozosos, quem têm por centro a encarnação e natividade de Nosso Senhor, fazem eco aos tempos litúrgicos do Advento e do Natal.

– Os cinco mistérios dolorosos nos fazem mergulhar no espirito do tempo da Quaresma, que é toda orientada para a paixão de Nosso Senhor e sua morte na Cruz.

– Finalmente, os cinco mistérios gloriosos lembram a nossas almas o tempo Pascal  e seu espírito cheio de alegria e de esperança sobrenatural[1].

No entanto, enquanto que o ano litúrgico tem por fim “fazer que o cristão compartilhe, estação por estação e quase dia a dia, os sentimentos de Cristo em seus diferentes mistérios, fazendo assim o homem viver da vida em Deus[2], o Rosário considera os principais mistérios da vida de Nosso Senhor de uma outra maneira: “Dando uma atenção bem explícita ao lugar que Nossa Senhora aí ocupa[3].” Em consequência, o ano litúrgico e o Santo Rosário, complementares um do outro, têm um lugar bem definido na vida cristâ: (…) A liturgia não suprime o Rosário, que tem um caráter próprio e irredutível[4].” Propor cinco novos mistérios, que giram em torno de Nosso Senhor e nos quais Maria está quase ausente[5], “ a fim de dar uma consistência claramente mais cristológica ao Rosário[6], leva a desnaturar este último porque não respeita a sua especificidade, e isto é muito grave. Existe aí um perigo muito real que pode conduzir a um novo desprezo do Rosário e a novos ataques contra sua utilidade na vida cristâ: se se tira do Rosário seu “caráter próprio e irredutível”, ele se tornará inútil para muitos, pois ele será considerado como uma duplicação da liturgia.

4 – Estes novos mistérios com uma “consistência cristológica” diminuem o caráter mariano do Rosário, obscurecendo com um só golpe o lugar único que ocupa Maria no plano da Redenção: o papel de mediadora universal de todas as graças, em virtude de sua Corredenção ao pé da Cruz. De fato, no texto da carta apostólica do Papa, não encontramos nem uma só vez mencionados os termos de “Maternidade Divina e Virginal”, “Imaculada Conceição”, “Corredenção”, “Mediadora Universal de todas as Graças”, que se referem aos privilégios únicos que recebeu a Santíssima Virgem, dos quais os dois primeiros são dogmas de fé definidos, um deles desde o ano 431 no Concílio de Éfeso, e o outro em 1854 pelo Papa Pio IX. Somente o privilégio da Assunção é mencionado uma só vez, no número 23 da carta apostólica.. Tem-se a clara impressão de que o Papa procura evitar o emprego de termos que desagradem aos protestantes,  e que possam criar novos obstáculos ao ecumenismo conciliar, ao mesmo tempo tentando tornar aceitável a esses mesmos protestantes um Rosário revisto e corrigido que permite “aprofundar a implicação antropológica do Rosário, uma implicação mais radical do que parece à primeira vista. Quem quer que se ponha a contemplar Cristo, fazendo memória das etapas de sua vida, não pode deixar de descobrir também nele a verdade sobre o homem. É a grande afirmação do concílio Vaticano II, que frequentemente foi objeto de meu magistério, desde a encíclica Redemptor Hominis: “Na realidade, o mistério do homem só se esclarece verdadeiramente no mistério do Verbo Encarnado” (…). Pode-se assim dizer que cada mistério do Rosário, bem meditado, esclarece o mistério do homem[7]”. Convenhamos, numa tal perspectiva, não resta muita coisa da devoção mariana tradicional tal como a Igreja  sempre compreendeu e encorajou!

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[1] – O pe. Pius Parch, na introdução de seu livro O Guia do Ano Litúrgico, faz esta bela comparação: “A viagem através do ano eclesiástico assemellha-se a uma excursão nas montanhas. Devemos escalar duas montanhas: a primeira é a do Natal. E depois a montanha principal da Páscoa. Nos dois casos, existem:

– Uma subida: é o tempo da preparação; O Advento, preparação para o Natal; a Quaresma, preparação para a Páscoa.

– Um caminho nas alturas, de uma cume a outro: do Natal até a Epifania; da Páscoa até Pentecostes.

– E uma descida na planície: os domingos depois da Epifania; os domingos depois de Pentecostes.

Pode-se constatar que onze dos quinze mistérios tradicionais do Rosário nos permitem subir ou estacionar sobre as alturas das quais nos fala o pe. Pius Parch, enquanto que os novos mistérios luminosos não se encontram, afora o quinto, nos tempos litúrgicos nos quais culmina o ano eclesiático, e não retomam um tempo litúrgico preciso, destruindo assim a correspondência entre o Rosário e o ano litúrgico.

[2] – Citação de D. Festugière, tirada de seu livro La Liturgie Catholique.

[3] – Citações tiradas do artigo do pe. Calmel OP intitulado : « Dignité du Rosaire », publicado no nº 62 da revista Itinéraires, abril 1962, pág.142.

[4] – Pe. Calmel, ibid.

[5] – Nossa Senhora está totalmente ausente de quatro dos cinco mistérios luminosos, e mesmo que ela esteja presente às bodas de Caná, nós não somos convidados explicitamente a contemplar o papel que ela exerce neste episódio, mas tão somente Jesus Cristo na sua auto-revelação. O Papa aliás viu bem esta dificuldade e tentou responder à objeção no fim do número 21 da carta apostólica, explicando que se “nos mistérios [luminosos], com exceção de Caná, Maria só está presente em segundo plano, (…) a função que ela exerce em Caná acompanha, de uma certa maneira, todo o percurso de Cristo”. Mas toda esta explicação é pouco convincente! Alguns poderiam objetar que Maria não está ao lado de seu Filho nos três primeiros mistérios dolorosos. A este respeito, convêm compreender que na mediação do conjunto dos mistérios dolorosos, nós somos convidados a contemplar a Virgem das dores, Corredentora do gênero humano ao pé da cruz; esta Corredenção de Nossa Senhora tinha sido profetizada pelo velho Simeão no episódio da apresentação do Menino Jesus no templo (quarto mistério gozoso), quando ele diz a Maria “e a vós, uma espada transpassará a vossa alma, e assim serão revelados os pensamentos ocultos no coração de um grande número” (Lc. 2, 35). Assim a continuidade entre os mistérios gozosos e os mistérios dolorosos é bem destacada, e esta continuidade se encontra rompida se se intercala os mistérios luminosos, já que Maria, por uma disposição da providência divina, é quase ausente da vida pública de Nosso Senhor, a fim de bem significar que sua missão não era a mesma que a dos apóstolos. O pe. Calmel, concluíndo seu artigo “Dignidade do Rosário”, já citado,  assinala muito bem a importância capital da corredenção de Maria na meditação dos mistérios dolorosos: “O Rosário é uma oração de compaixão porque ele se dirige à Virgem Dolorosa que sofreu infinitamente ao pé da Cruz pela redenção da humanidade.”

[6] – Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae § 19

[7]Rosarium Virginis Mariae §24. A citação do Concílio Vaticano II é extraída da constituição pastoral sobre a Igreja no Mundo Moderno Gaudium et Spes, nº 22.

pelo Rev. Pe. Fabrice Delestre, FSSPX