MOTU PROPRIO TRADITIONIS CUSTODES, PELO PE. JEAN-FRANÇOIS MOUROUX, FSSPX, PRIOR DO PRIORADO DE SÃO PAULO

O DESAFIO DO CONFINAMENTO – PELO PADRE JEAN-FRANÇOIS MOUROUX,FSSPX |  DOMINUS EST

Sermão do X Domingo depois de Pentecostes proferido na Capela São Pio X, do Priorado Padre Anchieta, com publicação autorizada para o blog Dominus Est

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Caros fiéis,

Em 16 de julho, foi lançado um novo grande ataque contra a Tradição Católica: o Motu Proprio Traditionis Custodes do Papa Francisco, que reduz ao máximo a celebração da Missa Tridentina. Para a Fraternidade São Pio X (FSSPX), estas disposições não mudarão nada, exceto para lhes trazer mais fiéis. Mas é importante saber por que isto não mudará nada para nós. Também devemos entender a diferença entre a FSSPX e as chamadas comunidades “Ecclesia Dei” para as quais tudo vai mudar.

Voltemos à origem desta ruptura na luta pela defesa da Tradição católica. Em 1988, Dom Marcel Lefebvre consagrou quatro bispos sem a autorização de Roma. Para ele, era uma questão de sobrevivência. Após vários anos de negociações com Roma para tentar explicar os problemas colocados pela nova doutrina do Vaticano II, a nova liturgia, os novos sacramentos, a nova lei canônica, após os repetidos escândalos, incluindo a famosa reunião ecumênica em Assis, Dom Lefebvre estava convencido de que a hierarquia da Igreja não queria “apoiar ou continuar a Tradição“. E hoje o Papa Francisco lhe dá razão, pois deixa claro que as concessões feitas à liturgia tradicional foram feitas com o objetivo de trazer aos poucos os sacerdotes e os fiéis à nova liturgia. Então, consequentemente, Dom Lefebvre decidiu salvar a Tradição, consagrando bispos.

Infelizmente, alguns sacerdotes da Fraternidade São Pio X, naquela época não quiseram seguir Dom Lefebvre no que foi chamado de seu “cisma“. Para eles, Roma criou uma estrutura chamada Comissão Ecclesia Dei, cujo nome vem do texto que a estabeleceu. Esta estrutura reuniu gradualmente todos os Institutos que desejavam preservar a Missa tradicional sendo eles reconhecidos por Roma. Estes incluíam a Fraternidade São Pedro e o Instituto do Bom Pastor. “Não podemos desobedecer ao Papa“, disseram eles. “Temos que ficar dentro da Igreja para promover a Tradição.”

Mas para Dom Lefebvre, não se tratava de sair da Igreja, mas justamente de permanecer nela. Não foi ele quem mudou, mas as autoridades da Igreja que mudaram.

Em uma conferência em 21 de dezembro de 1984, ele disse: “Não podemos nos colocar sob uma autoridade cujas ideias são liberais e que nos condenaria pouco a pouco, pela força das circunstâncias, a aceitar suas ideias e suas consequências, antes de mais nada, a Nova Missa.”

Em uma conferência em dezembro de 1989 (um ano depois das sagrações episcopais), Dom Lefebvre voltou a falar da situação daqueles que preferiam se submeter a Roma: “Eles se encontrarão rapidamente em uma contradição, pois se aceitarem o Concilio, terão que aceitar suas consequências. E as consequências incluem a reforma litúrgica.”

Então, a atitude do arcebispo Lefebvre pode ser explicada por dois princípios: Continuar lendo

HÁ HOJE UMA CRISE NA IGREJA

Pe. Mathias Gaudron, FSSPX

  1. HÁ HOJE UMA CRISE NA IGREJA? 

Seria preciso cobrir os olhos para não ver que a Igreja Católica sofre uma grave crise. Esperava-se, nos anos 1960, na época do Concílio Vaticano II, uma nova primavera para a Igreja, mas o que aconteceu foi o contrário. Milhares de padres abandonaram seu sacerdócio; milhares de religiosos e de religiosas retornaram à vida secular. Na Europa e na América do Norte, as vocações se tornam raras, e não se pode nem mais computar o número de seminários, conventos e casas religiosas que tiveram que fechar. Muitas paróquias permanecem sem padre, e as congregações religiosas devem abandonar escolas, hospitais e asilos para idosos. “Por alguma fissura, a fumaça de Satanás entrou no Templo de Deus” – essa era a queixa do Papa Paulo VI, em 29 de junho de 1972 (1).

Sabe-se quantos padres abandonaram o sacerdócio nos anos 1960? 

No conjunto da Igreja, entre 1962 e 1972, 21.320 padres foram reduzidos ao estado leigo. Não estão incluídos nesse número aqueles que negligenciaram pedir uma redução oficial ao estado leigo. Entre 1967 e 1974, trinta a quarenta mil padres teriam abandonado sua vocação. Esses fatos catastróficos podem, com algum esforço, ser comparados aos acontecimentos que acompanharam a auto-intitulada “Reforma” protestante do século XVI. 

Há um desastre análogo nas congregações religiosas? 

Quebec, província francófona do Canadá, era, no início dos anos 1960, a região que contava, proporcionalmente, com mais religiosas no mundo. O Cardeal Ratzinger conta, enfatizando que é só um exemplo: 

“Entre 1961 e 1981, por causa das saídas, dos falecimentos e da paralisação do recrutamento, o número de religiosas passou de 46.933 para 26.294. Uma queda de 44%, que parece impossível de conter. As novas vocações, com efeito, diminuíram, durante o mesmo período, ao menos 98,5%. Verifica-se então que uma boa parte dos 1,5% restantes é constituída por “vocações tardias”, e não por jovens, a ponto de as simples previsões permitirem a todos os sociólogos estar de acordo sobre esta conclusão brutal, porém objetiva: em breve (salvo reversão de tendência muito improvável, ao menos ao olhar humano), a vida religiosa feminina tal como conhecemos não será mais que um suvenir do Canadá.”(2)

A situação não melhora hoje, e não se poderia considerar que a crise agora ficou para trás? 

Havia na França, nos anos 1950, por volta de mil ordenações sacerdotais por ano. Desde os anos 1990, não há mais de cem por ano. Havia 41 mil padres diocesanos na França em 1965. Não havia mais que 16.859 em 2004, e a maioria tem mais de 60 anos. O número de religiosos no mundo continua a diminuir(3).  Continuar lendo

CARTA DO SUPERIOR GERAL DA FRATERNIDADE SACERDOTAL SÃO PIO X APÓS A PUBLICAÇÃO DO MOTU PROPRIO “TRADITIONIS CUSTODES”

“ESSA MISSA, NOSSA MISSA, DEVE SER REALMENTE PARA NÓS COMO A PÉROLA DO EVANGELHO PELA QUAL TUDO RENUNCIAMOS, PELA QUAL ESTAMOS PRONTOS A VENDER TUDO.”

Fonte: FSSPX

Caros membros e amigos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X,

O motu proprio Traditionis custodes e a carta que o acompanha causaram uma agitação profunda no ambiente dito ‘tradicionalista’. Pode-se notar, com boa lógica, que a era da hermenêutica da continuidade — com seus equívocos, ilusões e esforços impossíveis — acabou tragicamente, sendo posta de lado. Essas medidas, tão claras e nítidas, não tocam diretamente a Fraternidade São Pio X, mas devem ser para nós ocasião de uma reflexão profunda. Para fazer isso, é necessário elevar-nos aos princípios e colocarmo-nos uma questão simultaneamente antiga e nova: por que a Missa tridentina é o pomo da discórdia depois de cinquenta anos?

Antes de tudo, devemos nos lembrar que a santa Missa é a continuação, nos tempos, da luta mais renhida que há: a batalha entre o Reino de Deus e o reino de Satanás, essa guerra que chegou ao ápice no Calvário, com o triunfo de Nosso Senhor. Foi para essa luta, e essa vitória, que Ele se encarnou. Visto que a vitória de Nosso Senhor foi obtida pela cruz e por seu sangue, é compreensível que sua perpetuação aconteça, também, por meio de lutas e contrariedades. Todo cristão é chamado a esse combate: Nosso Senhor nos chama porque disse que “veio à terra para trazer a espada” (Mt 10, 34). Não é surpreendente que a Missa de sempre, que exprime perfeitamente a vitória definitiva de Nosso Senhor sobre o pecado, por seu sacrifício expiatório, seja ela mesma um sinal de contradição.

Contudo, por que essa Missa se tornou sinal de contradição dentro da própria Igreja? A resposta é simples, e cada vez mais clara. Depois de cinquenta anos, os elementos da resposta são evidentes para todos os católicos de boa vontade: a Missa tridentina expressa e veicula uma concepção da vida cristã — e, consequentemente, uma concepção de Igreja — que é absolutamente incompatível com a eclesiologia que procede do Concílio Vaticano II. O problema não é simplesmente litúrgico, estético, ou meramente formal. O problema é simultaneamente doutrinal, moral, espiritual, eclesiológico e litúrgico. Em poucas palavras, é um problema que toca todos os aspectos da vida da Igreja, sem exceção: é uma questão de fé.

De um lado encontra-se a Missa de sempre, estandarte de uma Igreja que enfrenta o mundo e que está certa de sua vitória, porque sua batalha não é outra que a continuação daquela que Nosso Senhor realizou para destruir o pecado e o reinado de Satanás. É pela Missa, e através da Missa, que Nosso Senhor alista as almas cristãs no seu próprio combate, fazendo que participem tanto de sua cruz como de sua vitória. De tudo isso decorre uma ideia fundamentalmente militante da vida cristã. Duas notas a caracterizam: o espírito de sacrifício e uma esperança inabalável. Continuar lendo

SOFRER AO INVÉS DE AGIR?

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Diante dos erros modernos que ele desaprova, o Padre “X” optou por permanecer em silêncio, oferecendo os sofrimentos que isso lhe causa. Isso é realmente admirável?

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Ouvimos, por vezes, ecos de um ou de outro sacerdote de boa-fé que, demasiado conservador aos olhos de sua hierarquia, é obrigado a reduzir o ardor apostólico e a obedecer às injunções progressistas. Ele então se encontra acorrentado à toda-poderosa Equipe de Animação Pastoral e, com relutância, tem que lidar com a ecologia e o ecumenismo mais do que com a salvação das almas. Ele deve então ensinar as almas a viverem bem aqui na Terra de acordo com as máximas do mundo, ao invés de pregar as virtudes celestiais do desprezo por esta terra de exílio. Muitos padres conservadores dizem que sofrem com isso. Queremos acreditar neles! Substituem o ministério sacerdotal pelo ministério do sofrimento: o sofrimento por não poder cumprir o seu ministério. Mas é suficiente sofrer?

Encontramos no Papa Paulo VI uma atitude semelhante. Em 21 de junho de 1972, durante uma audiência geral, ele revelou parte de suas notas pessoais: 

Talvez o Senhor me tenha chamado e me mantenha neste serviço[o papado] não tanto por qualquer aptidão que eu possua ou para que eu governe e salve a Igreja das suas dificuldades atuais [grifo nosso], mas para que eu sofra algo pela Igreja e fique claro que Ele, e mais ninguém, a guia e salva

Romano Amerio, autor do famoso livro Iota Unum (compre aqui ou aqui) sobre a crise na Igreja, qualifica esta admissão como “exorbitante“: Deus o teria chamado ao ofício papal, mas não para que governe. Amério mostra que Paulo VI não se contentou com essas estranhas palavras, mas que muitas vezes renunciou sua autoridade diante dos muitos desvios graves que marcaram seu pontificado. Para sua função pública de pastor supremo, o Papa substituiu assim uma virtude pessoal: sofrer em vez de comandar. Como se um pai abandonasse seu papel para sofrer exclusivamente as dificuldades de sua família. Dificuldades que não deixarão de surgir precisamente porque o pai abandona sua função. Paulo VI procurou assim “salvar a Igreja” não por sua ação, mas por seu sofrimento…devido, em parte, à sua inação. Continuar lendo

A MISSA DE SÃO PIO V, A MISSA DE PAULO VI E OS CONSERVADORES

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POR UMA VERDADEIRA COMPAIXÃO

A situação dos ritos de São Pio V e Paulo VI é descrita no recente Motu proprio Traditionis Custodes: uma coabitação impossível no nível dos princípios litúrgicos.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

1 – Com o recente Motu proprio Traditionis custodes de 16 de julho, o Papa Francisco estabelece que “os livros litúrgicos promulgados pelos “Santos” Pontífices Paulo VI e João Paulo II, em conformidade com os decretos do Concílio Vaticano II, são a única expressão da lex orandi do Rito Romano

2 – As diversas reações não tardaram a surgir do movimento Ecclesia Dei. Sem dúvida, a situação de todos aqueles que, por estarem ligados à liturgia tradicional, não quiseram seguir Mons. Lefebvre e a Fraternidade São Pio X em um suposto “cisma” ou pelo menos em uma igualmente suposta “desobediência”, corre o risco de se tornar muito problemática. Isto é muito angustiante aos olhos de todos aqueles cuja consideração se limita ao bem pessoal dos membros do referido movimento – ou, ao menos, sob o aspecto das consequências práticas imediatas. O exemplo do Superior do Distrito da França da Fraternidade São Pedro é característico a esse respeito, quando ele vê no Motu proprio do Papa Francisco um texto “ofensivo”, que retribui mal os esforços de “obediência” desenvolvidos até agora, chegando ao ponto de dizer que “a Fraternidade São Pio X é finalmente tratada melhor do que nós“.

3 – Mostrando ser angustiante em seus efeitos e prejudicial para as pessoas, a iniciativa do Papa não é, entretanto, surpreendente. É até mesmo lógica. E podemos nos perguntar se tal situação não seria inevitável. Pois a situação dos dois ritos, o de São Pio V e o de Paulo VI, é justamente a descrita no recente Motu proprio Traditionis custodes: situação de uma coabitação impossível no nível dos princípios litúrgicos. Além das situações de fato e do estado infinitamente variável – pacífico ou conflituoso – dos indivíduos, há, fundamentalmente, uma oposição formal de doutrina entre a Missa de São Pio V e o novo rito de Paulo VI. Pois a liturgia é um lugar teológico[1]. Continuar lendo

DO SUMMORUM PONTIFICUM A TRADITIONIS CUSTODES, OU DA RESERVA AO ZOOLÓGICO

O Papa Francisco publicou nesta sexta (16/07) um Motu Proprio cujo título poderia apresentar uma grande esperança: Traditionis custodes, “Guardiões da Tradição”. Sabendo que se dirige aos Bispos, poderia-se levar a sonhar: a Tradição está em vias de recuperar os seus direitos na Igreja?

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Pelo contrário. Este novo Motu Proprio executa uma eliminação. Ele ilustra a precariedade do atual magistério e indica a data de expiração do Summorum Pontificum de Bento XVI, que nem sequer terá celebrado seu décimo quinto aniversário.

Tudo, ou quase tudo, contido no Summorum pontificum foi disperso, abandonado ou destruído. O objetivo também está claramente estabelecido na Carta que acompanha esta liquidação.

O Papa enumera dois princípios “sobre o modo de proceder nas dioceses”: “por um lado, prover o bem daqueles que estão enraizados na forma precedente de celebração e que precisam de tempo para retornar ao rito romano promulgado pelos “santos” Paulo VI e João Paulo II ”.

E, por outro lado: “impedir de erigir novas paróquias pessoais, ligadas mais ao desejo e à vontade de cada sacerdote do que às necessidades do “povo santo e fiel de Deus”.

Uma extinção programada

Enquanto Francisco se faz defensor das espécies animais ou vegetais em vias de desaparecimento, ele decide e promulga a extinção daqueles que estão ligados ao rito imemorial da Santa Missa. Esta espécie não tem mais o direito de viver: ela deve desaparecer. E todos os meios serão empregados ​​para alcançar este resultado. Continuar lendo

DISSOLUÇÃO SOCIAL, DISSOLUÇÃO RELIGIOSA

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As atuais restrições sanitárias estão dissolvendo a sociedade e o atual governo do Papa tende a dissolver a Igreja.

Fonte: Editorial da Revista Fideliter n ° 259 – Tradução: Dominus Est

As restrições sanitárias decretadas pelos governantes impuseram à população, voluntariamente ou não, uma dissolução social. As crianças, agora obrigadas a estudar sem ir à escola e seus pais obrigados a concentrarem-se no computador, tiveram que encontrar, sob o mesmo teto, o melhor modo de viver para não interferirem uns aos outros. Todos tiveram que encontrar, ao mesmo tempo e no mesmo lugar, os meios para exercerem suas ocupações completamente díspares umas das outras. O recolhimento em si mesmo tornou-se uma necessidade e o destino de todos. Eis o paradoxo: isolamento universal. Quem pode deixar de ver o terrível dilema com que somos confrontados – um totalitarismo se ergue face a uma democracia que se desintegra? Os pensadores modernos, consumidos pelo modus operandi binário favorecido pelo computador, resolvem tudo usando um algoritmo, e não saem da velha ambiguidade: a escolha entre a multidão ou a unidade. Alguns querem dar prioridade à unidade, mesmo ao custo de esmagar a multidão, enquanto outros reivindicam o contrário e permitem que a diversidade viva correndo o risco de minar a unidade. Pais de família vivenciam essa ambigüidade todos os dias! Cada um dos seus filhos requer uma atenção especial, com a qual está atento para não prejudicar a unidade de toda a sua família. Este é o princípio de todo chefe honrado: “Como são muitos os homens, cada um seguiria o seu caminho se não houvesse quem cuidasse do bem da multidão.” (Santo Tomás de Aquino) A função do poder é precisamente ordenar uma multidão, ou seja, unificá-la sem destrui-la.

O vício da modernidade consiste em ver uma contradição entre unidade e multidão. A partir daí, a primeira se opõe necessariamente à segunda e a instabilidade se torna endêmica porque essa oposição é antinatural. Em seguida, passamos de um excesso de poder para sua ausência. Manter todos em casa dá ao estado poder quase direto sobre todos. O totalitarismo unitário toma o lugar de uma democracia pluralista decadente.

Infelizmente, esse desvio revolucionário entrou na Igreja. A monarquia divina fundada por Jesus Cristo tende a se tornar uma pluralidade chamada sinodal, em detrimento do poder do Papa. Passamos da unidade para a pluralidade não apenas porque o poder do Vigário de Cristo tende a se dissolver em todos os tipos de assembleias, mas ainda mais porque a Igreja Católica está definhando através do ecumenismo em meio a um conjunto de religiões mais ou menos idólatras. Esta gangrena da Igreja de Jesus Cristo, que a priva da sua unidade fundamental, a transforma na Igreja “conciliar”. A catolicidade se tornou uma vaga universalidade sem regras, onde cada um encontra seu próprio caminho com base em seu sentimento pessoal. Eis a outra forma de isolamento universal que sub-repticiamente conduz a um poder excessivo. Continuar lendo

30/06/21 – 33 ANOS DAS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS EM ÉCÔNE

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“Preferimos continuar na Tradição, guardar a Tradição, esperando que essa Tradição reencontre seu lugar em Roma; seu lugar entre as autoridades romanas, e no espírito dessas autoridades romanas.” — Mons. Marcel Lefebvre

Introdução de Michael J. Matt (editor de Remnant) – Tradução Dominus Est

Em 1976, quando eu tinha dez anos, fui crismado pelo Arcebispo Marcel Lefebvre. Lembro-me de um homem bondoso e santo, de fala suave e verdadeiramente humilde. Mesmo crianças, meus irmãos e eu entendemos que ali estava um verdadeiro soldado de Cristo, que assumira uma posição corajosa e solitária em defesa da sagrada Tradição, em um momento em que não havia nada mais “hip” do que novidade e inovação. Nosso pai estava junto a ele, e esses homens eram “traddies” muito bem antes de “traddy” ser algo legal.

Lembrem-se: o mundo inteiro estava no auge da revolução da época — sexual, política, litúrgica, cultural — e não havia nada mais antiquado do que o passado. A resistência solitária dos primeiros tradicionalistas pôde, então, ser comparada a algo tão absurdo (aos olhos do mundo na época) como um homem na lama em Woodstock que insistisse para que os hippies colocassem suas roupas de volta e parassem de gotejar ácido e fumar maconha. Ninguém se importava. Eram zombados, riam deles e, eventualmente, mandados ir para bem longe da Igreja.

Os tempos estavam realmente ‘mudando’, e com poucas exceções, o elemento humano da Igreja de Cristo acompanhou a loucura — com efeito, poder-se-ia dizer, liderando o caminho.

Quando nos lembramos o porquê desses homens terem resistido à loucura dos anos 60, lembremo-nos de que eles não foram motivados principalmente pela ideia de salvaguardar suas próprias circunstâncias. O Arcebispo Lefebvre, por exemplo, estava aposentado antes que o mundo descobrisse quem ele era. Ele foi persuadido a sair de sua aposentadoria por seminaristas que, de repente, viram-se cercados por lobos em pele de ovelha, nos próprios seminários. Os modernistas estavam, literalmente, em toda parte. Continuar lendo

ENTREVISTA DO SUPERIOR GERAL DA FSSPX POR OCASIÃO DO SEU 25º ANIVERSÁRIO DE SACERDÓCIO

Por ocasião do seu 25º aniversário de sacerdócio, o Distrito italiano entrevistou o Superior Geral da FSSPX, Pe. Davide Pagliarani, que estava de passagem por Albano Laziale.

Ele nos deixa um interessante testemunho sobre o valor do sacerdócio e de sua experiência pessoal.

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O senhor está celebrando seu 25º aniversário de sacerdócio. Como o senhor está vivenciando isso?

Certamente é o presente mais belo que Deus pode dar a um homem e a vida mais bela que um homem pode ter. Após 25 anos, percebe-se isso cada dia mais, especialmente fazendo uma retrospectiva de sua própria vida. Tudo o que já aconteceu. Um sacerdote percebe que Deus não só o chama ao Seu serviço, mas continua a guiá-lo, como uma Providência muito particular. Senti isso imediatamente e sinto cada vez mais.

A vocação é um chamado do Alto. Como podemos ouvir e responder a isso?

O Senhor chama sempre – e chamará até ao fim dos tempos – almas ao Seu serviço, na vida sacerdotal, na vida religiosa. Ele chama de uma maneira diferente, a vocação não é necessariamente algo que se ouve, como uma voz, como um sentimento. Certamente, Deus faz sentir atração pelo Seu serviço, por tudo o que é Sagrado. É através deste modo particular que Deus chama as almas. E como escutamos? Eu diria, antes de tudo, tentando viver em estado de graça e depois, acima de tudo, estando disposto a fazer a Sua vontade, seja ela qual for. No fundo, estas são as disposições fundamentais básicas para sermos capazes de discernir se Deus está nos chamando para Seu serviço.

O senhor se imaginava como Superior Geral da FSSPX?

Alguns meses antes do Capítulo Geral de 2018, obviamente alguns rumores haviam chegado aos meus ouvidos. Anteriormente, devo dizer, nunca pensei nisso. Lembro-me, particularmente, da alegria de trabalhar durante 3 anos na Ásia, em Cingapura. Viajando muito pela Ásia, lembro-me do desejo de permanecer naqueles países pelo resto da vida. Lembro-me muito bem de uma vez que visitei um cemitério, com todos os túmulos dos missionários. Um cemitério cristão em um país muçulmano. E quando vi esses túmulos de missionários, recordo-me muito bem do desejo de passar minha vida naqueles países até o fim. De ser enterrado um dia também, longe da minha terra. O Senhor então mudou as cartas na mesa. Continuar lendo

ALGO ALÉM DA COMPREENSÃO

“Pois se, ao invés do que fiz naquele tempo eu tivesse formado meus seminaristas assim como eles são formados hoje em dia nos seminários atuais eu que seria excomungado.

Se tivesse ensinado o catecismo assim como ele está sendo ensinado hoje nas escolas, eu é que seria chamado de herege.

Se eu tivesse celebrado a Santa Missa do modo que ela é celebrada hoje, eu é que seria considerado suspeito de heresia e fora do âmbito da Igreja.

Isto que acontece está além da minha compreensão.

Isto significa que alguma coisa mudou dentro da Igreja.

Na hora de minha morte, quando Nosso Senhor me perguntar: “O que fizeste com seu episcopado?” O que fizeste dom sua graça episcopal e sacerdotal? Eu não quero ouvir de seus lábios as terríveis palavras: “Ajudastes a destruir a Igreja assim como os demais”.”

TRECHO DO FANTÁSTICO SERMÃO DE MONS. MARCEL LEFEBVRE EM LILLE (1976)

“ONDE ESTÁ A TRADIÇÃO, ALÍ ESTÁ A IGREJA” – SERMÃO DE MONS. LEFEBVRE

Sermão inédito de Mons. Lefebvre durante uma peregrinação de ação de graças a Nossa Senhora de Marches, pelas sagrações episcopais de 1988, proferido em 19 de novembro do mesmo ano, em Bulle (Suíça).

RESUMO

Neste sermão, Mons. Lefebvre dá graças a Deus pelo dom extraordinário de 4 novos Bispos para a Igreja Católica. Essas sagrações – aparentemente – ocorreram sem a autorização de Roma por causa das circunstâncias da apostasia geral, disseminada até mesmo nos círculos romanos.

A PRIORIDADE: MANTER SUA FÉ

Mons. Lefebvre faz questão de recordar que esta apostasia foi predita pelas Sagradas Escrituras e pela Santíssima Virgem Maria em La Salette, em Fátima e em muitas outras circunstâncias. A Santíssima Virgem advertiu que no final do século 20 haveria uma situação calamitosa na Igreja que poderia levar todos os cristãos a perderem a fé. Mas, ao mesmo tempo, essas profecias nos anunciam que permanecerão na Igreja fiéis que manterão a fé católica, por uma graça particular do Bom Deus.

A primeira coisa a preservar para permanecer fiel a Deus é sua fé, seguindo o exemplo de todos os mártires. O que é um mártir? É uma testemunha da fé que preferiu derramar seu sangue ao invés de abandonar a fé católica. Os fiéis da Tradição são como testemunhas: em muitas circunstâncias são perseguidos e desprezados. Na realidade, eles querem apenas manter a fé, por isso seguem Padres e Bispos católicos que também querem manter a fé católica. Continuar lendo

DEVE-SE TEMER UMA AMEAÇA À MISSA TRADICIONAL?

Diversos rumores e alguns sites parecem sustentar como provável a publicação de um texto questionando, pelo menos parcialmente, o Motu Proprio Summorum Pontificum, do Papa Bento XVI, autorizando sob certas condições a celebração da Missa tradicional e afirmando que esta jamais foi proibida.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

OS ELEMENTOS QUE SUSTENTAM O RUMOR

primeiro sinal é bastante remoto, mas revela uma certa aversão do Papa reinante à liturgia tradicional, ou seja, sua vontade de não permitir sua extensão, pelo menos entre as comunidades “Ecclesia Dei ”.

De fato, várias dessas comunidades, como os Franciscanos da Imaculada ou mesmo a Família Christi, viram-se fortemente sancionadas, até mesmo dissolvidas, por causa de sua aproximação com a Tradição e, em particular, com o rito tradicional da Missa.

Um segundo sinal apareceu com a enquete sobre o rito “extraordinário” lançado pelo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em março de 2020, entre todos os bispos.

Para quem conhece um pouco dos bastidores desse tipo de investigação, era óbvio desde o início que o resultado não importava muito. Mas, por outro lado, era previsível que servisse de pretexto para introduzir uma reforma ou mudança na situação atual da Missa tradicional.

Um terceiro sinal confirma a anterior: logo que os resultados da enquete chegaram a Roma, uma decisão, tão brutal quanto inesperada, definiu o destino das Missas privadas celebradas na Basílica de São Pedro. Nessa ocasião, a celebração do Rito Tridentino foi relegada ao segundo plano, tanto em termos de local como de tempo. Continuar lendo

A GRANDE LACUNA DOS CONSERVADORES

PEDRA

O pontificado do Papa Francisco tem visto o número de “conservadores” aumentar constantemente.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Por “conservadores” devemos entender os católicos que não estão dispostos a comprometer a fé católica, que esperam uma renovação ou um florescimento da Igreja neste mundo secularizado e que têm um sincero desejo de ver o corpo místico crescer através de novas conversões. Em outras palavras, aqueles que mantiveram o espírito católico.

Porém, ao mesmo tempo, esses conservadores querem seguir todas as reformas engendradas pelo Concílio Vaticano II. Isto pareceu-lhes possível, com alguns malabarismos, até ao Papa Francisco.

No entanto, desde o início deste último pontificado, e particularmente em certas ocasiões – tais como os dois sínodos sobre a família, como a exortação pós-sinodal Amoris laetitia , como o sínodo para a Amazônia e especialmente seu instrumentum laboris , ou ainda o documento sobre a Fraternidade Humanidade – os conservadores têm-se sentido cada vez mais desconfortáveis.

Isso tem-se manifestado em contestações cada vez mais frequentes, e cujas origens são cada vez mais elevadas na hierarquia eclesiástica: contestações à Amoris laetitia através de várias petições, incluindo a famosa corretio filialis, bem como pela carta-dubia de quatro cardeais, ataques regulares a documentos ou atos romanos por Eminências como os cardeais Müller, Brandmüller, Burke ou Zen, bem como por bispos …

Esta contestação é nova. Quase não havia vestígios disso antes de 2013 e da chegada ao trono de Pedro do atual Soberano Pontífice. Existe, portanto, uma ligação clara entre os dois. E há de se acrescentar que esta contradição assume, por vezes, formas mais severas em vários cardeais e bispos. Continuar lendo

MONS. LEFEBVRE: NO CERNE DA “QUESTÃO ECÔNE”: O LIBERALISMO

LEFEBFRE

Em uma Carta a Amigos e Benfeitores publicada em 1975, Mons. Lefebvre explicou o que estava no centro da oposição que se manifestava contra o Seminário de Ecône: o liberalismo, por natureza contrário à Tradição da Igreja. Observações sempre esclarecedoras para compreender a implacabilidade contra a Tradição que infelizmente ainda está em andamento na Igreja.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Como explicar essa oposição à Tradição em nome de um Concílio e sua aplicação? Podemos razoavelmente, e devemos realmente, nos opor a um Concílio e suas reformas? Além disso, podemos e devemos nos opor às ordens da hierarquia que apelam ao Concílio e todas as orientações pós-conciliares oficiais? Eis o grave problema que hoje, passados ​​dez anos pós-conciliares, surge na nossa consciência por ocasião da condenação de Ecône. É impossível responder prudentemente a essas perguntas sem fazer um breve relato da história do liberalismo e do catolicismo liberal nos últimos séculos. Só podemos explicar o presente por meio do passado.

Princípios do liberalismo

Vamos primeiro definir o liberalismo, em poucas palavras, cujo exemplo histórico mais típico é o protestantismo. O liberalismo pretende libertar o homem de qualquer restrição indesejada ou aceitas por ele mesmo.

Primeira libertação: aquela que liberta a inteligência de qualquer verdade objetiva imposta. A Verdade deve ser aceita diferentemente de acordo com os indivíduos ou os grupos de indivíduos, e portanto, é necessariamente compartilhada. A Verdade é criada e buscada incessantemente. Ninguém pode alegar tê-la exclusiva e integralmente. Podemos adivinhar o quanto isso é contrário a Nosso Senhor Jesus Cristo e à sua Igreja.

Segunda libertação: a da fé, que nos impõe dogmas, formulados definitivamente e aos quais a inteligência e a vontade devem se submeter. Os dogmas, segundo o liberal, devem ser submetidos ao crivo da razão e da ciência e isso de forma constante, dado o progresso científico. Portanto, é impossível admitir uma verdade revelada definida para sempre. Notaremos a oposição deste princípio à Revelação de Nosso Senhor e à Sua autoridade divina. Continuar lendo

CENTENÁRIO DA MISSA DE MARIA MEDIANEIRA

maria

Por ocasião do Concílio Vaticano II, a definição do dogma da Mediação Universal de Maria havia sido expressamente solicitada por 300 bispos. Mas durante a preparação deste Concílio, esta [definição] teve como implacável adversário o futuro Paulo VI. Foi o ecumenismo conciliar, com os protestantes em particular, que barrou o caminho a uma definição dogmática.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Este ano de 2021 é o ano do centenário da concessão da Missa de Maria Medianeira por Roma (12 de janeiro de 1921). Concedida pela primeira vez, em 31 de maio, à Bélgica e a todas as dioceses que assim a solicitassem, esta Missa, em alguns lugares, faz parte do Proprio do missal de 1962, no dia 8 de maio. Lex orandi, lex credendi: sendo a lei da oração a lei da fé, esta Missa é a expressão da fé da Igreja a respeito do privilégio da Virgem Santíssima.

Uma doutrina tradicional

Toda a tradição católica ensina que Maria é medianeira de todas as graças. Os Padres Apostólicos – herdeiros diretos dos Apóstolos, os Padres da Igreja, os doutores medievais, os autores da era moderna, os papas, especialmente desde a Revolução até Pio XII – o último papa do pré-Concilio, todos ensinam esse privilégio de Maria Medianeira.

A mediação de Maria é uma doutrina antiga, como evidencia esta citação de São Gregório de Nazianzo (+389) que se dirige à Mãe de Deus: “Porque sabemos que a graça divina chega a nós por vossa intermediação”. Este ensinamento é anterior ao Concílio de Éfeso, que definiu a Maternidade Divina em 431. Isso mostra sua antiguidade.

É também, desde muito cedo, uma doutrina universal na Igreja: “É encontrada pregada nos quatro cantos do mundo mediterrâneo nos séculos III e IV: em Jerusalem por São Cirilo, em Roma por Tertuliano, na Síria por Santo Efrém, em Constantinopla por São João Crisóstomo, no Chipre por São Epifânio, na Capadócia por Santo Anfilóquio, em Verona por São Zeno, em Alexandria por Santo Atanásio, em Milão por Santo Ambrósio, em Cartago por Santo Agostinho.” Todas as grandes sedes episcopais do Cristianismo a pregaram. Continuar lendo

CARTA DE MONS. LEFEBVRE A OITO CARDEAIS, EM 27 DE AGOSTO DE 1986

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Corre-se o grande risco de nos cansarmos ou deixarmos banalizar em nossas mentes os grandes desvios doutrinários e morais que o ensino oficial da Igreja e os papas recentes fazem em particular.

É por isso que devemos ler e reler certos textos que nos permitem manter intacta a nossa capacidade de indignação, porque se baseiam na revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Abaixo uma carta de Mons. Marcel Lefebvre a oito cardeais, datada de 27 de agosto de 1986 ,por ocasião do Encontro de Assis.

“Os discursos e atos de João Paulo II no Togo, no Marrocos, na Índia, na sinagoga de Roma, suscitam nossos corações de uma santa indignação. O que os Santos do Antigo e do Novo Testamento pensam sobre isso? O que a Santa Inquisição faria se ainda existisse?

É o primeiro artigo do Credo e o primeiro mandamento do Decálogo que são desprezados publicamente por aquele que se assenta na Cátedra de Pedro. O escândalo é incalculável na alma dos católicos. A Igreja está abalada em seus alicerces. Se a fé na Igreja, única arca de salvação, desaparece, é a própria Igreja que desaparece. Toda a sua força, toda a sua atividade sobrenatural está baseada neste artigo de nossa fé.

João Paulo II continuará a arruinar a fé católica, publicamente, especialmente em Assis, com a procissão das religiões planejada nas ruas da cidade de São Francisco, e com a distribuição das religiões nas capelas e na basílica para exercer seu culto em favor da paz tal como é concebida na ONU? Isso é o que anuncia o Cardeal Etchegaray, responsável por este abominável Congresso de Religiões. É concebível que nenhuma voz autorizada seja levantada na Igreja para condenar esses pecados públicos? Onde estão os Macabeus?”

Os oito cardeais destinatários foram o cardeal Giuseppe Siri, Arcebispo de Gênova; Cardeal Paul Zoungrana, Arcebispo de Ouagadougou; Cardeal Silvio Oddi, ex-prefeito da Congregação para o Clero; Cardeal Marcelo González Martín, Arcebispo de Toledo; Cardeal Hyacinthe Thiandoum, Arcebispo de Dakar; Cardeal Alfons Stickler, bibliotecário da Biblioteca do Vaticano; Cardeal Édouard Gagnon, Presidente do Pontifício Conselho para a Família, e o Cardeal Pietro Palazzini, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.

PEQUENO CATECISMO DA COMUNHÃO NAS MÃOS

la porte

Fonte: L’Hermine n ° 61 (em La Porte Latine) – Tradução: Dominus Est

Nestes últimos meses, as autoridades da Igreja “conciliar” se apoiaram na pandemia do Covid-19 para encorajar ou impor a prática de receber a Sagrada Eucaristia nas mãos. Em sentido inverso, circulam muitas publicações que pretendem provar que a comunhão sempre foi recebida na língua, mesmo nos primeiros séculos da Igreja. O que devemos pensar? Na Internet existem muitos documentos que, embora defendam a comunhão na língua, o fazem com base em argumentos falaciosos. É necessário, portanto, aprofundar a questão, sem, no entanto, abandonar o estilo simples do catecismo. Por isso, decidimos inserir no texto apenas as principais conclusões, relegando todo o aparato crítico das evidências às notas finais.

  1. O que é a comunhão nas mãos hoje?

A comunhão nas mãos é uma prática da liturgia romana reformada após o Concílio Vaticano II. O sacerdote (ou outro ministro da Eucaristia, que na nova liturgia também pode ser um leigo [1] coloca a hóstia sobre a palma da mão esquerda do fiel, que a pega com a mão direita e a leva à boca.

  1. Quando essa prática foi introduzida?

A prática atual da comunhão nas mãos foi introduzida oficialmente em 29 de maio de 1969 pela Instrução Memoriale Domini da Sagrada Congregação para o Culto Divino [2]. Este documento, embora exprima uma preferência pela comunhão na língua, confia às Conferências Episcopais, após consulta ao Vaticano, o poder de autorizar a comunhão nas mãos.

  1. Trata-se de uma simples tolerância ou uma autorização verdadeira?

Alguns autores, se apoiando na carta da Instrução Memoriale Domini, vêem a comunhão na mão como um mal que o Vaticano teria tolerado unicamente por causa das circunstâncias. De fato, em alguns países (especialmente Bélgica, Holanda, França e Alemanha) a comunhão na mão já havia sido introduzida abusivamente. Ao invés de deixar a porta aberta para uma experimentação anárquica, o Vaticano teria preferido aceitá-la e regulamentá-la. Esta interpretação benevolente é, no entanto, contrariada pelos fatos. De fato, se tivesse sido apenas uma mera tolerância, o Vaticano teria que desencorajar a comunhão nas mãos nos países onde ela não havia sido difundida. No entanto, aconteceu o oposto. Por exemplo, a comunhão nas mãos foi autorizada na Itália em 1989, na Argentina em 1996, na Polônia em 2005. Além disso, D. Annibale Bugnini, Secretário da Congregação para o Culto Divino, deixou claras as intenções do Vaticano em um artigo publicado em 15 de maio de 1973 no Osservatore Romano e revisado pelo próprio Paulo VI [3]: para não mortificar “um significativo número de bispos, que se referem a uma prática [comunhão na mão] igualmente válida na história da Igreja e que, em certas circunstâncias, pode ser útil ainda hoje”. Agora, “válido” e “útil” não se referem a um mal que é tolerado, mas a um bem que é autorizado. A conclusão é óbvia: não há mera tolerância, mas verdadeira autorização, embora restrita. Continuar lendo

NA ALEMANHA, UMA PROFANAÇÃO PROVOCATIVA ANTI-ROMANA

O caminho sinodal próximo de seu objetivo

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em breve faltarão palavras e epítetos para descrever a revolta que não só ressoa na Alemanha, mas passa a atos provocativos ao desafiar a disciplina católica recentemente recordada pela Congregação para a Doutrina da Fé (CDF).

Para registro, em 15 de março, a CDF publicou um “responsum afirmando que a Igreja não pode abençoar as uniões do mesmo sexo. A breve resposta foi acompanhada por uma nota explicativa e um comentário com todas as justificativas teológicas e canônicas.

As reações que se seguiram vieram comprovar a necessidade desse ato de esclarecimento da CDF. Certos Bispos, como Mons. Johan Bonny, da Antuérpia, se mostraram particularmente virulentos .

As reações da “base” também não demoraram a surgir . Mais de 200 acadêmicos alemães protestaram acusando o texto de “falta de profundidade teológica, compreensão hermenêutica e rigor argumentativo“. Ao mesmo tempo, mais de 2.000 “pastores” – padres, diáconos, assistentes pastorais – manifestaram uma recusa declarada em cumprir.

Esta revolta sobe a um novo nível na rebelião. Um grupo de padres alemães decidiu estabelecer um dia de bênção para todos os casais LGBT +, marcado para 10 de maio, segunda-feira antes do Dia da Ascensão.

Um site foi dedicado ao que deve ser qualificado como uma profanação provocativa contra a autoridade romana, intitulado “liebegewinnt”, que pode ser traduzido como “vitória do amor”. Ele permite que os responsáveis ​​especifiquem os locais onde essas cerimônias sem nome serão realizadas.

Uma dúzia de cidades alemãs já estão envolvidas, em terras da Baviera, Baden Württemberg, Renânia-Palatinado, Renânia do Norte-Vestfália, Baixa Saxônia e Hamburgo. Haverá muita pompa com grandes bandeirolas para decorar as fachadas.

Os organizadores explicam que, face a recusa do CDF, continuarão a “apoiar as pessoas que se comprometem numa parceria vinculativa e a abençoar a sua relação”. Acrescentam que respeitam e apreciam o seu amor e que acreditam “que a bênção de Deus está com eles”.

Concluem afirmando: “Não aceitamos que uma moralidade sexual excludente e ultrapassada se realize em detrimento das pessoas e prejudique o nosso trabalho pastoral.

Mons. Franz-Josef Overbeck, Bispo de Essen, Renânia do Norte-Vestfália, entretanto, declarou que nada faria contra os padres que se propuseram a abençoar as uniões homossexuais. Basta dizer que ele não é o único e que os Bispos que se opõem a ela podem ser contados nos dedos de uma mão.

O cisma alemão está sendo consumado diante de nossos olhos.

SEITAS MAÇONICA, LIBERAL E CONCILIAR…

La franc-maçonnerie, ennemie déclarée du Christ et de l'Eglise • La Porte  Latine

A Maçonaria segue uma doutrina radicalmente oposta à doutrina do Verbo Encarnado: segue uma doutrina humana, inventada por homens como outros e propagada por eles.

Fonte: Le Chevalier de l’Immaculée n°15 – Tradução: Dominus Est

A Igreja Católica sempre se referiu à Maçonaria como uma “seita”. Esta palavra está relacionada ao verbo sequor que, genericamente significa seguir, fisicamente, caminhar em direção a.., moralmente se apegar a… [1] . Daí a palavra secta : seguimento, partido, seita. A rigor, uma seita é, portanto, um grupo de pessoas que seguem, que se apegam a um homem, sua doutrina e seus exemplos.

A Igreja Católica não é uma seita porque não segue a doutrina e as regras morais de uma pessoa qualquer, de um homem como outro qualquer; pelo contrário, está unida e fixada a uma Pessoa divina: o Verbo Encarnado, Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ela professa, portanto, uma doutrina e uma moralidade de origem divina. Mas, acima de tudo, a Igreja Católica dá ao discípulo de Cristo os meios sobrenaturais de se ligar a Ele: a fé e a graça sobrenaturais.

A Maçonaria segue uma doutrina radicalmente oposta à doutrina do Verbo Encarnado: segue uma doutrina humana, inventada por homens como outros e propagada por eles. Sua doutrina é antidogmática, liberal e permissiva. Esta doutrina é falsa, e que foi condenada pela Igreja Católica. Aqueles que adentram na Maçonaria realmente entram em uma seita, e uma seita anticristã. É por isso que a Igreja condena com a excomunhão (CDC 1917) aqueles que aderem a esta sociedade secreta cujas obediências são múltiplas e variadas. Os maçons, consequentemente, são pessoas sectárias: aqueles que defendem a tolerância em todas as áreas são insuportavelmente intolerantes para com todos aqueles que não aceitam suas ideias. Um maçom também pode ser reconhecido por sua suscetibilidade. Porque ele não suporta ser contradito.

Quando a Igreja Católica fala de liberalismo, ela ainda fala de uma seita: a “seita liberal“. Louis Veuillot não disse: “Não há sectário maior do que um liberal “? Sim, o liberalismo é sectário: “Nenhuma liberdade para aqueles que são contra a liberdade!” Eis porque que os liberais não suportam a Tradição. Quando a Igreja Católica fala de modernismo, ela fala também de seita. Não poderíamos dizer que a igreja conciliar (Mons. Benelli), que é de fato modernista, é também uma seita? Pode ser, na medida em que procura impor, de maneira autoritária, sua doutrina adulterada que não é a da Revelação, e isso em nome da missão recebida de Cristo. Porque afirma ter integrado os melhores valores de dois séculos de cultura liberal no magistério da Igreja Católica (Card. Ratzinger). Assim, sua doutrina se junta à da seita liberal e da seita maçônica. Um maçom poderia dizer que a Maçonaria permaneceu o que era, que a Igreja também permaneceu o que era, mas que agora eles tinham uma coisa em comum: a liberdade religiosa.

A única maneira de se libertar da tendência sectária maçônica, liberal e conciliar é manter a Tradição, integra e completa.

Notas F. Martin, As palavras latinas , Hachette, Paris, 1976, pp. 236-237

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 NOTA DO BLOG 1- Uma excelente Carta do Papa Leão XIII, a Humanun Genus, sobre a maçonaria pode ser lida clicando aqui.

NOTA DO BLOG 2- Alguns textos e condenações da Igreja à Maçonaria podem ser vistos clicando aqui.

NOTA DO BLOG 3- Aulas do Pe. Boniface, FSSPX, sobre a Maçonaria podem ser vistos clicando (Episódio 1Episódio 2Episódio 3Episódio 4Episódio 5Episódio 6Episódio 7Episódio 8, Episódio 9Episódio 10Episódio 11) 

NOTA DO BLOG 4- Excelentes livros sobre o Liberalismo podem ser comprados aqui:

  • A Ilusão Liberal – Louis Veuillot: aqui e aqui
  • O Liberalismo é Pecado – Pe. Feliz Sardá Y Salvany: aqui

NOTA DO BLOG 5- Sobre a Liberdade Religiosa clique aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

ENTREVISTA COM O SUPERIOR GERAL DA FRATERNIDADE SACERDOTAL SÃO PIO X SOBRE O PONTIFICADO DO PAPA FRANCISCO.

NÃO CAPITULAR PERANTE O MUNDO, MAS RECAPITULAR TODAS AS COISAS EM CRISTO

DICI : Reverendo Superior Geral, hoje faz oito anos que o Papa Francisco subiu ao trono de São Pedro e, em ocasião desse aniversário, o Sr. quis nos dar essa entrevista: muito obrigado!

Para alguns observadores do pontificado de Francisco, em particular àqueles que estão ligados à Tradição, parece que não há mais combate entre ideias: para eles, hoje é a práxis que domina – ou seja, a ação concreta, inspirada por um pragmatismo em larga escala. Que pensa o senhor?

Padre Pagliarani : Não creio que ele cometa, desse modo, o erro de opor ação e ideias. O Papa Francisco é, certamente, pragmático; mas sendo um homem de governo, sabe perfeitamente aonde vai. Uma ação de grande amplitude sempre é inspirada por princípios teóricos, por um conjunto de ideias que, muitas vezes, é dominado por uma ideia central a qual toda práxis pode e deve estar relacionada.

É necessário reconhecer: os esforços para compreender os princípios do pragmatismo de Francisco não se fazem sem tentativa e erro. Por exemplo, alguns acreditaram encontrar seus princípios de ação na teología del pueblo, variante argentina – e muito mais moderna – da teologia da libertação… Parece-me, na verdade, que Francisco se situa além desse sistema, e mesmo de qualquer sistema conhecido. Creio que o pensamento que o anima não pode ser analisado e interpretado de modo satisfatório se nos limitamos aos critérios teológicos tradicionais. Francisco não somente está além de todo sistema conhecido: está acima.

O que quer dizer com isso?

Com João Paulo II, por exemplo, apesar de tudo o que se possa deplorar, certos pontos da doutrina católica ficaram intocados. Com Bento XVI, ainda estávamos lidando com um espírito ligado às raízes da Igreja. Seu considerável esforço para conseguir a quadratura do círculo, conciliando a Tradição com o ensinamento conciliar e pós-conciliar, embora fadado ao fracasso, contudo revelava uma preocupação de fidelidade à Tradição. Com Francisco, tal preocupação não existe mais. O pontificado em que vivemos é um ponto de inflexão histórico para a Igreja: humanamente falando, as fortalezas que ainda subsistiam foram destruídas; e, paralelamente, revolucionando-se, a Igreja redefiniu sua missão perante as almas e o mundo. Continuar lendo

A MISSA É UM FREIO AO GLOBALISMO

Espanha e Portugal

Pe. Xavier Beauvais, FSSPX

Durante este encarceramento a que estamos em vias de nos submeter, vimos surgir um grande furor contra a Missa nas nossas capelas e igrejas.

É certo que, golpeando-se a Missa, a Igreja é enfraquecida. Nós já o vimos em 1969, com o novo rito de Paulo VI. Para que a Igreja vacile no tocante ao dogma e à disciplina, é preciso combater a Missa. Esse era (e ainda é) um dos melhores meios de evacuar e substituir, pouco a pouco, a moral católica, os usos e costumes da catolicidade.

O governo francês atual sabe muito bem disso quando nos impede de celebrar a Missa.

Sabemos que o alinhamento dos costumes de todo o mundo à ética maçônica está o coração do globalismo em marcha. Todo freio – e a Missa é um freio – todo obstáculo a esse projeto deve ser tiranicamente suprimido. O principal adversário do globalismo é a renovação do Sacrifício da Cruz, pois sabemos que a Missa é o remédio individual, social e político ao vírus e aos males dos tempos modernos.

Em face da liberdade desenfreada, ela clama ao dom de si.

Em face da igualdade absoluta, apela ao senso de hierarquia.

Em face da fraternidade fundada sobre o homem, lembra da caridade, ou seja, do amor na verdade que os homens devem uns aos outros, em nome de Deus.

Toda a ordem da civilização repousa sobre o altar, eis o porquê de ser preciso lutar sem cessar pelo tesouro oferecido por Nosso Senhor e gritar: “Devolvam-nos a Missa”.

É justamente nesse espírito que o Pe. Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, lançou no dia 21 de novembro um apelo enérgico a uma Cruzada de Orações até a Quinta-Feira Santa, 1º. de abril de 2021. Continuar lendo

DUAS ENCÍCLICAS SOB O PATROCÍNIO DE ASSIS

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Fonte : La Porte Latine – Tradução : Dominus Est

Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX

Com cinco anos de intervalo, o Papa Francisco publicou duas Encíclicas, das quais pode-se dizer que tem a intenção de ser decisivas na orientação da doutrina oficial da Igreja pós-Vaticano II. E tal orientação é sempre colocada pelo próprio Papa sob o patrocínio de São Francisco de Assis. Em 24 de maio de 2015,naLaudato Si, o Papa já se referia explicitamente ao Cântico das criaturas: «Neste gracioso cântico», escrevia ele, «recordava-nos [o santo de Assis] que a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços»[1]. Em 3 de outubro de 2020, com a Fratelli Tutti, o Papa referiu-se ao texto da Regra dos frades menores: «Fratelli Tutti foi escrita por São Francisco de Assis dirigindo-se a seus irmãos e irmãs, para lhes propor uma forma de vida com o sabor do Evangelho. Destes conselhos, quero destacar o convite a um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço»[2].

Essa referência a São Francisco de Assis não é vã, porque pretende iluminar a ligação profunda que une as duas Encíclicas no pensamento do Papa. «Este Santo do amor fraterno», disse logo no começo da recente Encíclica, «da simplicidade e da alegria, que me inspirou a escrever a encíclica Laudato si’, volta a inspirar-me para dedicar esta nova encíclica à fraternidade e à amizade social»[3].A inspiração é, portanto, a mesma nos dois casos. E além de ser uma piedosa dedicatória, o assunto abordado pretende mostrar uma ligação orgânica que deve conservar toda sua importância. Essa ligação profunda aparece desde o começo de Fratelli Tutti, quando o Papa evoca o sentido de fraternidade no Poverello: «Com efeito, São Francisco, que se sentia irmão do sol, do mar e do vento, sentia-se ainda mais unido aos que eram da sua própria carne»[4]. Aqui, o sentido da fraternidade encontra o sentido da ecologia: ambos devem se situar no mesmo plano, e entre um e outro – pelo menos no pensamento do Papa – há apenas uma diferença de grau, sendo o sentido da fraternidade meramente mais intenso que o da ecologia.

Um outro indício mostra o parentesco profundo das duas Encíclicas. Com efeito, o Papa indica mais adiante quais foram suas «fontes de inspiração» para ambos os textos. «Se na redação da Laudato si’», escreve, «tive uma fonte de inspiração no meu irmão Bartolomeu, o Patriarca ortodoxo que propunha com grande vigor o cuidado da criação, agora senti-me especialmente estimulado pelo Grande Imã Ahmad Al-Tayyeb, com quem me encontrei, em Abu Dhabi, para lembrar que Deus “criou todos os seres humanos iguais nos direitos, nos deveres e na dignidade, e os chamou a conviver entre si como irmãos”»[5]. Nas duas Encíclicas, o Papa obteve sua inspiração fora das fontes da Revelação divina, fora dos monumentos da Tradição católica. Ele encontrou sua inspiração junto a um cismático para a Laudato si’ e junto a um infiel para a Fratelli Tutti. Continuar lendo

A CRÍTICA DO VATICANO II

Concílio Vaticano II. Um Guia de Leitura | by IHU | Instituto Humanitas  Unisinos | Medium

Fonte: Courrier de Rome  n.º 335, julho-agosto de 2010 – Tradução: Dominus Est

Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX

«Por uma contradição boba, surgem discussões sobre o que deveria ser julgado com um rápido olhar e os debates começam entre os próprios críticos»[1]. Seria necessário ainda começar por entender o sentido da palavra «crítica»…

1 – Prólogo: a crítica

1.1 – Definição etimológica

A palavra «crítica» vem de um verbo grego que significa «julgar». Segundo essa definição nominal, a crítica é o ato do juízo. O ato do juízo é aquele em que o intelecto afirma ou nega atribuindo ou negando uma qualidade, boa ou má, a um sujeito.

1.2 – Os diferentes sentidos possíveis da palavra

Fala-se mais frequentemente de «crítica» quando o juízo tem por objeto atos do intelecto ou da vontade. Por exemplo, critica-se o comportamento de seus semelhantes porque se exerce um juízo sobre os atos de vontade do outro; ou ainda criticam-se opiniões porque se exerce um juízo sobre outros juízos. Fala-se também de «crítica», mas não a respeito das operações humanas, mas a respeito das obras artificiais que podem resultar delas: crítica das obras de arte mecânica (tal como pode ocorrer no âmbito de competições agrícolas) ou crítica das belas artes (como a crítica literária).

Em um sentido particular, o juízo que se exerce sobre o ato do intelecto enquanto tal (na medida em que ele é o ponto de partida válido de toda especulação) pertence propriamente à sabedoria metafísica. E o juízo que se exerce sobre o ato de fé teologal enquanto tal pertence propriamente à teologia, na sua parte apologética. Enfim, fala-se também de «crítica» num sentido pejorativo, para denominar o juízo injusto, que se produz de dois modos: no caso do juízo temerário[2], quando aquele que pretende julgar não tem o conhecimento requerido – necessário e suficiente – para poder fazê-lo; ou no caso do juízo usurpado[3], quando aquele que pretende julgar não possui a autoridade requerida para poder fazê-lo.

No primeiro caso[4], há, em primeiro lugar e antes de tudo, uma ignorância, que levará a um erro e depois a uma injustiça[5]; no segundo caso[6], há primeiro e antes de tudo uma injustiça[7] que levará à outra injustiça[8], mesmo se não houver nem e ignorância e nem erro. Mas nos dois casos, a injustiça do juízo não consiste em decidir mal ao invés de decidir bem: o juízo é injusto na precisa medida em que aquele que julga (favoravelmente ou não, pouco importa) não pode reivindicar, valendo-se de seus dizeres, nem a ciência e nem a autoridade suficientes. Continuar lendo

EPIFANIA E CONTRA-EPIFANIA

SERMÃO INÉDITO DE MONS LEFEBVRE PROFERIDO NA SOLENIDADE DA EPIFANIA DE 1987, EM ECÔNE.

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Neste sermão, Mons. Lefebvre explica que a Epifania, ou Teofania, significa a “manifestação de Deus”.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

RESUMO

Pax romana contra Pax christiana

Mons. Lefebvre demonstra a diferença entre a Pax Romana, a paz romana de Augusto, a do mundo, e a Pax christiana, a paz cristã.

Os Magos e os Apóstolos acreditaram na manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo, único Salvador: eles tinham a fé. Através do batismo, de Seu sacrifício, de Sua eucaristia, Jesus divinizará as almas, lhes ensinará o que são: verdade, virtude e santidade. O mundo será completamente transformado sob a influência de Jesus Cristo e de Sua Santa Igreja, as almas abandonarão, na medida do possível, seus vícios, sua impiedade, seu apego ao erro, às coisas deste mundo.

A Pax christiana é a ordem de Nosso Senhor nas almas, nas famílias, nas vilas, na cidade. Durante séculos, Jesus Cristo foi verdadeiramente o Rei, o Rei reverenciado deste mundo, e sua Igreja foi a Rainha, sua Esposa Mística. Ah, se os homens tivessem compreendido, se tivessem escutado… como o mundo seria feliz, como o mundo seria a sala de espera do céu, como viveria em paz.

Uma luta até a morte

Diante desse programa ergue-se a imagem de Satanás, aquele que reinou no mundo antes de Jesus vir para tirar seu império. É a luta até a morte, morte aos cristãos. Os reis magos manifestaram a sua fé: o sangue dos pequenos inocentes escorrerá, porque cremos em Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus chega à margem do Jordão, o Espírito Santo apareceu, o Pai O designou como Salvador do mundo: a cabeça de João Batista cairá. Satanás acredita triunfar, fez Jesus preso ao cadafalso da Cruz e eis que Nosso Senhor ressuscita. Esse combate continuará em todos os lugares. Durante os primeiros três séculos o sangue fluirá. As falsas religiões se levantarão violentamente. O triunfo não está garantido por Satanás, então ele atacará os espíritos, os afastará da fé, fará penetrar as heresias e os cismas, mas a Igreja permanece sempre forte, poderosa contra os erros, ela defende sua fé até a morte, se necessário.

Satanás inventou outra coisa agora, ele destruirá a própria cristandade em seus aspectos mais fundamental, na raiz de sua fé. A partir de agora espalhará na Igreja e através da Igreja que a salvação em Jesus Cristo não é essencial, que Jesus Cristo é uma opção. É a própria fé que está em questão. Pode-se escolher a religião que quiser para se salvar. A religião católica deve respeitar as outras, eis onde chegamos. É uma contra-epifania.

A epifania é um programa para nós, é a vida do cristão. A fé, o batismo, o sacrifício de Jesus Cristo são nossas estrelas nos dias de hoje. Manifestemos nossa fé, até mesmo com derramamento de nosso sangue se necessário, seguindo todos aqueles que foram testemunhas de Jesus Cristo.

O Sermão

O QUE IMPEDE A CONSAGRAÇÃO DA RÚSSIA AO IMACULADO CORAÇÃO? O VATICANO II

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Nossa Senhora pediu que a consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração fosse realizada pelo Papa e por todos os bispos do mundo. Esta consagração nunca foi realizada conforme o pedido da Santíssima Virgem. Mas, por que é tão difícil realizar esta consagração, tão simples em si mesma?

Primeira razão

A consagração ao Imaculado Coração de Maria é um ato religioso dirigido a uma nação, isto é, a uma realidade política. É, portanto, contrária ao liberalismo político dos Estados preconizado pelo Concílio Vaticano II nos textos Dignitatis Humanae e Gaudium et Spes .

Segunda razão

Além disso, a consagração a Maria nada mais é do que uma “preparação para o reino de Jesus Cristo” [1]. Agora, desde o Concílio, a Roma modernista não parou de descoroar Jesus Cristo socialmente. Com efeito, foi ela quem sistematicamente organizou a apostasia das nações católicas em nome do Vaticano II [2].

Terceira razão

Essa consagração faria com que os cismáticos da Igreja Ortodoxa voltassem ao seio da Igreja Católica. É, portanto, contrário à teoria conciliar das “igrejas irmãs” (o famoso subsistit in da Lumen Gentium), segundo a qual as igrejas católica, ortodoxa e protestante são três partes da Igreja de Cristo. Continuar lendo

CONFERÊNCIA DO PE. PAGLIARANI, SUPERIOR GERAL DA FSSPX: “O PONTIFICADO DO PAPA FRANCISCO – CONTINUIDADE COM SEUS PREDECESSORES (PÓS-CONCILIARES) E NOVIDADES PRÓPRIAS”.

A resposta da Tradição ao naufrágio conciliar

No dia 18 de janeiro de 2020, aconteceu em Paris, França, o congresso do Courrier de Rome em colaboração com o DICI, o órgão de comunicação da Fraternidade São Pio X. No contexto do Sínodo da Amazônia, da colegialidade e do caminho sinodal alemão, os trabalhos se esforçaram para responder a essa grave questão: “Há hoje na Igreja o risco de cisma?”

Em conclusão, o Superior Geral da Fraternidade São Pio X expôs qual deveria ser a Resposta da Tradição à eclesiologia conciliar. Voltando ao ensino da encíclica do Papa Francisco, Laudato si’, o Padre Davide Pagliarani mostrou como o papa atual faz parte da continuidade do Concílio Vaticano II enquanto fazia seus próprios acréscimos, novidades que aceleram a autodestruição da Igreja tornando praticamente impossível a vida católica.

NÃO PERCAM – SÁBADO, 02/01 – CONFERÊNCIA DO PE. DAVIDE PAGLIARANI

Vejam o que publicaremos no próximo sábado, 02/01.

Conferência do Pe. Pagliarani, Superior Geral da FSSPX: “O pontificado do Papa Francisco: continuidade com seus predecessores (pós-conciliares) e novidades próprias“. A resposta da Tradição ao naufrágio conciliar.

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Não percam!!!

A GRANDE ILUSÃO DOS CLÉRIGOS NO CONCÍLIO VATICANO II

paulo vi

Esta síntese de Mons. Lefebvre manifesta o viés psicológico que levou ao desastre conciliar.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

A preparação desta ilusão perante o Concílio

Seria necessário escrever longas páginas para detectar todas as causas que prepararam esta incrível ilusão dos clérigos, para não dizer dos Bispos do Concílio Vaticano II.

Sem repetir a história do liberalismo e do modernismo bem conhecido de nossos leitores, devemos afirmar que, apesar das solenes e repetidas advertências dos Papas do século XIX e da primeira parte do século XX, esses erros originários das lojas maçônicas, habilmente difundidos e disseminados por todos os meios modernos de difusão do pensamento, continuaram a crescer, a inspirar as sociedades civis e por meio delas a invadir todas as instituições públicas e privadas, todas as famílias e, da mesma forma, os Seminários e as Universidades Católicas.

Em breve, as próprias ordens religiosas e suas revistas espalharão esses erros que reduzem a fé a um sentimento natural de religião, atos de religião a simples manifestações desse sentimento. A partir de então, seriam os próprios clérigos que destruiriam sua fé, submetendo-a a razão e fazendo desaparecer a vida sobrenatural, a vida da graça.

As guerras também contribuíram para a desordem e, acima de tudo, para a desordem moral, em particular a última guerra. Após o conflito, a euforia da prosperidade material trouxe um desejo desenfreado de diversão. O naturalismo infiltrado na Igreja fez desaparecer a noção de pecado, exaltando a consciência individual, o orgulho da personalidade humana que se tornara adulta e responsável. Todos os abusos, todos os crimes tornaram-se legítimos e protegidos pela consciência! Continuar lendo